JOSANE BATALHA SOBREIRA DA SILVA APROXIMANDO CULTURAS POR MEIO DA TECNOLOGIA

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1 JOSANE BATALHA SOBREIRA DA SILVA APROXIMANDO CULTURAS POR MEIO DA TECNOLOGIA Valinhos, setembro de

2 JOSANE BATALHA SOBREIRA DA SILVA APROXIMANDO CULTURAS POR MEIO DA TECNOLOGIA Relato do Projeto realizado entre o Colégio Visconde de Porto Seguro e a Escola Indígena Antônio de Souza Pedroso para participação no Prêmio Vivaleitura 2014 Valinhos, novembro de

3 TÍTULO DO PROJETO: Aproximando Culturas por meio da tecnologia Justificativa (descrição breve do contexto em que a experiência foi ou é desenvolvida e as razões que explicam sua realização); Sempre acreditei na tecnologia como algo que oferece ao aluno um espaço de interação e conhecimento, que possibilita uma diversidade caminhos para a melhoria do ensinoaprendizagem. Desse modo, procuro conciliar experiências com uso de novas tecnologias na troca par a par. Acredito na aprendizagem com a noção de mediação, ou aprendizagem mediada nos moldes do pesquisador Lev Vygotsky ( ). Na perspectiva da teoria sociocultural desenvolvida por Vygotsky, a aprendizagem é uma atividade conjunta, em que relações colaborativas entre alunos podem e devem ter espaço, mediadas pelo professor. Nesse contexto entra a tecnologia. Que tal se pensasse em um projeto onde houvesse interação entre crianças da mesma série, porém de universos e culturas opostas? Onde pudessem por meio da interação, aprender mais sobre os conteúdos estudados em História e Geografia? No caso, como vivem as crianças indígenas atualmente? Essa aprendizagem seria possível se o diálogo fosse estabelecido com as crianças de uma escola indígena fazendo uso da tecnologia. Mas onde conseguir encontrar esse canal? Procurei por meses e meses, fiz contato com a FUNAI, com a Universidade do Amazonas, com escolas, com o MEC e nada de encontrar. Foi quando encontrei uma reportagem de uma escola indígena, no coração da Amazônia, havia recebido tablets e apostava no uso da tecnologia dentro da sala de aula. Os professores haviam passado por uma formação para mexer numa plataforma dentro de uma rede social educacional fechada chamada Faceduc, onde os alunos podem interagir com alunos de outras escola, compartilhando conhecimentos e aprendizagens. Essa ferramenta veio a somar e a ideia era melhorar o desempenho da Escola no Ideb. Os professores postam atividades e os alunos acessam através da rede social. Entrando em contato com o Coordenador do Projeto da Ong Ama Brasil, estabelecemos uma parceria. Iniciamos então, o Projeto Aproximando Culturas. O trabalho envolve duas escolas: Colégio Visconde de Porto Seguro - Unidade Valinhos e a Escola Indígena Professor Antônio de Souza Pedroso, em Alter do Chão - Santarém - Pará. Trata-se de um Projeto onde os alunos de uma mesma série de uma escola convencional e uma escola indígena, trocam informações sobre meios de transporte, escola, moradia, alimentação, brincadeiras e festas típicas, fazendo comparações, conhecendo e ampliando o universo onde cada um vive. 3

4 Objetivos (o que se pretendia atingir em termos dos resultados esperados); O objetivo do projeto foi comparar o modo de vida dos alunos do 4º ano do Colégio Visconde de Porto Seguro, unidade Valinhos, com o de crianças indígenas da mesma série da escola Professor Antônio de Sousa Pedroso (Escola Borari), a partir da exploração de temas como moradia, alimentação, transporte e brincadeiras. Queríamos promover uma leitura intercultural. A comunidade indígena está localizada na vila de Alter do Chão, distante cerca de 30 km de Santarém. Além disso, confrontar as semelhanças e diferenças entre a forma como os indígenas viviam antigamente e o modo como vivem hoje; analisar a situação dos alunos de uma comunidade indígena nos dias atuais; localizar no mapa a vila de Álter do Chão; conhecer o cotidiano de crianças dessa localidade; caracterizar a cultura dos alunos do 4º da Escola Borari. Pretendíamos aproximar culturas diferentes por meio da tecnologia, interagindo através de uma rede social educacional. A partir dessa interação, as crianças puderam refletir sobre diferentes modos de vida, comparando com os conhecimentos adquiridos através dos conteúdos trabalhados. Neste projeto procuramos promover a leitura do outro que é diferente, mas não é inferior, na tentativa de encontrar novos caminhos e visões que perspectivem uma maior abertura para o Outro, enquanto diálogo de enriquecimento e compreensão da multiplicidade humana: aquilo que pretendemos chamar de janelas abertas para o Outro. O projeto que se apresenta coloca em articulação três campos conceituais diferentes (Leitura, Educação Intercultural e troca de informações), articulados com o objetivo de promover nos pequenos estudantes, desde cedo, a compreensão e interiorização de valores humanos fundamentais para o desenvolvimento humano e que podem ser amplamente experimentados através da leitura da realidade do outro, que é diferente também proporcionar a aproximação de culturas. Leitura do mundo: o que as crianças de São Paulo podem ensinar às crianças da Amazônia? O que as crianças indígenas da Amazônia podem ensinar aos alunos de São Paulo em relação à preservação da natureza? 4

