Faculdades Integradas Vianna Jr. RESPONSABILIDADE SOCIAL NO MOVIMENTO EMPRESA JÚNIOR: Um estudo de casos na cidade de Juiz de Fora 2007 ÍNDICE

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1 Faculdades Integradas Vianna Jr. RESPONSABILIDADE SOCIAL NO MOVIMENTO EMPRESA JÚNIOR: Um estudo de casos na cidade de Juiz de Fora 2007 ÍNDICE 1

2 RESUMO INTRODUÇÃO Aspectos gerais sobre responsabilidade social Juventude e mercado de trabalho DESENVOLVIMENTO Disposições gerais sobre o movimento empresa júnior Surgimento Movimento Empresa Júnior no Brasil Movimento Empresa Júnior em Juiz de Fora Núcleo de Empresas Juniores da UFJF ESTUDO DE CASOS Aceso Comunicação Jr CAMPE Consultoria Jr Mais Consultoria MASCI Rumos CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS RESUMO 2

3 O seguinte trabalho tem como principal objetivo discutir a responsabilidade social no contexto do movimento empresa júnior (MEJ). O movimento surgiu na França e já existe no Brasil há 20 anos. O MEJ corresponde a grupos de estudantes reunidos para realizar trabalhos envolvendo as disciplinas ensinadas em sala de aula. As empresas juniores (EJs) são organizações sem fins lucrativos, ou seja, todo o dinheiro arrecadado deve ser revertido para a infra-estrutura da empresa, capacitação dos membros e etc. O estudante que integra o movimento sai capacitado para gerir uma empresa, aprende a lidar com clientes e aplicar na prática conceitos aprendidos somente na teoria. Todos estes valores são importantes no competitivo mercado de trabalho contemporâneo que busca profissionais dinâmicos, pragmáticos e preocupados com as questões sociais. Mesmo com recursos limitados, essas empresas formadas por estudantes têm se preocupado em praticar a responsabilidade social. Em suas respectivas áreas de conhecimento, procuram contribuir para a sociedade da melhor forma possível. A maioria das empresas pertencentes ao movimento já possuem esta visão e acreditam que a responsabilidade social é um valor importante. A cidade de Juiz de Fora, interior de Minas Gerais (MG), agrega atualmente nove empresas juniores atuantes. Todas as empresas foram pesquisadas e praticamente todas colocam em seu plano de metas, ações voltadas para responsabilidade social. Através de um estudo de casos, o artigo mostra como algumas EJs de Juiz de Fora se tornaram socialmente responsáveis, apesar das dificuldades financeiras. Além disso, este trabalho apresenta exemplos de ações voltadas para a responsabilidade social para pequenos empresários ou pessoas interessadas em abrir ou participar do movimento empresa júnior. 1. INTRODUÇÃO 3

4 1.1 - Aspectos gerais sobre responsabilidade Social É inegável que a consolidação do capitalismo fez com que as diferenças sócio-econômicas entre as populações mundiais aumentassem drasticamente. Se algumas culturas indígenas baseiamse na troca de produtos e na cultura de subsistência, no conceito capitalista, lucro é a principal palavra de ordem. Segundo o Novo Dicionário Aurélio Século XXI (1999) lucro significa ganho, vantagem ou benefício que se obtém de alguma coisa, ou com uma atividade qualquer. No capitalismo, para se obter esta vantagem vale tudo. A obtenção do lucro a qualquer custo fez com que a idéia de dívida social fosse difundida entre as pessoas. Como Luiz Fernando da Silva Pinto afirmou, em entrevista ao jornal O Globo, para definir dívida social, basta considerar um somatório de sofrimentos, humilhações e carências de toda ordem que aflige 20% a 15% da população ou cerca de 36 milhões de pessoas. 1 Devido a esta lógica, surgiu a noção de responsabilidade social como afirma Teixeira (1984): a responsabilidade social é resultado dos questionamentos e das críticas que as empresas receberam, nas últimas décadas, no campo social, ético e econômico por adotarem uma política baseada estritamente na economia de mercado. 2 Isso significa que os consumidores não são mais passivos, mas sim atuantes e críticos. As estratégias de marketing das grandes empresas não podem encará-lo como alienado. A concorrência entre inúmeras marcas e instituições permite ao consumidor escolher entre a empresa que contribui mais para a sociedade e a que se omite diante estes aspectos. Como afirma Wilson Bueno, o consumidor atual é exigente e transfere aos poucos a avaliação que faz da atuação social das empresas ou entidades para as relações de consumo. 3 No Brasil, a idéia de responsabilidade social ainda é muito recente. De acordo com Ashley (2003) as primeiras discussões remontam a meados da década de Entretanto, a tendência mundial delineia um comprador questionador das políticas sociais das empresas. Com a crescente concorrência, empresas que se posicionam responsáveis socialmente adquirem maior prestígio. Segundo Tachizawa, o consumidor do futuro, inclusive no Brasil, passará a privilegiar não apenas preço e qualidade dos produtos, mas, principalmente o comportamento social das empresas fabricantes desses produtos. 4 Para comprovar esta linha de raciocínio, Ashley (2003) expõe no livro Ética e Responsabilidade Social nos Negócios (Saraiva, 2003): Pesquisa realizada pelo Instituto Ethos e pelo jornal Valor, 31% dos consumidores brasileiros prestigiaram ou puniram uma empresa baseada em sua conduta social. Entre consumidores identificados como líderes de opinião, esse índice chega a 50% e, entre os entrevistados com maior nível de escolaridade, 40% revelaram o mesmo comportamento. Para 51% dos consumidores, a ética nos negócios é um dos principais fatores para avaliar se uma empresa é boa ou ruim. 5 Seguindo esta idéia, Revista Exame (2006, ed. 855, p.5) trouxe uma reportagem sobre a preferência do consumidor por empresas que praticam responsabilidade social: Pesquisa realizada em 2000 pelo Instituto Ethos e pelo Instituto Akatu pelo Consumo Consciente, em parceria com a Indicator GFK, já mostrava que para 35% dos consumidores brasileiros o papel das grandes empresas deve ser estabelecer padrões éticos e ajudar a construir uma sociedade melhor. De lá para cá, essa percepção vem aumentando: passou para 39% em 2002 e para 44% em PINTO, Luiz Fernando da Silva. 2010: um horizonte para dívida social, O Globo, 18/02/98 2 TEIXEIRA, 1984, p BUENO, TACHIWAZA, 2004, p.21 5 ASHLEY, 2003, p.73 6 EXAME, 2006, p. 5 4

