Econometria Semestre



Documentos relacionados
ECONOMETRIA. Prof. Patricia Maria Bortolon, D. Sc.

Universidade Federal do Rio de Janeiro

Características dos Processos ARMA

Prof. Carlos H. C. Ribeiro ramal 5895 sala 106 IEC

Prof. Lorí Viali, Dr. UFRGS Instituto de Matemática - Departamento de Estatística

Conceito. Exemplos. Os exemplos de (a) a (d) mostram séries discretas, enquanto que os de (e) a (g) ilustram séries contínuas.

3 Modelos de Markov Ocultos

Introdução aos Sinais

Séries temporais Modelos de suavização exponencial. Séries de temporais Modelos de suavização exponencial

4 O modelo econométrico

EXAME DE ESTATÍSTICA AMBIENTAL 1ª Época (v1)

Exercícios sobre o Modelo Logístico Discreto

Circuitos Elétricos I EEL420

Aplicação. Uma famosa consultoria foi contratada por uma empresa. que, entre outras coisas, gostaria de entender o processo

Modelos Não-Lineares

4 Metodologia Proposta para o Cálculo do Valor de Opções Reais por Simulação Monte Carlo com Aproximação por Números Fuzzy e Algoritmos Genéticos.

3 Metodologia do Estudo 3.1. Tipo de Pesquisa

6 Processos Estocásticos

TRANSFORMADA DE FOURIER NOTAS DE AULA (CAP. 18 LIVRO DO NILSON)

Cálculo do valor em risco dos ativos financeiros da Petrobrás e da Vale via modelos ARMA-GARCH

Contabilometria. Séries Temporais

4 O Papel das Reservas no Custo da Crise

Modelos de Crescimento Endógeno de 1ªgeração

Análise de séries de tempo: modelos de decomposição

Capítulo 2: Conceitos Fundamentais sobre Circuitos Elétricos

ENGF93 Análise de Processos e Sistemas I

Processos de Markov. Processos de Markov com tempo discreto Processos de Markov com tempo contínuo. com tempo discreto. com tempo contínuo

APOSTILA DE MODELOS LINEARES EM SÉRIES TEMPORAIS

Econometria de Séries Temporais Rogério Silva de Mattos, D.Sc.

Tipos de Processos Estocásticos

Universidade Federal do Rio Grande do Sul Escola de Engenharia de Porto Alegre Departamento de Engenharia Elétrica ANÁLISE DE CIRCUITOS II - ENG04031

Estimação em Processos ARMA com Adição de Termos de Perturbação

Capítulo 4. Propriedades dos Estimadores de Mínimos Quadrados

DEPARTAMENTO DE ESTATÍSTICA - UFSCar 6 a Lista de exercício de Teoria de Matrizes 28/06/2017

Instituto de Física USP. Física Moderna. Aula 23. Professora: Mazé Bechara

Tabela: Variáveis reais e nominais

Cap. 5 - Tiristores 1

DEMOGRAFIA. Assim, no processo de planeamento é muito importante conhecer a POPULAÇÃO porque:

ONDAS ELETROMAGNÉTICAS

O gráfico que é uma reta

Capítulo 11. Corrente alternada

3 Retorno, Marcação a Mercado e Estimadores de Volatilidade

MACROECONOMIA DO DESENVOLVIMENTO PROFESSOR JOSÉ LUIS OREIRO PRIMEIRA LISTA DE QUESTÕES PARA DISCUSSÃO

2.6 - Conceitos de Correlação para Sinais Periódicos

Capítulo Cálculo com funções vetoriais

Introdução ao Controle Ótimo: Otimização de funções e funcionais. Otimização paramétrica. Problema de controle ótimo com tempo final fixo.

Análise de Pós-optimização e de Sensibilidade

QUESTÕES ANPEC EQUAÇÕES DIFERENCIAIS E EQUAÇÕES DE DIFERENÇAS

CE017 - ANÁLISE DE SÉRIES TEMPORAIS NOTAS DE AULA

Teste F na Regressão Linear Múltipla para Dados Temporais com Correlação Serial.

