ENSINO E APRENDIZAGEM EM SOCIOLOGIA NO CONTEMPORÂNEO: INTERFACES COM O MUNDO DIGITAL

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1 5293 ENSINO E APRENDIZAGEM EM SOCIOLOGIA NO CONTEMPORÂNEO: INTERFACES COM O MUNDO DIGITAL Resumo SOSSAI, Fernando Cesar UNIVILLE 1 KASPROWICZ, Adriane Cristina UNIVILLE 2 PETERSIN, Allan UNIVILLE 3 SILVA, Rodrigo Anderson da UNIVILLE 4 SILVA, Ketly Amanda UNIVILLE 5 Grupo de Trabalho: Comunicação e Tecnologia Agência financiadora: Coordenação de Pessoal de Nível Superior CAPES. A presença cada vez mais intensa de tecnologias da informação e comunicação no cotidiano de alunos e professores tem se constituído num desafio pedagógico nunca antes visto na história do ensino básico brasileiro. Celulares, tablets, microcomputadores e câmeras fotográficas são apenas alguns exemplos dos variados artefatos audiovisuais que exigem da escola um diálogo mais aberto e efetivo com tecnologias digitais próprias de nossa contemporaneidade. Na esteira dessas assertivas, neste escrito, relatamos a experiência do subprojeto O ensino de Sociologia no contemporâneo: interfaces com o mundo digital, desenvolvido no âmbito do Programa de Bolsa de Iniciação à Docência, da CAPES, pelos alunos do curso de Licenciatura em Sociologia da Universidade da Região de Joinville, em parceria com docentes e discentes de uma escola pública da cidade de Joinville/SC, a Escola de Ensino Básico Professora Jandira D Ávila. De modo pontual, descrevemos o processo de criação e operação de um blog e de uma página no Facebook, sublinhando os temas e o potencial pedagógico que perpassam suas postagens/conteúdos. Para além disso, nas páginas finais, concluímos com uma discussão sobre as possibilidades e os limites do fazer pedagógico experiencial, dando destaque à questões que são próprias ao acesso e difusão do conhecimento no tempo presente (e no mundo virtual). Com isso, buscamos incluir mais um ponto na imensa rede de discursos sobre a interface educação, comunicação e tecnologia, assim como estimular fazeres curriculares que as tomem como referência para pensar alguns dos desafios que se apresentam ao ensino de Sociologia na atualidade joinvilense, quiçá brasileira. 1 Professor dos cursos de História, Design e Sociologia da UNIVILLE. 2 Acadêmica do curso de Sociologia da UNIVILLE. 3 Acadêmico do curso de Sociologia da UNIVILLE. 4 Acadêmico do curso de Sociologia da UNIVILLE. 5 Acadêmica do curso de Sociologia da UNIVILLE.

2 5294 Palavras-chave: Sociologia, Comunicação, Tecnologia da Informação e Comunicação. Introdução Numerosos aparatos audiovisuais estão presentes em nosso dia a dia. Celulares, tablets, microcomputadores etc. tem se tornado cada vez mais acessíveis à população brasileira a tal ponto de alguns acreditarem que estamos caminhando em direção à digitalização das relações sociais. Como não poderia deixar de ser, a educação obriga-se a dialogar com este cenário, uma vez que a inclusão de audiovisuais na escola parece ser uma das preocupações centrais dos governos. Em entrevista amplamente veiculada pela imprensa, o atual ministro da educação, Aloizio Mercadante, reafirmou o compromisso de distribuir tecnologias da informação e comunicação no contexto escolar. Segundo ele, é muito importante que a gente [governo do Brasil] construa uma estratégia sólida para que a escola possa formar e preparar essa nova geração para o uso de tecnologias da informação (BRASIL, 2012). Nas pistas desse entendimento, cada vez mais tem ganhado espaço estratégias políticas que visam promover o diálogo entre desejos de digitalização das sociabilidades e os fazeres didático-pedagógicos das escolas brasileiras 6. Foi em sintonia com este panorama que o curso de Sociologia da Universidade da Região de Joinville UNIVILLE concebeu o subprojeto O ensino de Sociologia no contemporâneo: interfaces com o mundo digital 7, integrante de um projeto maior, de cunho institucional UNIVILLE, aprovado e financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior CAPES, por meio de seu Programa de Bolsa de Iniciação à Docência PIBID 8. São, então, as experiências do mencionado subprojeto que objetivamos socializar neste escrito no sentido de contribuir incluindo mais um ponto na rede de reflexões sobre os sentidos, os dilemas e os desafios de cruzar educação, comunicação e tecnologias da 6 A título de sustentação do aludido vale mencionar o crescimento dos investimentos, nos últimos cinco anos, em programas federais que mesclam educação e tecnologias da informação e comunicação como o Programa Informática na Escola (PROINFO) e o Programa Um Computador por aluno (PROUCA). 7 A coordenação de tal subprojeto, durante o segundo semestre de 2012, foi efetuada pela professora Dra. Maria Elisa Maximo. A partir de janeiro de 2013 o mesmo passou a ser coordenado pelo professor MSc. Fernando Cesar Sossai. 8 O projeto de PIBID da Univille tematiza o letramento na contemporaneidade e conta, ainda, com cinco outros subprojetos vinculados aos cursos de História, Letras, Ciências Biológicas, Pedagogia Educação Física.

