Utilização de catálogos XML para o desenvolvimento do comércio eletrônico

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1 INSTITUTO DE INFORMÁTICA Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu Utilização de catálogos XML para o desenvolvimento do comércio eletrônico Sérgio Furgeri Campinas 1999

2 INSTITUTO DE INFORMÁTICA Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu Utilização de catálogos XML para o desenvolvimento do comércio eletrônico Sérgio Furgeri Dissertação desenvolvida sob orientação do Professor Manuel Mendes de Jesus e apresentada ao Instituto de Informática da Pontifícia Universidade Católica de Campinas como requisito final para obtenção do Título de Mestre em Informática. Área de Concentração: Sistemas de Informação. Campinas 1999

3 Pontifícia Universidade Católica de Campinas GRÃO-CHANCELER Dom Gilberto Pereira Lopes MAGNÍFICO REITOR Prof. Pe. José Benedito de Almeida David VICE-REITOR PARA ASSUNTOS ADMINISTRATIVOS Prof. José Francisco de Veiga Silva VICE-REITOR PARA ASSUNTOS ACADÊMICOS Prof. Carlos de Aquino Pereira DIRETOR DO INSTITUTO DE INFORMÁTICA Prof. Orandi Mina Falsarella COORDENADOR DO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU DO INSTITUTO DE INFORMÁTICA Prof. Dr. Waldomiro Loyolla

4 Utilização de catálogos XML para o desenvolvimento do comércio eletrônico Sérgio Furgeri Dissertação defendida e aprovada, em 03 de novembro de 1999, pela Comissão Examinadora constituída pelos seguintes professores: Dr., Orientador e Presidente da Comissão, PUC-Campinas, Dr., Instituto de Informática, PUC-Campinas, Dr., Instituto de Computação, UNICAMP.

5 Socalschi, Brasilio, 1943 s678f Fundamentos e Subsídios para o Planejamento Estratégico da Informatização de Instituições de Ensino Superior/ Brasilio Socalschi x, 141p. il. Orientador: Eduardo O. C. Chaves Dissertação (Mestrado) - Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Instituto de Informática. 1. Sistemas de recuperação de informação - Educação. 2. Ensino Superior - Processamento de Dados. 3. Planejamento Estratégico. 4. Tecnologia de Informação. I. Chaves, Eduardo O.C. II. Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Instituto de Informática III. Título 19. CDD - t001.6

6 i À minha esposa Ivone, que sempre me incentiva em cada passo, e me apoia nos momentos difíceis.

7 ii Agradeço a todos que contribuíram, direta e indiretamente, para esta realização: membros das Reitorias e de outros Órgãos, Direções do Instituto de Informática, funcionários, docentes professores e colegas. Agradeço principalmente ao autor e consumador da nossa fé, nosso Senhor Jesus Cristo.

8 iii Utilização de catálogos XML para o desenvolvimento do comércio eletrônico Sérgio Furgeri RESUMO Atualmente, comércio eletrônico está emergindo no mercado e, como conseqüência, surge uma grande oportunidade de novos e inovadores negócios, onde o produto principal é a própria informação. Nessa nova forma de negociação, surgem várias questões que necessitam ser resolvidas para que o comércio eletrônico possibilite um mercado global. Um dos pontos em questão nos últimos anos, se refere a dificuldade em se encontrar uma informação, em meio a grande quantidade armazenada na Web. O objetivo deste trabalho é apresentar os aspectos necessários para o desenvolvimento do comércio eletrônico, demonstrando iniciativas de algumas organizações, enfatizando a elaboração de catálogos, utilizando-se de uma nova linguagem de marcação: a XML (Extensible Markup Language). A padronização dos catálogos é o aspecto chave para que participantes de negócios eletrônicos, como empresas, bancos e clientes, possam reduzir seus custos, tornando-se mais eficientes. A elaboração de catálogos padronizados, pode também, contribuir para o surgimento de novos serviços eletrônicos. São apresentadas as tecnologias necessárias à construção dos catálogos, demonstrando os principais conceitos envolvidos. Será demonstrado, que a tecnologia atual torna possível o desenvolvimento de serviços especializados de busca de informações pela Internet. Foi elaborado um projeto para o ramo da construção civil, possibilitando a automatização do processo de orçamentos entre empresas participantes da negociação, tornando ambos, comprador e vendedor, mais eficientes. Serão abordados os aspectos necessários, envolvidos no desenvolvimento da aplicação. Palavras-Chave Comércio eletrônico, catálogo, XML, padronização, interoperabilidade, serviços de busca, Servlet.

