5 OBJETIVOS ESTRATÉGICOS 5.1 PROMOVER A SAÚDE NO CICLO DE VIDA, EM AMBIENTES E CONTEXTOS ESPECÍFICOS A saúde ds indivídus é uma resultante da interaçã de fatres de rdem genética cm s percurss individuais, desde a gestaçã até á mrte, em diferentes ambientes e cntexts. 5.1.1 Intrduçã O percurs individual de saúde nã é cnstante. Existem necessidades específicas nas várias idades e em mments particularmente imprtantes - PERÍODOS CRÍTICOS (Health-prmting Health Systems. WHO, 2009) que, pela frma cm decrrem, influenciam diretamente, de md psitiv u negativ, as fases seguintes da vida. A intervençã nestes mments - JANELAS DE OPORTUNIDADE pde ser prmtra e prtetra da saúde, apresentand elevada relevância a lng praz (Scial determinants f health and the rle f evaluatin. WHO, 2010). 5.1.2 Enquadrament Prmver a saúde a lng d cicl de vida A perspetiva de abrdagem a lng d cicl de vida: Salienta a prtunidade de intervençã tã precce quant pssível ns fatres de risc, essencial para a prevençã de denças transmissíveis evitáveis (pela vacinaçã u utras) u de denças crónicas e suas cmplicações, pel rastrei, diagnóstic precce e prmçã da adesã terapêutica, bem cm pela reabilitaçã e/u integraçã da pessa cm limitações funcinais. É sabid que risc de desenvlver uma Dença Nã Transmissível (DNT) vai aumentand cm decrrer ds ans. Tmand em cnsideraçã as diferentes idades, a abrdagem d prblema permite pnderar, nã só a imprtância ds determinantes e fatres predispnentes ns primeirs ans de vida, mas também impacte interativ e cumulativ ds riscs ns ans subsequentes. Além da açã em cntinuidade ds determinantes sciecnómics, culturais e ambientais e ds fatres genétics, utras variáveis, cm estad nutricinal da mãe durante a vida intrauterina u pes a nascer, devem ser pnderadas quand se avalia risc de se desenvlver uma DNT. N decurs da infância, a pssibilidade de crrência de diversas patlgias e as características d cresciment devem ser cnsideradas na apreciaçã d risc de se desenvlver uma DNT. Durante a adlescência, a besidade, a insuficiência de exercíci físic e s cnsums ncivs, cm tabac e álcl, cntribuem de frma acentuada para risc acumulad de DNT. N decurs da vida adulta, apareciment de nvs fatres de risc de cariz bilógic e cmprtamental e a persistência u agravament ds preexistentes vã ptenciand a prbabilidade de crrência destas denças. 65
Capacidade funcinal Desenvlviment de DNT Figura 19 - Âmbit da prevençã de DNT Abrdagem d cicl de vida Vida fetal Infância Adlescência Vida adulta Alt Risc acumulad Baix Idade Permite bter ganhs em saúde e em sustentabilidade, a refrçar uma cadeia de ptenciaçã ds efeits psitivs u atenuaçã ds efeits negativs ds determinantes da saúde, a lng da vida. Perdas cumulativas de saúde determinam apareciment precce de incapacidade e de dença crónica e degenerativa (Figura 20) (Ative Ageing: A Plicy Framewrk WHO, 2002). O Sistema de Saúde e s cntexts saudáveis sã fatres prtetres e estratégia fundamental para que cresciment da ppulaçã idsa nã seja prprcinal a aument da dença crónica (Fries JF et al, 1980). Figura 20 - Capacidade funcinal a lng da vida Vida inicial Vida adulta Idade avançada Limiar de incapacidade Interval de funçã ds indivídus Reabilitaçã e manutençã de qualidade de vida Idade Acentua as características particulares da prevençã e cntrl de alguns prblemas de saúde, na medida em que a saúde ds indivídus é influenciada pr diferentes tips de fatres a lng das várias etapas da vida. A açã da saúde segund este tip de rientaçã pssibilita frmas mais efetivas de intervençã. Sbre este aspet, para além da questã das DNT, refira-se também, a títul de exempl: A prevençã d fenómen da vilência, nas suas múltiplas frmas de expressã, é particularmente ilustrativa da pertinência de encarar as questões da saúde também numa perspetiva de cicl de vida, dadas as especificidades de que a situaçã se pde revestir. Pr utr lad, trata-se de um prblema cuja abrdagem, sb pnt de vista jurídic, tem características próprias, que também variam em funçã das idades, razã pr que enquadrament da açã da saúde se prcessa em mldes diverss. Os Acidentes e prblema d VIH/SIDA cnstituem utras áreas em que a intervençã nã dispensa enquadrament numa perspetiva de cicl de vida. 66
A abrdagem pel cicl de vida pssibilita ainda: Prmver uma rganizaçã e intervençã integrada e cntinuada, que inclui cuidads primáris, hspitalares e cntinuads integrads, sbre s fatres prtetres e de risc, assim cm sbre s determinantes bilógics, cmprtamentais, sciais, entre utrs, desde a fase pré-cncecinal até á mrte. Orientar a sciedade e s cuidads de saúde para a avaliaçã de necessidades e prtunidades de intervençã, em períds crítics e janelas de prtunidade, a lng da vida (Wmen, Ageing and Health: A Framewrk fr Actin, WHO 2007), integradras de cntexts e d cntribut de utrs setres, garantind a melhr implementaçã e mnitrizaçã cntínua de cuidads. Refrçar a respnsabilidade da sciedade para a especificidade ds períds crítics e das janelas de prtunidade d cidadã saudável, assim cm d dente agud, crónic u em reabilitaçã (Health-prmting Health Systems, WHO 2009). Em cada fase d cicl de vida, há aspets diferentes que merecem relev particular. Assim: Gravidez e períd nenatal A prmçã da Saúde Sexual e Reprdutiva (SSR), numa perspetiva hlística, cnstitui um bjetiv da intervençã ds serviçs a lng d cicl de vida das pessas. Abrange cuidads muit variads, de que sã exempl: a educaçã sexual das crianças e jvens, a cntraceçã, planeament da gravidez, api as casais cm dificuldade em cnseguir uma gravidez 39, a vigilância pré-natal e acess a serviçs segurs de interrupçã de gravidez. A SSR representa um td indissciável, recnhecend-se que ganhs btids numa das suas cmpnentes tendem a ptenciar ganhs nas restantes vertentes. Em cnfrmidade cm s Objetivs para Desenvlviment d Miléni, referentes à Saúde da Mãe e da Criança (ONU, 2000), a