PROPOSTA PARA IMPLANTAÇÃO DE UM ALMOXARIFADO EM UMA EMPRESA FABRICANTE DE ESTRUTURAS METÁLICAS

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1 ISSN PROPOSTA PARA IMPLANTAÇÃO DE UM ALMOXARIFADO EM UMA EMPRESA FABRICANTE DE ESTRUTURAS METÁLICAS Augusto da Cunha Reis (CEFET-NI) Karla de Faria Carvalho (CEFET-NI) Mario Santos de Oliveira Neto (CEFET-NI) Ana Luiza Lima de Souza (CEFET-NI) Resumo Para se manterem competitivas no mercado as empresas vem reformulando suas estruturas e ampliando suas capacidades produtivas. Como forma de melhorar e agilizar todo o processo é fundamental que haja um local para armazenamento adequado de seus materiais. Este trabalho tem por objetivo propor a criação de um almoxarifado adaptado às características de uma empresa fabricante de estruturas metálicas de médio porte, a Caldepinter - Caldeiraria, Pintura e Tratamento de Superfícies em Geral Ltda. A pesquisa é de natureza aplicada, com abordagem quantitativa. Para embasamento teórico foi realizado um estudo minucioso sobre Logística e Cadeia de Suprimentos, Armazenagem e Sistemas de Armazenamento e Almoxarifado. No estudo de caso são coletados e analisados dados obtidos através de observações in loco, pesquisa documental e entrevistas. Além disso, também são realizados o reconhecimento do espaço físico e o estudo para definição dos sistemas de armazenamento, equipamentos de manuseio e layout que mais se adaptam à realidade da empresa. Como conclusão, este trabalho apresenta um passo-a-passo para implementação do almoxarifado proposto. Palavras-chaves: Sistemas Logísticos, Armazenagem, Estoque

2 1. INTRODUÇÃO Para se manterem competitivas no mercado as empresas vem reformulando suas estruturas e ampliando suas capacidades produtivas. Como forma de melhorar e agilizar todo o processo é fundamental que haja um local para armazenamento adequado de seus materiais. Este trabalho tem por objetivo propor a criação de um almoxarifado adaptado às características de uma empresa de médio porte fabricante de estruturas metálicas e spools (tubulações industriais), a CALDEPINTER Caldepinter Caldeiraria, Pintura e Tratamento de Superfícies em Geral Ltda. figura 01, localizada no Rio de Janeiro, pertence ao grupo Lentz S/A que atua no mercado há mais de 50 anos, dos quais operou durante 15 anos apenas com serviços de corte de chapas (bobinas). A partir do ano de 2007 iniciou no ramo de fabricação de estruturas metálicas, caldeiraria pesada e tubulações industriais, além de realizar serviços de jateamento por granalha e pintura. Figura 01: Apresentação Caldepinter Fonte: CALDEPINTER, Situação Problema A empresa à qual cabe o estudo de caso que suporta esta monografia produz cerca de 80 (oitenta) toneladas/mês em estrutura metálicas, tendo como objetivo atingir a ambiciosa meta de 200 (duzentas) toneladas/mês até junho de 2013, demandando significativa quantidade de perfis, tubos e chapas metálicas em sua linha de produção. Portanto, necessita armazenar toda esta matéria-prima, o que é realizado em qualquer local próximo à área de corte e preparação de forma desordenada, sem nenhum tipo de identificação do material e uso e suporte de sistema de armazenamento que permita rastreabilidade e controle de estoque. Destaca-se a importância da criação e implantação de um almoxarifado com adequado espaço físico próprio com suporte de sistema de endereçamento e armazenamento para o devido controle de 2