9 iv Use of XML catalogs for the development of the Electronic Commerce Sérgio Furgeri SUMMARY Electronic trade is emerging in the market and a great opportunity of new and innovative business appears, where the main product is the own information. In that new negotiation form, several subjects that need to be resolved appear so that the electronic trade facilitates a global market. One of the points in subject in the last years, refers the difficulty in meeting an information, amid great amount stored in the Web. The objective of this work is to present the necessary aspects for the development of the electronic trade, demonstrating initiatives of some organizations, emphasizing the elaboration of catalogs, being used of a new markup language: XML (Extensible Markup Language). THE standardization of the catalogs is the key aspect so that the participants of electronic business, as companies, banks and customers, they can reduce its costs, becoming more efficient. The elaboration of standardized catalogs, also can, to contribute for the appearance of new electronic services. The necessary technologies are presented to the construction of the catalogs, demonstrating the main involved concepts. It will be demonstrated, that the current technology turns possible the development of specialized services of search of information for the Internet. A project was elaborated for the area of the civil construction, facilitating the automation of the process of budgets among participant companies of the negotiation, turning both, buyer and vendor, more efficient. The necessary aspects will be approached, involved in the development of the application. Key Words Electronic Commerce, catalogs, XML, standardization, interoperability, search services, Servlet.

10 v SUMÁRIO 1. Introdução Objetivos Motivação Metodologia Adotada Estrutura do Trabalho Conceitos de Comércio Eletrônico Considerações Iniciais Histórico e impactos da Internet na sociedade Definições de comércio eletrônico As organizações e o Comércio Eletrônico A necessidade de novas formas de busca de informação Fatores restritivos e críticas à Internet Inadequação da legislação Desenvolvimento da criança e do adolescente Privacidade Pornografia Mensurabilidade Congestionamento Fatores restritivos ao comércio eletrônico Segurança Custos As formas de pagamento A tradição dos Varejistas Novas tecnologias em Comércio Eletrônico Aspectos importantes sobre a implantação de comércio eletrônico Iniciativas para o desenvolvimento do comércio eletrônico A proposta da CommerceNet A especificação RosettaNet Arquitetura OMG Módulo de dados semânticos Módulo de negociação Módulo de Pagamento Eletrônico Módulo de Gerenciamento de Serviços Módulo de Controle de Contratos Módulo IPR Intellectual Property Right Módulo Object Browser componentes para Desktops Módulo de Agências Módulo de catálogos A Intenção do presente trabalho...33

11 vi 3. Tecnologias envolvidas na criação de catálogos eletrônicos HTML Definição Pontos importantes a respeito de HTML O Formato do HTML Vantagens e limitações do HTML XML Definição Documentos válidos e bem formados As vantagens da XML Elaboração de um documento XML Novas formas de pesquisa com XML Pontos chaves Busca Convencional X Busca Otimizada DTD Definição Utilização da DTD em um documento XML Detalhes para a construção de DTDs Validação de um documento XML com a DTD XSL Definição Princípios do modelo XSL A arquitetura XSL RDF Introdução O modelo de dados RDF Exemplo da utilização de RDF Vantagens do RDF DOM Definição O Modelo DOM Vantagens do DOM Catálogos Eletrônicos Definição Interatividade Atualização dinâmica Hipertextualidade Presença global Características funcionais dos catálogos eletrônicos Tipos de catálogos eletrônicos Catálogos e as novas formas de busca...56

12 vii 4.5. Catálogos Customizados Catálogos interoperáveis Modelo Empresarial básico Benefícios para os envolvidos na adoção dos catálogos Uma visão prática dos Catálogos Publicação de um catálogo XML em um site da Web O catálogo como uma ferramenta de vendas XQL Desenvolvimento da aplicação Internet PesqNet Introdução A elaboração dos catálogos Java Definição A plataforma Java Importância de Java para a aplicação PesqNet Java Web Server CGI Servlets Definição Vantagens do Servlet Criação do Servlet para a aplicação PesqNet Conclusões e Considerações Finais Referências Bibliográficas Anexos Código fonte do DTD O catálogo XML O código fonte da aplicação Pesqnet...89

