LINGUAGEM E ARGUMENTAÇÃO JURÍDICA

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1 AULA 9 PG 1

2 Este material é parte integrante da disciplina Linguagem e Argumentação Jurídica oferecido pela UNINOVE. O acesso às atividades, as leituras interativas, os exercícios, chats, fóruns de discussão e a comunicação com o professor devem ser feitos diretamente no ambiente de aprendizagem on line. AULA 9 PG 2

3 Sumário AULA 09 A DISSERTAÇÃO NO TEXTO JURÍDICO...4 AULA 9 PG 3

4 AULA 09 A DISSERTAÇÃO NO TEXTO JURÍDICO Dando continuidade ao estudo das tipologias textuais no discurso jurídico, vimos na aula passada a narração propriamente dita e como ela pode apresentar aspectos de dissertação e de descrição. Nesta aula, vamos nos concentrar na dissertação que é o principal tipo de texto produzido pela comunidade jurídica. Não se pode perder de vista que o texto dissertativo é aquele em que se busca expor uma ideia, podendo ser expositivo ou argumentativo ou ainda expositivo argumentativo, como ocorre com a maioria das produções textuais jurídicas, de que servem de exemplo os recursos, as sentenças e acórdãos. Uma preocupação deve estar sempre presente no texto dissertativo. Ele representa uma tomada de posição diante de um dado tema ou problema. Assim é o que ocorre com o advogado do autor ao sustentar a violação do direito do cliente para o que pretende uma sentença favorável como o que acontece com o advogado do réu, ao sustentar a adequação do comportamento do seu cliente ao ordenamento jurídico ou à regra do contrato, por exemplo, para pedir por uma sentença desfavorável à parte contrária. Ao juiz, na sentença, considerada a sua função de aplicador do direito, cabe tomar uma posição diante do conflito que lhe foi submetido, estampando na sentença a sua decisão, que a partir dos fundamentos que invocar convencerá ou não um dos demandantes, que não satisfeitos com a decisão, hão de recorrer e no Tribunal irão buscar o convencimento do colegiado acerca do acerto ou desacerto da decisão de primeiro grau. O texto dissertativo seja expositivo, seja argumentativo está presente na petição inicial com a fundamentação do pedido. Veja que o advogado do autor, por determinação do artigo 282, do Código de Processo Civil, além de declinar a causa de pedir, isto é, narrar os fatos jurídicos relevantes para a demanda, como vimos na aula anterior, deve apontar as consequências desses fatos e, depois, a violação do direito do cliente. Perceba se que não se trata de mera descrição ou de uma narração, mas de verdadeira fundamentação do segue logo abaixo, que é o pedido. Os pedidos formulados ao juiz devem ser justificados, devem apresentar se numa relação de causa e efeito. O estabelecimento dessa correlação necessária entre os fatos causa de pedir e o pedido consiste na parte dissertativa AULA 9 PG 4

5 expositiva quando se tratar de questões jurídicas mais simples, para o que bastará a invocação do texto normativo. Nem sempre, contudo, as questões levadas ao Poder Judiciário são simples. Então, nas causas mais complexas, que imponham outros desdobramentos, o texto dissertativo não poderá ser simplesmente expositivo, mas sim argumentativo para que uma tese, por meio dos argumentos jurídicos, seja defendida. Vimos falando do advogado do autor, mas o advogado do réu, na contestação, não se limita a descrever quaisquer fatos. De acordo com o artigo 333, II, do Código de Processo Civil, o advogado do réu, na contestação, que é a peça processual de defesa mais importante no processo civil, deve descrever três tipos de fatos. Os fatos que devem ser descritos pelo advogado na contestação são aqueles que de alguma forma impeçam o exercício do direito alegado pelo autor. São os chamados fatos impeditivos. Pode, também, o advogado descrever fatos que modifiquem esse mesmo direito do autor. São os chamados fatos modificativos. E por fim, pode o advogado descrever fatos extingam esse direito. São os chamados fatos extintivos do direito.a contestação é ou pode não ser apenas um texto narrativo ou descritivo, impondo se que ele adote uma estrutura dissertativa argumentativa. Lembre se que o réu sempre quer uma sentença que seja desfavorável ao autor e por isso haverá de invocar argumentos contrários àqueles levantados pelo autor na petição inicial ou no recurso. Aliás, a petição recursal é o veículo, por excelência de texto dissertativo argumentativo, na medida em que aquele a quem for dada uma sentença desfavorável, ao valer se do segundo grau de jurisdição, poderá recorrer ao Tribunal para que, apontando o desacerto da decisão ou da sentença e buscando convencer e persuadir o colegiado, logre êxito na modificação da decisão ou da sentença. Em qualquer desses tipos de textos jurídicos, o advogado deve valer se não apenas da demonstração conceitual da tese que defende, mas também da demonstração factual, isto é, das provas que vai produzir ao longo do processo e na fase probatória, o que significa dizer que a produção argumentativa do advogado não se dá em certos e determinados momentos, mas ao longo de todo o processo judicial que se desenvolve numa estrutura dialética. Perceba se, portanto, que a lógica da argumentação jurídica não está fundada na busca de uma verdade absoluta, mas na persuasão e no convencimento a respeito da versão dos fatos e das teses debatidas e demonstradas. AULA 9 PG 5