3 estoque e adequado manuseio dos equipamentos e materiais, permitindo liberar as áreas indevidamente utilizadas para armazenagem para a efetiva ampliação de sua capacidade produtiva Motivação & Objetivo Dimensionando o espaço físico, apresentando layout correspondente, avaliando equipamentos e sistemas de armazenamento adequados, a motivação se baseia na expectativa de que com a realização da proposta do projeto do almoxarifado devidamente adaptado às características da empresa seja possível conquistar novas oportunidades agregando novos clientes e contratos. 2. REFERENCIAL TEÓRICO 2.1. Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos O gerenciamento da cadeia de suprimento é responsável pelo planejamento e controle dos bens e serviços de uma organização. Suas informações permitem uma sincronia com a cadeia produtiva. Portanto é preciso bastante atenção ao gerenciar uma cadeia de suprimentos, pois uma falha pode ocasionar uma insatisfação para quem esteja adquirindo o produto ou serviço oferecido pela organização. Os principais objetivos em implantar uma cadeia de suprimento são (FRANCISCHINI e GURGEL, 2004): Parcerias - Compartilhar todas as iniciativas com os parceiros da cadeia; Riscos - Compartilhar os riscos de fazer negócios; Resultados - Compartilhar os resultados da racionalização das atividades; Informações - Compartilhar as informações mediante meios adequados; Diferença Evitar que algum elo da cadeia acumule perdas. O conceito de cadeia de suprimento reforça o vínculo entre processos e desempenho, o que inclui os processos internos de uma empresa e também os de seus clientes e fornecedores externos. Uma necessidade registrada por um cliente interno ou externo dá início a uma cadeia de suprimento (KRAJEWSKI, 2009). Porter (1979 apud Pires, 2007) defende que o perfeito entendimento das atividades da cadeia de suprimentos, e o modo como elas interagem tem sido um fator de vantagem competitiva para as organizações que efetivamente entendem o seu papel estratégico. Autor afirma que essas atividades podem ser classificadas em atividades primárias e atividades de apoio. As atividades primárias são aquelas envolvidas na criação física do produto, na movimentação física, na venda e no serviço de pós-venda. E as 3

4 atividades de apoio são as que dão suporte às primárias e também a elas próprias. A cadeia de suprimento está vinculada a variáveis internas e externas que afetam a organização e aos diferentes modelos de negócio estabelecidos para os segmentos industriais ou para as empresas de serviços, portanto a administração da cadeia de suprimento exige o entendimento dos impactos que serão causados nas organizações, seus processos e na sociedade. (BERTAGLIA, 2003). O gerenciamento da cadeia de suprimento, se bem realizado, proporcionará grandes benefícios às organizações. E sendo o conceito da cadeia de suprimento muito amplo é necessário definir alguns processos que podem ser considerados críticos para que o abastecimento de uma cadeia seja eficaz. Esses processos podem ser desenvolvidos internamente pela empresa ou por processos logísticos que assumem parte deles ou sua totalidade (FRANCISCHINI e GURGEL, 2004) Administração de Materiais A logística é uma operação integrada para cuidar de suprimentos e distribuição de produtos de forma racionalizada, surge como ferramenta fundamental a ser utilizada para produzir vantagens competitivas e a administração de materiais para atender ao moderno enfoque logístico. O sucesso do gerenciamento de materiais nas empresas depende da aplicabilidade dos conceitos logísticos. (VIANA, 2002). Para Viana (2002), o objetivo fundamental da administração de materiais é determinar quando e quanto adquirir para repor o estoque, o que determina que a estratégia do abastecimento sempre seja acionada pelo usuário, à medida que o consumidor detona o processo. Francischini e Gurgel (2004) definem administração de materiais como atividade que planeja, executa e controla, nas condições mais eficientes e econômicas, o fluxo de material, partindo das especificações dos materiais a comprar até a entrega do produto final ao cliente. A principal motivação da administração de materiais é satisfazer as necessidades de sistemas de operação. A administração de materiais abastece ou supre a organização com os materiais, constituindo o elo entre a empresa e os seus fornecedores de materiais, ou seja, o seu objetivo é prover o material certo, no local e no instante correto em condição utilizável ao custo mínimo (BALLOU, 1993 e BARBIERI e MACHLINE, 2006) Armazenagem e Sistemas de Armazenamento 4

5 Para Araújo (1971 apud TURINO, 2002), o sucesso ou fracasso de uma empresa depende muito de um abastecimento garantido, no tempo certo, em função de um estoque bem otimizado, para atender as necessidades constantes da organização. Para Guerra (2003), a armazenagem está entre os tópicos mais importantes do Sistema Logístico. Um sistema de armazenagem bem aplicado pode solucionar, e evitar, diversos problemas que influenciam, diretamente, não somente o processo produtivo mas, principalmente, o de distribuição dos produtos. Um Sistema de Armazenagem bem estruturado e implementado possibilita a otimização de espaços, diminuindo sensivelmente o custo do produto para o consumidor final e, consequentemente, aumentando a competitividade no mercado (JESUS, 2008). 3. COLETA DE DADOS 3.1. Tipo de Pesquisa Este estudo caso exploratório busca proporcionar maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo mais explícito (GIL, 1991), analisando a empresa fabricante de estruturas metálicas, visando conhecer os materiais utilizados, o fluxo de utilização dos mesmos, os equipamentos existentes, dentre outras informações, de forma a estabelecer o grau de necessidade de criação de um almoxarifado, propondo o sistema de armazenamento adequado à realidade empresa Ambiente e Amostra A CALDEPINTER possui atualmente um quadro de aproximadamente 200 funcionários. Neste trabalho não se busca generalizar dados desta empresa para todo o setor, nem para outras indústrias, mas focando o caso particular de uma empresa que necessita expandir sua estrutura organizacional com a implantação de um almoxarifado Análise de Dados No estudo de caso são coletados e analisados dados obtidos através de observações in loco, pesquisa documental e entrevistas. Além disso, também são realizados o reconhecimento do espaço físico e o estudo para definição dos sistemas de armazenamento, equipamentos de manuseio e layout que mais se adaptam à realidade da empresa. As entrevistas realizadas tiveram o apoio de cinco membros do quadro diretivo e gerencial da empresa (diretor, gerente industrial e alguns chefes de setores). Foram coletados dados primários, gerados através das 5