Lista de Exercícios #11 Assunto: Séries Temporais

Calcule a área e o perímetro da superfície S. Calcule o volume do tronco de cone indicado na figura 1.

Modelagem e Previsão do Índice de Saponificação do Óleo de Soja da Giovelli & Cia Indústria de Óleos Vegetais

Enunciado genérico. Trabalho: Séries Temporais Disciplina: Estatística Ambiental

MECÂNICA DE PRECISÃO - ELETRÔNICA I - Prof. NELSON M. KANASHIRO FILTRO CAPACITIVO

AULA 22 PROCESSO DE TORNEAMENTO: CONDIÇÕES ECONÔMICAS DE USINAGEM

Previsão de consumos a curto prazo

Movimento unidimensional 25 MOVIMENTO UNIDIMENSIONAL

ESCOLA SECUNDÁRIA COM 3º CICLO D. DINIS 12º ANO DE ESCOLARIDADE DE MATEMÁTICA A Tema II Introdução ao Cálculo Diferencial II

Transcrição:

Economeria Semesre 00.0 6 6 CAPÍTULO ECONOMETRIA DE SÉRIES TEMPORAIS CONCEITOS BÁSICOS.. ALGUMAS SÉRIES TEMPORAIS BRASILEIRAS Nesa seção apresenamos algumas séries econômicas, semelhanes às exibidas por Gujarai. A idéia é rabalhar ambém, nese capíulo, com dados nacionais. Talvez a primeira coisa a fazer ao modelar uma série emporal é apresenar seu gráfico ao longo do empo. Esa práica simples é imporane, pois mosra se a série em endência e sazonalidade, se sua variabilidade aumena ou diminui com o empo, ec, o que fornece informações imporanes sobre a esacionariedade (ou não) da série. Por exemplo, a figura a seguir mosra as imporações e exporações brasileiras FOB a parir do úlimo rimesre de 994 em milhões de dólares. Figura Imporações e Exporações FOB (US$ milhões) 70.000 60.000 50.000 40.000 30.000 0.000 0.000 0 Imporações - (FOB) - US$(milhões) - BCB Boleim/BP - BPN4_MTV4 994 T4 995 T 995 T4 996 T 996 T4 997 T 997 T4 998 T 998 T4 999 T 999 T4 000 T 000 T4 00 T 00 T4 00 T 00 T4 003 T 003 T4 004 T 004 T4 005 T 005 T4 006 T 006 T4 007 T 007 T4 008 T 008 T4 009 T 009 T4 Exporações - (FOB) - US$(milhões) - BCB Boleim/BP - BPN4_XTV4 Noa se claramene na figura o aumeno de ambas (imporações e exporações) a parir de 00. Também se percebe que o saldo da balança comercial foi quase zerado no fim do período ( o. rimesre de 00). Noa: FOB = Free on Board. O vendedor é o responsável pelo desembaraço da mercadoria para exporação

Economeria Semesre 00.0 6 6 A figura exibe o PIB, o consumo das famílias e a formação brua de capial, odos em número índice. No caso do PIB e do consumo das famílias, noa se uma endência de crescimeno ao longo de quase odo o período apresenado. A formação brua de capial (ambém em número índice), em um comporameno bem mais erráico. Figura PIB, Consumo das Famílias e Formação Brua de Capial - em número índice 50 30 0 90 70 50 30 0 90 70 50 994 T4 995 T 995 T4 996 T 996 T4 997 T 997 T4.. PROCESSOS ESTOCÁSTICOS Definição.. (processo esocásico) 998 T 998 T4 999 T 999 T4 000 T 000 T4 00 T 00 T4 00 T 00 T4 003 T 003 T4 004 T 004 T4 005 T 005 T4 006 T 006 T4 007 T 007 T4 008 T 008 T4 009 T 009 T4 PIB rimesral (995=00) - Dados dessazonalizados - Produo Inerno Bruo a preços de mercado - Índice PIB rimesral (995=00) - Dados dessazonalizados - Consumo das famílias - Índice Capial - formação brua - índice encadeado (média 995 = 00) - IBGE/SCN 000 Trim. - SCN4_FBKI4 Um processo esocásico (ou processo aleaório) é uma coleção de variáveis aleaórias definidas num mesmo espaço de probabilidades geralmene represenamos um processo esocásico por: { X() : T } onde normalmene represena o empo (ou, em alguns casos, espaço). X() é chamado de esado do processo no insane, e é uma variável aleaória. O conjuno T é o conjuno de índices, ou espaço paramérico do processo esocásico. A cara dese espaço paramérico nos permie separar os processos esocásicos em conínuos ou discreos, como na próxima definição.

