FACULDADE DE ECONOIA, UNIVERSIDADE DO PORTO ANO LECTIVO 2010/2011 1G203 ECONOIA INTERNACIONAL INDICADORES DA INTERNACIONALIZAÇÃO DAS ECONOIAS E DAS EPRESAS Nota préva: O texto que se segue tem por únco objectvo servr de apoo às aulas das dscplnas de Economa Internaconal na Faculdade de Economa da Unversdade do Porto. Vsa proporconar aos estudantes uma breve explcação do sgnfcado e possível utlzação dos ndcadores da nternaconalzação das economas e das empresas mas comuns na lteratura, não tendo qualquer pretensão de cobrr exaustvamente o tema. Na base deste texto estão notas mas ou menos dspersas preparadas por város dos docentes que ao longo das últmas duas décadas lecconaram a dscplna de Economa Internaconal, as quas complemente com alguns contrbutos da lteratura exstente. Qualquer erro, ncorrecção ou omssão é, pos, da mnha exclusva responsabldade. Faculdade de Economa da Unversdade do Porto, 14 de Feverero de 2011 Rosa Forte
A) INTERNACIONALIZAÇÃO DAS ECONOIAS: INTRODUÇÃO A nternaconalzação das economas pode ser evdencada ao nível das trocas nternaconas (comérco externo) mas também ao nível da globalzação va nvestmento drecto no exteror (IDE). Na abordagem que se segue vamos centrar-nos nos fluxos comercas. Nas váras teoras que procuram explcar as trocas nternaconas está, mplícta ou explctamente, sempre presente o fenómeno da especalzação nternaconal. De facto, essas teoras procuram explcar porque é que os países trocam entre s e que bens são trocados, ou seja, como é que os países se especalzam. A noção de especalzação é mportante para que tenhamos presente que optar pela produção e exportação de um bem poderá mplcar a renúnca à produção de outro ou outros bens e consequente mportação dos mesmos. A especalzação nternaconal exprme-se, assm, nos saldos postvos ou negatvos dos város ramos de actvdade em termos de comérco nternaconal. A análse empírca do comérco externo, fenómeno necessaramente dnâmco, exge uma desagregação bem maor que a fornecda pela Balança de Pagamentos ou pelas contas naconas, onde os valores das exportações e mportações se encontram apenas a um nível agregado. Teremos, então, que recorrer a estatístcas sectoras, seja as publcadas pelos organsmos estatístcos naconas (o INE Insttuto Naconal de Estatístca, para o caso português), quer por váras organzações nternaconas, sendo de destacar a OECD (Organsaton for Economc Co-operaton and Development), a ONU (através da UNCTAD Unted Natons Conference on Trade and Development), a WTO (World Trade Organzaton), e o ITC (Internatonal Trade Centre). Estas organzações dsponblzam um enorme volume de nformação (e.g. exportações e mportações de bens/servços por regão e economa, exportações e mportações de bens por grupos de produtos, etc.), pelo que a sua análse exge o recurso a nstrumentos que sntetzem essa nformação. Neste âmbto, chamamos Indcadores do Comérco Externo aos nstrumentos de síntese descrtva e mensuração dos fenómenos relatvos ao comérco nternaconal. Os ndcadores mas frequentemente utlzados são os que combnam os fluxos de exportações e de mportações. De facto, na maora das vezes a especalzação não é unívoca: excepto se se descer a um nível de análse extremamente desagregado, cada país tende a conhecer uma dupla corrente de trocas, com entradas e saídas smultâneas para um mesmo grupo de produtos. 1
