Aula 101. Julgamento conforme o estado do processo (Parte II):

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1 Turma e Ano: Direito Processual Civil - NCPC (2016) Matéria / Aula: Julgamento conforme o Estado do Processo (Parte II) / 101 Professor: Edward Carlyle Monitora: Laryssa Marques Aula 101 Julgamento conforme o estado do processo (Parte II): Envolve três situações distintas: extinção do processo; julgamento antecipado total ou parcial do mérito; e saneamento do processo. Extinção do processo: CPC, Art Ocorrendo qualquer das hipóteses previstas nos arts. 485 [extinção do processo sem resolução do mérito] e 487 [extinção do processo com resolução do mérito], incisos II [decadência ou prescrição] e III [homologação de reconhecimento da procedência do pedido; transação; ou renúncia à pretensão], o juiz proferirá sentença. Nas hipóteses dos incisos II e III do art. 487, não há propriamente análise do mérito; há mera homologação. Por isso, são chamadas pela doutrina e pela jurisprudência de falsas sentenças de mérito ou sentenças de mérito impuras ou impróprias. Parágrafo único. A decisão a que se refere o caput pode dizer respeito a apenas parcela do processo [decisão interlocutória], caso em que será impugnável por agravo de instrumento [art , XIII, CPC]. Quando a decisão disser respeito a todo o processo, será recorrível por apelação, conforme o art. 203, 1 o c/c art , 1 o do CPC. Julgamento antecipado total ou parcial do mérito: A palavra mérito veio a substituir a expressão lide do CPC/73. Trata-se de julgamento antecipado do pedido formulado pelo autor, desde que preenchido um dos requisitos (alternativos) do art. 355, CPC/15:

2 CPC, Art O juiz julgará antecipadamente o pedido [não há necessidade de se adentrar na fase instrutória], proferindo sentença com resolução de mérito [art. 487, I, CPC], quando: I - não houver necessidade de produção de outras provas; II - o réu for revel, ocorrer o efeito previsto no art. 344 [efeito material da revelia] e não houver requerimento de prova, na forma do art Inciso I -> o juiz tem a liberdade de determinar produção de provas que possam influenciar o seu conhecimento. Então, não basta que as partes não queiram produzir outras provas. É necessário que o juiz entenda ser desnecessária essa produção. Inciso II -> réu revel + efeito material da revelia (presunção de veracidade das alegações de fato formuladas pelo autor) + não foi feito pedido de prova (ou feito a destempo). O juiz deve fundamentar sua decisão que obsta a produção de provas. O art. 355 do CPC cuida do julgamento antecipado integral do mérito, que é decidido por sentença, recorrível por apelação (art , CPC). O art. 356 do CPC, por sua vez, trata do julgamento antecipado parcial do mérito: CPC, Art O juiz decidirá parcialmente o mérito quando um ou mais dos pedidos formulados ou parcela deles: I - mostrar-se incontroverso; II - estiver em condições de imediato julgamento, nos termos do art o A decisão [interlocutória de mérito] que julgar parcialmente o mérito poderá reconhecer a existência de obrigação líquida ou ilíquida [art. 491, CPC]. O 1 o fala em decisão -> tecnicamente, está perfeito. Se o julgamento é parcial, não coloca fim ao procedimento comum, sendo caso do art. 203, 2 o. Sendo uma decisão interlocutória que resolve o mérito, é recorrível por agravo de instrumento, por força do art. 356, 5 o c/c art , II, todos do CPC. 2 o A parte poderá liquidar ou executar, desde logo, a obrigação reconhecida na decisão que julgar parcialmente o mérito, independentemente de caução, ainda que haja recurso contra essa interposto.

3 O CPC/73 tratava dessa matéria em seu art. 273, 6 o, nos seguintes moldes: A tutela antecipada também poderá ser concedida quando um ou mais dos pedidos cumulados, ou parcela deles, mostrar-se incontroverso. À luz deste dispositivo, existiam duas correntes: a primeira delas dizia que se tratava, de fato, de hipótese de julgamento antecipado parcial do mérito (-> decisão interlocutória de mérito). Para outra corrente, era uma hipótese de antecipação de tutela em relação a pedido incontroverso (-> precisa ser ratificada na sentença). Com a entrada em vigor do CPC/15, abarcou-se a primeira das correntes (Art. 356 c/c art. 203, 2 o ) -> decisão interlocutória de mérito, recorrível por agravo de instrumento (Art. 356, 5 o ), que, em regra, não possui efeito suspensivo. O 2 o do art. 356 esclarece que a parte poderá liquidar ou executar, desde logo, a obrigação reconhecida na decisão que julgar parcialmente o mérito, de caução, ainda que haja recurso contra essa interposto. O que acontece com a parte restante do mérito, que não foi julgada antecipadamente? Quando será examinada? Será julgada ao final, através de sentença, recorrível por apelação (art , CPC), que possui duplo efeito: suspensivo e devolutivo. Neste ponto, surgem os problemas: se o 2 o prevê que a decisão que julga antecipadamente o mérito de maneira parcial pode ser liquidada ou executada desde logo, ainda que haja recurso contra ela interposto, significa que essa liquidação ou execução é provisória. No entanto, quanto à parte restante do mérito que não foi julgada antecipadamente, isso não é possível; porque, como existe efeito suspensivo no recurso de apelação, não cabe liquidação, nem execução provisórias. A doutrina critica veementemente este dispositivo, alegando que o legislador, sob o pretexto de tentar agilizar o processo, cindiu o tratamento do mérito da causa: deu maior celeridade/facilidade de andamento à parte que é objeto de julgamento antecipado; e a parte que ainda depende de julgamento continua com o mesmo tratamento rígido de sempre.

