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Transcrição:

PN 2729.05-5; Ap.: Tc. P. da Régua, 1º J. (298/02); Ap.e 1 : Aníbal Ribeiro Alves & Filhos, Lda, Quinta do Meio, Nostim, Moura Morta, P. Régua; Ap.o 2 : António Marques Abrantes, Rua Feliciano de Castilho, Ninho de Águia, 3750 Águeda. Em Conferência, no Tribunal da Relação do Porto 3 : I. INTRODUÇÃO: (a) A recorrente discordou da sentença de 1ª instância: condenou-a a pagar ao recorrido o montante de 88 545,90 e juros, preço não satisfeito de obras a mais em empreitada que levou a cabo para a cedente do crédito, accionado, finalmente, pelo segundo 4. (b) Da sentença recorrida: II. (1) O demandante fez a prova da maior parte dos factos integrantes da causa de pedir enquanto a R. não conseguiu provar o pagamento que invocou; (2) Por isso, sem necessidade de grandes delongas há que condenar a R. a pagar ao A. a quantia em dívida que é de 88 545,90, com juros desde 02.03.25. MATÉRIA ASSENTE: (1) A cedente é uma sociedade comercial que se dedica à indústria de construção civil e obras públicas, tal como a R.; 1 Adv.: Dr. Vítor Oliveira Cardoso, Avª de Ovar, Ed. Barretos, sl. 8/9, 5050-232 Peso da Régua. 2 Adv.: Fernando Lobo do Amaral, Rua dos Bancos, 5100-115 Lamego. 3 Vistos: Des. Marques Peixoto (05.06.20); Des. Fonseca Ramos (1228). 4 Apenso A: em 03.04.11, António Marques Abrantes, vistos os arts. 376/1.b.2 CPC, foi julgado habilitado e passou a ocupar na causa o lugar de A. em nome de Enorte, Empreiteiros, SA, que lhe havia cedido o crédito detido sobre a R., Aníbal Ribeiro Alves & Filhos, Lda. 1

(2) No exercício da sua actividade, em 00.06.15, celebrou com esta um contrato de subempreitada pelo qual se obrigou a executar as obras constantes no Plano de Pormenor do Bairro da Ponte da empreitada de Recuperação e Revitalização do Bairro da Ponte, Centro Histórico 1ª Fase, lançada pela CM Lamego; (3) Tais trabalhos resultaram da adjudicação da dita obra ao consórcio Sociedade de Construção Seldo, constituído pela cedente do A. e pela Sociedade de Electricidade, Lda; (4) O preço seria pago através da facturação parcelar e periódica a entregar pela cedente do A. tendo em conta os preços unitários previstos para esses trabalhos e de acordo com o auto de trabalhos aceites pelo dono da obra, efectuadas as medições, sempre, pela fiscalização deste; (5) A R. comprometeu-se a pagar à cedente do A. o valor das facturas em causa até 10 dias após ter recebido o pagamento do dono da obra; (6) Durante a execução da obra foram verificadas imperfeições dos elementos do projecto, as quais motivaram a realização de um contrato adicional (49/00, 00.11.20), denominado Recuperação e Reabilitação do Bairro da Ponte 1ª Fase Trabalhos a Mais, e que teve por base uma informação interna do dono da obra, 00.09.18; (7) Tais trabalhos importaram num acréscimo do preço da subempreitada: 81 642,14 (Pte 16 367 780$00); (8) Todos os trabalhos foram realizados pela cedente do A., fiscalizados, medidos e aceites pelo dono da obra; (9) Em 03.01.23, a cedente do A. emitiu sobre a R. a factura nº 77, com vencimento nessa mesma data, pelo montante de Pte 5 148 000$00 com IVA incluído, de que ficou por pagar 738,22 (Pte 148 000$00); (10) Da factura nº 81, 01.03.22, está ainda por pagar o montante de 2 731,22 (Pte 547 560$00); (11) Bem como os seguintes trabalhos: (i) execução do muro de betão ciclópico na Rua da Tamboreira 531 m3 x Pte 20 000$00= Pte 10 620 000$00 5 ; (ii) movimento de terras correspondente de 133,11 m3 (Pte 399 300$00); (iii) limpeza e movimentação de terras correspondente à execução de 5 Segundo a sentença recorrida, por evidente lapso, tinha sido dado como provado uma volumetria de 531,04m3 quando a subtracção de 530 m3 a 1061 m3 dá como resultado apenas 531 m3. 2

