ESCOLA SUPERIOR ABERTA DO BRASIL - ESAB CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU EM FORMAÇÃO DOCENTE PARA A ATUAÇÃO EM EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA

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1 ESCOLA SUPERIOR ABERTA DO BRASIL - ESAB CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU EM FORMAÇÃO DOCENTE PARA A ATUAÇÃO EM EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA RONILDO APARECIDO FERREIRA A AVALIAÇÃO COMO REFERENCIAL NA CONSTRUÇÃO DO PERFIL DO ALUNO DE ENSINO PROFISSIONALIZANTE VILA VELHA 2009

2 RONILDO APARECIDO FERREIRA A AVALIAÇÃO COMO REFERENCIAL NA CONSTRUÇÃO DO PERFIL DO ALUNO DE ENSINO PROFISSIONALIZANTE Monografia apresentada à ESAB Escola Superior Aberta do Brasil, sob orientação do Prof ª Ma. Beatriz Christo Gobbi. VILA VELHA 2009

3 RONILDO APARECIDO FERREIRA A AVALIAÇÃO COMO REFERENCIAL NA CONSTRUÇÃO DO PERFIL DO ALUNO DE ENSINO PROFISSIONALIZANTE Aprovada em...de...de VILA VELHA 2009

4 A DEUS por me transmitir a luz da sabedoria; aos meus pais pelo amparo constante; a minha esposa Lilian e a minha filha Ana Júlia pelo amor; paciência e compreensão...

5 AGRADECIMENTOS A Luciana Ferreira Baptista pela paciência, interesse e ajuda; aos meus colegas de trabalho Luciano Cricco Peraro, Roberto Matsubara pelo incentivo; a minha orientadora e aos professores, que me auxiliaram nesta jornada.

6 RESUMO O presente trabalho visa conhecer e analisar a efetividade dos processos de avaliação da aprendizagem atualmente em uso, através de uma pesquisa bibliográfica. Buscou-se o significado dos processos de avaliação dentro e fora do meio acadêmico. Outro ponto importante foi a constatação de que as organizações, de um modo geral, também aplicam a seus colaboradores avaliações para admissão ou manutenção do emprego. Verificou-se que a globalização vem influenciando o retorno dos profissionais às escolas através das mudanças tecnológicas. Um novo perfil profissional impera nos meios produtivos, em que competências comportamentais são valorizadas tanto quanto as competências e habilidades técnicas. A escola, o educador, o educando e a própria sociedade sentem a necessidade de repensar os processos de ensino e avaliação, a fim de adequá-los aos novos paradigmas vigentes. Para tal, são propostas reflexões sobre fatores que influenciam no desempenho do educando e, consequentemente, na qualidade final de suas habilidades e competências. O ponto central é propor instrumentos para simplificar o trabalho docente, favorecer a participação do educando no processo avaliatório e trazer para o meio acadêmico sistemas utilizados no mercado de trabalho, objetivando alcançar notas ou conceitos mais justos e próximos do real.

7 LISTA DE QUADROS Quadro 1: Exemplo de questão com alternativas simples...39 Quadro 2: Alternativas que devem ser evitadas...39 Quadro 3: Exemplo de erro na formulação da questão...40 Quadro 4: Exemplo de questão com maior grau de dificuldade...40 Quadro 5: Primeiro exemplo de questão relacionada ao conteúdo...48 Quadro 6: Segundo exemplo de questão relacionada ao conteúdo...48 Quadro 7: Questão para opinar...49 Quadro 8: Dificuldades relacionadas à avaliação...50 Quadro 9: Reflete a relação do educando com a disciplina...50 Quadro 10: Satisfação com o curso...51 Quadro 11: Questão sobre assuntos do cotidiano do profissional...51 Quadro 12: Avaliação da Apresentação analisada pelo examinador Ex Quadro 13: Avaliação da apresentação com a média das notas dos três examinadores...53 Quadro 14: Formulário para a Avaliação de Desempenho...54 Quadro 15: Planilha de Notas...54 Quadro 16: Legenda da Planilha de Notas...54 Quadro 17: Fórmulas utilizadas nas Planilha de Notas...55