Economeria Semesre 00.0 63 63 Definição.. (Processos Conínuos e Discreos) Um processo esocásico {X() : T} é um processo conínuo (ou processo com parâmero conínuo) se o conjuno T é um inervalo (finio ou infinio) de números reais. Ao conrário, se o conjuno de índices T é um conjuno finio ou conável, por exemplo, T = {,, 3,...) ou T ={, 9, 43, 79} dizemos que o processo esocásico é um processo discreo (ou processo com parâmero discreo). Se o processo é discreo, freqüenemene mudamos a noação para X (ao invés de X()). Logo, um processo esocásico é uma coleção de variáveis aleaórias ordenadas no empo. Em resumo: Um processo esocásico é uma família de variáveis aleaórias que descreve a evolução no empo ou espaço de algum processo físico. Aqui esaremos ineressados apenas em processos discreos, nos quais o índice do empo é T = {,,..., N}. Definição.3. (Série Temporal) Uma Série Temporal é um conjuno de observações ordenadas no empo (não necessariamene igualmene espaçadas), e que apresenam dependência serial (iso é, dependência enre insanes de empo). A noação usada aqui para denoar uma Série Temporal é Y, Y, Y 3..., Y N, que indica uma série de amanho N. O insane N geralmene indica o úlimo insane disponível. De uma maneira um pouco mais formal, dizemos que uma série emporal é uma realização de um processo esocásico. Uma série emporal {Y, Y, Y 3..., Y N } pode ser encarada como uma realização de um processo esocásico. Para descrevermos compleamene um processo esocásico precisamos especificar a disribuição conjuna do veor {Y, Y, Y 3..., Y N }. Suponha que os Y s são conjunamene Gaussianos. Enão, para conhecer a sua disribuição conjuna, basa especificar o veor de médias {μ, μ,..., μ N } e a mariz de variância covariância Σ. Mas, Σ é uma mariz simérica de dimensão N, e coném N(N+)/ elemenos diferenes. Logo, a complea especificação dese processo

Economeria Semesre 00.0 64 64 requer o conhecimeno de N + N(N+)/ parâmeros. Podemos perceber claramene que inferir sobre odos eses parâmeros com base em apenas uma realização do processo é uma arefa impossível, e porano algumas simplificações devem ser feias. A hipóese simplificadora mais comum é esacionariedade. Definição.4. (Processo Esacionário) Dizemos que um processo esocásico é esacionário se ele aingiu o equilíbrio. Em ermos formais, num processo esacionário, a disribuição de probabilidade conjuna nos insanes,,..., m é a mesma que a disribuição nos insanes +k, + k,..., m + k para qualquer k, ou seja, um descolameno de k unidades de empo não afea a disribuição de probabilidade conjuna. Noe que, nesa definição, m é arbirário. Se omarmos m = acima, segue que, num processo esacionário, a disribuição marginal de Y é a mesma que a disribuição marginal de Y +k. Logo, a disribuição marginal de Y não depende do insane de empo escolhido e, em paricular, a média e variância de Y são consanes para qualquer. Analogamene, se m =, as disribuições de probabilidade bivariadas p(y, Y +k ) não dependem de, e enão a covariância enre Y e Y +k depende apenas do lag k. Em resumo, a condição de esacionariedade implica em: Média do processo é consane; Variância do processo é consane; Covariância enre Y e Y +k depende apenas do lag k. Definição.5. (Processo Esacionário de a. ordem ou fracamene esacionário) Um processo é dio fracamene esacionário (ou esacionário de a. ordem) se esas rês condições são saisfeias (média consane, variância consane e covariância que só depende do lag ). Noe que esas condições referem se apenas aos dois primeiros momenos da disribuição de probabilidade dos Y s, o que explica a erminologia processo esacionário de a. ordem". A definição de esacionariedade mais geral envolve momenos de odas as ordens (m arbirário na definição) e é muio mais complicada de verificar que a esacionariedade de segunda ordem. Se os Y s são conjunamene Gaussianos, as duas condições (esacionariedade esria e esacionariedade de a. ordem) são equivalenes.

