TEA Módulo 2 Aula 5. Transtornos alimentares e de sono

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2 TEA Módulo 2 Aula 5 Transtornos alimentares e de sono Transtornos alimentares Os transtornos alimentares são problemas cronicamente existentes que levam o indivíduo a ter manias, recusas ou excessos, ou uma relação patológica com a rotina alimentar e com os alimentos em si. Dentro do TEA, esses problemas são muito frequentes e aparecem em idade precoce. Estes transtornos têm relação com o desenvolvimento da linguagem oral e das funções simbólicas e senso-perceptivas da oralização da criança, sendo muito comum crianças com transtornos alimentares apresentarem problemas na comunicação oral e na estruturação da linguagem. Além disso, transtornos alimentares levam a grandes problemas de interação social, comportamento fóbico com alimentos, devendo ser considerados na anamnese com os pais além dos sintomas-alvo do TEA. Comparação: Neurotípicos x TEA A imagem a seguir é uma ilustração feita com base no estudo realizado por Martins, Young & Robson, em 2008, e publicado no artigo Feeding and eating behaviors in children with autism and typically developing children, que mostra um comparativo dos hábitos e transtornos alimentares de crianças com autismo e crianças neurotípicas.

3 O estudo foi realizado com a participação de 82 mulheres com idade acima de 18 anos que tinham filhos com idade entre 2 e 18 anos e separados em três grupos de estudo: hábitos alimentares dos TEA com neurotípicos, hábitos alimentares dos filhos com TEA e seus irmãos, e hábitos alimentares das mães e suas reações aos dos TEA. Com base nas observações, concluiu-se que as crianças com TEA tem duas vezes mais chances de apresentar problemas alimentares. Enquanto o grupo das crianças com TEA tinham 67% de evidências de transtornos alimentares, o grupo das crianças neurotípicas possuíam 33% destes transtornos. Sabemos que várias crianças apresentam recusa ou preferência a determinados alimentos, porém esse aspecto, dentro de um limite, pode ser facilmente superado com mudanças de rotina ou intervenção profissional. No entanto, quando este quadro é persistente, com base nestes estudos, há boas chances de que esta criança tenha TEA. Classificação dos Transtornos Alimentares no TEA Entre os tipos de alterações frequentes em crianças com TEA, podemos dividir os transtornos em dois grupos: -Preferências alimentares a) Dificuldade para modificar hábitos alimentares b) Preferências excessivas A criança prefere demais somente um tipo de alimento e tem muita dificuldade de modificar suas preferências de acordo com o contexto, com a idade.

4 -Condutas alimentares não-usuais a) Dependência alimentar: quando a criança não se alimenta sozinha. b) Excesso de recusas c) Fobia alimentar É essencial que essas alterações sejam identificadas, pois resultam em efeitos secundários significativos. Existe uma preocupação primária, que é o estado nutricional destas crianças e, por isso, é muito importante que sejam feitas avaliações sistemáticas. Há ainda o risco da criança desenvolver hipovitaminose, hipercolesterolemia, apresentar ganho ou perda significativa de peso, sendo que a obesidade é três vezes mais comum em crianças com TEA. É muito importante que seja feito um acompanhamento da evolução destes quadros, visto que ainda pode ocorrer o desenvolvimento de doenças nutricionais ou metabólicas, devido à particularidades patológicas dentro dos transtornos alimentares. É preciso saber que nenhuma mudança brusca vai surtir efeito, pois é necessário avaliar o motivo da repulsa ou preferência por certos alimentos ou se existem outros alimentos que podem substitui-los. Determinadas medicações também podem ajudar neste processo, dependendo do tipo de comportamento que a criança apresente. Distúrbios do Sono É muito comum crianças com TEA apresentarem problemas de irregularidade no sono. Devido a isso, há um impacto significativo na qualidade de vida da criança e da família. Estes distúrbios tem relação direta com a intensidade dos sintomas do TEA porém o tratamento costuma melhorar o quadro comportamental. Existem hoje escalas específicas de avaliação junto aos pais destas crianças para que sejam verificados de forma objetiva os problemas de sono de cada indivíduo pois a arquitetura de sono de crianças com TEA é significativamente diferente da de crianças neurotípicas. Esses distúrbios de sono se dão devido ao fato de que a fisiologia do sono tem muita relação com a fisiologia do funcionamento cerebral do TEA. O sono depende de muitos neurotransmissores que são, coincidentemente, os mais alterados em crianças

