UNIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS FUNDAÇÃO DE MEDICINA TROPICAL DR. HEITOR VIEIRA DOURADO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM MEDICINA TROPICAL

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "UNIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS FUNDAÇÃO DE MEDICINA TROPICAL DR. HEITOR VIEIRA DOURADO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM MEDICINA TROPICAL"

Transcrição

1 UNIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS FUNDAÇÃO DE MEDICINA TROPICAL DR. HEITOR VIEIRA DOURADO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM MEDICINA TROPICAL MESTRADO EM DOENÇAS TROPICAIS E INFECCIOSAS SIMULTÂNEA DETECÇÃO E QUANTIFICAÇÃO DA CARGA VIRAL POR PCR EM TEMPO REAL (qrt-pcr) IN HOUSE E CARACTERIZAÇÃO GENOTÍPICA DO VÍRUS DA HEPATITE B (VHB) EM AMOSTRAS PROCEDENTES DA AMAZÔNIA OCIDENTAL BRASILEIRA SANMILE CRISTINA NASCIMENTO DE HOLANDA MANAUS 2012

2 II SANMILE CRISTINA NASCIMENTO DE HOLANDA SIMULTÂNEA DETECÇÃO E QUANTIFICAÇÃO DA CARGA VIRAL POR PCR EM TEMPO REAL (qrt-pcr) IN HOUSE E CARACTERIZAÇÃO GENOTÍPICA DO VÍRUS DA HEPATITE B (VHB) EM AMOSTRAS PROCEDENTES DA AMAZÔNIA OCIDENTAL BRASILEIRA Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Medicina Tropical da Universidade do Estado do Amazonas em convênio com a Fundação de Medicina Tropical Heitor Vieira Dourado para obtenção do grau de Mestre em Doenças Tropicais e Infecciosas. Orientador: Prof. Dra. Cintia Mara Costa de Oliveira Co-orientador: Prof. Dr. Wornei Silva Miranda Braga MANAUS 2012

3 III Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Central da UEA H673s Holanda, Sanmile Cristina Nascimento de Simultânea detecção e quantificação da carga viral por PCR em tempo real (QRT-PCR) In House e caracterização genotípica do vírus da Hepatite B (VHB) em mostras procedentes da Amazônia Ocidental Brasileira / Sanmile Cristina Nascimento de Holanda; orientadora Cintia Mara Costa de Oliveira; co-orientador Wornei Silva Miranda Braga. - - Manaus : [s. n.], f.; il.; 30 cm Dissertação (Mestrado em Doenças Tropicais e Infecciosas) Universidade do Estado do Amazonas, Inclui bibliografia. 1. Mestrado em Doenças Tropicais e Infecciosas - Dissertações 2. Hepatite B 3. Genótipo PCR em tempo real 3. Quantificação I. Oliveira, Cintia Mara Costa de II. Braga, Wornei Silva Miranda III. Título. CDU(1997) (043)

4 IV FOLHA DE JULGAMENTO SIMULTÂNEA DETECÇÃO E QUANTIFICAÇÃO DA CARGA VIRAL POR PCR EM TEMPO REAL (qrt-pcr) IN HOUSE E CARACTERIZAÇÃO GENOTÍPICA DO VÍRUS DA HEPATITE B (VHB) EM AMOSTRAS PROCEDENTES DA AMAZÔNIA OCIDENTAL BRASILEIRA SANMILE CRISTINA NASCIMENTO DE HOLANDA Esta Dissertação foi julgada adequada para obtenção do Título de Mestre em Doenças Tropicais e Infecciosas, aprovada em sua forma final pelo Programa de Pós- Graduação em Medicina Tropical da Universidade do Estado do Amazonas em convênio com a Fundação de Medicina Tropical Heitor Vieira Dourado. Banca Julgadora: Presidente Profª. Dra. Cíntia Mara Costa de Oliveira Prof. Dr. Carlos Gustavo Nunes da Silva Membro Prof. Dr. Jorge Roberto Di Tommaso Leão Membro

5 V Aos meus pais e minha irmã, pelo carinho, compreensão e por estarem sempre ao meu lado, me incentivando na realização deste trabalho.

6 VI AGRADECIMENTOS Quero agradecer a todas as pessoas que se fizeram presentes, que se preocuparam, que foram solidárias e que torceram por mim: A Deus por ter me dado sabedoria para escolher os caminhos corretos, pelos momentos de alegria que tive durante esse período e por me rodear de pessoas maravilhosas que se empenharam em me ajudar a concluir esse trabalho. A minha querida orientadora Prof. Dra. Cintia Mara Costa de Oliveira por ter acreditado em mim, por me ensinar e me desafiar durante os dois últimos anos, contribuindo para minha formação. Agradeço também pela sua paciência, dedicação e amizade. Ao meu co-orientador Dr. Wornei Silva Miranda Braga pelo incentivo e apoio, principalmente com os pacientes, fundamentais para a realização deste trabalho. A minha querida colaboradora Márcia da Costa Castilho, que teve papel fundamental neste trabalho. A todos os participantes desse estudo pela disposição em ajudar no que deles dependesse para a conclusão da pesquisa. Aos meus pais, Miguel e Sônia, pela formação que me permitiram ter, pelo amor, carinho e apoio nas horas difíceis. Agradeço a cada instante da minha vida por Deus ter me dado pais tão maravilhosos e compreensíveis como vocês. A minha irmã Camila, parceira em todos os momentos, tanto os alegres como os tristes, agradeço pelo amor, compreensão e paciência, principalmente nesses dois últimos anos. A todos os colegas da Gerência de Virologia e demais setores da FMT-HVD pelo apoio e amizade.

7 VII Aos meus colegas da turma de 2010 do PPGMT pela amizade. Ao Programa de Pós Graduação da UEA e todos os professores, pelos conhecimentos repassados, fundamentais para a minha formação. A Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado, pela parceria e pelo apoio técnico que possibilitou a realização deste estudo. Ao órgão financiador Agradeço

8 VIII LISTA DE ABREVIATURAS, SÍMBOLOS E UNIDADES DE MEDIDA A - adenina Anti-HBs anticorpo contra o antígeno de superfície Anti-HBc anticorpo contra o antígeno core Anti- HBc IgM anticorpo da classe IgM contra o antígeno c Anti-HBe anticorpo contra o antígeno e Anti-HDT anticorpo contra o vírus da hepatite D ALT Alanina amino transferase AST Aspartato amino transferase cccdna Cadeia fechada de DNA com ligações covalentes CDC Centers for Diseases Controls Ct - threshold cycle CV coeficiente de variação DNA Ácido desoxirribonucléico FMT-HVD Fundação de Medicina Tropical Heitor Vieira Dourado FRET Fluorencense Ressonance Energy Transfer G- guanina HBsAg- Antígeno de superfície HBcAg Antígeno core HBeAg Antígeno e HIV Vírus da imunodeficiência humana HCC Carcinoma hepatocelular Kb Kilo base KD Kilo Dalton Log - logaritmo MS Ministério da Saúde min minuto ml Mililitro ng - nanograma nm Nanômetro OMS Organização Mundial de Saúde ORF s regiões abertas de leitura

9 IX pb Pares de base Pré-C Pré-Core PCR Reação em Cadeia da Polimerase pmol Pico moles qrt-pcr- Quantificação por PCR em tempo real RNA Ácido ribonucléico RPM Rotação por Minuto Seg segundo SUS Sistema Único de Saúde SVS Secretaria de Vigilância em Saúde VHB Vírus da Hepatite B VHC Vírus da hepatite C VHD Vírus da hepatite D ou delta T- timina TCLE Termo de Consentimento Livre e Esclarecido UI- Unidades Internacionais WHO World Health Organization µg - Micrograma µl - Microlitro % - Por cento ºC grau Celsius > - Maior < - Menor

10 X RESUMO A hepatite B é uma doença infecciosa causada pelo vírus da hepatite B (VHB). Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 2 bilhões de pessoas no mundo foram infectadas pelo VHB e cerca de 350 milhões vivem com a infecção crônica. Sua distribuição varia consideravelmente em diferentes áreas geográficas do mundo e a Amazônia Ocidental Brasileira é considerada área de alta endemicidade. Além da caracterização genotípica, a análise quantitativa do VHB é amplamente utilizada para monitorar a progressão da doença e o tratamento. Em locais com recursos escassos, métodos baratos para o monitoramento da carga viral são desejáveis e, em países em desenvolvimento, sua utilidade já foi demonstrada para outros vírus, como o da Hepatite C e HIV. Neste estudo desenvolvemos uma metodologia de quantificação da carga viral do DNA do vírus da hepatite B, através da PCR em tempo real e identificamos os genótipos, através do sequenciamento direto, nas amostras clínicas de pacientes oriundos da Amazônia Ocidental Brasileira. Neste trabalho aplicou-se a metodologia da PCR em tempo real para a detecção e quantificação do DNA-VHB. Utilizou-se a plataforma ABI 7500 Fast e sondas TaqMan-MGB como base para o desenvolvimento deste teste. Foram analisadas 61 amostras pela PCR em tempo real. A sensibilidade analítica do teste foi estimada em 17,9 UI/mL; a média do coeficiente de variação (CV) inter-ensaio foi 3,72% e a faixa de quantificação abrangeu cerca de 7 log10. A metodologia empregada foi capaz de detectar 62,2% das 61 amostras analisadas. Quando comparado com o método comercial COBAS AmpliPrep-COBAS TaqMan HBV Test, utilizado na rotina de diagnósticos, os testes demonstraram pouca correlação na análise de Pearson (r=0,22, p=0,235) e nenhuma concordância na análise de Bland-Altmann. Na caracterização genotípica comprovamos que das 35 amostras sequenciadas, o genótipo predominante na região é o A com 67,8%, seguido do genótipo F com 25% e do genótipo D com 7,14%. Palavras chave: hepatite B genótipo PCR em tempo real quantificação

11 XI ABSTRACT Hepatitis B is an infectious disease caused by hepatitis B virus (HBV). According to World Health Organization (WHO), about 2 billion people worldwide were infected with HBV and about 350 million live with chronic infection. Their distribution varies considerably in different geographic areas of the world and the Western Brazilian Amazon is considered a highly endemic area. In addition to the genotypic characterization, the quantitative analysis of HBV is widely used to monitor the progression of disease and treatment. Where resources are scarce, inexpensive methods for monitoring viral load are desirable and, in developing countries, its usefulness has been demonstrated for other viruses such as Hepatitis C and HIV. This study developed a method for quantification of DNA viral load of hepatitis B by real-time PCR and the genotypes identified through direct sequencing in clinical samples of patients from the Western Brazilian Amazon. In this work we applied the methodology of real-time PCR for detection and quantification of HBV DNA. We used the platform ABI 7500 Fast and TaqMan-MGB probes the basis for the development of this test. 61 samples were analyzed by real time PCR. The analytical sensitivity of the test was estimated at 17.9 IU / ml, the mean coefficient of variation (CV) interassay was 3.72% and the quantification range covering about 7 log10. The methodology used was able to detect 62.2% of 61 samples analyzed. When compared with the commercial method COBAS AmpliPrep -COBAS TaqMan HBV Test, used in routine diagnostics, tests showed little correlation in the analysis of Pearson (r = 0.22, p = 0.235) and no agreement in the Bland-Altmann analysis. In genotypic characterization proved that the 35 samples sequenced, the genotype is predominant in the region A with 67.8%, followed by genotype F with 25% and genotype D with 7.14%. Keywords: hepatitis B - genotype - real-time PCR quantification

12 XII LISTA DE FIGURAS Figura 1. Países ou áreas de risco do VHB... 2 Figura 2. Estrutura do VHB... 7 Figura 3. Partícula viral do VHB (A) e Partes da estrutura genômica (B)... 9 Figura 4. Replicação VHB Figura 5. Distribuição geográfica dos genótipos e subgenótipos do VHB Figura 6. Representação esquemática do mecanismo de ação da sonda TaqMan durante a PCR em tempo real Figura 7. Curva de amplificação da PCR em tempo real. A amplificação mostra 3 fases distintas: (1) Linha de base ou linha basal: não houve produto da PCR para detectar a fluorescência. (2) Fase log: a quantidade de produto da PCR dobra a cada ciclo. (3) Fase platô: não há mais aumento no número de produtos Figura 8. Representação esquemática das etapas para a clonagem em E.coli, utilizando plasmidio Figura 9. Fluxograma das atividades realizadas Figura 10. Representação esquemática da posição dos iniciadores desenhados para a amplificação do gene S do VHB Figura 11. Fluxograma das etapas para a realização da clonagem Figura 12. Mapa do vetor pcr 4-TOPO. Esse mapa mostra as características do vetor e as sequências que circundam o sítio de clonagem. O vetor possui 3956 pb e genes de resistência para a kanamicina e ampicilina Figura 13. Perfil eletroforético dos plasmídios após a digestão com enzima ECOR I. O clone de nº 4 foi selecionado para as diluições seriadas por ter a maior concentração de DNA. O produto amplificado corresponde a 220 pb. M= marcador de peso molecular Ladder de 1 kb Figura 14. (A) Curva padrão obtida a partir de duplicata das diluições seriadas do plasmídeo pcr 4 -TOPO, variando de 10 1 a 10 7 cópias/ml. (B) Regressão linear da curva padrão (R 2 = 0,991). (C) curva padrão obtida e amostras positivas; (D) regressão linear da curva padrão com amostras positivas. Essas figuras foram geradas pelo ABI 7500 Fast (Applied Biosystem)... 40

13 XIII Figura 15. Correlação entre número de cópias, em log/ml, da PCR em tempo real in-house X COBAS AmpliPrep-COBAS TaqMan HBV Test (Roche) Esse gráfico foi gerado pelo programa GraphPad Prism Figura 16. Concordância entre os testes através da metodologia de Bland- Altmann. Esse gráfico foi gerado pelo programa GraphPad Prism Figura 17. Árvore filogenética inferida pelo método Neighbor-Joining. O valor de bootstrap foi calculado a partir de 2000 réplicas. A análise envolveu 51 sequencias de nucleotídeos, sendo 31 de referência e um grupo externo (AF046996). As análises evolutivas foram realizadas no programa MEGA... 45

14 XIV LISTA DE TABELAS Tabela 1. Distribuição geográfica dos genótipos (A-J) Tabela 2. Sequências dos iniciadores para a amplificação do gene Tabela 3. Tabela 4. Sequências dos iniciadores para a amplificação do gene S na PCR em tempo real Caracterização da população estudada quanto ao gênero e a procedência Tabela 5. Naturalidade dos pacientes envolvidos na pesquisa Tabela 6. Valores de Ct gerados em seis corridas na PCR em tempo Tabela 7. Avaliação da reprodutibilidade da curva padrão Tabela 8. Relação entre os resultados obtidos pelos ensaios de qrt-pcr inhouse e o sistema COBAS Ampliprep (Roche)... 42

15 XV LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1. Gráfico 2. Taxa de detecção de hepatite B (por 100 mil habitantes) segundo UF de residência. Brasil, Taxa de detecção de hepatite B (por 100 mil habitantes) segundo região de residência por ano de notificação. Brasil, 1999 a Gráfico 3. Perfil da faixa etária dos indivíduos participantes do estudo... 37

16 XVI LISTA DE QUADROS Quadro 1. Concentração e volume dos reagentes utilizados na primeira e na segunda reação da PCR convencional Quadro 2. Programa para amplificação das regiões S e pré- S1/S Quadro 3. Programa para amplificação do plasmídeo Quadro 4. Concentração e volume dos reagentes utilizados Quadro 5. Programa para amplificação da PCR em tempo real... 35

