O CONCEITO DE EDUCAÇÃO PERMANENTE E EDUCAÇÃO AO LONGO DA VIDA NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: CONSIDERAÇÕES PARA O NOVO PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO.

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1 O CONCEITO DE EDUCAÇÃO PERMANENTE E EDUCAÇÃO AO LONGO DA VIDA NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: CONSIDERAÇÕES PARA O NOVO PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO. Sandra Fernandes Leite Unicamp. Cristiane Teresa Dombosco Unicamp. Agência Financiadora: CAPES e Observatório da Educação. Eixo3: Pesquisa em Pós Graduação em Educação e Política Pública Categoria: Pôster. Resumo Este trabalho investigou os conceitos de Educação Permanente e Educação ao Longo da Vida presentes em documentos internacionais e nacionais que nortearam a elaboração do Plano Nacional de Educação (PNE) e os desafios que se apresentam em fase de elaboração do (Novo PNE) O objetivo foi investigar a presença do conceito de Educação Permanente ou Educação ao Longo da Vida em documentos oficiais internacionais e nacionais que tratam da Educação de Jovens e Adultos (EJA), se ele serviu de base no PNE e se está presente nas discussões do Novo PNE Foi realizado um estudo bibliográfico e documental a fim de verificar a presença do conceito na Constituição Federal de 1988, na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional vigente, no Plano Nacional de Educação ( ) e no Projeto de Lei nº 08035/2010 que se encontra em trâmite na Câmara dos Deputados. Os resultados preliminares sugerem que ocorre a adoção de conceito de Educação ao Longo da Vida no PNE , ainda em fase de elaboração, propondo a manutenção de uma proposta de educação ao longo da vida que não se restringe somente aos espaços escolares e formais. Palavras chaves: Educação Permanente, Educação ao Longo Vida. Plano Nacional de Educação.

2 O CONCEITO DE EDUCAÇÃO PERMANENTE E EDUCAÇÃO AO LONGO DA VIDA NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: CONSIDERAÇÕES PARA O NOVO PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO. Sandra Fernandes Leite Unicamp. Cristiane Teresa Dombosco Unicamp. Agência Financiadora: CAPES e Observatório da Educação. Com base em Osório (2003) é possível destacar a trajetória histórica envolvendo o conceito de Educação Permanente e sua relação com o ideário da educação ao longo da vida. Historiadores ocidentais relatam que, ao final do século XVIII, apareceu pela primeira vez o que hoje se considera 'Educação Permanente', relativa à criação de sistemas educativos modernos, na qual o Estado deveria garantir a educação para todos. Durante o século XX o conceito de Educação Permanente ganhou impulso em diferentes culturas. Educação Permanente passa a ser um conceito norteador de novas políticas educativas, das atividades e instituições educativas, com o propósito de favorecer a associação entre a educação e trabalho através da otimização da mobilidade profissional e a formação na empresa (p.16) Nos anos de 1970 o conceito de Educação Permanente pressupunha um projeto global, com possibilidades de formação que iam além do sistema educativo e que compreendessem as diferentes etapas da vida humana. A proposta de implementação da Educação Permanente se baseava na insuficiência dos sistemas educativos, nas necessidades econômicas e no processo de desenvolvimento tecnológico que passavam a exigir aquisições de novos conhecimentos. Essas propostas aliadas às necessidades políticas, como resposta ao interesse de uma maior participação dos cidadãos nos processos políticos, foram fortemente disseminados pelos organismos internacionais, tais como Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Conselho da Europa, Instituto de Hamburgo entre outros. O cenário daquele momento histórico partiu da hipótese de um desenvolvimento econômico indefinido e aliado a um forte otimismo em que a educação poderia cumprir com a função de garantir as possibilidades de evolução dos conhecimentos e das técnicas para todas as pessoas. Criou-se uma grande demanda por certificações e diplomas que, teoricamente, garantiria a consolidação da profissão e do currículo. No entanto, essa prática deslocava para o indivíduo toda a responsabilidade para garantia desse direito, uma vez que partiria da necessidade e do desejo individual a busca por mais educação, reduzindo dessa forma a uma minoria que conseguia se beneficiar de tais propostas (Osorio, 2003, p.20 28). O mesmo autor relata que nos anos 1980 o discurso global sobre a Educação Permanente praticamente desapareceu, devido a mudanças socioeconômicas e a crítica pósmoderna. A crise do Estado do bem-estar acabou gerando mudanças econômicas impulsionadas

