INTERCÂMBIO DE SABERES QUÍMICO: UMA ABORDAGEM PRÁTICA DA DISCIPLINA DE QUÍMICA EM UMA ESCOLA PARTICIPANTE DO PIBID/UAST/UFRPE

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1 INTERCÂMBIO DE SABERES QUÍMICO: UMA ABORDAGEM PRÁTICA DA DISCIPLINA DE QUÍMICA EM UMA ESCOLA PARTICIPANTE DO PIBID/UAST/UFRPE Rubeneide Furtado de Sá (IC), 1 * Tiago Hítalo de Lima Pereira (IC), 1 Jozivânia Teles da Silva (IC), 1 Alexsandra Rodrigues de Lima (IC), 1 Helenilde Furtado Diniz Barros (FM) 2 e Andréa Monteiro Santana Silva Brito (PQ) Unidade Acadêmica de Serra Talhada (UAST), Universidade Federal Rural de Pernambuco, Fazenda Saco, S/N, Serra Talhada, Pernambuco. * Escola Estadual Antônio Timóteo, Av. Antônio Timóteo, 334, Alto do Bom Jesus Serra Talhada, Pernambuco. RESUMO A experimentação contextualizada estimula os alunos à investigação e favorece a compreensão das relações conceituais da disciplina química. No entanto, não garante, por si só, a aprendizagem. É importante a relação humana para construção dos saberes. Nesse caso, o professor, o aluno do ensino médio e o estudante bolsista do PIBID (Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência) não escapam do aprendizado no dia-a-dia em sala de aula e de trocar experiências que motivem e favoreçam a prática pedagógica. Dentro desse contexto, o objetivo do trabalho proposto foi promover uma articulação entre alunos e professores nas escolas participantes do projeto PIBID, chamada aqui de intercâmbio de saberes químico, estabelecendo uma relação entre os conteúdos trabalhados em sala de aula e experimentos simples e de baixo custo, que os próprios alunos montaram e apresentaram durante a atividade proposta. Com os resultados obtidos, observou-se que o uso de experimentos simples de química permitiu um maior envolvimento dos alunos na disciplina. Dessa forma, a química foi vista como uma ciência que possibilita a compreensão do cotidiano, gerando uma cultura de questionamento e aprendizado. Palavras Chave: experimentação, aprendizagem, ensino de química. 1. INTRODUÇÃO A contextualização no ensino e a integração teoria-prática são de fundamental importância para o avanço do ensino-aprendizagem, principalmente da ciência química, que, infelizmente, ainda é vista pela maioria dos alunos, como uma ciência abstrata e distante da sua realidade. 1 Uma ferramenta didática que vem sendo bastante utilizada, na tentativa de facilitar a compreensão dos conteúdos ministrados em sala de aula e na construção do conhecimento, é a experimentação. 1-3 Inicialmente as atividades experimentais foram inseridas no currículo escolar com o intuito de desenvolver habilidades científicas no aluno. As práticas de laboratório estruturadas no ensino tradicional reduzem a participação do aluno a uma mera manipulação do fenômeno. Essas atividades nem sempre são adequadas às habilidades mínimas dos estudantes que não têm idéias claras sobre o que estão fazendo no laboratório e não conseguem relacionar os conceitos utilizados pelo professor aos fenômenos observados nas atividades. 4 Tal fato prega uma prática de ensino que se reduz ao ato mecânico, sem estimular no aluno o desejo pela visão crítica e construtiva sobre o conhecimento ao qual é posto em contato. De acordo com as novas bases nacionais de ensino, é necessário desenvolver atividades que permitam ao aluno reconstruir ou reinventar o conhecimento didaticamente transposto para a sala de aula, entre eles a experimentação. 5 Isso significa, retirar o aluno da condição de espectador passivo e mobilizá-lo a estabelecer entre ele e o objeto de conhecimento uma relação recíproca, onde os alunos consigam relacionar a química com suas vidas e com a sociedade. A experimentação contextualizada estimula os discentes à investigação.