17 XVII SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO Aspectos epidemiológicos da hepatite B Aspectos epidemiológicos da hepatite B no Brasil Aspectos epidemiológicos da hepatite B no Amazonas Estrutura genômica do vírus da hepatite B Replicação do VHB Genótipos, subtipos e sorotipos Manifestações clínicas Diagnósticos laboratoriais Diagnóstico bioquímico Diagnóstico sorológico Diagnóstico histológico Diagnóstico molecular Detecção qualitativa do DNA Detecção quantitativa do DNA Clonagem Curva Padrão JUSTIFICATIVA OBJETIVOS Gerais Específicos MATERIAL E MÉTODOS Tipo de estudo Local e população do estudo Comitê de ética Entrevista dos participantes Tamanho da amostra Critérios de exclusão Critérios de inclusão Classificação sorológica dos participantes Coleta de amostras clínicas Extração do DNA a partir do plasma sanguíneo Reação em cadeia da polimerase (PCR) Análise do produto da PCR Sequenciamento Análise filogenética Procedimentos para o desenvolvimento do ensaio de qrt-pcr Desenvolvimento da curva padrão Preparação de bactérias competentes Inserção em vetor de clonagem Extração do DNA plasmidial (Miniprep) Reação de amplificação do plasmídeo Digestão do DNA plasmidial com enzimas de restrição EcoR I Purificação do fragmento digerido com enzima EcoR I Sequenciamento dos plasmídeos... 32

18 XVIII 5.2 Seleção dos clones para a construção da curva padrão Avaliação da curva padrão Desenho dos iniciadores e sondas para os ensaios da qrt-pcr Análise dos dados Avaliação do desempenho do teste de qrt-pcr Sensibilidade analítica Reprodutibilidade Comparação do ensaio in-house frente ao kit comercial COBAS Ampliprep-COBAS TaqMan HBV Test (Roche) Análise estatística dos dados RESULTADOS DISCUSSÃO CONCLUSÕES REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANEXOS Participantes do projeto Termo de consentimento Questionário Relatório de aprovação do projeto CEP... 70

19 1 INTRODUÇÃO 1.1 Aspectos epidemiológicos da hepatite B A hepatite B é considerada a principal patologia hepática e é a décima causa de morte no mundo. A infecção pelo vírus da hepatite B (VHB) pode induzir a várias alterações hepáticas variando de infecções agudas e crônicas para cirrose hepática e carcinoma hepatocelular (HCC) (1). Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 2 bilhões de pessoas no mundo estao infectadas pelo vírus e cerca de 350 milhões vivem com infecção crônica. Destes, ao menos 65 milhões vivem na África (2). Estima-se ainda que de pessoas morrem a cada ano devido aos efeitos agudos ou crônicos da hepatite B (3). A prevalência da infecção pelo VHB varia consideravelmente em diferentes áreas geográficas do mundo, estando estas divididas em três categorias distintas: alta endemicidade (>8%); média endemicidade ou intermediária (2-8%) e baixa endemicidade (<2%) (Figura 1). A infecção pelo VHB é considerada alta quando a prevalência do antígeno de superfície (HBsAg) é superior a 7% ou quando 60% ou mais da população têm evidência sorológica de infecção prévia (4). Nas áreas que correspondem às regiões de alta endemicidade, como o Sudeste Asiático, África Sub-Sahariana, regiões do Pacífico Sul, Alasca e Amazônia Ocidental, a infecção se dá, geralmente, de mãe para filho (transmissão vertical), no momento do parto, assim como horizontalmente, entre crianças menores de cinco anos, com menor probabilidade, relacionado às características ambientais como a de transmissão por insetos hematófagos (5; 6) ou o mais provável, relacionado a hábitos culturais da população, que levem ao contato com o sangue de um indivíduo portador (7; 8). Alguns autores consideram que o contato interpessoal, como a relação entre irmãos, representa um maior risco de disseminação do VHB, do que a transmissão vertical (9). Nas áreas de média endemicidade, como em alguns países da Europa, Japão, América do Sul e parte do Oriente Médio, a transmissão também é vertical ou horizontalmente (1; 10-12). O uso inadequado de seringas também representa um problema de saúde pública nos países em desenvolvimento (13). Nas áreas de baixa endemicidade, como na América do Norte, norte e oeste da Europa e Austrália a maioria das infecções é adquirida no começo da vida adulta, por transmissão

20 2 horizontal, através do uso de drogas injetáveis, atividades sexuais sem proteção, infecção hospitalar ou emigração de pessoas das áreas endêmicas (7; 12). Figura 1: Países ou áreas de risco do VHB, adaptado. (14) Aspectos epidemiológicos da hepatite B no Brasil Estimativas do Ministério da Saúde (MS) indicam que a hepatite B crônica atinge cerca de dois milhões de brasileiros, dos quais 95% não estão diagnosticados por falta de esclarecimento e de divulgação sobre a doença (15). Estudos realizados entre as décadas de 80 e 90 sugeriram uma tendência crescente do VHB em direção à região Norte e Sul. Assim, considerava-se que ocorriam três padrões de distribuição da hepatite B: áreas de alta endemicidade, com prevalência superior a 7%, representada pela região Amazônica, alguns locais do Espírito Santo e Santa Catarina; região de endemicidade intermediária, com prevalência entre 2 e 7%, nas regiões Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste e áreas de baixa endemicidade, com prevalência abaixo de 2% na região Sul do país (4;16) Em 2000, Clemens realizou um estudo de soroprevalência do anticorpo contra o antígeno do núcleocapsídeo viral (anti-hbc), nas quatro regiões do país, mostrando que na região Norte a taxa de portadores crônicos atingia 21,4% contra 7,6, 5,5 e 1,2% das regiões Sul, Sudeste e Nordeste, respectivamente (17).

21 3 Segundo dados do Ministério da Saúde, de 1999 a 2010, o total de casos de hepatite B confirmados foi e a taxa de mortalidade 0,3 por 100 mil habitantes. As taxas de detecção por UF de residência, em 2010, podem ser observadas no gráfico 1. A maior taxa foi observada no estado do Acre (52,1) e, a menor, no Piauí (1). O Brasil registrou 6,1 casos de hepatite B por cada 100 mil habitantes (18). As taxas de detecção por região de residência, em 2010, podem ser obervada no Gráfico 2. Gráfico 1: Taxa de detecção de hepatite B (por 100 mil habitantes) segundo UF de residência. Brasil, 2010, adaptado (18) Gráfico 2: Taxa de detecção de hepatite B (por 100 mil habitantes) segundo região de residência por ano de notificação. Brasil, 1999 a (18)

22 4 Desde fevereiro de 2006, todo caso de hepatite B é de notificação obrigatória (19). De 1999 a 2011 foi notificado ao Ministério da Saúde um total de 120,3 mil casos. A região Sudeste concentra o maior número (36,3%), seguida da Sul, com 31,6% das notificações. (20). A vacina contra a hepatite B existe desde 1982 com índice de 95% de eficiência na prevenção da infecção pelo VHB. Desde então, mais de um bilhão de doses da vacina foram utilizadas mundialmente (21). Historicamente a vacina contra hepatite B foi desenvolvida a partir de plasma de doadores contendo o vírus B, sendo que o mesmo era inativado durante o processo de fabricação da vacina. Atualmente, por meio da engenharia genética, é possível fazer a identificação e a clonagem molecular do genoma do vírus (HBsAg), tornando possível a produção de uma nova vacina. A vacina, DNA recombinante, possui 20 µg de HBsAg por dose, sendo adsorvida em hidróxido de alumínio e devendo ser conservada em geladeira entre +2 e +8ºC. Estudos comparativos entre a vacina derivada de plasma e a vacina DNA recombinantes mostraram que a qualidade dos anticorpos produzidos tanto em relação à afinidade quanto a especificidade é semelhante. As vacinas não promovem infecção, pois não contêm DNA viral. Elas apenas induzem à produção do anti-hbs (22; 23). No Brasil, a vacinação contra o VHB foi introduzida em setembro de 1989, na cidade de Lábrea, logo se estendendo a mais de dez municípios nas margens dos rios Purus, Juruá e médio Solimões (24). Foram vacinadas crianças de até nove anos de idade e profissionais de saúde, com três doses de vacina DNA recombinantes, que passou a fazer parte do calendário de vacinação em todo o Estado do Amazonas a partir de 1992 (25). A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que a vacina seja dada em três ou quatro doses em áreas onde haja, geralmente, uma transmissão vertical, como em áreas de alta prevalência do VHB, com a primeira dose sendo administrada imediatamente dentro das primeiras 24 horas de vida (26). No Brasil, a

23 5 vacina para hepatite B passou a ser oferecida no Sistema Único de Saúde (SUS) na década de 90, primeiramente na região Norte. Em 2012, a faixa etária para a vacinação gratuita foi ampliada para pessoas que tenham até 29 anos ou que pertençam a grupos de maior vulnerabilidade, independentemente da idade (27) Aspectos epidemiológicos da hepatite B no Amazonas A Amazônia Ocidental Brasileira, que inclui os estados do Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima, é considerada região de alta endemicidade para o VHB. A prevalência dos portadores do antígeno de superfície (HBsAg) nessas áreas varia de 5% a 15% e, aproximadamente, 50% a 95% das pessoas apresentam evidência sorológica de infecção prévia pelo VHB (28). Em 2005, El Khouri et al realizaram um estudo na região de Monte Negro, no Estado de Rondônia, onde determinaram a presença do VHB em 61,8% dos casos, maior do que em outras partes do Brasil, que foi 7,9%, descrito por Tanak, J. (29; 30). A associação da hepatite B e da hepatite D (VHD) é a que prevalece na região (31). Essa associação é geralmente mais grave do que a infecção pelo VHB sozinho. O VHD é descrito na região, desde o final da década de 60, como Febre Negra de Lábrea - uma hepatoencefalopatia que apresenta características de uma hepatite fulminante (32-34). No estado do Amazonas, as calhas dos rios Juruá, Purus e médio Solimões, são as áreas de maior endemicidade da doença no estado (25; 35). Segundo dados do Ministério da Saúde, entre 1999 e 2011, houve casos de hepatite D concentrados na região Norte (76,4%), sendo 37% no Amazonas e 29,3% no Acre (36). Em 2004, para estimar as taxas de prevalência do VHB e do VHD na cidade de Lábrea, Braga e colaboradores analisaram 605 amostras indivíduos HBsAg+ e concluíram que o VHD estava presente em 30% deles (37). Em Manaus, a Fundação de Medicina Tropical Heitor Vieira Dourado (FMT- HVD), que funciona como Centro de Referência para pesquisas científicas e diagnósticos de doenças tropicais no estado do Amazonas, notificou, entre 2007 e

24 6 2012, 694 casos de infecção por hepatite B, 172 casos de co-infecção de hepatite B e D (delta) e 45 casos de co-infecção de hepatite B e C (38). 1.2 Estrutura genômica do vírus da hepatite B O vírus da hepatite B é classificado como membro da família Hepadnaviridae, gênero Orthohepadnavírus (39). O ser humano é o hospedeiro natural do VHB, contudo, há relatos na literatura, que vírus similares ao VHB foram isolados em animais como marmotas, patos, esquilos e outros tipos de pássaro (40). Historicamente, a descoberta do VHB data da década de 60, quando Blumberg descobriu o antígeno de superfície (HBsAg) e o denominou de antígeno Austrália (Au), devido ao soro dos primeiros estudos serem de um aborígene australiano (41). Em 1970, Dane conseguiu identificar as partículas do vírus da hepatite B (VHB) no soro de um paciente (42). Kaplan confirmou a natureza viral destas partículas, detectando um DNA endógeno dependente de uma DNA polimerase que se encontrava no seu interior (43). A descoberta desta polimerase permitiu a caracterização do genoma do VHB por Robinson (44). A partícula viral do VHB (Figura 2), também denominada de partícula de Dane, tem um diâmetro de aproximadamente 42 nm, composta de um envelope bi lipídico, que é formado por proteínas sintetizadas e moléculas lipídicas, derivadas do hospedeiro, onde fica a proteína s ou o antígeno de superfície (HBsAg). Dentro do envelope existe uma partícula central, o core (HBc), composto por proteínas do nucleocapsídeo, que serve para proteger o genoma viral e a DNA polimerase, importante para a replicação do vírus. O VHB também gera partículas esféricas ou filamentosas, de aproximadamente 22 nm, que são constituídas apenas por antígenos de superfície. Essas partículas por não conterem o genoma viral, não são infecciosas (45).

25 7 Figura 2: Estrutura do VHB, adaptado (45) O genoma do VHB possui um peso molecular de 3,2 kb e 3200 nucleotídeos. É formado por uma molécula circular incompleta de DNA dupla-hélice, sendo uma cadeia curta ou (+) e uma cadeia longa ou (-). A cadeia longa (negativa) é completa, com 3000 a 3200 nucleotídeos. A cadeia curta (positiva) é incompleta, variando de 50 a 70% da cadeia longa. Quando as duas cadeias se sobrepõem, a molécula adquire uma forma circular. Na cadeia positiva são encontradas quatro regiões abertas de leitura (ORF s) (Figura 3), que são representadas pelos genes pré-s/s, pré-c/c, gene P e gene X, cuja função é codificar as proteínas estruturais (HBsAg e HBcAg), não-estruturais (HBeAg), as proteínas replicativas (polimerase e proteína X) e elementos reguladores (39; 46; 47). A primeira ORF é a região pré-s-s que incluem as regiões S, pré-s1 ( nucleotídeos) e pré-s2 ( nucleotídeos) que codificam as glicoproteínas do envelope viral, através de três códons de inícios diferentes. Esse envelope é composto por três proteínas do HBsAg chamadas de grande, médio e pequeno (L, M, S), respectivamente. A proteína L é codificada pela pré-s1, pré-s2 e S. A M é codificada pela pré-s2 e S e a proteína S é codificada apenas pela região S. A proteína S é formada por 226 aminoácidos e as proteínas L e M são formadas pela extensão amino-terminal com 55 aminoácidos na região pré-s2 e aminoácidos na região pré-s1 (39; 48). Dentre as três, a proteína S, conhecida como HBsAg, é a mais abundante, com 24 kd. A proteína pré-s1 está envolvida no reconhecimento do VHB pelos receptores do hepatócito e sua liberação

26 8 na célula infectada enquanto a região S codifica as glicoproteínas de superfície: grande, média e pequena, presentes na partícula vírica infecciosa (43;48). A segunda ORF é a região C, que codifica os antígenos do nucleocapsídeo viral, é formada por dois códons distintos: o pré-core (pré-c), região altamente conservada, e o core (C), que estão na mesma fase de leitura aberta e codificam duas proteínas, o antígeno e (HBeAg), que é secretado no sangue, e a proteína do core (HBcAg). Imunologicamente, estas proteínas funcionam como antígenos do nucleocapsídeo viral, sendo responsáveis pela indução e produção dos anticorpos anti-hbe e anti-hbc, quando ocorre a infecção pelo VHB. Porém, o papel do HBeAg ainda não é totalmente conhecido, pois não faz parte da estrutura da partícula viral e seu papel na replicação viral é desnecessário (45; 48). A cadeia codificadora da polimerase (região P) é a terceira ORF e produz uma proteína multifuncional que inclui: uma proteína terminal, uma região de ligação, uma região da DNA polimerase/transcriptase reversa e uma região correspondente a ribonuclease H. A polimerase vírica também funciona tanto como uma transcriptase reversa (que serve para a síntese da cadeia negativa do DNA a partir do RNA genômico) assim como uma DNA polimerase endógena. A DNA-polimerase, sendo responsável pela replicação do DNA do VHB na célula hospedeira, é a enzima que degrada o RNA, precursor da partícula viral, substituindo-o por DNA. Depois de formado, o DNA é incorporado ao genoma da célula hospedeira, permitindo que o DNA do VHB seja produzido a partir do RNA. O gene P sobrepõe-se à porção final do gene C, ao gene S completo e à porção inicial do gene X (49). A quarta ORF é denominada como proteína X devido à incerteza sobre sua função durante uma infecção natural. No entanto, já se sabe que o gene X codifica um polipeptídio de 154 aminoácidos, assim como codifica o antígeno X (HBxAg) que, segundo experimentos in vivo, parece agir como um ativador da transcrição, tendo uma função essencial na replicação e na hepatocarcinogênese (47; 50).

