A INCLUSÃO DE ALUNOS COM NECESSIDADES EDUCACIONAIS ESPECIAIS NUMA ESCOLA PÚBLICA DO MUNICÍPIO DE GUARAPUAVA: DA TEORIA À PRÁTICA

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1 A INCLUSÃO DE ALUNOS COM NECESSIDADES EDUCACIONAIS ESPECIAIS NUMA ESCOLA PÚBLICA DO MUNICÍPIO DE GUARAPUAVA: DA TEORIA À PRÁTICA Paloma Cristina Gadens de Almeida UNICENTRO, CAPES Ana Aparecida de Oliveira Machado Barby Coordenadora do PIBID, UNICENTRO Resumo: O presente artigo trata da discussão sobre a inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais em uma escola regular pública do município de Guarapuava. É necessário entender que cada aluno apresenta particularidades no processo de aprendizagem, sobretudo aqueles que apresentam necessidades educacionais especiais. Sendo assim, o objetivo desta pesquisa é refletir acerca da inclusão escolar, tomando como referência o seguinte questionamento: como está ocorrendo à inclusão dos alunos com necessidades especiais nas escolas regulares municipais de Guarapuava/ PR? A pesquisa esta pautada em estudo bibliográfico e nas experiências vividas em uma classe de alfabetização, através do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID). Os resultados obtidos através da vivência como pibidiana mostram que o processo de inclusão é complexo e necessita do apoio da escola como um todo, de recursos materiais e humano, e também da família. Palavras-chave: Inclusão; Escola Regular Pública; Alunos com Necessidades Educacionais Especiais. 1. A inclusão de alunos deficientes em escolas regulares O presente artigo tem como objetivo refletir acerca das questões relacionadas à inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais, tendo em vista, que a cada dia, vem crescendo o número de matrículas destes alunos nas escolas regulares do município de Guarapuava/ PR. A inclusão dos alunos com necessidades especiais foi definida através da Declaração de Salamanca Conferência Mundial de Educação Especial representando 88 governos e 25 organizações internacionais pela UNESCO que ocorreu em 1994.

2 Neste documento foi descrito como principal objetivo da inclusão a educação para todos independentemente das condições individuais apresentadas pelos alunos, bem como, a capacitação das escolas para atender todas as crianças, especialmente as com deficiência (SILVA et al, 2012). A Declaração de Salamanca ainda afirma que toda criança tem direito fundamental à educação, e deve ser dada a oportunidade de atingir e manter o nível adequado de aprendizagem, sendo assim, a declaração é a mais importante no âmbito da inclusão de alunos com deficiência nas escolas regulares. A inclusão esta cada vez mais presente nas escolas regulares, mas é necessário pensarmos como esta ocorrendo esta inclusão, é preciso refletir se estes alunos realmente estão incluídos na rotina das escolas, de modo que a sua aprendizagem seja o maior objetivo da escola e não apenas a sua socialização. Afinal, o fato do aluno com deficiência poder conviver com diferentes crianças, cada uma de sua maneira, é sim de grande importância. Esta socialização que ocorre nas escolas é fundamental, mas é preciso entender que o objetivo maior da inclusão vai além da socialização das crianças com necessidades especiais, e sim oferecer um ambiente de aprendizagem que desenvolva as suas potencialidades. Segundo Perrenoud e Ferreira (2006 p. 3-4): A construção de escolas de qualidade e inclusivas para todos deve, dessa forma, necessariamente evolver o desenvolvimento de políticas escolares de desenvolvimento profissional docente com vistas a prepará-los pedagogicamente para trabalhar com a pluralidade sóciocognitiva e experiencial dos estudantes por meio de enriquecer conteúdos curriculares que promovam a igualdade, a convivência pacífica, a aprendizagem mútua, a tolerância e a justiça social. As escolas que recebem alunos inclusos devem propiciar aos alunos atividades adaptadas, para que todos possam realizá-las, é preciso flexibilizar atividades e até mesmo o currículo da escola, de maneira que respeite a particularidade de cada educando. Sabe-se, pois que modificações podem ser realizadas em âmbito de sala de aula, como as adaptações de

3 pequeno 1 porte ou modificações que envolvam toda a instituição escolar que gerem adaptações de grande porte 2. Os alunos que possuem necessidades educacionais especiais necessitam de uma maior atenção por parte dos professores, afinal para eles, as atividades precisam ser adaptadas para que consigam completar as atividades e principalmente para que consigam aprender os conteúdos escolares. O trabalho em equipe entre professores e gestores em escolas que tem alunos com necessidades especiais matriculados faz a diferença, pois através de troca de experiências entre os docente e equipe pedagógica possibilita uma melhoria no trabalho pedagógico. De acordo com Ferreira (2006, p. 6): O processo de mudança da pedagogia tradicional (leitura, cópia, exercícios no caderno ou livro, etc.) para uma pedagogia inclusiva, pouco a pouco transforma o docente em pesquisador de sua prática pedagógica, pois a nova dinâmica de ensino faz com que adquira habilidades para refletir sobre sua docência e aperfeiçoá-la continuamente. O docente aprende a reconhecer o valor e a importância do trabalho colaborativo e da troca de experiências com seus colegas professores, os quais podem contribuir de forma sistemática sobre novas formas de ensinar, de lidar com velhos problemas e de se desenvolver profissionalmente. Quando a escola recebe um aluno incluso é preciso que a escola também se adapte ao aluno, como afirma Ferreira (2006), a pedagogia tradicional deve ser substituída pela pedagogia inclusiva, com o objetivo de integrar os alunos, e para que isto seja o possível o professor precisa inovar a sua metodologia, sempre refletindo e aperfeiçoando a sua maneira de agir dentro da sala de aula, principalmente em sua prática com alunos inclusos. 1 As adaptações de Grande Porte são aquelas que compreendem ações que são da competência e atribuição das instâncias político-administrativas superiores, já que exigem modificações que envolvem ações de natureza política, administrativa, financeira, burocrática, etc. (BRASIL, 2000). Disponível em: mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/cartilha05.pdf. 2 As adaptações de Pequeno Porte são aquelas que compreendem modificações menores, de competência específica do professor. Elas constituem pequenos ajustes nas ações planejadas a serem desenvolvidas no contexto da sala de aula (BRASIL, 2000). Disponível em:

4 2. Processo de inclusão: da teoria à prática na visão de uma Pibidiana O Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência- PIBID possibilitou a minha inserção em uma escola municipal do município de Guarapuava onde é relativamente grande o número de alunos inclusos. Através desta experiência em sala de aula é possível perceber o quanto a inclusão destes alunos tem trazido benefícios para a aprendizagem e socialização dos mesmos, de acordo com Vandercook, Fleethan, Sinclair e Tetlei (1988, apud SATAINBACK, 1999, p. 22), Nas salas de aula integradas, todas as crianças enriquecem-se por terem a oportunidade de aprender umas com as outras, desenvolvemse para cuidar umas das outras e conquistam as atitudes, as habilidades e os valores necessários para nossas comunidades apoiarem a inclusão de todos os cidadãos. Nas salas de aula onde se tem um educando incluso matriculado, existe uma troca de vivências entre os alunos, e a aprendizagem é mútua. Percebe-se também a questão do cuidado com estas crianças, a visão que se tem ainda é a de que as crianças inclusas são frágeis ou até mesmo incapazes, pois ainda não é muito comum para as crianças, até mesmos para os pais e comunidade escolar esta inclusão. Essa questão precisa ser trabalhada continuamente dentro das escolas, com os alunos em geral e com a comunidade escolar, para que seja esclarecido a todos que os alunos com necessidades educacionais especiais são como todas as crianças, que têm suas limitações, mas, são tão capazes de estudar e conviver na escola como qualquer outra criança. Na escola observada em questão os alunos inclusos contam com o apoio da sala de recursos. A sala de recursos busca através atividades individuais ou em pequenos grupos identificar e superar as dificuldades de aprendizagem dos alunos, utilizando-se de jogos e atividades direcionadas para o lúdico, esta sala conta com uma professora específica para esta atuação que é de grande importância para a aprendizagem dos alunos que freqüentam a mesma no contra turno.

5 As observações na escola possibilitaram a compreensão da complexidade do processo de inclusão, que é um processo demorado e delicado. A escola e profissionais da instituição devem sempre estar atentos aos avanços e retrocessos dos alunos inclusos, sempre levando em consideração que cada pequeno avanço destes alunos já faz a diferença, pois por mais singelo que seja este avanço, na educação especial devemos considerar um grande progresso. Além disso, foi possível perceber que muitas vezes, os alunos inclusos necessitam de um apoio dentro da sala de aula, para isso o ideal seria que cada aluno com necessidades especiais pudesse contar com um professor de apoio, alguns necessitam deste auxílio permanentemente, outros apenas em alguns momentos da aula em que estão mais agitados. Mas, ainda não se pode contar com professores de apoio em todas as escolas municipais que tem alunos inclusos, ainda é grande a falta destes profissionais nas escolas, e muitos que já atuam nesta função ainda não tem a formação adequada para trabalhar nesta área, que exige muito do profissional. Ainda são muitas as dificuldades encontradas pelos profissionais da educação que tem alunos inclusos, pois ainda existe a falta de preparo de profissionais, e principalmente o apoio da família, que tem papel fundamental para o desenvolvimento físico e cognitivo destas crianças. A família deve ser a principal interessada no desenvolvimento das crianças dentro da escola, para que a inclusão dos mesmos seja da melhor maneira possível, de modo que freqüentar a escola seja agradável e que os alunos inclusos consigam aprender os conteúdos. Referências BRASIL. Projeto Escola Viva - Garantindo o acesso e permanência de todos os alunos na escola - Alunos com necessidades educacionais especiais. Brasília: Ministério da Educação, Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/cartilha05.pdf> Acesso em: 31 ago 2014

6 Conferência Mundial de Educação, Declaração de Salamanca Salamanca Espanha, Disponível em: < Acesso em: 31 ago FERREIRA, W. B. Educar na diversidade: práticas educacionais inclusivas na sala de aula regular. In: Ensaios Pedagógicos- Educação Inclusiva: direito à diversidade. Brasília: SEESP/MEC, Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/ensaiospedagogicos2006.pdf>. Acesso em: 30 ago PERRENOUD, P. Práticas pedagógicas, profissão docente e formação: Perspectivas sociológicas. Lisboa: Nova Enciclopédia, SILVA, T. et al. Controvérsia entre a prática da educação especial e o discurso por uma inclusão escolar. Revista Brasileira de Tradução Visual, Vol. 10, No 10, Disponível em: <http://www.rbtv.associadosdainclusao.com.br/index.php/principal/article/viewarticle/ 128>. Acesso em: 31 ago STAINBACK, Suzana. et. al., Inclusão: Um guia para educadores. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1999.

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