Palavras-chave: potência muscular, Judô, teste de Sterkowicz.

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1 ARTIGO ORIGINAL MENSURAÇÃO DA POTÊNCIA MUSCULAR EM JUDOCAS JUVENIS ATRAVÉS DO TESTE DE STERKOWICZ André Maia dos Santos André Ricardo N. Nascimento Carolina Groszewicz Brito Kelly Cristina Serafim Pós Graduação em Educação Física UGF/Brasília RESUMO Este estudo teve por objetivo traçar um perfil dos níveis de potência em judocas do Distrito Federal, através dos resultados obtidos com a aplicação do teste de Sterkowicz. Foram avaliados 36 judocas da classe juvenil, com idade entre 15 e 17 anos de ambos os sexos. Os instrumentos utilizados foram fita métrica, medidor de freqüência cardíaca da marca POLAR, cronômetro da marca NIKE e bloco de anotações. Para tal teste foram consideradas as características específicas do esporte. A Potência Muscular ainda é pouco estudada quando aplicada ao Judô, porém de fundamental importância para o melhor rendimento dos judocas, e este estudo servirá como fonte para futuras análises. Palavras-chave: potência muscular, Judô, teste de Sterkowicz. ABSTRACT This study had for objective to trace a profile of the potency levels in fighter of judo of Distrito Federal, through the results obtained with the application of the test of Sterkowicz. They were appraised 36 fighter of judo of the juvenile class, with age between 15 and 17 years of both sexes. The used instruments were measuring tape, meter of heart frequency of the POLAR mark, chronometer of the mark NIKE and block of annotations. For such a test the specific characteristics of the sport were considered. The Muscular Potency is still little studied when applied to the Judo, however of fundamental importance for the best revenue of the fighter of judo, and this study will serve as source for future analyses. Key- words: muscular potency, Judo, test of Sterkowicz. I- INTRODUÇÃO Cada modalidade esportiva é caracterizada pela sua própria estrutura especial e funcional de atividade muscular. Algumas aptidões motoras e características corporais têm sido de grande importância para o desempenho no judô, como por exemplo: capacidade e potência anaeróbica, capacidade e potência aeróbica, elevado componente de mesomorfia, força isométrica e dinâmica, baixo percentual de gordura e potência muscular. Porém outros fatores também devem ser considerados para o rendimento nesta modalidade, tais como:

2 duração da luta, condição técnica e tática dos lutadores e avaliação subjetiva da arbitragem. Dentre estas variáveis, avaliaremos a potência muscular no Judô, também denominada por alguns autores como força explosiva, mostrando os resultados obtidos com o teste de Sterkowicz, realizado com a execução e aplicação de técnica específica do judô. II CONSIDERAÇÕES E DEFINIÇÕES A força não aparece de forma pura nas modalidades esportivas, mas sempre em combinação, em uma forma mista dos fatores de desempenho físico condicionante. Segundo Fox, Bowers & Foss (1991) A força muscular pode ser definida como a força ou tensão que um músculo ou, um grupo muscular consegue exercer contra uma resistência, em um esforço máximo. Segundo Knuttgen e Kraemer ( citado por Rabelo, D.) : Força muscular é a quantidade máxima de força que um músculo ou grupo muscular pode gerar em um padrão específico de movimento em uma determinada velocidade de movimento. Ao considerarmos particularmente a capacidade motora força, observamos que a potência muscular se destaca na prática do Judô. Pelas leis da física, 2 potência representa o trabalho mecânico desenvolvido sob uma série de condições, podendo ser definido matematicamente como P(W)= F(N) x V(m.s), onde P= Potência, F= Força e V= Velocidade. Desta forma vemos que a potência é altamente dependente da força. A potência, caracterizada como a integração entre força e velocidade, torna-se necessária nos momentos de aplicação dos golpes no Judô, por ser um esporte acíclico e altamente dinâmico. Segundo Vianna (2001) encontramos uma subdivisão para a capacidade física força de explosão (Potência): Força de largada, Força explosiva, Força explosiva de resistência. Força de largada é a capacidade de empregar um número máximo de unidades motoras no início da contração e de executar uma força inicial elevada. Na Força explosiva ocorre um aumento da força por unidade de tempo, dependendo da velocidade de contração das unidades motoras e da força de contração das fibras comprometidas. Já na Força explosiva de resistência ocorrem movimentos repetidos com sobrecarga que permitem manter, ao mesmo tempo, uma velocidade alta com um número de repetições elevadas. Letzelter (1978), observa: Se as resistências a serem vencidas forem pequenas, é a força de largada que predomina, se a carga aumentar ou o tempo de duração for