8 SUMÁRIO INTRODUÇÃO...8 CAPÍTULO I - O PERFIL PROFISSIONAL EXIGIDO PELO MERCADO PRODUTIVO...10 CAPÍTULO III - ORIGEM E EVOLUÇÃO DAS AVALIAÇÕES...21 CAPÍTULO IV - FORMAS DE AVALIAÇÕES...25 IV.1 AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA...25 IV.2 AVALIAÇÃO FORMATIVA...26 IV.3 AVALIAÇÃO SOMATIVA...29 IV.4 AVALIAÇÃO EMANCIPADORA...30 CAPÍTULO V - AS INFORMALIDADES DO PROCESSO AVALIATÓRIO...31 V.1 AVALIANDO A PRÓ ATIVIDADE...34 V.2 AVALIANDO A PONTUALIDADE...35 V.3 AVALIANDO A POSTURA ÉTICA...36 CAPÍTULO VI - APRESENTAÇÃO DA PROPOSTA...37 VI.1 INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO...37 VI.2 CUIDADOS NA ELABORAÇÃO DOS INSTRUMENTOS AVALIATÓRIOS...38 VI.3 INSTRUMENTOS A SEREM CONSIDERADOS...41 VI.4 APLICAÇÃO DOS INSTRUMENTOS...47 CONCLUSÃO...56 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...57

9 8 INTRODUÇÃO Palavras-chave: Educação, Avaliação da aprendizagem, Formas de avaliação. Qualquer curso, presencial ou à distância, obriga-se a emitir um tipo qualquer de certificado e sendo mais comum o uso de provas ou avaliações para sua validação. A ideia de avaliação como medida já é praticada há tempos nos meios acadêmicos e mais recentemente nas organizações, objetivando apreciar a qualificação de seus colaboradores. A busca pela Qualidade Total exige das organizações melhorias no sistema produtivo e redução de custos. Além de novos equipamentos e novas técnicas produtivas, a certificação de seus colaboradores se faz cada vez mais necessária pela própria dinâmica do mercado corporativo e, em algumas situações, por força de lei. Esta situação pressiona as pessoas a seguirem ou retomarem os estudos, ou mesmo mudar completamente a sua área profissional. A busca por cursos técnicos, tecnológicos, graduação e prós-graduação aliados aos que estão em ascensão escolar, criam turmas heterogêneas, numerosas, com níveis de conhecimentos iniciais diferenciados, dificuldades específicas e interesses diversos, dificultando o processo de ensino-aprendizagem e consequentemente o processo avaliatório. O Certificado formaliza as competências e habilidades adquiridas ao longo do processo. Para fazer jus ao certificado, o aprendiz deve submeter-se a um processo avaliatório. O que e como avaliar está calcado na figura do examinador, sendo, portanto o instrumento de avaliação. Em Hadji (2001), encontra-se a figura do instrumento avaliador envolto em uma série de características humanas como humor, preferências e socialmente aculturado, o que o torna subjetivo. É comum o trabalho docente em mais de uma instituição e, considerando a falta de uniformidade dos critérios de valoração, acaba levando o docente a criar seus próprios critérios, baseando-se em conveniências. Diversos fatores podem influenciar no rigor dos processos avaliatórios aplicados a determinado grupo de educandos. É prática