educaçã, a igualdade de géner e a prevençã das Infeções de Transmissã Sexual (ITS) sã fatres cndicinantes de uma Saúde Sexual e Reprdutiva de qualidade que devem ser valrizads pel sistema de saúde. Ajustar a fecundidade cncretizada à desejada é um ds bjetivs de mulheres, hmens e casais, n que se refere à reprduçã. As expectativas quant a númer de filhs e a mment d nasciment estabelecem-se, entre utrs fatres, em resultad de representações sciais, de cnjunturas sciecnómicas e culturais, da fase d cicl de vida e de experiências pessais anterires, em particular das relacinadas cm a saúde e cm s cuidads recebids. Nascer cm Saúde diz respeit à preservaçã da saúde da mãe, d embriã, d fet e d recémnascid, através da açã fundamental ds serviçs de saúde junt da mulher grávida e d futur pai. Estes serviçs facultam infrmaçã, educaçã para a saúde, acnselhament e prestaçã de cuidads de qualidade. Sã váris s dispsitivs que apiam a frmulaçã de plíticas dirigidas a estas áreas: 39 O api as casais cm dificuldade em cnseguir uma gravidez passa pr um cnjunt de atividades que visam favrecer a equidade n acess às cnsultas de infertilidade e às várias terapêuticas dispníveis, entre as quais s trataments de prcriaçã medicamente assistida (PMA). A prevençã da infertilidade cntempla a prevençã das ITS e das Interrupções Vluntárias da Gravidez (IVG) realizadas em más cndições, prevend também espaçament adequad das gravidezes. 67
Cmissã Nacinal da Saúde Materna, da Criança e d Adlescente (CNSMCA) (Despach nº21929/2009), órgã de cnsulta d Ministéri da Saúde, cm a missã de desenvlver prgramas e ações em áreas cm: prmçã da saúde, qualidade, equidade e acess, recurss dispníveis, diagnóstic pré-natal, vilência dméstica, gravidez na adlescência e prmçã de ambientes saudáveis. A CNSMCA articula-se cm Unidades Crdenadras Funcinais da Saúde Materna e Nenatal e da Saúde da Criança e d Adlescente (Despach nº 9871/2010). Prgrama Nacinal de Saúde Reprdutiva (Despach d Ministr da Saúde nº15304/2007), desenvlvid a partir da Direçã-Geral da Saúde, cm intervençã nas áreas de planeament familiar, vigilância pré-natal, diagnóstic pré-natal, interrupçã vluntária da gravidez e infertilidade, em articulaçã cm Cnselh Nacinal de Prcriaçã Medicamente Assistida. Unidades Crdenadras Funcinais (UCF) da Saúde Materna e Nenatal, da Criança e d Adlescente (Despach nº9872/2010), que prmvem a articulaçã entre Cuidads Primáris e Cuidads Hspitalares. ÁREAS DE INTERVENÇÃO Planeament familiar e interrupçã segura da gravidez Seguiment adequad da grávida ns cuidads primáris u ns serviçs de referência, se em situaçã de risc. Prevençã da prematuridade e d baix-pes a nascer Cuidads pós-natais adequads Infância A fase da vida ds 28 dias as 10 ans inclui váris períds cnsiderads crítics: primeir an de vida; idade pré-esclar, até as 6 ans; idade esclar, ds 6 as 10 ans. A mrte perinatal é acnteciment que mais cntribui para a mrtalidade infantil e decrre da prematuridade e das malfrmações cngénitas. Os acidentes sã a causa de mrte mais frequente entre 1º an de vida e s 14 ans de idade (EUGLOREH, 2007), nmeadamente s rdviáris e s de afgament (Eur Reprt n Child Injury Preventin, OMS/Eur, 2008). Nas últimas décadas, Prtugal tem melhrad substantivamente em váris ds principais indicadres de saúde nestas idades, ds quais se destaca da mrtalidade infantil, que apresenta, hje, ds valres mais baixs, a nível mundial. N entant, utrs indicadres, cm a besidade infantil ligada a sedentarism e a hábits alimentares desequilibrads, a asma e utras denças alérgicas têm vind a registar um aument de prevalência ns últims ans. Uma parte imprtante da mrbilidade e mrtalidade nas crianças e jvens é prevenível através de ambiente adequad, habitaçã segura, nutriçã equilibrada, água ptável e estils de vida saudáveis, bem cm de serviçs acessíveis. Em matéria de api e cnduçã das plíticas de saúde nestas idades, sã de destacar: Prgrama-Tip de Atuaçã em Saúde Infantil e Juvenil (DGS), que prmve: a calendarizaçã das cnsultas de vigilância para idades-chave, crrespndentes a acnteciments imprtantes na vida d bebé, da criança u d jvem, tais cm as etapas d desenvlviment psicmtr, da scializaçã, alimentaçã e esclaridade; a harmnizaçã destas cnsultas cm esquema crnlógic de vacinaçã, de md a reduzir númer de deslcações a Centr de Saúde; a valrizaçã ds cuidads antecipatóris cm fatr de prmçã da saúde e de prevençã da dença; a deteçã 68
precce e encaminhament de situações passíveis de crreçã e que pssam afetar negativamente a saúde da criança; api à respnsabilizaçã prgressiva e à autdeterminaçã das crianças e ds jvens em questões de saúde. Sistema Nacinal de Intervençã Precce na Infância (DL 281/2009), cuja missã é garantir a Intervençã Precce na Infância, dad tratar-se de um cnjunt de medidas de api integrad centrad na criança e na família, incluind ações de natureza preventiva e reabilitativa, n âmbit da saúde, educaçã e açã scial. O Sistema deve assentar na universalidade d acess, na respnsabilizaçã ds técnics e ds rganisms públics e na crrespndente capacidade de respsta. Açã de Saúde para Crianças e Jvens em Risc (Despach 31292/2008), crdenada a partir da DGS, que tem pr missã apiar e rientar a intervençã da saúde n dmíni de crianças e jvens em risc, cm vista a uma mais efetiva prevençã d fenómen ds maus trats e a uma significativa melhria da qualidade das respstas d Serviç Nacinal de Saúde a prblema. A açã cncretizase, sbretud, através d funcinament da Rede Nacinal de Núcles de Api a Crianças e Jvens em Risc, quer a nível ds Cuidads de Saúde Primáris, quer a nível ds Hspitais cm atendiment Pediátric. Prtcl de Clabraçã entre Ministéri da Saúde, Ministéri da Justiça e a Cmissã Nacinal de Prteçã de Crianças e Jvens em Risc (2011), através d qual se pretende assegurar sbre a articulaçã funcinal ds váris intervenientes a prpósit da assistência