AS RELAÇÕES DO ESTUDANTE COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL E SUAS IMPLICAÇÕES NO ENSINO REGULAR INCLUSIVO

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1 AS RELAÇÕES DO ESTUDANTE COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL E SUAS IMPLICAÇÕES NO ENSINO REGULAR INCLUSIVO Kaceline Borba de Oliveira 1 Rosane Seeger da Silva 2 Resumo: O presente trabalho tem por objetivo, através do estudo de caso, investigar as potencialidades e dificuldades de aprendizagem de um estudante com deficiência intelectual construídas nas suas relações familiares e escolares. Como objetivo específico busca elaborar um plano de atendimento educacional especializado para atender as necessidades desse estudante. A pesquisa também esclarece acerca da importância dos professores que atuam no atendimento educacional especializado dando suporte ao estudante com deficiência dentro da escola comum inclusiva e na sociedade como um todo, fazendo interlocução com todos os envolvidos com o sujeito. A base da fundamentação teórica perpassa pela Política Nacional de educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (MEC/SEESP, 2010), além das leituras indicadas pela Universidade Federal do Ceará, enriquecendo o conteúdo desta pesquisa. As informações em relação ao sujeito foram obtidas por meio de entrevistas e observações no ambiente escolar e familiar, em diálogos com o próprio estudante. Após a aplicação do plano de atendimento educacional especializado espera-se que o estudante consiga minimizar as dificuldades de aprendizagem, ampliar as habilidades sociais e desenvolver da melhor maneira suas potencialidades. Palavras-chave: Deficiência intelectual; Atendimento Educacional Especializado; Educação Especial. Introdução O modelo atual de inclusão educacional orienta-nos a construir uma prática pedagógica capaz de atender a todos os estudantes. O sistema educacional inclusivo está fundamentado na Constituição Federal de 1988, que garante a educação como Direito de Todos, e no decreto Nº 6.949/2009, que ratifica a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (ONU/2006), assegurando o direito pleno de acesso e permanência em todos os níveis, etapas e modalidades da educação, em igualdade de condições com as demais pessoas. Porém, num passado recente os estudantes com deficiência eram depositados em 1 Educação Especial Especialista em AEE UFSM/ UFC 2 Educação Especial Mestranda em Gerontologia UFSM - 1

2 classes e instituições Especiais, os pais destes estudantes acreditavam que o modelo vigente de educação para Pessoas com Deficiência era adequado, já que, historicamente a sociedade costuma excluí-los. Segundo a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (SEESP/MEC, 2008): A educação Especial se organizou tradicionalmente como atendimento educacional especializado substitutivo ao ensino comum, evidenciando diferentes compreensões, terminologias e modalidades que levaram a criação de instituições especializadas, escolas especiais e classes especiais. Essa organização, fundamentada no conceito de normalidade/anormalidade, determina formas de atendimento clínicoterapêuticos fortemente ancorados nos testes psicométricos que, por meio de diagnósticos, definiam as práticas escolares para os alunos com deficiência. Hoje trabalhamos na perspectiva da inclusão escolar, modelo que nos orienta a pensar primeiro no sujeito, em suas potencialidades e dificuldades, privilegiando experiências vividas por eles, estimulando suas capacidades cognitivas por meio de atividades significativas (SEESP/MEC, 2008). Apesar do Direito à Educação, garantido, ainda percebemos atitudes e olhares excludentes nas escolas brasileiras, numa intensidade menor, porém acredito que estamos próximos de uma realidade que contemple efetivamente o direito de acesso, permanência na escola e o tão almejado sucesso escolar dos estudantes com deficiência. Neste sentido, este trabalho tem por objetivo investigar as potencialidades e dificuldades de aprendizagem de um estudante com deficiência intelectual do ensino fundamental numa escola regular da rede pública, verificando através do estudo de caso as suas relações familiares e escolares. Visa identificar também como a relação familiar interfere diretamente na aprendizagem e autoestima do mesmo, como os demais profissionais da escola o percebem enquanto sujeito inserido neste contexto, por fim, esclarecer a importância do profissional do Atendimento Educacional Especializado gerenciando estas questões dentro e fora do ambiente escolar. O estudo em questão se faz necessário, pois através dele temos a oportunidade de conhecer o estudante, compreendê-lo de maneira efetiva e em 2

