EDITORIAL. REVISTA SETREM - Ano VIII nº15 JUL/DEZ 2009 ISSN

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1 INSTITUCIONAL DIRETORIA MANTENEDORA Presidente: Hordi Felten Vice-presidente: Ivo Novotny Secretaria: Mara Tesche Meincke Vice-secretária: Dalva Lenz de Souza Tesoureiro: Ronaldo Fredolino Wendland Vice-tesoureiro: Ernani Krause Conselho Fiscal: Valdemar Blum Flavio Boesing Martin Dause Geraldo Kohhann Ronaldo Kirchhof Conselho Deliberativo: Erni Drehmer Ivone Streicher Nelson Moura de Oliveira Diretor geral Flávio Magedanz Vice-diretor Faculdade Três de Maio Paulo Renato Manetzeder Aires Vice-diretora Centro de Ensino Médio Zenaide Tesche Heimerdinger Conselho Editorial: Ms Adalberto Lovato, Ms Fauzi de Moraes Shubeita, Ms Gilberto Souto Caramão, Ms Jonas Rigodanzo, Ms Jorge Antonio Rambo, Ms Renata Amélia Roos, Ms Sandro Ergang, Ms Vera Lúcia Lorenzet Benedetti, Ms Vera Beatriz Pinto Zimmermann Weber e Zenaide Heinsch. Comissão Científica Interna (avaliadores):ms Adalberto Lovato, Ms Cláudia Viegas, Ms Evandir Bueno Barasuol, Ms Fauzi de Moraes Shubeita, Ms Gilberto Caramão, Ms Jonas Rigodanzo, Ms Rafael Marcelo Soder, Ms Renata Amélia Roos, Ms Sandro Ergang, Ms Vera Beatriz Pinto Zimermann Weber, Ms Vera Lúcia Lorenzet Benedetti, Ms Zenaide Heinsch. Comissão Científica Externa (avaliadores): Dr Carlos Ricardo Rossetto - UNIVALI (SC), Dra Cláudia Regina Bonfá - UFSC (SC), Dra Cristiane Koehler SENAC (RS), Dr João Bosco Mangueira Sobral UFSC (SC), Dr Mário Luiz Santos Evangelista (UFSM-RS), Dra Marlene Gomes Terra - UFSM (RS), Dra Olgamir Francisco de Carvalho UNB (DF), Drdo Roque Ismael da Costa Gullich UFGD (MS), Dr Sedinei Nardelli Beber PUC (RS), Dra Soraia Napoleão Freitas UFSM (RS), Ms Tagli Dorval Mairesse Mallmann FGV (RS), Ms Valmir Heckler (FURG - RS), Ms Vera Lucia Fortunato. Fortes - UPF (RS) EDITORIAL As profundas mudanças que se processam em todos os setores da sociedade abrem caminhos para a pesquisa, pois o conhecimento se renova a cada momento e a necessidade de novas demandas é constante. Não importa onde o conhecimento esteja. O mundo percebeu que tornou-se a peça chave para o crescimento e manutenção da competitividade das Organizações. Uma tecnologia pode ser considerada útil, se promover a integração de pessoas. Por isso, é importante que se estimule a pesquisa, que se abram discussões, que se busquem soluções de inovação que sirvam para a coletividade. A pesquisa, enquanto fundamento pedagógico da Instituição, deve levar pesquisadores, docentes ou discentes, a buscarem o conhecimento novo e novas aplicações para o mesmo. A Revista SETREM é um canal aberto para que pesquisadores das diversas áreas do conhecimento publiquem seus trabalhos e, em sua décima quinta edição, aborda temas nos campos da Administração, Educação, Engenharia de Produção, Saúde e Tecnologia da Informação. As pessoas precisam repensar este planeta, assumindo novos papéis na sociedade, preservando a vida, compartilhando conhecimentos, gerenciando processos de mudança, convivendo com inovações, colaboração e ao mesmo tempo, competição. Externamos nosso profundo agradecimento a todos que colaboraram para que fosse possível publicar mais uma edição da revista. Desejamos a todos, uma boa leitura. Conselho Editorial da Revista SETREM Capa e Diagramação: Assessoria de Comunicação SETREM Revisão: Carla Matzembacher Ano VIII nº15 JUL/DEZ 2009 ISSN Revista SETREM: Revista de Ensino e Pesquisa/ Sociedade Educacional Três de Maio Três de Maio: Editora SETREM. Publicação Semestral 1

2 SUMÁRIO ADMINISTRAÇÃO ANÁLISE DA QUALIDADE DE SERVIÇOS E CUIDADOS EXTRA- HOSPITALARES HOME CARE... 4 Eliane Cristina Tusset Juliana Andréia Peiter Sandra Servat Sandro Ergang CONTROLADORIA E GESTÃO FINANCEIRA Débora Fontana Edi Branco da Silva Eliandro Fiorim Mauro Alberto Nüske Edelmar Elói Barasuol EDUCAÇÃO CORRUPÇÃO SOCIAL Vinicius Canaes Emilio Donizete Primolan EDUCAR, CUIDAR E BRINCAR: MÚLTIPLAS LINGUAGENS.. 22 Caroline Raquel Lawall Elisabete Andrade ENGENHARIA DE PRODUÇÃO ELABORAÇÃO DE UM BISCOITO RECHEADO DE CAFÉ COM GERGELIM Fernanda Hart Weber Noelle Cristiane Moreira de Melo SAÚDE A PATERNIDADE PARTICIPATIVA NA RECONSTRUÇÃO DO PAPEL DE PAI E DE MÃE Mayara Roberta Pires Beatriz de Carvalho Cavalheiro EDUCAÇÃO EM SAÚDE NA REDE DE ATENÇÃO BÁSICA Laura Heinsch Dalla Favera Gilberto Souto Caramão Jane Lilian Ribeiro Brum Roque Ismael da Costa Güllich 2

3 ENSINO SUPERIOR DE ENFERMAGEM NA PERSPECTIVA DOS PROFESSORES: CONCEPÇÕES, TEORIAS E DOCÊNCIA Graciele Rejane Ledur Roque Ismael da Costa Güllich Gilberto Souto Caramão Paulo Fábio Pereira INÍCIO DA TERAPIA RENAL SUBSTITUTIVA SOB O OLHAR DE PACIENTES COM DOENÇA RENAL CRÔNICA Gustavo Cerutti Vera Lúcia Fortunato Fortes LUTO MATERNO: VIVENCIANDO A DOR DA PERDA Carla Célia Balke Beatriz de Carvalho Cavalheiro O CUIDADO CENTRADO NA FAMÍLIA: UMA PERSPECTIVA NA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM PEDIÁTRICA Ana Amália Strohschön Ruth Gabatz Rafael Marcelo Soder TECNOLOGIA DE INFORMAÇÃO DESENVOLVIMENTO DE UMA APLICAÇÃO CLIENTE-SERVIDOR PARA CONFIGURAÇÃO DE UM SISTEMA EMBARCADO DE REDES WIRELESS Dalvan Jair Griebler Denis Valdir Benatti Claudio Schepke 3