a crianças e jvens que pssam ter sid vítimas de abus sexual. ÁREAS DE INTERVENÇÃO Açã intersectrial sbre determinantes da saúde Prevençã da prematuridade e baix pes a nascer e cuidads adequads pós-natais nestas situações Prmçã da vacinaçã e da vigilância da saúde em idades-chave Prevençã ds acidentes, da besidade e da depressã infantil Prteçã das crianças e jvens em risc Diagnóstic e atuaçã precces nas situações de dença rara e de deficiência Juventude De acrd cm a OMS, as pessas jvens crrespndem à faixa etária ds 10 as 24 ans 40. Trata-se de um períd de grandes mudanças físicas, cgnitivas e psiclógicas, a nível da interaçã scial e das relações interpessais. Nesta fase, s acidentes rdviáris cnstituem a causa de mrte e de incapacidade mais frequente. O aument das situações crónicas ns adlescentes representará, nas próximas décadas, uma sbrecarga scial e d sistema de saúde (OMS/Eurpa website, 2010). 40 Na mair parte ds dcuments da OMS, a referência a idade jvem crrespnde à faixa etária ds 10 as 24 ans, cnsiderand adlescência períd ds 10 as 19 ans e juventude grup etári ds 15 as 24 ans. 69
Ds 11 as 13 ans de idade, númer de crianças cm excess de pes e besidade varia entre 5 e 25% na UE (EUGLOREH, 2007), que cnstitui um fatr de risc de dença crónica assciad a mrtalidade prematura. Além d aument da besidade, salienta-se aument d cnsum de álcl em idades mais jvens, nmeadamente ds 15 as 24 ans. Ns jvens, a principal causa de internament é a dença respiratória. A mrte fica a dever-se, primrdialmente, a cnjunt das causas externas (p. ex. acidentes). Os acidentes de viaçã, primeira causa de APVP, sã suscetíveis de reduçã através da melhria da segurança das vias e ds veículs, da fiscalizaçã da cnduçã sb efeit de cnsum de álcl e em excess de velcidade, assim cm da melhria ds cuidads de saúde n api às vítimas. Neste grup de idades, cnstatam-se grandes disparidades entre sex ns valres encntrads para diverss indicadres da mrbilidade e da mrtalidade. Cnstituem enquadraments legais específics desta fase d cicl de vida: DL 259/2000, quand define s adlescentes cm grup de intervençã priritária em saúde reprdutiva e na prevençã das denças sexualmente transmissíveis e cria cnsultas ns CSP, cm espaçs amigáveis e interativs. DL 259/2000 e Lei 120/1999, refrçand direit à saúde reprdutiva e fixand cndições de prmçã da educaçã sexual e de acess ds jvens a cuidads de saúde (sexualidade e planeament familiar). DL 259/ 2000, Educaçã Sexual nas Esclas, a estabelecer regime de aplicaçã da educaçã sexual em mei esclar e respetiv cnteúd. Despach nº9871/2010, prevend alargament da idade pediátrica até as 18 ans. Outrs prgramas de saúde e atividades: DGS: Prgrama-Tip de Atuaçã em saúde Infantil e Juvenil; Prgrama Nacinal de Saúde Juvenil (2006); Vacina cntra Vírus d Papilma Human (VPH), 2007, nas 5 ARS; Prgrama Nacinal de Prevençã e Cntrl da Dença Pulmnar Obstrutiva Crónica em 3 ARS (Nrte, Centr e LVT); Prgrama Nacinal de Cntrl da Asma em 2 ARS (Nrte e LVT). IDT: Prgrama Nacinal de Reduçã ds Prblemas ligads a Álcl (2009-2012); Plan Nacinal Cntra as Drgas e as Txicdependências (2009-2012); Plan de Açã Cntra as Drgas e as Txicdependências (2009-2012). ÁREAS DE INTERVENÇÃO Açã intersectrial sbre determinantes da saúde Reduçã d cnsum de tabac e álcl; prmçã da atividade física, alimentaçã equilibrada, sexualidade segura e cnduçã segura e respnsável; Cntrl da dença respiratória crónica, nmeadamente asma; Gestã da dença crónica; Reprduçã na adlescência. 70
Idade Adulta Em Prtugal, a esperança de vida tem aumentad de frma prgressiva, em ambs s sexs, cm mair expressã ns hmens, mas mantend-se cm valres inferires as alcançads pelas mulheres. Este aument da esperança de vida, aliad às mdificações ds estils de vida da ppulaçã, tem cnduzid a aument de fatres de risc de denças crónicas, designadamente excess de pes, sedentarism, baix cnsum de fruts e prduts hrtíclas, bem cm cnsum de álcl e de utras substâncias psicativas. Estima-se que mais de metade das mrtes prematuras sejam prvcadas pr denças crónicas, cm as cardivasculares, as nclógicas, as respiratórias e a diabetes. O tratament destas denças, embra geradr de melhria na qualidade de vida, cmprta avultads custs em terapêutica prlngada e utilizaçã ds serviçs de saúde. O investiment na literacia e capacitaçã ds cidadãs para a adçã de estils de vida prmtres de saúde, a par d refrç das medidas de prevençã secundária e terciária, permitirá a btençã de mais ganhs em saúde, em qualidade de vida e em prdutividade. Cm principais causas de APVP evitáveis, identificam-se s acidentes cm veículs a mtr, s tumres maligns da traqueia, brônquis e pulmã e as denças crónicas d fígad (INE, 2010). Nesta fase d cicl de vida, acentuam-se as diferenças entre sexs: mair mrtalidade pr acidente, nmeadamente labral e de viaçã, para s hmens, e mair mrbilidade pr prblemas ligads à saúde reprdutiva e à saúde mental, para as mulheres; aument de patlgias cm cancr d pulmã, pela tendência, verificada ns últims ans, de aument da prevalência d cnsum de tabac n sex feminin. Há evidência de benefíci para a saúde a lng praz, através de intervenções a nível de: estils de vida saudáveis; prmçã da saúde mental; cntrl de fatres de risc, cm excess de pes, hipertensã arterial, tabac, álcl, clesterl elevad, escassa ingestã de vegetais e de frutas e inatividade física; adesã as rastreis e ações de diagnóstic precce; cultura de participaçã ativa e de respnsabilizaçã pela sua própria saúde; cntrl e autgestã da dença crónica; respstas adequadas e específicas em funçã d sex. Até agra, diversas iniciativas têm vind a apiar a frmulaçã de plíticas de saúde dirigidas a esta fase d cicl da vida: Prgrama Nacinal de Denças Cardivasculares Prgrama Nacinal de Prevençã e Cntrl das Denças Onclógicas Plan Nacinal de Saúde Mental Prgrama Nacinal de Prevençã e Cntrl da Infeçã VIH/SIDA Prgrama Nacinal de Prevençã e Cntrl da Diabetes Prgrama Nacinal de Cmbate à Obesidade Platafrma de Luta Cntra a Obesidade Prgrama Nacinal de Prevençã e Cntrl das Infeções Assciadas as Cuidads de Saúde Prgrama Nacinal de Intervençã Integrada sbre Determinantes de Saúde e Estils de Vida Prgrama Nacinal de Cntrl da Dr Prgrama de Prevençã de Acidentes Prgrama Nacinal de Reduçã ds Prblemas ligads a Álcl Plan Nacinal Cntra as Drgas e as Txicdependências Plan de Açã Cntra as Drgas e as Txicdependências 71