3 prolongado, é a força explosiva, se só o tempo for prolongado, força de resistência. Para cargas muito elevadas, força máxima. Harre (1976), define Força de explosão como sendo a capacidade que o sistema neuro-muscular possui de superar resistências com a maior velocidade de contração possível. Fleck e Kraemer (1997), corroboram com esta afirmação ao citarem: O desenvolvimento de potência pode ser uma das adaptações fisiológicas mais importantes. A capacidade para exercer força no início de um movimento representa um papel vital em muitas atividades desportivas. De uma perspectiva atlética, pode ser mais apropriado se pensar em força muscular como a capacidade de força do músculo para ações variando desde as ações excêntricas mais rápidas até as concêntricas mais rápidas. Fox et al. (1989) também compartilham com esta idéia: a potência é um dos principais fatores para o sucesso desportivo. III MATERIAL E MÉTODOS Trata-se de um estudo de caráter transversal, cujo objetivo foi verificar de maneira indireta, a potência dos praticantes de judô de ambos os sexos da categoria juvenil com faixa etária entre 15 e 17 anos do Distrito Federal, sem histórico de lesão osteoarticomusculares. 3 Alguns deles participam de competições a nível regional e nacional e a freqüência de treinos é de no mínimo 5 vezes por semana. Outros são praticantes de judô recreacional e a freqüência é de 3 vezes por semana. Os equipamentos utilizados para a obtenção dos dados foram: 1- Fita Métrica 3M; 2- Monitor de Freqüência Cardíaca da marca Polar (modelo PACER); 3- Cronômetro digital da marca Nike; 4- Fita crepe da marca 3M; 5- Bloco de anotações. A coleta de dados foi realizada em 3 academias diferentes, situadas no Distrito Federal, com o mesmo tipo de Dojô (tatame), o qual era de raspa de borracha coberta com lona de vinil. Os testes foram realizados no horário da noite nas 3 academias. Durante a realização do teste dois judocas ( ukes) de estatura e massa corporal semelhantes (mesma categoria) a do executante foram posicionados a 6 metros de distância um do outro, enquanto o executante do teste (tori) ficou a 3 metros de distância dos judocas que foram arremessados. O teste foi dividido em 3 períodos de 15 segundos (A), 30 segundos (B), e 30 segundos (C), com intervalos de 10 segundos entre os mesmos. Durante cada um dos períodos,

4 4 o executante arremessou os parceiros utilizando a técnica ippon-seoi-nague o maior número de vezes possível, a partir do comando verbal do avaliador que consistia na pronúncia da seguinte frase atenção, já. Imediatamente após e 1 minuto após o final do teste foi verificada a frequência cardíaca do atleta. Os arremessos realizados foram somados e o índice abaixo foi calculado: Índice (i)= FC final (bpm) + FC 1 min após o final do teste (bpm) número total de arremessos Esquema do teste: 3m 3m Uke A Tori Uke B 6m IV- RESULTADOS E DISCUSSÃO execução do golpe; (2) menor frequência cardíaca ao final do teste, o que Os resultados apresentados na tabela 1 mostram os valores encontrados após a aplicação do teste. representa melhor eficiência cardiovascular para um mesmo esforço (igual número de entradas); (3) menor freqüência cardíaca 1 minuto após o Tabela 1: Valores de Desempenho e FC de judocas. Juvenil-masculino Juvenil-feminino (n= 21) (n=15) Total de arremessos 23,52 +/- 2,01 22,93 +/- 2,61 FC final (bpm) 183,66 +/- 10,96 194,73 +/- 9,84 FC 1 min após (bpm) 149,71 +/- 16,86 150,86 +/- 10,87 Índice 15,00 +/- 2, /- 2,28 Quanto melhor o desempenho no teste menor o valor do índice. O desempenho no teste pode ser melhorado por meio de: (1) aumento do número de arremessos durante o período de tempo, o que representa melhora da velocidade, capacidade anaeróbia e/ ou eficiência na teste, ou seja, melhor recuperação o que representa melhora da capacidade aeróbica; (4) combinação de 2 ou mais dos itens supracitados. O estudo de Sterkowicz (1996) demonstrou existir diferença significativa no desempenho neste teste, entre judocas melhor e menos bem sucedidos na competição, indicando que o teste é capaz de discriminar atletas de diferentes níveis de condicionamento físico. Este teste é um dos poucos existentes que utiliza movimentos específicos da modalidade,

