Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande d o Norte -IFRN

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1 Samir de Paula Silva Israel Cayo Macêdo Campos Alex Pereira da Silva Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande d o Norte -IFRN O ensino da Cartografia no curso de Licenciatura em Geografia apresenta uma realidade condizente com a aprendizagem na esfera escolar? INTRODUÇÃO No Século XIX, a Geografia começou a usufruir o status de conhecimento organizado, através da chamada Geografia Tradicional. Uma das questões mais delicadas que se arrasta ao longo dos séculos é sobre o objetivo fundamental do estudo da Geografia, o que acabou por trazer para a prática, contradições dicotômicas como a dicotomia Geografia Física x Geografia Humana, em que a primeira estudava o quadro natural e a segunda, a distribuição dos aspectos originados pelas atividades humanas (FRANCISCHETT, 2003). Outra contradição foi a dicotomia entre Geografia Geral x Geografia Regional. A primeira procurava estudar a distribuição dos fenômenos na superfície da Terra, o que resultou na Geografia Sistemática e na subdivisão da Geografia; a segunda procurava estudar as unidades componentes da diversidade de determinada área, da superfície terrestre, em que o geógrafo desenvolveu a habilidade descritiva (FRANCISCHETT 2003). Conforme Christofoletti (1997), nos anos 50 e 60, começa a aparecer uma nova estrutura teórica que culminou com o uso de técnicas estatísticas e matemáticas para a análise dos dados. Aparecem obras de teorização e quantificação e introduzem-se nas universidades brasileiras as disciplinas relacionadas à quantificação na Geografia, nessas se inclui a disciplina de cartografia, que é utilizada principalmente na questão da organização regional do país assim sendo utilizada pela primeira vez no ensino superior brasileiro com esta função. Nosso estudo foi decorrente de um trabalho realizado anteriormente (que não foi publicado) sobre uma temática semelhante, 1

2 mas que adotou como base de pesquisa o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte. O presente trabalho traz reflexões sobre a importância da disciplina de cartografia nos cursos superiores de geografia, ressaltando os principais problemas dos formandos em geografia no que diz respeito a essa matéria para que haja um melhor aprendizado dos graduandos e conseqüentemente uma melhora qualitativa na educação para os alunos do ensino médio e fundamental das escolas publicas do estado do Rio Grande do Norte. Tentaremos solucionar nosso problema através de uma visão da formação de professores no curso de geografia, tomando como referência a Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Isso se dará com a aplicação de questionários juntamente aos graduandos e alunos dos ensinos fundamentais e médios das escolas públicas de Natal. Além de discussão com os formados que já lecionam cartografia nessas escolas. OBJETIVOS O objetivo desse trabalho é analisar o processo pelo qual se desenvolve o estudo da cartografia na UFRN no curso de Licenciatura em Geografia. Para poder verificar se há diferença entre a teoria e a prática na construção do conhecimento cartográfico nesse curso, ou seja, se os docentes do mesmo estão conseguindo ter uma formação de qualidade. Buscamos também por meio desse trabalho incentivar as pesquisas que visam contribuir criticamente para o aperfeiçoamento da ação educacional. Pois temos consciência de que a educação sistematizada funciona de forma cíclica de maneira que se houver uma falha em algum momento da consolidação do conhecimento, haverá um prejuízo muito grande para todos os envolvidos nesse processo. Por isso, quando um docente esta ensinando em um curso de Licenciatura deve ter noção da sua responsabilidade, por que no momento em que ele deixa uma falha na sua função pedagógica o seu discente que será futuramente um professor poderá vir a trazer prejuízos para seus alunos vindouros (na perspectiva educacional). O nosso pensamento possui uma relação muito intima com a pedagogia libertadora no tocante a necessidade da reflexão sobre a própria ação pedagógica, as palavras do grande Paulo freire podem resumir muito bem as pretensões dos envolvidos nessa pesquisa Não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão. (Paulo Freire - Pedagogia do Oprimido, 1987). 2