escadaria em betão ciclópico na ligação da Rua da Tamboreira à EN 226 248,19 m2 x Pte 3 000$00 = Pte 744 570$00; (iv) execução de muros em betão ciclópico e degraus das escadas, na mesma obra 272,02 m3 x Pte 20 000$00 = Pte 5 440 400$00; (12) Tais montantes foram apurados nos autos de medição realizados e aceites pelo dono da obra, que assim a recebeu e pagou à R.; (13) A cedente da A. instou, pelo menos uma vez, por escrito, a R. a proceder ao pagamento das referidas quantias 6. III. CLS./ALEGAÇÕES: (a) Deve ser considerado provado, e por isso inserido desta maneira na matéria de facto pertinente, o que consta de Q6 7, uma vez que não ocorreu o lapso que o Tribunal aponta na questão prévia decidida 8 ; 6 Texto da carta referida expressamente neste ponto da matéria assente: A Aníbal Ribeiro Alves & Filhos, Lda, [Vila Real, 02.03.12] após várias tentativas telefónicas da nossa parte para a marcação de uma reunião, com o fim de se proceder ao acerto de contas entre as duas empresas, infrutíferas, dada a constante indisponibilidade da V/parte vimos por este meio solicitar-lhes que pela forma que acharem mais conveniente (carta ou telefone) nos contactem no prazo de 10 dias para a marcação da mesma caso não o façam, entenderemos isso como não interesse na solução do problema e dar-lhe-emos o seguimento que acharmos mais adequado 7 Da Base Instrutória:... Q6. A R. procedeu já ao pagamento de todas as quantias facturadas pela A., incluindo os trabalhos referentes ao contrato adicional de 00.11.20 [Recuperação e Reabilitação do Bairro da Ponte 1ª Fase Trabalhos a Mais; info. CM Lamego 00.09.18], com excepção do montante de 738,22 [Pte 148 000$00], referente à factura nº77? Não provado [resposta inicial provado sob a justificação: foram directa e convincentemente explicadas todas as divergências entre a documentação junta e a tese do R., o que a tornou absolutamente credível, ao contrário da tese da R. que não só não resultou provada por qualquer meio de prova, como resultou igualmente contrariada unanimemente pela prova testemunhal por si mesma apresentada]; 8 Da sentença: foi dada resposta provado a Q6, que continha matéria de facto alegada exclusivamente pela R. na Contestação mas da fundamentação da resposta resulta que esta só foi possível devido a manifesto lapso de escrita, uma vez que ficou consignado expressamente, a dado passo, ter-se verificado que não existiu qualquer contradição quer entre os depoimentos prestados, quer entre estes e a documentação junta e confrontada com as testemunhas, tendo sido directa e convincentemente explicadas todas as divergências documentais com a tese do A. [por outro evidente lapso de escrita facilmente apreensível foi referida tese da R. quando queria dizer-se tese do A.], o que a tornou absolutamente credível ao contrário da tese da R., que não só resultou provada por qualquer meio de prova, como resultou igualmente contrariada unanimemente pela prova testemunhal por si mesma apresentada; Ora, reportando-se Q6 à matéria de facto (integradora da excepção peremptória do pagamento) alegada pela R. e tendo sido declarado expressamente na fundamentação na resposta ao Quesito que só a tese da cedente do A. logrou demonstração na totalidade da prova produzida (documental e testemunhal) não podia aquele quesito ter obtido a resposta provado, mas sim não provado (esta conclusão sai ainda reforçada se tivermos em conta a acta de fls. 230/203, acerca das declarações prestadas pelo legal representante da R. a Q3 e Q4 e bem assim em face das respostas negativas a Q7 e Q8 [Q7. A execução dos muros de betão ciclópico referidos em Q3 vd. passim nota seguinte foi objecto da factura junta, a qual foi paga? Não provado; Q8. A escadaria em, id. id. foi construída a expensas da R.? Não provado]. 3

