Adoção e Aplicação da IFRS

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1 IFRS Normas internacionais de contabilidade PARTE I Adoção e Aplicação da IFRS AULA 2 Prof. MSc. Márcio de Souza e Silva

2 Objetivos: Compreender como adotar e implementar pela primeira vez as normas internacionais de contabilidade (IFRS).

3 INTRODUÇÃO Uma determinada empresa, ao decidir pela implantação da norma IFRS, deverá, no momento da decisão, escolher a norma IFRS 1. Na estrutura conceitual, a IRFS 1 corresponde à adoção, pela primeira vez, das normas internacionais de Contabilidade.

4 Segundo Maciel (2009), a IFRS 1 apresenta de forma organizada, sucinta e clara os procedimentos a serem adotados para a conversão, assim como os critérios a serem adotados e sua interação com os demais pronunciamentos internacionais emitidos.

5 O objetivo principal da IRFS 1 é assegurar que uma empresa, ao apresentar pela primeira vez suas demonstrações contábeis anuais ou interinas (entende-se como trimestrais ou outro período de tempo inferior a seis meses) possa fazê-lo de forma comparativa e transparente para os usuários da informação.

6 A idéia é que as demonstrações financeiras dessa empresa estejam adequadas de um ponto de vista inicial da aplicação das normas internacionais e que realmente estejam elaboradas em um modelo economicamente viável e transparente.

7 O balanço de abertura em IFRS é ponto de partida para toda a contabilização subseqüente em acordo com essas normas. As empresas, nesse primeiro momento, devem elaborar um balanço de abertura para que as Normas Internacionais de Contabilidade tenham um período de inicio de transição.

8 Sempre deve haver um balanço comparativo de pelo menos um exercício. Por exemplo: se uma companhia prepara suas demonstrações financeiras em IFRS para o exercício de 2010, deverá elaborar, para fins de comparabilidade, as demonstrações do exercício de 2009.

9 As demonstrações contábeis em IFRS incluem: balanço patrimonial; demonstração do resultado; fluxo de caixa; demonstração das mutações do patrimônio líquido e notas explicativas com relação às práticas contábeis adotadas.

10 Na adoção da IFRS pela primeira vez, a empresa deverá seguir basicamente as seguintes regras: identificar todos os ativos e passivos cujo reconhecimento é exigido pela IFRS; baixar ativos, passivos e patrimônio líquido, se as IFRS não permitem tal reconhecimento;

11 reclassificar itens que, de acordo como princípios contábeis anteriores, sejam reconhecidos como ativos, passivos ou patrimônio líquido, mas que sejam classificados de forma diferente da IFRS; e mensurar todos os ativos e passivos reconhecidos de acordo com a IFRS.

12 Visando facilitar o entendimento das regras de aplicação e adoção da IFRS, a seguir exemplo prático:

13 A Cia. Estreante apresentou suas demonstrações contábeis de acordo com a norma contábil nacional. Ela quer adotar a IFRS a partir de 01/01/2010 e para tanto conforme IFRS 1 tem que, inicialmente, elaborar o balanço de abertura de 01/01/2009.

14 Ao preparar o seu balanço de abertura, o contador deparou com as seguintes operações que tem tratamentos contábeis de acordo com as práticas contábeis locais e que apresentam divergência de tratamento pelas normas internacionais (IAS e IFRS):

15 Primeira Divergência Case 1 Uma provisão de garantia de $ que não foi contabilizada uma vez que o conceito de "obrigação implícita" não é reconhecida pelas normas locais;

16 Uma obrigação implícita é a que surge quando uma entidade, por meio de práticas do passado, políticas divulgadas ou declarações feitas, cria uma expectativa válida frente a terceiros e, por conta disso, assume um compromisso.

17 Resolução: Para apresentar o balanço de abertura em atendimento à IFRS 1 a companhia deverá efetuar o seguinte ajuste: IAS 37: Determina o reconhecimento de provisões para garantias que atendam ao conceito de "Obrigação implícita, portanto deverá reconhecer o valor de $ como Passivo Exigível e uma redução no Patrimônio Líquido.

18 Segunda Divergência Case 2 Gasto realizado com pesquisa de um novo produto no valor de $ que foi reconhecido e registrado no Ativo Intangível.

