Revisão Tarifária Escelsa. Etapa I. Reposicionamento Tarifário. Metodologia e Critérios

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1 Revisão Tarifária Escelsa Etapa I Reposicionamento Tarifário Metodologia e Critérios

2 APRESENTAÇÃO A ESCELSA foi privatizada em 11 de julho de 1995, sendo as concessões outorgadas pelo Decreto de 13 de julho de 1995, publicado no Diário Oficial de 14 de julho de 1995, vindo a assinar Contrato de Concessão em 17 de julho de Dentre as disposições constantes do citado contrato sobre a tarifa de energia elétrica constam que: as tarifas poderão ser reajustadas a critério do Poder Concedente e que as mesmas deverão se revisadas a cada 3 anos contados a partir da data de assinatura. A Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL promove o Processo de Revisão Tarifária da Espírito Santo Centrais Elétricas S/A ESCELSA, tendo em vista os termos do inciso V, do artigo 29, da Lei nº 8987, de 13 de fevereiro de 1995, o disposto na Norma Organizacional ANEEL- 001/98, de 14 de julho de 1998, e as disposições da subcláusula terceira, da cláusula nona, do Contrato de Concessão nº 001/95, firmado em 17 de julho de 1995, que conterá as seguintes etapas: ETAPA I Reposicionamento Tarifário. Esta etapa consiste na análise do equilíbrio econômico-financeiro da Concessionária, com vistas ao compartilhamento com os consumidores de ganhos de eficiência. Para pleno atendimento dessa etapa, procede-se a Consulta Pública objetivando coletar contribuições da sociedade para o aprimoramento dos critérios que embasarão o reposicionamento tarifário. Para orientar as contribuições, a ANEEL está oferecendo à análise da sociedade, além de outros elementos, a presente proposta de metodologias e critérios a serem empregados no reposicionamento tarifário. ETAPA II Redefinição dos Compromissos. Esta etapa consiste na redefinição dos compromissos da Concessionária, compreendendo, entre outros, as metas de qualidade dos serviços, de eficiência técnica e operacional e critérios de reajuste anual das tarifas. Assim como a primeira etapa, esta também contará com Consulta Pública para recolhimento de subsídios para a redefinição dos compromissos, a qual será oportunamente subsidiada com informações e critérios. A razão fundamental de efetuarem-se revisões tarifárias a intervalos específicos é consistente com o conceito de que as empresas tendem a promover uma maior eficiência na gestão de suas operações e com isso a propiciar aos controladores ganhos crescentes. Assim sendo, no momento da revisão busca-se identificar o custo adequado do serviço, de forma a repartir com os consumidores os ganhos de eficiência alcançados. 2

3 I. METODOLOGIA E CRITÉRIOS Esta nota discorre sobre metodologias e critérios a serem aplicados no processo de reposicionamento tarifário da ESCELSA e aborda questões que a ANEEL destaca como relevantes para consideração. Estas questões estão associadas com um modelo de regulação de tarifas ora proposto pela ANEEL aplicável à primeira revisão de tarifas da ESCELSA. Este modelo é fundamentalmente baseado na regulação através do custo adequado do serviço que satisfaça os requisitos necessários a manutenção do equilíbrio econômico da empresa, conforme estabelecido no contrato de concessão. As tarifas decorrentes devem ser fixadas para refletir os custos adequadamente incorridos e que são atribuídos ao consumidor objeto dessa concessão. Estes custos incluem os custos de capital da empresa, definido como o retorno sobre montantes de capitais prudentemente investidos em ativos dedicados ao fornecimento do serviço para os clientes, assim como, incluem os custos operacionais. A tarifa, portanto, sendo o mecanismo que permite ao concessionário a oportunidade de recuperar os custos incorridos para fornecer o serviço, será objeto de reposicionamento face os valores analisados Para realizar estas tarefas, vários conceitos chaves terão que ser assumidos e questões alocativas deverão ser resolvidas. Esta nota provê uma visão geral dos seguintes assuntos chaves: Período de Referência utilizado para analisar o custo adequado do serviço; Investimento remunerável, base da taxa de retorno; Taxa de retorno sobre os investimentos. II. CONCEITO DE PERÍODO DE REFERÊNCIA A necessidade de se efetuarem revisões tarifárias a intervalos especificados decorre da adoção de reajustes nos anos intermediários baseados em índices gerais de preço, sem considerar um deflator (fator x igual a zero) ou, de forma geral, considerando um deflator inferior ao ganhos anuais de eficiência que se supõe terem sido obtidos pela empresa regulada. No caso da ESCELSA, no primeiro ciclo de 3 anos, entende-se que a empresa manteve integralmente os benefícios dos esforços de redução de custo, considerano-se os reajustes concedidos. Isso posto, é importante fixar novas tarifas, considerando a situação prevista da empresa para o próximo período regulatório, entendido como o período entre revisões tarifárias. Por simplicidade, essa situação pode ser avaliada, adotando-se como período de referência um ano de referência histórico ou uma ano de referência futuro. 3