(b) Segundo o art. 690-A/1.a.b CPC, deve ser alterada a matéria de facto, não se dando como provado tudo quanto consta de Q3B 9 execução da escadaria em betão ciclópico; (c) Na verdade, os depoimentos prestados por José Manuel Matos Fernandes, Vasco Monge, João Machado Relvas e António Flor Conde, e por referência ao assinalado na acta, não são concludentes no sentido de se firmar uma certeza sobre a ocorrência de tais factos nos precisos termos constantes do quesito; (d) Também nos termos do mesmo inciso legal, em face do recibo, 01.04.30, emitido e assinado pela A., junto com a p.i., não deve ser dada como provada a matéria constante de Q2 10 ; (e) Depois, a A. não cumpriu o formalismo contratual da cl. 7 da subempreitada para interpelação da R. ao pagamento: não está em mora; (f) Em suma: na decisão da matéria de facto fez-se uma interpretação errada dos depoimentos supra invocados e, por isso, com errada aplicação do art. 396 CC; na mesma decisão, também se errou quanto à aplicação do art. 376/1.2. CC e quanto aos arts. 406/1 e 805 CC, agora no que respeita aos juros moratórios; (g) Impõe-se assim alterar a decisão de facto e absolver a R. do pagamento das quantias de Pte 547 560$00 Q2, Pte 744 570$00 e Pte 5 440 400$00 Q3B; dos juros moratórios. IV. CONTRA-ALEGAÇÕES: (a) Não ficou provado que a recorrente tivesse procedido ao pagamento das quantias facturadas à Enorte: ainda está por pagar, pois, a quantia de Pte 547 460$00 respeitante à factura 81, 01.03.22 [Q2, provado]; 9 Da Base instrutória:.. Q3B [Estão ainda por pagar] os seguintes trabalhos, referentes à execução da escadaria em betão ciclópico na ligação da Rua da Tamboreira à EN 226: (i) limpeza e movimento de terras necessário à execução das escadas 248,19 m2 x Pte 3 000$00 = Pte 744 570$00; (ii) execução de muros em betão ciclópico e degraus das escadas 272,02m3 x Pte 20 000$00 = Pte 5 440 400$00? Provado. 10 Base instrutória:.. Q2. Da factura nº81, 01.03.22, está ainda por pagar a quantia de 2 731,22 (Pte 547 560$00)? Provado; 4

(b) Pelas mesmas razões, também não ficou provado que a recorrente tivesse pago a Enorte as quantias referentes aos trabalhos do contrato adicional [Q3 11, provado]; (c) A resposta a dar a Q6 12, por outro lado, só poderia ter sido não provado, como muito bem esclareceu o Tribunal; (d) E não há dúvidas de que a execução da escadaria em betão ciclópico estava abrangida pelo contrato de subempreitada, como se vê das informações prestadas pela CM Lamego e dos documentos juntos aos autos; (e) Também não há dúvidas de Enorte ter levado a cabo toda a obra, uma vez que a medição do auto nº6 é bastante superior aos trabalhos indicados em Q3B 13 ; (f) Aliás, a CM Lamego fez a recepção da obra e pagou à recorrente pelos trabalhos constantes nesse mesmo auto de medição Pte 10 005 690$00, acrescido de IVA: o recorrido tem a haver, pois, da recorrente, a quantia inferior referida no quesito em causa; (g) Mais além, o montante de Pte 547 560$00, em dívida, corresponde à diferença entre o valor facturado (de que foi dada quitação) e o valor efectivamente recebido através do cheque CGD Lamego 9420648336; (h) Na verdade, a A., logo na p.i., explicou que ao montante facturado e que consta do recibo junto há que descontar o montante efectivamente recebido por Enorte, constante