OS SENTIDOS DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NA CONTEMPORANEIDADE Amanda Sampaio França

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1 OS SENTIDOS DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NA CONTEMPORANEIDADE Amanda Sampaio França Jaqueline dos Santos Costa Mirsa Gabriela Ms.Adriana Auxiliadora Martins Faculdade Católica de Uberlândia No presente texto, buscaremos compreender o que á EJA- Educação de Jovens e Adultos, qual o público que ela abrange e a necessidade desse alunado ao buscá-la. Visando ainda, apontar o perfil e a postura dos educadores diante esta realidade. De forma a compreendermos como se dá cada processo e como estão interligados para que essa modalidade possa existir e atender de forma adequada seu público alvo. A Educação de Jovens e Adultos abrange processos formativos diversos, onde podem ser incluídas iniciativas que visam à qualificação profissional, o desenvolvimento comunitário, a formação política e inúmeras questões culturais pautadas em outros espaços que não são escolares. Ao observar o aspecto populacional na existência de pessoas que não sabem ler ou escrever por falta de condições de acesso ao processo de escolarização e que a maioria dos analfabetos possui maior idade e são de lugares mais pobres e provenientes de grupos afro-brasileiros a EJA - Educação de Jovens e Adultos representa então uma divida social não reparada, por isso possuem finalidades e funções específicas; desde o acesso ao bem social e tem sido força de trabalho empregada na constituição de riquezas e na elevação de obras públicas. A educação de jovens e adultos tenta abranger o espaço vago que ficou no caminho desses alunos buscando fazer com que os mesmos consigam alcançar a

2 sociedade letrada que eles convivem diariamente, qualificando-os e equiparando-os nos sistemas sociais. É importante para esse público que a educação de jovens e adultos consiga apresentar situações as quais eles convivem diariamente. Um dos problemas enfrentados por essas pessoas é a questão da igualdade e desigualdade que interfere direta ou indiretamente nas oportunidades de trabalho. Deixando-os vulneráveis a novas formas de desigualdades, uma vez que se vêem expostos devido a sua condição de iletrado. Na EJA encontraremos algumas funções como: A função reparadora: que pode e deve ser vista ao mesmo tempo como uma oportunidade concreta de presença de jovens e adultos na escola e também uma alternativa viável em função das especificidades socioculturais destes segmentos. Com essa função perante as leis esses jovens e adultos se tornam iguais, pois esta se torna um ponto de partida para a igualdade de oportunidades. A função equalizadora: proporciona uma cobertura aos trabalhadores e a tantos outros segmentos sociais como donas de casa, migrantes, aposentados e encarcerados. O reingresso no sistema educacional que deve ser saudada como uma reparação corretiva, ainda que tardia, de estruturas arcaicas, possibilitando aos indivíduos novas oportunidades no mercado de trabalho, na vida social, nos espaços da estética e na abertura dos canais de participação, o que para tanto necessita de mais vagas para estes novos alunos e alunas que buscam oportunidades de equalização. Diante do que a EJA busca que é formar e incentivar o leitor de livros e das múltiplas linguagens visuais juntamente com as dimensões do trabalho e da cidadania. Podemos dizer que estamos diante da função equalizadora da EJA, pois equidade é a forma pela qual se distribuem os bens sociais de modo a garantir uma redistribuição e alocação em vista de mais igualdade. Baseando nessa equidade os mais desfavorecidos mediante ao acesso e permanência na escola devem receber proporcionalmente maiores oportunidades e os outros, proporcionando aos alunos desenvolver suas habilidades, confirmar competências adquiridas na educação extra-escolar e na própria vida, possibilitar um nível técnico e profissional mais qualificado. Os alunos da EJA são de origens diversas, naturalmente, o acúmulo e a bagagem cultural deles também são. Nos centros urbanos encontram muitas pessoas que