6 entrevistas e observações in loco, e dados secundários através de análises dos documentos, registros e procedimentos da empresa, tendo como fonte documental seus departamentos de Planejamento e Controle da Produção (PCP) e o Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ), obtendo dados sobre os tipos de matérias-primas normalmente utilizados, equipamentos de movimentação de carga já existentes, layout atual da planta e demais informações pertinentes ao assunto. Após consolidação desta primeira de análise foram realizadas novas entrevistas informais visando obter balizamento da proposta do almoxarifado com a visão do corpo diretivo quanto à necessidade de sua implantação Tratamento dos Dados Dados analisados de forma a identificar os tipos de materiais utilizados na empresa, como são recebidos e armazenados, qual a frequência de utilização dos mesmos na produção, entre outras informações Limitações A empresa não possui o hábito de medir e/ou registrar os acontecimentos do dia-a-dia. Portanto, o estudo de caso se limitará à coleta de dados referente ao período de dez/08 a jun/12 em o autor trabalhou na referida empresa. 4. ESTUDO DE CASO Para a utilização da metodologia de estudo de caso, Yin (2005) sugere a análise de três fatores: o tipo de problema a ser resolvido, o controle que o investigador possui sobre os acontecimentos e o grau de foco em eventos contemporâneos em contraste com eventos históricos. Desta forma, a pesquisa exploratória visa conhecer a particularidade da empresa em relação às atividades de armazenagem, quais os materiais e equipamentos utilizados, como é realizado o recebimento e distribuição de suprimentos, qual a área disponível, de que forma são atualmente armazenados e como é feito este controle, bem como também realizar o reconhecimento do espaço físico disponível para a criação do almoxarifado a ser proposto, para assim elaborar um projeto para a criação de um almoxarifado que seja adequado à realidade da empresa Observações 6

7 A empresa Caldepinter não possui uma estrutura, local ou departamento para armazenamento de matérias-primas. Possui apenas um local (container) para armazenagem de pequenos insumos como discos de corte, varetas de solda, lixas, trapos e cilindros de gás. As atividades de recebimento, armazenamento, conservação e distribuição de materiais são realizadas de maneira inadequada e desorganizada. E, baseado nas visitas feitas ao local e em tudo o que foi observado, foi possível detalhar a seguir, em sequência numérica e em ordem cronológica, como é realizada cada uma destas atividades Recebimento de Materiais Quando o caminhão ou carreta do fornecedor entra na empresa, o técnico responsável por carregar e descarregar materiais é acionado. O mesmo verifica, através da nota fiscal e do romaneio, algumas informações cruciais como o nome da empresa fornecedora, a quantidade e a descrição da carga que está sendo transportada. Baseado nestas informações é feita uma consulta no setor de planejamento e controle da produção para rastrear o pedido de compra, a obra/cliente a que se refere e identificar se este será utilizado de imediato ou não. Caso haja a necessidade de o material ser posto em produção de imediato, o técnico solicita que a carga seja descarregada ao lado da máquina onde será executado a primeira etapa do processo de fabricação, por exemplo, a máquina de corte (serra). E se não houver a necessidade de utilização imediata, o material é descarregado em qualquer local disponível próximo a área de produção. Na hora do descarregamento é realizada a conferência para verificar se a quantidade especificada na nota é a mesma no físico e para visualizar se o material se encontra em bom estado. Caso haja alguma divergência são feitas observações na nota fiscal e um comunicado ao fornecedor através do setor de suprimentos, solicitando a solução do problema Armazenamento e Conservação de Materiais A empresa não possui uma área delimitada e/ou sinalizada para armazenamento de materiais. Na prática, os materiais são armazenados em qualquer local dentro ou fora da fábrica. As matérias-primas longas, compridas como tubos, barras e perfis são empilhadas sobre pedaços de madeira. Foram observados que alguns perfis estavam em contato um com o outro gerando danos à superfície do material. Já os materiais mais largos como chapas ou menores como conexões (flanges, tees de redução, tampão e curvas) normalmente são empilhados sobre pallets. Foram também identificadas algumas conexões tubulares em contato direto com o 7