do cheque supra referido: essa diferença corresponde à dívida da recorrente para com o recorrido; (i) E uma vez que a tese do recorrido é sustentada na conjugação destes três documentos (factura, recibo e cheque), não há razão para os analisar em separado, isolados uns dos outros: é que só têm sentido em conjunto; (j) Para além disso, como refere o Tribunal recorrido, a prova testemunhal que foi produzida em julgamento contrariou o teor da quitação dada no recibo: é admissível, neste caso; (k) Quanto ao problema da mora: é certo que de acordo com a cl. 7/2.3 do contrato de subempreitada Enorte facturaria à recorrente os trabalhos cuja execução tivesse sido reconhecida pela fiscalização do dono da obra; 11 Vd. nota 8. 12 Vd. nota 6. 13 Vd. nota 8. 5

(l) Isto mesmo é dizer que Enorte só apresentaria as facturas à recorrente quando esta a informasse da circunstância de CM Lamego ter já medido e aceite os trabalhos: só então poderia ser exigido o pagamento respectivo; (m) Acontece que a recorrente nunca avisou Enorte de ter CM Lamego aceite os trabalhos e, mais grave ainda, de lhos ter pago; (n) Por essa razão é que antes de ter sido instaurada esta acção, e de forma a evitar o recurso à via judicial, Enorte interpelou a recorrente para proceder ao pagamento das quantias em dívida; (o) E, uma vez que o pagamento da quantia em dívida não tinha prazo certo, teve de ser Enorte a fixar esse mesmo prazo, ultrapassado o qual a recorrente entrou em mora; (p) Foi esta a interpretação que conduziu à sentença: a recorrente teve conhecimento formal da dívida que tinha para com Enorte e do prazo que tinha para a liquidar; (q) Não faz, pois, sentido o que a recorrente alega para considerar que não está em mora; (r) A sentença recorrida não merece portanto qualquer censura. V. RECURSO, julgado nos termos do art. 705 CPC: (a) A recorrente começa por discordar da posição do Tribunal quanto à resposta a Q6, dizendo que deve ser, na verdade, provado, ainda que de manifesta irrelevância se revestir a alteração no contexto da lide. Contudo, para claridade do debate importa conceder razão à R., mas de uma forma mitigada: provado apenas que a R. procedeu já ao pagamento de todas as quantias facturadas pela A. (b) A lógica da justificação da resposta inicial é compaginável com este sentido, agora fixado, tal como a utilidade mesma da reconstituição do caso nos indica este inciso factual como morada do problema, sem que se estabeleçam contradições nenhumas com as restantes respostas. 6

(c) Com efeito, desde logo tem de ser dada resposta negativa a Q2, em face da quitação dada à R. no recibo respeitante à factura (junto aos autos 14 ), não colhendo a tese de ser aqui admissível, paralelamente, a prova testemunhal em contrário da declaração, infirmando-a; não! Só assim seria se se tratasse de averiguar a falsidade, que no caso estava de princípio fora de questão: o documento foi entregue pela A., a quem não favorece; é aplicável, sem dúvida de pleno, o disposto no art. 376/1.2 CC. (d) Depois, prossegue a recorrente com o objectivo de contrariar a resposta a Q3B, e a leitura que fez, apoiada em transcrição judiciosa da gravação da Audiência, convence da procedência do argumento: deve ser dado apenas como provado que a A. executou a parte de betão ciclópico da escadaria de ligação da Rua da Tamboreira à EN 226, quantidades e preços ainda não apurados, perante a ausência de cláusula contratual explícita sobre o assunto e portanto problemática a medição. (e) É que, compulsado o texto do acordo de subempreitada e anexo, não pode deixar de ser dada razão à recorrente, enquanto o