De entre os mutos ndcadores de comérco externo propostos na lteratura, escolhemos aqueles que se apresentam mas relevantes e que serão, também, os mas frequentemente utlzados: 1 1. Grau de abertura ao comérco; 2. Taxa de cobertura (das mportações pelas exportações); 3. Coefcentes estruturas das exportações ou das mportações; 4. Índce das Vantagens Comparatvas Reveladas; 5. Coefcente de especalzação de Balassa; 1. GRAU DE ABERTURA AO COÉRCIO Antes de qualquer outra tarefa, o estudo do comérco externo de um país deverá começar por analsar a sua relevânca na economa naconal. A mportânca do comérco nternaconal na economa mede-se pelo peso das relações comercas com o exteror (trocas de bens e servços) no produto do país durante um determnando período de tempo (tpcamente, um ano), sendo calculado da segunte forma: + GA = = + PIB { PIB { PIB onde: representa o valor das exportações representa o valor das mportações Intensdade exp ortadora Penetração mportações PIB representa o Produto Interno Bruto a preços de mercado. Este ndcador é normalmente desgnado por grau de abertura da economa embora, por vezes, também seja chamado grau de extroversão. 2 São város os factores que nfluencam o valor deste ndcador. Por exemplo, o comérco nternaconal tende a ser mas mportante (maor GA) para os países pequenos (em termos 1 Na análse que se segue deve ter-se presente que a enumeração dos ndcadores não procura a exaustvdade. Adconalmente, cada ndcador esclarecerá mas cabalmente ou mas expedtamente esta ou aquela faceta da realdade do comérco nternaconal, pelo que a escolha do ndcador a utlzar dependerá em cada caso dos objectvos da análse, do grau de agregação ou desagregação pretenddo e da dsponbldade de dados estatístcos. 2 De referr que este ndcador pode assumr valores superores a 1 (ou a 100% se expresso em percentagem) na medda em que no numerador as mportações entram com snal postvo enquanto que no cálculo do PIB entram com snal negatvo. 2
de dmensão geográfca ou população e cercados por países vznhos com regmes de comérco lvre) do que para países grandes (relatvamente auto-sufcentes ou geografcamente solados e penalzados por elevados custos de transporte). Outros factores que ajudam a explcar dferenças na mportânca do comérco nternaconal entre os países são: a estrutura da economa (especalmente o peso dos servços não transacconáves no PIB), as re-exportações e a presença de empresas multnaconas (as quas conduzem a elevado comérco ntra-frma). De referr que o Grau de Abertura pode ser decomposto em dos ndcadores: a ntensdade exportadora (que evdenca a orentação da produção naconal para o mercado externo e a contrbução das exportações para o PIB) e a penetração das mportações (que traduz o grau de satsfação da procura nterna através de abastecmentos provenentes do exteror). Note-se, anda, que os resultados deste ndcador (Grau de Abertura) não estão sentos de certa ambgudade vsto que, de entre o conjunto de países caracterzados por um forte peso do comérco externo em relação ao produto, vamos encontrar países de tpo e característcas estruturas muto dferentes. Consdere-se o exemplo constante do Quadro I: QUADRO I - PRODUÇÃO E COÉRCIO E DOIS PAÍSES SELECCIONADOS (ILHÕES DE EUROS) Produção Exportações Importações País A 2000 800 600 País B 2000 600 800 O GA é, nos dos casos, gual a 0,7 (ou 70%), o que é muto sgnfcatvo. Contudo, este grau de abertura esconde stuações muto dversas: o país A apresenta um saldo postvo da Balança Comercal enquanto o país B apresenta um saldo negatvo. Assm, é necessáro conjugar o GA com, por exemplo, a taxa de cobertura (ver ponto 2.1) ou o peso do saldo comercal no PIB. Este últmo calcula-se como: Peso do saldo = PIB 2. TAA DE COBERTURA 2.1. Taxa de cobertura global É um ndcador bastante smples que mostra a percentagem das mportações que é coberta pelas exportações. Defne-se pelo quocente entre as exportações e as mportações: 3
