A IMPORTÂNCIA DOS FUNCIONÁRIOS NO PROCESSO EDUCATIVO NAS ESCOLAS

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1 A IMPORTÂNCIA DOS FUNCIONÁRIOS NO PROCESSO EDUCATIVO NAS ESCOLAS Carine Ferreira Machado Virago 1 Carla Cristiane Costa 2 Resumo: A nova conjuntura educacional, voltada especialmente a uma educação integral do indivíduo, exige que todos os sujeitos participantes do processo educacional atuem como formadores e educadores. Nesse patamar, ganha especial atenção a atuação dos funcionários de escola, que assumem um papel fundamental na colaboração dos processos educativos. Diante disso, se faz necessária uma discussão acerca da conduta adequada das pessoas desse segmento na atuação enquanto educadores, bem como, apontar formas de integração desses sujeitos na gestão escolar, colaborando para a construção da identidade funcional dos mesmos. Palavras-chave: Funcionários educadores; Gestão escolar; Identidade funcional. Introdução A democratização da escola pública, junto com as mudanças ocorridas no processo educativo ao longo das últimas décadas, acarretou uma mudança organizacional na forma de gestão da escola, onde a gestão administrativa e pedagógica das escolas públicas não se concretiza apenas na figura do diretor e sua equipe, mas com a colaboração de todos os sujeitos envolvidos no processo educativo, ou seja, docentes e não docentes. Nesse patamar, os funcionários de escola passam a ser considerados também como educadores, assumindo assim um papel ativo na gestão escolar. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação 9394/96, em seu artigo 61 prevê: Consideram-se profissionais da educação escolar básica os que, nela estando em efetivo exercício e tendo sido formados em cursos reconhecidos, são: I professores habilitados em nível médio ou superior para a docência na educação infantil e nos ensinos fundamental e médio; 1 Pedagoga; Servidora Pública Estadual Santa Maria e Docente - Programa PROFUNCIONÁRIO Núcleo de Educação a Distância - Santa Maria - Instituto Federal Farroupilha; 2 Doutora em Química; Professora e Diretora de Educação a Distância - Instituto Federal Farroupilha; 1

2 II trabalhadores em educação portadores de diploma de pedagogia, com habilitação em administração, planejamento, supervisão, inspeção e orientação educacional, bem como com títulos de mestrado ou doutorado nas mesmas áreas; III trabalhadores em educação, portadores de diploma de curso técnico ou superior em área pedagógica ou afim. Nesse sentido, entende-se que todo e qualquer funcionário de escola passa a ter uma ação formativa diante do trabalho desempenhado dentro da escola. Segundo Monlevade (2003): [...] o maior tamanho e a maior complexidade das escolas de educação infantil, ensino fundamental e médio resultaram, nos últimos anos, em um crescimento exponencial da presença, além dos professores, de diversos trabalhadores e trabalhadoras nas mais variadas funções fora da docência. Diante do exposto, a tarefa de ensinar, objetivo maior da escola, não se restringe apenas a questão cognitiva, mas a toda e qualquer aprendizagem que favoreça a formação integral do indivíduo e que não precisa estar relegada apenas aos docentes, necessitando também da atuação dos demais trabalhadores em educação. Como atuar na formação dos alunos enquanto funcionário de escola? A escola hoje se volta, com especial cuidado, para a aprendizagem do aluno de modo mais rico, privilegiando não apenas o espaço da sala de aula como todas as dimensões e oportunidades de aprendizagem que possam ser exploradas e desenvolvidas. Nessa perspectiva, o espaço da escola como um todo irá constituirse como espaço educativo e exigir de todos os sujeitos que transitam no ambiente escolar especial atenção e colaboração no processo de educar. Exige-se, portanto, uma educação voltada para a cidadania, em que os indivíduos sejam capazes de conviver, comunicar e dialogar num mundo interativo, nesta nova realidade em que os indivíduos reconhecem a interdependência dos processos individuais e dos processos coletivos. É dentro desse novo paradigma educacional que assume importante papel a figura do funcionário de escola, atuando de forma a garantir a formação cidadã dos sujeitos em desenvolvimento. A atuação desses profissionais no processo educativo deve obedecer às seguintes premissas: 2