ÁREAS DE INTERVENÇÃO: Açã intersectrial sbre determinantes da saúde Cntrl de fatres de risc e prmçã de estils de vida saudáveis: reduçã d cnsum de tabac e de álcl; prmçã da atividade física e de uma alimentaçã saudável; sexualidade segura e prmçã da saúde mental. Prmçã de uma cnduçã segura e respnsável Prevençã das Denças Onclógicas e Cardicerebrvasculares Cm aument da esperança de vida, frut da melhria das cndições de vida e ds prgresss da medicina, a fase da vida a partir ds 65 ans tem ganh prtagnism crescente em terms de expressã demgráfica e scial. O envelheciment da ppulaçã clca, assim, um desafi acrescid para a sciedade e para s sistemas de saúde e de prteçã scial. Nas pessas idsas em particular, as patlgias e disfunções d fr da saúde mental, cm a depressã e a dença de Alzheimer, sã frequentes. Também frequentes sã as quedas e acidentes, que reduzem a mbilidade e a independência, aumentand ainda risc de mrte prematura, a artrite e steprse e cancr. Outrs prblemas de elevada prevalência e vulnerabilidade neste grup sã a incntinência urinária, as alterações da memória, da visã e da audiçã, entre utrs. O cancr e as denças cardivasculares cnstituem a principal causa de mrte. O aument da esperança de vida eleva a percentagem de denças crónicas e de cmrbilidades, que se reflete na mair prcura de cuidads de saúde, n aument da incapacidade e dependência cm carga variável para a família e para sistema de saúde, designadamente cm a crescente prcura de prcediments de diagnóstic, terapêutics, de reabilitaçã física e de saúde mental (Escval, 2010), resultand num desafi à sustentabilidade da segurança scial. Pr essa razã, a Organizaçã Mundial da Saúde, desde 2002, vem prmvend cnceit de Envelheciment Ativ, cm prcess de timizaçã das prtunidades para a saúde, participaçã e segurança, n sentid de melhrar a qualidade de vida das pessas que envelhecem. A crescente prprçã de pessas mais velhas na Eurpa trna mais imprtante, d que nunca, a prmçã d envelheciment ativ e saudável. Envelhecer de frma saudável, num cntext de atividade, pde cntribuir para que as pessas mais velhas participem mais n mercad de trabalh, se mantenham prtagnistas na sciedade durante mais temp e melhrem a sua qualidade de vida individual, reduzind, assim, a pressã sbre s sistemas de cuidads de saúde e de segurança scial. A Cmunicaçã da Cmissã Eurpeia, «Eurpa 2020 Estratégia para um cresciment inteligente, sustentável e inclusiv», destaca a imprtância de prmver a saúde, a atividade, a participaçã scial e a segurança ds cidadãs mais velhs. A celebraçã d An Eurpeu d Envelheciment Ativ, em 2012, cnstituirá principal event de um cnjunt de iniciativas previstas para períd 2011-2014, durante qual a UE irá centrar muits ds seus prgramas e plíticas na questã d envelheciment ativ. Assim, em 2011, s pderes públics, s parceirs sciais e as rganizações da sciedade civil a tds s níveis serã incentivads a prsseguir bjetivs relacinads cm envelheciment ativ. A intençã primeira é prmver envelheciment ativ em dis plans: n trabalh, criand melhres prtunidades para a participaçã ds trabalhadres mais velhs; na sciedade, cmbatend a exclusã scial através d trabalh vluntári, d envelheciment saudável e da autrnmia, recnhecend que, em tda a EU, as mulheres e s hmens de mais idade se deparam cm séris desafis quand prcuram viver a sua vida de frma ativa e envelhecer cm dignidade. 72
Nas intervenções junt da ppulaçã cm mais de 65 ans, há que preservar a aplicaçã ds princípis da autnmia, da participaçã ativa, da autrrealizaçã e da dignidade da pessa humana. Cm dispsitivs de prmçã e prteçã da saúde nestas idades, referem-se s seguintes: Prgrama Nacinal para a Saúde ds Idss Prgrama Nacinal de Cntrl da Dr Prgrama Nacinal de Saúde Oral Rede Nacinal de Cuidads Cntinuads Integrads, que inclui s Cuidads Paliativs Nutrs setres, sbretud na área scial, existe um cnjunt alargad de iniciativas relevantes junt desta faixa etária e que têm impacte na saúde, havend grande diversidade de respstas n âmbit da segurança scial e d 3º setr. Apesar destes apis, ds 25 países da Uniã Eurpeia, Prtugal aparece em quart lugar na percentagem de idss que vive na pbreza; 29% da ppulaçã cm mais de 65 ans está n limiar da pbreza, cm um rendiment inferir a 60% d rendiment médi (Zaidi et al, 2006). ÁREAS DE INTERVENÇÃO Açã intersectrial sbre determinantes da saúde Gestã da Dença Crónica e patlgia múltipla Determinantes de saúde e estils de vida saudáveis: reduçã d cnsum de tabac e álcl; prmçã da atividade física adequada à idade e de uma alimentaçã saudável; sexualidade segura. Prmçã da autnmia e cmbate à exclusã/islament scial. Fase terminal da vida Cnsidera-se cm fase terminal da vida mment em que estad de saúde indicia uma aprximaçã da mrte. Nesta fase, a intervençã clínica deve ser fundamentalmente dirigida para alívi de sintmas. O dente em fase terminal da vida, numa situaçã de intens sfriment, decrrente de dença incurável em fase avançada e rapidamente prgressiva, carece de cuidads paliativs que prmvam bem-estar e a qualidade de vida pssíveis até à mrte (CNECV, 1995). Necessita, pr iss, de ser cuidad cm cmpreensã afetiva e respeit, sem terapêuticas fúteis, n dmicíli u em cntext hspitalar, em ambiente de privacidade e, sempre que pssível, familiar. Tds s cuidads prestads devem cnduzir a uma mrte digna, scializada, recnhecida e aceite (CNECV, 1995). Prmver Ambientes e Cntexts Favráveis à Saúde O mei ambiente, nas suas múltiplas dimensões, cnstitui um ds principais fatres determinantes da saúde. A saúde das pessas e ppulações está intimamente interligada cm mei ambiente glbal, cm as cndições climáticas e meterlógicas, cm acess à água e as aliments, cm a expsiçã a agentes químics e bilógics, cm as cndições da habitaçã, ds lcais de trabalh e de lazer, cm as cndições sciais e cm a dispnibilidade ecnómica. 73
