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1 Os dados e resultados abaixo se referem ao preenchimento do questionário Das Práticas de Ensino na percepção de estudantes de Licenciaturas da UFSJ por dez estudantes do curso de Licenciatura Plena em Química. Indicamos inicialmente os números de cada item do questionário e, em seguida, apresentamos os dados com os comentários dos alunos. Item 1) Analisa a relação entre as Práticas de Ensino e os Estágios Supervisionados. Sete alunos disseram que existe relação, um que muito e dois que mais ou menos. Dos alunos que disseram sim, três não fizeram comentários. O único que disse muito não apresentou comentário e os que disseram mais ou menos apresentaram. Em um curso de formação de professores são importantes as práticas de ensino, assim como o estágio supervisionado, para aprendermos como lecionar e não praticarmos os erros que criticamos dos professores que temos. Sim, pois muito do que aprendo nas práticas de ensino aplico em meu estágio. Nas práticas de ensino aprendemos diferentes estratégias de atividades que podem ser realizadas para chamar mais a atenção do aluno e ajudar no processo de ensinoaprendizagem, sempre fundamentando em textos da área de educação. Estes conhecimentos levamos para o estágio. Em diversas disciplinas observamos e aprendemos a desenvolver uma metodologia de ensino que podemos aplicar para alunos de ensino médio proporcionando maior qualidade aos mesmos. Assim nos estágios adquirimos experiência e novos conhecimentos e aplicamos o que aprendemos nas disciplinas didáticas. A maioria das práticas nós aplicamos no estágio. Nem tudo o que vemos na universidade coloca-se em prática no estágio, mas por questão do tipo de escola. Porém sempre há algo a ser relacionado. Sobre as relações entre as Práticas de Ensino e os Estágios Supervisionados, os comentários dos alunos revelaram: - visão de ensino vinculada ao exemplo, em particular à correção dos erros cometidos pelos formadores. - Práticas de Ensino associadas à aplicação de conhecimentos na escola. - Práticas de Ensino como lócus para aprender a despertar o interesse do alunado, com fundamento.

2 - Práticas de Ensino associadas à observação e aprendizagem de metodologia de ensino eficiente. - Práticas de ensino vinculadas à aplicação de conhecimentos no estágio. - O Estágio também tem aplicação nas Práticas de Ensino. - Há limitação das Práticas de Ensino, por não abarcarem a diversidade de experiências escolares. Noção de que a realidade escolar é bem mais ampla e diversificada. - Há limites também para aplicação do que se aprende na universidade, de um modo geral (limites encontrados nos espaços escolares). Item 2) Analisa a consideração de situações escolares reais nas Práticas de Ensino. Cinco alunos marcaram sim e cinco marcaram mais ou menos. Quatro não quiseram comentar, sendo dois do primeiro grupo e dois do segundo. Ficou bem dividida essa questão. Para os que marcaram mais ou menos, na realidade existem limitações impostas pelas escolas públicas, pelo programa de ensino e pelo modo de ser do professor ( o cronograma a seguir, a rotina seguida, falta de abertura ), e, nesse aspecto, as práticas de ensino não têm como intervir. Os que marcaram sim, mencionaram que as práticas de ensino são voltadas para a realidade escolar e para melhorá-la e que há relação entre o que se ensina nas práticas ( atividades diferenciadas e que estão relacionadas ao conteúdo programático do ensino médio ), embora haja limitações nas escolas públicas ( não possuem estrutura ). Um dos alunos que disse sim colocou que a não relação das práticas com a realidade escolar também é necessária, pois há documentos e textos que não condizem com a realidade da escola. Ele observou também que essas leituras permitem um olhar crítico sobre isso. As disciplinas proporcionam atividades diferenciadas e que estão relacionadas ao conteúdo programático do ensino médio. Mas sabemos que diversas escolas não possuem estrutura para desenvolvermos o que aprendemos na Universidade, principalmente em escolas públicas. Muitas das vezes sim. É claro que o professor tem que mostrar documentos e textos que não condizem com a realidade da escola, mas sempre há um olhar crítico sobre isso. Nas discussões e trabalhos das aulas de Didática, sempre consideramos o comportamento dos alunos, o tempo das aulas e os recursos que a escola poderia ter (multimídia, internet, laboratório). Na escola, o professor tem um cronograma a seguir e muitas das vezes não tem abertura para novos métodos de abordar os conteúdos. Muitas vezes não, pois os professores seguem uma rotina sem espaço para renovar.

