Projeto Lendo desde Pequeninos : Uma Biblioteca na Escola de Educação Infantil

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1 Projeto Lendo desde Pequeninos : Uma Biblioteca na Escola de Educação Infantil - Justificativa: O projeto Lendo desde Pequeninos : Uma Biblioteca na Escola de Educação Infantil iniciou no segundo semestre de A intenção central da proposta é seduzir a comunidade escolar a fim de que todos se tornem mediadores de leitura. O trabalho foi motivado pela percepção da importância de envolver a comunidade escolar, especialmente os pais, no processo de formação de leitores. A primeira atividade desenvolvida foi a sacola da leitura : uma vez por semana uma criança de cada turma levava a sacola com diversos livros para casa. Também acompanhava um caderno no qual os pais deviam registrar como havia sido o momento de leitura em família. Concomitante, iniciamos o projeto biblioteca da turma: toda semana as crianças escolhiam um livro do acervo da escola e levavam para casa a fim de lerem com a família. Todavia, muitos esqueciam de trazer o livro ou o rasgavam. No final do ano avaliamos que o projeto não havia alcançado bons resultados. O que, do nosso ponto de vista, estava relacionado com o fato dos pais não se envolverem na atividade. A sacola da leitura também não estava conseguindo envolver os pais: as crianças não traziam o relato da leitura em família e muitas não sabiam contar as histórias contidas da sacola, o que indicava que a referida leitura não estava acontecendo. Assim, a conclusão foi que precisávamos propor atividades que tornassem a leitura significativa para os pais, pois ai eles se tornariam exemplos de leitores para seus filhos. Convidamos então a mãe de um aluno para fazer a hora do conto na escola. Dissemos que a ajudaríamos. A história escolhida foi Viviana, a rainha do pijama, de Steve Webb. Combinamos que neste dia todos usariam um pijama e trariam lanternas. Na data marcada, reunimos as crianças, as atendentes 1 e as professoras em uma sala e fechamos as cortinas para que ficasse mais escuro. Também organizamos os colchões no chão para que todos tivessem a sensação de estarem em suas camas. A mãe contou a 1 Na Educação Infantil, além das professoras, também colaboram com o trabalho profissionais que, em nossa cidade, não possuem formação pedagógica e são denominadas atendentes.

2 história e em seguida fizemos o desfile de pijamas. Também brincamos com as lanternas. As crianças ficaram encantadas porque uma mãe estava na escola contando histórias. E, o filho dela ficou extremamente orgulhoso de sua mãe. O olhar dele nos fez pensar o quanto seria maravilhoso se conseguíssemos trazer outros familiares para contar histórias na EMEI (Escola de Educação Infantil) e que, o significado da leitura esta associado aos laços afetivos que se constroem em torno desta leitura, bem como ao contexto no qual o leitor aprende a gostar de ler. Desta forma, em 2013, iniciamos o ano letivo avaliando o projeto. Percebemos que a sacola da leitura e a biblioteca da turma não haviam alcançado bons resultados porque não havíamos conseguido envolver os pais, ou seja, a maioria não era exemplo de leitor para as crianças. Por outro lado, avaliamos que a hora do conto com a família havia sido uma excelente experiência para as crianças, pois ficavam muito felizes com o fato de seus pais contarem histórias para os amigos na EMEI (Escola de Educação Infantil) e sentiam um carinho especial pela história narrada pelo familiar. Desta forma, concluímos que a ação de envolver os pais na formação de leitores era extremamente significativa para as crianças. Neste contexto, algumas questões nos intrigavam: como envolver os pais no cotidiano da EMEI a fim de que se tornassem exemplos de leitores para as crianças? Como favorecer situações que permitissem que o hábito de contar histórias fosse concretizado no dia a dia das famílias? Os pais nos diziam que as crianças tinham muitos livros em casa, mas se tinham livros, por que não os liam para as crianças? Seus livros não eram atrativos? Não reservavam tempo para a leitura? Não davam importância ao fato de ler para as crianças? Percebemos que o problema central não era o acesso ao livro, mas o significado que o livro e a contação de histórias tinham no cotidiano das pessoas. Era preciso tornar o ato de ler significativo. Era preciso mediar situações nas quais a leitura pudesse se tornar um momento inesquecível tanto para os pais, quanto para as crianças. Pensamos que uma estratégia interessante seria construir uma Biblioteca na Escola. Todavia, queríamos uma biblioteca diferente, na qual os pais tivessem o compromisso de vir até a escola com seus filhos para escolher o livro e reservassem um tempo para realizar a leitura em casa. Acreditávamos que se os pais viessem até a EMEI eles também se responsabilizariam pelo livro e, principalmente, dariam um bom