3 todos os ambientes por ele vivenciados, o que torna o planejamento coerente com suas necessidades. Metodologia A Pesquisa consiste no estudo de caso, recurso que nos permite conhecer o estudante, a natureza do caso, seu histórico além dos contextos físico, econômico e social no qual está inserido. Ainda, nos dá subsídios para identificar detalhadamente as necessidades, os desejos, as potencialidades e as diferenças de cada estudante. O sujeito estudado trata-se de um aluno com deficiência intelectual, encontrase matriculado no 4º ano do Ensino Fundamental, é do sexo masculino e tem 11 anos de idade. O estudante foi escolhido como sujeito desta pesquisa porque tem grande poder de argumentação, é bastante comunicativo, está no processo de compreensão do outro nas relações sociais, começando a diminuir seu egocentrismo exacerbado, estabelecendo diálogos e não mais monólogos. Também, foi possível observar o estudante em seu ambiente familiar, o que auxiliou na compreensão de questões relacionadas ao seu comportamento. As informações em relação ao estudante foram obtidas por meio de entrevistas (questionários) com familiares e profissionais que o atendem (professora do ensino regular, fonoaudióloga), observação e em diálogos com o próprio sujeito. Discussão/ Resultados Partindo do pressuposto de que a inteligência deve ser estimulada e educada para que possa evoluir, foi possível organizar estratégias conjuntas com todos os envolvidos no caso. O estudante demonstrou interesse no processo de alfabetização, sentindo-se confiante na realização das atividades propostas, demonstrado interesse e entusiasmo. No Plano de AEE foi possível organizar ações efetivas no ambiente escolar, tanto na sala de aula do ensino regular, quanto na sala de recursos multifuncionais com intuito de oferecer ao estudante condições adequadas ao 3

4 desenvolvimento pleno de suas potencialidades com atividades significativas, através de jogos didáticos, uso do computador, interpretação oral dos conteúdos aprendidos, regras de convivência, entre outras. A interlocução com a família foi de grande valia no que se refere à independência nas atividades de vida diária, refletindo diretamente em seu comportamento na escola. Neste sentido, é possível realizar intervenções construtivas desde o planejamento do atendimento. Conclusão O trabalho propiciou momentos de intensa reflexão acerca de nossas atribuições enquanto professores de educação especial (profissionais do atendimento educacional especializado). Nossa responsabilidade é infinita e a qualidade do trabalho está diretamente ligada à seriedade com que assumimos nosso papel dentro da escola, inserindo o estudante em todos os contextos, apoiando e recebendo apoio de todos os setores e segmentos, tanto da escola, quanto da família e da sociedade. Ficou claro que um trabalho em equipe traz retornos positivos, sendo que o contato entre a equipe de trabalho deve ser constante a fim de que estratégias sejam pensadas em conjunto, tendo como foco estudante e seu pleno desenvolvimento, afinal o estudante é único, seja qual for o ambiente que esteja inserido no momento. A construção do trabalho de conclusão de curso possibilitou também um autoconhecimento enquanto profissional da educação especial. Nossos desafios perdurarão a cada novo caso, porém certamente seremos capazes de contemplar cada detalhe de um novo desafio, procurando fazer o melhor, com carinho, respeito e dedicação. 4

5 Referências BRASIL, Ministério da Educação. Marcos Político-Legal da Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. Brasília: Secretaria de Educação Especial, Ministério da Educação. Política Pública de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva Ministério da Educação. Resolução nº 4, de 2 de Outubro de Brasília-DF. FIGUEIREDO, R. V.de; GOMES, Adriana Leite Limaverde; POULIN, Jean Robert. O Atendimento Educacional Especializado para o aluno com deficiência intelectual. MEC, SEE, UFC, Brasília, CID 10 Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde. Disponível em: VYGOTSKY, Lev Semenovitch. A Formação social da Mente. 3ª edição brasileira, São Paulo,

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