3 Às vezes são propostos temas e práticas que não são possíveis de serem aplicados em escolas públicas. Sobre a consideração de situações escolares reais nas Práticas de Ensino, os comentários dos alunos revelaram: - As Práticas de Ensino estão proporcionando atividades diferenciadas e relacionadas aos conteúdos do ensino médio. - A formação deve desenvolver um olhar crítico, mas não necessariamente vinculada à realidade. - A realidade escolar tem sido prevista nas Práticas de Ensino. - Há limites para aplicação de novos métodos de abordar os conteúdos (o cronograma e a abertura do professor), para renovar o ensino (a rotina dos professores) e alguns temas e práticas não são passíveis de serem aplicados nas escolas públicas. Item 3) Analisa a distribuição das Práticas de Ensino no fluxograma do curso. Quatro marcaram que sim, um marcou que não, quatro marcaram que mais ou menos e um marcou que pouco. O que marcou não e os que marcaram sim não apresentaram comentários. Os que marcaram mais ou menos sugeriram oferecer mais práticas de ensino ou aumentar a carga horária das práticas existentes, que as práticas devem ocorrer durante a realização dos estágios nas escolas, que deveriam ocorrer em todos os períodos do curso, devido estarmos inseridos em um curso de licenciatura e que deveriam ser oferecidas logo no início do curso. O que marcou pouco também sugeriu essa última observação. Acho que deveriam ter mais práticas de ensino ou aulas com uma carga horária maior. Talvez sim, pois a maioria das disciplinas de ensino são oferecidas no período de estágio nas escolas e acredito que é importante para que possamos aplicar o que aprendemos na faculdade, com essas aulas, na escola. Devido estarmos inseridos em um curso de licenciatura, estas unidades curriculares deveriam estar presentes em todos os períodos do curso. Seria melhor introduzir algumas, já no início do curso. Talvez isso tenha mudado, mas quando comecei o curso não tive nenhuma. Introdução de algumas matérias no início do curso. Sobre a distribuição das Práticas de Ensino no fluxograma do curso de Química, os comentários dos alunos revelaram: - Sugestão de haver Práticas de Ensino logo no início do curso.

4 - Sugestão de haver um maior número de Práticas de Ensino ou maior carga horária e distribuição ao longo de toda a formação. - A relevância de desenvolver as Práticas de Ensino no mesmo período dos estágios. Item 4) Analisa a separação entre conteúdos da área científica e conteúdos da área pedagógica. Os alunos se mostraram divididos quanto a separar ou integrar conteúdos da área científica e de ensino. Primeiro é necessário aprender o conteúdo para depois adequar ao ensino. Bom, acredito que para uma melhor aprendizagem essas duas áreas devem ser separadas. Quem quer fazer licenciatura segue as disciplinas correspondentes e quem quer bacharelado também, é melhor Porque o aluno entra pra cursar licenciatura sente-se frustrado ao ter que passar por tanto conteúdo da área científica, que não os utilizarão em sala de aula. Porque nas práticas de ensino nós aplicamos os conteúdos da área científica. Integradas, pois seria adquirir conteúdo e logo saber aplicá-los em sala de aula. Deveriam ser unidas a área científica às Práticas de Ensino, ou seja, proporcionar aos graduandos um ensino completo, sendo que em cada disciplina deveríamos aprender, além das teorias, o modo de aplicá-las ou transmiti-las aos alunos de ensino médio. Lembrando que ainda assim deveriam ser mantidas as disciplinas didáticas. Pois se estamos em um curso de licenciatura em Química e vamos ensinar Química na escola estas unidades devem estar integradas, para que aprendamos como ensinar, o que ensinar e qual a melhor forma de ensinar Quanto à separação entre conteúdos, os comentários dos alunos revelaram: - Há uma ordem para a aprendizagem na universidade: primeiro os conteúdos e depois o ensino deles. - A separação dos saberes é boa para aprendizagem e deve se adequar à carreira pretendida (licenciatura e bacharelado). - Os alunos da licenciatura não têm necessidade de tanto conteúdo da área científica. - Conteúdo e formação para ensinar não estão dissociados. Isto pode ajudar a aprender como ensinar, o que ensinar e qual a melhor forma de ensinar. - Aplicar os conteúdos em situações de ensino dá formação diferenciada.

