Comunicação JOGOS TEATRAIS NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES DO MATERNAL E EDUCAÇÃO INFANTIL

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1 Comunicação JOGOS TEATRAIS NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES DO MATERNAL E EDUCAÇÃO INFANTIL ROSA, Maria Célia Fernandes 1 Palavras-chave: Conscientização-Sensibilização-Transferência RESUMO A psicóloga Vanda Coutinho convidou-me para ajudá-la na orientação dos professores e monitores da Creche Cruz de Malta, em Brasília. Sondei as dificuldades e concluí que antes de tudo era necessário exercitar a sensibilidade destes professores para conhecerem se, observarem melhor seus colegas, seus alunos, assim como entender, discutir e por em prática o que aprendiam sobre como educar crianças tão pequenas. Durante seis meses vivenciamos juntas as experiências de jogos teatrais com enfoque no tempo de criança de cada uma: lembranças de atividades, sonhos, medos, fantasias e imaginação. Ao mesmo tempo provocava a relação de suas lembranças com a observação das reações de seus alunos. Tive como elemento facilitador o fato de ser uma voluntária. Como não havia o vínculo empregatício não havia a inibição de discutirem deficiências de formação ou relacionamento com a direção. É um trabalho lento, mas de resultados positivos na transformação de educadores sensíveis, conscientes e apaixonados pelo que fazem. Estou trabalhando nesta instituição há três anos. INTRODUÇÃO Recebi o convite pra orientar professores da Creche Cruz de Malta, em Brasília. A embaixada da Cruz de Malta mantem instituições beneficentes, como escolas, hospitais, orfanatos etc., no mundo inteiro. Em Brasília, a embaixada é responsável por duas creches localizadas na Asa Norte. Sondei as razões do convite, as dificuldades que as pessoas responsáveis pela orientação dos professores detectavam no dia-a-dia do trabalho pedagógico. Esta creche atendia crianças de dois meses a dois anos. A Psicóloga e a orientadora pedagógica relataram que as professoras concordavam com a orientação recebida, diziam não ter nenhuma dúvida. Mas quando iam realizar as atividades faziam de qualquer jeito ou não faziam nada do que foi planejado. As primeiras hipóteses eram de que tínhamos ali uma deficiência de transferência do conhecimento para a prática ou 1 Creche Cruz de Malta- W3 Norte Quadra 708 e Brasília DF

2 falta de confiança na atividade a ser realizada ou ainda falta de confiança nelas próprias em realizá-las. Portanto antes de tudo era necessário exercitar a sensibilidade destes professores para observar e sentir melhor seus alunos. A proposta que fiz para esta creche foi uma oficina de jogos dramáticos com as professoras. No ano seguinte fui transferida para a creche da mesma entidade onde eram atendidas as crianças de dois anos completos a seis. Nesta etapa iniciei com a oficina de teatro e depois de dois meses a passamos a discutir os objetivos e importância de cada atividade proposta e por em prática trabalhando com seus alunos OBJETIVO Na primeira o objetivo era a valorização de cada professora como profissional da educação e como ser sensível que depende do conhecimento pedagógico tanto quanto da perspicácia de perceber, na mudança de humor de cada aluno, seu crescimento ou seus problemas. Conscientização da responsabilidade de tornar felizes estas crianças. A tarefa de orientação professores e monitores de uma creche com crianças de dois a seis anos para atividades de ensino das artes foi um grande desafio: Com exceção do Infantil 3, onde iniciam a alfabetização, as demais crianças se expressam com gestos mímicos, desenhos, imitações e brincadeiras de faz-deconta. Como estas atividades fazem parte do desenvolvimento natural das crianças os monitores e professores das crianças muito pequenas descuidam da maneira de agir combinando o fazer artístico com a importância desta iniciação do desenvolvimento da percepção e imaginação artística criativa. Parecem tão comum ou natural, que se vai fazendo sem planejamento e avaliação. E mais ainda ter sempre em mente o que a criança é capaz de executar em cada etapa de seu desenvolvimento. METODOLOGIA

