UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAIBA CENTRO DE TECNOLOGIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA DE PRODUÇÃO CHRISTIANE SOUSA RAMOS

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1 UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAIBA CENTRO DE TECNOLOGIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA DE PRODUÇÃO CHRISTIANE SOUSA RAMOS REESTRUTURAÇÃO ORGANIZACIONAL EM COOPERATIVAS DE SERVIÇOS: ESTUDO DE CASO NA CONTROLADORIA DA UNIMED FORTALEZA JOÃO PESSOA 2011

2 CHRISTIANE SOUSA RAMOS REESTRUTURAÇÃO ORGANIZACIONAL EM COOPERATIVAS DE SERVIÇOS: ESTUDO DE CASO NA CONTROLADORIA DA UNIMED FORTALEZA Dissertação apresentada ao Programa de Pós- Graduação em Engenharia de Produção, da Universidade Federal da Paraíba, como requisito para obtenção do título de Mestre em Engenharia de Produção. Orientador: Prof. Dr. Ricardo Moreira da Silva Área de Concentração: Gestão da Produção Sub-área : Tecnologia, Trabalho e Organizações JOÃO PESSOA 2011

3 R175r Ramos, Christiane Sousa Reestruturação organizacional em cooperativas de serviços: estudo de caso na controladoria da UNIMED Fortaleza / Christiane Sousa Ramos João Pessoa: UFPB, p. il.: Orientador: Prof. Dr. Ricardo Moreira da Silva Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção) Universidade Federal da Paraíba. Centro de Tecnologia. Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção. 1. Reestruturação Organizacional 2. Controladoria 3. Cooperativismo I. Título UFPB/BC CDU: (043)

4 CHRISTIANE SOUSA RAMOS REESTRUTURAÇÃO ORGANIZACIONAL EM COOPERATIVAS DE SERVIÇOS: ESTUDO DE CASO NA CONTROLADORIA DA UNIMED FORTALEZA Dissertação apresentada em 17 de agosto de 2011 ao Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção, da Universidade Federal da Paraíba, como requisito para obtenção do título de Mestre em Engenharia de Produção. BANCA EXAMINADORA Prof. Ricardo Moreira da Silva (Dr.) Orientador Prof. Maria de Lourdes Gomes Barreto (Dra.) Examinador interno Prof. Cosmo Severiano Filho (Dr.) Examinador externo Prof. Cesar Emanoel Barbosa de Lima (Dr.) Examinador externo e Co-orientador

5 Em plenitude à minha mãe, Regina Stela, e ao meu pai, Rubens Ramos, pelo apoio ilimitado de sempre. Dedico!

6 AGRADECIMENTOS - A Deus pelo dom da vida. Em poder gozar de uma vida cheia de atribuições e com saldo positivo; - Aos meus pais pelos ensinamentos que me fizeram chegar até aqui; - Ao meu amigo Rogério Masih, pelo incentivo de buscar a educação continuada e a vida acadêmica, num momento que isso ainda nem me atraía como hoje; - Ao Professor Dr. Ricardo Moreira da Silva, por ter aceitado o desafio da orientação e por suas interlocuções tão bem vindas, incentivando e fazendo ressurgir um novo tema e uma nova fase desse mestrado; - Ao Professor Dr. Cesar Emanoel Barbosa de Lima, por ter aceitado o convite da banca e contribuído com orientações valiosas e, um especial agradecimento, pela sua dedicação; - E a todos os colegas do mestrado, os de Fortaleza e de João Pessoa, que dividindo momentos de alegria e apreensão, nos fortalecemos na chegada de objetivos próprios, mas com propósito comum, ressaltando, em especial: Rejane Saraiva e Daíse Lopes Porto. Muito Obrigada!

7 [...] é o que há de mais bonito, nascer sem asas e fazê-las crescer Jose Saramago.