8 chão da fábrica gerando danos aos materiais. Como prioridade os materiais são armazenados dentro da fábrica para que tenham fácil acesso quando for iniciado o processo de produção. Porém, quando não há espaço dentro da fábrica, os materiais são armazenados do lado de fora, muitos sujeitos à oxidação devida a exposição à água da chuva e à luz solar Distribuição de Materiais A empresa não possui nenhum funcionário diretamente responsável por distribuir os materiais para os responsáveis pela produção, bem como não existe absolutamente nenhum controle do que está em estoque ou do que foi utilizado no processo produtivo. Quando o encarregado recebe a ordem de produção, ele verifica a peça a ser fabricada, a máquina a ser utilizada, os insumos e a matéria-prima necessários para a construção da mesma. Mediante essa relação de materiais, o encarregado sai pela fábrica procurando os materiais solicitados e quando encontrados são levados, através da utilização de ponte rolante ou empilhadeira, para junto à máquina onde será iniciado o processo de fabricação. Os materiais como tubos, barras, perfis e chapas são recebidos em tamanhos padronizados e ao serem cortados nos tamanhos solicitados pelo cliente geram sobras. Estas sobras são pedaços de diversos tamanhos que teoricamente deveriam ser catalogados e retornados ao estoque, mas que na prática são empilhados de maneira desordenada próximo ao local de corte. É recomendável que as sobras de materiais sejam armazenadas em locais específicos separados dos outros materiais e em quantidade e dimensões conhecidas por todos para que sejam reaproveitados na fabricação de novas peças. A empresa não possui nenhum sistema de armazenamento de materiais, utiliza apenas pallets e pedaços de madeira. Os equipamentos de manuseio e movimentação de cargas utilizados são três pontes rolantes (uma em cada galpão da fábrica) e uma única empilhadeira. Devido à grande quantidade de material espalhado sem sinalização ou demarcações, pressupõe-se que uma das causas para as quebras de contrato ou não aquisição dos mesmos ocorridas no período avaliado é o fato da fábrica possuir uma aparência desorganizada não atraindo novos clientes. E este acúmulo de material atrapalha a passagem de peças e pessoas, gerando alto índice de atrasos na produtividade e acidentes de trabalho conforme histórico relatado pelos funcionários nas visitas in loco Pesquisa Documental 8

9 Foi realizada uma pesquisa nos documentos gerados pela empresa, identificando alguns procedimentos internos inerentes a materiais. Destacam-se: PROC-SGQ-03 - Controle de Produto Não Conforme; PROC-SUP-03 - Recebimento de Insumos e Matérias-primas; PROC-SUP-04 - Identificação, Armazenamento e Preservação de Materiais; Pedidos de Compras de Matérias-primas. Os procedimentos em questão auxiliam no registro de não conformidades de insumos, materiais e equipamentos adquiridos para abastecer a produção, estabelecendo política para devolução, decisão a ser tomada dependente da urgência do item em questão e do impacto que esta não conformidade pode gerar no processo. Divergência de quantidade, valor, qualidade, especificação técnica,..., até prazo e ausência de identificação de pedido, cabendo ações corretivas pertinentes e convenientes à empresa. Da mesma forma estabelecer procedimento geral de identificação, armazenamento, manuseio, preservação e acondicionamento adequado de cada tipo de material tabela 01. Tabela 01: PROC-SUP-04 - Identificação, Armazenamento e Preservação de Materiais 9

10 Fonte: CALDEPINTER, 2012 A distribuição de materiais registra que cerca de 40% (quarenta por cento) dos materiais adquiridos são perfis metálicos ( H, W, I e cantoneiras), 30% (trinta por cento) são tubos redondos em aço carbono, 15% (quinze por cento) são chapas metálicas, 8% (oito por cento) são conexões tubulares (curvas, tees, flanges, joelhos e tampão), 3% (três por cento) são parafusos, 2% (dois por cento) são barras redondas e/ou vergalhões e 2% (dois por cento) de barras chatas figuras 02 e 03. Figura 02: Materiais normalmente adquiridos e utilizados pela empresa - ESTATÍSTICA Fonte: CALDEPINTER, 2012 Figura 03: Materiais normalmente adquiridos e utilizados pela empresa - EXEMPLOS 10