3 Na creche de crianças menores trabalhamos com a oficina de jogos dramáticos com as professores, uma vez por semana durante 1 hora. Que era o tempo que elas dispunham para isto. Enquanto as crianças estavam no parque com as ajudantes ela ficavam comigo para a oficina. A mesma estratégia era utilizada para as orientações com a psicóloga, nutricionista, médica ou direção da creche. Na creche das crianças maiores iniciamos com todo o grupo de professores participando da oficina de jogos dramáticos e depois de dois meses dividimos em dois grupos: o do maternal e o do Infantil para orientação de atividades que seriam feitas com as crianças. Assim ganhávamos tempo, pois agrupadas por serem professores de crianças de idades mais próximas tínhamos interesses e atividades comuns. No início de cada dia eu propunha um jogo sensorial ou dramático que era avaliado ao final em relação a cada um dos participantes, ao grupo e ao processo educacional. Discutíamos as formas de realizar com os alunos a mesma atividade, adaptando-a aos interesses e habilidades das crianças. Na semana seguinte era feita a avaliação da realização dessas atividades com os alunos. DESENVOLVIMENTO Trabalho desenvolvido na primeira creche, a de crianças de dois meses a dois anos. Durante um ano trabalhei com as professoras numa oficina de jogos teatrais com enfoque no tempo de criança de cada uma: lembranças de brincadeiras, medos, fantasias, imaginação e sonhos. Ao mesmo tempo provocava a relação de suas lembranças com a observação das reações de seus alunos em situações semelhantes e como agir nesses momentos. Tive como elemento facilitador o fato de ser uma voluntária. Como não havia o vínculo empregatício não havia receios de falar sobre deficiências na formação profissional ou relacionamento com a direção. Nesta creche não havia o objetivo de orientação das professoras em suas atividades de artes cênicas com as crianças. Nesta idade a criança brinca de faz-de-conta, ela não faz teatro. O objetivo era trabalhar a formação da professora, a acuidade em observar as crianças perceber suas emoções e sentimentos, procurando ser cada vez mais cuidadosas com a maneira de lidas com elas. Em vez de se irritar com uma

4 criança agressiva, ter imediatamente a lembrança e consciência de que ela está pedindo socorro, carinho ou atenção. Utilizando canções infantis, histórias, lendas e objetos comuns nas dependências da creche, eu propunha experiências sensoriais, relatos orais ou gestuais, dramatizações ou improvisações cênicas relacionadas com lembranças de seus tempos de infância. Para cada dia escolhia uma idéia, sensação ou sentimento: medo, prazer, alegria, fantasia, coragem, sonhos, imaginação etc. Na creche de crianças de dois a seis anos, comecei o trabalho da mesma forma até o segundo mês. Depois, dei continuidade acrescentando a orientação das atividades de jogos dramáticos que seriam realizadas com as crianças. Inclusive as atividades, nas datas comemorativas quando elas apresentavam performances para seus pais. A primeira data festiva que ajudei na organização foi no natal, no primeiro ano. Logo no início disseram-me que as turmas de dois anos estariam excluídas do evento. Quis saber a razão e disseram-me que os pais reclamavam que elas, as professoras, não ensinavam direito para as crianças e elas faziam feio na festa. Então o melhor era deixá-las de fora. Pedi voto de confiança para mim, para as professoras e para as crianças. Escolhemos uma canção conhecida que os pequenos das quatro turmas pudessem cantar juntas.pedi que a canção fosse cantada todos os dias dentro e fora da sala, escolhemos juntas os gestos que acompanhariam a canção, o figurino e a formação no espaço cênico. No dia da festa elas abriram o espetáculo e fizeram sucesso. Para as comemorações era montado um projeto que era trabalhado todos os dias para que houvesse compreensão do tema e sua abrangência. O produto das atividades com desenho, pintura e colagem feitas pelas crianças, ficavam expostas na sala de aula e a performance escolhida era repetida muitas vezes sob a responsabilidade do professor da turma e seus ajudantes. Eu discutia com elas o formato da comemoração sugeria as músicas, canções ou poemas ou opinava nas mesmas sugeridas por elas. Incentivava a pesquisa e utilização de canções folclóricas, gravações de boa qualidade, gestual simples, mas significativo e figurino confortável e de efeito de impacto no conjunto. Além do meu trabalho com Arte Cênicas, convidei Mari-léia Pompeu de Campos, professora de Educação Musical, também já aposentada, para dar aulas

5 durante um mês para este grupo de professoras e monitores. Isto foi de grande proveito para todos. CONCLUSÃO Estas professoras começaram a cantar mais para as crianças, contar mais histórias e mudar as brincadeiras realizadas na sala de aula e no pátio. As professoras passaram a serem mais cuidadosas com a maneira de tocar e falar com as crianças. A escolha das músicas para as crianças ouvirem ou cantarem mudou de critério. Antes só queriam o que era bem animado, agora prezavam o tema e a qualidade da melodia, letra e arranjo. Explorarem a sala e o pátio como um espaço cênico onde os corpos desenham cenas, expressão idéias, sentimentos e emoções. A introdução de cada objeto novo na sala passou a ser feito dentro de um jogo sensorial. O interesse em saber mais sobre ensino de arte e manejo de classe. Passaram a ter consciência do prazer que sentiam e realizar o trabalho e estarem ali naquela creche Ainda no início, havia feito um exercício de confiar no colega se entregando aos seus cuidados, para que fosse conduzido pela sala, de olhos fechados, sem falar uma só palavra, percebendo o comando pelo toque da mão. Na semana seguinte elas relataram que tinham feito o mesmo exercício com as crianças de dois e três anos e que elas tinham gostado muito. Além disto, no dia seguinte muitas destas crianças entraram na creche conduzindo seus acompanhantes adultos de olhos fechados. È um trabalho lento, mas de resultados positivos na transformação de educadores sensíveis, conscientes e apaixonados pelo que fazem. Estou nesta instituição, com este projeto, há três anos e pretendo ficar mais algum tempo pois teremos professoras e alunos novos e eu quero fazer novas experimentações e novas descobertas.

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