c = Uma taxa de cobertura superor a 1 (ou a 100%, se estver expressa em percentagem) sgnfca que o país tem uma posção comercal forte (compettvdade comercal), enquanto uma taxa nferor a 1 ndca uma posção fraca ou dependênca comercal (saldo comercal negatvo). Em termos evolutvos mostra o dnamsmo relatvo entre as exportações e as mportações. 3 Apesar da smplcdade da sua nterpretação, a taxa de cobertura deve ser utlzada com precaução pos não entra em lnha de conta com o peso do comérco externo na economa naconal. Vejamos o segunte exemplo: QUADRO II - PRODUÇÃO E COÉRCIO E DOIS PAÍSES SELECCIONADOS (ILHÕES DE EUROS) Produção Exportações Importações País A 1000 20 10 País B 1000 400 200 A taxa de cobertura é, em ambos os casos, gual a 2 (ou 200%), o que é um valor muto elevado. No entanto, esta taxa não assume sgnfcado relevante para o país A, no qual as trocas externas são muto reduzdas (o grau de abertura é apenas 3%), enquanto que ela traduz uma posção forte para o país B, uma economa bastante aberta ao exteror (grau de abertura de 60%). 2.2. Taxa de cobertura sectoral O ndcador de taxa de cobertura pode ser desagregado a nível de produto/sector, apresentando-se assm (com a representar um produto ou sector): c = Este cálculo é um prmero ndcador de compettvdade sectoral, sendo que um valor de c superor a 1 ndca que as exportações são superores às mportações, traduzndo uma especalzação no sector, enquanto um valor negatvo representa um sector defctáro (exportações nferores às mportações). 3 De facto, um país pode regstar um aumento das mportações sem que sso se traduza numa dmnução da taxa de cobertura, desde que as exportações aumentem mas. 4
2.3. A taxa de cobertura sectoral normalzada Este ndcador corresponde à 'normalzação' da taxa de cobertura sectoral e defne-se do segunte modo: c = Um valor superor a 1 traduz uma taxa de cobertura sectoral superor à taxa de cobertura global, evdencando tratar-se de um sector compettvo. Se o ndcador for nferor a 1, sgnfca que o sector não é compettvo na medda em que a sua taxa de cobertura é nferor à taxa de cobertura global. Este ndcador é útl sobretudo para comparações nter-temporas. Vejamos o exemplo referdo no Quadro III. QUADRO III - COÉRCIO ETERNO TOTAL E DO SECTOR E t E E t+s País A Ano t Ano t+s (mlhões de euros) 500 400 250 600 1000 500 1000 1500 A evolução das taxas de cobertura do sector sugere uma forte redução da compettvdade do sector que passou de superavtáro a defctáro (taxa de cobertura gual a 2 e 2/3, respectvamente, para o ano t e t+s). Contudo, o cálculo da taxa de cobertura normalzada do sector mostra uma establdade da compettvdade do sector quando comparada com os restantes sectores desta economa. De facto, o ndcador é gual a 2 em ambos os anos, uma vez que a taxa de cobertura sectoral teve um comportamento totalmente paralelo à taxa de cobertura méda da economa (que dmnuu fortemente entre os anos t e t+s, passando de 1 para 1/3. A utlzação deste ndcador em conjugação com a taxa de cobertura permte-nos sugerr que, neste caso, a quebra de compettvdade verfcada no sector resulta de problemas estruturas ou conjunturas da economa como um todo e não de problemas específcos assocados a este sector. 5