5 Todavia, é importante que não se confunda responsabilidade social com a prática assistencialista. Segundo Cruz (2005), ainda é possível encontrar empresas que mantém esta postura meramente assistencialista, agindo de maneira filantrópica ao invés de transformar sua ação social em um elemento integrante da gestão empresarial. 7 Enquanto o assistencialismo assemelha-se a caridade, a responsabilidade social consiste em iniciativas contínuas estruturadas para que o grupo ajudado possa até caminhar sozinho ao longo do tempo. Como é explicitado no Suplemento Publicitário da Revista Exame (2006): Se antes investiam em ações isoladas, as empresas agora elaboram estratégias, desenvolvem ou apóiam projetos estruturados, que tenham continuidade, concentram neles seus recursos e talentos e buscam resultados perseguidos com o mesmo empenho que adotam para cumprir metas operacionais e financeiras. 8 Além disso, a própria expressão responsabilidade social apresenta inúmeros significados. De acordo com um dicionário de Ciências Sociais (Biroui, 1976) responsabilidade social significa responsabilidade daquele que é chamado a responder pelos seus atos face à sociedade ou à opinião pública... na medida em que tais atos assumam dimensões ou conseqüências sociais. 9 Já para Jaramillo e Angel (1996), responsabilidade social pode ser também o compromisso que a empresa tem com o desenvolvimento, bem-estar e melhoramento da qualidade de vida dos empregados, suas famílias e comunidade em geral. 10 Indubitavelmente, a discussão sobre responsabilidade social é contemporânea e merece atenção. A tendência do mercado é apostar nestas iniciativas devido à preocupação dos consumidores em adquirir produtos e marcas que contribuam com a sociedade. Somente as corporações que souberem investir nestas iniciativas permanecerão consolidadas. A maioria das empresas inclusive reconhece que atividades socialmente responsáveis melhoram suas imagens junto aos consumidores, acionistas, comunidade financeira e outros públicos relevantes. As empresas descobriram que práticas éticas e socialmente responsáveis são negócios saudáveis que resultam em uma imagem favorável e no final das contas, em maiores vendas. 11 Os futuros profissionais que souberem acompanhar esta tendência e compreenderem a lógica de tais questões terão mais facilidade de encontrar lugar no competitivo mercado de trabalho. 1.2 Juventude e o Mercado de trabalho: Apesar do considerável crescimento econômico dos últimos anos, as taxas de desemprego 7 CRUZ, 2005, p EXAME, 2006, p. 5 9 BIROUI, 1976, p JARAMILLO e ÀNGEL, 1996, p SCHIFFMAN, KANUK, 2001, p.12 5

6 continuam assustadoras. De acordo com dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), o desemprego mundial foi recorde em 2006, atingindo quase 200 milhões de pessoas. Desses, cerca de 44% são jovens de 15 a 24 anos. 12 Se há algumas décadas atrás, o curso superior era sinônimo de sucesso profissional, hoje em dia a situação é diferente. Há inúmeros profissionais com excelentes currículos que ficam fora do mercado de trabalho. Ainda existem aqueles que devido ao desemprego, passam a trabalhar em áreas totalmente diferentes de sua formação. É necessário salientar também o aumento de instituições de ensino superior na última década. Este boom de faculdades só aumenta o número de profissionais no mercado. Dados do Censo da Educação Superior 2002 apontam que no período de 1997 a 2002, foram criados quatro novos cursos superiores por dia no Brasil. Em 1995, o número de instituições de ensino superior no Brasil eram 894, sendo 561 apenas na região sudeste. Ao longo de 10 anos, este número praticamente triplicou. Em 2005, já existiam instituições em todo o Brasil e apenas no Sudeste. 13 Infelizmente, o mercado não comporta tantos profissionais o que faz com que os processos seletivos tornem-se cada vez mais acirrados. Em 2004, a multinacional Unilever recebeu 40 mil inscrições para o preenchimento de suas 150 vagas. 14 Sem dúvidas, as empresas querem contratar profissionais capacitados e experientes para seu quadro de funcionários. No entanto, surge a contradição: o estudante recém-formado não consegue emprego por ter tido pouco ou nenhum contato com o mercado de trabalho. Ao procurar emprego, as empresas alegam pouca experiência e na maioria dos casos não aposta no jovem inexperiente. Desta maneira, as empresas juniores surgem para suprir parte desta dificuldade. Os alunos ao longo do período acadêmico exercem na EJ que aprendem nas salas de aula, adquirindo experiência e postura profissional. Além disso, o movimento empresa júnior acompanha as tendências empresariais e tem se preocupado em praticar responsabilidade social dentro de sua, muitas vezes limitada, realidade. 2 - DESENVOLVIMENTO 12 DESEMPREGO Mundial a níveis sem precedentes apesar do crescimento econômico. Organização internacional do Trabalho (OIT). Escritório no Brasil. Brasília, 01 fev Disponível em: <http://www.oitbrasil.org.br/news/nov/ler_nov.php?id=3051>. Acesso em: 07 fev Disponível no site do Instituto Nacional de Ensino Superior (Inep). <http://www.inep.gov.br> Acesso em: 12. fev UNILEVER tem inscritos para trainee e para estágio. Canal Executivo, São Paulo. Disponível em: <http://www2.uol.com.br/canalexecutivo/notas/ htm> Acesso em 12. fev