11 Gerente Industrial Diretor IX CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO Fonte: AGILI, 2012; CASTROS, 2012; FEITAL, 2012; FERRAMAR, 2012; QG, 2012; TAVARES, 2011; TUBONASA, Entrevistas Entrevistas não estruturadas e informais foram realizadas como fonte de informações junto ao quadro diretivo da empresa colhendo detalhes sobre as características da empresa, a visão geral do problema, a importância da criação de um almoxarifado e sugestões para esta proposta. Tabela 02: Entrevistas Informais Fatos observados: Mudança radical do perfil de contratos adquiridos após janeiro de 2009: de diversos contratos/clientes com até 15 (quinze) toneladas cada para poucos contratos/clientes de no mínimo 500 (quinhentas) toneladas cada. Crescimento rápido e forçado para se manter no mercado. Novos funcionários, máquinas, rotinas e procedimentos. Recebimento de toneladas de matérias-primas em um curto período de tempo sem estrutura para armazenagem e sem capacitação/treinamento suficiente da mão-de-obra para exercer tal atividade. Como consequência, armazenamento inadequado em locais improvisados. Comentários para a proposta de almoxarifado: Importância da criação de um almoxarifado visando melhorar a organização da fábrica, o fluxo dos processos e a preservação dos materiais facilitando a obtenção de novos contratos e clientes. Fatos Observados: Falta de almoxarifado gera atrasos no processo produtivo, pois há perda de tempo na procura pelos materiais listados na ordem de produção e na movimentação de cargas que se encontram em diversos locais na fábrica distantes um do outro. Comentários para a proposta de almoxarifado: Benefícios a serem obtidos com a criação do almoxarifado: agilidade na obtenção dos materiais e movimentação de cargas, a maior rapidez no processo produtivo, a diminuição de riscos de acidentes dentro da fábrica e a redução do tempo de fabricação das peças, gerando entregas mais rápidas e a satisfação do cliente. 11

12 Coord. de Suprimentos Coordenador. de Controle de Qualidade Coordenador de PCP IX CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO Fatos Observados: Péssimas condições de armazenamento e preservação dos materiais: matérias-primas espalhadas em diversos locais na fábrica impedindo a passagem de funcionários, máquinas e equipamentos; materiais empilhados de qualquer forma e sem demarcação ou sinalização da área; materiais expostos à luz solar e à água da chuva e muitos já em processo de oxidação. Falta de controle de estoque, falta de informação sobre os materiais que se encontram armazenados, dos que já se encontram em processo de fabricação e das sobras de matérias-primas. Fatos Observados: Não existe local específico e apropriado para realização das inspeções de recebimento dos materiais e que as mesmas muitas vezes foram feitas ainda em cima do caminhão / carreta. Comentários para a proposta de almoxarifado: Sugerido que sejam aplicados treinamentos aos funcionários para que todos conheçam os novos fluxos de processos e sejam capazes de atuar de acordo com as normas e procedimentos da empresa com organização e responsabilidade tendo em busca a melhoria contínua. Fatos Observados: Devido a empresa não ter controle sobre o que está armazenado dentro da fábrica, só é percebida a falta de determinado material no momento de iniciar a fabricação, e com isso a maioria das compras realizadas são feitas com urgência, em menor quantidade, a curtos prazos de entrega e consequentemente, preços mais altos Reconhecimento do Espaço Físico Fonte: O Autor, 2012 A CALDEPINTER, situada à Av. Brasil Rio de Janeiro-RJ, dispõe de aproximadamente m², onde cerca de m² são utilizados como área fabril figura 04. Figura 04: Planta baixa 12

13 Fonte: Fonte: CALDEPINTER, 2012 Estratégica para realizar a intermediação dos veículos de transportes, a área escolhida pelo gerente industrial, juntamente com o diretor da unidade, por ser uma área ainda disponível 20,00 m x 25,00 m, totalizando 500,00 m², destinada também para armazenamento temporário na recepção de materiais, quando necessário, é possível sua identificação na planta baixa figura 04 (destaque em vermelho) será disponibilizada para atender a estruturação do possível projeto do almoxarifado. 5. ESTUDO DE ADAPTAÇÃO À REALIDADE DA EMPRESA 5.1. Sistemas de Armazenamento 13