As desigualdades n md de rganizaçã da sciedade, visíveis nas cndições da habitaçã e d saneament d mei, das cndições de esclaridade, de empreg e de trabalh, n ambiente cnstruíd e na qualidade d ambiente natural, criam diferentes cndições materiais, que se refletem, direta u indiretamente, na vulnerabilidade à dença e na pssibilidade de aceder a pções cmprtamentais saudáveis (CDSS, 2010). Melhrar as cndições de vida qutidianas as circunstâncias em que as pessas nascem, crescem, vivem, trabalham e envelhecem - cnstitui um ds três princípis de açã precnizads pela OMS para a reduçã das desigualdades sciais em saúde, n períd de uma geraçã 41. As vivências individuais crrem, a lng da vida, em diverss cntexts sciais, labrais, institucinais u utrs. Cada um desses cntexts pssui um ptencial salutgénic u um ptencial de risc para a saúde, que deve ser adequadamente recnhecid e valrizad u cntrlad. Muits destes cntexts, cm impacte n ptencial de cnservaçã u recuperaçã da saúde d cidadã saudável, dente u cm incapacidade, sã sinérgics na criaçã de prtunidades de prmçã da saúde u, pel cntrári, cnvergem, cntribuind para aumentar u agravar a suscetibilidade individual à dença. As pções pessais sã cndicinadas pr fatres de rdem genética, pela infrmaçã e cnheciments dispníveis e pr fatres psiclógics e emcinais, que se exprimem n cntact cm mei físic, scial, ecnómic e cultural. A adçã de cmprtaments e estils de vida saudáveis nem sempre é fácil u pssível, que implica dispr da literacia, das cmpetências, da mtivaçã e das cndições materiais e sciais que a pssibilitem. A pbreza, em particular a pbreza extrema, habitualmente assciada a más cndições ambientais, habitacinais e de alimentaçã, diminui as pssibilidades de esclha, clcand as pessas atingidas em situaçã de mair suscetibilidade à dença. O lcal de residência das pessas afeta a sua saúde e as suas pssibilidades de gzar de uma vida próspera. As cmunidades e vizinhanças que garantam acess a bens básics, que sejam scialmente cesas, que sejam cncebidas de frma a prmver bem-estar físic e psiclógic e que prtejam seu ambiente natural sã essenciais para a igualdade na saúde (CDSS, 2010) Uma abrdagem centrada em cntexts (settings apprach) permite a adçã de intervenções sistémicas e glbais (cmpreensivas), dirigidas às pessas, individualmente u em grup, e às cndições d ambiente físic e relacinal próprias de cada um desses cntexts. O fc da intervençã pde assumir uma visã patgénica, centrada na identificaçã, avaliaçã e prevençã de riscs, u uma visã salutgénica, assente na identificaçã de recurss, n desenvlviment de cmpetências e capacidades, e na criaçã de ambientes que suprtem e facilitem as esclhas mais saudáveis. Na sequência d PNS 2004-2010, é dad relev as seguintes cntexts: famílias, estabeleciments de educaçã e ensin, lcais de trabalh, prisões, espaçs cnstruíds e áreas de lazer. Sã ainda de 41 CDSS (2010). Reduçã das desigualdades n períd de uma geraçã. Igualdade na saúde através da açã sbre s seus determinantes sciais. Relatóri Final da Cmissã para s Determinantes Sciais da Saúde. Prtugal, Organizaçã Mundial da Saúde. 74
cnsiderar s fatres d mei ambiente glbal, designadamente a água, ar, s resídus, s fenómens climátics extrems e as alterações climáticas. Famílias As famílias representam cntext fundamental para a prmçã da saúde e prevençã da dença a lng da vida. Em ambiente familiar, as crianças e s jvens adquirem hábits e cmprtaments cm pssível impacte psitiv, u negativ, na saúde, designadamente n que respeita a preceits de higiene e segurança, alimentaçã, cnsums, regras de cnvivência scial e gestã de cnstrangiments qutidians. O ambiente familiar é, também, um element mediadr d sentid de pertença e d desenvlviment da autestima, fundamental para uma ba saúde mental. O agregad familiar cnstitui a principal fnte de suprte scial e de api ecnómic para cada um ds seus membrs. Prmver um ambiente familiar saudável que fereça prtunidades de cresciment e desenvlviment para tds s elements, representa uma imprtante estratégia de cesã scial e de btençã de ganhs em saúde. É neste pressupst que, pr exempl, a figura da adçã adquire relev particular, enquant frma de facultar a muitas crianças tais pssibilidades, nem sempre viáveis nutrs cntexts. As famílias, sbretud s pais, sã s principais cuidadres de saúde. Oferecer-lhes suprte nas funções da parentalidade, d api as seus familiares cm denças, deficiência u incapacidade e as mais idss é uma abrdagem estratégica que deve ser refrçada. Embra a família seja um cntext ptencialmente prmtr de saúde, disfuncinament das relações familiares acarreta riscs para s seus membrs, cm eventuais repercussões na sua saúde mental e física. Designadamente n que respeita à vilência dméstica, para além das cnsequências físicas que pdem advir para as vítimas, mairitariamente mulheres, é mais elevad risc de crrência de prblemas psicssmátics, depressã, ansiedade e suicídi. N cntext familiar, em situações de vilência cnjugal, as cnsequências nã se cnfinam apenas à vítima direta ds ats vilents; as crianças ficam em perig (assim está cnsignad na Lei de Prteçã de Crianças e Jvens) e as repercussões estendem-se a utrs membrs d agregad, em particular as idss, assim cm a própri agressr u agressra. A necessidade de pôr fim à vilência clca, assim, dis tips de desafis as prfissinais: Encntrar frmas de parar cm s ats vilents; Prevenir nvas