7 2.1 - Disposições gerais sobre o movimento empresa júnior Surgimento No ano de 1967, a Escola Superior de Ciências e Comerciais de Paris (L'Ecole Supérieure des Sciences Economiques et Commerciales) criou um projeto entre seus acadêmicos visando o estabelecimento de uma associação civil ou empresa, sem fins lucrativos, constituída exclusivamente por alunos de graduação em instituições de ensino superior. Além de ser uma oportunidade para os estudantes interagirem com o mercado de trabalho, era necessária a criação de alternativas para combater a recessão econômica do país. A associação prestaria serviços e desenvolveria projetos para empresas, entidades e para a sociedade em geral em suas áreas de atuação, sob a supervisão de professores e profissionais especializados. Quando fundaram o projeto, as instituições de ensino perceberam que a empresa júnior faturava tanto quanto uma empresa normal: o faturamento da empresa júnior francesa no primeiro ano de funcionamento foi de US$ 19 milhões. 15 Em 1986, já existiam cerca de cem empresas juniores francesas. O conceito começou a ser difundido pelo restante do continente europeu e encontrou novos formatos. Em meados de 1990, foi criada uma associação especializada no movimento: a Confederação Européia de Empresas Juniores, a JADE (Junior Association for Development in Europe). A partir daí, diversos países, incluindo o Brasil, passaram a criar suas próprias empresas juniores Movimento Empresa júnior no Brasil 15 Informação obtida em março de 2005, em entrevista do então diretor de integração da Rede Brasil Jr. para site Universia Brasil (http://www.universia.com.br) 7

8 Em 1987, no Brasil, o movimento empresa júnior chega ao estado de São Paulo pela Câmara de Comércio Franco-Brasileira. Surgem então as três primeiras empresas juniores do país: EJ-FGV, Júnior FAAP e Júnior Poli Estudos. A partir dessas iniciativas, outras empresas juniores, em especial da Unicamp e USP, começaram a se destacar no assunto. Muitos estudantes manifestaram interesse no movimento e a partir de então foram criadas empresas juniores nas mais diversas áreas do aprendizado em nível superior. Estas empresas nasceram com a finalidade de melhorar a postura profissional do universitário do país, aplicando a teoria dada em sala na prática do mercado de trabalho. Atualmente, existem cerca de 750 empresas juniores no país com mais de 23 mil universitários envolvidos. São representadas por cerca de onze federações estaduais (Minas Gerais é filiada a FEJEMG - Federação das Empresas Juniores do Estado de Minas Gerais; São Paulo é filiada a FEJESP Federação das Empresas Juniores do Estado de São Paulo, por exemplo ) que juntas formam a Rede Brasil Júnior. Cada federação tem seu próprio estatuto padrão, mas todas procuram seguir o mesmo modelo. Em 1993, as EJs começaram a se organizar melhor e aconteceu o I Encontro Nacional de Empresas Juniores (ENEJ), que foi realizado em São Paulo. Desde então, os encontros são realizados anualmente. Em 2006, a 14ª edição do ENEJ ocorreu em Florianópolis (SC) nos dias 09 a 13 de agosto. Há alguns anos atrás, em meados de 2002 e 2003, empresários juniores de todo o Brasil elaboraram o Conceito Empresa Júnior. Este documento define o que é uma Empresa Júnior e o que uma empresa júnior pode ou não fazer. Dentre tais atribuições do Movimento Empresa Júnior, destacam-se: Proporcionar ao estudante aplicação prática de conhecimentos teóricos, relativos à área de formação profissional específica; desenvolver o espírito crítico, analítico e empreendedor do aluno; intensificar o relacionamento empresa-escola; facilitar o ingresso de futuros profissionais no mercado, colocando-os em contato direto com o seu mercado de trabalho; contribuir com a sociedade, através de prestação de serviços, proporcionando ao micro, pequeno e médio empresário especialmente, um trabalho de qualidade a preços acessíveis. 16 Inegavelmente, a política de responsabilidade social está extremamente ligada às base do movimento (como o próprio conceito explicita contribuir com a sociedade ). Dentro da realidade de cada federação, há iniciativas para incentivar a prática nas empresas. A Federação de Minas Gerais, por exemplo, realiza anualmente o Prêmio FEJEMG. A segunda edição do Prêmio foi realizada em 21 de outubro de 2006 em Juiz de Fora. Um dos objetivos do evento foi premiar a empresa mais responsável socialmente na categoria Mãos Dadas. No ano passado, a UFMG Consultoria Jr. - UCJ, empresa júnior de Administração, Ciências Contábeis e Ciências Econômicas de Belo Horizonte, foi a vencedora do prêmio Mãos Dadas. Mesmo com as diversas dificuldades que uma empresa júnior enfrenta, a UCJ se preocupou em adotar práticas socialmente responsáveis. Iniciativas pequenas mas valiosas fizeram a diferença, tanto é que garantiram o prêmio à empresa. Anualmente, a Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG realiza a Semana FACE que consiste em um ciclo de palestras e debates. O evento é promovido pela UCJ e pelo Diretório Acadêmico da faculdade. Como ação de responsabilidade social, a UCJ sugeriu que as inscrições fossem condicionadas apenas a doações - livros, alimentos e agasalhos - encaminhadas à instituições de caridade. Desta maneira, os estudantes poderiam debater assuntos de seu interesse e também colaborar socialmente. A política da UFMG Consultoria Jr. inclui adoção de projetos sociais, referentes à disseminação de ações socialmente responsáveis em contribuição à sociedade, além do 16 Disponível em: <http://www.fejesp.org.br/arquivos/administrativo/conceitonacionaldeempresajunior.pdf > Acesso em: 15 fev