Economeria Semesre 00.0 65 65 O uso de esacionariedade fraca é ão comum que muias vezes, ao nos referirmos a um processo como esacionário, o que emos em mene é um processo fracamene esacionário. Logo, por convenção, se nada for dio a respeio do ipo de esacionariedade de um processo, suponha que ele é fracamene esacionário! Definição.6. (Auocovariância de lag k) A auocovariância de lag k é definida como a covariância enre Y e Y +k iso é: γ k = Cov(Y, Y +k ) = E[(Y μ)(y +k μ)] para k = 0,,,... Noe que γ 0 = Var(Y ) = σ pois Cov(Y, Y ) = Var(Y ). A auocovariância é uma das funções usadas na idenificação da esruura de um modelo ARIMA. Definição.7. (Auocorrelação de lag k) A auocorrelação de lag k é definida como: ( Y, Y k ) γ k = ( Y ) σ Cov + ρk = para k = 0,,,... Var Noe que ρ 0 = sempre. As definições.6. e.7. referem se à auocovariância e auocorrelação eóricas. Na práica, apenas observamos uma série emporal, e esas funções devem ser esimadas a parir da série. A seguir definimos a auocovariância e auocorrelações amosrais, iso é, calculadas a parir dos dados observados (ou seja, a parir da série emporal). Normalmene iremos nos referir à função de auocorrelação como ACF (do inglês, Auocorrelaion Funcion). Também, pela esacionariedade do processo, ρ k = ρ k, e porano basa fazer o gráfico para as auocorrelações com lags posiivos. Ese gráfico é chamado de correlograma. Definição.8. (Auocovariância amosral de lag k) N-k ck = ( Y Y ).( Y + k Y ) N = Noe que, para o lag zero, esa expressão orna se:

Economeria Semesre 00.0 66 66 N c0 = ( Y Y ) N = que é a variância amosral da série. Definição.9. (Auocorrelação amosral de lag k) r k c = c k 0 = N-k = ( Y T = Y ).( Y ( Y + k Y ) Y ) Da expressão anerior segue que r 0 = sempre! Essas esimaivas são assinoicamene não endenciosas quando N (o amanho da série). Em geral deve se er N 50 (e k, o número de defasagens, N/4). Fórmula de Barle Sob a hipóese ρ k = 0 para odo lag k > U (onde U indica um lag grande ) segue que: cov N U ( rk, rk s ) ρ ρ i i= U + s i S Valores sucessivos de r k podem exibir alas correlações. Fazendo s = 0 na equação anerior leva a: Var N U ( rk ) i= U ρ i Para N grande e sob a hipóese ρ k = 0, a disribuição de r k é aproximadamene Normal com média zero e variância N U i= U ρ. Na práica as correlações (desconhecidas) são subsiuídas na i expressão acima por seus esimadores r k e enão: Var + N U ( ) r k r i i=

Economeria Semesre 00.0 67 67 Esa fórmula será usada para ober inervalos de confiança para r k. Também, se o amanho (N) da série é grande, r k é aproximadamene Normal com média zero, e os inervalos de confiança podem ser consruídos a parir desa disribuição. Exemplo Considere as séries da figura. A seguir exibimos os gráficos das auocorrelações das rês séries. ACF da série de exporações ACF da série de imporações Os correlogramas das duas séries êm uma caracerísica em comum: o decaimeno das auocorrelações é muio leno noa se que exisem auocorrelações significanes aé 5 rimesres anes para as duas séries. O decaimeno leno da função de auocorrelação é uma das caracerísicas marcanes de séries não esacionárias.