27 9 Figura 3: Partícula viral do VHB (A) e Partes da estrutura genômica (B). (47) 1.3 Replicação do VHB O ciclo replicativo do VHB (Figura 4) começa com a ligação da partícula viral, ou vírion, ao hepatócito do hospedeiro, mediada pela glicoproteína de superfície pré- S1. Uma vez dentro do hepatócito, ocorre à fusão da partícula com a membrana celular e dentro do citoplasma o genoma é liberado, dirigindo-se até o núcleo. Dentro do núcleo o DNA é reparado e se completa. O genoma do VHB se converte numa cadeia fechada de DNA com ligações covalentes (cccdna), pela DNA polimerase vírica. (45; 51; 52). O cccdna é o modelo que origina o RNA mensageiro (RNAm) para a síntese das proteínas virais e o RNA pré-genômico para a síntese do genoma vírico. Esse RNA-pré genômico é transportado para o citoplasma, incorporado no nucleocapsídeo e convertido na cadeia negativa do DNA pela transcriptase reversa. Nessa fase, forma-se um intermediário de RNA, com cerca de 3,4 kb, que fica no interior do vírus imaturo. Esse RNA representa o molde para a síntese da cadeia negativa do DNA. À medida que o RNA vai se transformando em DNA, ele vai sendo degradado através da atividade da RNAase H. Porém, essa degradação não é completa e o oligoribononucleotídeo terminal (que inclui a sequência DR1) é emparelhado com a região DR2, perto do terminal 5 da mesma cadeia negativa, onde atua como iniciador da síntese da cadeia positiva. A síntese da cadeia positiva é iniciada e forma-se, novamente, o cccdna (52).

28 10 Figura 4: Replicação VHB. (52) 1.4 Genótipos, subtipos e sorotipos Estudando os determinantes antigênicos localizados no gene de superfície do HBsAg, Le Bouvier, em 1972, classificou o vírus da hepatite B, em quatro subtipos: adr, adw, ayr e ayw, sendo o determinante a comum em todas as cepas. Esses subtipos podem ainda ser divididos em nove sorotipos: ayw1, ayw2, ayw3, ayw4, ayr, adw2, adw4, adrq+ e adrq -. Estudos epidemiológicos encontraram prevalência desses subtipos em diferentes partes do mundo (Tabela 1) (40; 53; 54). Analisando a seqüência nucleotídica de 18 cepas de VHB, Okamoto e colaboradores (1988) sugeriram que os subtipos já conhecidos poderiam ser classificados em subgrupos genéticos, já que, quando agrupadas em quatro grupos, de A - D foi encontrada uma divergência com mais de 8% do genoma completo entre as cepas analisadas (55). Logo após a descoberta de Okamoto, Norder et al (1992), através do seqüenciamento do gene S, descobriu dois novos genótipos, o E e o F (56). Utilizando o sequenciamento completo e a análise filogenética, Stuyver et al (2000) descobriu o genótipo G em soro de pacientes com infecção crônica pelo VHB (57).

29 11 Em 2002, Arauz-Ruiz et al. relatou o genótipo H, encontrado em cepas isoladas oriundas da Nicarágua, México e Califórnia. Através do seqüenciamento do genoma completo e posterior análise filogenética, perceberam que o genótipo F possuía certa similaridade com o genótipo H. O que difere ambos é a substituição da valina na posição 44 e a prolina na posição 45. Na região do gene da polimerase, as três cepas identificadas do genótipo H apresentaram uma região única de 16 aminoácidos bem conservada, enquanto no genótipo F estava ausente (58). Atualmente, 8 genótipos são reconhecidos (A-H), entretanto, existem estudos que sugerem a adição do genótipo I (59-61) e do genótipo J (62) Os genótipos do VHB têm distribuições variadas, em diferentes partes do mundo (Tabela 1). Tabela 1: Distribuição geográfica dos genótipos (A-J), adaptado (53) Genótipos A B C D E F G H I J Distribuição Noroeste Europeu, América do Norte, África Central. Sudoeste da Ásia, China, Japão. Sudoeste da Ásia, China, Japão. Sul da Europa,Oriente Médio, Índia África Nativos americanos, Polinésia, América Central e do Sul. Estados Unidos, França. América Central China Japão No Brasil, estudos têm demonstrado que os genótipos também estão divididos em diferentes regiões, devido à imensa variedade étnica da população brasileira (46; 63). Quase todos os genótipos foram encontrados no Brasil, entretanto, o genótipo A parece ser o mais prevalente, chegando a atingir média de 48,5% (62), seguido pelos genótipos D e F (64).

30 12 Entre pacientes paulistas, os genótipos A, D e F são encontrados, em maior quantidade, em indivíduos de ascendência ocidental, enquanto os portadores dos genótipos B e C, em indivíduos de origem asiática (63). No Rio Grande do Sul o genótipo D é o mais prevalente, seguido pelo genótipo A (46). O genótipo F ocorre, principalmente, entre a população indígena do norte do país, havendo relatos de prevalência acima dos 75% na Amazônia (46; 65). Em 2008, Oliveira, C.M. analisou um total de 80 amostras de pacientes portadores de hepatite B, sendo 60 procedentes de Manaus e 20 do município de Lábrea, AM. A análise filogenética identificou três genótipos: A, D e F, sendo o A o mais prevalente, seguido dos genótipos F e D. O genótipo A foi mais freqüente nas amostras de indivíduos naturais de Manaus, enquanto o genótipo F predominou nas amostras de indivíduos procedentes do interior do Amazonas (66). Em um estudo realizado em 2007 por Mello, F. e em 2012 por Dias, AL., foi demonstrado que o genótipo F não era tão prevalente na região norte do Brasil (67; 68). Metodologias como o sequenciamento parcial ou completo do genoma viral, o polimorfismo dos tamanhos dos fragmentos de restrição (RFLP) de DNA viral amplificado por PCR, a hibridização em membrana após a PCR e PCR com iniciadores específicos para cada genótipo, têm sido utilizadas para identificar os genótipos do VHB (46). Análises filogenéticas demonstram que os genótipos também podem ser divididos em subgenótipos, com exceção dos genótipos E e G. Nesse tipo de análise observa-se uma variabilidade genética que varia de 4 a 10 % entre os subgenótipos. Assim como os genótipos, os subgenótipos também estão distribuídos em várias regiões geográficas (Figura 5). O subgenótipo A1 é encontrado na África e América do Sul e o A2 na Europa. Os subgenótipos do B são encontrados em países asiáticos, sendo o B1 encontrado no Japão. Os subgenótipos do C também tem maior distribuição nos países asiáticos com exceção do C4, encontrado na Austrália. Recentemente novos subgenótipos do C foram encontrados na província da Indonésia, denominado C6 e nas Filipinas, denominado C7 (66). Os subgenótipos do D têm distribuição mundial e do F é encontrado na América do Sul e Central, onde o

31 13 F3 predomina na Bolívia e o F4 na Argentina. No Brasil, há um predomínio dos subgenótipos A1 e F2 (69; 70). Figura 5: Distribuição geográfica dos genótipos e subgenótipos do VHB (69) É importante que se conheça, em profundidade, os diferentes genótipos existentes, pois estudos evidenciaram a relação do genótipo com a progressão da doença (70) e até mesmo com seu tratamento (46). Fato esse observado na Ásia, onde os genótipos B e C são mais freqüentes, e que os portadores crônicos infectados com o genótipo C apresentaram complicações mais graves do que os portadores do genótipo B (46; 48; 69; 70). Pessoas infectadas com genótipo A, geralmente apresentam carga viral maior em relação aos outros genótipos, o que facilita a transmissão viral. O genótipo A também tem uma tendência de causar infecção crônica após a infecção aguda. Porém, comparando com o genótipo D, o genótipo A é mais sensível ao tratamento com interferon (48). 1.5 Manifestações clínicas A hepatite B é a causa mais importante de infecção aguda ou crônica no fígado e seu período de incubação varia de um a seis meses (50). As manifestações clínicas e o prognóstico da infecção pelo VHB dependem da idade de aquisição da infecção, do nível de replicação do VHB e do estado imune do hospedeiro, podendo ser sintomáticas ou assintomáticas. Durante o período de incubação da doença os pacientes podem sentir-se indispostos, com náuseas, vômitos, diarréia, anorexia e

32 14 dores de cabeça. Podem tornar-se ictéricos e, às vezes, não apresentarem nenhum sintoma óbvio. A maioria dos adultos recupera-se da infecção, mas, aproximadamente 5 a 10% não conseguem eliminar o vírus e tornam-se portadores assintomáticos, ou então, desenvolvem uma hepatite crônica, resultando em cirrose ou hepatocarcinoma. Os casos assintomáticos podem ser identificados através de alterações bioquímicas ou sorológicas no sangue (71). 1.6 Diagnósticos laboratoriais Os diagnósticos para a detecção do VHB incluem os testes bioquímicos, sorológicos, histológicos e moleculares Diagnóstico bioquímico Avalia a função dos hepatócitos e são obtidos através da determinação dos níveis das enzimas alanina alaminotransferase (ALT) e aspartato aminotransferase (AST). Uma vez detectado a infecção crônica, o paciente deve realizar, periodicamente, testes para avaliar os níveis de ALT, pois, uma elevação acima do limite de normalidade indica um agravamento da doença hepática (72) Diagnóstico sorológico O vírus da hepatite B possui três antígenos principais: o HBsAg, o HBcAg e o HBeAg. O HBsAg é o primeiro marcador sorológico a ser detectado no soro e indica infecção recente pelo VHB (73). Pode ser detectado várias semanas antes do início dos sintomas e permanecer por cerca de seis meses ou mais no soro. Porém, sua permanência por mais de seis meses, indica a possibilidade de evolução para infecção crônica. O intervalo entre a eliminação do vírus e o aparecimento do anticorpo anti-hbs pode levar de semanas a alguns anos. Normalmente o anti-hbs persiste por toda a vida, conferindo imunidade contra novas infecções. O HBeAg aparece simultaneamente ou poucos dias após o HBsAg. É produzido em excesso e indica replicação viral ativa e alta infecciosidade do vírus. Está presente desde o

33 15 início da infecção até a cura e sua persistência indica progressão para doença crônica. O anti-hbe aparece no soro do paciente com infecção aguda no momento ou logo depois que o HBeAg torna-se negativo. Sua presença indica cura na doença aguda, mesmo que o HBsAg ainda esteja presente (72; 74; 75). O HBcAg, por ser um componente interno da partícula viral, só é detectável no núcleo dos hepatócitos de indivíduos com hepatite crônica ou aguda e é um indicador confiável da replicação viral. O anti-hbc, surge durante o curso da infecção. Na infecção aguda o anti-hbc é predominantemente IgM e é o primeiro anticorpo detectado. Surge aproximadamente 1 mês após a aparição do HBsAg e 1 a 2 semanas antes do aumento da ALT (76). É substituído pelo IgG que permanece por toda a vida. Sua presença indica exposição prévia ao vírus (74) Diagnóstico histológico A biópsia hepática é um procedimento invasivo e requer um médico experiente. Normalmente é feita em pacientes já internados, mas pode também ser realizado em pacientes ambulatorialmente selecionados, quando existem dúvidas quanto ao seu quadro clínico (75; 77) Diagnóstico molecular Cada vez mais as técnicas de biologia molecular têm sido utilizadas para contribuir ou substituir os testes tradicionais (78). As análises moleculares no estudo do VHB possibilitam tanto a manipulação dos genes quanto a detecção qualitativa e quantitativa do DNA viral, principalmente para a confirmação de viremia nos casos crônicos. A maior utilização da técnica é a determinação da carga viral, durante o monitoramento terapêutico e na caracterização genotípica do VHB (74) Detecção qualitativa do DNA O teste qualitativo geralmente utilizado para detectar o DNA do VHB é a PCR (reação em cadeia da polimerase).

34 16 A PCR é uma técnica que permite a replicação in vitro do DNA, através de iniciadores (primers) específicos, de forma extremamente rápida. Mínimas quantidades do material genético podem ser detectadas e amplificadas milhões de vezes em poucas horas (79; 80). Uma PCR é considerada sensível, quando é capaz de detectar entre 10 e 100 cópias do vírus por ml de soro. Para que não haja resultados falso-positivos e falso-negativos, é necessário que seja feita uma padronização da técnica antes do emprego em análises de rotina (74). Uma das vantagens da utilização da PCR é que a mesma não necessita do cultivo do vírus, assim, é possível analisar um segmento específico do genoma viral. No VHB, os genes S e C geralmente são os mais utilizados nas amplificações por PCR, por conterem as regiões mais conservadas do genoma viral (80) e permitirem a genotipagem. Outro gene que atualmente vem sendo alvo de investigação é o gene da Polimerase P por permitir a análise de resistência viral aos antivirais. O desenvolvimento de kits comerciais de diagnóstico molecular do VHB difundiu a utilização da PCR nos laboratórios. Com isso, uma variedade de testes qualitativos e quantitativos está disponível comercialmente e são utilizados para determinar a presença da infecção ou para avaliar a resposta ao tratamento (81; 82). A PCR apresenta diversas variações que foram desenvolvidas para atender as necessidades específicas. Uma delas é a nested-pcr, que utiliza o produto da primeira amplificação em uma segunda amplificação, com um par de iniciadores localizados internamente à seqüência de nucleotídeos do fragmento amplificado. É considerada uma técnica com alto nível de detecção devido ao aumento do número de ciclos e especificidade, garantido pelo reconhecimento de um número maior de bases da seqüência alvo (83) Detecção quantitativa do DNA VHB Os testes quantitativos têm capacidade de determinar a quantidade de DNA do VHB presente no soro ou plasma de pacientes infectados, através do exame de carga viral. Sua utilidade já foi comprovada em outros vírus como o da hepatite C e HIV. A determinação da carga viral, que pode ter o resultado relatado em números

35 17 absolutos, log 10, em cópias ou em unidades internacionais (UI) por ml (84), é muito útil no acompanhamento da progressão da doença. Pela sua importância, muitos esforços têm sido realizados para obtenção de melhores desempenhos deste teste. A detecção quantitativa é realizada pela metodologia de PCR em tempo real em equipamento automatizado com o mínimo de interferência nos procedimentos. Essa técnica representa um grande avanço nos métodos moleculares, pois a detecção dos amplicons (produtos de amplificação) é simultânea à quantificação (85). Permite avaliar um número de amostras simultaneamente, com maior praticidade, baixo risco de contaminação cruzada e menor tempo para obtenção do resultado (86; 87). Para a detecção do produto, o método utiliza um sistema fluorescente em plataforma, que pode ser SYBR Green ou sondas TaqMan (88; 89). Uma das desvantagens do SYBR Green é que, como não é específico, ele se liga em todo DNA fita dupla que surge durante a reação, o que pode superestimar a concentração do fragmento alvo (90). A TaqMan, é uma sonda utilizada para detectar sequências específicas nos fragmentos de DNA alvo, caracterizar e quantificar ou determinar a carga viral alvo. Nas reações utilizando o sistema TaqMan, as sondas são marcadas com um fluoróforo em uma extremidade e por uma molécula quencher, que aceita a energia do fluoróforo, na outra extremidade. Salientando que além do sistema TaqMan existem outros tipos de sondas como a Molecular Beacons e as sondas Fret. Durante a PCR em tempo real, a sonda hibridiza com a sequência da fita simples de DNA. Na amplificação a sonda é degradada, devido à atividade da Taq DNA polimerase, separando o quencher do fluoróforo durante a extensão. Essa separação resulta em um aumento da intensidade da fluorescência (Figura 6). À medida que os ciclos da reação de PCR vão ocorrendo, aumenta o número de fluoróforos livres e, consequentemente, a fluorescência gerada. Quando a fluorescência emitida pelo fluoróforo atinge um limiar significativamente acima da fluorescência basal da reação, o software do sistema correlaciona em qual ciclo isso ocorre e, com as informações da curva padrão, paralela a reação, o que permite a