9 desenvolvimento do papel social dos próprios membros. Isso representa um aspecto importante do movimento empresa júnior no Brasil já que diversas empresas de todo o país se unem em prol destas iniciativas. O caso da UCJ, definitivamente, não é isolado como será mostrado a frente Movimento empresa júnior em Juiz de Fora 9

10 Situada no interior de Minas Gerais, Juiz de Fora fica na zona da Mata, a 255km de Belo Horizonte e 180km do Rio de Janeiro. Possui cerca de 500 mil habitantes, 1433,87 Km2 de território e cerca de 500 mil habitantes. Com relação ao universo acadêmico, a cidade possui 12 instituições de ensino superior, incluindo uma universidade pública, a Universidade Federal de Juiz de Fora 17. Juiz de Fora também é pioneira no movimento empresa júnior: a Machado Sobrinho Consultoria Integrada - MASCI - foi uma das primeiras EJs a ser criadas quando o movimento chegou ao país. Além disso, a MASCI foi a 1ª Empresa Júnior de Minas Gerais a prestar serviços de consultoria, principal atividade das empresas ligadas ao movimento hoje em dia. Outra empresa júnior destaque é a CAMPE Consultoria Jr. da Faculdade de Economia e Administração da UFJF, a primeira do mundo a conquistar a certificação ISO 9001: Além disso, a cidade possui outras empresas juniores consolidadas no mercado da região e dentro da Universidade Federal de Juiz de Fora há um núcleo especializado em gerir suas EJs Núcleo das Empresas Juniores (NEJ) da UFJF 17 Informação disponível em: < Acesso: 12. fev

11 A Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) está bem situada no contexto do movimento. A primeira EJ a ser criada foi a Empresa Júnior de Consultoria (posteriormente mudou o nome para CAMPE Consultoria Jr.) em 1992, na faculdade de Economia e Administração. Desde então, vários alunos se mobilizaram para criar suas próprias EJs. Atualmente, há 8 empresas juniores dos seguintes cursos: - Acesso Comunicação Jr. - Empresa Júnior de Comunicação Social - Apsi Empresa de Psicologia - Empresa Júnior de Psicologia - Base Três Consultoria em Informática - Empresa Júnior de Ciência da Computação - Biociclos - Empresa Júnior de Biologia - Campe Consultoria Jr. - Empresa Júnior de Economia e Administração - Mais Consultoria - Empresa Júnior de Engenharia de Produção - Porte Engenharia e Arquitetura Jr. - Empresa Júnior de Arquitetura e Engenharia - Rumos - Empresa Júnior de Turismo As empresas juniores citadas acima se organizam no Núcleo de Empresas Juniores (NEJ) da UFJF. O Núcleo é uma associação civil sem fins lucrativos que representa as empresas juniores da Universidade junto aos órgãos públicos e privados, autoridades governamentais, estaduais e nacionais e sociedade em geral. O NEJ promove a integração, o envolvimento multidisciplinar, a capacitação dos membros para alcançar um alto nível de qualidade nos serviços prestados. Com eventos e projetos, parcerias e alianças, o NEJ busca defender e disseminar o Movimento Empresa Júnior em Juiz de Fora e região. 18 O NEJ surgiu em 2002 quando membros da Acesso, Base Três, EcaJr e Campe iniciaram uma série de reuniões para elaborar um estatuto para o NEJ. As discussões para a criação e consolidação do Núcleo cresceram no ano seguinte quando a Mais, a Porte, a Apsi e a Rumos começaram a participar das reuniões. O Núcleo de Empresas divide-se em várias coordenadorias: a Campe Consultoria Jr. é responsável pela coordenadoria Geral; a Acesso Comunicação Jr. pela coordenadoria de Comunicação; a Mais Consultoria em Engenharia de Produção pela coordenadoria de capacitação e a Porte Engenharia e Arquitetura Jr. pela coordenadoria jurídico-financeira. Cada coordenadoria cumpre seu papel dentro do movimento e as reuniões ocorrem regularmente ao longo das gestões. 3 - ESTUDO DE CASOS 18 Informação disponível em: < > Acesso: 12 fev