8 RAMOS, Christiane Sousa. Reestruturação Organizacional em Cooperativas de Serviços: Estudo de Caso na Controladoria da UNIMED Fortaleza. João Pessoa, Dissertação (Programa de Pós- Graduação em Engenharia de Produção) Departamento de Engenharia de Produção. UFPB, RESUMO Nas últimas décadas, os modelos de gerenciamento passaram por transformações para responder novas demandas, e nesse sentido as cooperativas podem ser uma alternativa a forma convencional de gerenciar, pois são organizadas com peculiaridades econômicas e sociais diferentes das organizações mercantis. Sendo alternativa econômica e social, o cooperativismo tem se adaptado bem na área da saúde, aglutinando profissionais médicos de diversas especialidades, sendo autogeridos em ambiente propício para o desenvolvimento dos processos de gestão. Entretanto, por não terem em suas competências práticas de gestão, abrangendo planejamento e execução passam por problemas de controles, necessitando assim de constantes adaptações. Esta dissertação analisa a reestruturação organizacional em uma cooperativa dessa área e, por isso, levanta dados da situação anterior e atual da controladoria e sua estrutura de processos de gestão, sendo este um estudo de caso em uma Cooperativa Médica de Fortaleza, no Ceará. O estudo apresenta uma visão geral do cooperativismo, sobretudo no setor das cooperativas de saúde, apresentando os fundamentos da controladoria e usa como percurso metodológico de análise das mudanças, o modelo de componentes de gestão de cooperativas proposto por Oliveira (2006). Verificou-se que as mudanças na controladoria foram ajudaram na reestruturação organizacional no processo de gestão, em toda UNIMED Fortaleza. Os resultados foram visualizados através dos componentes estruturais subdivididos em estrutura organizacional, em informações gerenciais e em componentes estratégicos, planejamento estratégico, nos componentes comportamentais de avaliação e diretivos. O maior ganho percebido por causa das mudanças foi evolução de gestão, tanto quando da implantação da nova metodologia, interno na controladoria, como pode ser visualizado em toda organização. Palavras-chave: Reestruturação Organizacional. Controladoria. Cooperativismo.

9 RAMOS, Christiane Sousa. Organizational Restructuring of Service Cooperatives: A Case Study in Controlling the UNIMED Fortaleza. João Pessoa 2011 na Controladoria da UNIMED Fortaleza. João Pessoa, Dissertation (Graduate Program in Production Engineering) Departament of Production Engineering. UFPB, ABSTRACT In recent decades, models of management have undergone changes to meet new demand, and in that sense cooperatives can be an alternative to the conventional way to manage, because they are organized with different social and economic peculiarities of commercial organizations. As an alternative econoic and social cooperatives have adapted well in health, bringing together professionals from various medical specialties, and in self- managed environment for the development of management processes. However, because they have practical skills in their management, including planning and execution experience problems of controls, thus requiring frequentadjustments. This dissertation examines the organizational restructuring in a cooperative and, therefore, raises the data of the previous and current controlling their structure and management processes. This is a case study in a Cooperative Medical Fortaleza, Ceará. The study presents an overview of the cooperative, especially inthe sector of health cooperatives, stating the reasons for the controller and use as methodological approach for analyzing the changes, the component modelo f cooperative management proposed by Oliveira (2006). It was found that the changes have helped in controlling the organizational restructuring inthe management process, throughout UNIMED Fortaleza. The results were visualized by structural componentes subdivided into organizacional structure, information management and strategic components, strategic planning, in the behavioral assessment and diretors. The most important gain realized because of the changes was the evolution of management, both when implementing the new methodology and the infernal controller, as can be seen thorught the organization. Keywords: Organizational Restructuring. Comptroller. Cooperatives.

10 LISTA DE SIGLAS ANS ANVISA ASDEN BI BSC CAPES CF CNPQ CSLL DAF DIOPS DIREX EGP ERP GESPLAN HRU IBGE ICMS INCRA IRPJ ISS ISSQN OCB OPME PL PMO RDC SIP TI UFSC UNIMED UNISOL UR USP Agência Nacional de Saúde Suplementar Agência Nacional de Vigilância Sanitária Assessoria de Desenvolvimento Organizacional e de Processos Business Inteligence Balanced Score Card Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior Constituição Federal Conselho Nacional de desenvolvimento Científico e Tecnológico Contribuição Social do Lucro Líquido Diretoria Administrativa Financeira Documentos de Informações Periódicas Diretoria Executiva Escritório Geral de Projetos Enterprise Resource Planning - Planejamento de Recursos Empresariais Gestão de Planejamento Hospital Regional da Unimed Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços Instituto Nacional de colonização e reforma agrária Imposto de Renda da Pessoa Jurídica Imposto Sobre Serviços Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza Organização das Cooperativas Brasileira Órtese, Prótese e Materiais Especiais Patrimônio Líquido Project Management Office-Gestão de Projetos Resolução de Diretoria Colegiada Sistema de Informação de Produtos Tecnologia da Informação Universidade Federal de Santa Catarina União dos Médicos-Cooperativa médica Central de Cooperativas e Empreendimentos Solidários Unidade Regional Universidade de São Paulo