3 exemplo. Seria um momento de interação entre escola e família, mas principalmente entre pais e filhos: seria uma situação significativa para toda família. Todavia, nenhuma Escola de Educação Infantil de nossa cidade possuía biblioteca e, ao consultar dados do INEP, descobrimos que menos de 30% (Fonte: MEC/Inep/Deed) das Escolas de Educação Infantil do Brasil possuem bibliotecas! Sem dúvida, um dado alarmante. Não tínhamos dinheiro para comprar livros que atendessem as necessidades de nosso público (por exemplo, livros de plástico para os bebês), nem funcionários disponíveis para trabalhar na biblioteca. Mas, tínhamos uma sala que poderia ser a biblioteca! Apresentamos a ideia para a ACPM (Associação de pais e mestres) e eles concordaram em comprar um balcão. Assim, pegamos todos os livros que tínhamos disponíveis e fizemos uma ficha para que pudéssemos registrar a retirada e a devolução dos livros. Duas professoras se dispuseram a flexibilizar seus horários para fazer a troca dos livros, bem como buscar parcerias com empresas locais para aquisição de livros novos e atrativos. Desta forma resolvemos o problema da falta de bibliotecária e de livros, principalmente para os bebês. No entanto, antes de colocarmos em prática a biblioteca da escola, precisávamos pensar estratégias para tornar a ideia atrativa para toda comunidade escolar: era preciso seduzir os pais e manter o entusiasmo de todos os profissionais da escola. Reunimos todas as profissionais da escola e combinamos que faríamos um evento para marcar o lançamento do projeto. A principal atração da programação seria uma contação de história. A história escolhida foi Os três jacarezinhos, de Hellen Katteman. A encenação foi realizada pelas professoras e atendentes. 2 A produção da peça envolveu a todos. Ao longo da apresentação da história convidamos o público para interagir conosco e os pais entraram na brincadeira: imitaram os jacarezinhos e o terrível Javali Bundudo (vilão da história), cantaram as canções dos personagens e fizeram cara de susto e de zangado conforme o narrador solicitava. Enfim, vivenciaram uma situação na qual podiam compartilhar a alegria de seus filhos ao ouvirem uma história. 2 Para que a história ficasse mais atrativa convidamos um professor de música do município e alguns de seus alunos para que fizessem a sonoplastia e nos acompanhassem nas músicas que os personagens cantariam durante a encenação.

4 No final da contação de história, explicamos as intenções e a metodologia do projeto e dissemos aos pais que queríamos que fossem nossos parceiros. Queríamos que a alegria que todos estavam sentindo continuasse na rotina de suas casas. Então, os convidamos para, juntamente com seus filhos, fazerem a primeira retirada de livros de nossa biblioteca. Foi uma festa! As crianças e os pais escolhiam o livro enquanto as professoras e as monitoras, ainda fantasiadas como personagens da história, circulavam entre eles. Atualmente, a troca de livros na biblioteca acontece uma vez por semana e o número de retiradas de livros vem aumentando consideravelmente. Concomitante a biblioteca, procuramos transformar a EMEI em um espaço alfabetizador com poemas, alfabetos e figuras significativas nas salas de aula, auditório e refeitório. Ainda, inserimos em nossa rotina a parada da leitura : uma vez por mês todas as crianças e profissionais da educação da escola se reúnem num espaço para ler. Nesse momento, além de ler, as crianças participam de uma contação de história: montamos um cronograma no qual cada turma é responsável por uma contação. Por fim, destacamos que inserimos em nossa rotina a prática de convidar familiares para contar histórias. Objetivos: - Promover situações que contribuam para a formação de mediadores de leitura: pais, familiares, educadoras; - Contribuir para a formação de leitores; - Contribuir para a efetivação/construção de um ambiente alfabetizador; - Promover o planejamento participativo na escola; Metodologia (como o trabalho foi desenvolvido, passo a passo) Para desenvolver o projeto procuramos realizar parcerias: - Foi preciso fortalecer o espírito de grupo entre os educadores: todos precisavam estar convencidos da importância de contribuir com a formação de leitores para que pudessem se unir a fim de efetivar o projeto; - Todos contribuíram com suas ideias para a elaboração do projeto; - Fizemos reuniões com os pais e procuramos convencê-los da pertinência do projeto;

