Gabriela Zilioti, graduanda de Licenciatura e Bacharelado em Geografia na Universidade Estadual de Campinas.

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1 Relato de Experiência Eixo temático: Direitos Humanos - inclusão Gabriela Zilioti, graduanda de Licenciatura e Bacharelado em Geografia na Universidade Estadual de Campinas. A importância de maquetes para alunos de inclusão Graduanda no curso de Licenciatura e Bacharelado em Geografia na Universidade Estadual de Campinas, durante o primeiro semestre de 2015, estava matriculada na disciplina de Estágio Supervisionado em Geografia II, sob orientação dos Professores Doutores Rafael Straforini e Maurício Compinani. Desenvolvi meu estágio com o propósito de incluir um aluno baixa visão através de uma Maquete do Globo, de forma a atender o previsto no documento da Declaração de Salamanca. Neste relato será apresentado o projeto de estágio, a metodologia escolhida, a intervenção realizada e os resultados obtidos. A Escola Estadual Núcleo Habitacional José Paulino Nogueira, fica localizada na Avenida dos Trabalhadores, 400 Vila Monte Alegre I, na cidade de Paulínia SP. A Escola está localizada em um bairro periférico da cidade, onde a maior parte da população é de classe média baixa. De modo geral, pode-se afirmar que é uma escola com uma infraestrutura boa, com as salas de aula limpas e organizadas, com uma coordenação presente e participativa. Durante o período de estágio, acompanhei as aulas da professora Darcy, no período da manhã, na turma do sexto ano C. Essa escolha deveu-se ao fato de no ano de 2015 a escola receber pela primeira vez um aluno de inclusão, alvo do então projeto do estágio. A escolha metodológica partiu da importância do canal visual, que é de extrema significância para os seres humanos, por seu caráter sintético e abrangente. É também o modo pelo qual a maior parte das informações são adquiridas. No caso de pessoas com deficiência visual, essas informações são adquiridas através dos outros sentidos: Para as pessoas com deficiência visual as informações transmitidas por outros sentidos são de importância vital, pois seu

2 mundo é, sobretudo, um mundo de diferentes texturas, temperaturas, sons e aromas. CARMO p. 19 Deste modo, salta aos olhos a criação de maquetes, que contribuem para a retenção de informações através dos demais sentidos: As maquetes que já são utilizadas nas aulas de geografia em classes comuns são particularmente importantes quando se trata do processo de aprendizagem de alunos com deficiência visual, pois facilita a compreensão de espaços que nem sempre são próximos ou acessíveis e que na maior parte das vezes não podem ser tocados em sua totalidade na natureza. CARMO p.74 A confecção da maquete visou não exclusivamente o aluno baixa visão, mas todos os alunos da turma. Tendo como objetivo clarear os conceitos já aplicados, dando significado e facilitar a interação da sala com o aluno de inclusão e com a matéria. Para realização do projeto de estágio, que era a confecção de maquete para o aluno baixa visão, necessitou da divisão em três fases principais: 1ª fase (maio/ junho): Observação das aulas da professora Darcy nos sextos anos, levantamento dos conteúdos já discutidos em sala de aula, bem como aqueles que ainda seriam discutidos. Durante esse período os principais conteúdos trabalhados ao longo do primeiro e segundo semestre foram: O interior da Terra; Coordenadas geográficas; Paralelos e meridianos; Fuso Horário; Paisagem; Croqui; Pontos cardeais; Elementos do Mapa. 2ª fase (maio): Com os principais temas já levantados, confeccionei uma maquete (ver foto1) na qual era possível trabalhar a maior quantidade possível dos conteúdos que a professora já havia ensinado ou que iria abordar nas próximas aulas, sendo eles, o interior da Terra, Coordenadas Geográficas, Paralelos e meridianos e Fuso horário. 3ª fase (maio): Depois da confecção da maquete, a próxima etapa era a realização da intervenção na turma do sexto ano C, onde o aluno de baixa visão estava matriculado. A fase principal do projeto de estágio visava uma intervenção em alguma das aulas observadas. Esta ocorreu no dia 21 de maio, na turma do sexto ano C.