11 LISTA DE FIGURAS Figura 1 Extensão da Função Produção Figura 2 Tipos de Sistema de Informação Figura 3 Origens de mudanças Figura 4 Modelo de Gestão simplificado das Cooperativas Figura 5 Modelo de gestão das cooperativas e seus componentes Figura 6 A participação da controladoria no processo de gestão Figura 7 Sistemas de Informações com ênfase em controladoria e contabilidade Figura 8 Fases da Pesquisa Figura 9 Organograma Anterior da Controladoria da UNIMED Fortaleza... 66

12 LISTAS DE QUADROS Quadro 1 Cursos stricto sensu recomendados pela CAPES no Brasil Quadro 2 Pesquisas abordando o tema Controladoria, registrado nos programas de pós-graduação da área Quadro 3 Definição dos componentes do Modelo de Gestão das Cooperativas Quadro 4 Fases do Processo de Gestão Quadro 5 Organizações Empresariais x Organizações Cooperativas Quadro 6 Variáveis x Coletas de Dados Quadro 7 Antes e Depois dos Componentes Estruturais da gestão de Cooperativas Quadro 8 Antes e Depois dos Componentes Estratégicos da gestão de Cooperativas Quadro 9 Antes e Depois dos Componentes Diretivos da gestão de Cooperativas Quadro 10 Antes e Depois dos Componentes Comportamentais da gestão de Cooperativas Quadro 11 Antes e Depois dos Componentes de Avaliação da gestão de Cooperativas Quadro 12 Antes e Depois dos Componentes de Mudança da gestão de Cooperativas Quadro 13 Antes e Depois dos Componentes Tecnológicos da gestão de Cooperativas Quadro 14 Vantagens e desvantagens da Controladoria na UNIMED-Fortaleza/CE... 81

13 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 Participação da UNIMED entre as operadoras de saúde do Ceará Gráfico 2 Percentual da Produção Médica por especialidade Gráfico 3 Lentidão nas decisões por envolver cooperados Gráfico 4 Competência administrativa dos dirigentes Gráfico 5 Centralização de poder... 79

14 SUMÁRIO CAPÍTULO 1 - INSERÇÃO À TEMÁTICA DA DISSERTAÇÃO Definição do Tema e do Problema de Pesquisa Justificativa Objetivos Objetivo Geral Objetivos Específicos Estrutura da Dissertação CAPÍTULO 2 - REFERENCIAL TEÓRICO Mudança e Reestruturação Organizacional Mudança de Perspectiva Estratégica Mudança de Perspectiva Tecnológica Mudança de Perspectiva Estrutural Mudança de Perspectiva Comportamental Cooperativismo - Legalidade e Desafios Cooperativismo Brasileiro Legislação do cooperativismo brasileiro Cooperativismo de Saúde Legislações Específicas das cooperativas de saúde Quanto à tributação das sociedades cooperativas (Lei 5.764/71) Estrutura Organizacional das Sociedades Cooperativas Dificuldades em Cooperativas Comparação entre Sociedades Cooperativas e Sociedades Anônimas Controladoria Evolução conceitual e visão atual da Controladoria Organizações Empresariais e Visão sistêmica Controladoria Aplicada nas Organizações Empresariais Planejamento Execução Controle A Controladoria Aplicada às Organizações Cooperativas Diferença da Controladoria Empresarial e das Cooperativas Considerações finais sobre o Capítulo CAPÍTULO 3 - METODOLOGIA DA PESQUISA Caracterização e classificação da pesquisa Ambiente da Pesquisa Sujeitos da Pesquisa Instrumentos de Coleta... 58