4 ADMINISTRAÇÃO ANÁLISE DA QUALIDADE DE SERVIÇOS E CUIDADOS EXTRA-HOSPITALARES HOME CARE RESUMO Eliane Cristina Tusset 1 Juliana Andréia Peiter 2 Sandra Servat 3 Sandro Ergang 4 Sociedade Educacional Três de Maio SETREM 5 O presente trabalho teve como objetivo principal analisar a qualidade de serviços extra-hospitalares no município de Horizontina-RS, visando atender as necessidades específicas na vulnerabilidade do indivíduo em seu domicílio. Através de pesquisa bibliográfica obteve-se conhecimento detalhado quanto à funcionalidade e características do serviço de Home Care. Para dar consistência ao estudo, aplicou-se a técnica de Focus Group, que identificou os vetores de qualidade percebida por potenciais usuários, onde a infraestrutura se ajusta de acordo com a natureza do serviço a ser prestado. Verificouse que a relação custo/benefício é previsível e está na dependência da exclusividade e necessidade subjetiva de cada cliente. Constatou-se que o mercado horizontinense absorve a demanda e, sobretudo, evidenciou-se a inexistência de uma empresa que ofereça o serviço de Home Care. Palavras chaves: Home Care. Necessidades. Qualidade. Serviços. ABSTRACT This study aimed to examine the quality of primary services outside the hospital in the city of Horizontina, looking forward to consider the specific needs in the vulnerability of a person in his home. Through a bibliographic research, a detailed knowledge about the functionality and features of the service of Home Care was obtained. To give consistency to the study, it was standardized the technique of Focus Group, which identified the vectors of quality noticed by the potential users, where the infrastructure adjusts itself according to the nature of the service being provided. It was verified that the cost-benefit is predictable and it is dependent on exclusivity and subjective need of each client. It was cleared that the market of Horizontina absorbs the demand, especially as there is an absence of a firm that offers the service of Home Care. Key words: Home Care. Needs. Quality. Services. 1 INTRODUÇÃO Para a Organização Mundial de Saúde a promoção de saúde é a busca da melhoria da qualidade de vida do ser humano, com objetivo de permitir a ele uma vida mais feliz, saudável e longeva. Promover a saúde é necessário. Não se trata de uma ação individual, mas de um conjunto delas, exercidas contínua e globalmente sobre um indivíduo ou uma determinada população, com os objetivos de diminuir a morbimortalidade, propiciar os melhores níveis de crescimento e desenvolvimento físico, intelectual e emocional, conduzindo essa população a uma vida mais longa, saudável e produtiva. O Home Care, ou seja, cuidados extra-hospitalares é uma das ferramentas usadas para a promoção da saúde e abrange todos os serviços de saúde prestados aos pacientes em sua residência. 1 Bacharel em Informática e Pós-graduada em Gestão Estratégica e Qualidade pela SETREM. 2 Bacharel em Administração e Pós-graduada em Gestão Estratégica e Qualidade pela SETREM. 3 Bacharel em Enfermagem e Pós-graduada em Gestão Estratégica e Qualidade pela SETREM. 4 Professor de Pós-graduação em Nível de Especialização da SETREM. Mestre em Engenharia de Produção pela UFSM. 5 Sociedade Educacional Três de Maio SETREM, Av. Santa Rosa, 2405, Três de Maio RS, 4

5 Dentre esse conjunto de ações existentes para a promoção da saúde, este trabalho aborda o Home Care, que compreende assistência à integridade do paciente e abrange a assistência e oferta de serviços médicos, de enfermagem e áreas afins prestados em sua residência. Quando se tem em casa algum familiar incapacitado, por motivo de doença, problemas ou limitações físicas, exigindo cuidados específicos, os próprios familiares executam algumas ações de cuidador 11 em trabalhos mútuos. Geralmente, esses são membros economicamente ativos e devido a sua rotina de trabalho ser muito extensa (emprego/estudo) não possui disponibilidade integral e, na maioria dos casos, não apresentam qualidade e habilidade específicas para a assistência adequada. Sabe-se que a sociedade pode contar com os serviços de saúde oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o qual nos últimos anos culminou com a criação do Programa de Saúde da Família (PSF). Esse prevê a utilização da assistência domiciliar à saúde, em especial, a visita domiciliar, como forma de inserir os profissionais da saúde no conhecimento da realidade de vida da população, bem como estabelecer vínculos com a mesma; visando atender às diferentes necessidades de saúde das pessoas, preocupando-se com a infraestrutura existente nas comunidades e o atendimento à saúde das famílias. O trabalho dos profissionais do PSF assume fundamental importância para a abordagem da saúde da família, em especial na assistência domiciliar à saúde, que envolve os profissionais e as pessoas/famílias atendidas. Mesmo este programa sendo gratuito e a domicílio ele oferece um serviço parcial ao indivíduo por segmentação de atividades, em forma visita eletiva ou por solicitação, oferecida somente em horário de expediente de segunda à sexta, ou de acordo com a disponibilidade da equipe envolvida. Os motivos que dão ao Home Care para o estudo elaborado são diversos: o envelhecimento da população que está cada vez atingindo mais altos índices de longevidade e, assim, demandando mais assistência médica. A necessidade de humanização do atendimento; os resultados que esse tipo de tratamento tem demonstrado, com uma melhora muito mais rápida do paciente que é tratado em casa, na individualidade do seu lar, em meio a sua família; os custos mais baixos e acessíveis demandados pelo Home Care em relação à internação hospitalar, como também os riscos de contrair uma infecção hospitalar, principalmente em longos períodos de internação hospitalar. 2 METODOLOGIA Como o conceito de Home Care é novo, para que as conclusões fossem mais precisas e para que o tema se tornasse mais conhecido foi utilizada a técnica que utiliza maior discussão em grupo, a pesquisa qualitativa de Focus Group, ou seja, grupo de foco. Os participantes discutem sobre um determinado assunto, demonstrando suas preocupações, opiniões em relação ao produto ou serviço. Segundo Berry (1996), as entrevista de focos de grupos são conhecidas em pesquisa sobre qualidade em serviços porque são fáceis de serem administradas. Em uma pesquisa sobre qualidade em serviços, a utilização dos grupos de foco é ideal para a discussão de como um tipo de serviço deverá ser, os problemas que estão enfrentando e suas possíveis melhorias. Foram reunidas 12 pessoas. Inicialmente, discutiuse sobre saúde e levantaram-se algumas questões no município de Horizontina; em seguida, deu-se oportunidade para que cada participante da reunião pudesse expor suas idéias, explanando como um serviço de Home Care deveria ser. O encontro teve a duração de aproximadamente 01 hora e 30 minutos. 3REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 3.1 O HOSPITAL E SUA ORGANIZAÇÃO Todas as informações contidas neste subcapítulo, seção 3.1, estão embasadas na obra de Cruz, Barros e Ferreira (2001). Por carência de literaturas especializadas neste assunto não se citam outros autores. Os primeiros indícios da atuação de Home Care foram em 1796 nos EUA, onde essa organização prestava serviços aos pobres e enfermos, dando-lhes a dignidade de serem tratados em seus lares ao invés de hospitalizálos. Naquela época, os hospitais ainda eram considerados como casas infestadas pela peste, aonde os cidadãos pobres e enfermos eram enviados para morrer. No início do século XX, os reformistas estavam preocupados com a ideia de que a imigração e a industrialização geravam as doenças infecto-contagiosas que acometiam as pessoas pobres, o que estava destruindo a vida nas cidades. Muitos deles consideravam a enfermeira visitante uma solução para aquela ameaça urbana, pois a visita breve das enfermeiras visava oferecer os cuidados do enfermo, ensinando a família como cuidar 1 Cuidador é o profissional responsável pelo cuidado de bebês, crianças, jovens, adultos e idosos, a partir de objetivos estabelecidos por seus responsáveis diretos, zelando pelo bem-estar, saúde, alimentação, higiene pessoal, educação, cultura, recreação e lazer da pessoa assistida. [Ministério do Trabalho, acessado em 20/10/2008.] 5