3 Os materiais utilizados foram um Mapa Mundi que foi posicionado na lousa e a Maquete do Globo 1. O tempo destinado a essa atividade foi de duas horas aulas (8:40 10:40). A intervenção foi dividida em duas partes: Parte 1 - Primeira aula: revisão do conteúdo previamente trabalhado pela professora Darcy, dando ênfase nas Coordenadas Geográficas, Paralelos e Meridianos, Latitude e Longitude, mostrando para os alunos tanto no globo quanto no mapa suas localizações. Parte 2 - Segunda aula: Nessa parte, juntamente com todos os alunos foi desenvolvida uma atividade sobre a explicação. Com um Mapa Mundi na lousa e com a maquete entregue para o aluno baixa visão, foi proposto para que os alunos achassem a localização dada através das Coordenadas Geográficas. Uma espécie de batalha naval, a brincadeira consistia em alguém (eu ou qualquer outro aluno) passar uma coordenada geográfica e os demais deveriam achar o ponto de encontro no mapa e o aluno baixa visão na Maquete 1. Por exemplo: 40ºS/ 20º O, os alunos deveriam encontrar a localização (ponto de encontro) no Brasil. Ao longo do período destinado as observações pude criar uma relação muito boa tanto com os alunos quanto com a professora orientadora. Mais que observação, tive espaço para participação ao longo das aulas. Dada essa proximidade criada com os alunos, a intervenção ocorreu de forma tranquila e com resultados surpreendentes. Além de conseguir fazer com que o aluno de baixa visão acompanhasse o conteúdo, os outros alunos, visualizando a maquete passaram a compreender ainda melhor, surgindo comentários do tipo: - Agora tudo faz sentido! Ao visualizarem os paralelos e meridianos distribuídos ao longo da Maquete Globo 1, a representação do real esclareceu uma série de dúvidas que todos os alunos apresentavam. Penso que por a atividade ser uma brincadeira, onde os alunos conseguiram entender a forma de jogar, eles acabaram ressignificando o conteúdo, a aprendizagem passou a gerar descobertas e então, novos significados foram atribuídos ao conceito previamente explicado pela professora Darcy. Um fato que me chamou a atenção foi o modo como o aluno baixa visão se comportou durante a aula. A primeira atitude do aluno ao pegar a maquete foi sentir o cheiro dos diferentes materiais, para depois tatear todo o globo. Após sentir o globo,

4 passei para que toda a classe pudesse ver e tocar o material, aluno por aluno. Quando o globo voltou para a mão do aluno baixa visão, ele rapidamente notou que havia caído uma minúscula ilha da Ásia. Sua participação ao longo da atividade foi intensa, quando o aluno conseguiu se localizar através das linhas da maquete, logo entendeu a forma da brincadeira, e acabou sendo um dos primeiros alunos a achar as localizações e por ter uma representação próxima do real, que era a maquete, acabou ajudando os outros alunos a achar os pontos de encontro. Com a intervenção descrita, alguns pontos devem receber destaque, como o caso das maquetes. A maquete 1, fiz tentando juntar todo o conteúdo que a professora daria ao longo dos dois primeiros semestres, mas, quando levei para sala de aula, pude notar que havia cometido alguns erros, como por exemplo a angulação dos meridianos, que foram distribuídos errados, e outro fato importante, foi que percebi que os continentes, mesmo em relevo, possuíam a mesma textura, e portanto, o aluno de baixa visão não conseguiria distinguir a diferença dos mesmos. Pensei então em fazer outra maquete (foto 2), onde novas informações estariam contidas nela (a divisão dos continentes feita com materiais de diferentes texturas) e os meridianos seriam feitos com a angulação correta. Penso que o principal ponto que deve ser discutido é a questão da inclusão escolar. Durante a intervenção, consegui de certo modo que o aluno conseguisse acompanhar e participar da aula, atingindo de forma muito satisfatória os resultados propostos pelo exercício. Como forma de conseguir realizar uma educação inclusiva, o uso de materiais didáticos acaba facilitando esse processo, além de integrar e facilitar o aprendizado de todos os alunos: O uso de mapas, gráficos e outras representações em relevo são importantes não apenas para os usuários com deficiência visual, mas para todas as pessoas, pois ajudam a abrir outro canal de percepção: o tato. Ao disponibilizar materiais que possam ser utilizados por todos e entre todos é possível gerar e fortalecer a integração e a inclusão. (CARMO p.82) Relatando tal experiência, percebi o quão importante é o trabalho de reflexividade crítica sobre as práticas, pude aperfeiçoar o material didático, e além disso, reorganizei a

5 forma de ensinar tal conteúdo, de forma que todos os alunos pudessem acompanhar e entender. Aos meus olhos, uma turma com um aluno de inclusão acaba construindo um novo universo na sala de aula, onde se faz necessário o respeito, o reconhecimento das mais diversas necessidades que cada aluno apresenta, a importância do companheirismo, da união. A inclusão é uma oportunidade de escancarar as mais diversas deficiências que a Escola Publica apresenta, e um salto na vida de cada aluno e cada professor que se depara com uma sala de aula inclusiva. Anexo: Foto 1: Maquete 1 confecção própria Foto 2: Maquete 2 confecção própria

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