14 Para escolher o sistema de armazenamento que mais se adequa às condições da empresa é necessário saber que tipos de materiais serão armazenados. E para isto foram utilizados como base os dados obtidos através dos pedidos de compras tabulados no gráfico da figura 02. Esses materiais são adquiridos em tamanhos padronizados. Todos os perfis, barras chata, barras redondas, vergalhões e tubos possuem o comprimento de 6,0 m ou 12,0 m. As chapas possuem dimensões de largura de 1200mm e 1800mm e altura de 3000mm ou 6000mm ou também podem ser adquiridas em forma de bobina. Os tubos e conexões possuem diâmetro que varia de 2 à 30. Já as barras redondas e os vergalhões possuem diâmetro que variam entre 1/2 e 1. A fim de escolher os sistemas de armazenamento que mais se adaptam às características da empresa, serão analisadas todas as possibilidades para cada tipo de material. E com o objetivo de realizar o aproveitamento máximo do espaço será utilizado o conceito de Verticalização de Carga. Para armazenamento de materiais compridos como tubos, perfis, barras redondas, barras chata e vergalhões podem ser utilizados as Estruturas Cantillever e/ou Estrutura Colméia. A grande diferença entre estes dois tipos de estruturas é que nas estruturas Cantillever os materiais normalmente são estocados através de empilhadeira e nas estruturas Colméia todo o carregamento é realizado manualmente. Considerando que um dos objetivos da empresa com a criação deste almoxarifado é agilizar o processo de estocagem e distribuição na fábrica e que o volume de materiais é muito grande, serão utilizadas neste estudo de caso as estruturas Cantillever, que também serão utilizadas para o armazenamento das chapas metálicas. Para auxiliar no armazenamento das conexões serão utilizados os pallets. Existem diversas estruturas de armazenamento porta-pallets, são elas: - Estrutura Porta Pallet Convencional - Estrutura porta pallet auto verticalizado - Estrutura Porta Pallet com dupla profundidade - Estrutura Drive-in e Drive-thru - Estrutura Porta Pallet auto portante - Estrutura Porta Pallet dinâmico - Estrutura Porta Pallet Push-back - Estrutura Flow-Rack Ao considerar que as conexões representam apenas 8% (oito por cento) dos materiais adquiridos pela empresa já serão descartadas as possibilidades de utilização das estruturas porta pallet com dupla profundidade, auto portante e auto verticalizado, pois as mesmas necessitam utilizar equipamentos pouco convencionais como empilhadeiras de alcance profundo, empilhadeiras trilaterais e transelevadores. Com o intuito de ter fácil acesso aos materiais e agilidade na distribuição dos mesmos para a produção também serão descartadas as estruturas drive-in e drive-thru e push-back. Essas estruturas possuem um sistema 14

15 considerado lento e normalmente são utilizadas para armazenagem de materiais de pouca seletividade e de baixa rotatividade. A estrutura porta pallet dinâmico apesar de armazenar mais em menos espaço e utilizar o sistema FIFO (First ln First Out), considerado mais rápido, possui um custo maior devido a aplicação de transportadores e reguladores de velocidade nos planos de estocagem e, portanto também será descartado. As estruturas flowrack também serão desconsideradas por serem mais utilizadas para produtos que serão embalados e posteriormente expedidos, o qual não é objetivo da empresa estudada. Já a estrutura porta pallet convencional possui grande funcionalidade e praticidade. É considerada a estrutura de menor custo por pallet estocado comparado com outros tipos de estruturas de armazenagem de pallets. A mesma possibilita a localização e movimentação de qualquer pallet sem a necessidade de se mover outros pallets e possui um sistema compatível com a maioria dos tipos de equipamentos de movimentação, principalmente empilhadeiras. Mediante a esses argumentos, para este estudo de caso foi escolhido o porta pallet convencional para armazenamento das conexões tubulares. Para o armazenamento de bobinas será utilizada a estrutura porta pallet convencional adaptada com um acessório de transversinas tipo guia para rolos e tambores. E para armazenagem de parafusos, porcas e arruelas serão utilizadas estantes leves Equipamentos de Manuseio A escolha correta dos equipamentos é fundamental para obter a máxima agilidade e praticidade no fluxo de armazenamento e distribuição de materiais. E para definir os que mais se adaptam à realidade da empresa estudada, serão analisados os equipamentos e sistemas de manuseio mais conhecidos no mercado. São eles: - Esteiras Transportadoras - Empilhadeiras - Ponte Rolante - Guindastes - Stacker Crane - Plataforma de carga e descarga - Pórticos - Mesas e Plataformas Hidráulicas - Carrinhos - AGV (Automatic Guided Vehicles) - Palleteiras Devido às características da empresa de adquirir a maioria dos materiais compridos como perfis, tubos e barras, não será necessária a utilização de esteiras transportadoras. Dentre os 15