5 com TEA, como a serotonina, a melotonina e o GABA. O hipotálamo é o centro do funcionamento do sono, especialmente na área do VPLO que, no autismo, também costuma estar alterada funcionalmente. Além destas alterações, outros aspectos também podem afetar o sono de crianças com TEA: - Dificuldade com rotinas e regras sociais; - Uso de psicoestimulantes; - Obstipação; - Refluxo esofágico; -Distúrbios senso-perceptivos; - Febre; - Dor; - Ansiedade e depressão. Conceitos na ciência do sono Para estudarmos o sono dentro das evidências científicas, fazemos a comparação entre os parâmetros de sono e mecanismos de avaliação. Os parâmetros de sono são conceitos intrínsecos ao ciclo do sono objetos de estudo e de avaliação. São eles: Iniciação do sono; Tempo acordado no sono; Tempo encurtado do sono; Tempo total de sono; Latência do sono: o espaço de tempo entre ir para a cama e começar a dormir; Eficiência do sono: o quanto esse sono entra em momentos profundos e momentos superficiais. Para estudá-los, existem, na ciência do sono, alguns mecanismos de avaliação: Escalas de avaliação (entrevista com os pais); Actigrafia: método de medição objetiva; Polissonografia: método objetivo para avaliar a arquitetura do sono da criança

6 enquanto ela dorme, observando períodos de aprofundamento e períodos de superficialização do sono. A polissonografia é considerada o melhor método objetivo de avaliação da arquitetura do sono. Transtornos de sono no TEA Analisando crianças com TEA e comparando-as com crianças neurotípicas dentro dos distúrbios de sono, foi realizado um estudo com 210 crianças em que se pôde avaliar os parâmetros do sono, por meio de entrevistas com os pais, bem como os métodos de avaliação objetiva. O estudo revelou que 83% das crianças com TEA tinham problemas no sono. Segundo relatos dos pais, foram destacados alguns aspectos com relação aos transtornos do sono. São eles: - Resistência a ir e permanecer em sua cama; - Maior tempo de iniciação; - Maior tempo acordado à noite; - Tempo total de sono mais curto; - Acorda bem mais cedo. Segundo a actigrafia e polissonografia realizadas, notou-se também que crianças com TEA possuem hipersensibilidade para desestabilizar o sono, ou seja, muita movimentação e sono muito irregular. Todos estes distúrbios, além de causar danos à qualidade de vida da criança, também tem consequências nos seus cuidadores, como maior nível de estresse e ansiedade, sono fragmentado, perda de produtividade, além de prejudicar a vida conjugal. Os distúrbios do sono podem ainda intensificar os sintomas-alvo do TEA, reduzir a capacidade cognitiva e a adaptabilidade funcional, aumenta a irritabilidade e pode piorar nos casos em que se associam à deficiência intelectual. Tratamento dos transtornos do sono Suporte de comunicação visual e comportamental: crianças com autismo têm maior

7 capacidade de compreensão visual do que auditiva. Sendo assim, podem ser utilizadas imagens com ilustrações associadas ao ato de dormir; Uso de cobertores pesados; Melatonina; Antipsicóticos atípicos (risperidona/aripiprazol); TEA com epilepsia: uso de anti-epiléticos; TEA com ansiedade: uso de ansiolíticos; TEA com irritabilidade: neurolépticos ou risperidona; Orientação alimentar (evitar obstipação e refluxo); Terapia comportamental (NIHM, 2015): Ir para a cama progressivamente mais cedo do que de costume; Levantar trinta minutos mais cedo do que o habitual; Direcionar o tempo de permanência na cama para dormir e não brincar; Reduzir o tempo de permanência dos pais na cama com a criança nos momentos de despertares (definir momentos pontuais e evitar levar a criança para a cama dos pais); Programa de treinamento para os pais.

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