10 9 comum o uso de notas como controle disciplinar e como instrumento de imposição perante o grupo. Em cursos à distância o docente-tutor pode se esquecer de que do outro lado existe um ser humano, que nem sempre está disposto, tem dificuldades no uso do computador, aplicativos ou acesso às tecnologias; algum familiar pode estar doente, entre outros motivos que influenciarão consideravelmente o seu desempenho. A falta de contato físico pode levar o docente-tutor a tratar seus educandos como máquinas. Tanto o educando como o docente são subjetivos por natureza, característica que influencia drasticamente no processo avaliatório. Através de uma pesquisa bibliográfica, verificar-se-á a existência dos diversos processos de ensino-aprendizagem e avaliatórios e estes são combinados para mensurar o quanto foi assimilado pelo educando no decorrer do processo ensinoaprendizagem. Através de análises e reflexão, pretende-se verificar os métodos avaliatórios que melhor refletem a qualidade do profissional que está sendo formado. Quesitos, critérios e formas de avaliar deverão ser estabelecidos para que, assim, levem o educando a compreender a importância do processo avaliatório para a sua vida profissional.

11 10 CAPÍTULO I - O PERFIL PROFISSIONAL EXIGIDO PELO MERCADO PRODUTIVO As avaliações sempre fizeram parte da vida escolar e, nas últimas décadas, passaram a integrar-se ao meio corporativo. As organizações empregam a Avaliação de Desempenho com o objetivo de apreciar o desempenho e o potencial de desenvolvimento de cada pessoa no cargo. Esta é uma importante ferramenta de Gestão de Pessoas, uma vez que traça um paralelo entre o desempenho do profissional em função das atividades que realiza, das metas estabelecidas, dos resultados alcançados e do seu potencial de desenvolvimento. (CHIAVENATO, 1998). Através da avaliação de desempenho, o empregador pode determinar quais são os cursos e treinamentos mais adequados a cada equipe, verificar como está o relacionamento entre as equipes, coletar informações com intenção de promoção funcional ou transferência de setor. Uma avaliação mais detalhada contém elementos que também avaliam o grau de satisfação e comprometimento com a organização, coleta sugestões referentes aos processos produtivo, de logística, atendimento aos clientes e fornecedores. A competitividade do mercado, obriga os meios produtivos a melhorar a qualidade e reduzir custos. Uma das formas adotadas é garantir que cada produto produzido cumpra as mesmas etapas de fabricação e recebam todas as alterações e modificações da mesma maneira que os demais produtos da linha de produção. Associando, desta forma, o conceito de qualidade ao perfeito cumprimento das especificações técnicas de determinado produto. Para tanto, munem-se de documentações minuciosas e detalhadas dos produtos e serviços, com suas especificações técnicas, os métodos e procedimentos padronizados adotados na cadeia produtiva para a realização desses produtos e/ou serviços. Para obter um certificado, a empresa necessita submeter a documentação gerada durante o processo de implementação da qualidade à análise e, mediante auditoria,

12 11 comprova-se que todos os requisitos descritos na documentação estão implantados adequadamente, de acordo com a norma estabelecida pela International Organization for Standardization (ISO) (RIBEIRO, 2004). Ao adquirir determinado produto, o consumidor está interessado em realizar seus desejos e aspirações e não se importa com os aspectos produtivos, o que confere um novo significado à qualidade, segundo Ribeiro (2004). O conceito adotado anteriormente para distinguir produtos e/ou serviços, baseados no comprimento de etapas produtivas, evoluiu e passou a incluir fatores como benefício, utilidade, praticidade, prazo e pontualidade de entrega, condições de pagamento, assistência técnica, atendimento pré e pós-venda, flexibilidade, etc,. Esses novos elementos ampliaram o conceito de Qualidade. O conceito de produto e/ou serviço cedeu lugar ao Consumidor Final, centrando os esforços em um novo elemento: o ser humano. O Conceito de Qualidade foi ampliado para Qualidade Total (RIBEIRO, 2004). Além das Avaliações Admissionais, exigidas por muitas organizações, as Avaliações de Desempenho surgiram motivadas pela busca da Qualidade Total que, segundo o site (2009), constitui um conjunto de técnicas multidisciplinar formada por Programas, Ferramentas e Métodos que, uma vez aplicados ao controle de processos de produção, visam obter menores custos e melhor qualidade a fim de atender as exigências do mercado consumidor. Atualmente, as organizações exigem como prática produtiva e competitiva uma educação continuada, uma capacidade de propor soluções criativas, novas atitudes além do domínio de habilidades motoras e disposição para cumprir ordens. Esta nova realidade demostra uma dependência mútua e uma tendência cooperativa (PEREIRA, 2007). A dependência das etapas da cadeia produtiva, exige uma maior interação entre as equipes. Um erro em uma das etapas que passe despercebido ao logo do processo,