depoimento fiscal acaba por se resumir no testemunho de que a obra lá está, útil, suscitando naturalmente uma questão de preço, mas sob pressupostos de acerto justo ausentes por enquanto do debate da causa. (f) E por fim o último dos pontos, a saber: não houve interpelação, porquanto deveria ser, segundo o contrato, através de factura, que não foi emitida até agora. (g) A cláusula invocada pela recorrente para sustentar este ponto de vista tem de ter, contudo, uma leitura que não prejudique a regra geral de ser devido o preço da subempreitada no quando da entrega e aceitação da obra: o texto pressupõe, antes de mais, pagamentos antes do encerramento. (h) Por conseguinte, mesmo que não tivesse havido mora, por não ter havido interpelação até à entrega da obra, certo é que existiria a partir daí. Ora, a data da entrega e aceitação da obra, pressuposta esta aceitação segundo o perfil do litígio, não foi alegada e está ausente, pois, dos dados do problema. 14 Vd. I, p. 31: Enorte [para] Aníbal Ribeiro Alves & Filhos, Lda Recebimento nº64, 01.04.30 Recebemos de Vexas a quantia de 8.854.560,00 (oito milhões oitocentos e cinquenta e quatro mil e quinhentos e sessenta escudos) para pagamento do documento FA/81 total 8.854.560,00; total recebido 8.854.560,00. 7

(i) Por isso mesmo, teremos de socorrer-nos da regra supletiva acerca das interpelações formais que, adiantamos, estabelece neste caso ter ocorrido com a citação: o texto transcrito, em nota, da carta aludida pela sentença de 1ª instância, apenas convida a uma reunião futura para equilíbrio de posições entre as partes; não é uma solicitação de pagamento para momento determinado 15. (j) Enfim, vistos os arts. 805/1 e 1211/2 CC, procedeu no fundamental a Apelação e pelas razões acima expostas, autorizada a modificação da matéria de facto pelo art. 712/1 CPC, foi alterada a sentença recorrida no sentido de a R. ser apenas condenada a pagar à A. a quantia de 54 964,18, com juros de mora contados da citação, ficando relegado para a fase executiva o apuramento do preço da obra respeitante à escadaria de betão ciclópico construída na ligação da Rua da Tamboreira à EN 226. VI. RECLAMAÇÃO, nos termos do art. 700/3 CPC, do Ap.o: (a) A resposta a Q6 não pode ser provado apenas que a R. procedeu já ao pagamento de todas as quantias facturadas pela A., porque isso não é verdade e não resulta da análise conjugada da restante matéria de facto assente, designadamente de... h) Em 03.01.23, a A. emitiu sobre a R. a factura nº77, com vencimento nessa mesma data, no montante de Pte 5 148 000$00, com IVA incluído, sendo que dessa factura estão em dívida Pte 148 000$00 ( 738,22), tendo o restante sido pago j) Da factura nº81, 01.03.22, está ainda por pagar o montante de Pte 547 560$00 ( 2 731,22); l) Bem como [outros] trabalhos. (b) Como facilmente se depreende, a resposta a Q6 deve ser não provado. 15 Vd. nota 6. 8

(c) A quantidade de trabalhos e preços referentes à execução do muro e escadaria de betão ciclópico na Rua da Tamboreira, à EN 226, foi medida, aceite, recebida e paga pelo dono da obra à recorrente; (d) Está isto provado nos autos por documentos, através dos ofícios juntos pela CM Lamego, quer através do auto de medição nº6; (e) A prova testemunhal indicada a este quesito veio, depois, confirmar o pagamento do preço à recorrente relativo à execução destes trabalhos. (f) Assim, se a recorrente recebeu o preço devido, porque razão não há-de pagar à recorrida? (g) A prova testemunhal só não é admitida quando o facto estiver plenamente provado por documentos, art. 393/2 CC; (h) E dispõe o art. 376/1.2 do mesmo diploma legal