4 definitiva. 3 o Na hipótese do 2 o, se houver trânsito em julgado da decisão, a execução será O art. 966, que trata da ação rescisória, prevê que A decisão de mérito, transitada em julgado, pode ser rescindida quando (...). Por que o dispositivo faz menção à decisão de mérito transitada em julgado e não mais em sentença de mérito transitada em julgado (CPC/73)? Exatamente porque o CPC prevê a possibilidade de decisão interlocutória de mérito (art. 356, 1 o ). A previsão do CPC/15 engloba, assim, não só a sentença de mérito, mas também a decisão interlocutória e o acórdão, que resolvam o mérito. O art. 975 dispõe que: O direito à rescisão se extingue em 2 (dois) anos contados do trânsito em julgado da última decisão proferida no processo. É de se notar que a ideia plasmada no enunciado de súmula 401 do STJ foi transferida para o art. 975: O prazo decadencial da ação rescisória só se inicia quando não for cabível qualquer recurso do último pronunciamento judicial. Problema: quando essa súmula começou a ser aplicada pelo STJ, alguns recursos extraordinários começaram a ser interpostos, e através de um desses RE s (de nº ) em controle difuso - o STF disse que ela não pode ser aplicada. Os dois anos para ação rescisória devem ser contados a partir do trânsito em julgado de cada parcela do mérito. Segundo decidiu a 1ª Turma do STF, o prazo decadencial da ação rescisória, nos casos de existência de capítulos autônomos, deve ser contado do trânsito em julgado de cada decisão; admitindo-se, assim, a coisa julgada progressiva, ou seja, aquela que vai ocorrendo em momentos distintos 1. Ora, se o STF disse que a súmula está errada, e o art. 975 se baseou na mesma ideia, o CPC/15 já contraria a posição do Supremo. 4 o A liquidação e o cumprimento da decisão que julgar parcialmente o mérito poderão ser processados em autos suplementares, a requerimento da parte ou a critério do juiz. 1 Vide:

5 instrumento. 5 o A decisão proferida com base neste artigo é impugnável por agravo de Saneamento do processo: CPC, Art Não ocorrendo nenhuma das hipóteses deste Capítulo, deverá o juiz, em decisão de saneamento e de organização do processo: I - resolver as questões processuais pendentes, se houver; II - delimitar as questões de fato sobre as quais recairá a atividade probatória, especificando os meios de prova admitidos; III - definir a distribuição do ônus da prova, observado o art. 373; IV - delimitar as questões de direito relevantes para a decisão do mérito; V - designar, se necessário, audiência de instrução e julgamento. 1 o Realizado o saneamento, as partes têm o direito de pedir esclarecimentos ou solicitar ajustes, no prazo comum de 5 (cinco) dias, findo o qual a decisão se torna estável. 2 o As partes podem apresentar ao juiz, para homologação, delimitação consensual das questões de fato e de direito a que se referem os incisos II e IV, a qual, se homologada, vincula as partes e o juiz. 3 o Se a causa apresentar complexidade em matéria de fato ou de direito, deverá o juiz designar audiência para que o saneamento seja feito em cooperação com as partes, oportunidade em que o juiz, se for o caso, convidará as partes a integrar ou esclarecer suas alegações. 4 o Caso tenha sido determinada a produção de prova testemunhal, o juiz fixará prazo comum não superior a 15 (quinze) dias para que as partes apresentem rol de testemunhas. 5 o Na hipótese do 3 o, as partes devem levar, para a audiência prevista, o respectivo rol de testemunhas. 6 o O número de testemunhas arroladas não pode ser superior a 10 (dez), sendo 3 (três), no máximo, para a prova de cada fato. 7 o O juiz poderá limitar o número de testemunhas levando em conta a complexidade da causa e dos fatos individualmente considerados. 8 o Caso tenha sido determinada a produção de prova pericial, o juiz deve observar o disposto no art. 465 e, se possível, estabelecer, desde logo, calendário para sua realização.

6 9 o As pautas deverão ser preparadas com intervalo mínimo de 1 (uma) hora entre as audiências.

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