6 do caso e como evitar o alastramento da enfermidade. Cuidava, também, de gestantes no pré, trans e pós-parto e de pacientes acometidos por distúrbios mentais, na fase aguda ou crônica. O marco histórico no Brasil foi em 1922 quando a enfermagem se tornou profissão e quando foi fundada a Escola de Enfermeiras do Departamento Nacional de Saúde Pública. A Escola de Enfermeiras passou a ser chamada, em 1926, de Escola Ana Nery. Gradativamente aos marcos históricos na década de 90, decorre a visão do cuidar com a aprovação da Lei de 19 de setembro de 1990 (Anexo C), que dispõe sobre as condições para promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento de serviços correspondentes e fornecem outras providências, regulamentando a assistência domiciliar no Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil. O que possibilita desenvolver ações e profissionais para tratar do enfermo em casa, que mais uma vez, assumia um lugar de destaque no sistema de fornecimento de serviços de saúde. Os serviços eram pagos diretamente pelo paciente e/ou seu familiar, de forma particular, Planos de Saúde e Fundações. Os serviços de Home Care abrangem a atuação da enfermagem em suas categorias profissionais, de terapias ocupacionais, respiratórias, fonoaudiologia, assistência social, nutricionista, serviços de laboratório, odontologia, oftalmologia, farmácia, exames de raios-x, equipamentos médicos de ponta, transporte e suprimentos. Destaca-se em nosso país o desenvolvimento e a implantação da legitimação do serviço de Home Care, como por exemplo: - Portaria 2.874, de 30 de agosto, a de 2000 (Anexo D), prevê a assistência domiciliar a idosos. - Resolução número 270 de 2002 (Anexo B), do Conselho Federal de Enfermagem (COFEM) aprova a regulamentação às empresas que prestam serviços de Enfermagem Domiciliar. - Consulta Pública, número 81, de 10 de outubro de 2003 (Anexo G), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) licencia e libera Alvará de Saúde à prática da Assistência Domiciliar no Brasil. - Resolução da Diretoria Colegiada (RDC nº 11), de 30 de janeiro de 2002, (Anexo H), estabelece as regras para o funcionamento de serviços de saúde que prestam atenção domiciliar. - Resolução Conselho Federal de Enfermagem (COFEM), estabelece as atribuições da enfermagem em Home Care. Foi neste cenário complexo que surgiu o Home Care, ou internação domiciliar, como uma alternativa extremamente viável e como uma complementação aos serviços hospitalares convencionais. Sem ser um conceito inovador, a internação domiciliar simplesmente resgatou as práticas de assistência utilizadas em épocas e locais nos quais a disponibilidade de hospitalização era e é limitada. Utilizando a evolução tecnológica e científica dos últimos anos, tal modelo pode justificar-se e, também, agregar alto nível de segurança, complexidade, qualidade e mobilidade ao atendimento prestado. As vantagens para o cliente contemplam: -Ser tratado nas acomodações e no conforto do seu lar. - Ter maior privacidade, poder usar a sua própria roupa, ter maior controle e segurança física. - Ter maior dignidade em um ambiente que não alimenta a ideia de enfermidade. - Estar em um ambiente de maior socialização. - Poder contar com o apoio, atenção e carinho da família. - Alimentar-se adequadamente com alimentos preparados em sua casa, sob orientação profissional. - Recuperar a saúde no menor prazo possível (já foi comprovado que a recuperação, com tratamento na própria casa, é mais eficiente e mais rápida). - Evitar riscos de infecções cruzadas. - Receber tratamento e cuidados com qualidade. As vantagens para a família contemplam: - Ver, sentir e cuidar do familiar enfermo em sua casa, sem precisar se deslocar para o hospital em um curto horário predeterminado, tendo muitas vezes que pernoitar no hospital para cuidar do familiar. - Não gastar dinheiro e tempo com locomoção e estacionamento, sem considerar os riscos do trânsito, além da redução do estresse. - Contato direto e continuado aos profissionais assistentes. - Participa do desenvolvimento das ações. 6

7 - Melhor acompanhamento da evolução do paciente através dos serviços prestados. O Home Care presta serviços especializados multiprofissionais de saúde no domicílio do cliente de todas as idades, a partir de uma demanda institucional, ou do próprio cliente/família. O gerenciamento da solicitação de um serviço fica, geralmente, a cargo do enfermeiro, que define o plano de atendimento dirigido para o diagnóstico de enfermagem apresentado pelo cliente/família devido ao seu problema de saúde e ao tratamento médico exigido. Integra,assim, os cuidados necessários a serem prestados, associando a promoção da saúde com a abordagem dos fatores ambientais, psicossociais, econômicos, culturais e pessoais de saúde que afetam o bem-estar da pessoa e da família, com base no referencial do auto cuidado, indicando o perfil profissional que se adapta às exigências do cliente/família. O Serviço de Home Care atua com base no problema de saúde ou doença do cliente e nas respostas apresentadas por ele e pela família. O Home Care apresenta dois tipos de gerenciamento de serviços: a) nível do domicílio: - Avaliar inicial e continuadamente o ambiente do lar e as condições do cuidador quanto à demanda terapêutica do cliente, de modo a garantir o conforto do cliente e a segurança do sistema (admissão do cliente na Assistência Domiciliar). - Estimar o número de visitas ou episódios de cuidado domiciliar necessários para a consecução do tratamento. - Explicar ao cliente e à família sobre a Assistência Domiciliar e sobre os respectivos papéis dentro deste sistema. - Estabelecer a relação de ajuda com o cliente/ família. - Treinar e supervisionar o profissional selecionado (cuidador), por meio de instruções detalhadas e estratégias de ensino-aprendizagem pertinentes ao seu nível de compreensão e habilidades. - Permitir que haja a empatia e a aceitabilidade do cuidador frente ao cliente/família. - Coletar e revisar o histórico de enfermagem (entrevista e exame físico), assim como a anamnese médica, a cada visita domiciliar agendada ou episódio de cuidado domiciliar. - Estabelecer e revisar o (s) diagnóstico (s) de enfermagem, a cada visita domiciliar, destacando as necessidades educacionais, financeiras e psicossociais. - Assegurar o máximo de cobertura clínica para o cliente, coordenando os encaminhamentos e serviços especiais necessários ou solicitando pareceres especializados. - Prescrever e revisar o plano de cuidados para as respostas do cliente/família ao problema de saúde ou doença, destacando as atividades de preparação para a alta auto cuidado, a cada visita domiciliar, conforme indicado pelo histórico ou resposta ao tratamento. - Assistir a demanda de cuidado especializado/ profissional que não pode ser prestado pelo cuidador (familiar), caso necessário. - Identificar as barreiras ou dificuldades quanto à alta, estabelecendo um plano de seguimento. - Avaliar os resultados do cuidado que deve ser implementado em conjunto com o cuidador, visando o progresso do cliente em relação à alta. - Manter o cliente e a família informados sobre o (s) diagnóstico (s), tratamento e evolução. - Avaliar a satisfação do cliente/família. - Identificar para o cliente e família o contato da Unidade Básica de Saúde, clínica, hospital ou médico ao qual o serviço de saúde domiciliar está vinculado. -Manter atualizados os registros de prontuário (preferencialmente eletrônico) e documentação para fins de reembolso. b) No nível da administração: - Coordenar Call Center. - Orientar o cuidador ou cliente por meio do Call Center. - Liderança da equipe de enfermagem e da equipe de saúde. - Elaboração dos relatórios para fins de reembolso. - Apoio logístico ao cuidado (material e recursos humanos). 7

