PROGRAMA INSTITUCIONAL DE BOLSAS DE INICIAÇÃO À DOCÊNCIA PIBID ESPANHOL

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1 PROGRAMA INSTITUCIONAL DE BOLSAS DE INICIAÇÃO À DOCÊNCIA PIBID ESPANHOL A língua espanhola na Educação Básica A implantação da língua espanhola por meio da lei federal , que diz respeito à sua oferta facultativa nas escolas das redes públicas do Ensino Fundamental e obrigatória no Ensino Médio, acrescida de outros fatores políticos, econômicos e sociais, vem contribuindo para a importância do espanhol no contexto escolar nacional. Vale destacar também que uma série de ações do governo federal nos últimos anos tem sido positiva para que o espanhol seja implantado nas escolas públicas. Como exemplo dessas ações, podemos citar: a) a publicação das Orientações Curriculares para o Ensino Médio (2006), primeiro documento do Ministério da Educação com um capítulo dedicado exclusivamente ao ensino de língua espanhola; b) a inclusão das línguas estrangeiras (espanhol e inglês) nos editais dos programas do livro didático, como é o caso do Programa Nacional do Livro Didático - para o Ensino Fundamental, (Edital PNLD 2011) e para o Ensino Médio (Edital PNLD 2012); c) a inclusão das línguas estrangeiras também no Programa Nacional Biblioteca da Escola (Edital PNBE 2011), a partir do qual várias escolas são beneficiadas com obras de caráter teóricometodológico para os professores de espanhol (e de inglês); d) a inclusão das línguas estrangeiras, espanhol e inglês, no Exame Nacional do Ensino Médio- ENEM. Todo esse cenário tem contribuído muito para a expansão do espanhol nas escolas de ensino regular, o que gera uma demanda cada vez maior por ações que reforcem e fomentem um ensino com qualidade do referido idioma nesse contexto. Tais ações devem incidir em vários níveis do processo educativo: na preparação e formação, inicial e continuada, do professor do ensino básico; nos elementos necessários para a condução do processo de ensino e aprendizagem da língua, tais como recursos, materiais didáticos, infra-estrutura etc.; na preparação dos formadores de professores, no que se refere a pesquisas acadêmicas na área, à organização dos cursos de licenciatura em língua espanhola etc.; e, finalmente, no que é o foco central e o sujeito mais importante em todo o processo: no aluno da escola regular, possibilitando-lhe um processo

2 de aprendizagem do idioma que tenha um caráter formativo e não meramente instrumental, como se tem feito tradicionalmente no ensino de idiomas no contexto escolar. Vale lembrar que nas Orientações Curriculares para o Ensino Médio (BRASIL, 2006), cujo capítulo 4 se dedica a apontar caminhos para o ensino de espanhol no Brasil, destaca-se o papel da língua estrangeira na educação dos alunos/cidadãos: privilegiar o contato cultural e a formação de um usuário crítico do idioma; contribuir para a formação de um ser humano mais autônomo e crítico e para a construção da cidadania. No caso específico do espanhol, as Orientações estabelecem que o trabalho com o idioma deve valorizar a heterogeneidade e a pluralidade da língua e o desenvolvimento de uma competência comunicativa/intercultural efetiva que permita ao aluno não só o desenvolvimento de habilidades linguísticas, mas também o contato com o outro e a reflexão sobre as diferenças culturais. [...] os objetivos a serem estabelecidos para o ensino de Língua Espanhola no nível médio devem contemplar a reflexão consistente e profunda em todos os âmbitos, em especial sobre o estrangeiro e suas (inter)relações com o nacional, de forma a tornar (mais) consistentes as noções de cidadania, de identidade, de plurilinguismo e de multiculturalismo, conceitos esses relacionados tanto à língua materna quanto à língua estrangeira. (BRASIL. Orientações Curriculares para o Ensino Médio, 2006, p. 149) Enfim, busca-se promover a formação humana dos alunos, preparando-os para a sociedade complexa em que vivemos, atendendendo ao artigo 35 da LDB/96, que atribui as seguintes finalidades ao ensino médio: o aprimoramento do educando como ser humano, sua formação ética, desenvolvimento de sua autonomia intelectual e de seu pensamento crítico, sua preparação para o mundo do trabalho e o desenvolvimento de competências para continuar seu aprendizado. Vemos, portanto, que estamos diante de uma perspectiva de ensino da língua que busca desenvolver no aluno sua capacidade de pensar e atuar, de maneira crítica e autônoma, na sociedade em que vive:

3 As propostas epistemológicas (de produção de conhecimento) que se delineiam de maneira mais compatível com as necessidades da sociedade atual apontam para um trabalho educacional em que as disciplinas do currículo escolar se tornam meios. Com essas disciplinas, busca-se a formação de indivíduos, o que inclui o desenvolvimento de consciência social, criatividade, mente aberta para conhecimentos novos, enfim, uma reforma na maneira de pensar e ver o mundo. (OCEM, 2006, p. 90) Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) confirmam essa perspectiva educacional, ao explicitar o importante papel que tem a língua estrangeira como meio de inclusão na sociedade globalizada contemporânea: Torna-se, pois, fundamental, conferir ao ensino escolar de Línguas Estrangeiras um caráter que, além de capacitar o aluno a compreender e a produzir enunciados corretos no novo idioma, propicie ao aprendiz a possibilidade de atingir um nível de competência lingüística capaz de permitir-lhe acesso a informações de vários tipos, ao mesmo tempo em que contribua para a sua formação geral enquanto cidadão. (PCN-EM, 2000, p. 26) Toda essa perspectiva educacional e formativa de ensino de espanhol requer, obviamente, que os professores da educação básica estejam preparados para colocá-la em prática, o que nem sempre corresponde à realidade: o que se vê frequentemente são professores que, por razões diversas (falta de formação adequada, falta de condições apropriadas de trabalho, falta de recursos e materiais etc.), terminam por efetivar uma prática docente de corte mais tradicional e limitada, o que não corresponde com o horizonte antes delineado. Como se pode concluir, tal horizonte de ensino da língua cria um novo espaço e um novo papel para o espanhol na escola e, consequentemente, novos papéis para professores, alunos, materiais didáticos, enfim, para todos os componentes do processo educativo em língua espanhola.

4 Todas essas mudanças levam à necessidade de se conquistar vários avanços no contexto escolar, pois sabemos que somente uma lei ou a chegada de materiais gratuitos via PNLD ou a publicação de documentos oficiais que regem o trabalho com determinado campo disciplinar não são suficientes para garantir e concretizar novas práticas, novos papéis, novos objetivos e resultados no ambiente escolar. Nesse sentido, a inserção do espanhol no PIBID vem somar forças às iniciativas tomadas, mencionadas anteriormente, e promover novas ações que permitam concretizar uma formação do professor de espanhol, inicial e continuada, que possa instaurar um ensino formativo de espanhol no atual contexto da educação básica. O projeto PIBID-Espanhol A partir do que foi discutido no item anterior, algumas perguntas surgem naturalmente: como efetivar um ensino educativo de língua espanhola no espaço escolar público? Como formar os professores de espanhol, atuais e futuros, para implementar tal perspectiva de ensino da língua? Como gerar objetos e situações de aprendizagem (materiais, recursos, propostas, projetos etc.) que possam levar o aluno da escola regular pública a se relacionar com o idioma espanhol de forma mais integradora e crítica? Nota-se, claramente, que o desafio é grande, principalmente si pensamos na situação em que, historicamente, se viu inserido o ensino de línguas nas escolas públicas: já está muito arraigada a ideia de que não se aprendem línguas nas escolas, de que não é possível fazer um trabalho minimamente produtivo nesse espaço, de que o lugar que ocupa esse componente curricular deve ser sempre secundário e acessório etc. Outro fator que também se constitui como algo negativo no processo de inserção de uma língua estrangeira na escola é o fato de que, nos cursos de licenciatura, muitas vezes, o contato ou o diálogo dos futuros professores com o contexto educacional real é muito restrito e limitado, restringindo-se, muitas vezes, somente às disciplinas de prática de ensino, o que, em muitos casos, tem um impacto muito forte, e às vezes negativo, levando os licenciandos a um verdadeiro choque diante da realidade educacional pública brasileira.