13 12 pode causar reclamações do usuário final, como a quebra do contrato de prestação de serviços ou até a recusa total de um lote de produtos. A uniformidade de conhecimento entre os envolvidos no processo é fundamental. Tradicionalmente, um iniciante recebia instruções dos colegas mais experientes. As condições em que as empresas estão operando, não permitem que iniciantes aprendam enquanto trabalham. As empresas necessitam de que novos funcionários estejam mais inteirados aos processos produtivos, reduzindo o tempo de adaptação ao trabalho. Esta necessidade confere maior valor ao ser humano, exigindo maior preparação e capacidade de adaptação. Os meios acadêmicos são obrigados a se adaptar, qualificando adequadamente os novos profissionais. Além do conhecimento, a escolha deve incluir novos elementos que moldem o comportamento e preparem o educando para ser auto-motivado e criativo. O capital humano é, sem dúvida, o diferencial de ganho e as organizações passam a privilegiar a integração funcional e organizacional. O profissional deixa de ser o empregado/funcionário e passa a ser considerado um colaborador. Em algumas organizações, ele passa a participar dos lucros e, em outras, os que se destacam, recebem prêmios. O relacionamento entre os colaboradores é cada dia mais incentivado. As organizações tentam criar um ambiente em que o colaborador se sinta responsável pela empresa e com orgulho de fazer parte de seu quadro de funcionários. Estas características humanistas também são passadas para a sociedade através de projetos sociais, esportes e meio ambiente. Esta nova forma de agir do mercado de trabalho, exclui aquele empregado que foi concebido sob um sistema hierárquico vertical, quando seus afazeres refletiam o cumprimento de ordens e um serviço repetitivo. Suas sugestões e reclamações eram ignoradas. O novo padrão produtivo exige uma capacidade de articulação do conhecimento e alguns fatores têm contribuído para a consolidação destes padrões, entre eles: O enfraquecimento dos sindicatos, aliado à retração do mercado de trabalho, permite às organizações maior autonomia no estabelecimento de um perfil profissional adequado aos seus interesses. O trabalhador, além de conviver com a precarização do emprego, com novos arranjos de trabalho, com o desemprego, tem de responder à exigência de maior qualificação. Ampliam-se os requisitos profissionais. Em adição às qualificações formais, são exigidas capacitações tácitas que permitam ao trabalhador atuar como agente integrador na dinâmica pesquisa-produção-vendas, o que leva a um

14 novo perfil profissional que privilegia a criatividade, a interatividade, a flexibilidade e o aprendizado contínuo. (ARRUDA; MARTELETO;SOUZA, 2000). 13 De acordo com a Organização Internacional do Trabalho OIT; Ministério do Trabalho e Emprego MTE; Fundo de Amparo ao Trabalhador - FAT(1999), as transformações econômicas, tecnológicas e socioculturais trazem a à tona questões relacionadas à educação e formação profissional. As novas necessidades do mercado trabalhista, exigem que a escola forneça uma vivência prática ao educando e não apenas o conhecimento técnico teórico. Novos conceitos como o de competência e habilidade fomentam mudanças relacionadas à questão da qualificação profissional. Dúvidas e controvérsias conceituais demostram dificuldades de tomada de decisão por parte da gestão governamental e empresarial que norteiam as políticas de desenvolvimento de recursos humanos bem como a garantia da igualdade de oportunidades de formação e emprego. As novas exigências mecanológicas pressionam a elevação do nível de qualificação do trabalhador. As instituições governamentais e privadas de ensino profissionalizante, influenciadas pelo mercado, investem na capacitação dos docentes e promovem alterações curriculares a fim de aproximarem se dos padrões de qualidade exigidos pelo mercado corporativo. No evento: Desenvolvimento Sustentável Lages, ocorrido em 11/09/2008, promovido pela Federação das Industrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), Jonas Germano Schmidt apud Algeri (2008), gerente de treinamento e desenvolvimento da WEG, uma Multinacional Brasileira, afirma que Agora é hora de manter os investimentos, para permitir a retomada do crescimento depois. A Weg investirá no próximo ano o montante que estava programado. Segundo Algeri (2008), a empresa investiu em média R$ 550 por colaborador, resultando num total de R$ 7 milhões investidos em educação profissional. Observamos que os investimentos na capacitação dos profissionais se traduzem em qualidade e produtividade e conseguimos atingir níveis bastante satisfatórios de desenvolvimento. Nossa companhia cresceu baseada nesta inovação e nos conceitos de treinamento, capacitação e desenvolvimento, afirmou Schmidt. Através de suas palavras demonstram-se todas as mudanças e exigências necessárias ao