8 3.3 ESTRATÉGIAS DE MARKETING PARA EMPRESAS DE SERVIÇOS De acordo com Kotler (1995), as empresas de serviço precisam superar três obstáculos: diferenciação competitiva, qualidade de serviço e produtividade. Seguindo o mesmo autor, para a diferenciação competitiva, a empresa, para evitar a concorrência de preços, deve desenvolver ofertas, fornecimento e imagem diferenciados. Para a sua diferenciação através da qualidade de serviços, o principal é diferenciar-se oferecendo um serviço de qualidade bem superior à de seus concorrentes, para satisfazer o seu cliente. Para administrar sua produtividade, ela pode treinar seus funcionários ou contratar outros que já estão mais qualificados e também podem aumentar a quantidade de serviços. Além da preocupação com a qualidade em serviços, a empresa precisa conhecer o mercado onde está inserida para programar certas estratégias: seus possíveis concorrentes, público alvo e a fatia de mercado que deseja atingir MERCADO Segundo Kotler e Armstrong (1999), mercado é um conjunto de compradores reais e potenciais de um produto ou serviço específico, não são homogêneos, e os consumidores que nele estão inseridos possuem características diferentes; sendo assim, uma empresa não pode atender a todos os clientes em um mercado amplo e diversificado. Seguindo o mesmo autor, os compradores são em grande número, variados e espalhados quando relacionados às práticas de compras e suprimento de necessidades. Ainda, contrário ao que era no passado, ao invés de ir contra os concorrentes mais potentes, as empresas devem analisar as fatias do mercado onde poderão atender de melhor forma SEGMENTAÇÃO DE MERCADO No mercado de consumo atual, onde os consumidores estão à procura de serviços que satisfaçam suas necessidades, a segmentação de mercado se torna viável para o crescimento de qualquer organização. De acordo com Blackwell, Engel e Miniard (2000), a segmentação de mercado é um processo de projetar ou caracterizar um produto ou serviço que exercerá uma atração sobre alguma parte no mercado. Ainda, a necessidade de segmentação do mercado surge a partir da subjetividade do ser humano. De acordo com o Kotler e Armstrong (1999) não existe um maneira exclusiva de segmentar o mercado. Devem-se testar diferentes variáveis de segmentação, isoladas e combinadas para se chegar à forma de analisar o mercado. Ainda, a segmentação definida deve apresentar algumas características como: mensuralidade, o tamanho, o poder aquisitivo e os perfis dos segmentos devem ser medidos, acessibilidade. É necessário que se atenda e se alcance o segmento de mercado; substancialidade, os segmentos devem ser amplos ou lucrativos; operacionalidade, para atender e atrair os segmentos devese poder planejar programas eficazes. Seguindo o mesmo autor, a segmentação por busca de benefícios pelos produtos pelos clientes faz com que agrupe os consumidores, separando os compradores em termos do seu conhecimento, atitudes, usos ou resposta a um dado produto. Para o serviço de Home Care, a segmentação de mercado da forma de busca de benefícios seria ideal, pois este tipo de segmentação permite identificar o tipo de clientela e avaliar suas necessidades, fazendo com que os serviços sejam oferecidos de forma que venham a satisfazer as expectativas na execução do serviço para o cliente PÚBLICO ALVO Segundo Kotler e Armstrong (1999), após a empresa avaliar os diversos tipos de segmentos existentes na literatura, deverá selecionar o seu público alvo. Cobra (1990) informa que público alvo é um grupo de indivíduos que não são clientes da empresa, mas que influenciam indiretamente por afetar seu sistema de valores. Ainda, conhecer melhor o seu próprio público alvo sempre deu melhores condições à pessoa de executar um programa de marketing mais eficaz e mais rentável, sendo que as informações sobre clientes individuais são relevantes para manter uma empresa em ação no futuro individualizado, pois sem a informação individual, em oposição à informação de mercado ou de segmento, o marketing individualizado não seria possível. A informação individual, exatamente por ser baseada em indivíduos e não em segmentos, possui algumas características interessantes quando comparada a outros bens mais tradicionais, como as instalações de produção e redes de distribuição. No caso do Home Care é necessário que cada cliente seja atendido com exclusividade, pois, cada cliente é portador de uma necessidade específica. O público alvo do serviço de Home Care são as famílias que necessitam de um cuidador ou profissional na área de saúde para seu familiar no caso de cuidados de diversas maneiras, necessitando de um profissional que guarde seu familiar com toda segurança e responsabilidade. 8

9 3.3.4 CONCORRENTES Segundo Cobra (1990), administrar convenientemente a ação da concorrência é um dos grandes desafios ambientais, isso exige negociações diretas e indiretas através de associações de classe. Ainda, de qualquer maneira, é graças à atuação da concorrência que uma empresa tende a organizar-se, adaptar-se e até mesmo inovar para poder vencer a batalha do mercado. O mercado informal é o grande concorrente do serviço de Home Care. Pela dificuldade de encontrar profissionais da área de saúde à disposição para esse tipo de serviço, acaba-se contratando pessoas informalmente para cuidados de seu familiar. Conforme Sandhusen (1998), o número de concorrentes, a similaridade de produtos e os modelos de oferta e demanda são os principais determinantes do clima competitivo, geralmente conhecido como monopólio, oligopólio, concorrência pura e concorrência monopolista QUALIDADE EM SERVIÇOS A qualidade em serviços é o objetivo principal de análise neste trabalho. Sabe-se da importância e do crescimento do setor de serviços para a economia nacional e internacional. Percebe-se, em particular, que os serviços, nem sempre são oferecidos de acordo, que venham a atender às necessidades específicas dos clientes. O serviço é um fenômeno complicado e seu significado vai desde um atendimento pessoal, passando por um atendimento em serviço como produto e até serviço do serviço. Vários conceitos são atribuídos aos serviços, conforme Las Casas (2006), os serviços podem ser considerados como atos, ações e desempenho, menos tangível do que um produto físico e está presente em qualquer oferta comercial. Pela característica dos serviços de serem menos tangíveis, os profissionais que trabalham com serviços têm maior dificuldade em atribuir características, estilo e atributos visíveis a um tipo de serviço. De acordo com Kotler e Armstrong (1999), os serviços apresentam quatro características principais: intangibilidade, inseparabilidade, variabilidade e perecebilidade. Ainda seguindo o autor, possui intangibilidade, pois os serviços não podem ser vistos, sentidos, ouvidos ou cheirados; por isso são intangíveis; inseparabilidade, pois de modo geral os serviços são produzidos e consumidos simultaneamente; perecebilidade, pois não podem ser estocados e variabilidade, porque é altamente variável, sua qualidade depende de quem os proporciona e de quando, onde e como são proporcionados. A literatura tem analisado que uma empresa de serviços para se firmar e permanecer no concorrido mercado atual, necessita conquistar níveis cada vez mais altos de qualidade e de respostas no diz respeito à satisfação dos serviços oferecidos ao cliente. Também, serviços com qualidade é uma busca constante de todo o cliente. Segundo Mattos e Veiga (2000), é controverso como o método pode ser operacionalizado, da forma como a qualidade de serviços é percebida pelo cliente. Entende-se que todo o serviço executado deve possuir em sua essência, qualidade. Segundo Berry (1996) a qualidade é definida pelo cliente, pois a conformidade com as especificações da empresa não é qualidade, a conformidade com as especificações do cliente é qualidade. Segundo Berry & Parasuraman (1992) apud Mattos e Veiga, (2000), as expectativas do cliente são os verdadeiros padrões para se avaliar a qualidade do serviço, os clientes avaliam a qualidade do serviço comparando o que desejam ou esperam com aquilo que experimentam, afirmando estes resultados em pesquisa de em vários setores, onde o primeiro reflete o serviço que o cliente espera receber enquanto o segundo reflete o que o cliente acha aceitável, existindo uma zona de tolerância que separa o nível desejado do adequado, significando o âmbito do desempenho do serviço que o cliente considera satisfatório. Conforme Las Casas (2006), para uma boa qualidade de serviços existem seis critérios, onde os clientes percebem que: - o prestador de serviços tem a capacidade de resolver seus problemas; - estão dispostos a solucionar seus problemas de forma amigável e espontânea, utilizando critérios relacionados a processos e aos procedimentos; - sentem que a localização, horário de trabalho, empregados e sistemas operacionais são elaborados para atender às suas necessidades e podem ser adaptadas quando assim forem necessárias; - sabem que qualquer coisa que acontecerá terá a devida atenção e será operacionalizada dentro de princípios éticos, com critérios relacionados às pessoas e aos procedimentos; 9