3 Educação como função de todos: É preciso ter em mente que todos são educadores, pois na escola ensinam-se conteúdos curriculares a também atitudinais. Ao transmitir valores e maneiras de se relacionar com as pessoas, o funcionário estará contribuindo para uma formação cidadã do estudante. Mostrar aos alunos que a manutenção da limpeza do ambiente escolar favorece o trabalho pedagógico de qualidade é uma das formas de transmissão de atitudes positivas e educadoras, além de valorizar e dar sentido ao seu próprio trabalho. Integração ao projeto pedagógico: Para que todos os funcionários se sintam parte da escola, é preciso integrá-los ao projeto político pedagógico. Somente conhecendo os objetivos educacionais é que eles agirão no dia a dia de acordo com os valores estabelecidos. Essa integração pode ser conquistada na participação em reuniões, no envolvimento com os projetos desenvolvidos na escola e no pleno conhecimento do Projeto Político Pedagógico e acompanhamento da reestruturação do mesmo. Opinar, dar sugestões de melhorias: Sem dúvida nenhuma, o processo de comunicação é um dos elementos de maior importância na efetivação da participação coletiva, exigência de uma gestão democrática que contempla todos os segmentos da escola na sua gestão. Para ser educador é preciso observar o espaço em que atua e opinar, sugerir mudanças, fazer críticas construtivas e apontar soluções de melhoria da gestão. Isso pode ser feito no espaço das reuniões e principalmente na participação e atuação em órgãos colegiados como o Conselho Escolar e Círculo de Pais e Mestres, importantes órgãos fiscalizadores e deliberativos na escola. Autonomia na atuação: A autonomia pressupõe a tomada de decisão. Funcionários que compreendem a importância de seu papel e de suas funções, saberão tomar decisões acertadas frente ao desenvolvimento de seu trabalho e na condução de atitudes que poderão orientar os educandos nas mais diversas situações que surgirem dentro da escola, desde uma mediação de pequenos conflitos, por exemplo, até um aconselhamento ou orientação sobre a postura mais adequada no momento do lanche. 3

4 Formação permanente: A qualificação profissional é imprescindível no crescimento das pessoas, na formação de cidadãos e na elevação da autoestima, melhorando a qualidade de vida de quem se forma e daqueles que estão ao seu redor, pois poderá utilizar os conhecimentos adquiridos, colocando-os em prática na escola em que atua, sentindo-se parte de um todo e atuando ativamente, contribuindo no andamento da escola. Percebe-se uma mudança de postura do profissional que busca qualificação, atribuída em grande parte pela mudança de perspectiva que o conhecimento oferece e a oportunidade de continuar qualificando-se. Considerações finais Ao refletir-se sobre atuação dos funcionários de escola enquanto educadores é preciso levar em consideração também questões referentes a identidade desses sujeitos envolvidos no processo educativo, pois é na identificação com a função social de seu trabalho que o trabalhador em educação atuará como formador na escola em que trabalha.( MONLEVADE, 2010) A legislação educacional e a política proposta pelo MEC têm avançado muito nos últimos anos no sentido de promover a valorização dos funcionários de escola. O PROFUNCIONÁRIO, elaborado para atender a criação da 21ª área de Formação Técnica Profissional, resolução do CNE, nº 05/2005, vem resgatar a dignidade do profissional da educação, atribuindo-lhe uma identidade funcional. A questão primordial sobre a construção da identidade dos funcionários de escola e sua atuação como educador começa quando estes passam a compreender que necessitam participar ativamente dos processos educativos da escola, seja opinando nas reuniões administrativas, trazendo sugestões sobre melhorias a serem realizadas ou atuando junto aos alunos, contribuindo com a formação cidadã dos mesmos. Dessa forma, tanto funcionários como gestores garantem e reforçam a gestão democrática nas escolas, concorrendo para a organização de um espaço educativo voltado as necessidades da comunidade em que se inserem. Nesse sentido, a escola deve constituir-se como espaço de aprendizagem constante não só para os alunos, mas também para os funcionários. Geralmente se 4

5 fala em formação docente e se esquece de que os outros profissionais também precisam de informações e de troca de experiências para melhor exercer as funções, sempre visando à melhoria do serviço segundo a dimensão educativa do trabalho. Ao oferecer cursos de formação aos funcionários, se oferece também a oportunidade de seguimento nos estudos e uma maior coesão entre equipe diretiva e equipe de apoio. Nos cursos oferecidos, as disciplinas promovem uma reflexão crítica da escola trazendo informações não apenas sobre o ofício de cada um, mas sobre educação de forma geral, numa linguagem acessível. Sendo assim, formação e reconhecimento profissional caminham lado a lado e são caminhos necessários a uma educação integral que envolva todos os sujeitos participantes do processo. Referências BRASIL, LBD. Lei 9394/96. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Disponível em< Acesso em 1º maio DOURADO, Luiz Fernandes Dourado. Caderno de estudos do PROFUNCIONÁRIO: Gestão em Educação Escolar. 4ª Ed. atualizada e revisada.- Cuiabá: Universidade Federal do Mato Grosso/ Rede e-tec Brasil MONLEVADE, João. Referencial para a valorização dos trabalhadores em educação não-docentes. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE VALORIZAÇÃO DE TRABALHADORES EM EDUCAÇÃO. Brasília: MEC, Para saber mais sobre o assunto: MONLEVADE, João. Funcionários das escolas públicas: educadores profissionais ou servidores descartáveis? Ceilândia: Idea Editora, História e Construção da Identidade

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