4 A abordagem do ano de referência histórico é uma das formas utilizadas para definir o período para o estabelecimento dos custos atuais. Esta abordagem utiliza dados históricos recentes da empresa, ajustados para eliminar imprudências, aferidos à luz estrita dos limites da concessão. O período a ser considerado pode ser o ano civil ou fiscal mais recente ou os últimos 12 meses para os quais os dados estejam disponíveis. Esta abordagem pode se tornar mais realista na medida em que sejam realizados ajustes nos custos decorrentes de mudanças conhecidas e mensuráveis. Estes custos podem ser ajustados, por exemplo, caso tenha havido mudanças na política de impostos ou no preço da energia comprada pela empresa. Esta abordagem tem a vantagem de ser de fácil implementação. Entretanto, se condições estiverem mudando rapidamente ou se a fórmula de reajuste intermediário na tarifa não levar em conta mudanças importantes na situação da empresa, a receita pode divergir significativamente de seus custos. Outra abordagem envolveria a utilização de um ano de referência futuro, considerando previsões de vendas e custos em um ano futuro, freqüentemente os primeiros 12 meses subseqüentes à entrada em vigor das novas tarifas. Esta abordagem requer previsões detalhadas de cargas, investimentos e despesas. Mudanças nos custos e nas vendas de eletricidade, resultantes de esforços realizados pela empresa para melhorar a eficiência ou a qualidade do serviço, além do que se poderia esperar de empresa bem administrada, devem ser excluídos porque supõe-se que a empresa mantenha os benefícios de tais esforços até a próxima revisão tarifária. A definição de quais mudanças devem ser consideradas nessas previsões depende dos mecanismos definidos para estimular melhorias na eficiência e na qualidade do serviço. A vantagem de olhar adiante é contrabalançada pela complexidade inerente a processos envolvendo previsões de futuro e pelas potenciais controvérsias decorrentes. Uma terceira abordagem para fixar a base de custos e vendas para uma revisão tarifária utiliza uma combinação de dados históricos com previsões. Esta abordagem tem as vantagens e desvantagens das anteriores. IV. Base da Remuneração O segundo assunto fundamental a ser discutido no processo de reposicionamento tarifário da ESCELSA refere-se à definição e caracterização da parcela dos investimentos realizados com recursos dos acionistas que se utilizará como referencial, sobre a qual uma taxa de retorno deve ser auferida. Na regulação baseada no custo adequado do serviço, a receita permitida que uma concessionária tem oportunidade de auferir deve refletir o nível correto de investimento realizado, 4