3 pela inflação sem crescimento econômico, determinando que as circunstâncias socioeconômicas tornassem-se incapazes de se adequar a uma política com previsão de gastos em educação inicial, saúde e bem-estar. Por esse motivo, a proposta de Educação Permanente desapareceu da agenda política (Osorio, 2003, p ). A volta do conceito de Educação Permanente ganhou impulso nos anos de 1990, alimentada pela expressão a Educação ao Longo da Vida, na tradução do Relatório Jacques Delors, que defendeu a educação como um bem coletivo e passou a fazer parte de diversos informes dos organismos internacionais. A justificativa para esse retorno foi o crescimento geral das demandas de aprendizagem diante dos requisitos sociais de novas competências, diante do quadro de crise do trabalho e dos efeitos da globalização. O conhecimento passou a ser o principal recurso produtor de riqueza, assumindo que os membros da sociedade necessitavam de uma formação básica e também precisavam incorporar conhecimentos de tecnologias da informação. Tornava-se necessário uma sociedade na qual se equilibrassem a competitividade das empresas, o emprego dos trabalhadores assalariados e o Estado de bem-estar. O desequilíbrio desta balança gerou crises, impactando mais duramente as partes mais fragilizadas, como a situação do trabalho e o próprio abandono do Estado de bem-estar, deixando tudo nas mãos da competitividade (Osorio, 2003, p ). Na perspectiva do direito, a Educação de Jovens e Adultos (EJA) no Brasil só é assumida a partir da Constituição Federal de 1988, embora já tivesse sido afirmada pela Declaração dos Direitos Humanos desde Um importante marco na trajetória histórica dessa modalidade foi a criação da Conferência Internacional de Educação de Adultos (CONFINTEA), que vem sendo realizada desde 1949 pela UNESCO. Destaca-se a V Conferência Internacional de Educação de Adultos que, segundo Di Pierro (2010), foi firmado o comprometimento dos países signatários da Declaração de Hamburgo com a promoção da aprendizagem ao longo da vida. No Brasil, após a promulgação da Constituição, teve início o processo de elaboração da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional Lei n.º9394 de dezembro de 1996, que reiterou os direitos educativos dos jovens e adultos ao ensino adequado às suas necessidades e condições de aprendizagem, estabeleceu as responsabilidades dos poderes públicos na identificação e mobilização da demanda, e provisão de ensino fundamental gratuito e apropriado (p.941). Outro documento de grande impacto para a EJA foi a Emenda Constitucional n.º14, de 1996, que criou o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (FUNDEF). Sobre este fundo, Di Pierro (2010) relata que após veto presidencial à lei, as matrículas na EJA não puderam ser consideradas, o que acabou por

4 restringir as fontes de financiamento e acabou impactando na ampliação das matrículas na modalidade. (p.941) A Lei n.º 10172, de 2001 estabeleceu o Plano Nacional de Educação (PNE) com duração prevista para dez anos ( ) e propunha desenvolver o conceito de Educação ao Longo da Vida, partindo da alfabetização, mas não se restringindo a ela. A EJA deveria ser oferecida gratuitamente pelo Estado a todos os que a ela não tiveram acesso na idade própria. Além da garantia de acesso a oferta de formação não deveria se restringir aos anos iniciais do ensino fundamental, mas ser ampliada para a oferta de todo ensino fundamental e garantir a possibilidade de acesso ao ensino médio aos que lograrem a conclusão do ensino fundamental obrigatório. Di Pierro (2010), ao analisar o período de construção do PNE, relatou que ao se observar o discurso presente nos acordos internacionais e na legislação nacional, percebe-se a existência do consenso em torno do direito à educação e a necessidade da formação continuada ao longo da vida, independente da idade. No entanto, quando são analisadas as políticas educacionais brasileiras levadas à prática, observa-se a secundarização da EJA diante de outras modalidades de ensino e grupos de idade. Dessa forma, a autora alerta para a necessidade de um olhar atento a situação atual, vislumbrando os objetivos e metas alcançados pelo PNE que termina em Para a autora, essa revisão é necessária quando se trata da EJA, na qual é flagrante o insucesso das políticas públicas (p.940). Outros destaques são a Lei n.º de 2007, que regulamentou o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB) e a Emenda Constitucional n.º 59, de 2009, que ampliou o ensino obrigatório dos 4 aos 17 anos de idade. Ao término do PNE, surgiu um grande movimento em prol da discussão da elaboração de um Novo Plano Nacional de Educação através da realização de Conferências Municipais, Intermunicipais, Estaduais e que resultaram na realização da Conferência Nacional de Educação CONAE realizada entre 28 de março e 01 de abril de 2010 sob o tema Construindo o Sistema Nacional Articulado de Educação: O Plano Nacional de Educação, Diretrizes e Estratégias de Ação. Neste espaço realizaram-se discussões, avaliações e proposições e ao término apresentou-se um documento final, trazendo as concepções, as proposições que deveriam nortear o processo de construção do Novo Plano Nacional de Educação (PL n.º 08035/2010 p.25). Em dezembro de 2010 foi apresentado a Câmara dos Deputados o Projeto de Lei n.º que Aprova o Plano Nacional de Educação para o decênio e dá outras providências. (p.01). Este Projeto de Lei destacou a proposta de erradicação do analfabetismo, a universalização do atendimento escolar, a superação das desigualdades educacionais e a

