QUAL A (RE)ORIENTAÇÃO POLÍTICO-PEDAGÓGICA DA MODALIDADE EDUCAÇÃO ESPECIAL NO MUNICÍPIO DE ITAGUAÍ/RJ? REFLETINDO SOBRE A META 4

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1 QUAL A (RE)ORIENTAÇÃO POLÍTICO-PEDAGÓGICA DA MODALIDADE EDUCAÇÃO ESPECIAL NO MUNICÍPIO DE ITAGUAÍ/RJ? REFLETINDO SOBRE A META 4 Patrícia Ferreira de Andrade. Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro/UFRRJ Allan Rocha Damasceno. Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro/UFRRJ Eixo Temático: Política Educacional Inclusiva Agência Financiadora: Capes Palavras chave: Plano Municipal de Educação de Itaguaí; Meta 4; Educação Inclusiva; Público-alvo da Educação Especial. 1. Introdução A partir da década de noventa, houve um novo movimento no sistema educacional brasileiro: a Educação Inclusiva. Nesse sentido, discorrer a relevância das Políticas públicas de inclusão escolar para a afirmação de uma escola acolhedora é caminhar rumo à democratização do ensino e, quiçá, da sociedade. A educação inclusiva preconiza que todos os estudantes devem aprender juntos, na perspectiva da construção de processos de ensino e aprendizagem que se voltem para as diferentes demandas dos estudantes. A Declaração Mundial sobre Educação para Todos (1990), Plano de Ação para satisfazer as Necessidades Básicas de Aprendizagem aprovada pela Conferência Mundial sobre Educação para Todos, realizada em Jontiem na Tailândia, proclama que: 1.3. Definir políticas para a melhoria da Educação Básica. 21. As estratégias específicas, orientadas concretamente para melhorar as condições de escolaridade, podem ter como foco: os educandos e seu processo de aprendizagem; o pessoal (educadores, administradores e outros); o currículo e a avaliação da aprendizagem; materiais didáticos e instalações. Estas estratégias devem ser aplicadas de maneira integrada; sua elaboração, gestão e avaliação devem levar em conta a aquisição de conhecimentos e capacidades para resolver problemas, assim como as dimensões sociais, culturais e éticas do desenvolvimento humano. (1990, p.16)

2 Pensando na organização de um sistema de ensino plural e humanizado, composto de espaços escolares que abracem as diferenças, esta pesquisa teve como objeto de estudo: a Meta 4, que no âmbito do Plano Nacional de Educação (PNE) trata da modalidade Educação Especial, e seu desdobramento no Plano Municipal de Educação (PME) de Itaguaí/RJ, que foi reformulado no ano de 2015, tendo sua validade até o ano de Considerando a pertinência do movimento da educação inclusiva e a relevância do PME, que institui perspectivas/diretrizes para a educação do referido município, justificamos nossa investigação acerca dessa meta ao dialogar diretamente com nossa problemática, que se estabeleceu na investigação da orientação político-pedagógica para os estudantes público-alvo da Educação Especial no atual PME de Itaguaí/RJ. Neste contexto, oferecemos atenção especial a Meta 4, pois de acordo com o vigente Plano Nacional de Educação (LEI Nº 13005/14) a Meta supracitada trata sobre: Universalizar, para a população de 4 (quatro) a 17 (dezessete) anos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, o acesso à educação básica e ao atendimento educacional especializado, preferencialmente na rede regular de ensino, com a garantia de sistema educacional inclusivo, de salas de recursos multifuncionais, classes, escolas ou serviços especializados, públicos ou conveniados. (BRASIL, 2014) Em um dos documentos do MEC (Ministério da Educação), denominado como O Plano Municipal de Educação Caderno de Orientações aborda de forma minuciosa o que um Plano Municipal de Educação (PME) não deve deixar de tratar. Nesse sentido esse instrumento orientador explica que: Os Planos Estaduais de Educação (PEEs) precisam ser imediatamente produzidos, debatidos e aprovados em sintonia com o PNE. E os Planos Municipais (PMEs), da mesma maneira que devem ser coerentes com o PNE, também devem estar alinhados aos PEEs dos estados a que pertencem. (BRASIL, 2014, p.6) Ou seja, esse documento destaca que o Plano Municipal de Educação precisa estar coerente com o seu PEE (Plano Estadual de Educação), e logo com o Plano Nacional de Educação (PNE) no qual rege as metas/estratégias para o aprimoramento da educação no país. O novo PNE (BRASIL, 2014) possui vinte metas para o decênio Ante a isso, o documento do MEC, intitulado como: Planejando a Próxima Década Conhecendo as 20 metas do Plano Nacional de Educação trata que: Sabemos que a busca pela equidade e pela qualidade da educação em um país tão desigual como o Brasil é uma tarefa que implica políticas públicas de Estado que incluam uma ampla articulação entre os entes federativos. Vivemos atualmente um