10 - sabem que sempre que algo sair errado, o prestador de serviços tomará uma atitude imediata para corrigir o problema; - acreditam que os valores pagos pelos serviços são válidos pelo que se recebe devido ao bom nível de desempenho e valores recebidos. 4 ESTUDO DE CASO Através do levantamento de dados, foi afirmado pelos convidados que, devido possuírem um cotidiano agitado, responsabilidades econômicas e atividades profissionais estabelecidas, seria excelente se pudessem recorrer a uma empresa de serviços de Home Care na ocasião de precisão deste tipo de serviço; portanto, verificou-se que há demanda de um serviço de atendimento extra-hospitalar em que seja referência, com uma sede e com oferta de profissionais qualificados para realizar atendimentos, acompanhamentos, coletas de exames, orientações, cuidados de pacientes por 24 horas a domicílio ou em hospital por 24 horas. A sugestão para forma de pagamento deste tipo de serviços eletivos ou de urgência/emergência, podendo ser mensal, quinzenal, ou por pacotes, dependendo do tipo de intervenção. Seguindo, identificou-se que uma das principais características agregadas de um profissional que execute serviços extra-hospitalares está muito além qualidades técnicas, e sim ligadas aos aspectos emocionais como: amar o que faz, ter empatia, desenvolver confiança e afetividade com o cliente. Este profissional também deverá ter conhecimento técnico, porém dependendo da gravidade do problema do paciente, não seria necessário ser um profissional de enfermagem para o cuidado com o paciente. Levantou-se também que a infraestrutura para atendimento da demanda percebida no mercado em estudo deve adequar-se às necessidades de cada cliente, tendo a disposição materiais e equipamentos para locação ou terceirização. 5 CONCLUSÃO Com este presente estudo, buscaram-se conhecer as reais necessidades de potenciais usuários dos serviços extra-hospitalares, os fatores que agregam valor a este segmento de mercado, análise do conhecimento da realidade da população horizontinense, como também a identificação dos aspectos relevantes na qualidade e oferta de serviços do Home Care. Verificou-se que a prática de Home Care tem sido considerada uma prática muito natural, sinônimo de família e associado à noção de conforto, compaixão e segurança. Muitas famílias têm aceitado a grande responsabilidade de cuidar de seus familiares que se encontram enfermos ou necessitam de cuidados extrahospitalares nos ambientes de suas residências. Este tipo de serviço atua com base no problema de saúde ou doença do cliente e nas respostas apresentadas por ele e pela família. A promoção da saúde inclui principalmente a ajuda ao cliente ter um estilo de vida saudável, independente quanto à doença ou problema de saúde e de seu tratamento. Portanto, evidencia que este tipo de serviço ressurge com um potencial para a formação de empresas que prestam assistência e serviços de saúde. Através do debate construído na reunião do Focus Group sobre saúde no geral, pôde-se comprovar quanto o tratamento com um familiar que esteja necessitando de cuidados extra-hospitalares despende de atenção e cuidados especiais por parte da família. Sendo assim, no caso de um profissional de Home Care assumir o papel de cuidador, evidenciaram-se vários fatores na assistência domiciliar aos quais se destacaram os determinantes relacionados ao perfil do profissional que pode executar determinada atividade, fatores que se entenderam como relevantes na avaliação da qualidade deste tipo de serviço: a empatia com o cliente, a adequação às necessidades especificas e a habilidade técnica, pois a família e o assistido se sentem mais seguros, pois estão cientes de que o serviço será executado com cuidado e qualidade necessários para o seu restabelecimento. Percebeu-se que, pelos relatos dos participantes, para uma empresa que ofereça serviços extra-hospitalares, é necessário possuir uma infraestrutura para atendimento da demanda percebida no mercado em estudo, onde o mesmo deve adequar-se às necessidades de cada cliente, tendo a disposição materiais, como no caso um maleta com material de primeiros socorros (gase, termômetro, aparelho para aferir a pressão e aparelho para medir a glicose), também levantou-se a questão pelos participantes de disponibilizar equipamentos para locação ou terceirização, caso algum paciente necessite de cadeira de rodas, cama apropriada, maca e ambulância, a empresa tenha para disponibilização. Identificou-se que a relação custo/benefício deste tipo de serviço é previsível, está na dependência da exclusividade e necessidade subjetiva de cada cliente, que demanda uma avaliação prévia, com levantamento das necessidades. Isto quer dizer que a empresa deve praticar os serviços através de pacotes ou procedimentos, onde se entendeu que o serviço pode ser contratado por um período quinzenal para assistência como apenas para um simples procedimento, como aplicação de injeção. Ainda, através de relatos levantados, evidenciou-se que existe um nicho de mercado, onde inexiste uma instituição que ofereça o serviço de Home Care na cidade de Horizontina, que torna o mercado promissor. 10

11 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AAKER, David A. Y. Kumar e DAY, George S. Pesquisa de Marketing. 2 ed. São Paulo: Atlas, 2004 AAKER, David A. KUMAR, V. DAY, George S. Pesquisa de Marketing. São Paulo. Atlas, ANDRADE. Maria Margarida de. Como preparar trabalhos para cursos de pós-graduação. 5 ed. São Paulo: Atlas, BLACKWELL, Roger D., ENGEL, James F. e MINIARD, Paul W. Comportamento do Consumidor. 8 ed. Livros Técnicos e Científicos Editora S.A, BERRY, Leonard L. Serviços de satisfação máxima: guia prático de ação. Rio de Janeiro: Campus Ltda, BRASIL. Cofen 27/2002 de 18/04/2002, neu.saude.sc.gov.br. Acesso em BRASIL. Cofen 189/96 de 25/03/1996. Rio de Janeiro temas/resolucoes/resolucao_189_96.pdf. Acesso em BRASIL. Consulta Pública 81 de 10/10/2003. DOU, 14/10/ Acesso em BRASIL. Lei 8080 de 19/09/1990. Brasília: DOU, 29/09/ htm. Acesso em BRASIL. Lei nº de 28/12/1990. Brasília: DOU, 31/12/ htm Acesso em BRASIL. Portaria 2874 de 30/08/2000. DOU, 04/09/ /www.mds.gov.br Acesso em BRASIL. Resolução da diretoria colegiada - RDC nº 11 de 26/ 01/2006. DOU, 30/01/ public/home.php Acesso em COBRA, Marcos. Administração de Marketing. São Paulo: Editora Atlas S.A., COBRA, Marcos. Marketing Básico: Uma Abordagem Brasileira. 4 ed. São Paulo: Atlas, CRUZ, I.C.F., BARROS, S.R.T.P e FERREIRA,H.C., Enfermagem em Home Care e sua Inserção nos Níveis de Atenção à Saúde. Revista Enfermagem Atual, v. 1, n.4, p. 35-8, Disponível em: experienciahcsus.doc Acessado em ENGEL, James F.; BLACKWELL, Roger D.; MINIARD, Paul. W. Comportamento do Consumidor. 8. ed., Rio de Janeiro: JC, GIOVINAZZO, Renata A, Focus Group em Pesquisa Qualitativa Fundamentos e reflexões. Disponível em /www.serprofessoruniversitario.pro.br. Acesso em FERNANDES, Denise e DIAS, Claudia. Pesquisa e métodos científicos. Disponível em claudiaad/pesquisacientifica.pdf. Acesso em KARSAKLIAN, Eliane. Comportamento do Consumidor. São Paulo: Atlas KOTLER, Philip. Marketing. São Paulo: Atlas, KOTLER, Philip.; ARMSTRONG, Gary. Princípios de Marketing. 5. ed., Rio de Janeiro:Prentice, KOTLER, Philip.; ARMSTRONG, Gary. Princípios de Marketing. 7. ed., Rio de Janeiro:Prentice, KREUGER, R. A. Focus Group: a practical guide for applied research. Thousand Oaks: SAGE Publications, 1994 LAS CASAS, Alexandre Luzzi. Administração de Marketing. São Paulo; Atlas, LACERDA, M.R. Tornando-se profissional no contexto domiciliar vivência do cuidado da enfermeira. Florianópolis; LAKATOS, Eva Maria e MARCONI, Marina de Andrade. Metodologia Científica. 2 ed. São Paulo: Atlas, LAKATOS, Eva Maria e MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de Metodologia Cientifica. 5 ed. São Paulo: Atlas, LAKATOS, Eva Maria e MARCONI, Marina de Andrade. Metodologia Científica. 4 ed. São Paulo: Atlas, LAKATOS, Eva Maria e MARCONI, Marina de Andrade. Técnicas de Pesquisa. 6 Ed. São Paulo: Atlas, LUCK, David. J. WALES, Hugh G. TAYLOR, Donald A. Marketing Research. New Jersey: Prentice-Hall e Englewood Cliffs, LOVATO, Adalberto, EVANGELISTA, Mário Luiz Santos e GULLICH, Roque Ismael da Costa. Metolologia da Pesquisa Normas para Apresentação de Trabalhos: Redação, Formatação e Editoração. 2 ed. Três de Maio: SR Indústria Gráfica Ltda., MATTAR, Fauze N. Pesquisa de Marketing. São Paulo: Atlas, MATOS, Celso Augusto de e VEIGA, Ricardo Teixeira. Caderno de Pesquisas em Administração: Avaliação da qualidade percebida de serviços um estudo em uma organização nãogovernamental. São Paulo, v.07, nº 03, julho/setembro de Ministério do Trabalho e Emprego, Acesso em Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, 3 ed. Revista e Atualizada, Editora Positivo, ROSENBLOOM, Bert. Canais de marketing: uma visão gerencial. São Paulo, SANDHUSEN, Richard L. Marketing Básico: Tradução Célio Knipel Moreira: 2 ed., São Paulo: Saraiva,