5 mesmo assim podemos encontrar limitações na sua aplicação por questões técnicas, estatura do executante, impossibilidade de fracionar o número de projeções em cada período de tempo, dentre outros. V - CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES Na literatura pesquisada há poucos testes específicos para quantificação da potência muscular no Judô. Isto dificulta a realização de estudos mais aprofundados no tema Potência. Tendo em vista que no Judô os movimentos utilizados são acíclicos, multiarticulares e envolvem grandes cadeias musculares, a mensuração da potência com testes em segmentos isolados, torna-se pouco eficiente. O atleta pode responder de maneira eficaz a um treinamento na sala de musculação e não conseguir fazer a transferência deste aproveitamento para o movimento técnico do golpe no momento do combate. Com a realização do teste de Sterkowicz, procurou-se traçar um perfil para judocas da categoria juvenil, do Distrito Federal tendo em vista que este foi o protocolo mais específico encontrado para o judô, pois foi aplicado com a utilização de uma técnica muito conhecida e praticada por grande parte dos judocas. Alguns aspectos ainda devem ser 5 considerados, pois podem limitar os resultados do teste. Por exemplo: esta técnica de projeção dificilmente é praticada por judocas de grande estatura ou grande peso. Com a utilização no protocolo, de uma técnica específica, fica medida de forma indireta, a potência geral e não de um grupo muscular isolado. Podemos verificar pela tabela um melhor desempenho do sexo masculino, mas que deve estar relacionado a níveis de treinamento e não apenas ao sexo, visto que encontramos mulheres com melhores resultados que homens. O desenvolvimento da Potência no Judô é de suma importância para que o atleta tenha sucesso em um combate, visto que suas características e regras propiciam um maior aproveitamento àquele atleta que estiver melhor condicionado fisicamente, sendo a potência, portanto, uma valência física determinante, por exemplo: em um combate o tempo de duração é de 5 minutos, podendo chegar a mais de 7 minutos, se contarmos as interrupções como punições, ajuste de kimonos entre outras. Quando em um combate surge a possibilidade do atleta vence-lo por ippon, ou seja, com a aplicação ótima de um golpe, com grande potência e perfeição técnica, o atleta irá economizar deste modo energia para os próximos combates. Com esta economia terá maior possibilidade de manter seus níveis de

6 potência e qualidade técnica para as próximas lutas. Portanto, o desenvolvimento da potência muscular é um fator que deve ser inserido no planejamento de um treinamento para atletas praticantes de Judô, que tem como objetivo o sucesso em um combate de caráter competitivo. Neste caso, o treinamento de potência deve ser realizado no período pré-competitivo. Deixamos aqui a sugestão para que outros estudos relacionados à aplicação da potência muscular no Judô sejam realizados, visando deste modo uma melhor preparação de atletas e treinadores, e fazer com que estes mesmos se atualizem e possam ser beneficiados em seus treinamentos e competições. Estes dados aqui registrados poderão ser usados como comparação em testes futuros. VI - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1 - BITTENCOURT, Nelson G.: Musculação: uma abordagem metodológica. Rio de Janeiro, Sprint, FLECK, S. J. & KRAEMER, W. J.: Designing resistance training programs. (2ª ed), Champaign: Human Knetics, FRANCHINI, E.: Judô- Desempenho Competitivo. Ed. Manole, FOX, E.L., BOWERS, R.W. and FOSS, M.L.: Bases Fisiológicas da Educação Física e dos Desportos. Ed. Guanabara, RABELO, Djalma: Bases Fisiológicas do Treinamento de Força. Apostila do Curso de Pós-Graduação UGF, Brasília- DF. 6 - TUBINO, G.: Metodologia do Treinamento Desportivo (11ª ed.), São Paulo: Ibrasa, VIANNA, J. (2001) :Treinamento de força. Apostila do Curso de Pós- Graduação UGF, Brasília-DF. 8 -.:Musculação Bases Científicas do Treinamento de Força. Disponível na Internet: 9 - WEINECK, J.: Biologia do Esporte. Ed. Manole, São Paulo, : Manual do Treinamento Esportivo. Ed. Manole, São Paulo, 1989.

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