Economeria Semesre 00.0 68 68 Você verá, ao longo dese capíulo, uma grande preocupação a respeio da esacionariedade de uma série. Por que? Numa série não esacionária, a média (ou a variância, ou ambas) da série varia com o empo, e nese caso só podemos esudar seu comporameno para o período disponível, ou seja, não é possível generalizar as conclusões para ouros períodos de empo. Um exemplo clássico de série não esacionária é o passeio aleaório ( random walk ). Anes de defini lo, precisamos recordar a noção de ruído branco. Um processo esocásico ε é um ruído branco se sua média é zero, sua variância é consane, e ermos sucessivos não apresenam correlação serial em qualquer defasagem. Podemos consruir um passeio aleaório a parir de um ruído branco. É imporane desacar que consideraremos dois ipos de passeio aleaório, com endência e sem endência. Passeio aleaório sem deslocameno ( drif ) A série Y é um passeio aleaório se: = Y Y + u (.3.4) onde u é um ruído branco. Esa é a equação de um processo AR() em que ρ = +. Esa equação é usada para modelar aivos financeiros quando acrediamos que a hipóese de mercados eficienes é válida. O que isso quer dizer? Que o preço de um aivo no insane é o preço no insane anerior mais um erro de média zero, com variância consane, e que a previsão do preço do aivo amanhã é o preço de hoje, e assim não exise possibilidade de ganhos no mercado usando a informação das observações passadas. Quais as implicações da equação (.3.4)? Vamos escrevê la a parir do insane inicial. Se a observação inicial é Y 0 enão, num insane qualquer podemos escrever:

Economeria Semesre 00.0 69 69 A média no insane é: Pois odos os u êm média zero. Ou seja, a média em qualquer insane é igual ao valor inicial, é uma consane. A variância no insane é: Isso decorre imediaamene da expressão (.3.5), pois: var( Y ) = var Y0 + ui = var ui =.var i =. i= i= ( u ) σ Noe que, à medida que aumena, a variância de Y cresce indefinidamene, o que viola uma das condições de esacionariedade. Uma das caracerísicas do passeio aleaório sem deslocameno é a persisência dos choques aleaórios, iso é, o efeio de cada ermo de erro u não se dissipa ao longo do empo. Assim, podemos dizer que o passeio aleaório em memória infinia, pois guarda a informação de odos os choques sofridos aé o período correne. Uma caracerísica imporane do passeio aleaório sem deslocameno é: sua primeira diferença é um processo esacionário. Isso é fácil de verificar pois: Assim, se enamos modelar uma série e ela se parece com uma random walk, uma boa idéia é irar a primeira diferença da série e verificar se a série resulane é esacionária. Passeio aleaório com deslocameno ( drif ) A equação (.3.4) é modificada da seguine forma:

Economeria Semesre 00.0 70 70 Onde δ é o parâmero de deslocameno ( drif ). Por que deslocameno? Basa escrever a equação anerior em ermos da primeira diferença: Y se desloca para cima ou para baixo dependendo de δ ser posiivo ou negaivo. A média e variância de Y são dadas por: Desas equações noamos que nem a média nem a variância do processo são consanes, e assim o passeio aleaório com deslocameno e claramene não esacionário. Exemplo simulação de um passeio aleaório Geramos 500 erros iid N(0,) e, a parir deles consruímos duas séries de passeio aleaório, com e sem deslocameno, e com valor inicial Y 0 = 00. Os valores gerados esão na planilha simulação_random_walk_capiulo_.xls e o usuário pode alerar o valor de δ e verificar o efeio sobre a série gerada. A figura 3 mosra o passeio aleaório SEM deslocameno e a figura 4 apresena um passeio aleaório com drif = 0,. Figura 3 Passeio aleaório SEM deslocameno - valor inicial 00 40 30 0 0 00 90 80 0 3 6 39 5 65 78 9 04 7 30 43 56 69 8 95 08 34 47 60 73 86 99 3 35 338 35 364 377 390 403 46 49 44 455 468 48 494