12 A política de responsabilidade social não está presente apenas nas grandes corporações. É fato que grande parte das empresas atualmente se importam com esta realidade. Cerca 96% das companhias com mais de 500 empregados adotaram a idéia: No Brasil inteiro, mais de 70% das firmas dedicam parte de seu tempo -e dinheiropara atividades sociais. No caso, a tradicional divisão entre regiões ricas e regiões pobres não é refletida por esses investimentos. No Nordeste, o "engajamento" das empresas cresceu 35% em quatro anos, passando de 55%, em 1999, para 74% em No Sudeste, esse incremento foi mais discreto (6%), passando de 67% para 71% no mesmo período. Em Minas Gerais, o índice chegou a 81%. 19 Os dados são do Ipea (Instituto de Pesquisa e Economia Aplicada) e comprovam que o Brasil adotou esta idéia e a tendência é que as práticas relacionadas à responsabilidade social cresçam cada vez mais. Entretanto, não é apenas no contexto dos milhões de reais que a responsabilidade social é praticada. Estudantes universitários que integram o movimento empresa júnior já compreendem, desde já, a importância destas ações. Mesmo com poucos recursos, muitas EJs procuram separar certa quantidade de tempo e verba para ajudar a comunidade. Em muitos casos, pequenas mudanças na rotina da empresa já fazem uma grande diferença. Nas próximas páginas estão os estudos de casos feito com algumas empresas juniores que já praticam e vêem a importância da responsabilidade social. Todas as empresas de Juiz de Fora foram procuradas. As empresas que demonstraram interesse em contribuir com o artigo foram: Acesso Comunicação Jr. Campe Consultoria Jr. Mais Consultoria em Engenharia de Produção MASCI Consultoria Jr. Rumos Acesso Comunicação Jr. 19 ESSENFELDER, Renato. Quase 100% das grandes investem no social. Folha de São Paulo, São Paulo, 31. mar Disponível em: < Acesso em: 12. fev

13 3.1.1 Histórico da empresa e Áreas de Atuação Em 1997, a Acesso Comunicação Jr. surgiu como idéia de alguns estudantes da Faculdade de Comunicação Social da UFJF. Com o apoio da professora Alice Gonçalvez Arcuri, eles se reuniram e começaram a realizar os serviços nas próprias casas dos membros. Devido as dificuldades, os estudantes passaram a trabalhar na sede da Produtora de vídeos da universidade. Em 2000, foi cedido a empresa júnior um banheiro que poderia se tornar a sede da empresa. Através de iniciativa privada, os membros conseguiram materiais para a reforma e após a aquisição do CNPJ, em dezembro do mesmo ano, a empresa foi oficialmente fundada. Em março de 2001, uma cerimônia marcou o início das atividades da Empresa Júnior de Comunicação. Atualmente, a empresa presta serviços de assessoria de imprensa, comunicação organizacional, planejamento gráfico e editorial, produção de textos, jornalismo on-line, produção de websites, cerimonial e eventos. A Acesso Comunicação Jr. recebeu Menção Honrosa no Prêmio Juiz de Fora de Qualidade e Produtividade (PJFQP-Ciclo 2006). Tal prêmio avalia os processos das empresas em busca da qualidade Responsabilidade Social No manual de procedimentos da Acesso consta que a empresa deve desenvolver, no mínimo, um projeto gratuito por gestão (seis meses) junto à comunidade. Em 2006 os projetos sociais realizados foram: assessoria de comunicação e produção de artes para o CDINFO (Comitê para a Democratização da Informática), entidade sem fins lucrativos que ensina informática a várias comunidades através de suas EICs (Escolas de Informática e Cidadania); produção de artes para jornal impresso e boletim eletrônico da Associação dos Cegos, além da confecção de uma apostila explicativa e de um mini-curso de produção e atualização desses informativos (a própria Associação poderia continuar produzindo e atualizando as apostilas); e assessoria de imprensa e produção de artes para convite e flyer para o IMEPP (Instituto Médico Psico Pedagógico), associação que atende a crianças e adolescentes com necessidades especiais (como deficiência mental e dificuldades de fala, aprendizagem, emocionais e comportamentais). Os estudantes que têm interesse em trabalhar na empresa passam por um processo de entrevistas, dinâmicas dentre outras etapas. Entretanto, a inscrição para participar do processo seletivo é mediante a doação de alimentos a instituições carentes Campe Consultoria Jr. 13