15 3.3.1 Uso de múltiplas fontes de evidência Indicação das variáveis da pesquisa Coleta de Dados Tratamento e Análise dos Dados Limitações da Pesquisa CAPÍTULO 4 - CONTROLADORIA NA UNIMED FORTALEZA-CE Características da UNIMED Fortaleza - Objeto de Estudo Análise dos componentes segundo o modelo de Oliveira(2006) Analise do componente estrutural Análise do componente estratégico Analise do componente diretivo Análise do componente tecnológico Análise do componente Avaliação Análise do componente Mudança Analise do Componente Comportamental Considerações gerais sobre o processo de mudança e reestruturação da Controladoria Sobre a Cooperativa Vantagens de Reestruturação e Expectativas Futuras Nova Gestão Cooperativista na Unimed Fortaleza CAPÍTULO 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS Conclusões Finais Recomendações e Sugestões REFERÊNCIAS APÊNDICES Questionáris aplicados a pesquisa ANEXOS - Estrutura organizacional da UNIMED Fortaleza... 97

16 CAPÍTULO 1 - INSERÇÃO À TEMÁTICA DA DISSERTAÇÃO Este capítulo trata de elementos basilares à construção do documento de dissertação, a exemplo da definição do tema e do problema de pesquisa, bem como da justificativa do trabalho proposto. São também mostrados o objetivo geral e os objetivos específicos. Por último, é exposta a estrutura do trabalho. 1.1 Definição do Tema e do Problema de Pesquisa As organizações mercantis são bem evidentes no sistema capitalista como um sistema gerador e propulsor de riqueza e que possui como apogeu a remuneração efetiva do seu capital. (BENATO, 2011). As entidades empresariais são organizadas economicamente para produzir ou vender mercadorias e serviços, objetivando o Lucro. As sociedades empresariais têm definição no novo Código Civil e podem ser constituídas por vários tipos: Sociedade em nome coletivo onde pessoas físicas tomam parte da sociedade, respondendo todos os sócios solidários e ilimitadamente; Sociedade em Comandita simples dividem os sócios em duas categorias: os comanditados, pessoas físicas, responsáveis solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais; e os comanditários, obrigados somente pelo valor de sua quota. Sociedade Limitada a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas; Sociedade anônima ou companhia o capital divide-se em ações, obrigando-se cada sócio ou acionista, somente pelo preço de emissão das ações que subscrever ou adquirir; Sociedade em Comandita por ações opera sob forma de firma ou denominação e também possui o capital dividido por ações, regendo-se pelas normas relativas à sociedade anônima. Nessas organizações mercantis, o capital investido pelos sócios tem como objetivo o retorno financeiro, objetivado na distribuição de lucros diretamente ligados aos investimentos efetuados nessas organizações. Em contraponto a isso, as cooperativas advêm de um grupo de pessoas com espírito de união, fraternidade, pregando que além do crescimento econômico, haja crescimento social dos envolvidos, conforme art 3º da lei 5764/71: Celebram contato de sociedade cooperativa as pessoas que

17 15 reciprocamnte se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro. As cooperativas representam papel de tanta importância que a própria Constituição Federal ressalta, em seu art º: A lei apoiará e estimulará o cooperativismo e outras formas de associativismo. Na cooperativa, a produção, ou o trabalho em si, é o principal objetivo, visto que os cooperados estarão distribuídos de forma igualitária, produzindo em prol do bem comum. As empresas diferem principalmente das cooperativas pelas características e princípios que a última apresenta, tais como: a) Adesão voluntária livre; b) Gestão democrática e livre; c) Participação econômica dos membros; d) Autonomia e independência; e) Educação, formação e informação; f) Intercooperação; g) Interesse pela comunidade. A relação entre cooperativa e cooperado é de direito societário, excluindo, portanto, qualquer outro modelo de inclusão. Embora adotem premissas e proponham soluções conceitualmente diferentes, o Cooperativismo e o direito do trabalho não estão em atender conjunturalmente uma demanda das empresas por relações de trabalho mais flexíveis, ou em baratear custos com mão-deobra, mas assegurar valores de ética, honestidade, transparência, responsabilidade social e, principalmente, preocupação pelo semelhante. Segundo Santos (2006), os valores cooperativistas têm participado de vários ramos de atividades econômicas e buscado através de seus principais passos a melhor adequação. Quanto maior for o envolvimento dos cooperantes, mais eficaz será o processo de autogestão. As cooperativas, bem como as organizações mercantis têm estruturas que sofrem modificações face ao mercado turbulento. Portanto, essas buscam constantes adequações de gestão, objetivando eficácia organizacional. As organizações, sejam elas empresas mercantis ou cooperativas, precisam de uma estrutura que é representada graficamente por um organograma que orienta suas divisões e funções. Slack et. al. (2002) subdivide as organizações em funções centrais e de apoio, sendo as centrais a produção, o marketing e o desenvolvimento de produtos e serviços. Na função de apoio, aparece a função contábil-financeira.