Economeria Semesre 00.0 7 7 Figura 4 Passeio aleaório COM deslocameno - valor inicial 00 e "drif" 40 0 00 80 drif = 0, 60 40 0 00 80 0 3 6 39 5 65 78 9 04 7 30 43 56 69 8 95 08 34 47 60 73 86 99 3 35 338 35 364 377 390 403 46 49 44 455 468 48 494 O passeio aleaório é um caso paricular de processos esocásicos conhecidos como processos de raiz uniária. Considere o modelo AR(): O processo é um passeio aleaório sem deslocameno (e enão é um processo não esacionário) quando ρ = +. Se ρ =, o processo ambém é não esacionário (verifique!). Se ρ < o processo descrio por (.4.) é esacionário. Definição.0. (Operador de araso, backward shif operaor ) O operador de araso B é definido como: B.Y = Y. Também, suas poências são dadas por: B k Y = Y k. O modelo AR() pode ser escrio em ermos do operador de araso, como: ( ρ.b)y = u O processo será esacionário se ρ <, ou seja, se a raiz de ρ.b = 0, que é B=/ρ esiver FORA do círculo uniário. O processo em raiz uniária se B =, ou seja, se ρ =, indicando que o processo é uma random walk.

Economeria Semesre 00.0 7 7 Assim, na práica é fundamenal verificar se uma série em raiz uniária, pois isso significa verificar se ela não é esacionária..3. PROCESSOS ESTACIONÁRIOS NA TENDÊNCIA E ESTACIONÁRIOS NA A. DIFERENÇA Uma quesão imporane na modelagem de séries econômicas é verificar se a endência de uma série é deerminísica ou esocásica. Considere o seguine modelo: O passeio aleaório é um caso paricular dese modelo em que β = 0, β = 0 e β 3 =. O passeio aleaório com deslocameno é obido fazendo se β 0, β = 0 e β 3 =. Podemos reescrever ese processo em ermos da a. diferença e enconramos: β é a endência dese processo, e é denominada uma endência esocásica. O processo (.5.3a) é esacionário na a. diferença, ou seja, a a. diferença da série do passeio aleaório com deslocameno é uma série esacionária. Se, na equação (.5.), β = 0, β 0 e β 3 = 0, emos: Ese é um processo esacionário em endência. Por que? Embora ele enha média β + β., que não é consane, sua variância é consane. O processo (.5.4) em uma endência deerminísica β + β. e pode ser ransformado num processo esacionário após a remoção da endência. Passeio aleaório com deslocameno e endência deerminísica

Economeria Semesre 00.0 73 73 Ao diferenciarmos a equação anerior enconramos: A série de a. diferença exibe uma endência deerminísica. O processo Y é claramene não esacionário. Tendência deerminísica com componene AR() esacionário Considere o modelo abaixo no qual supomos que β 3 <. Y é uma série esacionária em orno de uma endência deerminísica. Exemplo simulação Na figura a seguir comparamos séries com endência esocásica e deerminísica. Geramos 500 erros iid N(0,) e, a parir deles consruímos duas séries, uma com endência deerminísica e oura com endência esocásica. Em ambos os casos o pono inicial é Y 0 = 00. As séries foram geradas da seguine maneira: - Tendência deerminísica: Y = 0,. + u - Tendência esocásica: Y = 0, + Y + u Na série com endência deerminísica, os desvios em relação à linha de endência são puramene aleaórios e não impacam o comporameno de longo prazo da série. Na série com endência esocásica, o componene aleaório u afea a rajeória de longo prazo da série. Séries com endência esocásica e deerminísica 40 0 00 80 60 40 0 0 0 3 6 39 5 65 78 9 04 7 30 43 56 69 8 95 08 34 47 60 73 86 99 3 35 338 35 364 377 390 403 46 49 44 455 468 48 494-0 endência esocásica endência deerminísica