3 METODOLOGIA Para se chegar a uma conclusão com relação à problemática abordada nesse artigo será feita uma pesquisa exploratória, que utilizara as seguintes técnicas: aplicação de questionários e discussão com profissionais ligados a área de geografia. Esse processo de abordagem do objeto de estudo terá a duração de aproximadamente um mês e contara com uma equipe de três pesquisadores do curso de Licenciatura em Geografia. O trabalho se iniciara com a aplicação de questionários na UFRN, esses são destinados aos alunos que estão estudando a disciplina de cartografia nos curso de Licenciatura em Geografia e para os que já a viram no mesmo. Posteriormente ocorrera nessa investigação uma visita aos colégios Estaduais Professor Jorge Fernandes e a escola Professora Judith Bezerra de Melo para a aplicação dos questionários destinados aos alunos dos ensinos fundamentais e médios de ambas as instituições, as mesmas estão situadas no bairro de Lagoa Nova na cidade de Natal. Esses foram escolhidos aleatoriamente, pois o intuito da pesquisa é revelar se há relação entre a teoria e a prática na construção dos conhecimentos cartográficos e isso independe da escolha de um colégio específico. Ainda incluiremos nesse estudo uma discussão com os docentes dessas escolas. Logo após o recolhimento de todas as informações pertinentes ao estudo da cartografia haverá uma comparação entre o ensino de cartografia no curso de Licenciatura em geografia da UFRN e a realidade apresentada pelos alunos e docentes dos colégios estaduais mencionados para que dessa maneira possa se chegar a uma conclusão quanto à questão levantada na temática desse trabalho. 2 RESULTADOS DOS QUESTIONÁRIOS APLICADOS NOS COLÉGIOS A presente averiguação obteve seus dados através da implantação de uma pesquisa por amostragem e o que vem a ser isso? Amostragem consiste em selecionar parte de uma população para observar, de modo que seja possível estimar alguma coisa sobre toda a população (Steven K. Thompson). E na utilização dessa ferramenta foi considerado para caráter de analise um percentual de 20% do número de estudantes por série, consideradas a partir do 6º ano do ensino fundamental até o 3º ano do ensino médio, das unidades 3

4 educacionais mencionadas anteriormente. Os resultados preliminares da aplicação dos questionários no colégio Judite Bezerra de Melo mostrou que os seus alunos só conseguem entender o que é cartografia quando chegam ao 3º ano do ensino médio, um pouco diferente, mas não tão distante dessa realidade estão os colegiais da escola Jorge Fernandes que afirmam compreender o significado da cartografia somente no 1º ano do ensino médio. Tal situação a principio pode parecer muito alarmante, mas embora esses discentes não saibam a conceituação sobre cartografia eles alegam, na sua grande maioria, que conseguem se localizar utilizando-se de um mapa. Diante dessa declaração pode-se inferir que esses alunos conseguem utilizar-se de elementos da cartografia na sua vida cotidiana apesar de não perceberem que estão fazendo-o. Contudo, infelizmente outros aspectos da cartografia como, por exemplo, os relativos às regiões do país apresentam uma baixa estimativa de aprendizagem de forma que grande parte dos alunos de ambas as escolas e de todas as séries envolvidas no âmbito da pesquisa denotam não conhecer as regiões do Brasil. Frente a esse resultado é importante ressaltar que quase 100% dos entrevistados nas instituições escolares mencionadas atestam que o professor de geografia não está bem preparado para desempenhar a sua função, no que concerne ao ensino de cartografia. 3 RESULTADOS DOS QUESTIONARIOS APLICADOS NA UFRN Os futuros docentes de geografia (graduandos da UFRN) que cursavam o 3º período, que foi quando estudaram a disciplina de cartografia, afirmaram (33,3 % deles) que estavam preparados para desempenhar o ensino da disciplina com qualidade. Já os graduandos do 4º período de formação apresentaram uma mudança bem significativa no percentual anterior que foi de 33,3% para 66,6% para esse segundo grupo. Levando-se em consideração que a partir do 4º semestre pode-se ter uma melhor auto-avaliação sobre a sua aprendizagem cartográfica, por já ter contemplado todos os ensinamentos sobre essa área do conhecimento, a falha no processo de ensino-aprendizagem (seguindo essa linha de pensamento) não pode ser atribuída totalmente à formação do licenciando em geografia. Fazendo-se uma inter-relação entre o que foi colocado e as informações obtidas através das entrevistas com os professores que lecionam cartografia tem-se uma situação enigmática que se caracteriza pelo fato dos docentes afirmarem que suas formações os tornaram aptos para ensinarem a 4

5 disciplina de cartografia, enquanto que alunos relatam justamente o contrário. E os licenciados ainda afirmam que a baixa qualidade de aprendizagem é decorrente da péssima estrutura das escolas pública e do diminuto interesse dos alunos pela disciplina em questão. CONSIDERAÇÕES FINAIS A partir de tudo que foi colocado pode-se chegar à conclusão que o ensino da cartografia no curso de licenciatura em geografia apresenta uma realidade condizente com a aprendizagem na esfera escolar, ou seja, ocorre de maneira deficitária, pois o aluno não desenvolveu uma visão critica a partir dos conhecimentos cartográfico (que são limitados pela falta de conhecimento teórico) e não possui conhecimentos necessários sobre as regiões do Brasil. E como o professor não conseguiu solucionar esses problemas pode-se dizer que a sua formação teve uma grande falha, porque essas questões são essências para a formação cidadã dos colegiais. (trabalho concluído) REFERÊNCIAS: ALBIERI, Sonia. Aspectos de Amostragem na Coleta de Dados da PNAD. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE CIÊNCIAS ESTATÍSTICAS, CHRISTOFOLETTI, A. Análise de sistemas em geografia. São Paulo: Hucitec/EDUSP, p. FRANCISCHETT, M, N.. A cartografia no ensino da Geografia: construindo os caminhos do cotidiano. Rio de Janeiro: KroArt, FREIRE, Paulo Reglus Neves. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, p

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