13 viii LISTA DE FIGURAS Figura 1 Entidades envolvidas no padrão SET...21 Figura 2 Segurança no navegador...22 Figura 3 Transferência da conta bancária para o disco rígido do cliente...24 Figura 4 Tela que permite a transferência da conta bancária para o disco rígido...25 Figura 5 Principais Módulos...30 Figura 6 Validacão de um documento XML...47 Figura 7 Geração de várias apresentações à partir de um mesmo documento XML...47 Figura 8 Representação de uma árvore no DOM...52 Figura 9 Características mais importantes para um catálogo eletrônico...55 Figura 10 Comparação da importância de navegação X pesquisa Figura 11 Interação dos catálogos virtuais criados em XML...60 Figura 12 Conversão de XML em HTML no servidor...62 Figura 13 Conversão de XML em HTML no Cliente...62 Figura 14 Representação do catálogo num navegador XML da Web...63 Figura 15 Canal de comunicação ( push ) com o cliente...64 Figura 16 Microsoft XML Notepad Beta Figura 17 O catálogo sendo editado no XML SPY Figura 18 Catálogo do fornecedor Irmãos Furgeri...69 Figura 19 Catálogo do fornecedor Constrular...69 Figura 20 Catálogo do fornecedor Boa Obra...69 Figura 21 Passos para a criação de uma classe Java...71 Figura 22 Java Server da Sun...72 Figura 23 Servlet sendo executado no servidor HTTP...73 Figura 24 A tela principal da aplicação PesqNet...74 Figura 25 Tela contendo os resultados da pesquisa...76

14 ix LISTA DE TABELAS Tabela 1 Exemplos de Tags em XML...39 Tabela 2 Diferenças entre a busca convencional e a otimizada Tabela 3 Algumas convenções utilizadas na DTD...46

15 x LISTA DE QUADROS Quadro 1 Declaração de um resource...50 Quadro 2 Exemplo de RDF...50 Quadro 3 Geração do modelo DOM...75 Quadro 4 Como o valor de um produto é encontrado...75 Quadro 5 Criação da tabela HTML através da linguagem Java...76

16 Introdução Introdução Durante um considerável período de tempo, a Web foi encarada apenas como um novo meio de comunicação, sem uma clara definição de aplicações voltadas aos negócios. Se essa vocação para negócios não tivesse sido percebida e aceita pela comunidade de usuários, a Internet não teria conseguido um crescimento tão veloz, transformando se numa ferramenta para um enorme mercado consumidor. O comércio eletrônico está cada vez mais emergindo no mercado e como conseqüência, surge uma grande oportunidade de novos negócios num ambiente globalizado, apoiado pelas inovadoras tecnologias de comunicação. Muitas empresas estão mudando sua forma de atuação para reduzir custos operacionais, melhorar o atendimento ao consumidor e estabelecer sua presença pelo mundo inteiro, independente de sua localização atual. Computadores, soluções de rede e software, simplificam e aumentam comunicação entre parceiros em diferentes continentes e proporcionam práticas de negócio inovadoras. A convergência de atividades comerciais, rede de computadores e formas de pagamento, são fundamentos básicos para a construção de um mercado eletrônico global. A informação por si só, sua manipulação e recuperação, está se tornando um dos bens mais importantes no mercado on line, proporcionando negócios inovadores e o surgimento de novas formas de trabalho. Devido a essas as formas de negociação, surgem várias questões que precisam ser resolvidas para que o comércio eletrônico possibilite um mercado global. Muitos padrões estão evoluindo e várias empresas estão realizando trabalhos na tentativa de estabelecer meios e métodos comuns de negociação, de formas de pagamento, de segurança, de divulgação da informação. Vários aspectos precisam ser resolvidos antes que uma inovação possa ser alcançada no mercado. Devido a rápida evolução neste setor de negócio, as soluções para os problemas de implantação e padronização ainda são vagos, porém não há duvidas que novos desafios e oportunidades estão surgindo, para clientes, empresas e instituições financeiras. Apoiadas nas novas tecnologias, as empresas vêem no comércio eletrônico uma nova maneira de redução de custos, agilidade, detecção do perfil dos clientes e aumento dos limites organizacionais. Com relação a divulgação da informação, novas soluções tem surgido e novos padrões tem emergido no mercado, numa tentativa de padronizar as formas da construção da informação, pois os consumidores, de qualquer nível, têm dificuldade em localizar produtos que desejam na Web, dada a imensa quantidade de páginas de diferentes fornecedores. Para agilizar essa busca, torna se necessário a padronização da disponibilização da informação, propiciando o aparecimento de serviços de buscas mais eficazes, que devem possam encontrar as informações, independentemente do local onde ela se encontra, e demonstrá las num mesmo formato, para que o consumidor possa tomar decisões rapidamente. Isso possibilitará a comparação de produtos de diversos fornecedores ao mesmo tempo. Conforme descrevemos, existem, portanto, vários aspectos em pauta que precisam ser resolvidos e padronizados para que haja um maior desenvolvimento do comércio eletrônico Objetivos O principal objetivo desta dissertação é descrever os principais fundamentos à respeito do comércio eletrônico e demonstrar algumas iniciativas de padronização, enfatizando o desenvolvimento de catálogos eletrônicos, um dos componentes essenciais para integração de empresas participantes das negociações. Além disso, demonstra se que através da criação de