12 ADMINISTRAÇÃO CONTROLADORIA E GESTÃO FINANCEIRA Débora Fontana 1 Edi Branco da Silva 2 Eliandro Fiorim 3 Mauro Alberto Nüske 4 Edelmar Elói Barasuol 5 Sociedade Educacional Três de Maio 6 RESUMO A Análise Financeira constitui em um processo de investigação sobre Demonstrativos Contábeis, objetivando uma avaliação da empresa em seus aspectos operacionais, econômicos, patrimoniais e financeiros, para propor alternativas a serem tomadas pelos gestores. A controladoria tem a função de apoiar os gestores empresariais em todas as etapas do processo de gestão, sendo sua base a Ciência Contábil onde são identificados os fundamentos da gestão econômica. A empresa em análise atua no ramo de Comércio e Representações, com sede na cidade de Giruá, Região Noroeste do Estado Rio Grande do Sul, na busca de melhorar suas atividades e verificar os controles internos utilizados pela empresa, diagnosticar se os mesmos estão adequados ao gerenciamento das informações como forma de propiciar controles eficazes e satisfatórios para a mesma. Definiuse como problema do trabalho a busca por saber, que ferramentas de controle podem ser utilizadas para melhorar o desempenho contábil e financeiro e proporcionar a transparência na gestão financeira da empresa Casa do Compadre. Para isso, utilizou-se a abordagem dedutiva e quali quantitativa, técnicas de coleta de dados como a pesquisa bibliográfica, documental, a observação sistemática e a entrevista não estruturada e, por fim, para analisar os dados, a técnica de análise de conteúdo. Com a pesquisa documental obteve-se da empresa dados referentes aos demonstrativos contábeis, planilhas gerenciais e informações do banco de dados. Já a entrevista não estruturada teve por objetivo coletar informações junto aos gestores e colaboradores, estando relacionada às atividades desenvolvidas na empresa. Assim, o presente trabalho permitiu a constatação e consideração dos pontos fortes e fracos da empresa em suas análises e identificou problemas atuais e futuros que podem afetar o desempenho da companhia. Em relação aos resultados da análise econômica e financeira, foram obtidos indicadores consideráveis e identificadas determinadas falhas, como também foram apresentadas alternativas de solução. Através das análises dos indicadores financeiros elaborou-se, ainda, ferramenta de suporte para controle interno, manual de orientação contábil, fiscal e financeira para análise e acompanhamento gerencial, bem como formulários de controles internos, sendo importante a utilização destas análises para correções futuras e para um melhor planejamento financeiro. Palavras chaves: Controladoria, Gestão Financeira, Demonstrativos Contábeis. 1 Bacharel em Administração SETREM; 2 Bacharel em Administração SETREM; 3 Bacharel em Administração SETREM; 4 Mestre em Engenharia da Produção e Professor da Faculdade Três de Maio SETREM- 5 Mestre em Engenharia da Produção e Professor da Faculdade Três de Maio SETREM 6 Avenida Santa Rosa, 2405, Três de Maio RS. 12

13 ABSTRACT The financial Analysis constitutes in an investigation process about Accounting Demonstrative, having as its main purpose an evaluation of the company in its operational, economic, patrimonial and financial aspects to propose alternatives to be taken by managers. The controller has to support the business at all the stages of the management process being as its basis the Accounting Science where the foundations of economic management are identified. The company in question operates on the branch of Commerce and Offices based in the city of Giruá, Northwest Region of the state of Rio Grande do Sul, trying to improve its activities and check the internal controls used by the company, diagnose if they are appropriate to the management information in order to provide adequate and effective controls to the company. The problem of the work was defined as the search of knowledge, which tools can be used to improve performance and provide financial accounting and transparency in financial management of Casa do Compadre Company. For this, the deductive and qualiquantitative approach was used, data collecting techniques as bibliographic, documental, the systematic observation and unstructured interviews and finally, to analyze the data the technique of content analysis. With the documental research it was gotten from the company data regarding to its financial statements, spreadsheet management and information from the database. The unstructured interview aimed to collect information from the managers and employees, being related to the activities developed in the company. Thus, this work allowed the observation and consideration of the strengths and weaknesses of the company in its analysis and identified current and future problems that may affect the performance of the company. Regarding to the results of economic analysis and financial indicators considerable indicators were obtained and it was identified certain shortcomings but also presented solution alternatives. Through the analysis of financial indicators supporting tools of internal control were elaborated, guidance of accounting, tax and financial analysis for management and monitoring manual as well as forms of internal controls, being important to use these patches for future corrections and to a better financial planning. Keywords: Controller. Financial Management. Accounting Demo. INTRODUÇÃO As organizações dependem cada vez mais de informações adequadas e que permitam a tomada de decisão eficaz. No entanto, nas empresas, é comum a falta de integração entre as áreas, o que dificulta a gestão empresarial. Tal fato pode ser observado, inclusive, entre a Contabilidade e as demais áreas da instituição, principalmente no nível estratégico, ou seja, a informação contábil é pouco utilizada pelo tomador de decisão. O presente trabalho aborda o estudo da controladoria com ênfase na gestão financeira, onde a controladoria tem sob incumbência controlar os assuntos econômicofinanceiros e apontar os desvios detectados. Para tanto, a Controladoria tem por finalidade garantir informações adequadas ao processo decisório, colaborar com gestores em seus esforços de obtenção da eficácia de suas áreas quanto aos aspectos econômicos e assegurar eficácia empresarial, também sob os aspectos financeiros. A empresa objeto deste estudo atua desde 1976 no ramo de comércio e representações, oferecendo produtos de qualidade e fornecendo orientação técnica, tendo como objetivo a ampliação dos níveis de produtividade das lavouras dos seus clientes. Conta no presente momento com 22 funcionários e desenvolve um trabalho baseado no desenvolvimento de novas tecnologias para que o produtor alcance os melhores resultados. 1 METODOLOGIA De acordo com Caravantes (2003) a pesquisa se caracteriza como um esforço cuidadoso para a descoberta de novas informações ou relações, e para a verificação e ampliação do conhecimento existente. A metodologia estuda os meios ou métodos de investigação do pensamento correto e do pensamento verdadeiro que visa delimitar um determinado problema, analisar e desenvolver observações, criticá-los e interpretá-los a partir das relações de causa e efeito (OLIVEIRA, 2001 p. 56). 1.1 MÉTODO DE ABORDAGEM O método se caracteriza por uma abordagem mais ampla, em nível de abstração mais elevada dos fenômenos da natureza e da sociedade. O Método quantitativo se caracteriza pelo emprego da quantificação das informações. É frequentemente utilizado aos estudos descritivos, como o levantamento da opinião, por exemplo, (Richardson, 1999, p. 70). Já a análise qualitativa de um problema, justificase, sobretudo, por ser uma forma adequada para se entender a natureza de um fenômeno social (Richardson, 1999, p. 79). O método quantitativo foi utilizado para organizar quantitativamente os dados da empresa em forma de planilha, cálculos estatísticos, indicadores de resultado. 1.2 MÉTODOS DE PROCEDIMENTO Os métodos de procedimentos são investigações que visam explicar alguns fenômenos, ou seja, conforme Lakatos (2006), os métodos de procedimentos constituem 13