36 18 quantificação do DNA da amostra. O ponto que detecta o ciclo na qual a reação atinge o limiar da fase exponencial é denominado de Cycle Threshold (Ct) (Figura 7). Este ponto permite a quantificação exata e reprodutível baseado na fluorescência(90; 91).. Figura 6: Representação esquemática do mecanismo de ação da sonda TaqMan durante a PCR em tempo real (91) Figura 7: Curva de amplificação da PCR em tempo real, mostrando 3 fases distintas: (1) Linha de base ou linha basal: não houve produto da PCR suficiente para ser detectado pela fluorescência. (2) Fase log: fase exponencial onde a quantidade de produto amplificado dobra a cada ciclo. (3) Fase platô: não há mais aumento no número de produtos. (90) adaptado. 1.7 Clonagem Na clonagem gênica obtêm-se múltiplas cópias de um gene para que se possa manipulá-lo quimicamente. Para isso, ocorrem dois estágios importantes. Primeiro, o

37 19 fragmento do DNA de interesse, chamado de inserto, é ligado a uma molécula de DNA circular, chamada de plasmídeo, para formar o DNA recombinante. Segundo, a molécula do DNA recombinante é introduzida em uma célula hospedeira compatível, em um processo chamado de transformação. A célula hospedeira que adquiriu a molécula do DNA recombinante é agora chamada de célula transformada. Para que a região de interesse seja inserida no plasmídeo, ambos são cortados com a enzima de restrição e ligados através da DNA ligase. Feito isso, eles são introduzidos na célula hospedeira, geralmente a Escherichia coli, aonde vai ocorrer à multiplicação da molécula de DNA recombinante, formando várias cópias idênticas, em um processo conhecido como amplificação. Essa célula transformada sofre muitos ciclos de divisão celular, produzindo uma colônia que contém milhares de cópias do DNA recombinante (Figura 8). (92; 93). Figura 8: Representação esquemática das etapas para a clonagem em E.coli, utilizando plasmídeo (92). 1.8 Curva padrão Existem dois tipos de curva padrão, a Relativa e a Absoluta. A relativa é usada em metodologias para quantificação de expressão gênica e a curva padrão absoluta geralmente é usada para quantificar e correlacionar o numero de cópias virais com o estado da doença. A quantidade absoluta dos padrões a serem usados deve ser previamente conhecida por algum método independente.

38 20 A determinação da carga viral pela PCR em Tempo Real é feita com base em uma curva padrão externa que consiste em alíquotas de concentrações conhecidas do alvo molecular objeto do estudo. A amplificação e detecção da curva padrão são realizadas interpolando a amplificação das amostras que se quer quantificar. Para obtenção desses padrões, depois que os clones são replicados, seleciona-se cerca de 5 a 10 colônias que apresentem o plasmídeo recombinante. Para confirmar o inserto, reações de PCR e sequenciamento são realizadas. Quando o inserto é confirmado, lineariza-se o clone, através de digestão com enzimas de restrição, purifica-se e quantifica-se. Por fim, diluições seriadas são realizadas e armazenadas em alíquotas à -70ºC (94). O objetivo de se usar uma curva padrão é obter uma relação gráfica entre os valores de absorbância e os de concentração. Assim, com base na análise gráfica é possível verificar a linearidade da reação e calcular um fator de conversão de valores de absorbância em concentração.

39 21 2 JUSTIFICATIVA Com o desenvolvimento das técnicas da biologia molecular, estudos foram conduzidos e contribuíram para o melhor conhecimento do VHB, bem como a sua variabilidade genética, o que também conduziram à revisão dos padrões sorológicos desta doença. O diagnóstico laboratorial da infecção pelo VHB é feito com base nas pesquisas dos marcadores sorológicos, presentes no soro dos pacientes infectados tanto na fase aguda quanto na crônica. Os testes de biologia molecular vieram para acrescentar um diagnóstico mais preciso e específico para os usuários. Atualmente, a técnica de PCR em tempo real representa um dos últimos avanços na tecnologia da PCR. Essa metodologia permite a amplificação, detecção e quantificação de DNA em uma única etapa, visando à rapidez dos resultados e diminuição dos riscos decorrentes de possíveis contaminações por manipulação da amostra. A possibilidade de monitorar, ao longo da reação, a quantidade de produto gerado a cada ciclo de amplificação e de quantificar este produto durante a fase ótima da reação, confere maior precisão e reprodutibilidade à técnica de PCR em tempo real quando comparada com a PCR convencional. Atualmente já existem kits comerciais utilizados para essa finalidade, porém, os custos ainda são elevados e seu uso na rotina de diagnóstico acarreta um ônus financeiro muito grande tanto na rede publica quanto privada. Uma maneira de utilizar a PCR em tempo real no diagnóstico de rotina é o desenvolvimento de uma metodologia própria, as chamadas in-house. Portanto, aproveitando a chamada do Ministério da Saúde por intermédio do CNPq/2009 e a grande demanda desse serviço no Estado, nos propomos a desenvolver esse ensaio com uma metodologia própria, pois sabemos que, clinicamente, a determinação ou quantificação da carga viral do VHB é muito útil tanto na fase de pré-tratamento como no monitoramento da resposta imunológica dos pacientes frente aos antivirais. A isto, soma-se a necessidade de capacitação de recursos humano para atuar no desenvolvimento de projeto de pesquisa de alta complexidade na região.

40 22 3 OBJETIVOS 3.1 Geral Desenvolver uma metodologia de quantificação da carga viral do DNA do vírus da hepatite B, utilizando a PCR em tempo real e identificar os genótipos, através do seqüenciamento direto, em amostras de pacientes procedentes da Amazônia Ocidental Brasileira. 3.2 Específicos Padronizar os ensaios da PCR em tempo real; Construir curvas padrões referentes a diferentes números de cópias virais; Estimar o número de cópias absolutas de partículas virais do VHB em amostras clínicas, junto às curvas padrões previamente estabelecidas. Caracterizar os genótipos do VHB na população de estudo.

41 23 4 MATERIAL E MÉTODOS 4.1 Tipo de estudo Este foi um estudo descritivo que visava o desenvolvimento de um ensaio de PCR em tempo real próprio para determinar a carga viral do VHB (qrt-pcr). 4.2 Local e população do estudo O estudo foi conduzido na cidade de Manaus, capital do estado do Amazonas, nas dependências da Fundação de Medicina Tropical Heitor Vieira Dourado (FMT- HVD), Gerência de Virologia e laboratório de Pesquisa em Doenças Endêmicas (LPDE). Os pacientes foram recrutados através da demanda espontânea do ambulatório de Hepatites Virais da FMT-HVD, com diagnóstico clínico ou laboratorial de infecção pelo VHB independentes de estarem ou não co-infectados por outros vírus e do gênero e idade. Todos os pacientes atendidos foram conduzidos conforme as recomendações estabelecidas no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para o Tratamento da Hepatite Viral Crônica B e co-infecções (95). 4.3 Comitê de Ética Este projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos da Fundação de Medicina Tropical Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD) em 2010, CAAE , CEP nº 959/2010 (ANEXO 10.4). 4.4 Entrevista dos participantes Após esclarecimentos sobre os objetivos da pesquisa e a concordância em participar do projeto, mediante a assinatura do TCLE (ANEXO 10.2), o paciente foi entrevistado e um questionário individual foi aplicado (ANEXO 10.3).

42 Tamanho da amostra A população de estudo foi composta de 61 amostras de sangue de pacientes HBsAg reativos. Coletadas no período de Agosto/2010 à Agosto/ Critérios de inclusão Foram incluídos no estudo pacientes com as seguintes características: Indivíduos oriundos da Amazônia Ocidental Brasileira; Portador do VHB, independente do quadro clínico de infecção (cirrose hepática, hepatite aguda, hepatite crônica, portador assintomático e hepatocarcinoma); Pacientes sem uso de qualquer tratamento para hepatopatia crônica pelo VHB; Pacientes co-infectados por outros agentes virais Critérios de exclusão Foram excluídos do estudo pacientes com as seguintes características: Indivíduos oriundos de estados fora da Amazônia Ocidental Brasileira; Paciente soro reativo para o anticorpo Anti-HBs; Pacientes com história de uso de drogas potencialmente hepatóxicas (metildopa, metotrexato, isoniazida, rifampicina, pirazinamida, nitrofurantoína, vitamina A, fenilbutazona); Pacientes em tratamento ou que utilizaram qualquer tipo de tratamento antiviral para o VHB nos últimos 6 meses.

43 Classificação sorológica dos participantes Os pacientes incluídos no estudo foram previamente testados para os seguintes marcadores sorológicos: hepatites B (HBsAg, anti-hbc total, anti-hbc IgM, HBeAg e anti-hbe), anticorpos contra o vírus da hepatite A (VHA) (HAV- IgM), da hepatite C (anti-hcv) e da hepatite D (anti-hdv total) e infecção pelo HIV (anti-hiv). Estes exames foram realizados de acordo com o fluxo de rotina da Gerência de Diagnósticos da FMT-HVD. 4.8 Coleta de amostras clínicas No Laboratório de Análises Clínicas (LAC), da FMT-HVD, foi coletada, uma amostra de sangue por punção venosa de cada participante. Essa amostra foi dividida em dois tubos contendo EDTA K3, ambas com cinco ml, identificados por ordem numeral crescente e data da coleta. As amostras foram mantidas em temperatura ambiente e, após 10 minutos, foram centrifugadas a 3200 RPM, por 10 minutos, para a separação do plasma. No Laboratório, as amostras foram separadas em alíquotas e estocadas a -70ºC para posteriores análise. Tanto na coleta quanto no processamento e transporte das amostras, foram adotados medidas de biossegurança e conservação. Para melhor visualização da metodologia, segue na Figura 9 o fluxograma das atividades realizadas. Figura 9: Fluxograma das atividades realizadas

44 Extração do DNA-VHB a partir do plasma sanguíneo A extração do DNA- VHB foi realizada utilizando o kit Qiamp DNA Blood Mini kit (Qiagen Sciences, Maryland, USA), modificado. O DNA foi extraído a partir de 200 µl de plasma e 20 µl de Proteinase K e incubado a 56ºC, por 12 horas. O DNA extraído foi eluído em 50 µl de tampão de eluição e armazenado em temperatura de - 70ºC, até o momento de sua utilização Reação em cadeia da polimerase (PCR) O DNA viral foi amplificado pelo sistema semi-nested PCR. Na primeira reação foram utilizados os iniciadores 2821 e 783 que amplificam o gene S completo. A partir dessa primeira reação, foi feita uma semi-nested PCR, tendo como alvo as regiões pré-s1/pré-s2, utilizando os iniciadores 2821 e 241 (96). Quando essa região não amplificava, as amostras eram testadas com os iniciadores P1 e 783 (região pré-s2/hbsag) (97). As sequências dos iniciadores e o tamanho do fragmento obtido estão descritos na Tabela 2. Na Figura 10, há uma ilustração do gene S do VHB mostrando a posição de cada iniciador. Todos os ensaios de PCR foram padronizados para um volume final de 25 μl, utilizando o Master Mix TopTaq (Qiagen). A concentração e os volumes dos reagentes em cada reação estão descritas no Quadro 1. Os ensaios de PCR foram processados em termociclador Eppendorf Mastercycler Gradient nas condições descritas no Quadro 2. Figura 10: Representação esquemática mostrando a posição dos iniciadores usados na amplificação do gene S do VHB. (Fonte: pessoal).

45 27 Tabela 2: Sequências dos iniciadores para a amplificação do gene S Nome Sequência Tamanho do amplicon Primeira reação GGG TCA CCA TAT TCT TGG GAA CA CTC ACG ATG CTG TAC AGA CTT pb Segunda reação (nested-pcr) GGG TCA CCA TAT TCT TGG GAA CA CAC CAC GAG TCT AGA CTC TGC T-3 Segunda reação (nested-pcr) 680 pb CTC ACG ATG CTG TAC AGA CTT-3 P1 5 -TGC CTC TCA CAT CTC GTC AA pb Quadro 1: Concentração e volume dos reagentes utilizados na primeira e na segunda reação da PCR convencional. Reagentes Mix 1ª reação Reagentes Mix 2ª reação TopTaq Master Mix 2x 12,5 µl TopTaq Master Mix 2x 12,5 µl Iniciador F (10 pmol) 1,0 µl Iniciador (10 pmol) 1,0 µl Iniciador R (10 pmol) 1,0 µl Iniciador R (10 pmol) 1,0 µl DNA 5,0 µl Amplicon 1,0 µl H 2 O (RNAse free) 5,5 µl H 2 O (RNAse free) 9,5 µl Vol. Final 25 µl Vol. Final 25 µl *F= Foward; R= Reverse Quadro 2: Programa para amplificação das regiões S e pré-s1/s2 Ciclo da 1ª reação ( ) Ciclo da 2ª reação ( ) ou (P1-783) Ciclos Temperaturas Tempo Ciclos Temperaturas Tempo 1 94º C 5 minutos 1 94º C 2 minutos 94º C 30 segundos 94º C 30 segundos 35 57,1º C 2 minutos 35 60º C 30 segundos 72º C 30 segundos 72º C 1 minuto 1 72º C 7 minutos 1 72º C 5 minutos Análise do produto da PCR Os produtos da PCR foram analisados em corrida eletroforética, utilizando gel de agarose 1,5%, corado com brometo de etídeo (1,0 µg/ml). No gel foi aplicado 5

46 28 µl do produto da PCR misturados com 2,0 µl de tampão de corrida. Como padrão de peso molecular, foi utilizado o DNA Ladder 100 bp (Invitrogen). Ao final da corrida eletroforética, o gel foi visualizado em luz ultravioleta e fotografado para documentação Sequenciamento As amostras positivas na PCR foram purificadas, utilizando o kit Wizard SV Gel and PCR Clean-Up System (Promega). Opcionalmente também foi usado kit Big Dye xterminator Purification (Applied Biosystems), seguindo o protocolo do fabricante. Em seguida, foi realizada a reações de seqüenciamento utilizando os regentes do kit Big Dye Terminator v3.1 Cycle Sequencing (Applied Biosystems). As reações de sequenciamento foram padronizadas para um volume final de 10 µl utilizando preferencialmente os iniciadores que amplificam 680 pb. As condições de temperatura foram: 96º - 1 min e 25 ciclos de 96º - 15 seg, 50º - 15 seg e 60º - 4 min. Processadas em termociclador Eppendorf Mastercycler Gradient (Eppendorf). A leitura automática das bases nucleotídicas foi realizada no analisador de DNA ABI System 3130XL (Applied Biosystem) Análise filogenética A edição e alinhamento das sequencias nucleotídicas obtidas foi feito no programa BioEdit (98). Para o alinhamento utilizou-se as seguintes sequencias de referência: genótipo A (HBU55220, JF784230, AY344107, JN604260, JN604261), genótipo B (AB562448, AB644290, AB644289), genótipo C (AB644300, AB644304, AB644296), genótipo D (AB644319), genótipo E (FN821488, HE616571), genótipo F (JF815629, JQ246021, JQ246023, X69798, DQ899144, DQ899148, FJ589067, EU366116, AY179734), genótipo G (AP007264, AB191378), genótipo H (AB516394), genótipo I (EU833891, FJ023661, GU357844) e genótipo J (AB486012). A árvore filogenética foi construída utilizando o programa MEGA v 5.05 (99) inferida pelo método Neighbor-Joining. O valor de bootstrap foi calculado com 2000 réplicas. A análise envolveu 51 sequencias de nucleotídeos, sendo 30 de referência e um grupo externo (AF046996).

