DIRETRIZES E PARÂMETROS DE AVALIAÇÃO DE PROPOSTAS DE CURSOS NOVOS DE MESTRADO PROFISSIONAL

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1 DIRETRIZES E PARÂMETROS DE AVALIAÇÃO DE PROPOSTAS DE CURSOS NOVOS DE MESTRADO PROFISSIONAL I) Apresentação Este documento descreve as diretrizes e parâmetros de avaliação de mestrado profissional em Administração, Contabilidade e Turismo. Sua elaboração tomou como base leis que regem a educação superior no Brasil e normas pertinentes à pós-graduação expedidas pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), Ministério da Educação (MEC) e Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Sua finalidade é subsidiar a avaliação de projetos de cursos novos, indicando os requisitos mínimos de cursos de mestrado profissional de qualidade. Os cursos de Mestrado Profissional devem ter como propósito atender a demandas sociais específicas, visando à formação de mestres para atuação como gestores em organizações e como docentes em cursos superiores. A demanda a ser atendida determina o recorte da área de conhecimento e linhas de pesquisa do Curso, o que significa dizer que cursos destinados a formação de mestres em áreas genéricas da Administração seriam mais apropriados na modalidade de Mestrado Acadêmico. O propósito da CAPES é o de favorecer a implantação de cursos de Mestrado Profissional que permitam (1) a mais rápida transferência do conhecimento científico para a sociedade, (2) a elevação da produtividade de empresas brasileiras, (3) o aumento da competência de setores sociais da administração pública, bem como de organizações não-governamentais que tenham por meta a redução da dívida social 1. Conforme a CAPES 2, a principal diferença entre o Mestrado Acadêmico (MA) e o Mestrado Profissional (MP) é o produto. No primeiro pretende-se, pela imersão na pesquisa formar, no longo prazo, um pesquisador. No segundo, também deve ocorrer a imersão na pesquisa, mas o objetivo é formar alguém que, no mundo profissional externo à academia, saiba localizar, reconhecer, identificar e, sobretudo, utilizar a pesquisa de modo a agregar valor a suas atividades, sejam estas de interesse mais pessoal ou mais social. Com tais características, o MP aponta para uma clara diferença no perfil do candidato a esse mestrado e do candidato ao mestrado acadêmico. Ainda segundo as diretrizes da referida Agência 3 e da Comissão de Área, qualquer proposta de implantação de MP em Administração, Contabilidade e Turismo deve levar em conta o seguinte: a) É necessário que o aluno pesquise e, portanto, que os docentes tenham doutorado e mantenham produção científica e tecnológica constante, devidamente avalizada pelos parâmetros da Área; b) A avaliação do MP considerará, sobretudo, seus resultados específicos, a saber, o valor agregado ao aluno pelo Curso. Para tanto, são particularmente importantes: a) o trabalho ou os trabalhos de conclusão de curso, que preferencialmente devem constituir casos de aplicação de conhecimento científico ao ambiente profissional para o qual se volta o curso; b) que parte do corpo docente demonstre produção em campos aplicados no referido ambiente profissional; c) o destino do egresso, e uma apreciação do valor a ele agregado, após um tempo razoável de sua conclusão do 1 Ver Chamada para proposta de cursos de Mestrado Profissional. Disponível em acesso em Idem. 3 Idem.

2 curso. Evidentemente, alguns desses pontos só podem ser levados em conta na avaliação de MP já existentes, mas a proposta de curso novo deve considerar que serão relevantes, inserindo rotinas de acompanhamento de seus egressos, por exemplo. Considerando que essa modalidade de mestrado pressupõe associar teoria e aplicação, o trabalho de conclusão do Mestrado Profissional em Administração, Contabilidade e Turismo, configura-se como dissertação que demonstre domínio do objeto de estudo, requerendo investigação aplicada à solução de problemas que possa ter impacto no sistema a que se dirige. Deve utilizar metodologias adequadas e conter a descrição e discussão de resultados, conclusões e recomendações de aplicações práticas e ser ancorado em um referencial teórico. O seu conteúdo pode incluir, por exemplo, resultados de estudos de casos, desenvolvimento e discussão de metodologias, tecnologias, softwares, patentes, bem como pesquisas que envolvam levantamentos amplos de dados a respeito de um problema específico. Essas particularidades do MP, portanto, indicam que o seu padrão de qualidade é o mesmo do MA, o que equivale dizer que os títulos têm o mesmo valor acadêmico, que o mestre profissional pode atuar como docente em cursos superiores e participar de processos seletivos a cursos de doutorado. II) Quesitos de Análise de Propostas de Cursos Novos de Mestrado Profissional 1) Infra-estrutura A proposta deve evidenciar que a instituição está disponibilizando salas de aula e demais recursos administrativos e físicos necessários à condução das atividades letivas e ao adequado funcionamento do Curso. A proposta deve evidenciar qualitativa e quantitativamente a existência e a adequação de laboratórios, e bibliotecas, caracterizando o acervo em termos do número de livros, de periódicos e áreas nas quais estes se concentram. Esses recursos devem atender às necessidades do Curso e das pesquisas dos docentes e discentes. A instituição deve prover recursos adicionais, como assinaturas de bases de dados, ou formas especiais de acesso eletrônico à produção da área. É desejável que a IES tenha financiamento ou apoio de entidades externas para o desenvolvimento do Curso, tais como as agências de fomento à pesquisa de nível regional, nacional e internacional e de empresas em geral. 2) Caracterização da proposta a) Contextualização institucional e regional da proposta A instituição proponente deverá mostrar: a) a importância do Curso no contexto do seu plano de desenvolvimento institucional; b) a relevância social e o impacto local/regional da formação dos profissionais com o perfil previsto; c) o perfil do egresso e como este perfil atende à demanda social existente. b) Histórico do curso A proposta deve descrever o desenvolvimento histórico do Curso e como este se insere em Programa de Pós-Graduação já em funcionamento, se for o caso.