14 etapas mais concretas da investigação, sendo a sua finalidade mais restrita em termos de explicação geral dos fenômenos menos abstratos. Para este trabalho foram utilizados os seguintes métodos de procedimentos: Exploratório e histórico. As pesquisas exploratórias têm como objetivo proporcionar maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo mais explícito ou a construir hipóteses. Este tipo de pesquisa tem como principal objetivo ajudar a compreender a situação-problema enfrentada pelo pesquisador. Tem como características: as informações necessárias são fornecidas apenas de forma ampla e o processo de pesquisa é flexível e não-estruturado. O método histórico foi utilizado para buscar informações sobre processos de gestão financeira junto à empresa analisada; para isso foi verificado com o gestor e colaboradores da empresa quais são os fatos, os registros que existem sobre a evolução da organização e qual foi o caminho percorrido para o estágio que se encontra. Consiste em investigar os acontecimentos, na busca de compreender os fenômenos. 1.3 TÉCNICAS DE COLETA DE DADOS E DE ANÁLISE Das técnicas de coleta de dados foi utilizada a pesquisa bibliográfica, a documental, a entrevista não estruturada e a observação sistemática. A principal vantagem da pesquisa bibliográfica reside no fato de permitir ao investigador a cobertura de uma gama de fenômenos muito mais ampla do que aquela que poderia pesquisar diretamente. Esta técnica foi utilizada como fonte inicial para o desenvolvimento do trabalho em que, a partir desta, foi possível ao pesquisador obter o conhecimento necessário para fazer a análise da pesquisa para posteriormente fazer as implantações na empresa. Em relação à percepção, utilizou-se a observação sistemática, pois o observador sabe o que procura e o que carece de importância em determinada situação (MARCONI; LAKATOS, 2006, p.90). Para as técnicas de análise de dados utilizou-se a análise de conteúdo. Esta técnica vem-se desenvolvendo nestes últimos anos com a finalidade de descrever, sistematicamente, o conteúdo das comunicações. 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 2.1 ANÁLISES DE INDICADORES FINANCEIROS A avaliação sobre a empresa tem por finalidade analisar o resultado e o desempenho, detectar os pontos fortes e fracos do processo operacional e financeiro da companhia, objetivando propor alternativas do curso futuro a serem tomadas e seguidas pelos gestores da empresa. (Padoveze, p.215) Conforme Gitman (1997, p. 107), os índices podem ser divididos em quatro grupos: a) indicadores de liquidez; b) indicadores de atividades; c) indicadores de endividamento; d) indicadores de lucratividade. Assim, os índices financeiros são utilizados para monitorar as operações, assegurando-se de que a empresa está usando os recursos disponíveis de forma eficaz. Serve para descobrir se a posição financeira e operacional está melhorando com o passar do tempo e se os índices estão melhores ou piores que dos concorrentes (Groppelli; Nikbakht, 2005). 2.2 CONTROLADORIA A controladoria surgiu no início do século XX nas grandes corporações norte-americanas com a finalidade de realizar rígido controle de todos os negócios das empresas relacionadas, subsidiárias e filiais. Conforme Clebsch (2002, p. 11), a missão da controladoria é assegurar a otimização do resultado econômico da organização. Já para Padoveze (2007, p.35), a controladoria tem uma missão específica: é um órgão que pode ser mais bem caracterizado como de linha, apesar de, nas suas funções em relação às demais atividades internas da companhia, as características serem mais de um órgão de apoio. Contudo, para que a missão possa ser cumprida a contento, Clebsch (2002, p. 11), ainda enfatiza os objetivos da Controladoria: a) promoção da eficácia organizacional; b) viabilização da gestão econômica; c) promoção da integração das áreas de responsabilidade. Para Padoveze (2004), a gestão de uma empresa com foco em resultados é um dos principais objetivos da controladoria, partindo do princípio de que o lucro é a melhor evidência da eficácia da empresa (p. 20). Almeida et al. (2001, p. 344) afirmam: 14

15 A controladoria não pode ser vista como um método voltado ao como fazer. Para uma correta compreensão do todo, devemos cindi-la em dois vértices: o primeiro como ramo do conhecimento responsável pelo estabelecimento de toda a base conceitual, e o segundo como órgão administrativo respondendo pela disseminação do conhecimento, modelagem e implantação de sistemas de informação. Desta forma, a Controladoria é vista pelos autores como atividade de grande importância dentro das organizações, pois é por meio da análise dos controles que se identificam as falhas decorrente dos processos. Por esta razão, torna-se cada vez mais frequente a necessidade de se discutir os conceitos contábeis e seus respectivos procedimentos, buscando como resultado obter uma melhor confiabilidade no processo decisório. 2.3 CONTROLE INTERNO NAS EMPRESAS Os controles internos se tornam indispensáveis para a segurança da empresa e também assegura o administrador na sua tomada de decisões. Os processos se tornam de fácil entendimento para todos os usuários, tanto internos quanto externos. O controle interno tem como objetivos proteger os ativos, produzir os dados contábeis confiáveis e ajudar a administração na condução ordenada dos negócios da empresa. Para Almeida (1996, p.50), o controle interno representa em uma organização o conjunto de procedimentos, métodos ou rotinas com os objetivos de proteger os ativos, produzir dados contábeis confiáveis e ajudar a administração na condução ordenada dos negócios da empresa AMBIENTE DE CONTROLE NAS PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS Silva (2001) retrata que durante anos, a Administração Financeira da pequena e média empresa foi meramente executiva, consistindo basicamente em receber e pagar e, por isso, era considerada uma simples extensão da administração geral. Esse quadro mudou, surgindo maiores exigências para as funções financeiras em virtude da crescente complexidade da economia brasileira e da expansão e sofisticação do mercado do financeiro. O Controle consiste na comparação sistemática entre o planejado e o executado. Desenvolve-se ao longo do processo e abrange a análise de possíveis desvios e a implementação de ações corretivas necessárias. É velar para que tudo ocorra de acordo com suas regras estabelecidas. 3DESENVOLVIMENTO E ANÁLISE DOS RESULTADOS 3.1 INSTRUMENTO DE CONTROLE O fluxo de informações dentro de uma empresa é de suma importância. Constata-se durante as visitas na empresa a necessidade das ferramentas de controle para a obtenção de um número maior de dados que permite auxiliar a empresa na tomada de decisões. Para melhorar a organização na empresa, desenvolveram-se procedimentos de acompanhamento. 3.2 MANUAL FISCAL O manual foi desenvolvido com o objetivo de consulta e apoio para que os colaboradores possam ter um material de ajuda como forma de sanar as dúvidas decorrentes de suas atividades. Os manuais foram elaborados com base nas informações atualizadas, sendo instrumentos de pesquisa que servirão como orientação para a empresa. Buscou-se, através da legislação, resumir as terminologias e esclarecer entendimentos sobre a tributação fiscal da empresa em estudo. 3.3 MANUAL CONTÁBIL Na contabilidade existem inúmeras questões que envolvem decisões, investimentos, financiamentos que, no conjunto total dos negócios, determinam os quocientes para a análise da empresa, objetivando a maximização dos lucros e o aumento do patrimônio, através de uma visão de mercado rápida e correta, onde o analista deve desempenhar de forma adequada para chegar a um objetivo proposto. 3.4 OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS Em entrevista não estruturada na organização obteve-se a informação do proprietário de que a contabilidade é terceirizada, sendo que o mesmo cogitou a ideia da implantação da contabilidade junto à empresa. Para isso, realizou-se um levantamento das obrigações legais e acessórias que a empresa deve cumprir junto ao fisco. Também foi realizado um levantamento junto a escritório contábil do tempo de demanda para cada atividade. 15