14 Histórico e áreas de atuação A CAMPE - Consultoria e Assessoria a Médias e Pequenas Empresas - foi fundada em 1992, com o nome de Empresa Júnior de Consultoria, na Faculdade de Economia e Administração (FEA) da UFJF. No início, a empresa funcionava na biblioteca da instituição. Após apenas quatro anos de criação, a empresa recebeu o prêmio "Empresa Júnior do Ano" de Minas Gerais. Em 2001, a CAMPE foi certificada pela norma ISO 9001:1994 tornando-se a primeira EJ do mundo a obter tal certificado e em 2002, a EJ adequou-se à certificação ISO 9001: A ISO 9001 é um sistema normativo internacional de gestão da qualidade que estabelece a estrutura e os processos organizacionais para assegurar a produção de bens e serviços que atendam a níveis de qualidade pré-estabelecidos para os clientes de uma empresa. Dentre suas áreas de atuação destacam-se: levantamento e análise de custos; elaboração de fluxo de caixa e estudo de viabilidade econômico-financeira; plano de negócio, administração de materiais; planejamento estratégico; pesquisa em marketing. análise de localização; pesquisa de opinião e satisfação; análise crítica de layout e a criação de manuais administrativos. A empresa é dividida em departamento de marketing, coordenação, gestão de pessoas, qualidade, finanças e projetos Responsabilidade Social Pioneira em responsabilidade social nas EJs de Juiz de Fora, a CAMPE é a primeira a criar um núcleo especializado na área em Na realidade da CAMPE, os públicos com os quais os estudantes exercem responsabilidade social são: comunidade, clientes, fornecedores, público interno (membros, empresários juniores), governos e meio ambiente. Com relação ao público interno, a empresa realiza coleta seletiva e foi realizado um estudo para adequar a idéia para a realidade da empresa. Na sede da CAMPE existem lixeiras para papéis, plásticos e outros materiais que são recolhidos e encaminhados para um colaborador que os recicla. Durante o processo de seleção (trainee) de novos membros, os classificados para a última etapa participam da semana de Responsabilidade Social como forma de despertar o interesse nos futuros contratados desde já. Na semana, os trainees realizam mesas redondas, discutem temas da área; palestras, dinâmicas, visita a uma instituição social e desenvolvimento de algum trabalho sobre o assunto. A comunidade também é importante para a empresa. Como afirma MELO NETO (1999), a responsabilidade social externa corresponde ao desenvolvimento de ações sociais empresariais que beneficiem a comunidade. Com o objetivo de divulgar o trabalho voluntário no meio acadêmico e de possibilitar que os alunos da UFJF apliquem a teoria adquirida na sala de aula auxiliando instituições filantrópicas, a CAMPE desenvolveu o Programa Acadêmico Voluntário (PAV). A empresa funciona como uma ponte entre os jovens universitários que desejam realizar trabalho voluntário e as instituições que deles precisam. Há um cadastro de universitários e outro de instituições e de acordo o perfil de cada parte envolvida, a CAMPE faz a ligação. Além deste trabalho, a empresa também realiza a Gincana FEA que tem como objetivo arrecadar o maior número de agasalhos e roupas possíveis para instituições de caridade. Os alunos da FEA dividem-se em equipes e partem em busca de agasalhos. A equipe que obtiver o maior número de agasalhos vence a Gincana. Para os clientes, a EJ procura disseminar e incentivar a prática da responsabilidade social. Para isso, coloca os clientes em contato com os principais conceitos e as possíveis ações que possam ser colocadas em prática pelas organizações. É apresentado um breve relatório contendo metodologia, princípios básicos e sugestão de alguns programas e práticas de responsabilidade social que podem ser implementadas pela empresas assim como os benefícios que o investimento no social pode trazer. MELO NETO (1999) afirma: "tudo começa com o surgimento de um clima de maior simpatia com a imagem da empresa. De repente, a empresa deixa de ser a vilã, responsável 14

15 pela prática de preços abusivos e etc para se tornar uma empresa-cidadã, com consciência social e comprometida com a busca de soluções para os graves problemas sociais." 20 Por se tratar de uma empresa que funciona em uma Universidade Federal, suas obrigações com o governo limitam-se ao âmbito jurídico. Desta forma, a empresa cumpre com as obrigações institucionais e possuem assessoria jurídica de um advogado para ajudá-los nestas questões. A responsabilidade ambiental também interessa os empresários juniores da CAMPE. Apesar de não impactar diretamente o meio ambiente através das atividades, a empresa procura conscientizar os membros da importância de zelar pelo meio-ambiente, com ações como a coleta seletiva Mais Consultoria 20 MELO NETO, 1999, p

16 Histórico e áreas de atuação A Mais Consultoria, empresa Júnior do Curso de Engenharia de Produção da UFJF presta serviços de consultoria em áreas de Engenharia de Produção com orientação de profissionais qualificados. Gerida e criada por alunos de graduação, a Mais teve seu início no mês de Agosto de No início de 2005, a empresa foi registrada recebendo o seu CNPJ e o alvará de funcionamento, podendo assim obter sua conta bancária própria. No mesmo ano, se filiou a FEJEMG (Federação das empresas juniores de MG) e a UBQ (União Brasileira para a Qualidade). Em 2006, a empresa completou um total de 58 membros que já integraram a empresa e um total de 10 projetos já realizados. No mesmo ano, participou do Prêmio Juiz de Fora de Qualidade e Produtividade e conquistou menção honrosa. As áreas de atuação da empresa são: Projeto de Fábrica e Layout, Logística - Planejamento da Distribuição, Gestão de Estoques e Análise de Demanda, CEP (Controle Estatístico do Processos), Mapeamento e Padronização de Processos, Planejamento Estratégico com BSC (Balanced Scorecard) e Análise de Custos Responsabilidade Social Anualmente, a Mais Consultoria organiza o Ciclo de Palestras Mais. Com a presença de profissionais consolidados no mercado, o evento objetiva informar sobre temas relacionados à Engenharia de Produção, seus benefícios além de poder estreitar relações com os alunos do curso e empresários da região. Na edição de 2006, compareceram 170 pessoas e o tema foi "Controle de Estoque e Processos: A Engenharia de Produção na Otimização de Recursos". A entrada para o evento é 1kg de alimento não-perecível que é doado a uma instituição de caridade. O evento agrega informações importantes para os estudantes com a possibilidade de ajudar instituições de caridade da cidade. Em 2007, o 5 Palestras Mais pretende atingir cerca de 300 estudantes, aumentando também o número de alimentos e a possibilidade de ajudar mais organizações. 3.4 Machado Sobrinho Consultoria Integrada (MASCI) 16

