Lista de exercícios sobre integrais

Documentos relacionados
Integrais indefinidas

Apostila Cálculo Diferencial e Integral I: Integral

Índice. AULA 6 Integrais trigonométricas 3. AULA 7 Substituição trigonométrica 6. AULA 8 Frações parciais 8. AULA 9 Área entre curvas 11

Técnicas de. Integração

parciais primeira parte

4 de outubro de MAT140 - Cálculo I - Método de integração: Frações Parciais

Alexandre Miranda Alves Anderson Tiago da Silva Edson José Teixeira. MAT146 - Cálculo I - Integração por Frações Parciais

Objetivos. Exemplo 18.1 Para integrar. u = 1 + x 2 du = 2x dx. Esta substituição nos leva à integral simples. 2x dx fazemos

Elaborado por: João Batista F. Sousa Filho (Graduando Engenharia Civil UFRJ )

OUTRAS TÉCNICAS DE INTEGRAÇÃO

MATEMÁTICA II. Profa. Dra. Amanda Liz Pacífico Manfrim Perticarrari

CÁLCULO I. 1 Derivada de Funções Elementares

Aula 34. Alexandre Nolasco de Carvalho Universidade de São Paulo São Carlos SP, Brazil

Integração por frações parciais - Parte 1

Substituição Trigonométrica

Técnicas de Integração

UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO. Resumo. Nesta aula, apresentaremos a noção de integral indefinidada. Também discutiremos

Aula 25 Técnicas de integração Aula de exercícios

Primitivas e a integral de Riemann Aula 26

Integrais indefinidas

CÁLCULO I Prof. Edilson Neri Júnior Prof. André Almeida

Integração por partes

CÁLCULO I Prof. Marcos Diniz Prof. André Almeida Prof. Edilson Neri Júnior

MAT146 - Cálculo I - Derivada de funções polinomiais, regras de derivação e derivada de funções trigonométricas

Matemática Régis Cortes EQUAÇÕES DE GRAUS

Da figura, sendo a reta contendo e B tangente à curva no ponto tem-se: é a distância orientada PQ do ponto P ao ponto Q; enquanto que pois o triângulo

Teoremas e Propriedades Operatórias

Terceira Lista de Exercicios de Cálculo I Rio de Janeiro 1 de abril de 2013

Integrais. ( e 12/ )

Primitivação de funções reais de variável real

CÁLCULO I. 1 A Função Logarítmica Natural. Objetivos da Aula. Aula n o 22: A Função Logaritmo Natural. Denir a função f(x) = ln x;

Tópico 4. Derivadas (Parte 1)

Universidade Federal de Pelotas. Instituto de Física e Matemática Pró-reitoria de Ensino. Módulo de Limites. Aula 01. Projeto GAMA

UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DE PERNAMBUCO UNIDADE ACADÊMICA DO CABO DE SANTO AGOSTINHO CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL

Equação algébrica Equação polinomial ou algébrica é toda equação na forma anxn + an 1 xn 1 + an 2 xn a 2 x 2 + a 1 x + a 0, sendo x

x 2 + (x 2 5) 2, x 0, (1) 5 + y + y 2, y 5. (2) e é positiva em ( 2 3 , + ), logo x = 3

REVISÃO DE ÁLGEBRA. Apareceu historicamente em processos de contagem. Obs.: dependendo da conveniência, o zero pode pertencer aos naturais.

Equações Diferenciais de Segunda Ordem. Copyright Cengage Learning. Todos os direitos reservados.

1. Polinómios e funções racionais

Polinômios de Legendre

EXEMPLOS Resolva as equações em : 1) Temos uma equação completa onde a =3, b = -4 e c = 1. Se utilizarmos a fórmula famosa, teremos:

DERIVADAS PARCIAIS. y = lim

UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO

Como, neste caso, temos f(x) = 1, obviamente a primitiva é F(x) = x, pois F (x) = x = 1 = f(x).