3 5295 informação e comunicação no contexto do ensino básico praticado no município de Joinville, Santa Catarina (o maior do estado e o terceiro do sul do país) O subprojeto Ensino de Sociologia no contemporâneo: interfaces com o mundo digital... Iniciado em agosto de 2012, tal subprojeto conta com a participação de dez alunos do curso de Sociologia oferecido pela UNIVILLE no âmbito do Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica PARFOR. De modo pontual, tem como objetivo aproximar, de modo laboratorial/experiencial, os estudantes desse curso ao cotidiano do ensino médio joinvilense, tomando como referência a relação entre o mundo digital, as práticas de letramento (também em contexto digital) e a produção de análises teóricometodológicas em Sociologia. No sentido de dar impulso a esse arranjo, foi estabelecida uma parceria com a Escola de Ensino Básico Professora Jandira D Ávila (Figura 1), integrante da rede estadual de ensino e situada no bairro Aventureiro, o mais populoso de Joinville 9. Figura 1 Fachada da Escola de Ensino Básico Professora Jandira D Ávila, Joinville/SC. Fonte: <http://pibidsociologiauniville.blogspot.com.br>. Acesso: 09 abr Grosso modo, os resultados previstos para aquele subprojeto dizem respeito a dois conjuntos de produções pedagógicas, a saber: a elaboração de materiais didáticos digitais para o ensino médio e a realização de oficinas articulando excertos do mundo digital (fontes 9 Conforme seu Projeto Político Pedagógico, ano base 2012, a Escola de Ensino Básico Professora Jandira D Ávila conta com 1010 alunos, sendo 406 matriculados no ensino médio.

4 5296 diversas), a prática do letramento em contexto digital (sociabilidades) e desafios do ensino de Sociologia no tempo presente (imaginação sociológica da contemporaneidade). Nessa acepção, acreditamos que o subprojeto pode ser considerado uma grande contribuição para todos os que nele estão envolvidos, na medida em que promove a experimentação intelectual e uma aprendizagem em sintonia com as exigências do fazer educação na escola, de uma maneira geral, e alguns próprios do exercício da docência em Sociologia na atualidade joinvilense (e brasileira), em específico. Detalhando o subprojeto: atividades e experiências pedagógicas com o uso de tecnologias da informação e comunicação Com o advento da internet ampliou-se consideravelmente as possibilidades de leitura e de escrita. Com a clareza de que isso impacta o cotidiano escolar, em nosso projeto, buscamos potencializar formas de trabalho pedagógico que se utilize de ambientes virtuais quando o assunto é Sociologia. A partir disso, duas estratégias bastante simples, mas de grande significância, foram planejadas em conjunto com a escola parceira: a criação de um blog e uma página no Facebook 10. De início, explicitamos algumas informações sobre a criação e a operação do blog (Figura 2). Tal espaço surgiu da formação de grupos de trabalho que foram encarregados da responsabilidade de socializar informações sobre o letramento em contexto digital 11 com alunos e professores da escola parceira de nosso subprojeto. 10 Dada a limitação de páginas que devemos respeitar, ateremo-nos, aqui, tão somente ao relato dessas duas estratégias de ensino-aprendizagem. 11 De maneira pontual, sobre o letramento em espaço digital, concordamos com Araujo (2008), para a qual ele significa a capacidade, ou melhor, a habilidade de acessar, ler, interagir, decodificar e produzir compreensões/interpretações sobre a vida social a partir das diferentes linguagens operadas pelas mídias digitais.