crrências. A Direçã-Geral da Saúde, a Cmissã Nacinal de Prteçã de Crianças e Jvens em Risc, a Cmissã para a Cidadania e Igualdade de Géner e a Crdenaçã Nacinal para a Saúde Mental mantêm um prtcl de clabraçã sbre articulaçã, cperaçã e bas práticas que cntribuem para a prevençã e prestaçã de cuidads n dmíni da vilência familiar e ds maus trats a crianças e jvens. Estabeleciments de educaçã e ensin As esclas cnstituem um cntext privilegiad para intervenções prmtras de saúde. Prmver a saúde na escla deve assentar n desenvlviment de quatr dimensões: currícul, que deve integrar a cmpnente da educaçã para a saúde e da educaçã sexual a lng da esclaridade; a dimensã eclógica, que pressupõe um ambiente físic salubre, cm espaçs adequads para a prática de atividade física, uma ferta alimentar saudável e um mei envlvente próxim segur; a dimensã relacinal, que se cncretiza através da cmunicaçã entre s aluns, pessal dcente e nã 75
dcente, encarregads de educaçã e restante cmunidade educativa; a dimensã rganizacinal, n sentid da criaçã de um clima intern favrável à saúde. A prmçã da saúde em mei esclar, nã bstante ser uma respnsabilidade d sistema educativ, deve ser apiada lcalmente pelas diferentes Unidades Funcinais ds ACES, sb gestã da Unidade de Saúde Pública. Uma das vertentes de açã diz respeit à avaliaçã das cndições de segurança, higiene e saúde existentes ns estabeleciments, tant n que respeita a mei ambiente, cm as recints e espaçs de jg e recrei e as edifícis esclares. Outra das vertentes a desenvlver refere-se, em particular, à prmçã da realizaçã ds exames de vigilância da saúde, de acrd cm precnizad n Prgrama-Tip de Saúde Infantil e Juvenil, n Prgrama Nacinal de Vacinaçã e n Prgrama Nacinal de Prmçã da Saúde Oral, e a encaminhament para a Medicina Geral e Familiar, sempre que pertinente. A escla assume, também, um papel imprtante na educaçã para a saúde, tend em vista infrmar e capacitar as crianças e s jvens para pções de vida prmtras de saúde. Sublinham-se, ainda, utras áreas, cm a prmçã de uma ferta alimentar saudável, ptenciadras das aprendizagens n cntext curricular. Enunciam-se alguns prgramas de saúde específics deste cntext: Prgrama Nacinal de Saúde Esclar (Despach 12045/2006), que abrange as áreas de vigilância e prteçã da saúde e de aquisiçã de cnheciments, capacidades e cmpetências em prmçã da saúde, send destinad a jardins de infância, Esclas d Ensin Básic e Secundári e instituições cm intervençã na ppulaçã esclar. Prtcl entre s Ministéris da Educaçã e da Saúde (2006), estabelecid cm cmprmiss de: dinamizar princípis e práticas de prmçã da saúde, em mei esclar; desenvlver Prgrama Nacinal de Saúde Esclar; incrementar mdels de parceria na implementaçã ds princípis das Esclas Prmtras da Saúde. N dmíni d enquadrament legal, é de salientar: DL 259/ 2000, Educaçã Sexual nas Esclas; Lei 60/ 2009, que prevê regime de aplicaçã da educaçã sexual em mei esclar e respetiv cnteúd. Rede de Esclas Prmtras de Saúde, a que Prtugal pertence desde 1994 (3407 esclas em 2002). Em 2006, fi estabelecida uma parceria cm Ministéri da Educaçã n sentid da prmçã e educaçã para a saúde em mei esclar. N âmbit desta parceria, s princípis de intervençã precnizads n cntext da adesã à Rede de Esclas Prmtras de Saúde têm vind a ser integrads em td sistema educativ. Existem alguns instruments que sã aplicads em cntext de escla e que permitem bter infrmaçã periódica sbre a situaçã de saúde de crianças e jvens em mei esclar: Health Behaviur in Schl-aged Children (HBSC), integrad em estud da OMS, realizad de 4 em 4 ans, para diagnóstic ds cmprtaments de saúde ds adlescentes de 11, 13 e 15 ans. Prgrama de Estuds em Mei Esclar d IDT, que englba dis prjets: Inquérit Nacinal em Mei Esclar (INME) e Estud sbre Cnsum de Álcl, Tabac e Drga, (ECATD), send este uma ampliaçã d prjet Eurpean Schl Survey Prject n Alchl and ther Drugs (ESPAD). As instituições d ensin superir pdem também ser influenciadas e abrangidas, n sentid de valrizarem a saúde, enquant dimensã essencial para um adequad desenvlviment pessal e scial ds jvens. É de referir a existência de diversas iniciativas neste dmíni: 76
Serviçs de Açã Scial das Universidades, de rganizaçã e respnsabilidade de cada estabeleciment, na prmçã da saúde e api médic, medicina geral, enfermagem, gineclgia, psiclgia, psiquiatria. Mei labral Em Prtugal, as denças prfissinais e s acidentes de trabalh apresentam indicadres de mrbilidade crescentes e taxas de mrtalidade muit relevantes. O cntext labral remete para a peracinalizaçã ds princípis da saúde cupacinal e para a respnsabilidade das instituições públicas e privadas pela prmçã e prteçã da saúde ds funcináris, clientes e da sciedade em geral. O Prgrama Nacinal de Saúde Ocupacinal (PNSOC), de setembr de 2009, integra-se na Estratégia Nacinal para a Segurança e Saúde n Trabalh, aprvada pela Resluçã de Cnselh de Ministrs n.º 59/2008 de 1 de abril, e pretende respnder às necessidades crescentes de intervençã n dmíni da saúde n lcal de trabalh e das cndições em que este é exercid. Tem cm bjetivs: a gestã ds riscs prfissinais, a vigilância (segurança) e a prmçã da saúde ds trabalhadres; a qualidade de vida n trabalh, cnducente à realizaçã pessal e prfissinal; a reabilitaçã e reintegraçã prfissinal de indivídus cm dença crónica u de vítimas de acidente labral. Prisões A saúde em cntext prisinal é tutelada pel Ministéri da Justiça, através da Direçã-Geral ds Serviçs Prisinais. Os recluss têm direit a usufruir de cuidads de saúde iguais as ferecids à ppulaçã que nã se encntra privada de liberdade, n cumpriment d princípi da equidade e universalidade d Serviç Nacinal de Saúde Prtuguês. Urbanism, Espaçs Cnstruíds e de Lazer As cndições de urbanizaçã, a qualidade habitacinal, acess a áreas pednais e ciclvias, a espaçs verdes, a espaçs desprtivs e utras áreas de lazer para