Lara, Patrícia Tanganelli - UNESP/Marília Eixo Temático: Formação de professores na perspectiva inclusiva

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1 A CONSTITUIÇÃO DE UMA POLÍTICA DE INCLUSÃO ESCOLAR NO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO: ESTUDO DE CASO ATRAVÉS DOS DOCUMENTOS OFICIAIS DA SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO Lara, Patrícia Tanganelli - UNESP/Marília Eixo Temático: Formação de professores na perspectiva inclusiva Palavras-Chave: inclusão escolar; formação de professores; políticas públicas. Introdução Em 2004 a Prefeitura Municipal de São Paulo ampliou seu serviço de apoio aos alunos com deficiência incluídos nas escolas comuns por meio do Decreto nº / O Decreto revou o Decreto nº /1993 que havia criado a Sala de Atendimento aos Portadores de Necessidades Especiais SAPNES, que tinha uma perspectiva integradora dos alunos com deficiência. Segundo o novo decreto, as SAPNEs passaram a ser denominadas Salas de Apoio e Acompanhamento à Inclusão (SAAI). O referido Decreto traz novas diretrizes, após a publicação das Diretrizes Educacionais da Educação Especial na Educação Básica (BRASIL, 2001), assegurando os serviços de apoio pedagógico aos alunos incluídos nas salas regulares de ensino. As diretrizes de uma educação inclusiva exigem propostas efetivas de mudança. Conforme Oliviera (2008): A proposta de uma educação inclusiva pode caracterizar-se como uma nova possibilidade de re-organização dos elementos constituintes do cotidiano escolar, uma vez que, para tornar-se inclusiva e atender as diferenças de seus alunos, há de se pensar num novo projeto pedagógico: flexível, aberto, dinâmico (OLIVEIRA, 2008, p.130). O Decreto n /2004, alterado pelo Decreto /04, estabelece diretrizes para a Política de Atendimento a Crianças, Adolescentes, Jovens e Adultos com Necessidades Educacionais Especiais no Sistema Municipal de Ensino e é complementado pela Portaria Municipal n 5.718/ 2004, regulamentando os serviços de educação especial do município de São Paulo prestados pelo Centro de Formação e Acompanhamento à Inclusão (CEFAI), constituídos pelo Professor de Apoio e Acompanhamento à Inclusão (PAAI) e pela Sala de Apoio e Acompanhamento à Inclusão (SAAI). O CEFAI é composto por um coordenador, pelos PAAI e por supervisores escolares. O PAAI é um professor que deve realizar o serviço itinerante mediante apoio e acompanhamento pedagógico, em visitas periódicas às Unidades

2 Escolares, trabalhando junto aos alunos que constituem o público alvo da Educação Especial, professores, equipe técnica, quadro de apoio e família. As SAAI são salas instaladas junto às Unidades Educacionais que oferecem apoio pedagógico especializado complementar ou suplementar. Para implementação desta Política preconizada no Decreto /2004, alterado pelo Decreto /04, e diante das necessidades de ações na direção de atendimento ao princípio da diversidade, a Secretaria publica o Decreto Municipal nº /2010, apresentando o Programa Inclui delineando os seguintes projetos na Rede: 1) Projeto Identificar; 2) Projeto Apoiar; 3) Projeto Formar; 4) Projeto Acessibilidade; 5) Projeto Rede; 6) Projeto Reestruturação das Escolas Especiais; 7) Projeto Avaliar. Ao citar as questões da inclusão Omote (2008) aponta que: Um grande desafio que se nos apresenta é o da utilização criteriosa de todo o arsenal de recursos especiais desenvolvidos, visando à provisão de ensino de qualidade, para que se promova a educação inclusiva. Devemos estar especialmente atentos para que não se utilizem os recursos especiais para promover ou justificar a exclusão e legitimá-la institucionalmente, como se fez no passado recente (OMOTE, 2008, p.31). A partir dessa perspectiva este trabalho de comunicação oral pretende analisar a política de inclusão escolar de alunos com deficiência na rede de ensino no Município de São Paulo, quanto a formação de professores. Método Instrumentos A metodologia de pesquisa adotada caracteriza-se por uma análise documental, a partir dos decretos, portarias e documentos oficiais da Rede Municipal de Educação de São Paulo. Para Ludke e André (1986) através da pesquisa documental é possível explorar as ligações existentes entre os vários itens, tentando estabelecer relações e associações para então combiná-los, separá-los e reorganizá-los. Procedimento Para esta comunicação foi selecionada a publicação dos últimos Decretos Municipais que trata das questões da inclusão escolar e o documento publicado pela Rede intitulado Educação Fazer e Aprender na Cidade de São Paulo (SÃO PAULO, 2008) pela restrição do espaço e porque são representativos para a apresentação da constituição da política de inclusão na Rede Municipal de Educação de São Paulo. Resultados e Discussão