que os factos compreendidos na declaração se consideram provados na medida em que forem contrários aos interesses do declarante, sem prejuízo da arguição e prova da falsidade do documento; (i) Ora, o recorrido alegou na p.i. a divergência entre a realidade e o teor do documento, o que equivale à arguição da sua falsidade. (j) Razão pela qual era admissível a prova testemunhal sobre os factos constantes desse documento. (k) Afinal veio a provar-se a desconformidade alegada pelo recorrente na p.i. (l) Através das cartas juntas aos autos com a Réplica, o recorrido provou ter interpelado a recorrente, extrajudicialmente, para cumprimento da sua obrigação de lhe pagar o preço devido; (m) E nos termos do disposto no art. 805/1 CC, a recorrente constituiu-se em mora a partir da data daquela interpelação extrajudicial. (n) Por conseguinte, perante a presente Reclamação, deve ser confirmada a sentença de 1ª instância. VII. RESPOSTA: a Ap.e manteve as conclusões da Apelação. VIII. QUESTÃO INTERCALAR, de competência do Tribunal: 9

(a) Subsiste, entretanto, uma dúvida de competência do Tribunal, e por se tratar de problema de surpresa, deve ser submetida ao critério das partes antes de ter uma solução. (b) Com efeito, tendo em conta o disposto no artigo 4/1.f) do ETAF, segundo a redacção que lhe foi dada pela Lei nº 107-D/03, 31.12, poderá tratar-se aqui de uma questão relativa à execução de contratos especificamente a respeito dos quais existem normas de Direito Público que regulam aspectos específicos do respectivo regime substantivo. (c) Nesta perspectiva, e tendo em conta o ensino de Maria João Estorninho 16, estaremos perante o caso do artigo 101 e 102/1 CPC, sendo consequência da incompetência absoluta dos tribunais comuns a absolvição do R. da Instância. (d) Contudo, haveria ainda assim de ter em conta a regra do art. 105/2 do mesmo diploma legal. IX. RESPOSTA, só de António Abrantes: (1) A presente acção foi instaurada em 02.06.03 e, nessa data, o art. 4 ETAF tinha redacção diferente da actual, enquanto a Lei 107-D/03, 13.12, só entrou em vigor no dia 04.01.01. (2) Por outro lado, a acção foi intentada tendo por causa de pedir o incumprimento de um contrato de subempreitada celebrado entre a R. e a cedente do A. que, à data da instauração da acção cabia, segundo a jurisprudência 17, na competência dos tribunais comuns. (3) Na verdade, o que está em causa é o incumprimento pela R. do contrato de subempreitada, sob o aspecto de não ter liquidado o preço devido e referente aos trabalhos executados. 16 Aut. cit, Requiem pelo Contrato Administrativo, Almedina, Coimbra, 1990, p. 184: pelo contrário, os chamados contratos privados da Administração não podem ser considerados absolutamente idênticos aos dos particulares, e, pura e simplesmente, ser votados ao esquecimento; o reconhecimento do fenómeno de publicitação da actividade administrativa de direito privado obriga a que todos os contratos da Administração sejam encarados em termos idênticos: começa-se hoje entre nós, aliás, a admitir que se possa pensar que a evolução é no sentido de acabar por submeter à mesma jurisdição e a um mesmo núcleo de princípios toda a contratação administrativa (Sérvulo Correia); salvo o devido respeito, parece-me que já não é possível colocar esta questão apenas em termos de evolução futura... 17 Citou Ac. STA, 01.03.29: pedindo-se na acção a condenação dos RR no pagamento de quantias, com base no incumprimento de um contrato de subempreitada realizado entre o empreiteiro e uma outra entidade privada, a que foi alheia a entidade pública dona da obra, está em causa uma relação jurídica exclusivamente privada, sendo competentes para a acção os tribunais comuns; no mesmo sentido, Ac. STA, 04.11.18 e Ac. STA 04.09.23. 10