5 5297 Figura 2 imagem de capa do blog do subprojeto de PIBID O ensino de Sociologia no contemporâneo: interfaces com o mundo digital. Fonte disponível em: <http://pibidsociologiauniville.blogspot.com.br/>. Acesso: 13 abr O segundo passo na concretização do blog foi a escolha, na internet, de um espaço virtual apropriado. Para tanto, selecionamos um subdomínio da empresa Google, o Blogger, uma vez que opera com o formato wiki, ou seja, permite a livre postagem de conteúdos das mais variadas espécies (imagens, textos escritos, vídeos etc.), bem como já era de amplo conhecimento de todos os envolvidos no projeto. Alocado online no mês de março de 2013 o blog pode ser encontrado no seguinte endereço eletrônico: <http://pibidsociologiauniville.blogspot.com.br/>. Nele estão postadas diferentes fontes sobre sociologia, letramento e mundo digital que, porventura, poderão ser utilizadas por alunos e professores que participam de nosso subprojeto. Entre essas, destacamse charges, histórias em quadrinho, vídeos educacionais e textos acadêmicos que esperamos subsidiar a construção de reflexões sobre as maneiras pelas quais a sociedade contemporânea usa e abusa de virtualidades no processo de atribuição de sentido à leitura, à escrita e às suas próprias sociabilidades. Outra frente de trabalho que está a pleno vapor é a que diz respeito a página do Facebook de nosso subprojeto 12. Com ela pretendeu-se dar maior visibilidade à rotina, à programação e às intervenções pedagógicas da equipe no cotidiano da escola parceira. A criação deste espaço é fruto da tentativa de uma interação ainda mais efetiva com os estudantes da Escola de Ensino Básico Professora Jandira D Ávila. Entre agosto e dezembro de 2012, no ensejo das primeiras atividades de nosso subprojeto, percebemos que muitos deles faziam uso do Facebook para interagir uns com outros, registrar seus pensamentos e 12 Essa página poderá ser visualizada por meio da seguinte busca no Facebook: Sociologia PIBIB Univille.

6 5298 explicitar suas visões sobre as dimensões que estruturam a vida social (política, educação, religião, economia, lazer, diversão etc.). Cientes disso, tramamos, então, um espaço com potencial interativo onde são disponibilizados vídeos, textos e imagens que, ao serem apropriadas/interpretadas em casa e/ou na escola, poderão estimular os estudantes a imaginarem sociologicamente (de modo crítico, reflexivo e problemático) o mundo que vivem. Foi dessa perspectiva que procuramos dar impulso ao uso de tecnologias da informação e comunicação nos ofícios de alunos e professores da escola parceira. Grosso modo, isso vem ocorrendo por meio de postagens de conteúdos digitais que eles podem curtir, comentar e compartilhar no próprio sítio do Facebook. Nessa última direção poderíamos detalhar ainda mais os resultados preliminares de nosso subprojeto de PIBID. Contudo, o que foi registrado já nos é suficiente para evidenciar que, tanto pelo blog quanto pela página criada no Facebook, o que intentamos é estimular alunos e professores a se apropriarem das redes sociais de uma maneira mais reflexiva, utilizando-as, inclusive, para intervir na realidade que experimentam e no tempo que vivem. Imaginamos que, com isto, estamos contribuindo para a compreensão de que o mundo virtual, ou melhor, o que nele se passa, não oportuniza apenas o entretenimento massivo, mas, sobretudo em situação pedagógica, à interação com informações/dados que poderão auxiliar na elaboração de posicionamentos sociais mais analíticos. Uma reflexão sobre a prática: notas sobre saber e experiência pedagógica Na atualidade, muito se disseminou o entendimento de que conhecimento é sinônimo de ciência. Quando atrelado às tecnologias da informação e comunicação, especialmente as digitais, parece que ele é infinito, que só faz aumentar e que carrega consigo uma espécie de neutralidade social. Ou seja, ele se apresenta como se estivesse distribuído inocentemente, disponível e acessível para todos. Com isso, ao que nos parece, temos dado pouca importância ao fato de que o conhecimento, assim como as tecnologias digitais, está distribuído de forma desigual e tem, também, contribuído para a (re)produção de preconceitos, marginalizações e segregações sociais. Em um panorama como esse é fundamental refletirmos sobre o saber que emerge de nossas experiências cotidianas, em especial as de caráter pedagógico que atravessam a escola.

