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1 1 AUTISMO Autismo é um distúrbio do desenvolvimento que se caracteriza por alterações presentes desde idade muito precoce, com impacto múltiplo e variável em áreas nobres do desenvolvimento humano como as áreas de comunicação, interação social, aprendizado e capacidade de adaptação. De acordo com estudos recentes o autismo é mais freqüente em pessoas do sexo masculino. O autismo incide igualmente em famílias de diferentes raças, credos ou classe social. As causas do autismo são desconhecidas. Acredita-se que a origem do autismo esteja em anormalidade em alguma parte do cérebro ainda não definida de forma conclusiva e, provavelmente, de origem genética. Além disso, admite-se que possa ser causado por problemas relacionados a fatos ocorridos durante a gestação ou no momento do parto.

2 2 MANIFESTAÇÕES MAIS COMUNS O autismo pode manifestar-se desde os primeiros dias de vida. O que inicialmente chama atenção dos pais, é que a criança é excessivamente calma e sonolenta ou então que chora sem consolo durante prolongados períodos de tempo, o que chama também a atenção dos pais é que o bebe não gosta do colo ou rejeita o aconchego. Mais tarde pode-se notar que o bebê não imita, não aponta no sentido de compartilhar sentimentos ou sensações e não aprende a se comunicar com gestos comumente observados na maioria dos bebês, como acenar as mãos pra cumprimentar ou despedir-se. Geralmente não mantêm contato visual ou mantêm por um período curto de tempo. É comum o aparecimento de estereotipias, que podem ser movimentos repetiti vos com as mãos ou com o corpo, a fixação do olhar nas mãos por períodos longos e hábitos como o de morder-se, morder as roupas ou puxar cabelos. Há também problemas de alimentação, podendo se manifestar pela recusa a se alimentar ou gosto restrito a poucos alimentos. 30% dos casos de autismo ocorre epilepsia. As manifestações citadas são as mais comuns, mas não são condições necessárias ou suficientes para o diagnostico de autismo.para algumas instituições, para efeito de intervenção, é que o autismo é um distúrbio do comportamento que consiste em uma tríade de dificuldades: Dificuldade de comunicação: caracterizada pela dificuldade em utilizar com sentido todos os aspectos todos os aspectos da comunicação verbal e não verbal. Isso inclui gestos, expressões faciais, linguagem corporal, ritmo e modulação na linguagem verbal. Muitas das crianças que apresentam linguagem verbal repetem simplesmente o que lhes foi dito. Esse fenômeno é conhecido como ecolalia imediata.outras crianças repetem frases ouvidas há horas, ou até mesmo dias antes, é a chamada ecolalia tardia.

3 3 Dificuldade de socialização: é o ponto crucial no autismo. Significa a dificuldade em relacionar-se com os outros, a incapacidade de compartilhar sentimentos, gostos e emoções e a dificuldade na discriminação entre diferentes pessoas. Dificuldade no uso da imaginação: caracteriza-se por rigidez e inflexibilidade e se estende a varias áreas do pensamento, linguagem e comportamento da criança. Isso pode ser exemplificado por comportamentos obsessivos e ritualísticos, compreensão literal da linguagem, falta de aceitação das mudanças e dificuldades em processos criativos.

4 4 CRITÉRIOS PARA DIAGNÓSTICO DO AUTISMO No Brasil, o diagnóstico do autismo oficial é organizado pelo CID-10, código internacional de doenças, décima edição. No entanto, é importante saber que os diagnósticos do Autismo e de outros quadros do espectro são obtidos através de observação clínica e pela história referida pelos pais ou responsáveis. Assim, não existem marcadores biológicos que definam o quadro. Alguns exames laboratoriais podem permitir a compreensão de fatores associados a ele, mas ainda assim o diagnóstico do autismo é clínico. Além da CID-10, outros manuais procuraram organizar o entendimento das doenças. Entre eles, tem sido bastante utilizado o Manual de Classificação de Doenças Mentais da Associação Americana de Psiquiatria, o DSM, que está na 4a edição. O DSM-IV é relativamente parecido com o CID-10. A seguir apresentamos a proposta atual para o DSM-V e o CID-10. MANUAL DE DIAGNÓSTICO E ESTATÍSTICO PARA AUTISMO - DSM-IV Os mais atuais critérios de diagnóstico da DSM-IV até o momento, que ilustram as características do indivíduo autista, são: Importante: As informações a seguir servem apenas como referência. Um diagnóstico exato é o primeiro passo importante em qualquer situação; tal diagnóstico pode ser feito apenas por um profissional qualificado que esteja a par da história do indivíduo. CRITÉRIOS DE DIAGNÓSTICO DO AUTISMO A. Somar um total de seis (ou mais) itens dos marcadores (1), (2), e (3), com pelo menos dois do (1), e um do (2) e um do (3). 1. Marcante lesão na interação social, manifestada por pelo menos dois dos seguintes itens:

5 5 a. Destacada diminuição no uso de comportamentos não-verbais múltiplos, tais como contato ocular, expressão facial, postura corporal e gestos para lidar com a interação social. b. Dificuldade em desenvolver relações de companheirismo apropriadas para o nível de comportamento. c. Falta de procura espontânea em dividir satisfações, interesses ou realizações com outras pessoas, por exemplo: dificuldades em mostrar, trazer ou apontar objetos de interesse. d. Ausência de reciprocidade social ou emocional. 2. Marcante lesão na comunicação, manifestada por pelo menos um dos seguintes itens: a. atraso ou ausência total de desenvolvimento da linguagem oral, sem ocorrência de tentativas de compensação através de modos alternativos de comunicação, tais como gestos ou mímicas. b. em indivíduos com fala normal, destacada diminuição da habilidade de iniciar ou manter uma conversa com outras pessoas. c. ausência de ações variadas, espontâneas e imaginárias ou ações de imitação social apropriadas para o nível de desenvolvimento. 3. Padrões restritos, repetitivos e estereotipados de comportamento, interesses e atividades, manifestados por pelo menos um dos seguintes itens: a. Obsessão por um ou mais padrões estereotipados e restritos de interesse que seja anormal tanto em intensidade quanto em foco. b. Fidelidade aparentemente inflexível a rotinas ou rituais não funcionais específicos. c. Hábitos motores estereotipados e repetitivos, por exemplo: agitação ou torção das mãos ou dedos, ou movimentos corporais complexos. d. Obsessão por partes de objetos.

6 6 B. Atraso ou funcionamento anormal em pelo menos uma das seguintes áreas, com início antes dos 3 anos de idade: 1. Interação social. 2. Linguagem usada na comunicação social. 3. Ação simbólica ou imaginária. C. O transtorno não é melhor classificado como transtorno de Rett ou doença degenerativa infantil. CRITÉRIOS PARA DIAGNÓSTICO DO AUTISMO (CID-10) Pelo menos 8 dos 16 itens especificados devem ser satisfeitos. A. LESÃO MARCANTE NA INTERAÇÃO SOCIAL RECÍPROCA, MANIFESTADA POR PELO MENOS TRÊS DOS PRÓXIMOS CINCO ITENS: 1. Dificuldade em usar adequadamente o contato ocular, expressão facial, gestos e postura corporal para lidar com a interação social. 2. Dificuldade no desenvolvimento de relações de companheirismo. 3. Raramente procura conforto ou afeição em outras pessoas em tempos de tensão ou ansiedade, e/ou oferece conforto ou afeição a outras pessoas que apresentem ansiedade ou infelicidade. 4. Ausência de compartilhamento de satisfação com relação a ter prazer com a felicidade de outras pessoas e/ou de procura espontânea em compartilhar suas próprias satisfações através de envolvimento com outras pessoas. 5. Falta de reciprocidade social e emocional. B. MARCANTE LESÃO NA COMUNICAÇÃO: 1. Ausência de uso social de quaisquer habilidades de linguagem existentes. 2. Diminuição de ações imaginativas e de imitação social. 3. Pouca sincronia e ausência de reciprocidade em diálogos. 4. Pouca flexibilidade na expressão de linguagem e relativa falta de criatividade e imaginação em processos mentais.

7 7 5. Ausência de resposta emocional a ações verbais e não verbais de outras pessoas. 6. Pouca utilização das variações na cadência ou ênfase para refletir a modulação comunicativa. 7. Ausência de gestos para enfatizar ou facilitar a compreensão na comunicação oral. C. PADRÕES RESTRITOS, REPETITIVOS E ESTEREOTIPADOS DE COMPORTAMENTO, INTERESSES E ATIVIDADES, MANIFESTADOS POR PELO MENOS DOIS DOS PRÓXIMOS SEIS ITENS: 1. Obsessão por padrões estereotipados e restritos de interesse. 2. Apego específico a objetos incomuns. 3. Fidelidade aparentemente compulsiva a rotinas ou rituais não funcionais específicos. 4. Hábitos motores estereotipados e repetitivos. 5. Obsessão por elementos não funcionais ou objetos parciais do material de recreação. 6. Ansiedade com relação a mudanças em pequenos detalhes não funcionais do ambiente. D. ANORMALIDADES DE DESENVOLVIMENTO DEVEM TER SIDO NOTADAS NOS PRIMEIROS TRÊS ANOS PARA QUE O DIAGNÓSTICO SEJA FEITO.