5 bem como os custos operacionais e custos de investimentos realizados para prover o serviço na área de jurisdição e o serviço de energia elétrica objeto da concessão. Associado a esse investimento adequado estão os requisitos de capital e com estes os custos referentes a sua remuneração. Os Custos de capital incluem a recuperação dos investimentos, custo do capital de terceiros e a remuneração do capital acionário. A Depreciação é o retorno do investimento, enquanto juros e lucro são o retorno sobre a dívida e sobre o capital dos acionistas, respectivamente. O nível de lucro ao montante de investimento do acionista é a rentabilidade do capital próprio. A taxa de de juros relativa a empréstimos é a remuneração do capital de terceiros e a taxa de retorno sobre os investimentos é a combinação ponderada dessas duas taxas. Há vários métodos que podem ser utilizados para definir o nível de investimento sobre o qual os investidores podem auferir uma taxa de retorno. Tradicionalmente o Setor Elétrico Brasileiro utilizou como base de cálculo desse retorno o Investimento Imobilizado em Serviço. Ainda tomando como base os registros contábeis, porém focando nos registros das obrigações da empresa para com o pagamento de sua dívida e o lucro dos acionistas tem-se outras formas de abordagem: A primeira seria o valor contábil original líquido da depreciação. Usando esta abordagem, a base da remuneração da ESCELSA seria definida como o valor contábil da empresa no momento de privatização acrescido de qualquer incremento feito a partir daquela data e deduzida a depreciação. A segunda abordagem seria usar o custo histórico ajustado pela inflação acrescido de qualquer incremento posterior e deduzida a depreciação. Uma terceira abordagem é definir o base da remuneração como sendo o valor de mercado da ESCELSA no momento da privatização, acrescido de qualquer incremento feito a partir daquela data e deduzida a depreciação. Uma quarta abordagem seria definir a base da remuneração como o valor razoável do ativo, isto é, uma estimativa determinada por procedimentos administrativos do que seria a razoável compensação para as instalações em serviço, caso eles fossem confiscados dos donos. V. DETERMINAÇÃO DA TAXA DE RETORNO APROPRIADA A determinação do retorno apropriado sobre o capital acionário de uma empresa de energia elétrica é um processo complexo que envolve conhecer alternativas de aferição da taxa de retorno sobre o capital acionário, assim como, alternativas para sua estimação. 5

6 Conceitualmente, o retorno sobre o capital acionário pode ser pensado de quatro modos diferentes: taxa de retorno requerida; custo de oportunidade do capital; risco e recompensa; compensação do mercado de capitais. A taxa de retorno requerida representa o retorno que os investidores desejam do investimento realizado. É determinada pelas expectativas do investidor sobre risco relativo e rentabilidade do investimento. Tipicamente os investidores têm uma taxa referencial que usam para avaliação de oportunidades de investimento. Se a taxa de retorno do investimento está abaixo dessa taxa crítica de viabilidade os investimento é considerado não atrativo e os investidores não investirão. O custo de oportunidade do capital para um investidor corresponde a taxa de retorno da oportunidade de investimento mais atraente disponível. Como resultado os investidores selecionam as oportunidades de investimento que lhes dão a mais alta de retorno ao mesmo nível de risco. O risco de investimento é relacionado diretamente à taxa de retorno. Os investidores estão dispostos aceitar mais risco apenas se eles são compensados adequadamente por uma taxa mais alta de retorno. Como resultado, quanto mais alto é o risco de investimento, mais alto deve ser o retorno em investimento para atrair investidores. O retorno pode ser identificado então pelo risco inerente daquele investimento e a relação de risco-retorno é determinada pelas preferências individuais. A última, mas não menos importante das abordagens conceituais para a taxa de retorno é obtida junto ao mercado de capital. Mercados fortemente constituídos e influentes facilitam a alocação de capital, equilibrando o oferta com a demanda por capital. É este o papel do preço de equilíbrio do mercado que constitui-se nos ganhos esperados, descontado pelo custo de capital. Os investidores posicionam-se no mercado de capital atentos aos outros investidores. Estimam o valor do capital das empresas e quais os custos de oportunidade do capital. É importante que tais mercados de capitais sejam competitivos, de forma que forças de mercado atuando consistentemente determinem corretamente o custo de capital. Considerando que as empresas do setor de energia elétrica são reguladas, o retorno dos investimento para propósitos de tarifa é determinado através da atuação e arbitramento da ANEEL. Entretanto, as empresas precisam atrair investimentos para manter e ampliar suas 6