6 A par do estatuto ético que rege a atuação do advogado dentro e fora do juízo, o principal comprometimento desses operadores do direito é a proteção da ordem jurídica violada com o conflito. Por isso, a atuação do advogado se volta para a demanda e os textos produzidos por advogados são parciais, na medida em que representam os interesses das partes que são os sujeitos parciais do processo. O juiz está equidistante dos interesses contrapostos na demanda e, como garantia institucional, deve ser imparcial, produzir um texto jurídico menos subjetivo do que aquele produzido pelos advogados. Diz se menos subjetivo, porquanto para a aplicação da norma jurídica será preciso interpretá la e a interpretação como ato de vontade e um ato de inteligência não se reveste de neutralidade axiológica. Isto é, o juiz ao interpretar a norma e fazê la incidir sobre o caso concreto para solucionar o conflito não o faz ao arrepio de seus valores morais, religiosos, políticos ou ideológicos. É importante ter em mente que o juiz não tem conhecimento do fato real, senão por meio das versões apresentada pelos advogados nos seus escritos processuais, por isso a importância da boa construção da peça processual, por isso determina o artigo 458, do Código de Processo Civil, que logo após o relatório, que vimos na aula anterior apresentar uma estrutura narrativa, segue a fundamentação. A fundamentação é a alma da sentença, pois é nela que o juiz vai examinar os fatos e os fundamentos apresentados pelos advogados em suas produções textuais ao longo do processo. É na fundamentação que o juiz desenvolve um texto argumentativo, traçando de forma lógica e coerente a solução que vai apresentar na parte final da sentença, chamada de dispositivo. E tanto uma parte quanto outra devem ser claras, coerentes, coesas e fácil compreensão. Perceba que a argumentação da sentença está endereçada à parte que perdeu a demanda. Para uma síntese dessa primeira metade do nosso curso de Linguagem e Argumentação Jurídica e de tudo quanto vimos até agora, não perca de vista que a construção de um texto jurídico segue, ao menos em tese, a mesma estrutura dos textos não jurídicos. Assim, um advogado, um juiz, um promotor, um delegado poderá produzir uma narração, uma descrição ou uma dissertação. A particularidade do texto jurídico reside no tema tratado e na finalidade da comunicação escrita. AULA 9 PG 6

7 Como qualquer outro texto, o jurídico deve ser claro, preciso, coeso, coerente, fluente, o que se consegue com o planejamento, com a organização de ideias, com seu encadeamento lógico e natural, com a escolha do estilo e do vocabulário. Seja qual for o texto jurídico que você vá produzir, uma petição inicial, uma contestação ou razão de algum recurso, além de você ter de seguir e de se preocupar com o aspecto formal do texto, que será objeto de estudo numa disciplina própria chamada de Prática Jurídica, você não pode se esquecer da estrutura básica do texto, qual seja, introdução, o desenvolvimento e a conclusão. Você já sabe que na introdução você deve estabelecer o assunto de que vai tratar, apontando para o interlocutor o tema. No desenvolvimento, você não deve apenas fundamentar suas ideias, deve explicar as razões do raciocínio, deve expor os argumentos de forma a convencer e persuadir o interlocutor da tese que você apontou na introdução, e para tanto é importante que você conheça os operadores argumentativos ou sinalizadores de argumentação, que são palavras que indicam a introdução de argumentos. Por fim, na conclusão, depois de apresentar uma síntese das principais ideias discutidas. AULA 9 PG 7

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