3 Caso na mesma Instituição haja curso instituído no formato de Mestrado Acadêmico na mesma área do Mestrado Profissional proposto, deve haver uma distinção clara entre ambos, definindo tanto o que lhes é comum quanto o que os diferencia em termos de disciplinas, docentes e Regulamento Interno. c) Cooperação e intercâmbios A instituição deve demonstrar que promove cooperação tecnológica ou científica relevante e efetiva com outras instituições. d) Associação de Instituições de Ensino Superior No caso de haver associação entre a IES proponente e outras IES, a associação deverá ser caracterizada como ampla, parcial ou temporária. Em todos os casos o Regulamento e a proposta do curso devem explicitar a forma e as condições da associação. 3) Áreas de concentração e linhas de pesquisa a) Área de concentração A(s) área(s) de concentração devem ser coerentes com a proposta do Curso, sua inserção social e científica, e suas competências institucionais. Deve(m) apontar, de maneira clara, a área do conhecimento no qual se insere o Curso. b) Linhas de pesquisa As linhas de pesquisa devem expressar a vocação institucional para produção de metodologias e tecnologias relacionadas com a área geral do Curso, isto é, Administração, Contabilidade ou Turismo, conforme o caso. Devem expressar recortes específicos, delimitados e coerentes com a(s) área(s) de concentração. Cada linha de pesquisa deve contar com a participação de, no mínimo, quatro docentes permanentes. 4) Caracterização do Curso a) Objetivos do curso e perfil do profissional O perfil do profissional a ser formado deve estar claramente identificado com a demanda social a ser atendida pelo Curso. Os objetivos do Curso devem ser coerentes com o perfil desejado e sua demanda social. Esta demanda deve ser estimada e, quando possível, descrita de forma qualitativa e quantitativa. b) Total de créditos O Curso deve contemplar um mínimo de vinte e quatro créditos, equivalentes a 360 horas-aula em disciplinas ou atividades equivalentes. c) Periodicidade da seleção e vagas oferecidas A periodicidade de oferta do Curso e o número de vagas devem ser compatíveis com a proposta do Curso como um todo e em particular com o corpo docente disponível. Será considerado adequada uma projeção, em regime estacionário, de um máximo de oito orientandos por docente permanente (média entre os docentes). Neste cálculo deve-se considerar o compartilhamento de

4 docentes por no máximo dois cursos de pós-graduação stricto sensu, nos limites definidos pela Comissão de Área. Deverão ser descritos os requisitos de entrada e os procedimentos de seleção de alunos. O processo seletivo deve ser compatível com a proposta do Curso e com a formação desejada. 5) Estrutura curricular A estrutura curricular deve apresentar um núcleo de disciplinas de tratamento metodológico dos temas, bem como disciplinas com conteúdos relacionados às linhas de pesquisa. A ementa - síntese ou sumário dos conteúdos temáticos a serem trabalhados em cada disciplina deve indicar o foco teórico da abordagem prevista e o estado da arte no tema. A bibliografia indicada nas disciplinas deve representar uma listagem básica de referências, contendo os textos clássicos pertinentes, assim como aqueles que se encontram no estado da arte de sua temática. 6) Corpo docente a) Constituição, titulação, vínculo e dedicação O corpo docente do Curso pode ser constituído de docentes permanentes e colaboradores e visitantes. Os docentes visitantes não são incluídos em propostas de cursos novos. Devem compor o corpo docente permanente no mínimo oito professores, todos com título de doutor e atuação em áreas de especialização consistentes e coerentes com as áreas de concentração e linhas de pesquisa do Curso. Os docentes permanentes devem possuir vínculo de emprego (empregado CLT ou servidor público) em regime mínimo de 40 horas semanais com a IES mantenedora do Curso. Consideradas as especificidades do Curso, pode fazer parte do respectivo corpo docente permanente, até o limite máximo de 30% do número total de docentes, profissional com doutorado que se enquadre em uma das seguintes condições: i) receba bolsa de fixação de docente ou pesquisador de agência federal ou estadual de fomento; ii) na qualidade de professor ou pesquisador aposentado, tenha firmado com a instituição termo de compromisso de participação como docente do programa; iii) tenha sido cedido, por convênio formal, para atuar como docente do Curso e dedique a este pelo menos 20 horas semanais; iv) mantenha vínculo de emprego inferior a 40 horas semanais com a instituição mantenedora do Curso, e vínculo com outra organização, desde que os dois vínculos não ultrapassem 60 horas semanais; e v) tenha vínculo de trabalho em regime de 40 horas semanais com a instituição mantenedora em cargo técnico relacionado à área do mestrado. Os docentes colaboradores devem estar incluídos nesse limite de 30%. O limite mínimo de oito docentes com 40 horas semanais ou 40 horas semanais com dedicação exclusiva compondo o corpo permanente do curso deve ser respeitado. Por exemplo, um curso de mestrado com doze docentes, no mínimo nove deverão ter dedicação de 40 horas semanais e os três restantes podem estar enquadrados nas condições descritas no parágrafo anterior. Um mesmo professor pode atuar como docente permanente em até dois programas ou cursos de pós-graduação, nas seguintes situações: i) se ambos os programas forem mantidos pela mesma instituição; e ii) se os programas forem mantidos por consórcios de IES, reconhecidos como tal pela CAPES. A participação de um mesmo docente em dois programas somente poderá ocorrer quando se tratar de programas de áreas afins. A participação de um professor em curso de mestrado profissional integrante de um programa acadêmico não se configura como dupla participação. Em quaisquer