47 29 5 Procedimentos para o desenvolvimento do ensaio de qrt-pcr Os ensaios laboratoriais foram realizados na Gerência de Virologia/FMT-HVD, com a consultoria do pesquisador Prof. Dr. Milton Ozório da UFRJ, associado à Fiocruz-RJ, participante do Programa Sênior da FAPEAM/FMT-HVD. 5.1 Desenvolvimento da curva padrão Para produção da curva padrão foi realizada a clonagem de um fragmento de 200 pb, em plasmídeo célula eletrocompetente pcr 4 -TOPO TM (kit TOPO TA Cloning (Invitrogen). Para esse procedimento foi selecionada uma amostra clínica com alta carga viral. Foi realizado dois ensaios de clonagem, um no Laboratório de Virologia da FMT-HVD e outro no Laboratório de Virologia da Fiocruz/RJ. Para melhor visualização da metodologia de clonagem, segue na Figura 11 o fluxograma das etapas desenvolvidas. Figura 11: Fluxograma das etapas para a realização da clonagem

48 Preparação de bactérias competentes Bactérias E.coli TOP 10 F e BL 21 (DE3), estocadas a -70ºC foram semeadas em placas contendo LB/Agar a 1,5% e incubadas a 37ºC por 18 horas. Uma colônia foi inoculada em 5 ml de meio LB para crescimento durante horas a 37ºC em agitação constante (250 rpm) e então 0,5 ml desta cultura foram inoculados em 50 ml de meio LB. As culturas foram coletadas em fase exponencial de crescimento determinada quando a absorbância a 600 nm estava entre 0,35 e 0,45. As bactérias foram sedimentadas por centrifugação a rpm, por 10 minutos a 4ºC e logo suspensas em 0,5 volumes de uma solução de CaCl 2 50 mm. Após 2 horas de incubação em gelo, as bactérias foram centrifugadas e o precipitado suspenso em 0,8 vol. De tampão FSB (Acetato de potássio 10 mm ph 7,5; MnCl 2. 4 H 2 O 45 mm; CaCl 2.2H 2 O 10 mm; KCL 100 mm; Glicerol 10%). Para armazenamento foi adicionado DMSO a 10% e a preparação distribuída em alíquotas de 200 µl, congelada em nitrogênio líquido e posteriormente estocadas a -70ºC Inserção em vetor de clonagem O vetor de clonagem utilizado nesse trabalho foi o pcr 4 -TOPO TM (kit TOPO TA Cloning (Invitrogen). Que é fornecido linearizado, contendo uma enzima topoisomerase de Vaccinia. Essa enzima cria um ponto de ataque nucleofílico e realiza a ligação do DNA, conforme a Figura 12. O mapa do vetor é mostrado na figura 12. Para a ligação, aproximadamente 100 ng (4 µl) do produto da PCR foram usados numa reação de 6 µl que continha 1 µl do tampão 10X e 1 µl do vetor TOPO TA. A solução final foi misturada gentilmente e incubada por 30 minutos a temperatura ambiente. Após incubação, 2 µl da reação foi adicionado a 200 µl de células competentes (E.coli TOP 10 F) e incubado no gelo por 15 minutos. Após, as células foram incubadas a 42ºC por 60 segundos, retornou ao gelo por mais 15 minutos e em seguida adicionou-se 150 µl de meio de cultura SOC à solução, que foi submetida à agitação constante a 215 rpm, durante 30 minutos a 37ºC. Após agitação, 150 µl da reação foram aplicados em uma placa contendo meio sólido

49 31 LB/Agar e 100 µg/ml de ampicilina, IPTG/X-Gal e incubada a 37ºC por 16 horas. As colônias brancas nas placas LB/Agar foram processadas para o isolamento do DNA plasmidial Extração do DNA plasmidial (Miniprep) As colônias resultantes da transformação foram selecionadas com base na mudança de coloração. Seis colônias brancas foram escolhidas ao acaso nas placas LB/Agar/IPTG/Xgal, numeradas e processadas para isolamento de DNA plasmidial. Foram então cultivadas em 2 ml de meio LB/ampicilina a 37ºC por 18 horas, em agitação constante (280 rpm) e os plasmídeos foram extraídos usando o procedimento de mini-preparação, seguindo o protocolo do fabricante. Figura 12: Mapa do vetor pcr 4-TOPO (Invitrogen ). Esse mapa mostra as características do vetor e as sequências que circundam o sítio de clonagem. Possui 3956 pb e genes de resistência para a kanamicina e ampicilina, uteis para selecionar os clones desejados Reação de Amplificação do Plasmídeo A amplificação dos plasmídeos contendo inserto foi obtida utilizando os iniciadores 2821 e 783 e enzima Platinum Taq DNA Polymerase High-Fidelity (Invitrogen Life Technologies) em um volume final de 25 ul. As concentrações dos

50 32 demais reagentes são as mesmas descritas no Quadro 1. As condições de temperatura de amplificação estão descritas no quadro abaixo (Quadro 3). Quadro 3: Programa para amplificação do plasmídeo Ciclos Temperaturas Tempo 1 95º C 3 minutos 95º C 40 segundos 35 60º C 1:30 minutos 68º C 40 segundos 1 68º C 5 minutos Digestão do DNA plasmidial com Enzima de Restrição EcoR I Para verificar a presença do inserto VHB no plasmídeo foi realizada digestão enzimática com EcoR I (Invitrogen). Foi utilizado 1 µl do produto da PCR pós- Miniprep, 1,5 µl de tampão 10X, 1,5 µl de EcoR I e água q.s.p 15 µl. A mistura foi incubada a 37ºC por 2 horas. O produto da digestão foi analisado em gel de agarose a 0,8%, corado com brometo de etídio e visualizados em transluminador UV Purificação do fragmento digerido com enzima EcoR I A purificação dos fragmentos após corte com enzima de restrição foi realizada utilizando o kit Wizard SV Gel and PCR Clean-Up System (Promega), conforme as instruções do fabricante Sequenciamento dos plasmídeos Ainda para confirmação do inserto VHB nos plasmídeos foram selecionados 6 clones e sequenciados. A reação de sequenciamento foi padronizada para um volume de 10 µl, utilizando o iniciador M13 do kit Big Dye Terminator v3.1 Cycle Sequencing (Applied Biosystems), nas seguintes condições: um ciclo inicial de 96ºC por 1 min, seguido de 25 ciclos de 96ºC por 15 seg, 50ºC por 15 seg e 60ºC por 4 min. A reação de sequenciamento foi processada em termociclador Mastercycler

51 33 Gradient (Eppendorf). A reação de sequenciamento foi purificada com Big Dye xterminator Purification Kit (Applied Biosystems), seguindo o protocolo do fabricante. O sequenciamento foi realizado no analisador genético automático ABI System 3130XL (Applied Biosystem). 5.2 Seleção dos clones para construção da curva padrão Na clonagem foi possível obter seis clones com diferentes concentrações de DNA. A quantificação do DNA desses clones foi feita utilizando o espectrofotômetro Nanodrop 2000 (Thermo Scientific). Após a quantificação, o clone com maior concentração de DNA foi utilizado para construção da curva padrão a partir da diluição seriada Avaliação da curva padrão Na metodologia de PCR em tempo real utiliza-se o parâmetro Threshold Cycle (Ct, value), ciclo aonde ocorre o primeiro aumento significativo na quantidade de amplificação é primeiramente detectado. Correlaciona-se com a quantidade inicial de amostra alvo. É, portanto, o parâmetro usado para quantificação de PCR. Neste estudo os valores de Ct avaliar o ponto inicial de amplificação da curva padrão e das amostras clínicas. A curva padrão é demonstrada em forma de gráfico contendo os valores de Ct de cada diluição e das amostras. O software SDS do equipamento calcula a regressão linear definindo o melhor ajuste entre os pontos da curva padrão. A fórmula para o cálculo da regressão linear é a seguinte: Ct=m[log(Qty)]+b, onde m é a inclinação da reta (slope), b é a interceptação da reta e Qty é a quantidade inicial de DNA. Os valores obtidos com a análise de regressão são assim interpretados: o R 2 (coeficiente de correlação), que mede o quão próximo é o ajuste entre a regressão linear da curva padrão e o Ct das amostras, quanto mais perto de 1, mais perfeito é esse ajuste. O slope indica a eficiência da amplificação e um resultado de -3,3 do slope indicam 100% de eficiência. O Intercept indica o valor esperado de Ct para uma amostra com quantidade 1 ng/µl. Tanto o slope como o Y- intercept são coeficientes de regressão.

52 Desenho dos iniciadores e sonda usados nos ensaios de PCR em tempo real Sequências de isolados de VHB referentes aos genótipos de A H obtidas no GeneBank (National Library of Medicine, National Institute of Health), foram alinhadas e com auxilio do software Primer Express (Applied Biosystems, Foster, CA USA), foi desenhado um par de iniciador, S56 e S264 e uma sonda marcada com Minor Groov Binder (MGB) na extremidade 5 localizados em uma região conservada do gene S. Os iniciadores e sonda foram sintetizados pela Life Technologies (Applied Biosystems). A sequência da sonda e dos iniciadores e o tamanho do fragmento obtido estão descritos na Tabela 3. Todos os ensaios de PCR em tempo real foram padronizados para um volume final de 25 μl. A concentração e os volumes dos reagentes em cada reação estão descritas no Quadro 4. Todas as amostras, padrões e controle negativo, que foi preparado a partir de um mix contendo RNAse Free Water no lugar da amostra foram adicionadas na placa óptica em duplicatas. A placa óptica foi processada e lida no ABI 7500 Fast Real Time PCR Systems (Applied Biosystems), os ensaios da PCR em tempo real foram processados nas condições descritas no Quadro 5. Tabela 3: Sequências dos iniciadores para a amplificação do gene S na PCR em tempo real. Nome Sequência Tamanho do amplicon S56 S CCT GCT GGT GGC TCC AGT TCA-3 5 -GTC CAC CAC GAG TCT AGA CTC T pb Sonda 5 -FAM-CTG CTC CGA ATA TTG CCT CTC ACA-MGB NFQ-3

53 35 Quadro 4: Concentração e volume dos reagentes utilizados Reagentes Mix TaqMan Universal Master Mix 1x 12,5 µl Iniciador F (10 pmol/µl) 1,0 µl Iniciador R (10 pmol/µl) 1,0 µl Sonda TaqMan (10 pmol/µl) 0,5 µl DNA 2,0 µl H 2 O (RNAse free) 8,0 µl Vol. Final 25 µl Quadro 5: Programa para amplificação da PCR em tempo real Ciclos Temperaturas Tempo 1 50º C 2 minutos 1 95º C 10 minutos 95º C 30 segundos 45 60º C 72º C 1 minuto 30 segundos Análise dos dados Os resultados de amplificação das amostras (valores dos Cts) pela qpcr foram analisados no Sequence Detection Software (SDS) (Applied Biosystems). Os pontos dos Cts das amostras desconhecidas foram relacionados com os Cts da curva padrão, calculados por meio da equação de regressão linear da reta. 5.4 Avaliação do desempenho do teste de qrt-pcr Sensibilidade analítica A sensibilidade analítica ou limite mínimo de detecção é definido como o número mínimo de cópias que podem ser medidas em um ensaio. Esta foi determinada através da última diluição possível de ser detectada pela PCR em tempo real.

54 Reprodutibilidade Para avaliar a reprodutibilidade da curva padrão desenvolvida, foi feita a análise da variação inter-ensaio, onde a curva foi testada em duplicata, durante três dias consecutivos, por três pessoas distintas Comparação entre o ensaio in-house e o comercial COBAS AmpliPrep-COBAS TaqMan HBV Test (Roche) Para avaliar a eficiência do sistema desenvolvido as mesmas amostras foram analisadas no sistema automatizado COBAS AmpliPrep-COBAS TaqMan HBV Test (Roche). Sistema utilizado na rotina da FMT-HVD. A concordância entre os resultados obtidos foram avaliados pelo coeficiente Pearson e análise de Bland- Altaman. O limite mínimo de detecção do kit comercial é de 12,0 UI/mL (1,07 log 10 ) e o limite máximo é UI/mL (8,03 log 10 ) Análise estatística dos dados Os dados foram registrados em planilha do programa Microsoft Office Excel A análise dos dados foi feita usando o teste de ANOVA, Pearson e Bland- Altmann, com descrição estatística simples, intervalo de confiança (IC 95%), e testes de significância inferior a 0,05. Os gráficos foram desenhados no programa GraphPad Prism 5.0.

55 37 6 RESULTADOS 6.1 Caracterização da população estudada O estudo avaliou 61 amostras de pacientes HBsAg positivos, todos atendidos no ambulatório de hepatite da FMT-HVD. Dos 61 indivíduos, 14 (23%) eram coinfectados pelo VHD e 3 (5%) pelo HIV. O grupo total caracterizou-se por um predomínio do gênero masculino em relação ao feminino, tanto dos indivíduos procedentes de Manaus quanto dos procedentes do interior e de outro estado. O perfil da população estudada quanto ao gênero e a procedência estão representados na Tabela 45. Tabela 4: Caracterização da população estudada quanto ao gênero e a procedência Gênero Manaus Interior e outros estados Total Masculino 21 (51%) 13 (65%) 34 (55%) Feminino 20 (48%) 7 (35%) 27 (45%) Total 41 (100%) 20 (100%) 61 (100%) Em relação à faixa etária, predominou a faixa entre 21 e 30 anos, com um total de 20 indivíduos, seguida da faixa entre 41 e 50 anos com 18 indivíduos (Gráfico 3). Gráfico 3: Perfil da faixa etária dos indivíduos participantes do estudo

56 38 Quanto à naturalidade dos indivíduos, 41/61 são pacientes naturais de Manaus, 19 moram em município do interior do estado do Amazonas e vieram para Manaus apenas para realizar o tratamento da hepatite B e 1 do estado de Rondônia (Tabela 5) Tabela 5: Naturalidade dos pacientes envolvidos na pesquisa. Naturalidade % Manaus 41 (67,2) Tapauá 4 (6,55) Lábrea 3 (4,91) Altazes 2 (3,27) Coari 2 (3,27) Eirunepé 2 (3,27) Juruá 2 (3,27) Atalaia do Norte 1 (1,63) Codajás 1 (1,63) Maués 1 (1,63) Tefé 1 (1,63) Rondônia 1 (1,63) Total 61 (100) 6.2 Resultados referentes ao sistema qrt_pcr in-house Confirmação do DNA-VHB no plasmídeo por digestão enzimática A Figura 13 mostra o resultado da digestão enzimática de seis clones contendo o inserto VHB em diferentes concentrações de DNA. A partir desse ensaio, por conter maior concentração de DNA, foi selecionado o clone de nº 4 e utilizado na produção das curvas de calibração.