8 8 ABA (Applied Behavior Analysis) Esse tratamento visa trabalhar comportamentos ao nível social (contato visual, comunicação funcional) e acadêmicos (pré -requisitos para leitura, escrita e matemática). Outro dos objetivos é reduzir comportamentos indesejados que possam interferir no desenvolvimento e integração da criança (Ex.: agressões, autoagressões, agressões verbais, maneirismos motores). Neste tratamento treina-se também AVD s (atividade de vida diária). O objetivo em longo prazo é ajudar o individuo a desenvolver competências que lhe permitam ser independentes e bem sucedidos nas diferentes áreas de ocupação. No ABA habilidades geralmente são ensinadas em uma situação de um aluno com um professor via a apresentação de uma instrução ou uma dica, com o professor auxiliando a criança através de uma hierarquia de ajuda (chamada de aprendizagem sem erro). As oportunidades de aprendizagem são repetidas muitas vezes, até que a criança demonstre a habilidade sem erro em diversos ambientes e situações. A principal característica do tratamento ABA é o uso de consequências favoráveis ou positivas (reforçadoras). Inicialmente, essas consequências são extrínsecas (ex. uma guloseima, um brinquedo ou uma atividade preferida). Entretanto o objetivo é que, com o tempo, consequências naturais (intrínsecas) produzidas pelo próprio comportamento sejam suficientemente poderosas para manter a criança aprendendo. Durante o ensino, cada comportamento apresentado pela criança é registrado de forma precisa para que se possa avaliar seu progresso.

9 9 TEACCH (Treatment and Education of Autistic and related Communication Handicapped Children) O TEACCH é um programa estruturado que fornece diretrizes objetivas e claras a cerca como se deve avaliar e intervir, envolvendo processos psico-educacional da criança. As estratégias baseiam-se sempre nos pontos fortes da criança e adéquam-se aos seus padrões de aprendizado e pensamento. No método TEACCH o profissional deve encontrar estratégias mais adequadas de modo a responder as necessidades da criança. Através da criação de situações de ensino estruturado com o apoio de materiais e atividades adequadas as necessidades da criança. Através de ensino estruturado é possível fornecer informações claras e objetivas da rotina da criança, mantendo um ambiente calmo e previsível. Uma das principais características desse método é a disponibilização de informações visuais e plano de trabalho. As informações visuais caracterizam-se por: Áreas de trabalho identificadas; Mostrar em que espaços vão ser realizados as tarefas; Informar visualmente o próprio aluno (horário individual); Horários visuais claros auxiliam os alunos com autismo: Minimizam os problemas de memória e atenção; Reduzem problemas relacionados com a noção de tempo e organização; Compensam as dificuldades ao nível da linguagem receptiva; Motivar o aluno a realizar as atividades; Mostrar as atividades a realizar e em que sequência;

10 10 Prevenir a desorganização interior e as crises de angústia; Possibilitar a independência e autonomia; Plano de trabalho caracteriza-se por: Mostrar as tarefas a realizar na área de trabalho; Ajudar a perceber o que é esperado dele, a organizar o seu trabalho e a completar as suas tarefas; São compostos por imagens, palavras, objetos reais; Fornece informações tão importantes como: Que tarefas realizar; Quantidade de tarefas a elaborar; Noção de sequência temporal; Cartão de transição informa o aluno que deverá dirigir -se à área de transição e consultar o seu horário;

11 11 REFERÊNCIAS Disponível em: Acessado em: 30/09/2014 Disponível em: Acessado em: 30/09/2014 Disponível em: autismoerealidade.org/ Acessado em: 30/09/2014 MELLO, Ana Maria S, Ros de - Autismo: guia prático / Ana Maria S. Ros de Mello; colaboração: Marialice de Castro Vatavuk.. 4.ed. São Paulo : AMA; Brasília : CORDE, p. : il. 21cm.

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