19 Resolução: Efetuar o seguinte ajuste: IAS 38: Não permite o diferimento e contabilização como Ativo Intangível, de Gastos realizados com a pesquisa de novos produtos, assim a empresa deverá baixar o ativo de $ e reconhecer como resultado o que vai gerar uma redução no PL.

20 Terceira Divergência Case 3 Honorários no valor de $ pago pelo serviço de arquitetura na construção de um imóvel a ser utilizado na expansão de suas instalações, que foram registrados como despesas na conta de resultado.

21 Resolução: Proceder o seguinte ajuste: IAS 11: Recomenda a capitalização dos custos com construções como parte do bem imobilizado, assim este gasto de $ deve ser incorporado à conta representativa deste item no Ativo Imobilizado, este ajuste vai aumentar o valor do PL e o Ativo Imobilizado.

22 Quarta Divergência Case 4 Dividendos propostos e declarados após a data do balanço, mas antes da publicação das Demonstrações, no valor de $ que foram registrados no Passivo Circulante contra a conta de Reserva de Lucros ainda neste balanço.

23 Resolução: Deverá proceder o seguinte ajuste: IAS 10: Não permite o registro no Passivo Circulante dos dividendos propostos ou declarados após a data do balanço, mas antes da publicação das demonstrações. Diante desta recomendação a empresa deverá baixar o valor de $ do passivo circulante contra a conta de Reservas de Lucros e simplesmente divulgá-los nas notas explicativas.

24 Resumo do Impacto da Aplicação IFRS 1 No Balanço Patrimonial da Cia Estreante Grupo: Ativo $( ) redução (Case 2) $ aumento (Case 3) $ (90.000) impacto final ATIVO = Redução

25 Grupo: Passivo $ aumento (Case 1) $ (50.000) redução (Case 4) $ (20.000) impacto final PASSIVO = Redução

26 Grupo: Patrimônio Líquido $ (30.000) redução (Case 1) $ ( ) redução (Case 2) $ aumento (Case 3) $ aumento(case 4) $ (70.000) impacto final PL = Redução

27 A IFRS 1 permite, na adoção pela primeira vez, exceções no cumprimento de determinadas exigências, que são: Combinação de negócios; Valor justo ou reavaliação como custo estimado; Benefícios a empregados; Ajustes acumulados de conversão de moeda estrangeira;

28 Instrumentos financeiros compostos; Ativos e passivos de controladas, coligadas e joint ventures; Designação de instrumentos financeiros reconhecidos anteriormente; Pagamentos de ações;

29 Contrato de seguros; Passivos decorrentes da desativação de imobilizado; Leasing; Mensuração inicial de ativos e passivos financeiros a valor justo.

30 Segundo Carvalho, Lemes e Costa (2005) outras exceções foram sugeridas por meio de comentários recebidos, mas não foram aceitas pelo IASB. As justificativas das rejeições são apresentadas por meio da Base de Conclusão da IFRS 1. Tais sugestões trataram principalmente de exceções como: derivativos embutidos; hiperinflação; ativos intangíveis e custos de transação sobre instrumentos financeiros.

31 Outro ponto importante é que na aplicação da IFRS é necessário entender o conceito de vida econômica e vida útil de determinado ativo, inclusive as características qualitativas das demonstrações contábeis, então vejamos:

32 Vida Útil de um ativo seria a quantidade de tempo que uma entidade deseja usar determinado ativo. Vida Econômica é a quantidade de tempo que um bem dura.

33 Exemplo Prático: Vida Útil de um Ativo Se uma entidade que atua no segmento de transportes deseja utilizar um ônibus por apenas dois anos para a geração de receitas, a vida útil do ônibus será de dois anos.

34 Exemplo Prático: Vida Econômica de um Ativo Se uma entidade compra uma máquina e, no manual de utilização do equipamento, descreve que a máquina trabalhará durante dez anos sem manutenção essencial para o seu funcionamento. O prazo de dez anos seria a vida econômica do bem.

35 As características qualitativas das demonstrações financeiras em IFRS, são: Compreensibilidade Relevância Materialidade Confiabilidade Comparabilidade

36 Compreensibilidade Uma qualidade essencial das informações apresentadas nas demonstrações contábeis é que elas sejam prontamente entendidas pelos usuários. Os usuários têm um conhecimento razoável dos negócios, atividades econômicas e contabilidade e disposição para estudar as informações com razoável diligência.