17 Introdução - 12 catálogos eletrônicos, utilizando as novas tecnologias, já é possível a criação de inovadoras formas de pesquisa de informações na rede Internet. São demonstradas as tecnologias envolvidas nesse processo, culminando com o desenvolvimento de uma aplicação, que visa demonstrar na prática, os conceitos estudados Motivação Os motivos para o desenvolvimento deste projeto, foram os seguintes: A afinidade com o tema, atuando como docente 1 em disciplinas afins a este assunto. As disciplinas do Programa de Mestrado, que contribuíram para consolidar e, principalmente, ampliar e atualizar nosso conhecimento sobre este assunto. A emergência do comércio eletrônico, pois sempre existe a possibilidade de ascensão profissional Metodologia Adotada Esta dissertação está fundamentada na atualização da pesquisa bibliográfica realizadas, principalmente, em publicações recentes, já que o assunto em questão é atual, onde se procurou dar prioridade para materiais que tratam das abordagens contemporâneas, fundamentais para analisar e apresentar as potencialidades da utilização do comércio eletrônico, como uma ferramenta de negócio. Devido ao fato do assunto ser relativamente novo a maioria das referências citadas foram retiradas de sites da Internet. Buscou se, inicialmente, o desenvolvimento de uma aplicação de comércio eletrônico envolvendo a criação e manipulação de catálogos eletrônicos,; uma vez concretizado seu desenvolvimento, foram descritos os principais conceitos e tecnologias envolvidas no processo Estrutura do Trabalho O capítulo 2 apresenta panorama geral sobre comércio eletrônico abordando seus aspectos principais, seus problemas de implementação e algumas propostas para seu desenvolvimento. O capítulo 3 apresenta as tecnologias necessárias para a criação e manipulação de catálogos eletrônicos. O capítulo 4 fornece os conceitos básicos sobre catálogos eletrônicos, seus tipos principais, suas características físicas e funcionais, e os benefícios de implementação. O capítulo 5 demonstra as tecnologias e procedimentos envolvidos para a elaboração de uma aplicação Internet, voltada à pesquisa de informações em catálogos XML. O capítulo 6 apresenta as conclusões gerais sobre essa dissertação. O capítulo 7 contém as referências bibliográficas. O capítulo 8 contém anexos referentes aos códigos criados na implementação da aplicação. 1 Desde 1995, na Fundação Indaiatubana de Educação e Cultura nos cursos de Processamento de dados.