crianças, jvens, adults e idss representam um imprtante fatr determinante da saúde, pel que investiment na melhria das cndições da habitaçã, ns bairrs degradads e nas cndições de saneament básic cnstitui uma imprtante medida de prmçã da saúde e de prevençã da dença. Existem diverss prgramas e prjets de prmçã e prteçã da saúde desenvlvids tant a nível autárquic municipal, cm a nível das juntas de freguesia. Pr exempl: Rede Nacinal de Cidades Saudáveis, parceria eurpeia a que Prtugal aderiu em 1998, integra 30 municípis e tem pr bjetivs: expansã de parcerias em cntext lcal; mbilizaçã de recurss para a prmçã da saúde; gestã de interesses; participaçã da cmunidade na definiçã das plíticas lcais de saúde; liderança de prcesss de mudança e de participaçã das cmunidades; investiment na saúde; Cidades Amigas das Pessas Idsas, Prjet da OMS (2005), crdenad pela DGS e diversas autarquias, para um envelheciment ativ saudável, através de ações intersectriais que implicam melhria de fatres ambientais e sciais. Cm esse prpósit, fi estabelecid um prtcl de cperaçã cm a Câmara Municipal de Lisba, em 2008, e editad Guia Glbal das Cidades Amigas das Pessas Idsas (FCG, 2009). 77
Prjet Habitaçã e Saúde, iniciativa em desenvlviment, sb crdenaçã da Direçã- Geral da Saúde, em clabraçã cm a Organizaçã Mundial da Saúde. Prcura identificar ameaças e prtunidades para a saúde n ambiente existente nas habitações, de md a apiar as autridades lcais na implementaçã de plíticas habitacinais que respndam às necessidades específicas de saúde das ppulações. Neste sentid desenvlveu-se uma ferramenta baseada num inquérit à ppulaçã fcand aspets relacinads cm impermeabilizaçã, temperatura, acessibilidade, higiene, resídus, ruíd, iluminaçã, ambiente envlvente, infestações, qualidade d ar interir, questões sóci-ecnómicas, privacidade, slidã, quesits arquitetónics, n sentid de permitir as municípis identificar as priridades da habitaçã e saúde e desenvlver plíticas para diminuir s riscs. Prgrama Nacinal de Saúde e Ambiente / Prgrama Nacinal de Saúde Ambiental, implementad nas ARS Nrte, Centr, LVT e Algarve, este prgrama englba várias vertentes. A sua missã passa pr recnhecer e identificar factres d ambiente passíveis de prvcar dans na saúde pública. N âmbit da Saúde Ambiental realizam-se diversas acções de vigilância e cntrl ds riscs ambientais cm bjectiv de minimizar s seus efeits na saúde da ppulaçã, destacand-se: Prgrama de Vigilância Sanitária da Qualidade da Água para Cnsum Human; Prgrama de Vigilância de Cianbactérias ns Sistemas de Abasteciment de Água para Cnsum Human cm Origem em Águas Superficiais d Algarve; Prgrama de Vigilância Sanitária das Águas Balneares Marítimas e Interires; Prgrama de Vigilância Sanitária de Recints cm Diversões Aquáticas; Prgrama de Vigilância Sanitária de Piscinas Públicas e Semi-Públicas; Prgrama de Vigilância Sanitária da Água Mineral Natural; Prgrama de Vigilância da Qualidade da Água Mineral Natural em Estabeleciments Termais; Prgrama de Vigilância da Qualidade da Água em Centrs de Hemdiálise; Prgrama de Gestã de Resídus Hspitalares Mei Ambiente A Organizaçã Mundial de Saúde recnhece que s fatres ambientais cnstituem um ds principais determinantes em saúde, assumind que cerca de um quart das causas de dença estã relacinadas cm as prblemáticas ambientais. Sã situações emergentes cm pssíveis efeits adverss na saúde pública as alterações climáticas assciadas à emissã de gases cm efeit de estufa, à destruiçã da camada de zn e às radiações inizantes e nã inizantes, assim cm ruíd, a cntaminaçã d mei hídric, s rganisms geneticamente mdificads, a pluiçã atmsférica e s efeits de misturas ds váris agentes químics e bilógics e a habitaçã desadequada. Fenómens climátics extrems Ns últims ans, a temperatura da superfície terrestre tem vind a aumentar e númer de fenómens climátics extrems a manifestar-se de frma mais intensa e frequente, nmeadamente as Ondas de Calr, cm efeits na mrbilidade e mrtalidade da ppulaçã, cm especial incidência ns grups de risc cm s idss, s dentes crónics e as crianças. Pr esse mtiv, a Direçã- Geral da Saúde desenvlve, desde 2004, Plan de Cntingência de Temperaturas Extremas Adversas Módul Calr e Módul Fri, de md a assegurar uma vigilância cntinuada a lng d an, cm especial incidência ns períds cm mair prbabilidade de crrência de temperaturas extremas cm impacte negativ na saúde. 78
Qualidade d Ar/Emissões Atmsféricas A qualidade d ar está intrinsecamente assciada às emissões de pluentes atmsférics, destacand-se s pluentes primáris cm s óxids de azt e de enxfre, s cmpsts rgânics vláteis, as partículas, s hidrcarbnets plicíclics armátics, metan, s metais pesads mnóxid e dióxid de carbn e pluentes secundáris cm zn, cm ptenciais impactes negativs na saúde pública. Atualmente dispõe-se de um sistema de previsã da Qualidade d AR (PREV QUALAR) e de um Sistema de alerta e avis às ppulações em cas de excedência ds níveis de zn trpsféric, send emitids aviss e alertas às ppulações. Em Prtugal Cntinental, s valres limite de emissã mais vezes excedids sã s das partículas PM10 (matéria particulada cm diâmetr aerdinâmic equivalente inferir a 10 μm) e PM2,5 (matéria particulada cm diâmetr aerdinâmic equivalente inferir a 2,5 μm) e d zn trpsféric, cntribuind para um aument da mrbilidade e mrtalidade. Os grups de risc mais afetads pela má qualidade d ar sã s idss, as crianças e s dentes crónics cnstand-se aument de algumas denças cm a Asma, Dença Pulmnar Obstrutiva Crónica e denças d fr cardivascular. Destaca-se a imprtância de serem desenvlvids estuds epidemilógics que sustentem um cnheciment mais prfund ds ptenciais impactes na saúde pública relacinads cm s principais pluentes atmsférics. Qualidade da Água Qualquer alteraçã a nível da qualidade micrbilógica e físic-química da água pde afetar a saúde humana. As alterações climáticas sã um