Resumo Aula-tema 05: Gestão Contábil

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1 Resumo Aula-tema 05: Gestão Contábil Um dos grandes fatores limitantes ao crescimento e desenvolvimento das micro e pequenas empresas é a falta de conhecimento e do uso de informações gerenciais no negócio. Os pequenos empreendedores geralmente delegam a contabilidade da empresa aos escritórios de contabilidade que, comumente, fazem uso das informações contábeis apenas para atender às exigências fiscais. Não podemos mais ignorar que a contabilidade tem como finalidade orientar a tomada de decisões, e que os dados obtidos através da apuração do Balanço Patrimonial e das Demonstrações de Resultado do Exercício são fontes riquíssimas de informações importantes ao sucesso empresarial. Não basta apenas apurar os resultados contábeis, é preciso compreendê-los e analisá-los, transformando-os em informações úteis ao planejamento financeiro e preciosas para a tomada de decisões assertivas. Para nosso estudo, o Balanço Patrimonial a seguir servirá de base para apuração dos índices que serão apresentados: BALANÇO PATRIMONIAL Ativo Passivo Circulante Circulante Conta Corrente Fornecedores Aplicações Financeiras Impostos a Pagar Duplicatas a Receber Financiamentos Estoques Contas a Pagar Realizável a Longo Prazo Exigível a Longo Prazo Ativo Permanente Patrimônio Líquido Capital Social Totais Totais Dentre os diversos índices disponíveis para auxiliar o gestor, focamos na análise da situação financeira, econômica e na estrutura de capital que a empresa possui, pois este é o tripé das decisões a serem tomadas. A figura abaixo apresenta a relação desses indicadores nas análises das demonstrações contábeis:

2 Adaptado de: MARION, J. C. Análise das Demonstrações Contábeis. São Paulo: Atlas, Na análise financeira os índices de Liquidez e Solvência mostram se a empresa consegue pagar suas obrigações em dia (liquidez), e se consegue quitar todas essas obrigações (solvência). Sendo assim, uma empresa solvente é aquela que apresenta boa saúde financeira e consegue liquidar suas dívidas a longo prazo. Em contrapartida, uma empresa insolvente remete a uma organização sem crédito e incapaz de liquidar seus compromissos financeiros (FERRONATO, 2011). Nesse sentido, o índice de solvência calcula a capacidade da empresa de liquidar seus compromissos financeiros através da relação entre o Total do Ativo da empresa e o Total do Passivo. Assim, temos a seguinte fórmula: Solvência (S) = Ativo Total Passivo Total Remetendo aos dados do BP apresentado anteriormente, temos o seguinte resultado: S = ( ) = 2,61. Para esse exemplo, temos que o grau de solvência é de 2,61. A análise a ser feita para este indicador é que, se a empresa apresentar um grau de solvência menor que 1 (um), significa que está com sua saúde financeira comprometida, pois seu Ativo (bens e direitos) está menor que seu Passivo (obrigações). Em outras palavras, significa que as dívidas da empresa são maiores que seus bens e direitos sendo, portanto, uma empresa insolvente.

3 Outro indicador bastante útil às análises financeiras é o índice de liquidez corrente. Enquanto o índice de solvência é a capacidade da empresa de liquidar todos os compromissos assumidos de curto e longo prazo, o índice de liquidez corrente expressa a capacidade da empresa de liquidar suas dívidas de curto prazo pontualmente. Para isso, considera-se somente as contas do BP com vencimentos de curto prazo, ou seja, o Ativo Circulante e o Passivo Circulante. Temos então que o índice de liquidez corrente é a relação entre o Ativo Circulante e o Passivo Circulante: Liquidez Corrente (LC) = Ativo Circulante Passivo Circulante Novamente remetendo aos dados apresentados no BP do exemplo, temos o seguinte resultado: LC = = 1,14. Esse resultado demonstra que a empresa tem capacidade de liquidar suas dívidas de curto prazo, pois seu ativo circulante é maior que seu passivo circulante. Tanto para solvência, quanto para liquidez, quanto maior for o índice, ou seja, quanto maior a solvência e liquidez da empresa, melhor. É preciso que o gestor saiba negociar seus prazos de pagamento junto aos fornecedores, assim como seus prazos de recebimento junto a seus clientes para preservar estes indicadores. Observando a estrutura de capital, temos as decisões de onde serão obtidos e aplicados os recursos. Neste ponto, o índice de Endividamento mostra a proporção do ativo da empresa que está sendo financiado por capital de terceiros (passivo), e o Grau de imobilizações revela o percentual dos recursos financeiros próprios (patrimônio líquido) que estão aplicados em ativo permanente. Sabe-se que no Ativo Permanente estão os bens e direitos de que a empresa utiliza (ou que são considerados como investimentos) em suas operações; portanto, como não há interesse de converter tais bens em moeda, pois a empresa depende desses bens para iniciar e girar suas operações, geralmente eles são financiados com recursos próprios da empresa (Patrimônio Líquido) ou por financiamentos de longo prazo (Exigível a Longo Prazo). Sendo assim, o grau de imobilizações é obtido através da seguinte equação:

4 Grau de imobilizações (GI) = (Ativo Permanente Passivo exigível a Longo Prazo) Patrimônio Líquido Utilizando os dados do BP apresentado, temos o seguinte resultado: GI = ( ) = 0,26. Analisando esse resultado, temos que o Ativo Permanente da empresa representa 26% do Patrimônio Líquido investido. Remetendo à ideia de que uma estrutura mais enxuta é a melhor opção para iniciar o negócio sem comprometer demasiadamente a saúde financeira da empresa, observa-se que, quanto maior for o resultado desse indicador, mais comprometida financeiramente a empresa estará. Observa-se ainda que investir grande parte do Patrimônio Líquido em Ativo Permanente significa que a empresa apresenta menor liquidez para converter seus ativos em moeda e assim saldar suas dívidas de curto prazo. Já para obter o Endividamento, basta relacionar o total de obrigações (passivo) com o total de bens e direitos (ativo), objetivando sempre que o ativo seja maior para cobrir/pagar o passivo. O Endividamento é calculado da seguinte da seguinte forma: Endividamento (E) = Passivo total Ativo total Tanto para o Grau de imobilizações quanto para o Endividamento, quanto menor o índice, melhor. Existem ainda os indicadores que mostram a situação econômica da empresa, que são Lucratividade, Rentabilidade e Retorno do Investimento. A Lucratividade é extraída da demonstração do resultado do exercício, e revela o percentual da receita que sobra quando extraídos os custos e despesas, ou seja, o percentual do lucro em relação à receita. Os tipos mais utilizados de indicadores de lucratividade são: lucratividade bruta, lucratividade operacional e lucratividade líquida. A DRE a seguir servirá de base para apuração dos índices de lucratividade que serão apresentados:

5 Receita Bruta (-) Deduções de Venda Receita Líquida (-) Custos dos produtos vendidos Lucro Operacional Bruto (-) Despesas Comerciais (-) Despesas Administrativas (-) Despesas Financeiras 500 Lucro Operacional Líquido Receitas / Despesas não operacionais -200 Lucro antes do Imposto de Renda Provisão para Imposto de Renda Lucro Líquido do Exercício A lucratividade bruta tem como objetivo mensurar o lucro apurado após as deduções dos custos dos produtos vendidos, sendo representada pela seguinte fórmula: Lucratividade bruta (LB) = (lucro operacional bruto x 100) Receita líquida Utilizando os dados apresentados na DRE, temos o seguinte resultado apurado: LB = ( x 100) = 40,3%. Nesse caso, temos que a empresa obtém uma margem de lucratividade bruta de 40,3%. A lucratividade operacional tem como objetivo medir o lucro obtido após a dedução de todas as despesas de vendas, sendo obtida pela seguinte equação: Lucro Operacional (LO) = (Lucro Operacional Líquido x 100) Receita Líquida Utilizando os dados apresentados na DRE, temos o seguinte resultado apurado: LO = (6.000 x 100) = 17,91%. Assim, temos que a empresa obtém uma margem de lucratividade operacional de 17,91%. Já a lucratividade líquida mede o lucro final obtido depois de realizadas todas as deduções de vendas a que a receita da empresa está submetida, como custos, despesas e impostos. A lucratividade líquida é obtida através da seguinte equação: Lucratividade líquida (LL) = (Lucro líquido do Exercício x 100) Receita líquida

6 Utilizando os dados apresentados na DRE, temos o seguinte resultado apurado: LL = (4.500 x 100) = 13,43%. Assim, temos que a empresa obtém uma lucratividade final de 13,43%. Na análise econômica, a Rentabilidade ou Retorno sobre o Patrimônio Líquido mostra o retorno para o capital próprio investido, dando base para avaliar em quanto tempo o pequeno negócio retornará o capital próprio investido, sendo calculada da seguinte forma: Rentabilidade do Patrimônio Líquido (RPL) = (Lucro Líquido x 100) Patrimônio Líquido Já o Retorno do Investimento, avaliado pelo Retorno do Ativo Total (RAT) mede a taxa que a empresa remunera todos os investimentos nela aplicados. É calculado pela equação abaixo: Retorno do Investimento / Ativo Total (RAT) = (Lucro final x 100) Ativo Total Em síntese, a análise do Balanço Patrimonial e da Demonstração de Resultado do Exercício, através do cálculo de diversos indicadores, oferecem informações norteadoras ao empreendedor quanto ao rumo que a empresa está tomando, possibilitando ao gestor corrigir os erros cometidos ou dar continuidade às ações assertivas, direcionando a empresa ao caminho do sucesso! Conceitos Fundamentais Endividamento (E) proporção em que os ativos da empresa (bens e direitos) estão sendo financiados pelo passivo (capital de terceiros). Mostra o quanto a empresa está comprometida com os credores, e quanto menor o índice, melhor. Grau de imobilizações (GI) Percentual de recursos próprios que estão aplicados em ativo permanente, ou seja, recursos monetários que estão imobilizados e dificilmente serão convertidos em moeda.

7 Liquidez capacidade de uma empresa de saldar suas obrigações com terceiros através da conversão de seus ativos em moeda corrente. Lucratividade ou margem de lucro - é a comparação entre o lucro final obtido e a receita total (vendas líquidas). Mostra o retorno positivo dos investimentos realizados por uma empresa. Rentabilidade sobre o patrimônio líquido (RPL) Retorno para o capital próprio investido. É a remuneração pelo investimento próprio realizado. Retorno do investimento (RAT) Taxa que a empresa remunera todos os investimentos nela aplicados Solvência o conceito de solvência está relacionado à capacidade que uma empresa tem de satisfazer com êxito as obrigações assumidas com terceiros. Referências FERRONATO, Airto João. Gestão Contábil-financeira de micro e pequenas empresas: sobrevivência e sustentabilidade. São Paulo: Atlas, LACERDA, Joabe Barbosa. A Contabilidade como Ferramenta Gerencial na Gestão Financeira das Micro, Pequenas e Médias Empresas: Necessidade e Aplicabilidade. Disponível em: <http://pt.scribd.com/doc/ /contabilidade-como- Ferramenta-Gerencial>. Acesso: 14 set MARION, José Carlos. Análise das Demonstrações Contábeis. São Paulo: Atlas, 2002.

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