37 Exemplo Prático - Compreensibilidade Determinada entidade está investindo em imóveis. As publicações e os relatórios dos engenheiros e arquitetos devem ser realizados periodicamente, confirmando aspectos específicos do desenvolvimento do empreendimento. Nesse relatório consta as especificações técnicas e andamento da obra ( imóvel).

38 Nesse caso, nem todos os usuários entendem a linguagem técnica desses relatórios, portanto, a companhia deverá incluir nesse relatório informações financeiras relevantes e requeridas pela IFRS, indicando a performance do empreendimento e a posição financeira.

39 Relevância Para ser útil, a informação deve ser relevante às necessidades dos usuários na tomada de decisões. As informações são relevantes quando podem influenciar as decisões econômicas dos usuários, ajudando-os a avaliar o impacto de eventos passados, presentes ou futuros e confirmando ou corrigindo as suas avaliações anteriores.

40 Exemplo Prático - Relevância A relevância não é subjetiva, portanto, na adoção da IFRS deve-se observar o relatório sobre segmentos operacionais, requerido pela IFRS 8. Esse relatório pode ajudar os usuários a identificarem se determinada entidade possuí diversas atividades, áreas de atuação e segmentação do negócio de forma estratégica. Essa informação é relevante para o investidor na tomada de decisão.

41 Materialidade A relevância das informações é afetada pela sua natureza e materialidade. Em alguns casos, a natureza das informações, por si só, é suficiente para determinar sua relevância. Uma informação é material se a sua omissão ou distorção puder influenciar as decisões econômicas dos usuários, tomadas com base nas demonstrações contábeis.

42 Exemplo Prático - Materialidade Sua entidade tem ampliado as operações para outros países visando expandir seus negócios. Embora essa informação possa ser considerada material para os seus negócios hoje, as suas demonstrações contábeis podem conter tais informações para facilitar o entendimento sobre determinados aspectos de seus negócio e os planos futuros da administração.

43 Confiabilidade Para ser útil, a informação deve ser confiável, ou seja, deve estar livre de erros ou vieses relevantes e representar adequadamente aquilo que se propõe a representar.

44 Exemplo Prático - Confiabilidade Uma entidade adquire outra entidade em uma combinação de negócios, contabilizada segundo o IFRS 3. Apesar de determinado ativo intangível identificável na aquisição pode ser contabilizado em IFRS, se a entidade não conseguir avaliar o ativo intangível com confiabilidade e ser separadamente identificado, ele não poderá ser registrado em IFRS segundo a IAS 38.

45 Comparabilidade Os usuários devem poder comparar as demonstrações contábeis de uma entidade ao longo do tempo, a fim de identificar tendências na sua posição patrimonial e financeira e no seu desempenho.

46 Exemplo Prático - Comparabilidade A utilização de diferentes sistemas de mensuração de estoques gera diferentes resultados. O uso consistente de um método é essencial para permitir aos usuários comparar um período a outro.

47 Não deve haver qualquer mudança, ou esta nova mudança seja feita em uma base comparativa (com os devidos efeitos registrados nas demonstrações contábeis anteriores), tornando as demonstrações contábeis mais relevantes e não menos confiáveis para os usuários das demonstrações contábeis em sua tomada de decisão.

48 Créditos CARVALHO, L. Nelson; LEMES, Sirlei; COSTA, Fábio Moraes. Contabilidade Internacional. São Paulo: Atlas, MACIEL, Ricardo R. Como Implementar as Normas Internacionais de Contabilidade IFRS. Curitiba: Juruá, PEREIRA, Wagner Pinheiro. 24 de Outubro de 1929 A quebra da bolsa de Nova York e a grande depressão. São Paulo: Companhia Editora Nacional, INTERNACIONAL FINANCIAL REPORTING STANDARDS (IFRS). Internacional Accounting Standards Board. Issueb by Publications Departament, Pronunciamentos técnicos e discussões de temas e das normais internacionais. Disponível em:< Deliberações da CVM Comissão de Valores Mobiliários e outros pronunciamentos técnicos emitidos. Disponível em: <www.cfc.com.br>

JOSÉ HERNANDEZ PEREZ JUNIOR

JOSÉ HERNANDEZ PEREZ JUNIOR JOSÉ HERNANDEZ PEREZ JUNIOR Mestre em Controladoria e Contabilidade Estratégica e Bacharel em Ciências Contábeis. Professor de cursos de MBA da Fundação Getulio Vargas - RJ. Professor das Faculdades Atibaia

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