3. COEFICIENTES ESTRUTURAIS Uma vez estabelecda a mportânca do comérco externo na economa do país, e consderando que o mesmo é relevante, deverá passar-se à análse da sua estrutura, sto é, das relações que, de um modo smples e duradouro, permtem a sua caracterzação. Esta análse poderá ser organzada de acordo com duas óptcas: a composção do comérco (que permtrá dentfcar quas os produtos com maor peso nas exportações ou mportações) e a drecção do comérco (que possbltará dentfcar os países com maor peso em termos de destno das exportações e de orgem das mportações). 4 3.1. Composção do comérco externo (estrutura sectoral) Corresponde à desagregação das exportações e mportações por grupos de produtos mas ou menos homogéneos. Note-se que uma maor desagregação dos dados permte uma maor homogenedade das categoras de bens e servços cradas. Contudo, exste um tradeoff entre o nível de desagregação e a capacdade do letor em nterpretar a nformação produzda. Assm, a decsão quanto ao nível de desagregação a adoptar deve depender essencalmente dos objectvos da análse. A análse da composção do comérco externo tem por objectvo dentfcar quas os produtos com maor peso nas exportações ou mportações. Ou seja, a estrutura sectoral traduz a mportânca relatva de cada sector no total das exportações (ou mportações). Assm: j j corresponde ao peso das exportações do sector no total das exportações do país j; j j representa o peso das mportações do sector no total das mportações do país j. Esta análse tem como desvantagem tratar exportações e mportações de forma ndependente. 4 Poderá anda procerder-se ao estudo conjunto da composção e da drecção do comérco externo. Utlzando uma matrz de dupla entrada, é possível combnar composção com drecção tanto para as exportações como para as mportações. Isto resultará num quadro de mas dfícl letura mas muto mas rco em termos de nformação que permte comparar as dferenças estruturas entre város destnos/orgens ou as dferentes orgens/destnos para dferentes categoras de produtos. 6
O Quadro IV fornece um exemplo concreto deste tpo de estrutura. QUADRO IV - ESTRUTURA DAS EPORTAÇÕES E IPORTAÇÕES PORTUGUESAS POR PRODUTOS (2009) Exportações Importações GRUPO DE PRODUTOS Valor (lhões Valor (lhões Estrutura (%) de Euros) de Euros) Estrutura (%) Agrícolas 1.731 3,7% 5.152 8,6% Almentares 1.924 4,1% 2.329 3,9% Combustíves neras 1.587 3,4% 6.473 10,8% Químcos 1.551 3,3% 5.262 8,8% Plástcos e Borrachas 2.019 4,3% 2.516 4,2% Peles e Couros 94 0,2% 501 0,8% adera e Cortça 1.173 2,5% 577 1,0% Pastas Celulóscas e Papel 1.485 3,2% 1.271 2,1% atéras Têxtes 1.357 2,9% 1.375 2,3% Vestuáro 2.154 4,6% 1.591 2,7% Calçado 1.280 2,7% 481 0,8% neras e néros 1.794 3,8% 839 1,4% etas Comuns 2.492 5,3% 3.943 6,6% áqunas e Aparelhos 5.138 11,0% 9.840 16,5% Veículos e Outro ateral de Transporte 3.724 7,9% 6.260 10,5% Óptca e Precsão 349 0,7% 1.202 2,0% Outros Produtos 1.915 4,1% 1.756 2,9% Total exportações/mportações bens e servços 46.880 100,0% 59712 100,0% Fonte: INE: Anuáro Estatístco de Portugal 2009 Pela análse do Quadro VI faclmente verfcamos que, em 2009, o grupo de produtos com maor peso no total das exportações portuguesas corresponde às áqunas e Aparelhos. O mesmo acontece no caso das mportações. 3.2. Drecção do comérco externo (estrutura geográfca) Corresponde à desagregação por países ou grupos de países de destno das exportações ou de orgem das mportações. A estrutura geográfca traduz, assm, a mportânca relatva de cada país no total das exportações (ou mportações). Tal como no caso anteror, o grau de desagregação deverá depender do objectvo da análse. Assm: j j j j corresponde ao peso das exportações com destno ao país no total das exportações do país j; representa o peso das mportações com orgem no país no total das mportações do país j. Os Quadros V e VI fornecem exemplos concretos deste tpo de estrutura. 7