57 39 Figura 13: Perfil eletroforético dos plasmídeos após a digestão com enzima EcoR I. Gel de agarose 0,8%. O clone de nº 4 foi selecionado para as diluições seriadas conter a maior concentração de DNA. O fragmento VHB amplificado corresponde a 1200 pb. M= marcador de peso molecular de 1kb Avaliação da curva padrão A curva padrão ou curva de calibração foi produzida a partir da diluição seriada do clone com maior concentração de DNA (4973,5 ng/µl). Os valores obtidos para as sete diluições foram: 10 (10 1 ), 100 (10 2 ), 1000 (10 3 ), (10 4 ), (10 5 ), (10 6 ) e (10 7 ). Essas diluições foram incluídas em cada corrida do teste. Foram realizadas, ao todo, seis corridas para avaliação da curva padrão externa. Cada uma com as sete diluições seriadas, totalizando 42 reações. Os valores de Ct gerados em cada corrida estão descritos na Tabela 6. A reprodutibilidade do ensaio foi avaliada através do coeficiente de variação (CV) que variou de 1,3 a 2,7%. A média do coeficiente de variação foi de 2,64%. A especificidade do teste foi medida pela não obtenção de sinal nos controles negativos adicionadas em cada corrida. O valor estimado do slope foi de -3,47 e, conforme a fórmula eficiência= [(10 (-1/slope)] 1)x100%], a eficiência da curva padrão foi equivalente 99,5%, indicando uma boa eficiência do ensaio. O coeficiente de correlação (R 2 ) foi = 0,991 e o Intercept foi = 15,82. A Figura 14 mostra o perfil da curva padrão obtida relacionando a fluorescência com o número de ciclos em que o produto da PCR passou a ser detectado.

58 40 Tabela 6: Valores de Ct obtidos em seis corridas na PCR em tempo real. CURVA PADRÃO CÓPIA/ REAÇÃO Ct curva 1 Ct curva 2 Ct curva 3 Ct curva 4 Ct curva 5 Ct curva 6 Média DP CV ,26 1,3% ,42 1,8% ,98 3,5% ,47 1,5% ,61 1,8% ,31 5,9% ND ND ND ,11 2,7% Ct= threshold cycle; DP=Desvio Padrão; CV= Coeficiente de Variação; ND= Não detectado Figura 14: (A) Curva padrão obtida a partir de duplicata das diluições seriadas do plasmídeo pcr 4 -TOPO, variando de 10 1 a 10 7 cópias/ml. (B) Regressão linear da curva padrão (R 2 = 0,991). (C) curva padrão obtida e amostras positivas; (D) regressão linear da curva padrão com amostras positivas. Gráficos gerados pelo ABI 7500 Fast (Applied Biosystem).

PROCEDIMENTOS SEQUENCIADOS PARA O DIAGNÓSTICO, INCLUSÃO E MONITORAMENTO DO TRATAMENTO DA INFECÇÃO PELO VÍRUS DA HEPATITE C.

PROCEDIMENTOS SEQUENCIADOS PARA O DIAGNÓSTICO, INCLUSÃO E MONITORAMENTO DO TRATAMENTO DA INFECÇÃO PELO VÍRUS DA HEPATITE C. PROCEDIMENTOS SEQUENCIADOS PARA O DIAGNÓSTICO, INCLUSÃO E MONITORAMENTO DO TRATAMENTO DA INFECÇÃO PELO VÍRUS DA HEPATITE C. A) DIAGNÓSTICO ETAPA I - TRIAGEM SOROLÓGICA ( ANTI-HCV ) ETAPA II CONFIRMAÇAO

Leia mais

HEPATITE C PCR Qualitativo, Quantitativo e Genotipagem

HEPATITE C PCR Qualitativo, Quantitativo e Genotipagem HEPATITE C PCR Qualitativo, Quantitativo e Genotipagem O Vírus da Hepatite C (HCV) é considerado o principal agente etiológico responsável por 90 a 95% dos casos de hepatite pós-transfusional não A e não

Leia mais

Hepatites Virais. Carmen Regina Nery e Silva agosto 2011 Regina.nery@aids.gov.br

Hepatites Virais. Carmen Regina Nery e Silva agosto 2011 Regina.nery@aids.gov.br Hepatites Virais Carmen Regina Nery e Silva agosto 2011 Regina.nery@aids.gov.br Definição Hepatite viral: Doença causada exclusivamente por vírus hepatotrópico. Diagnóstico Diferencial: CMV, mononucleose

Leia mais

PERFIL HEPATITE. Segurança para o diagnóstico e acompanhamento clínico.

PERFIL HEPATITE. Segurança para o diagnóstico e acompanhamento clínico. PERFIL HEPATITE Segurança para o diagnóstico e acompanhamento clínico. TLA - Total Lab Automation Agilidade e Confiança TAT (Turn Around Time) de produção de 2 horas. Quatro linhas de produção totalmente

Leia mais

ENSAIOS IMUNOLÓGICOS NAS ENFERMIDADES VIRAIS ANTICORPOS MONOCLONAIS GENÉTICA MOLECULAR CITOMETRIA DE FLUXO

ENSAIOS IMUNOLÓGICOS NAS ENFERMIDADES VIRAIS ANTICORPOS MONOCLONAIS GENÉTICA MOLECULAR CITOMETRIA DE FLUXO ENSAIOS IMUNOLÓGICOS NAS ENFERMIDADES VIRAIS I - INTRODUÇÃO *NOVAS TECNOLOGIAS ANTICORPOS MONOCLONAIS GENÉTICA MOLECULAR CITOMETRIA DE FLUXO *DECISÃO DIAGNÓSTICA CONFIRMAÇÃO TRATAMENTO MONITORAMENTO PREVENÇÃO

Leia mais

PCR tempo real. PCR quantitativo. 52º Congresso Nacional de Genética Foz do Iguaçu

PCR tempo real. PCR quantitativo. 52º Congresso Nacional de Genética Foz do Iguaçu PCR tempo real PCR quantitativo 52º Congresso Nacional de Genética Foz do Iguaçu Aspectos Básicos um dos métodos atuais de aferir o nível de expressão de genes mas não é o único: Northern blotting (quantificação

Leia mais

BIOTECNOLOGIA. 2. Conceito de clonagem molecular

BIOTECNOLOGIA. 2. Conceito de clonagem molecular BIOTECNOLOGIA 1. Introdução Até a década de 70, o DNA era o componente celular mais difícil de ser analisado. Sua seqüência de nucleotídeos de enorme tamanho e monotonia química era geralmente analisada

Leia mais

HEPATITES. Prof. Fernando Ananias HEPATITE = DISTÚRBIO INFLAMATÓRIO DO FÍGADO

HEPATITES. Prof. Fernando Ananias HEPATITE = DISTÚRBIO INFLAMATÓRIO DO FÍGADO HEPATITES Prof. Fernando Ananias HEPATITE = DISTÚRBIO INFLAMATÓRIO DO FÍGADO Hepatites virais: agentes etiológicos A B C D E Vírus hepatotrópicos G TT Herpes vírus EBV CMV Enterovírus Adenovírus Febre

Leia mais

Dengue NS1 Antígeno: Uma Nova Abordagem Diagnóstica

Dengue NS1 Antígeno: Uma Nova Abordagem Diagnóstica Dengue NS1 Antígeno: Uma Nova Abordagem Diagnóstica Dengue é uma doença endêmica que afeta mais de 100 países, incluindo as regiões de clima tropical e subtropical da África, Américas, Leste do Mediterrâneo,

Leia mais

VIROLOGIA RETROVÍRUS 1. HIV

VIROLOGIA RETROVÍRUS 1. HIV Instituto Federal de Santa Catarina Curso Técnico em Biotecnologia Unidade Curricular: Microbiologia VIROLOGIA RETROVÍRUS 1. Prof. Leandro Parussolo O que é um retrovírus? É qualquer vírus que possui o

Leia mais

Hepatite B: Vacina R. PARANÁ

Hepatite B: Vacina R. PARANÁ Hepatite B: Vacina R. PARANÁ Universidade Federal da Bahia Faculdade de Medicina Unidade de Gastro-Hepatologia Representação esquemática do VHB Figura 1: Estrutura do Vírus da Hepatite B Core Icosaédrico

Leia mais

Diagnóstico Imunológico das Hepatites Virais

Diagnóstico Imunológico das Hepatites Virais Diagnóstico Imunológico das Hepatites Virais O Fígado Limpa o sangue Regula os hormônios Ajuda na coagulação sanguínea Produz bile Produz proteínas importantes Mantém o nível de açúcar sanguíneo Etc O

Leia mais

PCR in situ PCR Hotstart

PCR in situ PCR Hotstart Bruno Matos e Júlia Cougo PCR in situ PCR Hotstart Disciplina de Biologia Molecular Profª. Fabiana Seixas Graduação em Biotecnologia - UFPel PCR in situ - É a técnica de PCR usada diretamente numa lâmina

Leia mais

Retrovírus: AIDS. Apresentador: Eduardo Antônio Kolling Professor: Paulo Roehe Pós doutorandos: Fabrício Campos e Helton dos Santos

Retrovírus: AIDS. Apresentador: Eduardo Antônio Kolling Professor: Paulo Roehe Pós doutorandos: Fabrício Campos e Helton dos Santos Retrovírus: AIDS Apresentador: Eduardo Antônio Kolling Professor: Paulo Roehe Pós doutorandos: Fabrício Campos e Helton dos Santos HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana) Surgimento: -Provável origem durante

Leia mais

Capítulo 2. Janice Reis Ciacci Zanella Nelson Morés Rejane Schaefer Paulo Augusto Esteves Liana Brentano

Capítulo 2. Janice Reis Ciacci Zanella Nelson Morés Rejane Schaefer Paulo Augusto Esteves Liana Brentano Capítulo 2 Clonagem, expressão de antígenos recombinantes do vírus da Doença de Aujeszky dos suínos: desenvolvimento e validação de teste de diagnóstico diferencial para monitoria em área livre Janice

Leia mais

VI Congresso Brasileiro de Biossegurança Simpósio Latino-Americano de Produtos Biotecnológicos

VI Congresso Brasileiro de Biossegurança Simpósio Latino-Americano de Produtos Biotecnológicos VI Congresso Brasileiro de Biossegurança Simpósio Latino-Americano de Produtos Biotecnológicos Rio de Janeiro, 21-25 setembro de 2009 Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ Construções Mais Comuns

Leia mais

Programa Nacional para a Prevenção e o Controle das Hepatites Virais

Programa Nacional para a Prevenção e o Controle das Hepatites Virais Programa Nacional para a Prevenção e o Controle das Hepatites Virais Secretaria de Vigilância em Saúde Ministério da Saúde Gerusa Maria Figueiredo gerusa.figueiredo@saude.gov.br I CONGRESSO BRASILEIRO

Leia mais

Vigilância Epidemiológica das Hepatites Virais Programa Estadual para a Prevenção e o Controle das Hepatites Virais/RS

Vigilância Epidemiológica das Hepatites Virais Programa Estadual para a Prevenção e o Controle das Hepatites Virais/RS Vigilância Epidemiológica das Hepatites Virais Programa Estadual para a Prevenção e o Controle das Hepatites Virais/RS Lucia Mardini DVAS Hepatites Virais Hepatite: inflamação do fígado. As hepatites podem

Leia mais

Encerramentos de Casos de Hepatites Virais no SINAN. Lucia Mardini DVAS

Encerramentos de Casos de Hepatites Virais no SINAN. Lucia Mardini DVAS Encerramentos de Casos de Hepatites Virais no SINAN Lucia Mardini DVAS Programa Estadual para a Prevenção e o Controle das Hepatites Virais/RS CEVS Rua Domingos Crescêncio Nº 132 sala 310 hepatites@saude.rs.gov.br

Leia mais

Lílian Maria Lapa Montenegro Departamento de Imunologia Laboratório rio de Imunoepidemiologia

Lílian Maria Lapa Montenegro Departamento de Imunologia Laboratório rio de Imunoepidemiologia XVIII Congresso Mundial de Epidemiologia e VII Congresso Brasileiro de Epidemiologia Avaliação do desempenho da técnica de nested- PCR em amostras de sangue coletadas de pacientes pediátricos com suspeita

Leia mais

ISOLAMENTO E MANIPULAÇÃO DE UM GENE

ISOLAMENTO E MANIPULAÇÃO DE UM GENE ISOLAMENTO E MANIPULAÇÃO DE UM GENE ISOLAMENTO E MANIPULAÇÃO DE UM GENE Importância da Engenharia Genética Diversidade biológica X Diversidade gênica Etapas básicas da Clonagem Escolha e amplificação do

Leia mais

REAÇÃO EM CADEIA DA POLIMERASE (PCR)

REAÇÃO EM CADEIA DA POLIMERASE (PCR) Área de Ciências da Saúde Curso de Medicina Módulo: Saúde do Adulto e Idoso II GENÉTICA HUMANA Professora: Dra. Juliana Schmidt REAÇÃO EM CADEIA DA POLIMERASE (PCR) A molécula de DNA é um longo polímero

Leia mais

Hepatites Virais. Vírus da hepatite B (HBV); DNA de fita dupla, envelopado. Vírus da hepatite C (HCV); RNA de fita simples, envelopado

Hepatites Virais. Vírus da hepatite B (HBV); DNA de fita dupla, envelopado. Vírus da hepatite C (HCV); RNA de fita simples, envelopado Departamento de Microbiologia Instituto de Ciências Biológicas Universidade Federal de Minas Gerais http://www.icb.ufmg.br/mic/diaadia Hepatites Virais A hepatite é um processo inflamatório que acomete

Leia mais

MANEJO HEPATITES VIRAIS B/C - 2015

MANEJO HEPATITES VIRAIS B/C - 2015 MANEJO HEPATITES VIRAIS B/C - 2015 HEPATITE C PAPEL DA ATENÇÃO PRIMÁRIA EM SAÚDE FILIPE DE BARROS PERINI Assessor Técnico GEDST-DIVE-SES Infectologista Policlínica Municipal do Continente SMS-PMF Assessor

Leia mais

Apostila de aula prática REAÇÃO EM CADEIA PELA POLIMERASE (PCR)

Apostila de aula prática REAÇÃO EM CADEIA PELA POLIMERASE (PCR) 1 Universidade Federal Fluminense Instituto Biomédico Departamento de Microbiologia e Parasitologia Disciplina: Virologia Apostila de aula prática REAÇÃO EM CADEIA PELA POLIMERASE (PCR) A técnica de reação

Leia mais

ESTA PALESTRA NÃO PODERÁ SER REPRODUZIDA SEM A REFERÊNCIA DO AUTOR

ESTA PALESTRA NÃO PODERÁ SER REPRODUZIDA SEM A REFERÊNCIA DO AUTOR ESTA PALESTRA NÃO PODERÁ SER REPRODUZIDA SEM A REFERÊNCIA DO AUTOR Considerações sobre o diagnóstico de doenças transmitidas pelo sangue Ms. Paulo Germano de Carvalho O sangue é uma porta de entrada para

Leia mais

Seleção de Temas. Questionário - Proficiência Clínica. Área: Imunologia Rodada: Julho/2008. Prezado Participante,

Seleção de Temas. Questionário - Proficiência Clínica. Área: Imunologia Rodada: Julho/2008. Prezado Participante, Seleção de Temas Prezado Participante, Gostaríamos de contar com a sua contribuição para a elaboração dos próximos materiais educativos. Cada questionário desenvolve um assunto (temas) específico dentro

Leia mais

ANEXO II. 1 HEPATITE B VÍRUS DA HEPATITE B (Hepatitis B Vírus HBV)

ANEXO II. 1 HEPATITE B VÍRUS DA HEPATITE B (Hepatitis B Vírus HBV) ANEXO II ANEXO DA RESOLUÇÃO SESA Nº.../2009 MANUAL DE ORIENTAÇÃO PARA ALTERAÇÃO DA CAUSA DE REJEIÇÃO DO CÓDIGO 57 (INCONCLUSIVO), PELOS SERVIÇOS DE HEMOTERAPIA NO SHTWEB. 1. Segundo a RDC nº 153 de 14

Leia mais

UM NOVO TESTE PARA TUBERCULOSE

UM NOVO TESTE PARA TUBERCULOSE UM NOVO TESTE PARA TUBERCULOSE Rio de Janeiro e Manaus testam para o Ministério da Saúde uma nova tecnologia para o diagnóstico da tuberculose pulmonar Que novo teste é este? O Xpert MTB/RIF é um método

Leia mais

VIROLOGIA HUMANA. Professor: Bruno Aleixo Venturi

VIROLOGIA HUMANA. Professor: Bruno Aleixo Venturi VIROLOGIA HUMANA Professor: Bruno Aleixo Venturi O que são vírus? A palavra vírus tem origem latina e significa "veneno". Provavelmente esse nome foi dado devido às viroses, que são doenças causadas por

Leia mais

Genética Bacteriana. Prof (a) Dra. Luciana Debortoli de Carvalho

Genética Bacteriana. Prof (a) Dra. Luciana Debortoli de Carvalho Universidade Federal de Juiz de Fora Departamento de Microbiologia, Parasitologia e Imunologia Genética Bacteriana Prof (a) Dra. Luciana Debortoli de Carvalho Introdução O DNA existe como uma hélice de

Leia mais

DNA r ecomb m i b n i a n nt n e

DNA r ecomb m i b n i a n nt n e Tecnologia do DNA recombinante DNA recombinante molécula de DNA contendo sequências derivadas de mais de uma fonte. As primeiras moléculas de DNA recombinante 1972 Paul Berg : vírus SV40 + plasmídeo 1973:

Leia mais

HIV como modelo de estudo de retrovírus e patogênese

HIV como modelo de estudo de retrovírus e patogênese HIV como modelo de estudo de retrovírus e patogênese Retrovírus e oncogênese. Um pouco de história: 1904: Ellerman and Bang, procurando por bactérias como agentes infecciosos para leucemia em galinhas,

Leia mais

A partícula viral infectante, chamada vírion, consiste de um ácido nucléico e de uma capa protéica externa (capsídeo). O conjunto do genoma mais o

A partícula viral infectante, chamada vírion, consiste de um ácido nucléico e de uma capa protéica externa (capsídeo). O conjunto do genoma mais o 1 A partícula viral infectante, chamada vírion, consiste de um ácido nucléico e de uma capa protéica externa (capsídeo). O conjunto do genoma mais o capsídeo de um vírion é denominado de nucleocapsídeo.