16 sistemas de manuseio para áreas restritas, a ponte rolante se destaca por permitir o aproveitamento total da área útil, possuir um posicionamento aéreo e carregar e descarregar em qualquer ponto, diferente do stacker crane que consiste em uma torre apoiada sobre trilhos que limitam sua área de atuação. Já os pórticos são mais utilizados para áreas descobertas por possuírem estrutura própria. Os mesmos ocupam mais espaço e por isso não serão os mais adequados para utilização no almoxarifado. Em relação aos sistemas de manuseio entre pontos sem limites fixos, os equipamentos mais simples são os carrinhos. Os mesmos apesar de serem versáteis e de baixo custo, possuem como desvantagens a capacidade de carga limitada e baixa velocidade de produção e por isso não serão inclusos no estudo de caso. Serão utilizadas palleteiras e empilhadeiras para a movimentação das cargas através da utilização de pallets e de materiais compridos como tubos, perfis, barras, vergalhões e chapas metálicas. O guindaste não se aplica a este estudo de caso por exigir espaço e ser lento. Os AGV s possuem o custo e a manutenção muito elevados e por isso serão descartados. As mesas e plataformas hidráulicas também não serão utilizadas por geralmente estarem em conjugação com outro equipamento ou pessoa. E as plataformas de carga e descarga apesar de serem bastante úteis não são as mais aconselháveis para o tipos de materiais adquiridos neste estudo de caso Layout A definição de um bom layout é um dos pontos chaves para alcançar maior produtividade, agilidade, praticidade e eficiência. O mesmo faz a integração do melhor fluxo de materiais, equipamentos e pessoas com a melhor posição dos produtos e matérias-primas. Para este estudo de caso serão considerados os seguintes fatores de layout: Definição da Localização de todos os obstáculos; Localização das áreas de recebimento, distribuição e expedição; Localização das áreas de estocagem de materiais; Definição dos sistemas de localização de estoque; Avaliação das alternativas de layout do armazém. Considerando que as dimensões do espaço destinado ao almoxarifado são de 25 m de largura por 20 m de comprimento, os obstáculos a serem construídos serão as colunas de apoio do galpão, sendo uma em cada canto das diagonais, uma no meio de cada parede lateral, frontal e 16

17 traseira e uma no centro do galpão. O recebimento (entrada) dos materiais se dará na parte frontal do galpão pelo lado direito e a distribuição (saída) dos mesmos se dará também na parte da frente pelo lado esquerdo. No centro na parte da frente do galpão haverá um escritório no qual serão realizadas todas as atividades que envolvem as documentações referentes ao armazenamento, entrada e saída de materiais, localização de estoque e inspeções de recebimento. O almoxarifado não fará nenhum serviço de expedição de produtos acabados. O espaço será destinado apenas para recebimento, armazenamento e distribuição de matériasprimas. As áreas destinadas à estocagem de materiais serão divididas das seguintes formas: materiais pesados e/ou compridos como perfis, tubos, barras, vergalhões e chapas ocuparão a maior parte do espaço, cerca de 65% (sessenta e cinco por cento), as conexões e bobinas ocuparão cerca de 25% (vinte e cinco por cento) e os parafusos, porcas e arruelas 10% (dez por cento) da área. Serão instaladas no galpão, na posição horizontal, quatro estruturas cantillever, sendo duas monofrontais e duas bifrontais. Ao lado esquerdo, na posição vertical, será instalada uma estrutura porta pallet convencional com 13m (treze metros) de comprimento. E ao lado direito do galpão, também na posição vertical, serão instaladas as estruturas porta pallet convencional com 6m (seis metros) de comprimento e estantes leves com 7m (sete metros) de comprimento. 6. PROPOSTAS E MELHORIAS 6.1. Proposta de Estrutura Externa Com base nas informações de dimensão do espaço concedido pela empresa para criação do almoxarifado, a autora desta monografia propõe que seja construído um galpão, conforme Figura 35 com 25m de largura por 20m de comprimento e 14m de altura com entrada e saída apenas pela parte da frente para que haja maior aproveitamento do espaço no galpão destinado ao armazenamento dos materiais. O galpão possuirá janelas laterais e um escritório com janelas que dão acesso a parte externa ao almoxarifado possibilitando a troca de documentos e notas fiscais sem a necessidade de entrada de funcionários não autorizados no escritório. Para facilitar o fluxo de carga e descarga, a entrada e saída de caminhões/materiais serão realizadas em lugares diferentes, sendo o recebimento pela direita e a distribuição pela esquerda do galpão. 17