Quadro V - Estrutura das exportações portuguesas de mercadoras, prncpas países de destno (2009) Exportações (mlhares Estrutura (%) de euros) Comérco ntracomuntáro UE27 23 963 790 75% Espanha 8 652 918 27% Alemanha 4 099 667 13% França 3 940 828 12% Reno Undo 1 821 117 6% Itála 1 193 789 4% Países Baxos 1 147 102 4% Bélgca 777 798 2% Comérco extracomuntáro 7 804 366 25% Angola 2 242 450 7% Estados Undos 1 012 141 3% Total exportações mercadoras 31 768 156 100% Fonte: INE: Anuáro Estatístco de Portugal 2009 Pela análse do Quadro V podemos verfcar que, em 2009, Espanha absorva 27% das exportações portuguesas de mercadoras (prncpal clente). Por sua vez, o Quadro VI evdenca que, em 2009, Espanha fo também o prncpal fornecedor de mercadoras, com um peso de 33% no total das mportações portuguesas de mercadoras. Quadro VI - Estrutura das mportações portuguesas de mercadoras, prncpas países de orgem (2009) Importações (mlhares de euros) Estrutura (%) Comérco ntracomuntáro UE27 40 365 378 79% Espanha 16 764 743 33% Alemanha 6 813 091 13% França 4 288 227 8% Itála 2 979 271 6% Países Baxos 2 812 231 5% Reno Undo 1 696 816 3% Bélgca 1 455 370 3% Comérco extracomuntáro 11 002 509 21% Brasl 887 528 2% Chna 1 114 669 2% Estados Undos 864 390 2% Ngéra 1 242 871 2% Total mportações mercadoras 51367887 100% Fonte: INE: Anuáro Estatístco de Portugal 2009 8
Note-se que os ndcadores de estrutura (quer de composção quer de drecção) apresentam uma séra lmtação devdo ao facto de tratarem de forma ndependente as exportações e as mportações. 4. ÍNDICE DAS VANTAGENS COPARATIVAS REVELADAS (VCR) O índíce das vantagens comparatvas reveladas (ou quota de mercado normalzada) ndca o modo como as vantagens comparatvas surgem 'reveladas', à posteror, nas estatístcas do comérco externo, defnndo-se do segunte modo: VCR = j j k k Onde: j é o país em análse k é um país ou uma zona de referênca (por exemplo, Europa ou undo); é um produto/sector de actvdade. j representa as exportações de bens do sector pelo país j j corresponde ao total das exportações do país j k representa as exportações do sector no país/regão k k corresponde ao total das exportações do país/regão k. Na base deste ndcador, um país dz-se relatvamente especalzado nas exportações de um determnado produto/sector se a sua quota de mercado nesse produto é maor do que a méda, ou, de forma equvalente, se o peso do produto nas exportações do país é maor do que o peso que esse produto tem nas exportações da área de referênca. 5 Ou seja, se o ndcador for maor que 1 sgnfca maor especalzação relatva no sector por parte do país j do que por parte do país ou zona de referênca k. Um valor nferor a 1 traduz uma menor concentração relatva das exportações do país j no sector do que o país/zona de referênca k. Assm, podemos dzer que se o ndcador for superor a 1 o país 'revela' uma vantagem comparatva no sector. Se o ndcador for nferor a 1, o país revela uma desvantagem comparatva nesse sector. 5 De facto o índce das vantagens comparatvas reveladas compara a mportânca que um sector tem nas exportações do país j com o peso desse sector nas exportações de uma zona de referênca. Especfcamente, o numerador representa o peso das exportações do sector no total das exportações do país j, enquanto o denomnador representa a mesma nformação para a zona de referênca. 9