15 14 profissional do século 21, bem como a redução do tempo em que o funcionário permanece em uma empresa quando ele diz que : A maioria das empresas está passando por um choque cultural muito grande. Antes, o tempo médio de um funcionário na empresa era de 13 anos e hoje é de 7. O conhecimento tem se deteriorado com muita rapidez, novas tecnologias têm vindo, o mundo está se tornando uma aldeia muito pequena. Nós, particularmente, temos contato com mais de 60 países e precisamos deixar nossos colaboradores preparados para enfrentar este cenário, afirmou Luiz Reitz, gerente de recursos humanos e administração da ArcelorMittal Vega. A empresa possui projetos que atendem a Agenda 21, elaborados em conjunto com com a comunidade do São Francisco do Sul e envolvem saúde, meio ambiente, educação e cultura (ALGERI, 2008). Sem dúvida, as organizações deixaram de ser apenas produtoras de bens e serviços para a sociedade. Assumido um papel ativo dentro da comunidade onde está inserida, agregam valor sentimental/moral em seus produtos/serviços. A educação continuada é um dos grandes desafios não somente para as empresas, mas também para as organizações educacionais privadas e governamentais impulsionadas pela globalização. Em meio às novas tecnologias, a Educação à Distância vem cumprindo um papel significativo neste processo. De acordo com Leonize de Souza Agra, coordenadora de Educação à Distância da Chesf, a modalidade contribui para a democratização e a agilidade da formação profissional. É importante que existam soluções para que as pessoas possam aplicar imediatamente o conhecimento. A educação à distância, de qualidade, favorece essa condição. A autora diz que o ser humano é a peça fundamental na sustentabilidade no entendimento do presidente da FIESC, Alcantaro Corrêa. Segundo Guimarães (2009), o governo do Brasil investirá cerca R$ 1,1 bilhão em infraestrutura, criando cerca de 100 novas escolas técnicas federais em O Ministério da Educação (MEC) tem hoje o maior orçamento dos últimos anos para investir na educação profissional. Os primeiros campis a serem inaugurados serão