Equações Diferenciais Noções Básicas

= 2 sen(x) (cos(x) (b) (7 pontos) Pelo item anterior, temos as k desigualdades. sen 2 (2x) sen(4x) ( 3/2) 3

Cálculo de primitivas ou de antiderivadas

CÁLCULO I. Calcular integrais envolvendo funções trigonométricas; Apresentar a substituição trigonométrica. Iniciaremos com o seguinte exemplo:

( x)(x 2 ) n = 1 x 2 = x

Exercícios de Coordenadas Polares Aula 41

DERIVADAS. Duane Damaceno 1 de julho de Taxa de variação 2

MATEMÁTICA I FUNÇÕES. Profa. Dra. Amanda L. P. M. Perticarrari

Departamento de Matemática - UEL Ulysses Sodré. 1 Comparações entre sequências e funções reais 1

Material Teórico - Módulo Equações do Segundo Grau. Equações de Segundo Grau: outros resultados importantes. Nono Ano do Ensino Funcamental

Aula 5 Equação Diferencial de Segunda Ordem Linear e Coeficientes constantes:

CÁLCULO I. Iniciaremos com o seguinte exemplo: u 2 du = cos x + u3 3 + C = cos3 x

Derivada - Parte 2 - Regras de derivação

Módulo de Círculo Trigonométrico. Relação Fundamental da Trigonometria. 1 a série E.M.

Capítulo 5 Integral. Definição Uma função será chamada de antiderivada ou de primitiva de uma função num intervalo I se: ( )= ( ), para todo I.

Exemplos de equações diferenciais

Apostila Cálculo Diferencial e Integral I: Derivada

Universidade Federal do Pará Instituto de Tecnologia. Cálculo III. Campus de Belém Curso de Engenharia Mecânica

ALUNO(A): Nº TURMA: TURNO: DATA: / / COLÉGIO:

Bons estudos e um ótimo semestre a todos!

UNIFEI - UNIVERSIDADE FEDERAL DE ITAJUBÁ PROVA DE CÁLCULO 1

1.1. Expressão geral de arcos com uma mesma extremidade Expressão geral de arcos com uma mesma extremidade

Se a função de consumo é dada por y = f(x), onde y é o consumo nacional total e x é a renda nacional total, então a tendência marginal ao consumo é ig

AT3-1 - Unidade 3. Derivadas e Aplicações 1. Cálculo Diferencial e Integral. UAB - UFSCar. Bacharelado em Sistemas de Informação

MAT146 - Cálculo I - Derivada das Inversas Trigonométricas

4 ÁLGEBRA ELEMENTAR. 4.1 Monômios e polinômios: valor numérico e operações.

1. Limite. lim. Ou seja, o limite é igual ao valor da função em x 0. Exemplos: 1.1) Calcule lim x 1 x 2 + 2

de Potências e Produtos de Funções Trigonométricas

MATEMÁTICA II. Profa. Dra. Amanda Liz Pacífico Manfrim Perticarrari

INTEGRAÇÃO DE FUNÇÕES RACIONAIS

UNIVERSIDADE FEDERAL DO ABC. 1 Existência e unicidade de zeros; Métodos da bissecção e falsa posição

MATEMÁTICA MÓDULO 10 EQUAÇÕES E INEQUAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS 1. EQUAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS BÁSICAS 1.1. EQUAÇÃO EM SENO. sen a arcsena 2k, k arcsena 2k, k

A Derivada. Derivadas Aula 16. Alexandre Nolasco de Carvalho Universidade de São Paulo São Carlos SP, Brazil

1 A Equação Fundamental Áreas Primeiras definições Uma questão importante... 7

1. Arcos de mais de uma volta. Vamos generalizar o conceito de arco, admitindo que este possa dar mais de uma volta completa na circunferência.

Derivadas. Slides de apoio sobre Derivadas. Prof. Ronaldo Carlotto Batista. 21 de outubro de 2013

Integração por Partes

Frações Parciais e Crescimento Logístico

x exp( t 2 )dt f(x) =

A = B, isto é, todo elemento de A é também um elemento de B e todo elemento de B é também um elemento de A, ou usando o item anterior, A B e B A.

A Regra da Cadeia. V(h) = 3h 9 h 2, h (0,3).