Note-se que este ndcador acaba por ser um auxlar útl para a comparação de estruturas de comérco, quer da composção quer da drecção do comérco. Porque relatvza os dados estruturas do país comparando-os com outros países ou grupos de países relevantes em termos polítcos e geográfcos, permte reforçar a análse que é possível fazer com a letura dos quadros IV, V e VI. 6 5. COEFICIENTE DE ESPECIALIZAÇÃO DE BALASSA 5.1 Especalzação O coefcente de especalzação de Balassa relacona o saldo da balança comercal do sector com o respectvo volume de trocas externas (balança comercal normalzada), ou seja: b = + Tal como a taxa de cobertura sectoral, este ndcador permte dstngur os sectores em que a economa se encontra especalzada quando o ndcador é postvo dos sectores defctáros que apresentam um coefcente negatvo. De facto, o coefcente de Balassa pode ser calculado a partr da taxa de cobertura. Dvdndo o numerador e o denomnador por, obtemos: b = + = + = c c 1 + 1 Esta relação entre o coefcente de especalzação de Balassa e a taxa de cobertura sugere que os cudados necessáros na nterpretação desta são também váldos para o prmero. 6 De facto, ao índce podemos assocar não um sector de actvdade mas um país de destno, no j j caso das exportações, ou de orgem, no caso das mportações. Neste caso, compara o peso k k das exportações do país j com destno ao país com o peso das exportações da zona de referênca com destno ao mesmo país. Um ndcador maor (menor) do que 1 ndca que as exportações do país j para o país são maores (menores) do que o esperado, dada a mportânca do país nas exportações da zona de referênca. 10
Uma vantagem do coefcente de especalzação de Balassa relatvamente à taxa de cobertura sectoral é a facldade de letura que resulta da sua smetra. O ndcador assume valores entre -1 e 1. Valores extremos deste coefcente correspondem a uma especalzação unívoca, respectvamente exclusvamente mportador e exclusvamente exportador. Um valor de zero corresponde a um saldo comercal nulo. 5.2 Padrão das trocas: trocas ntra-sectoras vs. trocas nter-sectoras Uma segunda função do coefcente de Balassa é permtr a medção dos fenómenos de especalzação que se stuam a níves mas fnos. Fala-se, assm, de uma especalzação ntra-ramo medda ao nível de cada ramo ou de uma especalzação ntra-produto medda ao nível de cada produto. 7 Como fo dto atrás, se o coefcente apresenta valores próxmos de -1, o país em questão tem uma fraca posção compettva no sector ( tende para zero), enquanto que se o coefcente se aproxmar de 1 sgnfca uma forte especalzação (exportações do sector mportantes e mportações pouco sgnfcatvas). Em ambos os casos estaremos perante um padrão de especalzação nter-ramo, ou nter-sectoral, traduzndo o facto de as trocas serem em grande medda undrecconas: o sector é predomnantemente exportador ou mportador. Por outro lado, se o coefcente se stuar próxmo de zero, as exportações e as mportações equvalem-se e estaremos perante um padrão de especalzação ntra-ramo. Se exstrem smultaneamente elevados volumes de exportações e de mportações (o valor de - é reduzdo mas o de + é elevado), sso sgnfca que se está na presença de uma forte especalzação ntra-ramo (já que, por defnção, elevado comérco ntra-ramo sgnfca elevados níves de e ). Note-se que se o coefcente de Balassa for gual a 1/3 ou 1/3 o sector apresenta um nível dêntco de trocas ntra-ramo e nter-ramo, o que sugere que sempre que o ndcador se afastar de um desses valores em drecção a zero, a preponderânca das trocas ntra-ramo aumenta, reduzndo-se proporconalmente a relevânca das trocas nter-sectoras. O caso 7 Como evdencado por Iapadre (2001), para medr o comérco ntra-ramo por vezes também se recorre ao um índce proposto por Grubel e Lloyd em 1971, o qual é calculado da segunte forma: GL = 1. De facto, consderando o seu valor absoluto, o ndcador de Balassa é gual ao + complemento para a undade do índce proposto por Grubel e Lloyd. 11
