Palavras-chave: Deficiência Visual. Trabalho Colaborativo. Inclusão. 1. Introdução

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1 PROFESSOR DE SALA COMUM E PROFESSOR ESPECIALISTA NA EDUCAÇÃO INFANTIL: POSSIBILIDADE DE TRABALHO COLABORATIVO NO ENSINO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIA VISUAL Karen Regiane Soriano Simara Pereira da Mata Flaviane Pelloso Molina Freitas UNESP Marília/SP Eixo Temático: Rede de apoio na constituição do processo escolar inclusivo Agência Financiadora: CNPq/ Capes Palavras-chave: Deficiência Visual. Trabalho Colaborativo. Inclusão. 1. Introdução Quando discutimos a educação de crianças com deficiência visual não podemos deixar de destacar o reduzido número de matrículas deste público nas escolas comuns, e o fato de que, muitas vezes, o processo de educação formal ou escolarização está atrelado apenas ao Ensino Fundamental ou somente com o objetivo de alcançar a alfabetização. Outro aspecto importante de ser destacado é o ingresso tardio dessas crianças à escola, o que pode acarretar dificuldades, uma vez que a criança acaba por ter seu contato social reduzido e, consequentemente, suas descobertas, experiências e aprendizagens minimizadas. Tendo em vista a importância desse acesso à primeira etapa da educação, buscamos destacar a relevância do trabalho na Educação Infantil para essas crianças, ressaltando que, para que o acesso e permanência sejam possíveis, é necessário um bom trabalho docente realizado por profissionais que sejam pesquisadores, que reflitam o fazer pedagógico e que assumam, de forma colaborativa, o processo educacional desta criança na perspectiva inclusiva. Neste sentido, destacamos o trabalho docente do professor da sala comum e também o do professor especialista em Educação Especial, no qual, cada um com seu papel, atuando conforme sua formação e atividade competente, também trabalhem em colaboração, objetivando o desenvolvimento do aluno e de suas competências e potencialidades.

2 Uma boa comunicação e um trabalho conjunto entre o professor da sala comum e o professor especialista do Atendimento Educacional Especializado (AEE) pode possibilitar um melhor desenvolvimento da criança, e, também, a preparação adequada para aquisição de conceitos básicos visando a alfabetização, independente do fato desse processo acontecer no sistema alfabético comum (baixa visão), ou no sistema braile (cegueira). A partir do exposto, este estudo teve como objetivo discutir acerca da importância da articulação entre o professor da sala comum e do professor especialista em Educação Especial a partir de publicações dos anos de 2013 e 2014, e documentos do Ministério da Educação (MEC), com foco na temática e das competências de ambos os profissionais. 2. Aspectos metodológicos Este estudo trata-se de uma revisão de literatura sobre o trabalho colaborativo de professores de sala comum e professores especialistas em Educação Especial na Educação Infantil de crianças com deficiência visual. Optou-se pela delimitação do estudo à Educação Infantil, por ser este um período de grande relevância para todo o desenvolvimento infantil, quando as crianças têm um primeiro contato com um ambiente diferente do convívio familiar, principalmente quando nos referimos às crianças com deficiência visual, seja esta baixa visão ou cegueira. Já quanto ao período delimitado para a busca, optou-se pelos anos de 2013 e 2014, tendo em vista que apesar de tratar-se de um período curto para busca, este biênio trouxe um espaço temporal relevante em relação à publicação do MEC (BRASIL, 2006) que delimitou as especificidades de cada um destes professores. Em relação à busca, esta teve como base o banco de dados Scielo, que conglomera diversas revistas relevantes na área de educação. Os critérios para seleção foram: os termos para busca (deficiência visual na educação infantil); o período e, no título do artigo, deveria conter, claramente, a relação entre o professor do ensino comum e o professor especialista. 3. Resultados e discussão Podemos destacar que tanto o professor da sala comum quanto o professor do AEE são importantes para o processo de escolarização da criança com deficiência visual. Ambos

3 colaboram para a aprendizagem da criança, pois embora tenham delimitações específicas no trabalho, há um objetivo comum e interligado que é o desenvolvimento do aluno em um contexto heterogêneo onde as diferenças devem ser respeitadas. Segundo o MEC (BRASIL, 2006) ao professor da sala comum cabe: Procurar obter todas as informações sobre como o aluno percebe o meio, elabora suas percepções, pensa e age. Tomar a seu cargo a tarefa de ensinar, acompanhar e verificar a aprendizagem, deixando ao professor especializado as tarefas que dependam de conhecimento específico ou do uso de recursos especiais. Recorrer ao professor especializado sempre que necessitar de orientações específicas que norteiem seu trabalho em classe. Verbalizar, na medida do possível, situações que dependem exclusivamente do uso da visão. Procurar não isentar o aluno da execução das tarefas escolares. Fazer as verificações de aprendizagem do aluno com deficiência visual no mesmo momento em que as realiza com os demais alunos. Utilizar, quando possível, materiais que atendam tanto ao aluno com deficiência visual quanto aos de visão normal. Propiciar oportunidades para que o aluno vivencie certas situações que interessem ao desenvolvimento da matéria. (BRASIL, 2006, p. 139). Já ao professor especializado cabe: Complementar as informações das aulas de Matemática, fixando os símbolos, formas de registro em braile, utilizando recursos apropriados. Conhecer os símbolos matemáticos em braile e seu emprego, orientando-se em manual próprio. Colaborar na seleção, adaptação ou elaboração de material didático. Conhecer a técnica de cálculos no soroban. (BRASIL, 2006, p. 140). Logo, o trabalho colaborativo entre o professor da sala comum e o especialista se torna essencial para o desenvolvimento da criança com deficiência visual desde a Educação Infantil, se estendendo por todas as etapas de ensino, dentro e fora da escola. É relevante estabelecer que o AEE precisa ser um apoio à sala comum, ou seja, o professor do ensino comum precisa receber apoio do professor especialista, realizando um trabalho em conjunto, tende a aprofundar as necessidades de aprendizagem da criança, seja em atividades de rotina com adaptações comuns, seja em atividades periódicas, que requerem maior adaptação e recursos diferenciados. Para Vilaronga e Mendes (2014), p. 148, os papéis podem ser diferenciados e confusos em alguns momentos e é essa diferenciação e confusão, que fazem parte do cotidiano escolar, que pode colaborar para o trabalho conjunto ou fadá-lo ao fracasso. Brandão e Ferreira (2006), p. 495, defendem que as adaptações dos contextos