Cálculo Diferencial e Integral I

de Potências e Produtos de Funções Trigonométricas

EQUAÇÕES POLINOMIAIS

Transcrição:

Universidade Federal de Ouro Preto Instituto de Ciências Exatas e Biológicas ICEB Departamento de Matemática DEMAT Cálculo Diferencial e Integral A Lista de exercícios sobre integrais Questão : Em nossa disciplina de Cálculo, estudamos a derivada desde sua definição formal, até as regras de derivação. O foco era calcular a derivada de uma dada função. Agora vamos percorrer o caminho contrário: dada a derivada, encontrar a própria função. Definição: Uma função F (x) é uma antiderivada ou primitiva de f(x) em (a, b) se F (x) = f(x) para cada x (a, b). Exemplos: F (x) = sen x é uma antiderivada de f(x) = cos x, pois (sen x) = cos x. F (x) = 3 x3 é uma antiderivada de f(x) = x, pois ( 3 x3 ) = x. Observe que F (x) = 3 x3 +, F (x) = 3 x3 7 e F (x) = 3 x3 + 00 também são antiderivadas de f(x) = x. Em geral, qualquer função F (x) = 3 x3 + C, para qualquer constante C, é uma primitiva para f(x) = x. Note que este fato é válido para quaisquer funções F (x) e f(x), ou seja, se F (x) é uma antiderivada de f(x), então F (x) + C também é uma antiderivada de f(x). A notação f(x) = F (x) + C significa que F (x) = f(x). Dizemos que F (x) + C é a integral indefinida de f(x). Com base no exposto, resolva as integrais indefinidas abaixo: a) x h) (3x 4 5x + 4 sen x) b) x i) (3 cos x sen x) c) e x x n cos x + 7 sen x + 0x 3, n j) 5 d) x x x + 0x 3 k) x e) sen x l) x + f) e x g) (x + x )

Questão : O processo de integração não é tão simples quanto o de derivação. Porém, há algumas ideias e técnicas que são facilmente aplicáveis, como a aplicação das propriedades de integração já vistas no exercício anterior. Uma outra técnica muito importante de integração é a Regra da Substituição Simples. Esta regra consiste na aplicação da Regra da Cadeia (para derivadas!) ao contrário. Exemplo: d sen (x ) = x cos(x ) x cos(x ) = sin (x ) + C Veja que, no integrando, temos uma função de fora, cos x, e uma função de dentro, x, e que há um produto entre a funcão de fora e a derivada da função de dentro. Essa expressão caracteriza, exatamente, uma derivada de uma função composta calculada pela Regra da Cadeia. Quando encontramos sua primitiva, estamos fazendo o processo contrário da Regra da Cadeia. Se chamarmos a função de fora de f(x) e a função de dentro de u(x), podemos escrever a Regra da Substituição Simples como a fórmula seguinte. Se F (x) = f(x), então f(u(x)) u (x) = F (u(x)) + C Apesar de sua ideia ser bastante simples, a aplicação da Regra da Substituição Simples não é tão trivial. Como você faria para calcular (e x + ). Antes de vermos como faremos para aplicar a regra, falaremos um pouco sobre as diferenciais, pois eles podem facilitar a aplicação da Regra da Substituição Simples. Entendemos as diferenciais como os símbolos, dy ou du, que aparecem nas notações de derivadas, du, e de integrais f(x). Nâo é o correto, entretanto podemos tratá-los como símbolos que podem ser manipulados algebricamente, ou seja, podem ser multiplicados, divididos, ou, principalmente, cancelados em algumas operações: du = du, ou, equivalentemente, du = u (x) (lembre-se da notação da derivada du = u (x) e passe o multiplicando ). Exemplo: ) Calcular (3x + )(x 3 + x) 5 Passo : Escolher a função u e calcular du. Uma boa dica é identificar a composição de funções do integrando e escolher para u a função de dentro, neste caso u = x 3 + x. E para calcular du, basta derivar u e acrescentar, assim du = (3x + ). Passo : Reescrever a integral em termos de u e du e calcular.

Nesta etapa, basta trocar as expressões em termos de x por expressões em termos de u, de acordo com o passo. Desta forma, (3x + )(x 3 + x) 5 = (x 3 + x) 5 (3x + ) = u 5 du = 6 u6 + C. Passo 3: Expressar a resposta final em termos de x. Aqui, basta destrocar as expressões em termos de u por expressões em termos de x. Fazemos 6 u6 + C = 6 (x3 + x) 6 + C. Com base no exposto, resolva as integrais indefinidas abaixo: a) (3x ) 0 h) e 3x b) xe x i) e ax c) x+ j) x d) sen(x) k) ln x x e) sen (ax) l) x 3 x + f) (x + )(x + x ) 000 m) x 5 x + g) arctg x x + n) x x + Questão 3: Calcule as integrais indefinidas abaixo: (ln x) (a) x sen x (f) (k) sen πt dt x cos t (b) (3x ) 0 (g) dt (l) e tg x sec x t (c) (x + ) x + x (h) cos θ sen 6 x θ dθ (m) 4 x + (d) (i) e x + e 5 3x x (n) x 3 x + sen x cos(π/x) (e) (j) sec 3 x tg x (o) + cos x x Questão 4: (O Problema da Área) Um dos problemas mais antigos da matemática é o problema de 3