5 Nesse sentido, o objetivo central do presente projeto é ampliar o espaço de vivência teórico-metodológica e de prática, tanto para os alunos-bolsistas da graduação em língua espanhola da Faculdade de Letras da UFMG, quanto para o professor supervisor da escola em que o projeto atuará, através de uma relação de diálogo e troca permanente entre os conhecimentos e reflexões gerados na universidade e os conhecimentos, reflexões e experiências geradas no contexto escolar público brasileiro. Dessa forma será possível estabelecer uma via de mão dupla que trará para a universidade a realidade escolar e, ao mesmo tempo, levará discussões acadêmicas para a essa realidade escolar, o que oferece aos alunos de licenciatura em espanhol a possibilidade de desenvolver habilidades concretas por meio da aplicação de conhecimentos apreendidos nos cursos da graduação e levar contribuições e subsídios para as escolas públicas, no que se refere à formação permanente do professor supervisor e à formação educacional de seus alunos enquanto agentes e sujeitos sociais críticos e autônomos. Metodologia Para viabilizar a execução do projeto de espanhol, em consonância com as linhas de ação que integram o projeto Geral PIBID, bem como com os documentos nacionais de línguas estrangeiras, serão implementadas as seguintes ações gerais que configuram o plano de trabalho do projeto: Desenvolvimento e construção de saberes docentes por meio de práticas compartilhadas de ensino e iniciação à docência, incluindo ações em conjunto com outras equipes para Projetos Temáticos Interdisciplinares; o foco dessas ações será a formação de um usuário autônomo e crítico do espanhol, visando a sua educação linguística; Articulação entre o espaço acadêmico (universidade) o espaço da escola e os espaços não-formais de educação (comunidade), através do desenvolvimento de atividades que integrem e façam dialogar esses diferentes contextos; Orientação de atividades didático-pedagógicas desenvolvidas pelos alunos participantes e pelos professores supervisores em escola pública de Educação Básica;

6 Participação em reuniões periódicas com os alunos bolsistas e professores supervisores de escola pública da Educação Básica; Planejamento e produção de recursos, materiais, estratégias e projetos de ensino a serem implementados nas salas de aula dos professores supervisores juntamente com alunos em formação inicial; essa ação se dará a partir de temas e aspectos relativos ao ensino de espanhol definidos em acordo entre coordenador, supervisor e bolsistas; Participação em discussões relativas aos documentos oficiais que regem o ensino de línguas estrangeiras como o Currículo Básico Comum de Minas Gerais (CBC), as Orientações Curriculares para o Ensino Médio (OCEM), os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), os PNLDs 2011 e 2012 do Ensino Fundamental e do Ensino Médio e outros referenciais teóricos sobre letramentos; Participação em encontros e/ou eventos promovidos pelo PIBID; Apresentação e publicação de trabalhos em eventos, revistas etc. Algumas ações iniciais a serem exercidas pelo coordenador do PIBID de Língua Espanhola são fundamentais como: o contato com as escolas parceiras, a seleção de bolsistas PIBID entre os alunos do Curso Letras-Espanhol, a seleção de professor/a supervisor/a. Posteriormente, ele deve fazer o acompanhamento do desenvolvimento das ações, realizar os encontros e discussões com o professor supervisor e com os bolsistas (acompanhamento e orientações de estudos) e, ainda, fazer encaminhamento e/ou atendimento de demandas específicas das escolas e dos licenciandos. A metodologia de trabalho terá como referência o planejamento e desenvolvimento das ações de modo coletivo e compartilhado, com compromissos e responsabilidades bem definidos e estabelecidos entre bolsistas, supervisor, coordenador de área e coordenador geral. Dessa forma, são previstas as seguintes ações, como desdobramentos metodológicos do Plano de Trabalho exposto anteriormente:

7 Encontros com a equipe (coordenador, professor supervisor e bolsistas) para discussão de documentos legais e textos teóricos sobre a inserção e o papel da língua espanhola na educação básica; Encontros com a equipe (coordenador, professor supervisor e bolsistas) para acompanhamento e orientações de estudos e planejamento, discussão e avaliação das ações implementadas; Para a elaboração, desenvolvimento e avaliação das ações do Projeto, será feita uma avaliação inicial/diagnóstica do contexto escolar em que se darão tais ações: no contexto de campo, os alunos em formação inicial farão observação e análise da escola e da comunidade escolar, de suas práticas pedagógicas e educativas, de seus projetos, das relações professor-aluno, aluno-aluno, escola e comunidade, de sua dinâmica cotidiana, de suas linhas de ação, buscando identificar aspectos positivos e problemas e desafios relativos ao ensino de idiomas na escola; tal mapeamento será orientado a partir do norte teórico discutido em encontros prévios e irá gerar discussões para o desenvolvimento e planejamento das ações que incidirão nas questões apresentadas nesta análise inicial; Reuniões da equipe para discutir e avaliar o diagnóstico inicial, bem como para pensar e planejar questões centrais que nortearão o processo de implantação das ações do projeto, bem como os possíveis impactos das atividades que serão desenvolvidas no cotidiano da escola; Levantamento de temas e linhas de ação para os bolsistas e planejamento das mesmas na forma de planos de trabalho com cronogramas e metas a serem cumpridas; os projetos, atividades e materiais didáticos para o ensino de espanhol, desenvolvidos para serem implementados na sala de aula, serão elaborados e discutidos com toda a equipe; Desenvolvimento das atividades propostas, de acordo com o planejamento, pelos alunos-bolsistas, sob orientação do professor supervisor e do coordenador; Encaminhamento e/ou atendimento de demandas específicas da escola e/ou dos estagiários;