5 - Embora a integração dos saberes seja relevante, devem ser mantidas as disciplinas didáticas. Item 5) Analisa as críticas sobre as unidades curriculares de conteúdos científicos. Deveriam ser mais didáticas e estudar mais os conteúdos que iremos aplicar em sala de aula. Maior relação com a realidade e de uma maneira mais clara e de forma mais objetiva Acredito que o curso de Química é muito complexo para ser realizado em apenas 4 anos. Assim, estas unidades curriculares apresentam muito conteúdo em pouco tempo. Poderia ser acrescentado a cada disciplina as metodologias de ensino, além de estender o tempo das mesmas, e ainda organizar os horários para que não tenhamos semestres sobrecarregados Acho que os conteúdos científicos deveriam ser trabalhados sempre fazendo referência à forma como estes conteúdos podem ser trabalhados na escola. Quando preparo alguma aula no estágio, sempre lembro e recorro ao que aprendi na escola e cursinho, nunca na faculdade. São boas a grande maioria. Mas, temos algumas unidades curriculares que os professores não possuem nada de didática para ensinar, apenas ficam lendo slides e depois em suas provas cobram demais, o que muitas vezes passou batido em sala de aula. Algumas até são interessantes para o licenciando, mas a maioria delas nem serão utilizadas, sem contar que alguns dos professores dessa área não possuem didática para ensiná-las. Muitas coisas que vimos não são aplicadas em sala de aula. Estudamos o mais difícil e na hora de passar para os alunos perdemos o foco do conteúdo, quase nada é direcionado para a licenciatura. São muito bem ensinadas todas as unidades curriculares, com exceção a análise instrumental que deveria ser separada em teórica e experimental. Acreditamos que em algumas matérias, o conteúdo chega em um nível não relevante p/ o curso de licenciatura. Os conteúdos devem ser contextualizados, relacionando os conceitos ensinados ao cotidiano. As formas de avaliação devem ser revistas. As críticas das unidades curriculares de formação científica revelaram: - necessidade de maior uso da didática, clareza e objetividade nas aulas, adequação dos conteúdos aos do ensino médio, relação dos conteúdos com a realidade, ter como referência ou foco os conteúdos que podem ser trabalhados na escola, ajuste das avaliações, reorganização dos horários das disciplinas, inserção de metodologias de ensino e materiais de ensino para o nível médio nas aulas e aumento de carga horária para isso. O

6 aprofundamento dos conteúdos não foi visto como sendo relevante para o curso de licenciatura por um dos alunos. Item 6) Analisa as críticas sobre as unidades curriculares da área pedagógica. Devem ser propostas mais atividades, de modo que o graduando aprenda melhores formas de repassar o conteúdo. Acredito que as U.C. estão sendo boas e consequentemente úteis para a formação de licenciandos. Até o momento, foram bem ministradas pelos professores. Sem reclamações nesta área! São as melhores disciplinas do curso, onde nós aprendemos muito da realidade escolar e até mesmo nossa realidade. Algumas são bem interessantes, pois nos incentivam em nossa formação, porém outras não mostram a realidade escolar hoje em dia. As práticas de ensino tem colaborado bastante para a formação dos licenciandos em Química. Porém, falta mais espaço para essas unidades no Departamento. Acho que seria preciso mais laboratórios equipados e mais professores para não sobrecarregar um apenas. Acredito que as Práticas de ensino devem ser o mais próximo possível da realidade que vamos encontrar na escola. Na escola não encontramos os recursos que são oferecidos na universidade para as aulas diversificadas que podemos preparar nessas práticas de ensino. As aulas são aplicadas de forma satisfatória. Podemos utilizar o que aprendemos nos nossos estágios. É necessário fornecer mais materiais e recursos para estas disciplinas. Percebo que há mais investimentos nas áreas científicas. As críticas das unidades curriculares de formação pedagógica revelaram: - Existe satisfação em relação às Práticas de Ensino (incentivadoras, úteis, bem ministradas, as melhores disciplinas), mas também houve crítica quanto à necessidade de maior adequação e aproximação da realidade escolar, a falta de laboratórios equipados e mais professores, a necessidade de fornecer mais materiais e recursos e de haver maior número de atividades voltadas para o ensino. Item 7) Analisa o lugar da teoria e da prática na formação para o trabalho com a realidade escolar. A maioria dos envolvidos marcou a opção Nem uma nem a outra para a pergunta relativa ao que vem primeiro: teoria ou prática. Seis alunos marcaram esta opção, três marcaram Primeiro a teoria e apenas um marcou Primeiro a prática. O que marcou esta última opção comentou que a prática configura um início para uma explicação teórica, e sugeriu que