7 5299 Diante da aceleração do tempo, da redefinição dos espaços, dos fluxos disjuntivos 13 de pessoas, de capital e de mercadorias, da modernização exacerbada, do consumismo inesgotável, da lógica da ininterrupção do funcionamento do mercado... a valorização da experiência pode figurar como uma forma de combate aos desafios imiscuídos na mecânica social contemporânea. Como já afirmou o filósofo espanhol Jorge Larrosa Bondía (2002), vivemos um cotidiano saturado de meros acontecimentos, muitas vezes sem sentido, que apenas respondem as necessidades imediatas. Essa efervescência de acontecimentos não pode ser entendida como sinônimo de uma efervescência das experiências. Os acontecimentos têm seus lugares garantidos no mundo das experiências, porém as experiências dissolvem-se quando são equiparadas aos acontecimentos. Quando isso ocorre, temos uma dissimulação do sentido da experiência. Acreditamos que a experiência consiste num gesto de interrupção da esquizofrenia do presente. Por seu intermédio, colocamo-nos a experienciar: olhar, escutar, tatear, imaginar analisar, problematizar e compreender aquilo que as sociedades produziram ao longo de sua história. Nesse processo, não só nos deliciamos com um raro momento de experimentação da experiência, mas também nos encontramos com possibilidades que jamais tínhamos pensado. Assim, as experiências têm a capacidade de renovar a nós e o mundo que habitamos. Dessa perspectiva, concordamos com Bondía (2002) que cada experiência é singular e irrepetível: uma espécie de passeio ímpar. É um momento de incerteza, cujos resultados jamais poderemos prever ou, quem sabe, imaginar. É um ensaio, em seu sentido mais laboratorial, pelas aventuras dos saberes cotidianos. Provavelmente, é devido a essas características que as experiências estão cada vez mais debilitadas em nossas sociedades. Já lembrava Walter Benjamin (1992) que nossa capacidade de compartilhar experiências estava sendo cada vez mais alienada e isso era facilmente perceptível na extinção da arte de narrar. Benjamin acreditava que este enfraquecimento poderia ser explicado pela expansão das técnicas de reprodução que se acentuaram durante a primeira metade do século XX. Obviamente não chegamos ao extremo de dizer que vivemos a morte da experiência, no contemporâneo. O que acontece hoje é que as experiências não mais podem ser enxergadas de maneira romântica e idílica tal como se imaginava ocorrer em tempos pretéritos. 13 Tomamos esta discussão de empréstimo do antropólogo indiano Arjun Appadurai (1994).

8 5300 É neste trajeto experiencial que temos tentado situar nosso trabalho pedagógico, a partir do uso do blog e da página no Facebook. No cotidiano da Escola de Ensino Básico Professora Jandira D Ávila se evidencia a presença de redes sem fio Wi-fi disponíveis para uso dos alunos durante o intervalo do recreio. Pensamos que isso é um grande passo na direção de fomentar um uso mais pedagógico de tais redes. Embora sejam locais instáveis e fragmentados, por meio dessas redes, quem sabe, a escola possa estimular a construção de diálogos/debates sobre assuntos caros à cidadania estudantil numa lógica de mediação educativa que permita a todos irem para além do mero entretenimento multimidiático. Outrossim, não é prolixo dizermos que tal subprojeto tem permitido o estabelecimento de relações teoria prática apropriando-se duma modalidade de experimentação que é própria ao contemporâneo: a sociabilidade por meio de redes sociais digitais. A interação entre alunos, professores e bolsistas do PIBID, por vezes utilizando aquela página do Facebook e/ou aquele blog, tem buscado o desenvolvimento da autonomia intelectual frente ao processo de construção do conhecimento, bem como promover uma análise dos desafios que fraturam o presente e que exigem olhar acurado de todos, sobretudo por parte dos profissionais que estão (ou estarão) na escola pública brasileira. REFERÊNCIAS APPADURAI, Arjun. Disjunção e Diferença na Economia Cultural Global. In.: FEAHERSTONE, Mike. Cultura Global: nacionalismo, globalização e modernidade. Petrópolis: Vozes, p ARAUJO, Rosana Sarita. Letramento digital: conceitos e pré-conceitos. Anais eletrônicos do 2º Simpósio Hipertexto e Tecnologias na Educação: multimodalidade e ensino. Recife: UFPE, 2008, UFPE. BENJAMIN, Walter. Sobre Arte, Técnica, Linguagem e Política. Lisboa: Relógio D Água, BONDÍA, Jorge Larrosa. Notas sobre a experiência e o saber de experiência. Revista Brasileira de Educação, n. 19, p , jan./fev./mar./abr BRASIL. Ministério da Educação. Assessoria de Comunicação Social do MEC. Escola não pode ficar à margem da evolução da tecnologia, diz ministro. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=17498:escolanao-pode-ficar-a-margem-da-evolucao-da-tecnologia-diz-ministro&catid=222>. Acesso: 03 abr

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