II Congresso Nacional de Formação de Professores XII Congresso Estadual Paulista sobre Formação de Educadores

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1 II Congresso Nacional de Formação de Professores XII Congresso Estadual Paulista sobre Formação de Educadores VIVENCIANDO A PRÁTICA ESCOLAR DE MATEMÁTICA NA EJA Larissa De Jesus Cabral, Ana Paula Perovano Dos Santos Silva Eixo 1 - Formação inicial de professores para a educação básica - Relato de Experiência - Apresentação Oral Este relato busca descrever uma experiência vivenciada por uma licencianda do curso de Matemática durante a disciplina Estágio Supervisionado IV cujo foco é o ensino de Matemática para turmas da Educação de Jovens e Adultos. Com a finalização do estágio percebemos que ser professor é ir bem mais além da sala de aula e a certeza de lidar com as diversidades que estarão dentro do ambiente escolar. 1359

2 VIVENCIANDO A PRÁTICA ESCOLAR DE MATEMÁTICA NA EJA Larissa de Jesus Cabral; Ana Paula Perovano. Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia A TÍTULO DE INTRODUÇÃO Os estágios supervisionados são de suma importância para a Licenciatura, pois é neste momento em que o discente percebe se realmente é a profissão a exercer ao longo de sua vida. É com esta aproximação dentro da sala de aula que os discentes irão conhecer as especificidades de cada turma, vivenciar as experiências tanto dos alunos quanto do meio escolar fazendo com que sua profissão seja cada vez mais aprimorada. Então esses estágios são de certa forma uma maneira dos discentes perceberem se de fato querem exercer a profissão de ser professor e o que venha significar isto para ele a fim de poder através buscar sua identidade profissional. Pensando assim, é que o curso de Licenciatura em Matemática possui quatro estágios supervisionados, sendo cada um deste com o propósito de estar levando para os discentes as mais diversas experiências do espaço escolar. E, um destes estágios, o Estágio IV é voltado para o ensino de Matemática para a Educação de Jovens e Adultos EJA, ou seja, é um aprendizado em que o discente terá com pessoas que possuem certa experiência com a vida e tentando lidar com isso dentro da sala de aula. Diante deste contexto, o ensino está em constantes mudanças atualmente, o que nos faz refletir num mesmo mais dinâmico em que o aluno possa está desfrutando de determinados conteúdos de forma diferente, ou seja, a mudança em que estamos vivenciando nos dias atuais reflete dentro da sala de aula a necessidade em trazer para a mesma, atividades onde o estudante poderá está ativo no que diz respeito a uma educação construída na escola fundamentada em formar cidadãos críticos perante a comunidade em que vive. Percebe-se que há uma necessidade em estar levando para dentro da sala de aula, atividades que sejam mais fundamentas em busca de um ensino voltado a estar exigindo do aluno a fazer relação do conteúdo com suas vivências. E, com isso percebemos que com a Matemática não seria diferente, já que a mesma está inserida no cotidiano, estando por sua vez também em constante mudança, sofrendo influências do mesmo

3 Com isso, implica em aulas mais diversificadas, pois o ensino de Matemática é visto como um leque de oportunidades em que pode ser pesquisado e trabalhado em diversas situações. Então, é de suma importância que a Matemática venha a ser tratada dentro da sala de aula de forma ativa, em que os alunos possam entendê-la como peça fundamental para a sociedade. FORMAÇÃO DE PROFESSOR PARA EJA Por este fato, faz-se necessário falar em formação de professor, pois o mesmo necessita está engajado no ensino dinâmico tendo a necessidade de estar se informando com as possíveis mudanças atuais. Assim, é de suma importância tratar desta formação, pois os professores são de certa forma um dos possíveis caminhos para que tenhamos uma melhora na educação, sendo este não o único caminho, mas o viável, pois é uma questão inesgotável em que pode ser pesquisado todo momento. Pensando desta forma, em uma demanda que não se esgota nunca, a formação de professor deve ser trabalhada e questionada em todos os níveis de ensino, sendo um destes a EJA, pois é direito de todos terem uma Educação de qualidade mesmo àqueles que não tiveram acesso para concluir a Educação Básica, ou seja, segundo a Lei de Diretrizes e Bases LDB (Seção V, Art. 37) a educação de jovens e adultos será destinada àqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e médio de idade própria. Então, mesmo tendo pessoas que não tiveram como concluir sua formação em tempo hábil tem o direito de retomar e prosseguir com seus estudos em caráter regular. Além disso, a Educação da EJA deve ser encarada de forma diferenciada, ou seja, esse público é de pessoas com um embasamento teórico bem rico por conta de suas vivências ao longo do tempo. E, isto tem que ser valorizado e buscar nivelar aquilo que ele aprende na escola com o seu conhecimento de berço. Então, é de suma importância que o professor de Matemática tenha como base esta perspectiva, pois aprender matemática é um direito básico de todos e uma necessidade individual e social de homens e mulheres. Saber calcular, medir, raciocinar, argumentar, tratar informações estatisticamente etc. são requisitos necessários para exercer a cidadania, o que demonstra a importância da matemática na formação de jovens e adultos (BRASIL, 2002, p. 11)