16 15 nos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo. As 100 novas escolas fazem parte de um projeto inovador que buscou atender às necessidades do arranjo produtivo local em cada região. Os cursos técnicos e superiores que serão oferecidos nessas escolas estão integrados ao mercado de trabalho. Há exemplos, inclusive, de escolas técnicas federais que desenvolveram cursos para atender à demanda por profissionais em seus estados. É o caso do Espírito Santo, que receberá quatro novas escolas técnicas. Lá, a Vale do Rio Doce fechou um convênio com o instituto federal do Espírito Santo para a implantação do curso técnico em ferrovias (nas modalidades integrada e subsequente) na unidade de ensino de Cariacica. A empresa investiu R$ 6 milhões para a construção e aparelhamento das instalações e capacitação de docentes. O curso foi elaborado com o auxílio de especialistas que trabalham na área de ferrovias da Vale (GUIMARÃES, 2009). A carência de oportunidades nos cursos superiores, leva o jovem a deixar a sala de aula ainda no ensino médio. Com a educação profissional, o jovem conclui o ensino médio pronto para o mercado de trabalho (GUIMARÃES, 2009). "Hoje, a educação profissional é tida pelo governo federal como um fator estratégico para o desenvolvimento do país. Faltam profissionais qualificados no mercado", explica o secretário de educação profissional e tecnológica do Ministério da Educação - MEC, Eliezer Pacheco. Guimarães (2009), informa que das 100 escolas que serão entregues este ano, 33 estarão na região Nordeste, 28 no Sudeste, 16 no Sul, 12 no Norte, 12 e o Centro-Oeste, 11. Serão investidos cerca de R$ 5 milhões, entre infraestrutura, equipamentos e mobiliário em cada unidade. Os investimentos então sendo feitos em todo o Brasil. Diz Oliveira (2009), que o secretário estadual de Educação, Antônio José Medeiros, anunciou em um evento ocorrido na cidade de Valença, Sul do Piauí, com a presença dos dezoito gerentes regionais de educação e 35 diretores de escolas profissionalizantes, num investimento de aproximadamente R$ 59 milhões do Programa Brasil Profissionalizado para projetos de reforma e construção de escolas. Estas ações reforçam a importância da qualificação profissional para que as empresas possam ser mais competitivas num mundo globalizado. A educação

17 16 profissional tem a missão de ampliar as oportunidades e democratizar o acesso às vagas oferecidas pelo mercado de trabalho. Não basta criar escolas, é necessário que o educando finalize o processo ensino-aprendizagem e desenvolva as habilidades e competências. Neste sentido, esforçam-se para que o diploma técnico ou certificado profissional de qualquer nível acadêmico, seja reconhecido e corresponda à realidades do mundo do trabalho. O Certificado ou Diploma é um meio legal de reconhecer os conhecimentos, habilidades, atitudes e competências profissionais perante a sociedade e os meios produtivos. Seu objetivo é documentar e averbar as competências individuais e sociais exigidas pelo mercado de trabalho. Diversas empresas oferecem treinamentos específicos para equipamentos, processos produtivos ou gestão, apoiadas e autorizadas pelos próprios fabricantes ou organizações certificadoras criadas para este fim. Ao final de um processo avaliatório é emitido um certificado válido e legitimado por órgão credenciado, evidenciando os aspectos técnicos da certificação. Outro aspecto é o caráter Jurídico e burocrático conferido ao trabalhador pelo certificado. Cabe lembrar que o Diploma é concedido sempre ao final de um curso de formação escolar regular e formal (ALEXIM, 2002). CAPÍTULO II - PROCESSOS AVALIATÓRIOS É evidente a importância da qualificação profissional como meio de ascensão social para o educando e é também um importante diferencial para a empresa inserida no mercado globalizado altamente competitivo que o Diploma ou Certificado sejam resultado dos processos de ensino e de avaliação. Ao longo da história, tanto o processo avaliatório quanto o processo de ensino aprendizagem foram receberam influências de várias correntes filosóficas, interesses sociais e governamentais. Diversas literaturas especializadas fazem referências ao aprendizado por competência, porém, na prática, as mudanças andam a passos lentos, prevalecendo o efeito de mensuração dos processos avaliatórios. Há uma consciência das