5 dessas situações a proporção máxima admitida de dupla participação de docentes é de 50% do corpo docente permanente. Os títulos de doutorado do corpo docente obtidos no exterior têm que ser revalidados no Brasil, conforme determina a Resolução CNE/CES nº 001/2001. A instituição mantenedora deve comprovar a revalidação dos títulos de seus docentes, para que estes possam fazer parte da estrutura do Curso. b) Perfil de formação e de produção do corpo docente O corpo docente permanente deve ser egresso de diferentes programas de pós-graduação, apresentando relativa heterogeneidade na formação acadêmica. É desejável que pelo menos 25% do corpo docente: a) participe de algum intercâmbio acadêmico e tecnológico com outras instituições de ensino ou pesquisa; b) deve já ter recebido algum financiamento para pesquisa concedido por órgão de fomento nacional ou regional, ou da própria instituição mantenedora, quando esta possuir histórico de desenvolvimento tecnológico na área em foco ou áreas correlatas. Cada professor do corpo docente permanente deve ser responsável pela coordenação de pelo menos um projeto de pesquisa, que deve estar articulado com as linhas de pesquisa do Curso. c) Docência e Orientação A instituição deve descrever na Proposta do Curso os procedimentos relativos ao credenciamento e descredenciamento de docentes. Cada docente permanente deve ser responsável por, ao menos, uma disciplina do Curso, com distribuição homogênea de carga letiva entre os docentes. No mínimo 80% das orientações deverão ser realizadas por docentes permanentes. 7) Produção docente a) Produção bibliográfica No mínimo 70% dos docentes permanentes devem apresentar produção bibliográfica referenciada pelo Qualis, nos últimos cinco anos. A produção bibliográfica relevante é aquela referenciada no QUALIS da CAPES. A média dessa produção, considerado todo o corpo docente permanente, nos últimos três anos anteriores à submissão do projeto de Curso, deve alcançar conceito igual ou superior a Regular. b) Produção tecnológica e técnica No mínimo 50% dos docentes permanentes devem apresentar produção tecnológica e técnica nos três últimos anos anteriores à submissão do projeto do Curso. Considera-se produção tecnológica e técnica: patentes depositadas ou registradas, aplicativos, produtos, tecnologias de gestão e softwares desenvolvidos com ou sem registro no INPI, relatórios de serviços técnicos, casos de ensino, consultorias e projetos executados, pareceres e perícias técnicas, planos elaborados, devidamente documentados, consultoria a agências de fomento ao ensino e pesquisa, atuação como avaliador de trabalhos submetidos a periódicos e eventos científicos, organização de evento científico, editoria científica.

6 8) Projetos de pesquisa O Curso deve ter no mínimo um grupo de pesquisa registrado no Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPq. Os projetos de pesquisa devem estar distribuídos de maneira equilibrada entre os docentes e todos os docentes permanentes devem participar de projetos de pesquisa do Curso. Valoriza-se a existência de financiamento para pesquisa ou produção tecnológica concedido por órgão de fomento nacional, regional, ou da própria instituição mantenedora, quando esta possuir histórico de desenvolvimento tecnológico na área em foco ou áreas correlatas. Os projetos de pesquisa devem ser coerentes com a especialização dos docentes, com as linhas de pesquisa do programa e com sua(s) área(s) de concentração e o tipo de formação pretendida pelo Curso.

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