17 Histórico e Áreas de atuação Fundada em 1990, a Machado Sobrinho Consultoria Integrada MASCI é uma empresa júnior de consultoria empresarial, formada e gerida por estudantes universitários dos cursos de Administração e Ciências Contábeis de Faculdade Machado Sobrinho. A MASCI objetiva proporcionar aos alunos desenvolvimento humano e uma visão de mercado empreendedora, através da prestação de serviços de consultoria socialmente responsáveis. A empresa atua nas áreas de comércio exterior, financeira, financiamentos, marketing, gestão de pessoas e gestão de processos. Dentre seus valores citados no site da empresa, encontra-se o de responsabilidade social Responsabilidade Social No ano de 2006, a empresa fez um cadastro de várias instituições sociais da cidade de Juiz de Fora. Após a organização do banco de dados, foi elaborado um cronograma para que fossem realizadas visitas às instituições, com a finalidade da MASCI adotar alguma. Foram visitadas instituições infantis como Ceprom (Centro de Proteção ao Menor) e Carlos Chagas assim como asilos. Para as crianças, os estudantes levavam doces e biscoitos já a visita ao asilo foi marcada por lanche da tarde e troca de experiências com os idosos. Para os lanches, a empresa firmou parceria com uma indústria alimentícia. No final do ano passado, duas campanhas foram desenvolvidas pela MASCI. Uma delas foi realizada diretamente com o Hemominas da cidade. Foi divulgada na Faculdade a campanha para doação de medula óssea. Durante a semana da campanha, responsáveis do Hemominas tiveram espaço para passar nas salas de aula e explicar como funciona o processo de doação. O dia da coleta de sangue era divulgado para as pessoas terem mais tempo para refletir sobre o assunto antes de tomar uma decisão. A campanha foi muito abrangente: a adesão dos alunos da Faculdade de Ciências Contábeis e Administrativas Machado Sobrinho extrapolou as expectativas. Foram efetuados 128 novos cadastros. Com o objetivo de também praticar a responsabilidade social interna, caracterizada por MELO NETO (1999) como programas de treinamento e manutenção de pessoal realizados pelas empresas em benefício dos empregados, programas de benefício voltados para participação nos resultados e atendimentos aos dependentes, 21 a MASCI coordenou a campanha Natal Social MASCI. A finalidade do projeto era despertar o interesse pela responsabilidade social em todos os membros, para que pudessem sair dali com esta mentalidade. Contando com 28 integrantes na época, duas pessoas se responsabilizaram pelo desenvolvimento da campanha, enquanto os outros 26 foram separados em seis grupos de quatro pessoas cada. Os grupos tinham meta mínima de doação a cumprir para poderem concorrer a um prêmio surpresa e também a escolha da instituição a receber os benefícios. Podiam ser doados alimentos, brinquedos, itens de higiene pessoal e roupas. Houve um grupo vencedor na empresa e o total arrecadado foi de: 26Kg de alimentos, 142 brinquedos, 122 itens de higiene pessoal, 297 peças de roupa, além de 30 outros itens extras, como bolsas, sombrinhas e bonés. As instituições beneficiadas foram o Ceprom (Centro de Proteção ao Menor) e a Clínica Psiquiátrica São Domingos, ambas de Juiz de Fora. Para esta campanha foi elaborado um texto, publicado no jornal interno da empresa e também no mural da empresa na faculdade, juntamente com fotos do dia em que as doações aconteceram Rumos 21 MELO NETO, 1999, p

18 Histórico e áreas de atuação A Rumos surgiu há mais de 4 anos com a intenção de capacitar os estudantes de Turismo da Universidade Federal de Juiz de Fora, como maneira de colocar em prática aquilo que é aprendido em sala de aula, estimulando a atividade turística e de hospitalidade. Os objetivos são desenvolver o emprendedorismo, a aprendizagem e a competência de forma responsável e sustentável. Os serviços oferecidos pela Rumos são: agenciamento, organização e produção de eventos, pesquisas para o trade turístico e planejamento turístico de localidades e empreendimentos. A empresa é divida em quatro departamentos: administrativo-financeiro, gestão de pessoas, marketing e qualidade além do Departamento Presdiência Responsabilidade Social A Rumos preocupa-se com Responsabilidade Social, tanto é que um de seus valores e promove ações que beneficiem a sociedade. São realizados pelo menos dois Projetos Sociais a cada gestão. Em reconhecimento a esse trabalho, em 2005, a empresa recebeu o Prêmio Mãos Dadas, referente à empresa júnior mais socialmente responsável de Minas Gerais, conferido pela FEJEMG. Em 2006, a empresa realizou o 1 Projeto Social de Treinamento Profissional, na cidade de Matias Barbosa. O objetivo do projeto era capacitar pessoas envolvidas na Associação de Artesãos de Matias Barbosa, proporcionando a oportunidade de aprendizado através de workshops realizados. Cinco membros da Rumos ministraram palestras com os temas: excelência no atendimento, administração de conflitos e programa de qualidade 5S. O que se esperava do projeto era que os artesãos utilizassem os conhecimentos dos empresários juniores que são aplicados na própria Rumos. Outro projeto social importante da Rumos, desta vez objetivando levar cultura a pessoas da comunidade, foi o Projeto Social Rumo ao Cine. O objetivo era levar aproximadamente 215 crianças para uma sessão de cinema no anfiteatro do Instituto de Ciências Humanas da UFJF no dia 6 de outubro de Muitas crianças ali jamais haviam ido ao cinema. Pela proximidade da escola com a sede da Rumos, os empresários juniores foram até a escola e buscaram as crianças a pé. Foi oferecido um lanche, adquirido através de patrocínio. 18