3 migraram de suas cidades de origem em busca de melhores condições de vida, trabalho, moradia, estudos e de novas oportunidades; os traços físicos, modo de falar, agir e reagir, formas de lazer, preferências culinárias ou musicais dos alunos nos remetem a todos os cantos do país. Em outras regiões torna-se comum encontrarmos alunos e alunas que saíram do campo, de um espaço rural. Homens e mulheres, jovens e adultos que buscam a escola, pertencem todos a uma mesma classe social, com baixo poder aquisitivo, que consomem apenas o básico para viver. Diante disso: Paulo Freire(1960), ainda nos anos 60 reconhece o analfabetismo como uma questão não só pedagógica, mas também social e política. A baixa auto-estima, são muitas vezes reforçadas pelas situações de fracasso escolar, e é uma característica freqüente desses alunos. Suas necessidades são inúmeras, como participar das diversas situações que acontecem no seu dia a dia, principalmente em busca de trabalho, com pessoas também letradas para que as sociedades não os desvalorizem. Sem dúvidas este mesmo motivo que os fizeram sair da escola os fazem retornar, pois eles começam a perceber a necessidade de se igualarem aos demais, e também como está cada vez mais competitivo o mercado de trabalho e que para conseguir um emprego melhor precisam de se preparem, para não viverem a vida toda trabalhando apenas para o seu mínimo sustento. Este motivo abrange a maioria dos alunos da EJA, os mais velhos buscam apenas se sentir mais independentes diante do mundo dos letrados. A Síncrese é formada na sua cabeça como uma imagem ou representação mental sobre este objeto, após este momento torna-se difícil compreender outros pensamentos, reflexões sobre um contexto maior do assunto. Assim que começamos a reparar em alguns detalhes que no primeiro momento não havia sido percebido, começamos a separação das partes que compõe qualquer objeto de conhecimento, é chamada de análise. Após esta análise obteremos a síntese que por mais complexa que seja jamais será definitiva. Com o tempo, após algumas mudanças podemos identificar que muitas sínteses estavam equivocadas, podemos dizer então que síntese é uma representação mental que foi sendo composta por todas as relações que foram construídas, que por

4 eventuais releituras irão modificando este conhecimento ou imagem mental tornando se mais sofisticada e abrangente. Os alunos da EJA podem ser estimulados a buscar conhecimentos, baseando nisso devemos levar em consideração que estes só aprenderam o que despertar seu interesse, apreenderam melhor o que já sabem e o que ainda não sabem sobre os assuntos aos quais estão interessados. Melhor do que buscar a memorização em formas de perguntas é apresentar códigos como construções simbólicas que representam um assunto escolhido por nós. O próximo passo é refletir com os alunos sobre o código apresentado e fazer perguntas como: O que estamos vendo aqui? Isso proporciona ao aluno uma liberdade de expressão, retira o medo de errar a resposta e proporciona um enorme campo para o professor trabalhar, pois, independente das diversas respostas o mesmo poderá direcionar o conteúdo desejado de forma natural para seus alunos. É interessante também ampliar o horizonte dos alunos, aproveitando o espaço da sala de aula para comentar os assuntos de seu interesse e o que se passa no País e no mundo. É preciso para isso, trazer noticias discussões, comentários e informações para a sala de aula, mas tudo com a participação dos alunos para criar um ambiente de geração de conhecimento. O educador precisa reeducar os olhares e as escutas, relacionando o significado do vivido e do percebido. Fazendo conexões com a realidade micro e macro, apreendendo os significados de cada fala, cada olhar, num nível de consciência crítica de estar no mundo. Enfim, a EJA (Educação de Jovens e Adultos) é um processo de aprendizagem que busca reparar as falhas do sistema educacional brasileiro, aos indivíduos que foram excluídos dos processos educacionais em seu tempo certo, trazendo consigo grandes situações sociais e governamentais que precisam se interagir para alcançar seu objetivo, que é igualar o iletrado ao letrado, buscando inseri-lo na sociedade de forma mais completa possível. Referências: FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 9 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1981.

5 SOARES, Leôncio José Gomes. Educação de Jovens e Adultos. Diretrizes Curriculares Nacionais. Rio de Janeiro: DP&A, 2002.

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