5 - Fizemos uma contação de história para os pais: as educadoras apresentaram uma peça teatral e procuraram envolver os pais na contação. Em seguida, discutiu-se a importância de contar histórias para as crianças. - Organizamos a Biblioteca na escola: os pais acompanham as crianças no dia da retirada e da troca dos livros; - Buscamos parceria ou patrocínio com empresas e entidades locais a fim de comprar livros; - Tornamos a escola um ambiente alfabetizador; - Promovemos regularmente a contação de histórias: educadoras, pais e crianças contam histórias; - Envolvemos todos os profissionais da escola no projeto de formação de leitores; Avaliação Há pouco tempo, as principais mídias eram rádio, revistas e jornal o acesso aos livros infantis era restrito. Mas, se tinha o tempo com a família para conversar, ouvir histórias... Atualmente, as crianças tem acesso a muitas coisas: livros, net, etc. mas lhes falta o tempo com a família para conversar e ler. A prática da família contar histórias para as crianças, além de propiciar experiências riquíssimas de leitura, ainda fortalece os laços afetivos entre adultos e crianças. Quando crescer a criança provavelmente se lembrará de que seu pai, mãe, vó, v, etc - contavam-lhe histórias... Desta forma, além de contribuir para a construção de laços afetivos entre crianças/família e crianças/livros/histórias, o projeto Lendo desde Pequeninos : Uma Biblioteca na Escola de Educação Infantil - tem gerado outros bons resultados: - Os pais são exemplos de leitores para as crianças; - Aprendemos que não existe alguém que saiba o que fazer e como fazer, não existe um salvador da pátria : ou nos tornamos autores responsáveis por nossas práticas ou corremos o risco de passar a vida inteira esperando que alguém nos diga o que fazer. - Os pais não esperam que apenas a escola seja mediadora de leitura e a escola não espera que apenas os pais sejam mediadores. Gradativamente, todos tem construído a compreensão de que cada um tem sua responsabilidade com as crianças e que todos podem ser mediadores de leitura.

6 - Muitos pais têm se empenhado em conseguir doações de livros para a biblioteca; - Recebemos doações de livros de empresas locais; - Temos construído o comprometimento das crianças e das famílias com a realização das trocas dos livros; - Todos - familiares, crianças, professoras, atendentes, funcionários (limpeza, cozinha, secretaria) - contam e recontam histórias; - As crianças gostam de contar e ouvir histórias; - Fortalecemos a relação família e escola; - Fortalecemos o planejamento coletivo da escola; - Contribuiu para a construção de uma identidade para o grupo de educadores e para a EMEI: nós somos uma Escola de Educação Infantil formada por profissionais da educação que priorizam a formação de leitores; - Desenvolvemos a prática de avaliarmos coletivamente os projetos desenvolvidos na escola; Queremos finalizar, destacando que o projeto tem possibilitado novas leituras de mundo tanto para as crianças, quanto para os profissionais que trabalham na escola: em julho de 2013 fomos convidadas para apresentar a peça Os três Jacarezinhos no anfiteatro da cidade. Professoras e atendentes que até então só haviam contado histórias para seus alunos, tiveram que se unir, subir em um palco, superar a timidez e se apresentar para um público formado, além de nossos alunos, por crianças e profissionais de outras EMEIS. Depois deste evento, tivemos outros convites e temos compartilhado nossa experiência com outras escolas que se preocupam com a construção do planejamento participativo (coletivo) e com a formação de leitores.

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