18 16 Figura 1 - Extensão da Função Produção Fonte: Adaptado Slack et al. (2002) Os autores da Figura anterior sugerem que a função produção tem definição ampla que é corroborada pelas funções de Recursos humanos, desenvolvimento de produtos, engenharia técnica, marketing, compras e Contabilidade e finanças. Na Figura 1 é apresentada a função produção com interação com os diversos departamentos da empresa, tal interação é a base da estrutura organizacional. Uma empresa formal para existir possui uma estrutura organizacional hierárquica que normalmente começa com as pessoas que estão no topo. Constitui-se primeiro o apostador da ideia, que geralmente será o sócio principal, aquele que faz o aporte do capital e, portanto, presidente da empresa, depois forma-se a diretoria para então chegar-se a operação em si. Outra classificação dada por Laudon e Laudon (2004), inclusive em outra área do conhecimento da Engenharia de Produção (Sistemas de Informação), também mostra o papel da controladoria nas organizações. Na visão dos citados autores, existem três níveis de análise: o estratégico, o tático e o operacional. Em se tratando de estrutura de organização, os autores apresentam o setor operacional, subdividido em: Vendas/Marketing; Fabricação/Produção; Finanças; Contabilidade; e Recursos Humanos, conforme apresentado a seguir, na Figura 2:

19 17 Figura 2 Tipos de Sistema de Informação Fonte: Adaptado de Laudon e Laudon (2004) E, neste caso, conforme visto na Figura 2, inserido no nível operacional, existe a subdivisão da Contabilidade. A organização aqui abordada nesse estudo é uma cooperativa médica e, portanto, prestadora de serviços. As prestadoras de serviços têm estruturas mais enxutas em relação às indústrias, quanto à estrutura organizacional, porém a base é a mesma das funções centrais e de apoio. Desse modo, este estudo situa-se na função de apoio, denominada controladoria ; setor que faz parte da subdivisão de Contabilidade, sendo focado em uma organização cooperativa. A implantação da Controladoria impactou na reestruturação da Cooperativa de Saúde Unimed de Fortaleza, devido à principal missão desse departamento que visa aperfeiçoar processo decisório em busca da eficácia empresarial (PADOVEZE, 2005). Dessa forma, a pesquisa fundamenta-se em três pilares conceituais básicos: Reestruturação organizacional, Controladoria e Cooperativismo, definidos a seguir: Reestruturação organizacional tem seu conceito discutido por alguns autores; dentre esses, Waltermen (1987) cita a compreensão do fator renovação como primordial para a sobrevivência das empresas, ele acredita que só uma organização em constantes mudanças pode continuar no sentido de adaptar-se e melhorar.

20 18 Conforme o contexto de melhoria, Wood (1995) considera a mudança organizacional como procedimento de melhoria contínua. O fato de muitos atribuírem diversos conceitos ao termo que enfoca também: transformações e mudanças organizacionais, o autor consegue traduzir a junção de vários conceitos: Mudança Organizacional é qualquer transformação de natureza estrutural, institucional, estratégica, cultural, tecnológica, humana, ou de qualquer outro componente, capaz de gerar impacto em partes ou no conjunto da organização (WOOD, 1995, p.190). Ainda seguindo tal entendimento, o autor corrobora em analisar que as organizações, devido sua crescente demanda por mudanças e adaptações, tem sido menos reativa, o que espelha as empresas se adaptando mais facilmente a tais mudanças. Em continuidade a breve conceituação dos pilares básicos da pesquisa, segue conceito de Controladoria: Controladoria aqui definido por Nakagawa (1995, p. 76): o sistema integrado de informação que integra os padrões, os orçamentos e a contabilidade, caracteriza-se por incluir e suprir todas as principais funções e atividades da empresa com informação não apenas de caráter contábil e financeiro, como, também, de natureza física e qualitativa, e de interação na empresa com as variáveis de seu ambiente externo. Cooperativismo definido por Oliveira (2006): O sistema cooperativista é uma filosofia fundamentada em cooperação dos seus associados, segue como alternativa a complexidade das organizações convencionais, o qual proporciona um retorno da junção de idéia para um resultado social e financeiro ao grupo específico para esse fim. Nesse contexto, o tipo de cooperativa escolhida para estudo dessa dissertação foi a cooperativa de trabalho médico. Ou seja, segundo Martins (2003), é classificado como cooperativa de trabalho do setor de serviços. O profissional da saúde em geral não tem um conhecimento satisfatório de gestão e, quando possui uma organização tradicional, perde-se nas obrigações de gestão, controle e coordenação das mesmas. Entretanto, geralmente, há um problema fundamental no meio cooperativista: os cooperados e diretores das cooperativas também não se preocupam com a gestão. Martins (2003) observa que diante da premissa de autogestão e da necessidade de envolvimento dos cooperantes na gestão das cooperativas, é que se apresenta a problemática das cooperativas médicas, em face do desinteresse de gerir a cooperativa por parte dos cooperados, bem como o desconhecimento de gestão e controladoria, que entram nas cooperativas apenas em busca do êxito profissional individual,