19 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS O Instituto de Pesquisas Econômicas (Ipea) divulgou, em 2006, os resultados finais da Pesquisa Ação Social das Empresas. Os dados apontam um crescimento significativo, entre 2000 e 2004, na proporção de empresas privadas brasileiras que realizaram ações sociais em benefício das comunidades. Neste período, a participação empresarial em projetos sociais aumentou 10 pontos percentuais, passando de 59% para 69%. Isso significa que aproximadamente 600 mil empresas atuam voluntariamente. 22 Tais informações só confirmam a perspectiva mundial focada na responsabilidade social. As grandes corporações já se preocupam em criar departamentos ou capacitar pessoas para esta área. Existem até cursos de especialização voltados para este panorama. Já é comprovado que a imagem das empresas melhora quando se pratica a responsabilidade social de forma eficaz e inteligente. Entretanto, é muito comum associar responsabilidade social unicamente aos grandes empreendimentos. As micro e pequenas empresas, muitas vezes, passam despercebidas nesta discussão e não sabem como podem praticar estas ações em seu contexto. Um dos objetivos deste trabalho é mostrar para o pequeno empresário, estudante que participa do movimento empresa júnior dentre outros que pequenas ações podem ser fazer uma diferença substancial tanto na sociedade como na imagem da empresa. No universo acadêmico, uma alternativa comum encontrada pelos estudantes para vivenciar o mercado de trabalho é montar empresas juniores pois estas oferecem serviços para companhias, possibilitando aos alunos colocar na prática o que aprendem. A partir da minha experiência como militante do movimento empresa júnior, trabalhando no Departamento Administrativo-Financeiro da Acesso Comunicação Jr. (EJ da Faculdade de Comunicação Social da UFJF) percebi que práticas envolvendo responsabilidade social estavam presentes no MEJ em Juiz de Fora e, participando de congressos, comprovei que era uma perspectiva nacional nas empresas juniores. Apesar das dificuldades financeiras enfrentadas, a Acesso colocava como prioridade de seu plano de metas, a prática de projetos sociais. Em momentos que a empresa precisava urgentemente adquirir capital para investir na infra-estrutura da empresa, realizar projetos sem fins lucrativos parecia loucura. Entretanto, em momento algum, os membros da empresa deixam a responsabilidade de lado, colocando-a como prioridade em muitas situações. Ao pesquisar outras empresas juniores da região, percebi que na maior parte, a prática era tida como importante. Na Acesso, fazíamos trabalhos para as instituições sociais com o mesmo empenho para projetos remunerados e isso ocorria nas outras EJs de Juiz de Fora também. Nas EJs, a falta de verba faz com que boas idéias sejam colocadas de lado. No entanto, a criatividade e o potencial empreendedor dos membros compensam as dificuldades. Desta maneira, é possível conseguir alcançar sucesso com ações socialmente responsáveis mesmo com as inúmeras barreiras. Apesar das evidentes diferenças entre EJs e micro e pequenas empresas, percebe-se que pequenas ações podem ser realizadas pelos empresários. Algumas práticas realizadas no contexto universitário do MEJ de Juiz de Fora podem ser copiadas por qualquer empresa, seja pequena ou grande: a coleta seletiva do lixo para reciclagem da empresa, o incentivo ao voluntariado aos membros, a discussão sobre práticas adotadas na empresa, como feito na CAMPE. A doação de alimentos não-perecíveis para os interessados em participar do processo de seleção, oferecer o serviço prestado pela empresa gratuitamente ou a preços baixos, o ensino de como continuar com as ações realizadas, como feito na Acesso. Outras práticas interessantes são as palestras realizadas anualmente pela Mais, tendo como entrada itens de higiene pessoal, alimentos e agasalhos. Fazer campanha para doação de sangue no ambiente de trabalho e realizar gincanas para arrecadação de alimentos também são boas opções, como a MASCI fez. O incentivo a cultura e a ministração de cursos para a população carente também é interessante pois rompe totalmente com o comum assistencialismo obsoleto, como realizado pela Rumos. 22 Disponível no site do Instituto de Pesquisa e Economia Aplicada (Ipea) <http://www.ipea.gov.br> Acesso em: 13 fev

20 O exemplo das empresas juniores é eficiente porque reflete o contexto diferente de cada EJ. Cabe aos empresários não fechar os olhos para realidade e usar a criatividade. Uma análise da empresa, da comunidade e do perfil dos funcionários pode ser feita e a partir daí, iniciativas pequenas poderão impactar a sociedade e melhorar a imagem do empreendimento. 20

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