18 Conceitos de Comércio Eletrônico Conceitos de Comércio Eletrônico O objetivo deste capítulo é apresentar um panorama geral sobre comércio eletrônico, suas principais definições, características, restrições de utilização e algumas propostas para seu desenvolvimento Considerações Iniciais Para um primeiro contato com o tema, e para avaliar sua amplitude e complexidade, discorremos a seguir sobre algumas questões fundamentais: Histórico e impactos da Internet na sociedade Definições de Comércio Eletrônico As organizações e o Comércio Eletrônico A necessidade de novas formas de busca de informações Histórico e impactos da Internet na sociedade A Internet nasceu como um projeto do Departamento de Defesa norte americano desenvolvido pela Advanced Research Projects Agency (ARPA) e, por isso, recebeu o nome de ARPANET. A arquitetura da ARPANET foi desenvolvida de 1959 a 1969 e tinha como objetivo principal fornecer um sistema distribuído de comunicações entre computadores que poderia sobreviver a um ataque, de forma que, mesmo se uma parte do sistema fosse perdida, o resto da rede poderia continuar funcionando [Eager, 1995]. Nos anos 1970, as universidades e outras instituições, que faziam trabalhos relativos à defesa, tiveram permissão para se conectar à ARPANET. Em 1975 existiam aproximadamente 100 sites. As facilidades de comunicação e troca de dados propiciadas pela Internet já permitiam que na metade dos anos 80 houvesse interesse tal entre pesquisadores, educadores e pessoal envolvido em defesa que já se "justificava o estabelecimento de negócios para a fabricação de equipamentos especificamente para a implementação da Internet. Empresas tais como a Cisco Systems, a Proteon e, posteriormente, a Wellfleet (atualmente Bay Networks) e a 3Com, começaram a se interessar pela fabricação e venda de Roteadores 2, equipamentos necessários à conexão[morgado, 1998]. A década de 90 marcou a Internet pela introdução de serviços que a tornaram mais popular, visto que eram dirigidos a um público amplo. Entre 1993 e 1994 foram distribuídas 2 milhões de cópias pela Internet do software Mosaic, o Browser multimídia para a WWW, escrito por Marc Andreesen, na época um estudante de graduação da Universidade de Illinois. Esse software alcançou popularidade incrível e pode ser considerado um marco na história da Internet. Browsers como o Mosaic tornaram o acesso à rede quase intuitivo e, ainda durante a década de 90, surgiram os instrumentos de pesquisa como Yahoo, Infoseek e Altavista que facilitavam sobremaneira a busca de informações. Antigos serviços on line como América On Line, Prodigy e Compuserve passaram a prover acesso à Internet. Os microcomputadores começaram a vir de fábrica com os softwares necessários para acesso à rede previamente instalados e, paralelamente a isso, houve um incremento enorme no número de provedores 3 de acesso [Morgado, 1998]. 2 Roteadores - Equipamentos necessários a conexão entre computadores ligados em rede. 3 Provedores - Empresas prestadoras de serviço que fornecem aos clientes a conexão à Internet.

19 Conceitos de Comércio Eletrônico - 14 Diversos fatores ajudaram a gerar uma cobertura intensa sobre a Internet na imprensa internacional. Nos Estados Unidos a entrada da Casa Branca na rede em 1993, com os usuários podendo endereçar e mails ao presidente, ao vice presidente e à primeira dama teve impacto mundial. Semelhante impacto foi trazido pela presença de Fidel Castro e do Papa João Paulo II na rede. Novidades tecnológicas como transmissão de vídeo e rádio, ferramentas para seleção de conteúdo e salas de conversação ajudaram a disseminar ainda mais a Internet. No Brasil o progresso das redes é creditado ao professor Oscar Sala, da Universidade de São Paulo, que fez chegar a rede Bitnet em fins de 1988, conectando a Fapesp ao Fermilab nos Estados Unidos. Em 1991 a Fapesp conseguiu fazer a primeira ligação com a Internet e, alguns meses depois, estabeleceu se outra linha internacional, ligando dessa vez o Núcleo de Computação Eletrônica da UFRJ. Em 1995, com a posse do governo Fernando Henrique Cardoso, foi estabelecido o Comitê Gestor da rede Internet no Brasil e que tinha a função de coordenar e incentivar sua implantação no país. Ao mesmo tempo a RNP (Rede Nacional de Pesquisas), que havia iniciado a instalação de um backbone nacional em 1991, decidiu tornar se uma rede mista, voltada para o tráfego acadêmico e comercial, constituindo se na única a ter cobertura nacional e a responsável pelo acentuado progresso da Internet no Brasil [Morgado, 1998]. Nota se, portanto, que depois de uma longa história de desenvolvimento entre as comunidades acadêmica e militar, aparece, por volta de 1993, para a grande massa. Desde então, a Internet tem recebido grande atenção dos meios de comunicação, gerando muito interesse para o público em geral, e para os profissionais dos mais diversos ramos de atividade. Se difundiu com tal rapidez que, hoje, poucos anos depois, a troca de endereços de e mails entre conhecidos e os comentários sobre as novidades das home pages já se tornou prática corriqueira. As modificações propiciadas pela nova tecnologia são tão significativas que é fundamental alocar esforços para analisá las e procurar entendê las, particularmente quando se pensa nos desenvolvimentos tecnológicos que ainda estão por vir. Modems e sistemas de transmissão de dados cada vez mais velozes, o aumento assombroso da capacidade de processamento dos computadores pessoais, a integração da telefonia e da televisão à Internet e eletrodomésticos e outros aparelhos domésticos ligados em rede por computador são só alguns exemplos da revolução que se aproxima Definições de comércio eletrônico Várias definições de comércio eletrônico podem ser encontradas na literatura: Comércio eletrônico é definido como uma tecnologia empresarial que satisfaz a necessidade dos participantes de um mercado global [Kalakota & Whinston, 1996]. O Mercado existe porque milhões de pessoas usam seus computadores para se comunicar... e onde há comunicação, existe comércio [Levinson & Rubin, 1996]. "as características de comércio eletrônico estão trocando bens e serviços por dinheiro usando as capacidades da Internet" [Lynch & Lundquist, 1996]. Comércio eletrônico é um termo equivalente a comprar e vender produtos, serviços e informação através de uma infra estrutura de redes [Kalakota & Whinston, 1996]. É um desses casos raros onde necessidades variáveis e tecnologias novas vêm revolucionar o modo no qual negócio é conduzido [ESPRIT Project, 1996].