calcular áreas de figuras planas. Recentemente, após o desenvolvimento da Geometria Analítica,este problema foi tratado da seguinte forma: Considere uma função f(x) positiva definida em um intervalo [a, b]. Como encontrar a área A da região abaixo do gráfico de f e acima do eixo x? Figura : O problema da área. Este problema foi resolvido aproximando a área da figura pela soma de áreas de retângulos como na figura a seguir: Figura : Observe que a soma das áreas dos retângulos é uma aproximação da área abaixo do gráfico de f. Se diminuirmos a base de cada um dos retângulos na Figura, aumentaremos o número de retângulos e consequentemente, obteremos uma melhor aproximação para o problema da área. Como você pode inferir, para a resolução do problema da área passamos por um limite, isto é a área exata deve ser obtida ao fazermos as bases desses retângulos tenderem a zero, denotamos esse limite por b a f(x), caso ele exista, assim A = b a f(x). 4

Dizemos ainda que b f(x) é a integral definida de f calculada de a até b e que f é inegrável em a [a, b]. Note a semelhança entre as notações para a integral definida e indefinida. Isso sugere alguma relação entre elas, mesmo que tenham sido definidas a partir de raciocínios tão distintos. Essa ligação entre esses dois tipos de integral será evidenciada a seguir com o Teorema Fundamental do Cálculo. Entretanto, antes de enunciarmos o Teorema Fundamental do Cálculo, será conveniente estudarmos algumas propriedades da integral definida. Quando definimos a integral definida, levamos em conta uma função f definida em um intervalo [a, b], sendo a < b. Mas e se b fosse menor do que a? E se a e b fossem iguais? Nossa definição não cobre esses casos. Por conveniência iremos definir b a a a f(x) = 0 quando a está no domínio de f e f(x) = a b f(x) quando f for integrável em [a, b] Propriedades da Integral Definida Como as integrais definidas são dadas por um limite, algumas propriedades dos limites são automaticamente verdadeiras para as integrais. Assim, se f for integrável em [a, b], vamos admitir as seguintes propriedades. ) b cf(x) = c b f(x), a constante passa para fora da integral ; a a ) b [f(x) + g(x)] = b f(x) + b a a a g(x), a integral da soma é a soma das integrais; 3) b [f(x) g(x)] = b f(x) b g(x), a integral da diferença é a diferença das integrais a a a Agora, motivados pela interpretação da integral como área, vamos ver uma das propriedades mais importantes da integral definida. Considere a função f integrável em [a, b] e c [a, b]. Certamente, a área sob o gráfico de f e acima do intervalo [a, b] pode ser interpretada como a soma de duas áreas, as áreas sob o gráfico de f e acima dos intervalos [a, c] e [c, b], como ilustra a figura a seguir. Isto Figura 3: Na figura a < c < b. nos leva a estabelecer a seguinte propriedade, enunciada sem prova. 5

Se f for integrável em um intervalo fechado contendo os pontos a, b e c, então b f(x) = c f(x) + b a a c f(x) O Teorema Fundamental do Cálculo Quando estudamos as integrais definida e indefinida, vimos que elas não parecem relacionadas. A integral indefinida vem diretamente das antiderivadas, assim está intrinsecamente relacionada com as derivadas, já a integral definida aparece como a solução do problema da área, uma soma de áreas de retângulos. Foi uma grande descoberta matemática a relação entre as antiderivadas e o problema da área. Creditamos esta descoberta a Newton e Leibniz e por isso eles são chamados de Pais do Cálculo. Teorema (Teorema Fundamental do Cálculo) Se uma função f for contínua em [a, b], então a função F definida por F (x) = x a f(t) dt é uma antiderivada de f em (a, b), isto é F (x) = f(x) em (a, b). Além disso, b a f(x) = F (b) F (a). Exemplo: Temos que F (x) = x3 é uma antiderivada de f(x) = 3 x, então pelo Teorema Fundamental do Cálculo x = F () F () = 3 3 3 3 = 7 3 Com base na exposição, resolva resolva as integrais definidas abaixo. (a) (b) 0 π 0 (u 5 u 3 + u ) du (f) (4 senθ 3 cos θ) dθ (g) 0 0 x ( + x 3 ) 5 e z + e z + z dz (c) π/4 0 + cos θ cos θ dθ (h) e 4 e x ln x (d) (e) 4 (x x ) (i) 5 x (j) 4 0 π/3 0 x + x senθ cos θ dθ 6