4 Então, é nessa proposta de demonstrar a importância que a Matemática possui na formação de jovens e adultos que pretendo alertar uma formação de professor de Matemática voltada a uma dinâmica que incentive o papel formativo e o funcional (BRASIL, 2002, p. 12), sendo a primeira voltada a construir as capacidades intelectuais do pensamento e a segunda dirigida a essas capacitações na prática envolvendo resolução de problemas nas demais áreas, utilizando a interdisciplinaridade. Com isso, pensamos que o professor de Matemática deve ter em mente que o foco da EJA é diferente, pois está lidando com jovens e adultos que possuem uma bagagem de conhecimentos por conta da sua experiência de vida. Todavia, a experiência que o professor e o aluno possuem dentro da sala de aula é uma experiência mútua, ou seja, a aprendizagem é de ambas as partes. Então, o professor tem que perceber que as aulas na EJA são diferentes como os outros níveis de ensino, porém com um foco maior da realidade envolvendo situações-problema em que o aluno possa buscar sua bagagem de conhecimentos relacionando-as com o conteúdo estudado. INOVANDO EM SALA DE AULA NA EJA Com a intenção de inovar as aulas de matemática para a turma, foi proposto uma aula em que buscasse ainda mais a participação dos alunos. Em uma das aulas durante o Estágio IV resolvi utilizar o uso das Tecnologias de Informação e Comunicação TIC, que neste caso foi a calculadora. Esta foi utilizada a fim de que os alunos construíssem o conceito de potência de potência. A aula seguiu da seguinte forma: foi explorado juntamente com os alunos a calculadora a fim de que os mesmos observassem como ficaria caso eu apertasse constantemente o sinal de igualdade, o que acontecia com os valores e fazer os alunos notarem a soma constante que estava acontecendo. E, com isso pude construir junto com os mesmos a tabela de multiplicação do número 2, mas apenas apertando o sinal de =, a fim de eles perceberem que seria a tabela de potência de 2 e a quantidade de vezes que eu apertava o sinal de igual era o expoente que ficaria na base que neste caso era o 2. Um aluno observou que era a potência de 2, só não associaram que a quantidade de vezes que eu apertava o sinal de igualdade era o expoente da base 2. Mesmo que os alunos ainda não haviam observado, não quis dizer nada porque a intenção é que eles

5 observassem isso e eles só observaram quando foi solicitado que fizesse a mesma tabela que construir no quadro, como segue abaixo: TECLA 1 X 2 = = = = = = = = = = VISOR Solicitamos que os alunos construíssem da mesma forma, só que agora seria com o número 7. Pena que nem todos os alunos estavam com calculadora, mas como haviam poucas pessoas na sala de aula dava para emprestar para o outro, pois alguns alunos tinha o celular que não tinha como resolver da forma que eu queria, que neste caso era apenas para apertar o sinal de igualdade. Quando, eles terminaram, ou melhor, conforme iam apertando a igualdade perceberam a potência de 7. Eles compreenderem que aquele expoente era a quantidade de vezes que apertava o sinal de igualdade. Contudo, esta aula não rendeu ainda mais porque os alunos estavam muito agoniados para ir embora. Logo após os alunos terem feito a tabela do número 7, eu fui resolver uma expressão que necessitava da tabela do número 7. Os alunos fizeram um pouco de confusão quando estava resolvendo a expressão, pois além de envolver potência de potência, envolvia a divisão e multiplicação de bases iguais. Mas, mesmo assim resolvi explicar como efetuar a expressão, e expliquei bem devagar para que os alunos entendessem todos os passos. Alguns alunos pelo que notei compreenderam o que eu estava querendo dizer, já outros não tanto porque segundo eles acharam grande demais a expressão e acredito que isso deve ter assustados os mesmos. Contudo, como eles já tinham noção de multiplicação com bases iguais e divisão, acreditei que os alunos não sentiriam tanta dificuldade, mas o problema, na visão deles era que expressão ficou grande o que os assustou. ALGUMAS CONSIDERAÇÕES Durante nossa vivência percebemos que o professor tem de alguma forma envolver aquele jovem e adulto dentro da sala de aula, pois