Leia mais

CONTROLE DE COPIA: PT-LB-IM-021 ANTI HIV 22/10/2015

CONTROLE DE COPIA: PT-LB-IM-021 ANTI HIV 22/10/2015 PT-LB-IM-1 1/6 1. INTRODUÇÃO / FINALIDADE DO MÉTODO O vírus da imunodeficiência humana é o agente causador da síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS). A AIDS foi pela primeira vez descrita nos Estados

Leia mais

Construção de Bibliotecas de cdna

Construção de Bibliotecas de cdna Construção de Bibliotecas de cdna Claudia Teixeira Guimarães Antônio A.C. Purcino Eliane A. Gomes Jurandir V. Magalhães Newton P. Carneiro Elto E.G. Gama Robert E. Schaffert Sidney N. Parentoni Vera M.C.

Leia mais

Curso: Marcadores Moleculares aplicados a organismos de interesse epidemiológico

Curso: Marcadores Moleculares aplicados a organismos de interesse epidemiológico Curso: Marcadores Moleculares aplicados a organismos de interesse epidemiológico SUCEN Superintendência de Controle de Endemias São Paulo 17 a 22 de agosto de 2009 Aula : PCR EM TEMPO REAL José Eduardo

Leia mais

PADRONIZAÇÃO DE ENSAIO DE PCR EM TEMPO REAL EM FORMATO MULTIPLEX APLICADO AO DIAGNÓSTICO DE INFECÇÕES POR HTLV-1 E HTLV-2

PADRONIZAÇÃO DE ENSAIO DE PCR EM TEMPO REAL EM FORMATO MULTIPLEX APLICADO AO DIAGNÓSTICO DE INFECÇÕES POR HTLV-1 E HTLV-2 PADRONIZAÇÃO DE ENSAIO DE PCR EM TEMPO REAL EM FORMATO MULTIPLEX APLICADO AO DIAGNÓSTICO DE INFECÇÕES POR HTLV-1 E HTLV-2 Gonçalves MG 1, Fukasawa LO 1, Alencar WK 2, Caterino-de-Araujo A 1 1 Instituto

Leia mais

B O L E T I M EPIDEMIOLÓGICO HEPATITES VIRAIS. ano III nº 01

B O L E T I M EPIDEMIOLÓGICO HEPATITES VIRAIS. ano III nº 01 B O L E T I M EPIDEMIOLÓGICO HEPATITES VIRAIS ano III nº 01 2012. Ministério da Saúde É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte. Expediente Boletim Epidemiológico Hepatites

Leia mais

ALERTA SARAMPO Atualização da Situação Epidemiológica, Setembro 2014:

ALERTA SARAMPO Atualização da Situação Epidemiológica, Setembro 2014: ALERTA SARAMPO Atualização da Situação Epidemiológica, Setembro 2014: O Estado de São Paulo reforça a recomendação para que todos os GVE mantenham os municípios de sua área de abrangência em TOTAL ALERTA

Leia mais

Os primeiros indícios de que o DNA era o material hereditário surgiram de experiências realizadas com bactérias, sendo estas indicações estendidas

Os primeiros indícios de que o DNA era o material hereditário surgiram de experiências realizadas com bactérias, sendo estas indicações estendidas GENERALIDADES Todo ser vivo consiste de células, nas quais está situado o material hereditário. O número de células de um organismo pode variar de uma a muitos milhões. Estas células podem apresentar-se

Leia mais

ISBN 978-85-334-1648-8 MINISTÉRIO DA SAÚDE 9 7 8 8 5 3 3 4 1 6 4 8 8

ISBN 978-85-334-1648-8 MINISTÉRIO DA SAÚDE 9 7 8 8 5 3 3 4 1 6 4 8 8 MINISTÉRIO DA SAÚDE MINISTÉRIO DA SAÚDE Secretaria de Vigilância em Saúde Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais A B C D E DO DIAGNÓSTICO PARA AS HEPATITES VIRAIS Série A. Normas e Manuais Técnicos

Leia mais

WHO GLOBAL SALM-SURV NÍVEL III

WHO GLOBAL SALM-SURV NÍVEL III WHO GLOBAL SALM-SURV NÍVEL III CAMPYLOBACTER spp. Multiplex PCR para detecção de C. jejuni e C. coli Grace Theophilo LRNCEB IOC/FIOCRUZ gtheo@ioc.fiocruz.br Diagnóstico molecular para Campylobacter spp.

Leia mais

1 INTRODUÇÃO... 2 2 EPIDEMIOLOGIA... 2 3 QUADRO CLÍNICO... 4 4 DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL... 4 5 DIAGNÓSTICO LABORATORIAL... 5

1 INTRODUÇÃO... 2 2 EPIDEMIOLOGIA... 2 3 QUADRO CLÍNICO... 4 4 DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL... 4 5 DIAGNÓSTICO LABORATORIAL... 5 HEPATITES VIRAIS SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO... 2 2 EPIDEMIOLOGIA... 2 3 QUADRO CLÍNICO... 4 4 DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL... 4 5 DIAGNÓSTICO LABORATORIAL... 5 6 ABORDAGEM SINDRÔMICA... 7 6.1 Hepatites virais agudas...

Leia mais

Avaliação Curso de Formação Pós-Graduada da Biologia Molecular à Biologia Sintética 15 de Julho de 2011 Nome

Avaliação Curso de Formação Pós-Graduada da Biologia Molecular à Biologia Sintética 15 de Julho de 2011 Nome 1 Avaliação Curso de Formação Pós-Graduada da Biologia Molecular à Biologia Sintética 15 de Julho de 2011 Nome 1 - As enzimas de restrição ou endonucleases recebem uma designação que provem (1 valor) a)

Leia mais

Papilomavírus Humano HPV

Papilomavírus Humano HPV Papilomavírus Humano HPV -BIOLOGIA- Alunos: André Aroeira, Antonio Lopes, Carlos Eduardo Rozário, João Marcos Fagundes, João Paulo Sobral e Hélio Gastão Prof.: Fragoso 1º Ano E.M. T. 13 Agente Causador

Leia mais

HEPATITE B - Anti HBs

HEPATITE B - Anti HBs HEPATITE B - Anti HBs Material: soro Sinônimo: Anti -HBsAg Volume: 1,0 ml Método: Eletroquimioluminescência - ECLIA Volume Lab.: 1,0 ml Rotina: Diária Temperatura: Refrigerado Coleta: Jejum recomendado,

Leia mais

A genética do vírus da gripe

A genética do vírus da gripe A genética do vírus da gripe Para uma melhor compreensão das futuras pandemias é necessário entender sobre as pandemias passadas e os fatores que contribuem para a virulência, bem como estabelecer um compromisso

Leia mais

HIV no período neonatal prevenção e conduta

HIV no período neonatal prevenção e conduta HIV no período neonatal prevenção e conduta O HIV, agente causador da AIDS, ataca as células do sistema imune, especialmente as marcadas com receptor de superfície CD4 resultando na redução do número e

Leia mais

UNIVERSIDADE TUIUTI DO PARANÁ LUIZ SASSO FILHO PERFIL DOS PORTADORES DO VÍRUS HIV ATENDIDOS NO HOSPITAL DIA AIDS EM BRASÍLIA D.F.

UNIVERSIDADE TUIUTI DO PARANÁ LUIZ SASSO FILHO PERFIL DOS PORTADORES DO VÍRUS HIV ATENDIDOS NO HOSPITAL DIA AIDS EM BRASÍLIA D.F. UNIVERSIDADE TUIUTI DO PARANÁ LUIZ SASSO FILHO PERFIL DOS PORTADORES DO VÍRUS HIV ATENDIDOS NO HOSPITAL DIA AIDS EM BRASÍLIA D.F. BRASÍLIA DF 2009 PERFIL DOS PORTADORES DO VÍRUS HIV ATENDIDOS NO HOSPITAL

Leia mais

HIV. O vírus da imunodeficiência humana HIV-1 e HIV-2 são membros da família Retroviridae, na subfamília Lentividae.

HIV. O vírus da imunodeficiência humana HIV-1 e HIV-2 são membros da família Retroviridae, na subfamília Lentividae. A Equipe Multiprofissional de Saúde Ocupacional da UDESC lembra: Dia 01 de dezembro é dia mundial de prevenção à Aids! Este material foi desenvolvido por alunos do Departamento de Enfermagem da Universidade

Leia mais

Fundamentos de GENÉTICA BACTERIANA. Profa Francis Moreira Borges

Fundamentos de GENÉTICA BACTERIANA. Profa Francis Moreira Borges Fundamentos de GENÉTICA BACTERIANA Profa Francis Moreira Borges As bactérias possuem material genético, o qual é transmitido aos descendentes no momento da divisão celular. Este material genético não está

Leia mais

Reação em Cadeia Da Polimerase

Reação em Cadeia Da Polimerase Reação em Cadeia Da Polimerase X Jornada Farmacêutica IV Amostra 2010 Sueli Massumi Nakatani LACEN-PR Um Pouco de História... Um Pouco de História... 1983 Kary Mullis for his invention of the polymerase

Leia mais

Técnicas moleculares

Técnicas moleculares Técnicas moleculares PCR Reação em Cadeia da Polimerase Inventada em 1983 por Kary Mullis é uma das técnicas mais comuns utilizadas em laboratórios de pesquisas médicas e biológicas Kary Mullis ganhou

Leia mais

Métodos sorológicos de Diagnóstico e Pesquisa. Reação Ag-Ac in vitro

Métodos sorológicos de Diagnóstico e Pesquisa. Reação Ag-Ac in vitro Métodos sorológicos de Diagnóstico e Pesquisa Reação Ag-Ac in vitro Testes sorológicos Uso de soro ou outros fluidos biológicos de paciente p/ diagnóstico laboratorial Demonstração de anticorpos específicos

Leia mais

X JORNADA FARMACÊUTICA E V AMOSTRA DESENVOLVIMENTO DE METODOLOGIAS EM PCR EM TEMPO REAL: OTIMIZANDO CUSTOS E PRODUTIVIDADE

X JORNADA FARMACÊUTICA E V AMOSTRA DESENVOLVIMENTO DE METODOLOGIAS EM PCR EM TEMPO REAL: OTIMIZANDO CUSTOS E PRODUTIVIDADE X JORNADA FARMACÊUTICA E V AMOSTRA DESENVOLVIMENTO DE METODOLOGIAS EM PCR EM TEMPO REAL: OTIMIZANDO CUSTOS E PRODUTIVIDADE Sueli Massumi Nakatani Laboratório Central do Estado LACEN-PR Maio de 2010 Laboratório

Leia mais

MARCADORES SOROLÓGICOS DE HEPATITE B EM GESTANTES DE UMA UNIDADE DE SAÚDE EM PONTA GROSSA

MARCADORES SOROLÓGICOS DE HEPATITE B EM GESTANTES DE UMA UNIDADE DE SAÚDE EM PONTA GROSSA 11. CONEX Apresentação Oral Resumo Expandido 1 ÁREA TEMÁTICA: ( ) COMUNICAÇÃO ( ) CULTURA ( ) DIREITOS HUMANOS E JUSTIÇA ( ) EDUCAÇÃO ( ) MEIO AMBIENTE ( X ) SAÚDE ( ) TRABALHO ( ) TECNOLOGIA MARCADORES

Leia mais

Análise de expressão gênica

Análise de expressão gênica Universidade Federal do Espírito Santo Laboratório de Biotecnologia Aplicado ao Agronegócio Análise de expressão gênica Fernanda Bravim EXPRESSÃO GÊNICA Processo pelo qual a informação contida em um gene

Leia mais

Hepatites virais no Brasil: situação, ações e agenda

Hepatites virais no Brasil: situação, ações e agenda Hepatites virais no Brasil: situação, ações e agenda Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais Secretaria de Vigilância em Saúde Ministério da Saúde I. Apresentação II. Contexto epidemiológico III.

Leia mais

Rachel Siqueira de Queiroz Simões, Ph.D rachelsqsimoes@gmail.com rachel.simoes@ioc.fiocruz.br

Rachel Siqueira de Queiroz Simões, Ph.D rachelsqsimoes@gmail.com rachel.simoes@ioc.fiocruz.br Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro Centro de Ciências Biológicas e da Saúde Casa da Medicina Unidade Gávea Coordenação Central de Extensão EPIDEMIOLOGIA MOLECULAR Rachel Siqueira de Queiroz

Leia mais

BIOTECNOLOGIA FARMACÊUTICA. Aplicação no Laboratório Clínico - PCR APLICAÇÃO DA BIOTECNOLOGIA NO LABORATÓRIO CLÍNICO

BIOTECNOLOGIA FARMACÊUTICA. Aplicação no Laboratório Clínico - PCR APLICAÇÃO DA BIOTECNOLOGIA NO LABORATÓRIO CLÍNICO BIOTECNOLOGIA FARMACÊUTICA APLICAÇÃO DA BIOTECNOLOGIA NO LABORATÓRIO CLÍNICO Conteúdos abordados -Relembrar alguns conceitos da Replicação do DNA in vivo Aplicação no Laboratório Clínico - PCR -Algumas

Leia mais

INVESTIGAÇÃO DE MUTAÇÕES DE RESISTÊNCIA ASSOCIADAS AOS ANTIVIRAIS EM ISOLADOS DE PACIENTES PORTADORES DO VÍRUS DA HEPATITE B NO ESTADO DO AMAZONAS

INVESTIGAÇÃO DE MUTAÇÕES DE RESISTÊNCIA ASSOCIADAS AOS ANTIVIRAIS EM ISOLADOS DE PACIENTES PORTADORES DO VÍRUS DA HEPATITE B NO ESTADO DO AMAZONAS UNIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS FUNDAÇÃO DE MEDICINA TROPICAL DR HEITOR VIEIRA DOURADO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM MEDICINA TROPICAL MESTRADO EM DOENÇAS TROPICAIS E INFECCIOSAS INVESTIGAÇÃO DE MUTAÇÕES

Leia mais

As bactérias operárias

As bactérias operárias A U A UL LA As bactérias operárias Na Aula 47 você viu a importância da insulina no nosso corpo e, na Aula 48, aprendeu como as células de nosso organismo produzem insulina e outras proteínas. As pessoas

Leia mais

1. (Unesp) A ilustração apresenta o resultado de um teste de paternidade obtido pelo método do DNA-Fingerprint, ou "impressão digital de DNA".