18 17 necessidades de mudanças destes paradigmas avaliatórios e seus reais objetivos no processo de ensino-aprendizagem buscando uma forma mais justa e menos classificatória, excludente e principalmente punitiva. Muitas instituições de ensino seguem modelos tradicionais, em que o aluno é tratado com um depósito de conhecimentos que os reproduzirá nas linhas de uma avaliação decorativa e sem significados, cujo centro do processo de ensino-aprendizagem é o professor (COQUI, 2008). Esta posição deve ser revista não só pelo professor, mas por toda a comunidade escolar. Começar a reformular seus conceitos avaliatório e propor uma avaliação realmente processual e contínua. Entretanto, a busca por novas estratégias avaliatórias são frequentes e têm-se mostrado como uma mera máscara para antigos hábitos, visto que os indicativos educacionais como o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) e Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (ENADE) apontam um baixo índice de aprendizado no geral. A grande evasão escolar, a elevada reprovação praticamente em todos os níveis escolares demonstram a necessidade de mudanças no processo de ensino-aprendizagem. Rever a questão do processo avaliatório é repensar os padrões educacionais, que ainda estão fundamentados em um modelo de educação que visa a classificação dos alunos e os transforma em notas e conceitos, não diferentemente dos processos utilizados nos processos seletivos. Estes processos refletem apenas um momento: o do processo avaliatório; e não medem a capacidade do aluno, não se preocupando com toda a bagagem de conhecimento que é incorporada durante anos de estudos. A consciência do papel da escola na construção de cidadãos é fundamental para que se respeitem os ritmos e o avanços dos alunos sem criar um espírito competitivo desnecessário, as notas altas significam maior status. Nem sempre as maiores notas refletem o quanto o aluno conseguiu caminhar desde que ingressou no processo de ensino-aprendizagem. O baixo desempenho apontado pelo processo avaliatório pode ser decorrente de falhas de aprendizagem anteriores e seriam necessárias aulas extras pra sanar o problema, o que dificilmente ocorrerá. Avaliar sob a ótica qualitativa exige uma maior vivência e conhecimento do aluno, seus

19 pontos fracos e fortes, suas dificuldades e interesses, uma boa capacidade de observação e julgamento. 18 Alterações na Lei de Diretrizes e Bases da Educação(LDB) buscam reafirmar a validade dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos que é questionada por Hoffmann, apud Coqui (2008), quel registra as tímidas mudança em relação à lei anterior: [...] por certo é a atual exigência que a lei impõe aos sistemas públicos e particulares de ensino de efetivarem um processo avaliativo contínuo e qualitativo, mediador, em escolas e universidades, diante dos índices assustadores de evasão e reprovação e denúncias de decisões arbitrárias e ilógicas na avaliação de estudantes em todos os níveis [...] (HOFFMANN, 2003). Para atender os novos conceitos, o processo ensino-aprendizagem vem sendo lapidado para criar indivíduos capazes de ler, interpretar e questionar o mundo à sua volta. No que se refere ao processo avaliatório, ainda continua classificatório. Apesar desta consciência, avaliar ainda significa medir quanto o aluno assimilou durante o processo de ensino-aprendizagem, ignorando que o aprendizado não é igual para todos e que a avaliação reflete apena aquele momento e não a capacidade do aprendiz. Segundo Coqui (2008), avaliar está além de medir conhecimentos, de classificar, de punir; é mediar o conhecimento, respeitar o tempo de cada um, analisar o erro como um degrau para o acerto. O professor deve considerar que não é o centro do conhecimento e sua missão é a de orientar o aluno no processo de pesquisa, avaliação e análise das informações obtidas de forma empírica, através de livros, revistas, jornais, mídia, além das atuais mídias digitais. O aluno deve desenvolver a capacidade de contextualizar as informações que obtém das diversas fontes transformado-as em conhecimento. Esta transformação é que o capacitará a resolver situações-problema, originando habilidades que permitirão seu avanço além dos assuntos tratados no processo de ensino. Ao apossar-se desses conhecimentos, o aluno ganha segurança para a execução de um serviço, sente que é capaz de propor soluções, de inovar e criar. O processo avaliatório deve ser