3 Com o objetivo de apresentar a política educacional do município de São Paulo e a melhoria do atendimento e da aprendizagem dos estudantes da rede, a Secretaria Municipal de Educação registra, através de um documento, as ações implementadas após a publicação de seus últimos Decretos e Portarias. O documento intitulado Educação Fazer e Aprender na Cidade de São Paulo (SÃO PAULO, 2008) contextualiza os fazeres na Educação Especial na perspectiva da educação inclusiva. A implantação e implementação dos Centros de Formação e Acompanhamento à Inclusão CEFAI organizados em cada uma das treze Diretorias Regionais de Educação, com uma equipe de Professores de Apoio e Acompanhamento à Inclusão PAAI para o serviço itinerante, através de visitas periódicas às Unidades Educacionais, e o atendimento aos alunos com deficiência nas Salas de Apoio e Acompanhamento à Inclusão - SAAI, o trabalho com os professores, equipes técnicas, quadro de apoio e família foram se constituindo num plano de ação para que todos os alunos pudessem acessar o currículo escolar e os serviços disponíveis na Rede para o apoio e o acompanhamento à Inclusão. Contudo não bastava os serviços de apoio eram necessárias ações de formação. Martins (2011) ao analisar a situação da Educação Inclusiva em nosso país coloca que: cada vez mais se torna urgente um investimento sério, consistente e permanente na formação de recursos humanos, tanto na formação inicial quanto na continuada, com vistas à derrubada de barreiras atitudinais e pedagógicas ainda existentes no ambiente escolar (MARTINS, 2011, p.61) Diante de uma política de educação especial na perspectiva da educação inclusiva e da necessidade de composição das equipes dos CEFAIs e da ampliação das SAAIs os professores efetivos da rede necessitavam de formação, portanto a Secretaria de Educação do Município de São Paulo formalizou o convênio com a Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, campus Marília - Unesp/ Marília comunicando através de Diário Oficial a abertura de curso de pós-graduação Lato Sensu: Formação dos Professores em Educação Especial nas Áreas das Deficiências Auditiva, Física, Mental e Visual, considerando o Decreto nº de 23 de dezembro de 2004, em consonância com a Resolução CNE/CP nº 1, de 18 de fevereiro de A formação dos professores, em exercício, para o atendimento e apoio aos alunos com deficiência incluídos nas salas de aula regular teve a sua primeira turma formada em Articulando a essas ações também foram organizados dois seminários: Inclusão Escolar: Princípios e Ações e Práticas Pedagógicas na Perspectiva da Educação Inclusiva,

4 assim como foram elaborados quatro vídeos para subsidiar os momentos de estudo dos educadores nos horários coletivos: Inclusão Escolar: Princípios e Ações; Avaliação da Aprendizagem e as Necessidades Educacionais Especiais; Orientações Curriculares Práticas Inclusivas I: Deficiência Visual e Auditiva; Orientações Curriculares Práticas Inclusivas II: Deficiência Intelectual e Física (SÃO PAULO, 2008b). A Secretaria Municipal de Educação, através da Diretoria de Orientação Técnica Educação Especial em 2007 e 2008 ofereceu 80 horas de formação continuada para os professores regentes da SAAI e os CEFAIs regionalmente também desenvolveram formação continuada para esses profissionais. Para os demais profissionais da rede foram oferecidos cursos optativos que trataram das questões relativas às deficiências: didática, metodologia, adequações curriculares, construção de material didático, avaliação pedagógica, entre outros. Conclusão Para a implementação de uma política de inclusão escolar não basta a matrícula do aluno com deficiência na escola comum, é necessário assumir o desafio de transformar as práticas pedagógicas de todos os profissionais que atuam nestas instituições. A Rede Municipal de Educação de São Paulo, organizou e sistematizou de forma inovadora, ações que culminaram em diferentes propostas de apoio à inclusão dos alunos com deficiência, tendo em sua base a formação dos professores. Todas as ações têm garantido o direito dos alunos com deficiência ao acesso à escola e ao currículo escolar, mas a concepção de uma escola para todos com respeito à diversidade demanda a continuidade no desenvolvimento de mais ações de formação. Referências BRASIL. Câmara de Educação Básica. Parecer CNE/CEB nº 17/2001, de 03 de julho de Institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Especial. Brasília: MEC, LÜDKE, Menga e ANDRÉ, Marli E. D. A. Pesquisa em educação: abordagens qualitativas. São Paulo: EPU, MARTINS, Lúcia de A. R.. A visão de licenciandos sobre a formação inicial com vistas à atuação com a diversidade dos alunos.. In: Kátia Regina Moreno Caiado; Denise Meyrelles de Jesus; Cláudio Roberto Baptista.. (Org.). Professores e Educação Especial: formação em foco. 1aed.Porto Alegre: Mediação, 2011, v. 01, p

5 OLIVEIRA, Anna Augusto Sampaio de. Adequações curriculares na área de deficiência intelectual: algumas reflexões. In: Oliveira, Anna A.S., OMOTE, Sadao e GIROTO, Claudia Regina Mosca (org) Incluão Escolar: As Contribuições da Educação Especial. São Paulo: Cultura Acadêmica, Marília: Fundepe Editora, 2008, p OMOTE, S. Diversidade, educação e sociedade inclusiva. In.: OLIVEIRA, A. A. [et al.] (orgs.). Inclusão Escolar: As Contribuições da Educação Especial. São Paulo: Cultura Acadêmica Editora, Marília: Fundepe Editora, 2008, p SÃO PAULO (Município). PMSP. SME. Decreto n SAPNE - Sala de Atendimento aos portadores de Necessidades Especiais. São Paulo: Diário Oficial do Município, 16 dez SÃO PAULO (Município). PMSP. SME. Decreto nº de 23 de dezembro de Dá nova redação ao parágrafo único do artigo 7º do Decreto nº , de 18 de outubro de 2004, que estabelece as Diretrizes para a Política de Atendimento a Crianças, Adolescentes, Jovens e Adultos com Necessidades Educacionais Especiais no Sistema Municipal de Ensino. Diário Oficial do Município, 18 de outubro de SÃO PAULO (Município). Prefeitura do Município de São Paulo. Secretaria Municipal de Educação. Educação: Fazer e Aprender na Cidade de São Paulo

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