Questão 5: Utilize o Teorema Fundamental do Cálculo para calcular as derivadas das funções abaixo: a) F (x) = x t (t 4 +) 9 dt b) F (x) = ln(5+arctan x tπ ) c) F (x) = x (sen φ cos φ) 5 dφ x 3 Questão 6: (Integração por partes) Dada uma integral do tipo f(x).g (x), utilizamos a notação diferencial u = f(x), du = f (x), dv = g (x) e v = g(x), e escrevemos f(x).g (x) = u dv = uv v du = f(x).g(x) g(x).f (x) Exemplo: Considere x cos x, tomando u = x e dv = cos x, teremos du = = e v = sen x, portanto x cos x = u dv = uv v du = xsen x sen x = xsen x ( cos x)+c = xsen x+cos x+c. A grande dificuldade da Integração por Partes é a escolha correta de u e dv. Como identificar corretamente u e dv? E se, no exemplo anterior, tivéssemos escolhido u = cos x e dv = x? Será que teríamos trocado uma integral mais difícil por uma mais fácil? Faça o teste e convença-se que não. Mas como saber qual é a escolha adequada? Essa pergunta não possui uma regra geral como resposta. Temos sempre que ter como objetivo obter uma integral mais fácil de calcular. Se fizemos uma escolha e a integral obtida, não ficar mais fácil, devemos trocar nossa escolha. Usualmente a prática faz com que façamos escolhas melhores já na primeira tentativa, mas há uma dica que pode ser seguida se você ainda não tem muita experiência no cálculo de integrais: siga o acrônimo LIATE. O LIATE pode ser utilizado quando o integrando for um produto de duas funções de categorias distintas da lista Logarítmica, trigonométrica Inversa, Algébrica, Trigonométrica, Exponencial, e indica uma ordem para a escolha de u, ou seja, escolhemos para u a função do tipo que ocorre antes na lista acima e para dv o restante do integrando. No exemplo anterior x é uma função algébrica e cos x é uma função trigonométrica, se seguirmos o acrônimo LIATE, temos que escolher u = x, pois a função algébrica aparece antes da trigonométrica, exatemente como fizemos no exemplo. Ainda, é importante salientar que essa regra não vale sempre, mas o bastante para ser útil. 7

Com base na exposição, resolva resolva as integrais abaixo. (a) e x (f) x 0 x e x (b) θ cos θ dθ (g) arctan z dz (c) (d) e t 9 ln t dt ln x (h) (i) ln y y 3 dy sec 3 x (e) x arctan x Questão 7:(Substituição Trigonométrica) O método da Substituição Trigonométrica é utilizado para resolver integrais que contém expressões do tipo a x, a + x e x a, sendo a é uma constante. Basicamente, para resolver tais problemas, faremos substituições do tipo ( x ( x ( x u = arcsen, u = arctan e u = arcsec, a) a) a) dependendo do radical do integrando. Pela própria definição das substituições indicadas, u sempre representa um ângulo, por isso vamos chamá-lo de θ. Vamos ainda, a fim de tornar a substituição mais efetiva e simples, escrever a substituição de uma maneira diferente da usual, ou seja, vamos fazer x em função de θ. No caso θ = arcsen ( x a), por exemplo, vamos inverter a função arcsen, obtendo x = a sen θ. Porém, quando fazemos essa inversão, temos que ter cuidado, pois a função arcsen x só é inversa de sen x, se π/ x π/. Assim, a substituição descrita só é válida se π/ θ π/. Então, a substituição que faremos será x = asen θ, para π/ θ π/. Para as outras substituições podemos fazer raciocínios semelhantes. Neste texto, vamos focar na resolução de integrais com expressões do tipo a x, que são resolvidas com a substituição x = a senθ, para π/ θ π/. Veja no exemplo a seguir. Exemplo:Calcular a integral (9 x ). Fazemos a substituição x = 3sen θ e = 3 cos θ dθ, para π/ θ π/, obtendo (9 x ) = (9 9sen θ).3 cos θ dθ = 9( sen θ).3 cos θ dθ. 8