ds fatres que em determinadas znas gegráficas, e a médi praz, pdem afetar a qualidade da água, higiene e saneament, favrecend apareciment de surts de denças infecisas (aument da transmissã de denças disseminadas pr aliments e água cntaminads), nmeadamente pr bactérias e prtzáris. É também expectável a emergência de nvs agentes infeciss e reapareciment de utrs já existentes, cm alta resistência as prduts utilizads na desinfeçã da água, bem cm desenvlviment de estirpes de patgénis resistentes as antibiótics. Salienta-se ainda s pssíveis efeits ds disruptres endócrins e ds prduts farmacêutics, de higiene pessal e utrs prduts químics que pdem penetrar nas águas subterrâneas e de superfície. Radiações inizantes e nã inizantes Radiações inizantes As radiações inizantes estã nrmalmente assciadas a ats médics, mas imprta ter em cnta que também estã presentes n mei ambiente de frma natural. Existem isótps radiativs em tda a crsta terrestre que, através de diferentes vias, representam a mair cntribuiçã para a expsiçã da ttalidade da ppulaçã. A expsiçã a radiações inizantes está largamente recnhecida cm fatr carcingénic. Apesar diss, existem inúmeras aplicações pssíveis para estas radiações, que apresentam ampls benefícis para a sciedade e para s indivídus. 79
A prblemática da prteçã cntra radiações, u prteçã radilógica, é lata, abrangend nã só as pessas dentes envlvidas em expsições radilógicas para fins médics, mas também s prfissinais e s cidadãs expsts a fntes de radiaçã de rigem natural e artificial. Radiações nã inizantes A radiaçã eletrmagnética nã-inizante crre naturalmente n ambiente, send gerada pela atividade slar e pr descargas elétricas e relâmpags. Cm avanç tecnlógic fram surgind fntes artificiais de radiaçã eletrmagnética que estã cada vez mais presentes n qutidian das ppulações. A radiaçã eletrmagnética gerada artificialmente pde assumir diferentes frmas, send as mais cmuns as que resultam da utilizaçã das linhas de transprte de energia, ds equipaments dméstics, das estações de radicmunicações, ds sistemas de transmissã de rádi, da luz visível. A cmunicaçã d risc desempenha um papel fundamental na gestã deste fatr. Agentes Químics e Bilógics As ppulações estã expstas qutidianamente a diverss agentes químics e bilógics, nmeadamente a rganisms geneticamente mdificads, que pdem cntribuir para alterações d seu estad de saúde, send imprtante avaliar risc para a saúde assciad a estes agentes, cnfrme previst ns váris quadrs legislativs u regulamentares. Tem também vind a ser acmpanhada a evidência científica dispnível sbre s Nanmateriais e Nantecnlgias, na medida, em que a sua utilizaçã pderá implicar riscs para a saúde. Resídus Hspitalares Os resídus hspitalares, tend em cnta a sua especificidade, pdem cnstituir um prblema de Saúde Pública e Ambiental, principalmente quand nã sã bject de gestã adequada. Salienta-se a imprtância d Plan Estratégic ds Resídus Hspitalares 2010-2016, que define as linhas rientadras e as bas práticas para s prdutres de resídus hspitalares e peradres licenciads. 5.1.3 Orientações estratégicas Incrementar uma cultura que valrize s cntributs individuais e cletivs para a prmçã da saúde e prevençã da dença. Prmver a reduçã das iniquidades em saúde através d investiment n desenvlviment sustentável. Prmver uma abrdagem integrada de fatres de risc e fatres prtetres da saúde a lng d cicl de vida. Prmver ambientes segurs e favrecedres de um desenvlviment infantil e juvenil equilibrad e saudável, assim cm de um envelheciment ativ. Incentivar a vigilância da saúde a lng d cicl de vida, em particular em idadeschave. 80
Prmver a saúde sexual e reprdutiva nas suas diferentes dimensões. Criar cndições ambientais, sciais e ecnómicas que facilitem esclhas individuais e cletivas prmtras de saúde. Desenvlver iniciativas de deteçã e api às famílias e grups ppulacinais em situaçã de pbreza u de carência, de caráter permanente u cnjuntural. Apiar a criaçã de espaçs urbanístics e habitacinais favráveis à saúde e a envelheciment ativ. Prmver uma cultura de nã vilência. Prmver a avaliaçã das vulnerabilidades e ds recurss para adaptaçã às alterações climáticas e cntrl ds seus efeits na saúde. Assegurar a existência de sistemas de alerta, vigilância e respsta em temp útil face as principais impactes na saúde relacinads cm a água, pluentes atmsférics, radiações inizantes, agentes químics, agentes bilógics e fenómens meterlógics extrems. Fmentar uma cultura de segurança na utilizaçã de radiações inizantes e assegurar cntrl efetiv de fntes de radiaçã. Incentivar estuds de investigaçã sbre s efeits na saúde decrrentes da expsiçã a radiações nã-inizantes e desenvlver técnicas de mnitrizaçã e cntrl adequadas. Desenvlver medidas que facilitem a identificaçã e a cmpreensã ds prblemas de saúde, a lng d cicl de vida, sensíveis à intervençã nas especificidades ds cntexts. Refrçar a articulaçã ds serviçs de saúde cm s agentes lcais na melhria das cndições de vida da ppulaçã. Incentivar a frmaçã prfissinal e a investigaçã n dmíni das abrdagens centradas n cicl de vida e em ambientes específics. 5.2 PREVENIR A DOENÇA, ASSEGURAR O TRATAMENTO, A REABILITAÇÃO E A INTEGRAÇÃO DE CUIDADOS 5.2.1 Intrduçã Denças nã transmissíveis As denças nã transmissíveis (DNT) sã cnsideradas uma epidemia emergente (OMS). Sã respnsáveis pela mairia das mrtes e da carga da dença em tda a regiã eurpeia da OMS, incluind Prtugal, pel que as medidas para a sua prevençã e cntrl devem ser assumidas cm uma priridade em saúde pública. As DNT sã cnsequência e causa de iniquidades em saúde, cm relevância para gradiente sciecnómic e para as desigualdades de géner. A mairia destas denças manifesta-se nas últimas décadas de vida, representand um esfrç adicinal para sistema de saúde, cm custs cncentrads nas últimas fases d cicl de vida. N entant, s custs da nã intervençã serã 81