4 podem fazer toda a diferença entre uma criança estar meramente presente na sala de aula ou estar ativamente envolvida com os seus pares ou nas atividades propostas. Os recursos didáticos devem ser confeccionados atendendo às necessidades do aluno com deficiência visual, seja de forma mais simples com relevos nas figuras ou com construções mais elaboradas, como maquetes e formas tridimensionais. Segundo o MEC (BRASIL, 2007), os recursos didáticos destinados ao Atendimento Educacional Especializado desses alunos: [...] devem ser inseridos em situações e vivências cotidianas que estimulem a exploração e o desenvolvimento pleno dos outros sentidos. A variedade, a adequação e a qualidade dos recursos disponíveis possibilitam o acesso ao conhecimento, à comunicação e à aprendizagem significativa. (BRASIL, 2007, p. 26). O trabalho colaborativo entre os profissionais tem exatamente a finalidade de articular a atuação do professor do ensino comum e do professor especialista, de modo que o aluno seja beneficiado. Nesta atuação, considera-se relevantes as adaptações, de pequeno ou grande porte, realizadas em parceria pelo professor da sala e o professor especializado. Para Vilaronga e Caiado (2013, p. 71) todas as adaptações, por mais que sejam simples, demonstram que os professores com ou sem formação específica consideram que os alunos têm direito à aprendizagem. As autoras ainda evidenciam relatos de alunos com deficiência visual quanto à utilização da lousa durante as aulas do professor do ensino comum, recurso preferido em relação a outras possibilidades, principalmente para o público-alvo em questão. Os professores, tanto o especialista quanto o do ensino comum que trabalham com a educação infantil de crianças com deficiência visual, devem ser esclarecidos para o fato de que esses alunos precisam ser motivados. É possível explorar as texturas de árvores, folhas, flores, gravetos, grama, mostrar e identificar diversos aspectos existentes nas áreas externas da escola. Pode-se ainda trabalhar com tinta, com barro, como com qualquer outra criança, é possível explorar um universo de possibilidades, deixar a criança provar coisas, tentar, se arriscar. As crianças podem testar, podem se aventurar no universo infantil do qual são sujeitos. Embora o número de publicações encontradas tenha sido restrito, Sella, Chiodelli e Mendes (2013) dizem que apesar da escassez de estudos acerca do desenvolvimento da linguagem especialmente a linguagem infantil nesta população, é possível encontrar algumas pesquisas que abordam esta questão, mesmo que as autoras se refiram à outra

5 especificidade da Educação Infantil, esta foi uma limitação também encontrada presente estudo. 4. Conclusões O levantamento de publicações recentes sobre o assunto deixa claro que pouco se pesquisa, ou se escreve, sobre o tema em questão. Em grande parte porque o trabalho em conjunto, ou colaborativo, entre o professor comum e o especialista ainda é recente, talvez porque seja realmente criterioso e requeira envolvimento de toda a comunidade escolar para que aconteça e seja transformador de práticas, que seja inclusivo. O estudo realizado mostra que é necessário aprofundar as pesquisas acerca do trabalho colaborativo entre o professor da sala comum e o da sala de atendimento especializado. Uma possibilidade para esse aprofundamento pode ser acerca dos livros, de sua adaptação e abrangência. Tanto o professor comum quanto o especialista são fundamentais no processo de escolarização da criança com deficiência visual e esse trabalho colaborativo precisa ganhar espaço para que a escola inclusiva possa deixar de ser uma utopia. Referências BRANDÃO, M. T.; FERREIRA, M.. Inclusão de Crianças com Necessidades Educativas Especiais na Educação Infantil. Revista Brasileira de Educação Especial, Marília, v. 19, n. 4, p , BRASIL. Ministério da Educação. SEESP. Saberes e práticas da inclusão: desenvolvendo competências para o atendimento às necessidades educacionais especiais de alunos cegos e de alunos com baixa visão. [2. ed.] / coordenação geral SEESP/MEC. Brasília: MEC/SEESP, p. (Série: Saberes e práticas da inclusão) BRASIL. Ministério da Educação. SEESP. Atendimento educacional especializado: deficiência visual. Brasília: MEC/SEESP, p. (Série: Formação Continuada a Distância de Professores para o Atendimento Educacional Especializado) SELLA, A. C.; CHIODELLI, T.; MENDES, C. A. Uma Revisão Sistemática de Comportamentos Prélinguísticos e Primeiros Comportamentos Linguísticos em Crianças Cegas Congênitas. Revista Brasileira de Educação Especial, Marília, v. 19, n. 3, p , VILARONGA, C. A. R.; CAIADO, K. R. M. Processos de Escolarização de Pessoas com Deficiência Visual. Revista Brasileira de Educação Especial, Marília, v. 19, n. 1, p , VILARONGA, C. A. R.; MENDES, E. G. Ensino colaborativo para o apoio à inclusão escolar: práticas colaborativas entre os professores. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, Brasília. [online], v. 95, n. 239, p , Disponível em: < Acesso em: 15 set

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