6 [...] o caráter formativo do ensino da Matemática assume na EJA, um especial sentido de atualidade, quando se dispõe a mobilizar ali, naquela noite, naquela aula, uma emoção que é presente, que co-move os sujeitos, jovens e adultos aprendendo e ensinando matemática, enquanto que resgata e atualiza vivências, sentimentos, cultura, num processo de confronto à história do conhecimento matemático (FONSECA, apud PANCIERA, 2002, p. 25). E, isto percebe na prática, quando o professor se depara com as dificuldades dentro da sala de aula, tendo que superá-las e mais, não deixar que passe despercebido estas dificuldades para por meio das mesmas melhorar sua metodologia, ou seja, é necessário que haja reflexão crítica. Com isso, percebe-se que não é suficiente, para ser professor, saber os conteúdos dos manuais e dos tratados; conhecer as teorias da aprendizagem; as teorias de manejo de classe e de avaliação; saber de cor a cronologia dos acontecimentos educativos; nomear as diversas pedagogias da história (ANDRADE 2005, p.2 apud JANUARIO 2008, p.3). É por meio das leituras feitas, ou melhor, das bibliografias pertinentes que o professor de jovens e adultos pode notar que para ser um professor educador tem que ir além da sala de aula, saber promover métodos que não sejam simplesmente saber os conteúdos. Portanto, é de suma importância que se abra o leque de oportunidades para serem trabalhados em classe. Pensando desta forma é que o professor deva buscar metodologias em que case o conhecimento que os alunos já possuam com o conhecimento formal, tentando fazer os jovens e adultos perceber a importância da Matemática no dia a dia e em especial valorizar as experiências que haviam construído ao longo de suas vidas ou por intuição ou até mesmo por necessidade que pode ter surgido. É as discussões, questionamentos e textos que me dão ao professor em formação o embasamento teórico para saber o que virá pela frente. Então essas indagações podem dar suporte, e fazer o profissional perceber que [...] o papel das teorias é o de iluminar e oferecer instrumentos e esquemas para análise e investigação, que permitam questionar as práticas institucionalizadas e as ações dos sujeitos, ao mesmo tempo se colocar elas próprias em questionamentos, uma vez que as teorias são aplicações sempre provisórias da realidade. (PIMENTA; LIMA, 2005/2006 p.12)

7 Dessa forma o professor deve utilizar estratégias diferenciadas, conhecendo a diversidade cultural presentes na sala de aula fazendo com os alunos construam o conhecimento de cada conteúdo. Assim, segundo Freire (1996) a Educação da EJA é um exercício de criatividade e representa muito mais do que simplesmente transmitir ao aluno teorias e conceitos prontos, ou seja, é preciso fornecer ao aluno os instrumentos que são próprios de sua cultura.... Logo tendo em vista essa proposta o professor deve buscar e sempre refletir sobre o que venha ser o melhor para meus alunos jovens e adultos, tentando de alguma forma casar a teoria e prática. A importância que um professor necessita ter diante de uma sala de aula de jovens e adultos, é relacionar o conhecimento formal com o conhecimento das experiências de vida. A formação de professor para a EJA é pensando em profissionais que reflita e busque métodos para aulas diversificadas com foco para este público. Portanto, este artigo mostra, ou melhor, alerta e faz os profissionais refletirem sobre suas práticas com intuito de buscar meios de melhorá-las com foco para alunos jovens e adultos, para assim formar sua identidade profissional. Diante disso, o estágio supervisionado IV me fez ver que a sala de aula é um campo aberto para todas as idades e mais que estes alunos podem e são capazes de aprender, só que cada um com um nível de aprendizado que possui, ou seja, cada aluno o seu tempo para aprender e cabe a nós professores saber lidar e acompanhar este ritmo. Com isso, aprimorei ainda mais meu jeito de ser como profissional, pensando sempre no que dizer e de que forma fazer isto. Então, nos instantes em que estava lecionando notei a diversidade que cada sala possui e como eu tenho que saber lidar com isto. A EJA me ajudou ainda mais a ver a escola não só como um aprendizado dos alunos, mas sim uma via de mão dupla em que tanto os alunos quanto os professores podem aprender com suas experiências de vida. Então o estágio me proporcionou meios/métodos diversos para serem trabalhados em sala de aula que não se resumem apenas ao livro didático e faz com que podemos formar nossa identidade no que diz respeito à sala de aula. Este Estágio foi à certeza de que ser professor é ir bem mais além da sala de aula e a certeza de que quero ser uma professora que saiba lidar com as diversidades que estarão dentro da mesma, enfim, o término de mais essa etapa na minha vida é a concretização de que quero ser professora

8 REFERÊNCIAS BRASIL, Ministério da Educação. Lei de Diretrizes e Bases. Lei nº Brasília, BRASIL, Ministério da Educação. Proposta Curricular para a educação de jovens e adultos: segundo segmento do ensino fundamental: 5ª a 8ª série. Secretaria de Educação Fundamental, Vol. 3. Brasília, FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, (coleção leitura). PANCIERA, Letícia Menezes. Valorizando o saber Matemático dos Educando da EJA: trabalhadores do comércio. Disponível em: < >. Acesso em: 19 fev PIMENTA, Selma Garrido; LIMA, Maria Socorro Lucena. Estágio e docência: diferentes concepções. Ver Poesis. Vol.3, p. 5-24, 2005/

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