21 19 esquecendo-se da premissa principal da cooperativa: o interesse coletivo da classe médica, sendo estudado um setor específico da cooperativa: a controladoria. O cooperado médico busca a cooperativa como alternativa ao aumento da renda e aumento do leque de clientes, esquecendo-se da filosofia solidária, diferente do que seria uma empresa do plano de saúde. Como citado por Ramos (2006), embora o perfil dos cooperados não seja de pessoas com conhecimento precário, há um grande desconhecimento da principal filosofia dos cooperados que vêem nesse tipo de associação apenas um marketing adicional, como é comum em outras cooperativas, para alavancar sua carteira de clientes e aumentar sua renda. Além do exposto, outro fator relevante é o desconhecimento dos conceitos e aplicações dos princípios da contabilidade, da tributação e da administração, o que, em alguns casos, faz com que cooperativas e empresas não sobrevivam aos cinco primeiros anos. Assim sendo, há uma lacuna sobre pesquisas em cooperativas médicas. O presente trabalho é um estudo de caso em tais organizações cooperativistas, mais especificamente na função controladoria. O caso analisado é o da Unimed Fortaleza que realizou uma reestruturação de sua controladoria. Nesse sentido, essa pesquisa tem o seguinte questionamento: Como a mudança organizacional na Controladoria da Unimed Fortaleza, contribuiu com a reestruturação organizacional da Cooperativa? 1.2 Justificativa Uma organização, independentemente do seu tipo, como no estudo, uma cooperativa, necessitam que exista uma definição clara e concisa do âmbito da suas demandas por mudança, e que este âmbito, não só seja perfeitamente compreendido por todos os níveis da organização, mas que também apóie o atingir dos objetivos e a obtenção dos resultados esperados. A Reestruturação Organizacional deve ser limitada aos objetivos da organização, o que faz com que a presente pesquisa observe além da missão e da visão que regem objetivos da Cooperativa, sejam também evidenciados a importância dos princípios cooperativistas. Dessa forma, o trabalho toma justificativa pela junção da avaliação da realização de uma controladoria nas organizações cooperativistas e a carência de pesquisas de gestão nesse tipo de organização como demonstrado a seguir: A pesquisa demonstra o número resumido de Dissertações sobre o tema de Gestão e Cooperativas.