3 momento fecundo de possibilidades, com bases legais mais avançadas e com a mobilização estratégica dos setores públicos e de atores sociais importantes neste cenário. É possível realizar um bom trabalho de alinhamento dos planos de educação para fazermos deste próximo decênio um virtuoso marco no destino do nosso País. (BRASIL, 2014, p.6) Assim, debater sobre a inclusão escolar de estudantes público-alvo da Educação Especial, bem como seus desafios e demandas, é corroborar para a implementação de instituições escolares democráticas, as quais possam atender cada estudante/indivíduo em sua singularidade. 2. Método: Como procedimento metodológico para esse estudo, realizamos análise documental que consistiu na compreensão da Meta 4 do PME ( ) de Itaguaí/RJ, visando identificar se suas propostas/estratégias estavam coerentes com o processo de inclusão escolar de estudantes público-alvo da modalidade de Educação Especial. 3. Objetivo: Este estudo tem como objetivo geral pesquisar/problematizar a (re)orientação instituída acerca da Meta 4 no Plano Municipal de Educação de Itaguaí/RJ ( ) no que tange ao atendimento pedagógico e educacional dos estudantes público-alvo da Educação Especial do município 4. Resultados e Discussão: Atentar para um espaço escolar inclusivo é beneficiar não somente os estudantes público-alvo da Educação Especial, mas a todos os que se encontram no espaço educativo, pois conviver com a diferença é relevante para a construção de escolas solidárias. Dessa maneira, a Meta 4 possui 31 estratégias no vigente Plano Municipal de Educação de Itaguaí/RJ ( ), constatamos que são oferecidas variadas condições que abraçam o público diferenciado que se faz presente na escola contemporânea. Assim, tomando ciência das demais estratégias que se referem à meta 4 do PME de Itaguaí/RJ, observamos que tais investimentos propostos como viabilização de tecnologias assistivas, materiais didáticos de apoio, transportes adaptados, mobiliários e equipamentos adequados, dentre outros fatores que colaboram com o desenvolvimento de um cenário escolar mais humano são esses essenciais para o processo de inclusão. Nesse contexto, a Declaração de Salamanca (1994, p.22) explica a importância sobre o oferecimento de materiais pedagógicos e currículos adaptados:

4 As crianças com necessidades especiais devem receber apoio pedagógico suplementar no contexto do currículo regular e não um currículo diferente. O princípio orientador será o de fornecer a todas a mesma educação, proporcionando assistência e os apoios suplementares aos que deles necessitem. A Meta 4 do PME de Itaguaí traz dimensões coesas com o movimento inclusivo, como assegurar que os projetos político-pedagógico das instituições escolares contemplem a concepção da educação inclusiva. O projeto-pedagógico reproduz as intenções e o módus operandi da equipe escolar, cuja viabilização necessita das formas de organização e de gestão (LIBÂNEO, 2008). Por isso planejamentos acerca da inclusão de estudantes público-alvo da Educação Especial devem estar explícitos nos projetos pedagógicas, e mais que isso, deve-se vivenciar aspirações inclusivas no chão das escolas, de modo que Não basta ter o projeto, é preciso que seja levado a efeito. As práticas de organização e de gestão executam o processo organizacional para atender o projeto (LIBÂNEO, 2008, p.346). Dentre outras propostas que elevam o direito dos estudantes público-alvo da Educação Especial, a Meta 4 do PME atenta para a implantação de salas de recursos em todas as instituições escolares de Itaguaí, e para as que já possuem propõe que serão disponibilizados mobiliário adaptado, materiais didáticos pedagógicos e equipamentos para atender as especificidades dos estudantes. As salas de recursos são essenciais para a Educação Especial na perspectiva inclusiva, visto que potencializam o processo de ensino e aprendizagem dos estudantes público-alvo da Educação Especial. Outro ponto que dialoga com o processo de inclusão na/para a escola contemporânea, que se encontra nas estratégias do Plano Municipal de Educação referente à Meta 4 é sobre o bilinguismo, que consiste na oferta da LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) como primeira língua, e como segunda a modalidade escrita da Língua Portuguesa, aos (às) alunos (as) surdos e com deficiência auditiva de 0 (zero) a 17 (dezessete) anos, bem como a adoção do Sistema Braille de leitura para cegos e surdos-cegos, até o final da vigência do Plano Municipal. Precisamos que essas estratégias tenham o compromisso de se implementar em cada escola. Nesta perspectiva, legislações em geral são indispensáveis. Entretanto, cabe a cada um de nós, protagonistas da educação, nos mobilizarmos para um ensino na/para as diferenças, onde possamos (re)criar estratégias reais nos contrapondo a manutenção e controle instituído pelo sistema do capital.

5 5. Conclusão: Nossa análise do atual Plano Municipal de Educação de Itaguaí nos trouxe elementos que nos permitem afirmar a existência de possibilidades político-pedagógicas de mudanças no que diz respeito ao atendimento dos estudantes público-alvo da Educação Especial, pois o mesmo apresentou disposição em sua reorientação inclusiva no que tange ao atendimento desses estudantes nas escolas regulares do Município, avançando com novas estratégias de ensino e fundamentando-se de dispositivos legais que direcionam a inclusão. Dessa maneira: O momento é de mobilização, do trabalho cooperativo, da busca de parcerias em prol da mudança escolar e educacional, e quiçá, social, promovida pela inclusão escolar no acolhimento da diversidade de todos os estudantes, inclusive os com necessidades educacionais na escola inclusiva. (DAMASCENO, 2006, p. 25) Entretanto, longe de sermos ingênuos, sabemos que ainda há muitos desafios a superar, na medida em que a pseudoinclusão se faz presente em muitas classes e escolas regulares, ferindo o direito de estudantes quanto a seu acesso, permanência e sucesso escolar. 6. Referências: BRASIL. Planejando a Próxima Década -Conhecendo as 20 metas do PNE MEC, Plano Nacional de Educação, Lei n /14. MEC, O Plano Municipal de Educação Caderno de Orientações. MEC, DAMASCENO, A. R. A formação dos professores e os desafios para a educação inclusiva: as experiências da escola Municipal Leônidas Sobrino Pôrto. Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Educação, Universidade Federal Fluminense, ITAGUAÍ. Plano Municipal de Educação de Itaguaí: Educar para a Mudança Participação, responsabilidade e ação. Itaguaí Rio de Janeiro, 2015, LIBÂNEO, J. C. OLIVEIRA, J. F. de. & TOSCHI, M. S. Educação escolar: políticas, estrutura e organização. 6. ed., São Paulo: Cortez, UNESCO. Declaração Mundial de Educação para Todos. Jomtien, Tailândia, Declaração de Salamanca e Enquadramento da Acção. Na área das necessidades educativas especiais. Conferência Mundial Sobre Necessidades Educativas Especiais: Acesso e qualidade. Salamanca, Espanha, 7-10 de Junho de 1994.

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