20 19 trabalhado de forma que não seja muito difícil, a fim de produzir um sentimento de incapacidade no aluno e nem muito fácil aponto de tirar a credibilidade do processo. Novamente temos a figura do professor como fator determinante para o sucesso do aluno. A forma como conduz o processo avaliatório pode determinar o sucesso ou fracasso desse aluno no processo como um todo e o professor deve estar ciente desta responsabilidade. Ter consciência de que não é a única fonte de conhecimento, que é responsável por todo o processo de ensino e avaliação e influência que seus atos exercem sobre o aluno são condições essenciais para atuação deste educador, inserido num mundo globalizado, onde as informações tornam-se obsoletas em pouco tempo. O professor é o elemento quem faz a mediação desses processos, facilitando o acesso às informações. É fácil notar a sua participação na educação, porém, em um contexto mais amplo, o papel do educador está diretamente relacionado à função da escola, que é a transmissão formal de conhecimentos através de disciplinas. A educação sempre passa pelo trabalho dos educadores que têm sua parcela de responsabilidade quando se trata da qualidade da educação como um todo. Claro que esse professor também é um reflexo do sistema escolar no qual está inserido. Mas, além de mudanças na forma de lecionar, outras funções foram e estão sendo incorporadas ao currículo do docente. A ida da mulher para o mercado de trabalho, a reestruturação da família e as rápidas alterações tecnológicas fazem com que os alunos passem cada vez mais tempo dentro da escola, independentemente do nível escolar. Problemas familiares estão influenciando cada vez mais o desempenho do aluno e produzindo comportamentos inadequados ao convívio escolar e, em meio às controvérsias e muitas vezes contra a vontade, o professor acaba por se responsabilizar pela solução. Até onde vai o papel do professor é uma discussão em andamento entre os pensadores e gestores da educação. É certo que o ponto central do papel do professor é trabalhar com o conhecimento. Porém, não tem como ensinar sem desenvolver no aluno determinados hábitos formativos que eram papel da família.

21 20 Esta situação gera a oportunidade de repensar não só o papel do professor, mas a da própria instituição. Além de educar os alunos e dar conta de hábitos de disciplina, é preciso uma ação mais ampla e mais conjunta com outras áreas. Por outro lado, o papel de transmitir informações passa a ser compartilhado pela internet e outras mídias.

22 21 CAPÍTULO III - ORIGEM E EVOLUÇÃO DAS AVALIAÇÕES A situação exige do educador o conhecimento e o uso de uma combinação de instrumentos avaliatórios que o auxiliem na determinação de uma nota ou conceito que seja o mais justo possível, a fim de cumprir com determinações burocráticas para a promoção do aluno e a emissão do certificado que reconhecerá as competências e habilidades adquiridas pelo aluno durante o processo de ensinoaprendizagem. No dicionário Aurélio (1994), avaliar significa: determinar a valia ou o valor de; apreciar ou estimar o merecimento de; determinar a valia ou o valor, o preço, o merecimento,calcular, estimar; fazer a apreciação; ajuizar. Portanto, etimologicamente, avaliar significa atribuir valor a algo. Esse valor pode ser quantitativo e qualitativo e sua análise deve conduzir a uma tomada de decisão. Segundo Depresbiteris (1999) apud Calvo & Borges (2008), a avaliação tem seu inicio como sinônimo de prova, em 2205 a.c., quando um imperador chinês examinava seus oficiais a cada três anos, com o objetivo de promovê-los ou demitilos, principalmente para prover o Estado de homens capacitados. Na Idade Média, eram usadas moedas para indicar satisfação em relação ao desempenho do professor. Em 1920, a grande utilização dos testes avaliatórios acabou gerando uma nova ciência chamada Docimologia. Surgido na França, objetivando o estudo sistemático dos exames e do sistema de atribuição de notas, difundiu-se para outros países como Portugal e Estados Unidos. Associações e comitês foram criados nos Estados Unidos, a fim de estudar, padronizar e difundir os exames que atribuem um caráter instrumental ao processo avaliatório. Outras formas de avaliar formam propostas na década de 50, por Tyler, como as escalas de atitude, inventários, questionários e fichas de registro de observações. Apesar de inovadora, não conseguiu modificar o caráter de mensuração dos objetivos alcançados no processo ensino-aprendizagem (CALVO; BORGES, 2008).

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