20 Conceitos de Comércio Eletrônico - 15 Com todas essas definições, nota se que comércio eletrônico é uma poderosa ferramenta de negócio para as organizações que, apoiando se sobre a infra estrutura de redes e as novas tecnologias, ampliam seus mercados e tornam se mais competitivas. A seguir são descritos alguns conceitos envolvidos no comércio eletrônico. One to One Marketing: Os Sistemas de comércio eletrônico passam a incorporar regras de negócio voltadas para a determinação do perfil dos clientes e oferecimento de promoções e produtos complementares. Através das técnicas de One to One Marketing pode se personalizar totalmente as sessões de consulta de clientes a sites de Comércio Eletrônico, maximizando as possibilidades de venda e oferecendo um tratamento personalizado. Produção "Build to Order" e "Mass Customization": Os produtos oferecidos em sites de comércio eletrônico passam a ser produzidos seguindo exatamente a especificação do cliente. Através da utilização de regras de negócio voltadas para a configuração de produtos, os sistemas podem guiar o usuário durante todo o processo de configuração, possibilitando a criação de produtos totalmente personalizados. Customer Care: "Cuidar" bem do cliente, antecipando se com relação a suas necessidades também é um dos desafios dos sistemas de comércio eletrônico. Por exemplo, pode se utilizar regras de negócio para automatizar a condução do relacionamento com o cliente através da emissão inteligente de e mails. Integração da Cadeia de Fornecimento (Supply Chain Integration): A integração entre os elementos de toda a cadeia de fornecimento (cliente, sites de E Commerce, fornecedores, terceiros) passa a ser muito maior em relação aos métodos tradicionais. Sistemas que integram toda a cadeia de fornecimento consistem em uma nova filosofia de negócios. Fabricação "Just in time": Os produtos passam a ser produzidos somente em função de pedidos específicos. Com isso consegue se uma diminuição nos níveis de estoque. Em indústrias, a tendência é que sistemas de comércio eletrônico sejam conectados a softwares de ERP para que se possa viabilizar a fabricação just in time em função de pedidos oriundos da Internet As organizações e o Comércio Eletrônico Atualmente, comércio eletrônico está explodindo no mercado e como conseqüência, uma grande oportunidade de novos negócios num ambiente globalizado. Companhias estão mudando dramaticamente para reduzir custos operacionais, melhorar o atendimento ao consumidor e estabelecer sua presença pelo mundo inteiro, independente da localização atual dos escritórios da companhia. A convergência de comércio, rede de computadores e dinheiro são fundamentos básicos para a construção de um mercado eletrônico global. Hoje, computadores, soluções de rede e software, simplificam e aumentam a comunicação entre parceiros em diferentes continentes e proporcionam práticas de negócio inovadoras. Os varejistas acompanham de perto o chamado "marketing interativo", fascinados pela habilidade para se dirigir ao consumidor, colher e recuperar sua resposta. Há também o atrativo da redução de custos: a eliminação da loja física e, consequentemente dos custos associados a ela, permitiria que os varejistas triplicassem suas margens [Cap Gemini, 1998]. Por outro lado, para os fabricantes, uma grande atração da rede é a possibilidade de comercializar produtos mundialmente. A facilidade de acesso ao consumidor, poderia fazer