7 ambas fossem sendo intercaladas na formação. Entre os três que marcaram a opção de vir primeiro a teoria, dois fizeram comentários: - A teoria, pois assim seria mais fácil aos alunos compreender a prática - Porque não adianta aprender a prática se não tivermos domínio da teoria. Para estes alunos, a teoria permite compreender a prática e não houve alegação de que a segunda poderia favorecer a compreensão da primeira. O segundo comentário sugere a teoria como sendo imprescindível para aprender a prática, enquanto o primeiro sugere maior facilidade de aprendizagem da prática nesta condição. Os comentários dos alunos que assinalaram a opção Nem uma nem a outra, foram os seguintes: - Ambas devem caminhar juntas, uma complementando a outra. Dependendo do conteúdo o professor deve optar por qual aplicar primeiro. - As duas devem ser aplicadas em conjunto, pois são complementares. - Teoria e prática devem andar juntas, uma completando a outra. - Bom, acho que a teoria e a prática devem andar juntas. E no caso da realidade escolar é preciso muito da teoria, mas saber a prática também é fundamental, para saber como lidar com a realidade. Sugere que a prática se aproxima mais da realidade. - O conteúdo a ser abordado é que definirá o que virá primeiro. Um dos alunos que marcou a opção Nem uma nem a outra apresentou um comentário diferenciado a favor da prática somente: - Somente a prática, pois em sala de aula é que aprendemos a dar aula. Quanto ao que vem primeiro, teoria ou prática, as opções e os comentários dos alunos sobre caminharem juntas nos pareceram pertinentes e adequados, especialmente considerando que a carga teórica do curso é maior do que a prática, o que poderia sugerir que a primeira tem maior importância. Mesmo assim, a maioria percebeu que para lidar com a realidade escolar é preciso considerar ambas ao mesmo tempo. Os comentários revelaram que os alunos vêem a prática e a teoria como complementares. No entanto, dois alunos observaram que existe uma ordem imposta pelo conteúdo e um deles, apesar de considerar a importância da teoria, comentou que a prática é fundamental para saber como lidar com a realidade. Quanto ao aluno que enfatizou somente a prática, sua visão sugere não ver a teoria como sendo relevante para lidar com a realidade escolar. Quanto aos significados atribuídos à prática e à teoria, o aluno que enfatizou a prática conceituou ambas do seguinte modo: Teoria para mim é descrição de algo, onde se explica o que não se vê. Prática para mim é realizar ou mostrar visivelmente o que é descrito.

8 Como se pode perceber, os significados atribuídos por esse aluno são coerentes com sua visão de que somente a prática é importante para aprender a ensinar, já que teoria para ele implica em explicar o que não se vê. Sua visão sugere a prática como meio de realizar a teoria, ou mostrá-la visivelmente, já que a teoria descreve e explica o que não se vê. De todo modo, esta visão sugere que este aluno tem dificuldade de relacionar ou aplicar as teorias à realidade escolar, levando-o a ver a experiência concreta como sendo mais expressiva no mostrar visivelmente como aprender a dar aula. Os demais alunos que consideraram prática e teoria caminhando juntas significaram teoria e prática do seguinte modo (somente um deles não apresentou seus conceitos): Teoria para mim é: abordagem de conceitos e fórmulas, tratando o conteúdo de maneira formal. ter conteúdo para saber como lidar em sala de aula a leitura e estudo de textos sobre educação, que retratam experiências vividas por outros professores, por exemplo, entre outros. Conteúdo textos, exercícios... Nota-se que estes alunos vêem a teoria como conteúdo químico oficial (conceitos, fórmulas, exercícios). Somente um deles relacionou a teoria com textos sobre educação, que retratam experiências de outros professores, de acordo com a lógica questionada por este item. Vejamos agora seus conceitos de prática. Prática para mim é: experimentos, relacionar com a realidade, aplicações da teoria. é saber usar todo o conteúdo teórico que possui. a vivência das experiências cotidianas de uma escola, da realidade que nos espera. utilizar experimentos, facilitando o ensino e contextualizando o conteúdo

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