(4) Ora, o legislador terá querido delimitar a jurisdição administrativa pela natureza administrativa do contrato, em função do objecto (passível de acto administrativo) ou do critério estatutário (com cláusulas exorbitantes) 18. (5) E subsumíveis na jurisdição administrativa são as relações cujo regime substantivo esteja especificamente sujeito a normas de Direito Público 19. (6) De qualquer modo, nos termos do art. 12 CC, a lei só dispõe para o futuro: a questão da incompetência não se coloca. X. SEQUÊNCIA: (a) Com muitíssimas dúvidas, que radicam, por um lado, no aspecto, por último sublinhado na citação de Vieira de Andrade, que o recorrente utilizou na Resposta 20, compaginável com a opinião de Maria João Estorninho, já apresentada de início, e na aplicabilidade, sem mais, do art. 12 CC na leitura extremada dos meros efeitos de futuro da lei 21, aceita-se contudo, perante a data da distribuição da p.i. que o caso deva ser ajuizado nos Tribunais comuns: nas tarefas de aplicação da lei, também tem de ter-se em conta a dimensão pragmatista do Direito, a qual, neste caso, faz pender a decisão para a competência geral. (b) Solucionado este problema, cumpre então fazer um juízo sobre o mérito do Reclamante, que segue: (i) posto que se mantêm as razões que levaram à alteração das respostas a Q2 e Q3B, a crítica feita à alteração da resposta a Q6 não procederá; (ii) porém, tem pertinência o reparo feito com base no auto de recepção da obra de execução do muro e escadaria na Rua da Tamboreira: tem que haver, na verdade, um esclarecimento da contradição entre as respostas a Q3B e Q4. (c) Ora, na Contestação foi alegada matéria que depois não foi à base instrutória, mas que se dirigia justamente à aclaração deste ponto, a saber: 18 Vieira de Andrade, Justiça Administrativa, 5ª ed., Almedina, Coimbra, p. 123; segue, no entanto: o preceito legal [art. 4.f) ETAF] mesmo depois da clarificação introduzida pela Lei 107-D/03, quanto aos contratos submetidos pelas partes ao regime de Direito Público não é claro, de modo que, para alguns autores, poderá significar igualmente um alargamento da competência dos Tribunais Administrativos a contratos que não seriam, na qualificação tradicional, contratos administrativos. 19 Esteves de Oliveira, Mário, Código do Processo dos Tribunais Administrativos Anotado, p. 50. 20 Vd. nota 18. 21 Porventura caberia ao caso, muito melhor, a norma do art. 12/2, última parte, atendendo à razão de interesse e ordem pública onde se subsumem as questões de competência jurisidcional. 11

(i) A A. não realizou ou não construiu o revestimento a granito azul, o calcetamento e pavimentação de toda a obra, a colocação de todos os lancis dos passeios, a drenagem, a limpeza de todas as ruas afectadas pela movimentação de terras, a limpeza do caminho de acesso ao rio, intransitável devido a esta última; (ii) Não ergueu nem refez as escadas, que tudo a R. entregou a Borvile, Arruamentos e Jardins, Lda e a António Flor Conde, empreiteiro, tendo dispendido em matérias e mão-de-obra Pte 13 776 048$00 (c/iva) + Pte 9 477 000$00 (c/iva); (iii) Faltando ainda pelo menos a limpeza de ruas e caminhos, o que importará num preço que estima em 15 000,00. (d) Há pois que determinar, nos termos do disposto no art. 712/4 CPC, a anulação do julgamento da matéria de facto, para resposta aos quesitos correspondentes a este tema. (e) Eis o que decidem, por acórdão, revogando o despacho reclamado. XI. CUSTAS: no final, por quem decair. 12