22 20 No Brasil, existem 13 (treze) ramos de atuação econômica do cooperativismo, segundo a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB (2010). O ramo de trabalho é um deles. Assim, corroborando com esse pensamento, Martins (2003) afirma que as cooperativas de trabalho podem ser classificadas em: De Serviços, onde os associados prestam serviços a quem os solicita, nas diversas especialidades; De Mão-de-obra, seu objetivo é oferecer mão-de-obra para as empresas; Mistas, são as cooperativas que apresentam mais de um objeto de atividade, envolvem o fornecimento de serviço e de mão-de-obra. A cooperativa de trabalho médico, ainda segundo Martins (2003), é uma cooperativa de trabalho de serviços. Esse ramo de cooperativa de trabalho médico no Brasil foi iniciado no ano de 1967, com cerca de vinte médicos da Cidade de Santos/SP; liderados pelo médico Dr. Edmundo Castilho e também pelo advogado do Sindicato dos Médicos, Dr. Reginaldo Ferreira Lima, com o intuito de defender o interesse econômico dos médicos. Entretanto, quando houve a primeira cooperativa, a causa foi confundida com reivindicação salarial com o crescimento das empresas de medicina de grupo na região, que impulsionaram os ideais cooperativistas e a prática de uma empresa cooperativa, como afirma Amaral (2004). Esta cooperativa foi denominada UNIMED, com o slogan, prioritariamente, União dos Médicos, em Naquele ano, o sistema já contava com singulares em todo o Estado de São Paulo. Com intensas transformações ocorridas na área da saúde e maior profissionalização na gestão destes serviços, há por parte dessa uma crescente demanda por ferramentas gerenciais. Dentre as transformações ocorridas, conforme Seibel (2003) destacam-se: Regulamentação dos planos de saúde pelo governo; Fusões e aquisições na área de serviços de Medicina Diagnóstica; Maior controle por parte das operadoras dos planos de saúde da sua utilização, através do conceito de Managed Care; Criação das agências reguladoras como ANS, Agencia Nacional de Saúde Suplementar, e ANVISA, Agencia Nacional de Vigilância Sanitária; e Perspectiva de uma remuneração diferenciada conforme o nível de certificação de resultado. Apesar das cooperativas médicas terem surgido desde 1967, e a questão de gestão das mesmas ter necessidade de estudos que possam contribuir para uma melhor orientação na gestão, há

23 21 na academia poucos estudos a esse respeito. Também, quando há alguns artigos que se referem às falhas na gestão das cooperativas médicas pouco, ou quase nada, se fala da gestão de controladoria nessas cooperativas. O uso intensivo da ferramenta controladoria tem sido alvo de aprofundados estudos, mas de poucas divulgações nas mais diversas áreas de gestão, a exemplo de cooperativa de trabalho, na tentativa de se obter vantagens nas estratégias competitivas no que se refere à eficiência operacional, à redução de custos e à excelência no atendimento aos clientes. Entretanto, percebe-se que o ambiente organizacional que tem base, na área de controladoria, encontra-se em desenvolvimento em todo o mundo e que os estudos e conhecimentos a respeito dessa temática ainda não foram completamente exauridos. Sobre estudos de controladoria em cooperativismo, encontrou-se apenas um artigo de 2007, em um Periódico de Controladoria publicado na USP, abordando análise de desempenho em cooperativas agropecuárias, de Carvalho e Bialoskorski. Ainda no mesmo ano, foi publicado outro artigo sobre a controladoria aplicada nas Cooperativas de Dourado/MS, artigo esse apresentado no Congresso de Iniciação Científica da UFSC. Sobre cooperativa médica, há um artigo publicado, em 2009, que versa acerca da nova cooperativa médica na China, numa revista do Departamento de Saúde Pública da Universidade de Tokio, de Kobayashi. Porém, o tema controladoria não é abordado, apenas enfatiza a forma organizacional de cooperativas na área médica, algo mais novo naquele país. Segundo Laudelino, Navarro e Beuren (2010), que analisam a abordagem da controladoria nas dissertações e teses em 13 programas de pós-graduação em Ciências Contábeis, nos anos de 2001 a 2004, apenas 9,45% usam o tema, conforme quadro a seguir: Quadro 1 - Cursos stricto sensu recomendados pela CAPES no Brasil Natureza do Curso Instituições de Ensino Superior Estado Mestrado em Ciências Contábeis UNB - Multiinstitucional DF Mestrado em Ciências Contábeis FUCAPE ES Mestrado em Ciências Contábeis UFRJ RJ Mestrado em Ciências Contábeis UERJ RJ Mestrado em Ciências Contábeis UNISINOS RS Mestrado em Ciências Contábeis FURB SC Mestrado em Ciências Contábeis UNIFECAP SP Mestrado em Ciências Contábeis e Atuariais PUC/SP SP Mestrado em Contabilidade UFPR PR Mestrado em Contabilidade UFSC SC Mestrado em Controladoria UFC CE Doutorado e Mestrado em Controladoria e Contabilidade USP SP Mestrado em Controladoria e Contabilidade USP/PR SP Fonte: Laudelino et.. al (apud CAPES, 2011)

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