18 6.2. Sistemas de Armazenagem Propostos Propõe-se a utilização de quatro estruturas cantillever com 12m (doze metros) de comprimento e 5m (cinco metros) de altura para armazenamento de tubos, perfis, barras redondas, barras chatas, vergalhões e chapas metálicas, sendo duas estruturas bifrontais e duas monofrontais figura 05. Propõe-se também a utilização de duas estruturas porta-pallet convencional para armazenamento de conexões tubulares como curvas, tees de redução, joelho, tampão, flanges e também para armazenagem de bobinas com auxílio de acessórios, sendo uma estrutura com 13 m (treze metros) de comprimento, outra com 6m (seis metros) e ambas com 5m (cinco metros) de altura figura 06. Figura 05: Estrutura Cantillever Figura 06: Estrutura Porta Pallet Convencional Fonte: 1STOP, 2012 Fonte: STAHL MAN, 2012 Para o armazenamento de parafusos, porcas e arruelas, propõe-se a utilização de uma estante leve com 7m (sete metros) de comprimento e 5m (cinco metros) de altura figura 07. Também é proposta a instalação de duas pontes rolantes, as quais serão utilizadas para elevação e transporte de cargas leves, médias ou pesadas atendendo a qualquer local do almoxarifado. As mesmas devem possuir 6m (seis metros) de largura cada e se movimentar por toda a extensão do galpão à uma altura de 14m (catorze metros) do chão figura 08. Figura 07: Estantes Leves Figura 08: Ponte Rolante 18

19 Fonte: IMAM, 2012 Fonte: ROMANELI, Efetivo Para que haja um bom funcionamento das operações realizadas, bem como um controle eficiente de todas as atividades que envolvem um almoxarifado se faz necessária a contratação de funcionários qualificados e bem treinados. Portanto serão indicadas abaixo as quantidades de pessoas para cada função proposta para este almoxarifado: - 01 (um) almoxarife - 02 (dois) operadores de ponte rolante - 02 (dois) técnicos administrativos - 01 (um) inspetor de recebimento - 02 (dois) operadores de empilhadeiras - 03 (três) ajudantes O almoxarife é responsável pelo recebimento, estocagem, distribuição, registro e inventário de matérias-primas, materiais e mercadorias compradas, observando normas e instruções ou dando orientações a respeito desses trabalhos, para manter o estoque em condições de atender a produção. O mesmo deve manter a ordem, organização e limpeza do local, visando um bom funcionamento do fluxo de movimentação de cargas e agilidade para atender as solicitações de materiais em tempo hábil. Os técnicos administrativos são responsáveis por realizar todos os lançamentos de dados como entrada e saída de material, lançamento de notas fiscais, controle de estoque e demais atividades de escritórios que envolvem um almoxarifado. Os operadores de empilhadeira e ponte rolante são os responsáveis por operar estes equipamentos, realizando as atividades de movimentação de carga e armazenamento de materiais. O inspetor de recebimento é a pessoa responsável por receber e inspecionar todos os materiais visando verificar a existência de alguma não conformidade. Devem ser verificadas as quantidades, especificações, documentos requeridos (certificados, atestados e/ou relatórios), embalagem e o estado geral dos materiais. Os ajudantes são responsáveis por auxiliar em toda e qualquer atividade do almoxarifado, seja no recebimento, movimentação, armazenamento e distribuição de materiais ou na organização e limpeza do galpão Sistemas de Controle Propõe-se a implementação do sistema automatizado Warehouse Management System (WMS), ou Sistema de Gerenciamento de Armazém, que possibilite o controle informatizado do estoque e a utilização de tecnologias como códigos de barras e rádio frequência para 19

20 monitorar de forma eficiente o fluxo de materiais e a localização rápida dos itens no estoque, garantindo vantagens na otimização do espaço de armazenagem e agilidade na movimentação Estrutura Interna Proposta Layout da estrutura de almoxarifado proposta figura 09. Figura 09: Planta baixa do almoxarifado proposto Fonte: O Autor, 2012 Legenda 1- Estruturas Cantillever Monofrontal 4- Estantes Leves 2- Estruturas Cantillever Bifrontal 5- Escritório 3- Estruturas Porta-pallet Convencional 7. CONSIDERAÇÕES FINAIS Podemos então concluir que as empresas para se manter no mercado precisam de um local apropriado para receber, armazenar, estocar e distribuir as matérias-primas de forma rápida e eficiente, efetuando os registros e mantendo o controle correto do estoque de modo que a produção seja prontamente atendida sempre que necessário. E que neste local deve haver sistemas de armazenamento e equipamentos que funcionem de forma integrada através de um layout estudado e adaptado às necessidades da empresa para que o todo o fluxo de processo 20

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