5 melhoria da qualidade do ensino, implementando estratégias através da colaboração entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Destacam-se o atendimento escolar para toda a população de quinze a dezessete anos e a perspectiva de aumento da matrícula no ensino médio para essa faixa etária; a criação de programas de EJA para população urbana e do campo na faixa etária de quinze a dezessete anos, com qualificação social e profissional para os jovens que se encontram com defasagem idade série; elevar a escolaridade média da população de dezoito a vinte e quatro anos de modo a alcançar o mínimo de doze anos de escolaridade entre outras. Di Pierro (2010) lembra que neste período grande parte dos atores sociais do campo da EJA estavam envolvidos com a preparação e realização da VI Conferência Internacional de Educação de Adultos. Dessa forma, a mobilização brasileira em torno da VI CONFINTEA acabou concorrendo com a preparação da CONAE, gerando uma participação discreta por parte da rede de organizações, dos fóruns e ativistas do campo da EJA (p.950). Conclusões Não há uma padronização com relação à definição conceitual e a utilização dos conceitos de Educação Permanente e Educação ao Longo da Vida em escala mundial. Os conceitos são aplicados às políticas sociais e educacionais de cada país de acordo com o cenário local e das possibilidades de implementação de propostas ou projetos voltados para área socioeducativa. Constatou-se na análise dos documentos legais e das declarações nacionais e internacionais que a década de 1990 pode ser considerada um marco nas discussões de caráter nacional e internacional pelo reconhecimento da educação como um direito de cidadania. Na década de 2000 surgem grandes espaços de debates, como as discussões em prol do Plano Nacional de Educação e sua aprovação em 2001, a elaboração do Parecer 11/2000, as conferências municipais e estaduais em prol da realização da CONAE, a CONAE e a elaboração do Projeto de Lei n.º 08035/2010 que trata do Novo PNE. Na visão desse Projeto de Lei, a educação é vista como processo e prática constituída e constituinte das relações sociais. As instituições educativas são entendidas como espaços de produção e de disseminação, de modo sistemático, do saber historicamente produzido pela humanidade. Essa concepção de educação amplia espaços e sinaliza para a importância de que o processo de formação se dê de forma contínua ao longo da vida. Para tanto precisa estar articulada com as demandas da sociedade. A função social deve levar a educação a reconhecer o papel estratégico das instituições de educação básica e superior. Voltadas para a vida, o mundo do trabalho, a solidariedade e através de uma cultura de paz visam à superação de práticas

6 opressoras e que possa efetivamente incluir os grupos historicamente excluídos (p ). Para tanto, prevê que o Estado deverá garantir o acesso e a permanência na educação básica e superior aos coletivos de desiguais no contexto das desigualdades sociais, entre eles o público da educação de jovens e adultos (p.26-28). Nesse contexto, a Educação ao Longo da Vida é considerada o meio de atingir um equilíbrio entre trabalho e aprendizagem, bem como o exercício pleno da cidadania, sendo o cerne para a educação do Século XXI. Torna-se necessário continuar o debate e a reflexão sobre os desafios para a educação brasileira, com vista a assegurar instrumentos concretos que visem garantir para esse Plano Nacional de Educação instrumentos de acompanhamento, avaliação e acima de tudo, o conhecimento do mesmo pela sociedade, assim como a compreensão de sua importância frente às forças políticas e sociais que vão delinear as ações educacionais para a década que se inicia, em especial para os grupos que defendem e debatem sobre a EJA. Referências Bibliográficas BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Continuada, alfabetização e Diversidade. Documento Nacional Preparatório à VI Conferência Internacional de Educação de Adultos (VI CONFINTEA). Ministério da Educação (MEC) Brasília: MEC; Goiânia: FUNAPE/UFG, BRASIL. Câmara dos Deputados. Projeto de Lei 08035/2010 Aprova o Plano Nacional de Educação para o decênio e dá outras providências. Disponível em < > Acesso: 18/03/2011 BRASIL. Ministério da Educação. Plano Nacional de Educação (PNE). Disponível em < Acesso: 17/01/2011. DI PIERRO, Maria Clara. A Educação de Jovens e Adultos no Plano Nacional de Educação: Avaliação, Desafios e Perspectivas. In: Educação & Sociedade: Revista de Ciência da Educação / Centro de Estudos Educação e Sociedade V.31, n São Paulo: Cortez, Campinas, CEDES, OSORIO, Agustín Requejo. Educación permanente y educación de adultos. Barcelona: Editorial Ariel, 2003.

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