2 Dentro dessa abordagem, o objetivo do trabalho proposto foi promover uma articulação entre alunos e professores na escola e os participantes do projeto PIBID, chamada aqui de intercâmbio de saberes químico, estabelecendo uma relação entre os conteúdos trabalhados em sala de aula e experimentos simples e de baixo custo, que os próprios alunos montaram e apresentou na escola estadual Antônio Timóteo, da cidade de Serra Talhada, Pernambuco. É importante destacar, que essa ação motivadora, também teve a intenção de promover uma articulação integrada da educação superior com a educação básica do sistema público, visando alcançar uma sólida formação docente dos alunos do PIBID-UFRPE (Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência da Universidade Federal Rural de Pernambuco). 2. METODOLOGIA O projeto foi idealizado pelos alunos do PIBID e teve como etapas: a) seleção dos experimentos relacionados aos temas abordados pelo professor da disciplina de química, levando em consideração a simplicidade e baixo custo; b) divisão das cinco turmas do segundo ano em equipes de cinco alunos e disponibilização de materiais didáticos; c) realização do intercâmbio de saberes químicos entre as turmas do ensino médio e d) avaliação da atividade desenvolvida, por meio de um questionário que foi distribuído aos alunos de acordo com os seus respectivos temas. Dos experimentos propostos, escolhemos três deles para fazer uma avaliação mais aprofundada. Que foram: Soluções eletrolíticas, A existência do ar e Identificação de ácido e base. Como exemplo da atividade desenvolvida, dividimos uma das turmas de 25 alunos em cinco equipes, e foi atribuído a cada um, o tema a ser abordado no intercâmbio de saberes químico. Para cada tema aplicamos as seguintes questões: Soluções eletrolíticas 1) O que é uma solução eletrolítica? 2) O que faz a solução conduzir eletricidade? 3) Compostos moleculares em solução aquosa conduzem corrente elétrica? Existência do ar 1) O que você entende por matéria? O ar é matéria? 2) Você acha que o ar ocupa espaço? 3) É possível determinar a presença do ar em determinado sistema? Identificação de ácido e base 1) Você sabe o que é um ácido? E uma base? 2) É possível neutralizar essas substâncias? De que maneira? 3) A água da chuva é ácida? Explique. As perguntas foram feitas antes e após o dia das apresentações experimentais. 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO Na primeira etapa, os alunos bolsistas do PIBID selecionaram dez experimentos. No segundo momento, os alunos do segundo ano foram divididos em grupos de cinco alunos. A cada grupo foi proposto um tema, que foi apresentado às outras turmas do ensino médio, aos professores e demais funcionários da escola. Cada grupo estudou seu respectivo tema e elaborou uma maneira de demonstrá-lo experimentalmente no intercâmbio de saberes químico.

3 O intercâmbio durou cerca de três horas, sendo que cada grupo teve aproximadamente trinta minutos para apresentar suas atividades em suas respectivas salas de aula. As apresentações aconteceram por meio de uma troca de saberes, ou seja, quando uma turma exibia suas atividades e experimentos, outra assistia, e depois, a que havia apresentado, se direcionava para a classe dos alunos que os assistiram para ver suas atividades. Das cinco turmas que participaram do evento, escolhemos uma turma, e nesta turma selecionamos três equipes para responder um questionário avaliativo. Na primeira avaliação os alunos demonstraram não ter um conhecimento a respeito dos assuntos químicos abordados, com exceção aos que responderam o questionário relacionado à existência do ar. Estes já entendiam que o ar é matéria e que ocupa lugar no espaço, que é constituído por gases e vapor de água e ainda, que é possível provar a sua existência através de técnicas simples. O grupo responsável por Soluções Eletrolíticas mostrou que algumas soluções são capazes de conduzir corrente elétrica, para isso a equipe montaram em esquema com uma calculadora, fios ligados aos pólos negativos e positivos da calculadora, uma pilha e copos que continham água destilada, água e sal de cozinha, água e açúcar, solução diluída de ácido clorídrico. Com isso conseguiram diferenciar as soluções quanto à capacidade de conduzir corrente elétrica. E ainda explicaram as características de cada composto quando dissolvidos nas soluções, apresentando o motivo de cada um conduzir ou não corrente elétrica, Figura 1. Figura 1: Alunos apresentando o tema: Soluções Eletrolíticas. 10/12/2010 Os alunos que apresentaram A Existência do Ar usaram algumas maneiras para provar que o ar está presente dentro de recipientes. Fizeram isso com uma bacia cheia d água e um vasilhame, uma bexiga e uma garrafa PET. E explicaram o seguinte: Ao colocar o vasilhame de cabeça para baixo na bacia com água, percebe-se que ela não quer afundar a menos que se deixe o ar escapar inclinando um pouco o vasilhame, com isso eles provaram que o ar ocupa espaço e que o recipiente não afunda por que a água não pode ocupar o espaço que está cheio de ar. Usando a garrafa PET e a bexiga, mostraram que o ar pode ser transferido de um recipiente para outro, Figura 2.