Usando a identidade trigonométrica fundamental sen θ + cos θ =, obtemos 9( sen θ).3 cos θ dθ = (9 cos θ).3 cos θ dθ. O grande trunfo deste método é a eliminação do radical. Isso pode ser feito pois, no intervalo π/ θ π/, temos que cos θ 0 e portanto cos θ = cos θ. Assim, a integral anterior pode ser escrita como (9 cos θ).3 cos θ dθ = 3 cos θ.3 cos θ dθ = 9 cos θ dθ. Utilizando a identidade trigonométrica cos cos θ θ =, obtemos 9 cos θ dθ = 9 ( cos θ) dθ = 9 ( θ Aplicando a identidade trigonométrica sen θ = sen θ cos θ, temos 9 θ + 9 4 sen θ + C = 9 θ + 9 sin θ cos θ + C. ) sen θ + C. Agora, ainda temos que retornar para a variável x. Na primeira expressão, basta utilizarmos a definição da substituição x = 3sen θ e, partindo daí, escrever θ em função de x, ou seja, θ = arcsen ( x 3). Mais uma vez, note que tal inversão só pode ser feita porque π/ θ π/. Para as expressões trigonométricas envolvendo θ é conveniente desenhar um triângulo retângulo apropriado. Partimos da substituição x = 3sen θ, escrevemos sen θ = x e desenhamos um triângulo retângulo 3 com um ângulo agudo θ e com catetos e hipotenusa que satisfaçam sen θ = x, ou seja, que o cateto 3 oposto a θ seja x e a hipotenusa seja 3. Daí calculamos o outro cateto pelo Teorema de Pitágoras. Veja a figura abaixo. Figura 4: O triângulo retângulo da substituição sen θ = x 3. Com base no triângulo desenhado, podemos calcular qualquer razão trigonométrica do ângulo θ. 9

Assim, temos que senθ = x e cos θ = 9 x. Substituindo na resposta obtida em termos de θ, vamos 3 3 obter a resposta em termos de x 9 θ + 9 sin θ cos θ + C = 9 ( x ) arcsen + 9 3 x 3 9 x + C = 9 ( x ) 3 arcsen + 3 x 9 x + C. Observação: Para calcular integrais definidas você pode utilizar qualquer uma das maneira vistas na substituição, ou seja, você pode calcular a integral indefinida primeiro e após, com a primitiva encontrada, aplicar o Teoream Fundamental do Cálculo, ou você pode fazer a substituição diretamente na integral definida, alterando, também, os limites de integração. Com base na exposição, resolva resolva as integrais abaixo. (a) x x 4 + x (c) + x 0 (b) (d) dz x z 3 z 9 Questão 7:(Introdução ao Método das Frações Parciais) Considere a seguinte soma de frações 3 x + 3(x 5) (x + ) = x 5 (x + )(x 5) Como podemos utilizar esse fato para resolver a integral = x 7 x 4x 5. x 7 x 4x 5 pode ser resolvida por nenhum dos métodos vistos anteriormente? Primeiro, como 3 = x 7, temos que x+ x 5 x 4x 5 3 x + x 5 = x 7 x 4x 5 Daí, separando a soma e passando as constantes para fora, temos, que é uma integral que não 3 x + x 5 = 3 ln x+ ln x 5 +C = ln x+ 3 ln(x 5) x + 3 +C = ln (x 5) +C Até aí, muito simples, a integral de uma fração complicada, foi trocada por uma soma de integrais de frações mais simples que puderam ser resolvidas. Mas e se tivermos que resolver a integral 3x + 4 x + x 6 3x+4 e não soubermos nada a respeito da fração? O Método das Frações Parciais consiste em x +x 6 encontrarmos uma soma de frações mas simples equivalentes à fração mais complicada. Cada parcela desta soma mais simples é uma fração parcial da fração mais complicada. 0