8 Desenvolvimento de ações, que podem se dar na forma de oficinas e projetos extra classe, a partir da demanda e da necessidade da escola e sua comunidade; Produção de materiais e recursos de ensino para a execução das ações propostas; Promoção de atividades interdisciplinares no contexto da escola; Observação dos alunos bolsistas na implementação das ações em sala de aula e discussões com toda a equipe sobre as experiências realizadas; Avaliação processual da implementação e dos resultados obtidos; contaremos com avaliações parciais e finais do projeto e suas ações, avaliações de todos os participantes e avaliação geral. As estratégias de avaliação abarcarão discussões em grupos, relatórios individuais, portfólios entre outras ferramentas; Acompanhamento sistemático por parte do professor supervisor com relatórios e relatos permanentes; Elaboração de uma página web ou um blog para a divulgação e visibilidade dos trabalhos desenvolvidos; Promoção de eventos, palestras e/ou oficinas com temáticas relevantes para o ensino do espanhol; Diálogos com outros projetos de Espanhol do PIBID de outras regiões do país. Resultados pretendidos e Conclusões A partir das ações previstas, listadas anteriormente, o projeto de espanhol do PIBID pretende alcançar os seguintes resultados: Contribuir para a formação inicial dos licenciandos e para a formação continuada/formação em serviço do professor supervisor de língua espanhola da escola pública participante do projeto, no que diz respeito às especificidades da área; Estreitar relações entre a universidade e escolas públicas de Educação Básica;

9 Favorecer o contato do licenciando com as escolas de Educação Básica, possibilitando-lhe desenvolver habilidades concretas por meio da aplicação de conhecimentos apreendidos no meio acadêmico, contribuindo com a comunidade das Escolas Públicas e atuando como agente de transformação à medida que, de forma concreta, promove um ensino formativo de espanhol como componente curricular; Permitir aos alunos bolsistas a construção e o uso de recursos e estratégias para a promoção de uma aprendizagem significativa da língua espanhola no contexto escolar, através de: inserções e intervenções no Projeto Político Pedagógico e no planejamento didático-pedagógico do professor da escola; elaboração de planos de aula, de sínteses pedagógicas e de registros das ações; vivência de situações educacionais diversas, como a efetiva experiência de regência e de desenvolvimento de projetos na escola de ensino básico; tudo isso será orientado pelo norte teórico discutido anteriormente; Desenvolver a formação crítica dos alunos da educação básica; Contribuir para a ampliação de espaços de estudos e pesquisas sobre o ensino e aprendizagem de espanhol na escola regular e sobre a formação de professores de espanhol no Brasil, gerando produção e divulgação de conhecimento científico com reflexões acerca de práticas educativas do ensino do espanhol na Educação Básica; essa produção e divulgação ocorrerão por meio de publicação de artigos, confecção de outros materiais para publicação e participação em eventos acadêmicos; Analisar o papel/lugar do espanhol nas escolas públicas de educação básica; Criar um espaço digital para registrar e divulgar os projetos, atividades, ações e materiais de ensino elaborados e para compartilhar práticas e dialogar com outros professores e alunos interessados no ensino de espanhol; esse espaço será também uma ferramenta para: utilização nas próprias ações do projeto (aulas, eventos, intervenções pedagógicas etc.); interação entre a equipe e os alunos para reflexão, registro de opiniões, depoimentos, comentários, críticas, sugestões, produções dos alunos ao longo do processo etc.; avaliação processual das ações desenvolvidas no

10 projeto; registro de todo o processo para a elaboração de relatórios finais e para estudos e pesquisas a serem desenvolvidos no âmbito do projeto. Promover eventos, palestras e/ou oficinas com temáticas relevantes para o ensino do espanhol, com o objetivo de socializar e discutir a experiência da equipe de língua espanhola no Projeto PIBID, tanto com a comunidade acadêmica da UFMG, quando com a comunidade externa interessada na área. Bibliografia BRASIL. Parâmetros curriculares nacionais (Ensino Médio): Parte II Linguagens, códigos e suas tecnologias Disponível em BRASIL. Orientações curriculares para o Ensino Médio: linguagens, códigos e suas tecnologias. Brasília, Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, BRASIL. Lei N o , de 05 de agosto de Disponível em BRASIL. Lei N o 9.394, de 20 de dezembro de Disponível em:

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