4 Figura 2: Alunos apresentando o tema A Existência do Ar. 10/12/2010 O tema Identificação de Ácido e Base foi apresentado com um experimento simples que é conhecido como Sopro Mágico, em que a equipe utilizou dois indicadores de ácido-base na identificação: a fenolftaleína e o azul de bromotimol. Eles prepararam, com ajuda de um dos alunos do PIBID, uma solução diluída de hidróxido de sódio e puseram em recipientes diferentes, um com o indicador fenolftaleína e no outro o azul de bromotimol. Então eles demonstraram que ao soprar com um canudo, as soluções mudavam de cor, uma vez que, ao respirar o organismo libera mais gás carbônico que oxigênio e quando o CO 2 reage com a água forma o ácido carbônico. A fenolftaleína em meio básico tem coloração rosa e em meio ácido, é incolor. O azul de bromotimol em meio básico apresenta coloração azul e em meio ácido, amarelo, explicaram os alunos. Após a apresentação no Intercâmbio de Saberes Químico, os questionários foram aplicados novamente, assim foi possível avaliar o aprendizado dos alunos. As respostas referentes ao tema: a existência do ar não apresentou mudanças significativas, ou seja, apenas houve confirmação em relação aos saberes já existentes. Enquanto, para os temas: soluções eletrolíticas e identificação de ácido-base, os alunos construíram alguns conceitos. A equipe com o tema: identificação de ácido e base entendeu que é possível neutralizar um ácido ou uma base usando a base para neutralizar um ácido e um ácido para neutralizar a base. Os alunos responsáveis por soluções eletrolíticas souberam identificar que uma solução eletrolítica é aquela que conduz corrente elétrica, que a existência de íons dispersos na solução provoca a capacidade da condução de corrente elétrica e que compostos moleculares não dão a solução a capacidade de conduzir eletricidade, com exceção dos ácidos que, em meio aquoso, sofrem ionização. 4. CONCLUSÃO O intercâmbio entre os alunos do ensino médio da escola serviu como forma interativa de aprendizagem. A experimentação funcionou como uma ferramenta de atração visual e ao mesmo tempo apresentou definições dos fenômenos químicos, aproximando o aluno do professor e melhorando o processo ensino-aprendizagem. Assim o ensino de química na escola, ficou mais dinâmico e estimulou os alunos à investigação. Também foi possível, interagir a educação superior com a educação básica do sistema público, por meio da intervenção dos alunos do PIBID. 5. REFERÊNCIAS 1. Silva, H. A. Lenice; Zanon, B. Lenir, A Experimentação no Ensino de Ciências. Porto Alegre: Editora ARTMED, Giordan, M., O Papel da Experimentação no Ensino de Ciências, Revista: Química Nova na Escola, n. 10, 1999, pg Machado, P. F. L.; Mól, G. S. Resíduos e Rejeitos de Aulas Experimentais: O que Fazer?.

5 Química Nova na Escola, n. 29, 2008, pg Insausti, M.J. Análises de los trabajos práticos de química general en un curso de universidad. Enseñanza de las Ciencias, v. 15, n. 1, 1997, pg Conselho Nacional de Educação. Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio. Resolução CBE n. 3, de 26 de Junho de APOIO: PIBID / CAPES; UAST / UFRPE

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