Em primeiro lugar, é preciso esclarecer que o Método das Frações Parciais só pode ser aplicado em um quociente de polinômios p(x)/q(x) quando o grau do polinômio p(x) for menor do que o grau de q(x). Há alternativas para tratarmos dos demais casos, mas vamos explorá-los depois. Além disso, o Método das Frações Parciais está diretamente relacionado com a fatoração do denominador q(x). Assim, vamos relembrar algumas propriedades de polinômios que devem ter sido estudadas no ensino médio. Teorema Suponha que p(x) = a n x n + a n x n +... + a x + a 0 é um polinômio com coeficientes reais que possui n raízes reais: x, x,..., x n. Então p(x) pode ser escrito como p(x) = a n (x x )(x x )...(x x n ). A prova deste Teorema não é de nosso interesse em Cálculo, e é feita em um curso de Álgebra. Nos interessa é a aplicação deste teorema para fatorarmos polinômios. Vamos ver alguns exemplos. Exemplos: ) Fatorar p(x) = x + x 6. Utilizando a Fórmula de Bháskara, podemos encontrar as raízes de p(x) que são x = e x = 3. Assim, temos p(x) = (x )(x ( 3)) = (x )(x + 3). ) Fatorar p(x) = x 3 3x + x. Encontrar raízes não é a única maneira de fatorar um polinômio, se temos um fator comum em todos os termos, podemos colocá-lo em evidência. Neste caso, fazemos p(x) = x(x 3x + ). E então, encontramos as raízes de x 3x + pela Fórmula de Bháskara, obtendo x = e x =. Continuando a fatoração de p(x), obtemos p(x) = x(x )(x ). Observe que o fator x corresponde a uma raiz 0, pois x = x 0. 3) Fatorar p(x) = x x +. Neste caso, o discriminante da Fórmula de Bháskara é 0 e então obtemos x = como uma raiz de multiplicidade. A fatoração de p(x) fica p(x) =.(x )(x ) = (x ). Mais geralmente, polinômios de grau n podem ter raízes de multiplicidade no máximo n. Há polinômios que possuem raízes que não são reais. Nesse caso, podem aparecer fatores quadráticos na fatoração do tipo x +, que não pode ser fatorado no conjunto dos números reais, pois suas raízes são i e i.

Método das Frações Parciais - o. Caso Considere um quociente de polinômios p(x)/q(x), com grau de p(x) menor que grau de q(x) e que o denominador q(x) possa ser fatorado em um produto de fatores lineares distintos Então p(x)/q(x) pode ser escrito como em que A, A,..., A n são constantes. q(x) = (a x + b )(a x + b )...(a n x + b n ). p(x) q(x) = A + A A n +... +, a x + b a x + b a n x + b n Exemplo Calcular 3x+4 x +x 6. Passo : Fatorar o denominador q(x) e montar as frações parciais de p(x)/q(x). Pela Fórmula de Bháskara temos que as raízes de q(x) são x = e x = 3, assim, q(x) = (x )(x + 3). Daí, temos p(x)/q(x) = A + B. x x+3 Passo : Encontrar o valor das constantes do item anterior. Para isso, efetuamos a soma do item anterior 3x + 4 x + x 6 = p(x) q(x) = A x + B x + 3 = A(x + 3) + B(x ) (x )(x + 3) = Ax + 3A + Bx B. x + x 6 Colocando x em evidência no numerador temos 3x + 4 x + x 6 (A + B)x + (3A B) =. x + x 6 Como os denominadores são iguais, os numeradores também devem ser. Assim 3x + 4 = (A + B)x + (3A B). Igualando os coeficientes obtemos A + B = 3 3A B = 4 que é um sistema linear de duas equações a duas incógnitas. Este sistema pode ser resolvido de inúmeras maneiras. Após resolvê-lo, obtemos A = e B =

Ou seja, obtemos que 3x + 4 x + x 6 = x + x + 3. Passo 3: Substituir a fração complicada por uma soma de frações parciais e calcular a integral resultante. 3x + 4 x + x 6 = x + x + 3 = ln x + ln x + 3 + C = ln (x ) x + 3 + C. Método das Frações Parciais - o. Caso Considere um quociente de polinômios p(x)/q(x), com grau de p(x) menor que grau de q(x) e que o denominador q(x) possa ser fatorado em um produto de n fatores lineares, onde haja pelo menos um fator (a i x+b i ) que se repita k vezes, ou seja, q(x) = (a x+b )(a x+b )...(a i x+b i ) k... (a m x+b m ), k > e m < n. Então, para cada fator repetido (a i x + b i ) k, escrevemos as frações parciais correspondentes sendo A, A,..., A n constantes. Exemplo: A A + a i x + b i (a i x + b i ) +... + A k (a i x + b i ), k Calcular 5x 3x x 3 x. Passo : Fatorar o denominador q(x) e montar as frações parciais de p(x)/q(x). Neste caso, para fatorar q(x), basta colocar x em evidência, obtendo x (x ). Daí, para montarmos as frações parciais de p(x)/q(x), veja que, agora, há um fator repetido, x, então precisamos usar o o. caso. Para o fator (x-), fazemos como no caso anterior. Com isso obtemos p(x) q(x) = A x + B x + C x. Passo : Encontrar o valor das constantes do item anterior. Para isso, efetuamos a soma do item anterior 5x 3x x 3 x = p(x) q(x) = A x + B x + C x = Ax(x ) + B(x ) + Cx x (x ) = (A + C)x + (B A)x B x 3 x. Como os denominadores são iguais, os numeradores também devem ser. Assim 5x 3x = (A + C)x + (B A)x B. Igualando os coeficientes obtemos 3

