Anexo I. Roteiro- estudo do caso concreto: passo a passo

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1 Anexo I Roteiro- estudo do caso concreto: passo a passo Ao se provocar o judiciário por meio de uma Petição Inicial para que um conflito de interesses seja resolvido, pressupõe-se que haja uma relação jurídica entre as partes autor e réu. Tratando-se de área não penal, essa relação jurídica nasce a partir de um fato capaz de gerar entre ambas as partes direitos e deveres (obrigações). Como já visto, a interpretação é fator de construção do sistema jurídico, logo é impossível pensar as tramas jurídicas sem a atividade interpretativa. O estudioso do Direito tem de se conscientizar de que nenhum direito, por mais importante que seja, pode ser visto como absoluto, ficando sempre condicionado ao exame minucioso de cada contexto fático. Para se desenvolver um bom trabalho forense, há necessidade de o advogado primeiramente identificar, na situação fática relatada pelo seu cliente, todos os elementos que estruturam uma boa narrativa jurídica, como: QUEM QUER? QUER O QUÊ? DE QUEM? POR QUÊ? ONDE? QUANDO? COMO?, pois essas perguntas são importantes porque permitem perceber vários pontos relevantes do caso concreto a ser trabalhado. Após essa primeira etapa, deve-se colocar todos os fatos relevantes (fatos simples e fato jurídico) na ordem rigorosamente linear, estabelecendo relações lógicas entre os fatos narrados, e, em seguida, iniciar a narrativa jurídica. 1

2 Atentar sempre para a importância de cada uma dessas perguntas na elaboração da narrativa jurídica, como também para a seleção cuidadosa dos fatos que melhor atendem aos interesses do seu cliente. Isso não significa que o advogado não venha a narrar os fatos que contrariarem a pretensão do seu cliente, porque isso seria agir de litigância de má fé. Os fatos contrários aos interesses do cliente devem ser narrados e descritos de forma breve sem se dar muita importância a eles (estratégia da indiferença, como se não fossem relevantes ou verossímeis, mas sim meras alegações infundadas). Portanto, o modo de organizar a narrativa dos fatos já direciona o juiz a refletir sobre a veracidade dos fatos narrados e a considerar em seu julgamento a tese mais verossímil e justa que será apresentada pela parte no próximo elemento da Petição Inicial - Do Direito. Primeira Pergunta: Quem Quer? O Autor Lembre-se de que não há necessidade de se qualificar as partes no corpo da narrativa, pois esse elemento da Inicial é anterior ao elemento Dos Fatos, no qual se apresenta a narrativa jurídica. Segunda Pergunta: O Quê? 2

3 Retrata o pedido, o mérito. A causa de pedir deve ser a decorrência lógica dos fatos e fundamentos narrados. Quando o autor, por meio do seu representante legal, narra fatos e apresenta uma conclusão que deles não decorre, não há coerência lógica na apresentação da Petição Inicial, razão por que será considerada inepta, isto é, não apta para dar prosseguimento ao processo, em virtude de haver ausência de correlação entre fundamentos fáticos e jurídicos expostos e o pedido final formulado, julgando-se extinto o processo sem exame de mérito. Terceira Pergunta: De Quem? O aluno deve observar quem é a parte contrária para indicá-la na peça processual, considerando os dados fornecidos pela situação fática. Quarta Pergunta: Por Quê? Esse elemento refere-se à causa, ao motivo por que o autor ajuizou a Petição Inicial. Qual o fundamento jurídico que ampara a pretensão? Basta, neste momento, identificar a causa de pedir remota (nascimento da relação jurídica) e a causa de pedir próxima (o descumprimento da obrigação), isto é, a relação de causalidade ou nexo causal entre os fatos narrados e a causa de pedir. 3

4 Quinta Pergunta: Quando? O elemento quando é relevante porque se refere à ideia de tempo (dia, mês, ano), marcando a relação de anterioridade e posterioridade dos fatos narrados, isto é, a ordem cronológica em que os fatos ocorreram. A linearidade é importante na narrativa jurídica porque, além de propiciar o encadeamento lógico entre os fatos ocorridos, facilita também a identificação da relação de causalidade entre os fatos narrados e a causa de pedir. Como se vê, o decurso de certo lapso temporal no exercício de determinadas faculdades jurídicas pode ser o fato gerador da aquisição de direitos, como usucapião, assim como pode fulminar de morte certos direitos ou as pretensões decorrentes de sua violação, o que é o caso dos institutos da decadência e da prescrição, dentre tantos outros. Sexta Pergunta: Onde? Essa informação do lugar em que o fato ocorreu é importante juridicamente porque irá fixar a competência do juízo que julgará a lide. A competência é a medida e o limite da jurisdição, dentre os quais o órgão judicial poderá dizer o direito, ou seja, a competência visa a assinalar os limites da atuação de cada juiz. 4

5 Sétima Pergunta: Como? É o momento em que se narra a situação fática, que é a narrativa jurídica propriamente dita. É justamente em torno dos fatos que irá caminhar todo o desenvolvimento do processo, por isso se diz que o autor os narra, o réu se defende deles, as provas recaem sobre eles, e, por fim, o juiz aprecia e julga esses fatos. Desse modo, não basta o autor mencionar em sua Petição Inicial que pretende obter a anulação do contrato em decorrência de uma coação, pois a Inicial estaria desprovida de qualquer descrição fática. A mesma consequência ocorreria, se o autor postulasse uma indenização por supostos danos morais e materiais sofridos em decorrência da negligência do réu, sem que houvesse na narrativa jurídica menção a um fato sequer que configurasse essa negligência. Lembrar-se de que deve ser respeitada a ordem cronológica ou linear, e as formas verbais são usadas no passado, na terceira pessoa do singular. O elemento COMO é o passo a passo da situação fática. Em síntese: Quem quer? Retrata a parte que o advogado representa/autor. 5

6 Quer o quê? Retrata o pedido, o mérito. De quem? Delimita a parte/ Réu. Por quê? Retrata a causa de pedir, fundamentos de fato e de direito. Onde? Sinaliza a competência. Quando? É relevante porque se refere à ideia de tempo (dia, mês, ano), marcando a relação de anterioridade e posterioridade dos fatos narrados, isto é, a sequência cronológica em que os fatos ocorreram. Como? Narrativa jurídica propriamente dita. 6

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