21 Conceitos de Comércio Eletrônico - 16 com que a distribuição direta se transformasse na regra, deixando de ser a exceção, tornando possível, de maneira rápida e barata, personalizar os produtos comprados. Um outro aspecto que chama a atenção é relativo aos impactos na maneira pela qual as empresas se comunicam com seus clientes. Deverá haver um redirecionamento na maneira de se relacionar com o mercado a propaganda, a pesquisa de mercado e o marketing em geral deveriam mudar sua forma de atuação, saindo da divulgação em massa para a divulgação dirigida. Nessa nova forma de negociação, surgem várias questões que necessitam ser resolvidas para que o comércio eletrônico e os sistemas de pagamento possibilitem um mercado global. Com o crescimento sem precedente da Internet, estão evoluindo ainda os padrões para comércio eletrônico e formas eletrônicas de dinheiro. Nenhuma unidade governamental de dinheiro fixou uma posição segura neste novo campo, sendo assim, muitas preocupações e dúvidas surgem com o uso de formas eletrônicas de dinheiro, cheques eletrônicos, cartões de crédito/débito entre outros. É preciso de alguma forma definir quais são as preferências dos consumidores. Várias aspectos, como estes citados acima, precisam ser resolvidos, antes que uma inovação possa ser alcançada no mercado. Por causa da rápida evolução neste setor de negócio, as respostas para estas perguntas ainda são vagas e obscuras. Oportunidades novas e desafios em negócio surgem para indivíduos, firmas e bancos. O Comércio eletrônico oferece um mercado novo para produtos existentes: isto significa que clientes podem ser servidos, via uma nova forma de distribuição de vendas e canal de serviço. Fatos como o baixo custo da publicidade global e a habilidade em alcançar um vasto número de clientes têm um impacto na distribuição existente e no mecanismo de vendas [Kalakota, 1996]. Também as barreiras para pequenos negócios diminuem. Estas circunstâncias estão oferecendo uma boa oportunidade para idéias inovadoras. Ao lado dos produtos existentes, novos serviços e produtos podem surgir agarrados ao ambiente on line. Produtos baseados em informação, como bancos de dados on line ou revistas eletrônicas, poderiam tornar se categorias novas para a indústria. Também o setor de indústria chamado "edutainment", uma mistura de educação e entretenimento, poderiam começar a florescer neste ambiente. A administração pode melhorar suas decisões sobre metas estratégicas, usando informação on line em dia para apoiar a decisão. A coordenação de processos de negócio ou workflows pode ser aumentada e podem ser habilitadas operações mais rápidas ao longo da cadeia de suprimentos. Permite companhias serem mais eficientes e flexíveis em suas operações internas, trabalharem mais de perto com seus fornecedores e serem mais rápidas atendendo às necessidades de seus clientes. A força motriz do comércio eletrônico é a redução de despesas, além de melhorar a qualidade de produtos e serviços, aumentando a velocidade de entrega A necessidade de novas formas de busca de informação Com relação à divulgação da informação, novas soluções têm surgido e novos padrões vêm emergindo no mercado, numa tentativa de padronizar as formas da construção da informação. Consumidores de qualquer nível têm dificuldade em localizar produtos que desejam na Web, dada a imensa quantidade de páginas de diferentes fornecedores. Para agilizar essa busca, torna se necessário a padronização de serviços de procura que devem encontrar a informação, independentemente do local onde ela se encontra e demonstrá la num mesmo formato, para que o consumidor possa tomar decisões rapidamente. Isso facilita a comparação de produtos de diversos fornecedores ao mesmo tempo.

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