A+ C = 5 A+ B = 3 B = que é um sistema linear de três equações a três incógnitas. Este sistema pode ser resolvido de inúmeras maneiras. Após resolvê-lo, obtemos A = e B = e C = 3 Ou seja, obtemos que 5x 3x = x 3 x x + x + 3 x. Passo 3: Substituir a fração complicada por uma soma de frações parciais e calcular a integral resultante. 5x 3x = x 3 x x + x + 3 x = ln x x + 3 ln x + C. Método das Frações Parciais - 3 o. Caso Considere um quociente de polinômios p(x)/q(x), com grau de p(x) menor que grau de q(x) e que o denominador q(x) em sua fatoração possua um polinômio do o grau irredutível (sem raízes reais). Seja q(x) = (a x + b )(a x + b )...(a n x + b n )(a n x + b n x + c), tal fatoração, em que (a n x + b n x + c) é um polinômio do o grau irredutível. Então p(x)/q(x) pode ser escrito como p(x) q(x) = A a x + b + A a x + b +... + em que A, A,..., A n, B, C são constantes. A n a n x + b n + Bx + C a n x + b n x + c, Exemplo Calcular x x 3 +x. Passo : Fatorar o denominador q(x) e montar as frações parciais de p(x)/q(x). Neste caso, para fatorar q(x), basta colocar x em evidência, obtendo x(x + ), sendo x + irredutível. Daí, para montarmos as frações parciais de p(x)/q(x), então precisamos usar o 3 o. caso. Para o fator x, fazemos como no o caso. Com isso obtemos p(x) q(x) = A x + Bx + C x + 4

Passo : Encontrar o valor das constantes do item anterior. Para isso, efetuamos a soma do item anterior x x 3 + x = p(x) q(x) = A x + Bx + C x + = A(x + ) + (Bx + C)x x(x + ) = (A + B)x + Cx + A. x 3 + x Como os denominadores são iguais, os numeradores também devem ser. Assim x = (A + B)x + Cx + A. Igualando os coeficientes obtemos A+ B = 0 C = A = que é um sistema linear de três equações a três incógnitas. Este sistema pode ser resolvido de inúmeras maneiras. Após resolvê-lo, obtemos A = e B = e C = Ou seja, obtemos que x x 3 + x = x + x + x + Passo 3: Substituir a fração complicada por uma soma de frações parciais e calcular a integral resultante. x = x 3 + x x + x x + + x + = ln x + ln(x + ) + arctan x + C. Método das Frações Parciais - 4 o. Caso Considere um quociente de polinômios p(x)/q(x), com grau de p(x) menor que grau de q(x) e que o denominador q(x) possa ser fatorado em um produto de n fatores lineares ou de grau dois, onde haja pelo menos um fator (a i x + b i x + c i ) que se repita k vezes. Então, para cada fator repetido (a i x + b i x + c i ) k, escrevemos as frações parciais correspondentes A + B x A + B x + a i x + b i x + c i (a i x + b i x + c i ) +... + A k + B k x (a i x + b i x + c i ), k sendo A, A,..., A n, B, B,..., B n constantes. Exemplo: Pelos o e 4 o métodos x 4 + x (x + ) = A x + B x + Dx + E x + + F x + G (x + ), repetindo os 3 passos dos exemplos anteriores, obtemos A = C = D = E = F = 0, B = e G =. Logo x 4 + x (x + ) = x (x + ). 5

Com base na exposição, resolva resolva as integrais abaixo. (a) x 9 (f) x 4 x 3x 0 x 4 (b) x (g) t t (t ) (c) 4z 7z z 3 +z 6z dz (h) x 3 (d) x 4 x (i) e x (e x )(e x +) (e) x x 3 +x 6