1. (Unesp) A ilustração apresenta o resultado de um teste de paternidade obtido pelo método do DNA-Fingerprint, ou impressão digital de DNA. Ácidos Nuclêicos 1. (Unesp) A ilustração apresenta o resultado de um teste de paternidade obtido pelo método do DNA-Fingerprint, ou "impressão digital de DNA". a) Segundo o resultado acima, qual dos homens,

Leia mais

Hoje estudaremos a bioquímica dos ácidos nucléicos. Acompanhe!

Hoje estudaremos a bioquímica dos ácidos nucléicos. Acompanhe! Aula: 2 Temática: Ácidos Nucléicos Hoje estudaremos a bioquímica dos ácidos nucléicos. Acompanhe! Introdução: Os ácidos nucléicos são as moléculas com a função de armazenamento e expressão da informação

Leia mais

Suspeita clínic a de doença celíaca. + IgA sérica POSITIVO 3? Anti-gliadina IgG POSITIVO?

Suspeita clínic a de doença celíaca. + IgA sérica POSITIVO 3? Anti-gliadina IgG POSITIVO? DOENÇA CELÍACA Suspeita clínic a de doença celíaca ttg 1 IgA ou Antiendomísio (AEM) IgA 2 + IgA sérica 3? Probabilidade de doença celíaca é baixa Probabilidade de doença celíaca é alta Deficiência de IgA?

Leia mais

7.012 Conjunto de Problemas 3

7.012 Conjunto de Problemas 3 Nome Seção 7.012 Conjunto de Problemas 3 Data estelar 7.012.10.4.00 Diário Pessoal do Oficial Médico Responsável do USS Hackerprise Depois de voltar de uma missão em Europa, Noslen, um dos membros da tripulação,

Leia mais

Exercício 4 Sequenciamento por finalizadores de cadeia Sequenciamento do DNA: os finalizadores

Exercício 4 Sequenciamento por finalizadores de cadeia Sequenciamento do DNA: os finalizadores Exercício 4 Sequenciamento por finalizadores de cadeia Sequenciamento do DNA: os finalizadores A determinação da seqüência de bases de um segmento de DNA é um passo crítico em muitas aplicações da Biotecnologia.

Leia mais

VÍRUS. DISCIPLINA: BIOLOGIA http://danutaw.webnode.com.br

VÍRUS. DISCIPLINA: BIOLOGIA http://danutaw.webnode.com.br VÍRUS DISCIPLINA: BIOLOGIA 1. CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS VÍRUS - 20 a 300 nm; Micrômetro Nanômetro UNIDADE REPRESENTAÇÃO / VALOR 1 μm = 0,001 milímetro 1 nm = 0,001 micrômetro - Ácido nucléico + proteína

Leia mais

BIOTECNOLOGIA E ENGENHARIA GENÉTICA. Profa. Maria Paula

BIOTECNOLOGIA E ENGENHARIA GENÉTICA. Profa. Maria Paula BIOTECNOLOGIA E ENGENHARIA GENÉTICA Profa. Maria Paula FERRAMENTAS Enzimas: de restrição, DNA-ligase, DNA-polimerase, transcriptase Vetores: plasmídeos, vírus 1) PGH O número de genes é muito menor do

Leia mais

Rede de Biologia Molecular para Hepatite C crônica no Estado de São Paulo

Rede de Biologia Molecular para Hepatite C crônica no Estado de São Paulo Capacitação para Médicos no Tratamento da Hepatite Viral C com os Inibidores Protease Boceprevir e Telaprevir no Estado São Paulo Re Biologia Molecular para Hepatite C crônica no Estado São Paulo Dra Regina

Leia mais

RESUMOS DE PROJETOS... 124 ARTIGOS COMPLETOS(RESUMOS)... 128

RESUMOS DE PROJETOS... 124 ARTIGOS COMPLETOS(RESUMOS)... 128 123 RESUMOS DE PROJETOS... 124 ARTIGOS COMPLETOS(RESUMOS)... 128 RESUMOS DE PROJETOS 124 A GENÉTICA E NEUROFISIOLOGIA DO AUTISMO... 125 PAPEL DO POLIMORFISMO IL17A (RS7747909) NA TUBERCULOSE.... 126 PAPEL

Leia mais

Hepatites B e C Trabalho de Biologia Turma 12 Professor Cesar Fragoso José Carlos Teixeira Altomari - nº 15 Leonardo Da Costa Guimarães - nº 17 Pedro Henrique de Siqueira Vogas - nº 25 Pedro Luis Guimarães

Leia mais

Nota Técnica N.º 29 /14 Recife, 09 de outubro de 2014. Assunto: Notificação dos casos suspeitos da Febre Chikungunya

Nota Técnica N.º 29 /14 Recife, 09 de outubro de 2014. Assunto: Notificação dos casos suspeitos da Febre Chikungunya Nota Técnica N.º 29 /14 Recife, 09 de outubro de 2014 Assunto: Notificação dos casos suspeitos da Febre Chikungunya 1. Características da doença A Febre do Chikungunya (CHIKV) é uma doença causada por

Leia mais

SUMÁRIO 1. RESUMO EXECUTIVO... 3 1.1. CONTEXTUALIZAÇÃO... 3 1.2. CONCLUSÕES... 3 1.3. PERGUNTA ESTRUTURADA... 4 1.4. CONTEXTUALIZAÇÃO(1)...

SUMÁRIO 1. RESUMO EXECUTIVO... 3 1.1. CONTEXTUALIZAÇÃO... 3 1.2. CONCLUSÕES... 3 1.3. PERGUNTA ESTRUTURADA... 4 1.4. CONTEXTUALIZAÇÃO(1)... NT93/2013 Solicitante: Ilmo Dr Anacleto Falci 2ª Juiz de Direito Auxiliar Especial 7ª Vara Cível - Comarca de Governador Valadares/MG Data: 14/06/2013 Medicamento X Material Procedimento Cobertura Numeração:

Leia mais

Prioridades de Pesquisa e Inovação em Doença de Chagas

Prioridades de Pesquisa e Inovação em Doença de Chagas OFICINA DE PRIORIDADES DE PESQUISA SOBRE DOENÇAS NEGLIGENCIADAS Prioridades de Pesquisa e Inovação em Doença de Chagas Tânia C. A. Jorge (Coordenadora) - IOC/Fiocruz Bianca Zingales (Relatora) - USP Soraya

Leia mais

7.012 Conjunto de Problemas 5

7.012 Conjunto de Problemas 5 Nome Seção 7.012 Conjunto de Problemas 5 Pergunta 1 Enquanto estudava um problema de infertilidade, você tentou isolar um gene hipotético de coelho que seria responsável pela prolífica reprodução desses

Leia mais

UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA DEPARTAMENTO DE PARASITOLOGIA, MICROBIOLOGIA E IMUNOLOGIA

UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA DEPARTAMENTO DE PARASITOLOGIA, MICROBIOLOGIA E IMUNOLOGIA UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA DEPARTAMENTO DE PARASITOLOGIA, MICROBIOLOGIA E IMUNOLOGIA Genética Bacteriana Disciplina: Microbiologia Geral e Aplicada à Enfermagem Professora:Luciana Debortoli de

Leia mais

objetivos Complexidade dos genomas II AULA Pré-requisitos

objetivos Complexidade dos genomas II AULA Pré-requisitos Complexidade dos genomas II AULA 31 objetivos Ao final desta aula, você deverá ser capaz de: Explicar os fatores envolvidos com a complexidade dos genomas de eucariotos. Descrever as principais características

Leia mais

Boletim Epidemiológico Secretaria de Vigilância em Saúde Ministério da Saúde Influenza: Monitoramento até a Semana Epidemiológica 29 de 2014

Boletim Epidemiológico Secretaria de Vigilância em Saúde Ministério da Saúde Influenza: Monitoramento até a Semana Epidemiológica 29 de 2014 Boletim Epidemiológico Secretaria de Vigilância em Saúde Ministério da Saúde Influenza: Monitoramento até a Semana Epidemiológica 29 de 2014 A vigilância da influenza no Brasil é composta pela vigilância

Leia mais

BANCO DE QUESTÕES - BIOLOGIA - 1ª SÉRIE - ENSINO MÉDIO ==============================================================================================

BANCO DE QUESTÕES - BIOLOGIA - 1ª SÉRIE - ENSINO MÉDIO ============================================================================================== PROFESSOR: Leonardo Mariscal BANCO DE QUESTÕES - BIOLOGIA - 1ª SÉRIE - ENSINO MÉDIO ============================================================================================== Ácidos Nucleicos 01- Os

Leia mais

Tecnologia do DNA recombinante

Tecnologia do DNA recombinante Tecnologia do DNA recombinante Tecnologia do DNA Recombinante déc. 70 conhecimento de mecanismos biomoleculares enzimas biológicas cortar DNA ligar DNA replicar DNA transcrever reversamente o RNA complementaridade

Leia mais

CÂMARA MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO Gabinete do Vereador DR. JAIRINHO DECRETA:

CÂMARA MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO Gabinete do Vereador DR. JAIRINHO DECRETA: PROJETO DE LEI Nº 442/2005 Despacho DISPÕE SOBRE A OBRIGATORIEDADE DE REALIZAÇÃO DE EXAME SOROLÓGICO PRÉ-NATAL EM MULHERES GRÁVIDAS PARA DIAGNÓSTICO PRECOCE DE VÍRUS DA AIDS, DAS HEPATITES B E C E DOS

Leia mais

HEPATITES O QUE VOCÊ PRECISA SABER

HEPATITES O QUE VOCÊ PRECISA SABER HEPATITES O QUE VOCÊ PRECISA SABER O QUE É HEPATITE? QUAIS OS TIPOS? Hepatopatias Hepatites Virais Doença hepática alcoólica Hepatopatias criptogênicas Hepatites tóxicas Hepatopatias auto-imunes Hepatopatias

Leia mais

Técnicas de PCR: Aplicações e Padronização de Reações

Técnicas de PCR: Aplicações e Padronização de Reações Técnicas de PCR: Aplicações e Padronização de Reações BSc. Daniel Perez Vieira (Protozoologia-IMTSP/ Laboratório de Biologia Molecular-IPEN) Aula 3 - Análise dos produtos: Qualitativa e Semi- Quantitativa

Leia mais

PAPILOMA VÍRUS HUMANO

PAPILOMA VÍRUS HUMANO PAPILOMA VÍRUS HUMANO PAPILOMA VÍRUS HUMANO *INNO-LiPA HPV Genotipagem Extra 28 genótipos HPV Controles Praticidade Aplicações Automação ESCOLHA DE QUALIDADE PARA O SEU LABORATÓRIO. Genótipos: 28 genótipos

Leia mais

6) (ANÁPOLIS) Dois seres vivos pertencentes à mesma ordem são necessariamente:

6) (ANÁPOLIS) Dois seres vivos pertencentes à mesma ordem são necessariamente: Lista de Exercícios Pré Universitário Uni-Anhanguera Aluno(a): Nº. Professor: Mário Neto Série: 1 Ano Disciplina: Biologia 1) Com que finalidade se classificam os seres vivos? 2) Considere os seguintes

Leia mais

Elaborado por: Karina Salvador Revisado por: Hilda Helena Wolff Aprovado por: Andréa Cauduro

Elaborado por: Karina Salvador Revisado por: Hilda Helena Wolff Aprovado por: Andréa Cauduro ANTI- 1 Manual CAMBRIDGE BIOTECH -1 POP: BM 05 Página 1 de 7 1. Sinonímia ANTI, TESTE CONFIRMATÓRIO. 2. Aplicabilidade Aos bioquímicos e técnicos do setor de imunologia. 3. Aplicação clínica Os testes

Leia mais

Biologia Molecular de Corinebactérias Produtoras de Aminoácidos: Análise do Genoma de Brevibacterium lactofermentum ATCC 13869

Biologia Molecular de Corinebactérias Produtoras de Aminoácidos: Análise do Genoma de Brevibacterium lactofermentum ATCC 13869 Biologia Molecular de Corinebactérias Produtoras de Aminoácidos: Análise do Genoma de Brevibacterium lactofermentum ATCC 13869 António Carlos Matias Correia Dissertação apresentada à Universidade de Aveiro

Leia mais

Genética e Melhoramento de Plantas

Genética e Melhoramento de Plantas Genética e Melhoramento de Plantas Marcadores moleculares e sua utilização no melhoramento Por: Augusto Peixe Introdução ao uso de Marcadores moleculares Definição Marcador molecular é todo e qualquer

Leia mais

Vacinação em massa contra febre amarela na África 4.

Vacinação em massa contra febre amarela na África 4. Publicação Científica do Curso de Bacharelado em Enfermagem do CEUT. Ano 2010 (1). Edição 17 Shirley da Luz Gomes 1 Rômulo Luis de Oliveira Bandeira 2 Selonia Patrícia Oliveira Sousa 3 Otacílio Batista

Leia mais

Ações de Vigilância Epidemiológica, Perspectivas e Desafios para o enfrentamento de uma nova epidemia

Ações de Vigilância Epidemiológica, Perspectivas e Desafios para o enfrentamento de uma nova epidemia Superintendência de Vigilância em Saúde Gerência de Vigilância Epidemiológica das Doenças Transmissíveis Coordenação de Dengue e Febre Amarela Ações de Vigilância Epidemiológica, Perspectivas e Desafios

Leia mais

Conexões entre matemática e biologia

Conexões entre matemática e biologia EB-207 Matemática Biológica 1 Conexões entre matemática e biologia Prof. Rodrigo Sávio Pessoa Sumário 2 1. Introdução 2. A nanotecnologia aplicada as ciências biológicas 3. Algumas questões biológicas

Leia mais

ALERTA SARAMPO Atualização da Situação Epidemiológica Estado de São Paulo, Maio 2014:

ALERTA SARAMPO Atualização da Situação Epidemiológica Estado de São Paulo, Maio 2014: ALERTA SARAMPO Atualização da Situação Epidemiológica Estado de São Paulo, Maio 2014: Definição de caso suspeito de sarampo: Todo paciente que, independente da idade e da situação vacinal, apresentar febre

Leia mais

Sequenciamento de DNA

Sequenciamento de DNA Sequenciamento de DNA Figure 8-50a Molecular Biology of the Cell ( Garland Science 2008) Método de Sanger Reação de síntese de DNA por uma DNA polimerase A incorporação de um dideoxinucleotídeo interrompe

Leia mais

Bases Moleculares da Hereditariedade

Bases Moleculares da Hereditariedade UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS PROG. DE PÓS GRAD. EM GENET. E MELHORAMENTO NÚCLEO DE ESTUDOS EM GENET. E MELHORAMENTO Bases Moleculares da Hereditariedade Ministrante: João Paulo

Leia mais

Vírus - Características Gerais. Seres acelulares Desprovidos de organização celular. Não possuem metabolismo próprio

Vírus - Características Gerais. Seres acelulares Desprovidos de organização celular. Não possuem metabolismo próprio vírus Vírus - Características Gerais Seres acelulares Desprovidos de organização celular Não possuem metabolismo próprio Capazes de se reproduzir apenas no interior de uma célula viva nucleada Parasitas

Leia mais