7 instalações. Desta forma, os reguladores precisam fixar uma taxa de retorno permitida sobre o investimento na empresa que permita uma oportunidade para os investidores auferirem retorno compatível com o que poderiam conseguir investindo em emprendimentos com características de risco semelhantes. Considerando que é impossível fixar com exatidão a taxa de retorno sobre investimentos apropriada, apresentam-se cinco métodos de estimação: a) Comparação de Ganhos (CG) O método de CG aproxima a taxa de retorno de uma empresa de energia elétrica com a taxa de retorno sobre o valor contábil de ações ordinárias para um grupo de empresas com características de risco comparáveis. Requer fazer uma estimativa razoável sobre o conjunto de empresas comparáveis. ROE = (L-Dp)/(PL-Cp) Onde: L = Lucro Dp = Dividendo pago às preferenciais; PL= Patrimônio Líquido; Cp = Capital em ações preferencias. O método de CG é simples e fácil usar. Contudo, devido a um grande grau de ambigüidade na seleção de empresas comparáveis e inconsistência entre a prática contabil e conceitos econômicos de valores de ativos e lucros, tem sido criticado e seus resultados considerados não muito confiáveis. O método de CG tem sido substituído por métodos mais sofisticados, como FCD ou CAPM. b) Fluxo de Caixa Descontado (FCD ) O método FCD usa o valor presente de fluxos monetários esperados, gerado pela operação de uma determinada empresa, em um certo período, para averiguar o custo implícito de capital. Invertendo a fórmula de FCD e assumindo o período de tempo infinito, é possível calcular o custo de capital como: r = fluxos monetários esperados/ Valor Inicial do capital dos acionista 7

8 Se fluxos monetários são iguais a lucros líquidos e crescem com o tempo, a fórmula pode ser rescrita como onde r = y d + g y d é o rendimento de dividendo, igual à relação entre dividendos esperados e o valor inicial do capital dos acionista, e g é taxa esperada de crescimento de dividendos. O método de FCD é freqüentemente usado pelas agências de regulação devido a sua simplicidade e cálculo relativamente direto. A maioria dos dados necessários a utilização deste método está facilmente disponível, embora seja necessário arbitrar sobre valores razoáveis esperados para dividendos e taxas de crescimento. c) Modelo de Determinação de Preço dos Ativos - Capital Asset Pricing Model (CAPM) O CAPM baseia-se na relação entre a taxa de retorno e risco de ativos do setor de energia elétrica e a taxa de retorno do mercado. O modelo usa uma fórmula padrão para cálculo da taxa de retorno sobre o capital. onde re = rf + Beta * (rm - rf) re é a taxa de retorno sobre capital dos acionistas de uma empresa de energia elétrica, rf a taxa básica de retorno isenta de risco (por exemplo Bônus do Governo), rm taxa de retorno de mercado, e Beta coeficiente que reflete a volatilidade (risco) das ações da concessionária em relação ao mercado O CAPM é usado quando há suficiente e consistente informação sobre preços no mercado acionário e de sua volatilidade. Este método requer que ações da empresa estejam sendo comercializadas em um mercado de valores com bom funcionamento onde o risco e rentabilidade sejam adequadamente avaliados. d) Risco Recompensa (RP) 8

9 O método de RP calcula o prêmio de risco que os investidores somam à taxa de retorno, livre de risco, para ser compensado pelo risco do investimento nos ativos da empresa. Tipicamente, bônus do governo representam um investimento seguro. O premium de risco é determinado como RP = { t (ret - rbt)} / n t = 1,,n Onde: ret taxa de retorno nas ações da empresa no ano t rbt taxa de retorno em bônus do governo no ano t n numero de anos no período O método de RP requer conhecer taxa de retorno em bônus do governo e em ações para um período de tempo, de forma a minimizar o impacto de flutuações anuais no prêmio de risco. O método é principalmente usado como um complemento para outros métodos, particularmente FCD e CAPM. e) Coeficiente valor de mercado-valor contábil (MBR) O método de MBR estima o custo capital no mercado para uma empresa baseado na relação do valor contábil e valor de mercado da ação da empresa. Este método está baseado na noção que o valor de mercado de ações é igual a seu valor contábil se o custo de capital é igual à taxa de retorno que a concessionária é permitida ganhar. M/B = RoR/r Onde: M valor de mercado das ações B valor contábil das ações RoR taxa de retorno permitida r custo do capital Se o valor de mercado do capital acionário difere do valor contábil das ações, a relação dos dois determina a relação da taxa de retorno e os custos de capital. O método de MBR é tipicamente usado como um complemento para FCD ou métodos de CAPM porque a circularidade potencial nos dados pode afetar a estimação negativamente. 9

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