contráro (valores cada vez mas dstantes de ±1/3 e mas próxmos de ±1) traduz uma preponderânca crescente das trocas nter-ramo no contexto das trocas sectoras. Deve ser tdo em conta, contudo, que o resultado para este coefcente depende bastante do nível de desagregação adoptado. Uma agregação excessva poderá revelar, erradamente, trocas ntra-sectoras. Isto acontecerá se por convenênca estatístca ou erro de análse forem agrupados sectores estruturalmente bastante dstntos que sejam uns predomnantemente exportadores e outros predomnantemente mportadores. Por maora de razão, será nválda qualquer tentatva de nterpretação ao nível do padrão de especalzação com todos os sectores da economa agregados. Note-se, anda, que este ndcador não ncorpora qualquer nformação quanto à produção sectoral. Não sendo sensível à relevânca do comérco externo na economa, a sua análse deve ser complementada com outros ndcadores que conjuguem varáves de comérco externo com varáves de produção naconal (e.g. grau de abertura). Atendamos a um exemplo: QUADRO VII. PRODUÇÃO E COÉRCIO E DOIS PAÍSES SELECCIONADOS (ILHÕES DE EUROS) Produção Exportações Importações Sector 1000 11 10 Sector j 1000 300 200 O coefcente de Balassa é gual a 0.05 para o sector e a 0.2 para o sector j. Contudo, sera manfestamente errado conclur por uma mas forte especalzação ntra-ramo em do que em j uma vez que o comérco externo é quase rrelevante no prmero. B) INDICADORES DE INTERNACIONALIZAÇÃO DAS EPRESAS A UNCTAD Unted Natons Conference on Trade and Development utlza os três rácos seguntes como ndcadores do grau de envolvmento externo das empresas: - Actvos detdos no exteror/total actvos (A) - Vendas no exteror/total das vendas (V) - Emprego no exteror/total do emprego (E) 12
Na medda em que as empresas podem dferr muto em termos de cada um dos três ndcadores ndvdualmente consderados, em termos globas, para aferr o nível nternaconalzação das empresas a UNCTAD utlza o índce de transnaconaldade (TNI transnatonalty ndex), o qual é obtdo pela méda dos três rácos anterores. TNI = A + V + E 3 Note-se que as maores empresas multnaconas, herarquzadas de acordo com os actvos detdos no exteror, vendas no exteror ou emprego no exteror, apresentam níves de nternaconalzação muto dstntos, como evdencado no Quadro VIII. Quadro VIII Níves de nternaconalzação de algumas multnaconas Rankng by: Assets (llons USD) Sales (llons USD) Employment Foregn assets TNI Corporaton Foregn Total Foregn Total Foregn Total TNI (%) 1 75 General Electrc 401 290 797 769 97 214 182 515 171 000 323 000 52,2 Rankng by: Assets (llons USD) Sales (llons USD) Employment Foregn sales TNI Corporaton Foregn Total Foregn Total Foregn Total TNI (%) 1 42 Exxonobl Corporaton 161 245 228 052 321 964 459 579 50 337 79 900 67,9 Rankng by: Foregn employment TNI Corporaton Foregn Total Foregn Total Foregn Total TNI (%) 1 97 Wal-art Stores 62 514 163 429 98 645 401 244 648 905 2 100 000 31,2 Fonte: UNCTAD, World Investment Report 2010. Assets (llons USD) Sales (llons USD) Employment Bblografa: Gabnete de Estratégas e Estudos (2010), Vantagens Comparatvas Reveladas do comérco nternaconal português por grupos de produtos, Destaques, BEP Nº 12/2010. Iapadre, P. (2001), easurng Internatonal Specalzaton, Internatonal Advances n Economc Research, Vol. 7, Nº2, pp.173-183. OECD (2003), A taxonomy of statstcal ndcators for the analyss of nternatonal trade and producton. OECD (2010), OECD Factbook 2010: Economc, Envronmental and Socal Statstcs, OECDlbrary, aceddo em 17-01-2011. UNCTAD (város anos), World Investment Report World Bank, Internatonal Economcs & Trade Data & Statstcs, aceddo em 21-01-2011. 13