Taxa de câmbio (19/08/2015)



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Transcrição:

Alicia Ruiz Olalde

Taxa de câmbio Uma diferença entre o comércio interno e internacional é que este último envolve moedas de diferentes países. Como todo mercado, o mercado de câmbio conta com uma oferta e demanda de moeda estrangeira. A taxa de câmbio é o preço, em moeda nacional, de uma unidade de moeda estrangeira. A taxa de câmbio depende das variáveis macroeconômicas do país e da relação dele com o resto do mundo (nível de desenvolvimento, comércio exterior, taxa de juros, inflação, risco de cada país). O Conselho Monetário Nacional define a política cambial. A política cambial trata de diretrizes e normas da moeda brasileira com relação a outras moedas.

Taxa de câmbio (19/08/2015)

Como é determinado o valor da taxa de câmbio? O regime cambial é a forma como se estabelece o mercado de câmbio: 1) Câmbio flutuante por bandas (estabelece um intervalo): quando o câmbio superasse as bandas o banco central intervinha no mercado. Quando o preço da moeda estrangeira sobe o governo oferece mais oferta para o mercado e quando cai abaixo do limite inferior da banda interfere comprando dólar.

Regime cambial 2) Câmbio fixo: o Banco Central define a taxa de câmbio

Plano Real: câmbio fixo? Um dos maiores mitos que persistem até hoje é aquele que afirma que o Plano Real baseou-se um uma "âncora cambial" ou em um "câmbio fixo". Isso é falso. O câmbio nunca foi fixo, sequer por um dia. Já no primeiro dia útil após a transição segunda-feira, 4 de julho de 1994 a taxa de câmbio passou a flutuar. A partir daí, seu valor foi sendo determinado ora pelo mercado ora pela pura intervenção do Banco Central. O BACEN se limitava a, diariamente, estabelecer um piso e um teto para a taxa de câmbio algo tecnicamente chamado de 'banda cambial', mas estes valores aumentavam diariamente. E assim permaneceu até o "fim" daquilo que se convencionou chamar de "primeira fase" do Plano Real, no dia 13 de janeiro de 1999. http://www.mises.org.br/article.aspx?id=1294

Plano Real: câmbio fixo? Ao final de julho de 1994, a quantidade de reais em poder do público e em contas-correntes era de R$10,687 bilhões. Já a quantidade de reservas internacionais era de US$43,09 bilhões. Porém, manter estas reservas internacionais não era fácil, principalmente levando-se em conta que a balança comercial e de serviços (tecnicamente chamada de 'Transações Correntes') tornou-se negativa a partir de outubro de 1994 (e assim permaneceu até o fim da "primeira fase" do Plano Real). Dado que havia esta saída de dólares por meio deste déficit nas transações correntes, o país tinha de manter juros elevados para atrair capital externo (via investimentos em títulos do governo, no mercado financeiro e em investimentos diretos; em terminologia contábil, diz-se que esses dólares estão entrando na conta capital e financeira) para mais do que compensar esta saída de dólares.

Regime cambial 3) Câmbio flutuante: a taxa de câmbio é determinada livremente através da lei da oferta e da procura (no Brasil desde 1999).

Câmbio flutuante 19/08/2015 Set 2014- Ago 2015

Câmbio flutuante sujo O governo pode atuar para evitar uma moeda muito desvalorizada, que pode provocar inflação, ou muito valorizada, que prejudica exportações e incentiva importações (desindustrialização). Se a taxa de câmbio sobe demais (dólar alto), o BC vende dólar. Se a taxa de câmbio cai (preço do dólar cai), o BC compra dólar. A percepção de risco pode levar a uma fuga de capitais e aumentar a taxa de câmbio.

Flutuações da taxa de câmbio a) Aumento das importações provoca aumento da demanda por moeda estrangeira. b) Aumento das exportações aumenta a oferta de moeda estrangeira. c) Aumento da inflação provoca maior demanda por divisas. d) Aumento da taxa de juros interna provoca aumento de entrada de capitais. e) Aumento da taxa de juros externa provoca saída de capitais.

Flutuações da taxa de câmbio No caso do Brasil, observa-se uma valorização da taxa de câmbio real a partir de 2003. O superávit da balança comercial tem sido obtido principalmente pelo crescimento da economia mundial e ganho de espaço nos mercados em que o país detém vantagem comparativa. Paralelamente, o fenômeno pode estar relacionado ao fraco desempenho da economia nacional, haja vista os baixos níveis de importação e as limitações do mercado local.

Impacto do câmbio no comércio Há sempre uma decalagem entre o período da mudança do câmbio real (conhecida na literatura financeira como leads and lags) e o momento dos seus impactos efetivos na economia. Variações relevantes do câmbio real demoram certo tempo para repercutir nos fluxos de comércio. A desvalorização de 1999 só se tornou plenamente visível na balança comercial em 2002, já que os agentes econômicos demoraram a conquistar o seu espaço no mercado mundial.