5 Metodologia (como o trabalho foi desenvolvido de forma sequencial o passo a passo) Orientados pelas professoras, seis turmas do 4º ano do Ensino Fundamental (séries iniciais), formularam perguntas dentro dos temas: meios de transporte/escola, moradia/alimentação. Brincadeiras/festas típicas para alunos da mesma série da Escola Indígena Antônio de Souza Pedroso. Ficamos três semanas trocando perguntas e respostas entre as duas escolas. Além disso, os professores postavam vídeos e fotos apresentado lugares da cidade, comparando rios, modos de vida e culturas. Com isso, foi possível analisar a situação dos alunos de uma comunidade indígena nos dias atuais e perceber a comunidade indígena como "um outro" diferente, mas não inferior. As crianças pesquisaram sobre a Alter do Chão para conhecer um pouco mais sobre o lugar e responderam desafios matemáticos postados dentro da plataforma. Ao final, registraram suas reflexões dentro de um Portal Educacional criando um livrinho. Observamos também que a plataforma permite a inclusão digital, novos métodos de trabalho, o intercâmbio de conhecimento entre os alunos do interior da Amazônia com alunos de Valinhos/SP. Esse trabalho abre um novo espaço para a educação das crianças indígenas do Pará. No Faceduc não há perfil falso, só entra quem é cadastrado. Alunos vivem uma verdadeira revolução, uma revolução tecnológica. É o que acontece quando a Escola vai além da sala de aula. Ao ler os relatos sobre o que aprenderam com essa experiência, percebemos que essa troca pôde estabelecer correlações entre o conteúdo estudado em História e Geografia e a realidade. O trabalho foi finalizado com uma videoconferência onde, por meio do Skype, os alunos puderam se conhecer em tempo real, conversar e finalizar esse trabalho de forma emocionante. Observamos que no Brasil, poucas escolas indígenas trabalham com tecnologia. Houve algumas tentativas de contatos sem êxito, até descobrirmos, através de uma reportagem, o projeto promovido e coordenado pela Ong AMA BRASIL e implantado na Escola Borari. Por meio de parceria da Organização de Desenvolvimento Cultural e Preservação Ambiental - AMA BRASIL com o governo do Pará, as crianças indígenas receberam tablets, o que possibilitou a comunicação entre os nossos alunos e os de Álter do Chão, via plataforma denominada Faceduc. Essa plataforma, semelhante ao Facebook, permite a criação de uma rede social educacional virtual. Seu grande diferencial é que trata-se de uma rede social fechada, onde somente os alunos, escolas e professores cadastrados têm acesso ao ambiente. Apresentamos o projeto aos alunos, por meio de PowerPoint. Utilizamos vídeos disparadores (Guardiões da Biosfera) e a ferramenta Google Earth para situar a comunidade indígena do Pará. Em seguida, houve uma discussão sobre as peculiaridades culturais dessa comunidade. 5

6 Foi solicitada aos alunos a coleta de dados sobre Alter do Chão, no que diz respeito à localização, pontos turísticos, festas típicas, o aquífero e sobre a Escola Indígena Professor Antônio de Sousa Pedroso, para montar o mural da classe. Nossas crianças foram divididas em trios para pensar nas perguntas que fariam aos alunos de lá. Na 1ª semana, os alunos teriam que se apresentar e elaborar perguntas sobre os temas Escola e Meio de transporte; na 2ª semana Moradia e Alimentação; e na 3ª semana, Diversão, Brincadeiras e festas típicas, com foco particular na festa do "Çairé", muito tradicional em Alter do Chão. Cada trio teria que elaborar 2(duas) perguntas por tema a cada semana. No laboratório de informática, os alunos foram orientados a postar no Faceduc as perguntas elaboradas em sala de aula. Além de postar e responder as perguntas enviadas pelos alunos da comunidade indígena, tiveram que refletir e escrever o que acharam de mais interessante nos comentários postados na semana. No Faceduc não há perfil falso, só entra quem é cadastrado. Por último, foi realizada uma videoconferência para que os alunos pudessem se conhecer e solucionar possíveis dúvidas, e um trabalho de reflexão para integrar dois mundos desconhecidos e discutir qual o mundo / sociedade ideal para ambos, suas semelhanças e diferenças. Avaliação (os resultados alcançados do ponto de vista do que se pretendia e da participação dos envolvidos. Não serão consideradas avaliações subjetivas). O resultado final foram as reflexões registradas em um livrinho sobre o que cada um tinha aprendido sobre os temas trabalhados. Em cada relato, observamos como as crianças gostaram e tudo que aprenderam com essa interação. O ponto culminante foi a realização de uma vídeoconferência onde os alunos puderam conhecer através do Skype, em tempo real, seus pares da Escola Borari. Foi um momento mais que especial. Temos a intenção de continuar esse projeto, sempre procurando aperfeiçoá-lo para os próximos anos. Esse trabalho abre um novo espaço para a Educação das crianças indígenas do Pará. Alunos vivem uma verdadeira revolução, uma revolução tecnológica. É o que acontece quando a Escola vai além da sala de aula. Ao ler os relatos sobre o que aprenderam com essa experiência, percebemos que essa troca pôde estabelecer correlações entre o conteúdo estudado em História e Geografia e a realidade. Uma nova leitura do Outro e educação intercultural. 6

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