16 3.5 FORMULÁRIOS DE CONTROLES INTERNOS Elaborou-se formulário para suprir as necessidades de cálculo referente a despesas obtidas com viagens a trabalho, para controle de gastos na utilização do veículo. Para um melhor controle e monitoramento das saídas da empresa desenvolveu-se ainda formulário para registrar os adiantamentos a fornecedor e colaboradores como também formulário de solicitação de cadastro de fornecedores, assim a empresa terá o cadastro completo e correto conforme cadastro da Receita Federal, ainda elaborou-se formulário de solicitação de cadastro de clientes, sendo útil para o controle interno da empresa. 2.6 ANÁLISE DOS INDICADORES A análise financeira permite avaliar a situação real da empresa em seus aspectos operacionais, econômicos, patrimoniais e financeiros por meio de demonstrações contábeis. Para Ross; Westerfield e Jordan (2000, p.80) os índices financeiros consistem em ferramentas de comparação e investigação das relações entre diferentes informações financeiras. Os indicadores financeiros são índices apurados com os valores da empresa com o objetivo de auxiliar o gestor a fazer um acompanhamento da situação econômica e financeira. O gestor, por meio dos indicadores financeiros, poderá tomar as decisões gerenciais necessárias visando corrigir os desvios que estão prejudicando a performance dos negócios INDICADORES DE LIQUIDEZ De acordo com a liquidez da empresa, constata-se que estes índices estão sendo coerentemente administrados, pois indicam que a empresa tem capacidade de pagar suas exigibilidades. Os índices de Liquidez Imediata apresentam valores significativos. Já em relação ao Índice de Liquidez Seca, observa-se que a empresa adotou uma nova política e melhorou a logística diminuindo assim o estoque e garantindo maior capital de giro. Desta forma, quanto mais previsíveis forem os fluxos de caixa da empresa, mais baixo será o índice de liquidez corrente aceitável. Os índices podem ser verificados na Figura INDICADORES DE ENDIVIDAMENTO Percebe-se que no decorrer nos anos analisados a participação de capital de terceiro vem se tornando menor. Neste contexto, apresenta situação satisfatória, porém, ainda o ativo imobilizado é superior ao seu Patrimônio líquido, conforme demonstrado graficamente na Figura 2. De forma geral, a empresa está com seu grau de endividamento controlado. % 1,40 1,20 1,00 0,80 0,60 0,40 0,20 0, Liquidez Imediata 0,08 0,08 0,07 0,14 0,14 Liquidez Seca 0,59 0,59 0,65 0,72 0,64 Liquidez Corrente (LC): 1,02 1,04 1,10 1,18 1,25 Liquidez Geral (LG): 0,94 0,93 0,95 0,94 1,01 Fonte: Balancete e DRE da empresa Figura 1: Gráfico de liquidez. % 20,00 18,00 16,00 14,00 12,00 10,00 8,00 6,00 4,00 2,00 0, Endividamento Geral 0,95 0,94 0,89 0,89 0,86 Garantia de Capital Terceiro 18,42 15,19 8,50 7,93 6,35 Imobilização Cap. Próprio 2,16 2,01 1,46 1,44 0,96 Composição Endividamento 0,92 0,89 0,86 0,80 0,81 Participação Cta a Receber 0,47 0,47 0,45 0,39 0,34 Fonte: Balancete e DRE da empresa Figura 2: Gráfico de endividamento. 16

17 3.4.3 INDICADORES DE ATIVIDADE Os indicadores de atividade representam a rapidez com que uma empresa pode gerar caixa se houver necessidade. Nos indicadores de atividade observar-se que a empresa, no último período analisado, apresenta uma média de giro de estoques de 122 dias. Portanto, quanto mais rápido a empresa puder converter estoques e contas a receber em caixa, melhor será seu equilíbrio financeiro, assim demonstrados na Figura INDICADORES DE RENTABILIDADE A empresa vem apresentando declínio em sua rentabilidade em relação aos períodos analisados. Podese observar que os resultados ainda são positivos em 2008 com uma taxa atrativa. Para empresa é um dos pontos positivos e significativos, já que a taxa de mercado (selic) fechou ano 2008 em 11,82%. Altas taxas de retorno sobre o patrimônio líquido são benéficas para a empresa, pois isto significa maior retorno para o empreendimento. Observa-se que a margem de lucro líquido entre os anos de 2005 a 2007 apresentou decadência, melhorando em Estes indicadores de Rentabilidade podem ser verificados na Figura INDICADORES DE LUCRATIVIDADE Os índices examinados proporcionam dicas úteis em relação à eficiência das operações da empresa, porém os indicadores de lucratividade mostram os efeitos combinados da liquidez, gerenciamento de ativos e a dívida sobre os resultados operacionais. Pode-se ver que a empresa em estudo teve uma queda ano a ano em sua lucratividade. A própria concorrência força as empresas a trabalhar com a menor margem líquida e, para aumentar, há necessidade de ajustar custos com maior eficiência, sendo que, conforme Coelho e Waehneldt (1996, p.32), o grande desafio da administração financeira é manter o equilíbrio entre a liquidez adequada e a rentabilidade satisfatória Prazo Medio Renov. Estoques Prazo Medio Recebimento Prazo Medio Pgto Fornecedores Rotação do Ativo Operacional 1,27 0,86 1,00 1,25 1,50 Ciclo financeiro 52,96 52,79 44,16 20,48-7,64 Fonte: Balancete e DRE da empresa Figura 3: Gráfico de Atividade 100,00 90,00 80,00 70,00 60,00 50,00 40,00 30,00 20,00 10,00 0, Retorno sobre Investimento 0,05 0,02 0,02 0,01 0,04 Rentabilidade do Patrimonio Liquido 91,10 30,33 20,49 11,84 32,29 Fonte: Balancete e DRE da empresa Figura 3: Gráfico de Rentabilidade 17

18 40,00 35,00 30,00 25,00 20,00 15,00 10,00 5,00 0, Lucratividade Bruta 17,75 17,19 16,40 10,97 14,37 Lucratividade Liquida Operacional 5,10 0,50 2,88 0,99 3,87 Lucratividade Final 3,72 2,19 2,18 1,06 3,02 Fonte: Balancete e DRE da empresa. Figura 4: Gráfico de Lucratividade CONSIDERAÇÕES FINAIS Para uma empresa sobreviver e manter-se num mercado cada vez mais competitivo torna-se necessário que o empresário tome suas decisões apoiadas em informações precisas e atualizadas; para isso, o trabalho desenvolvido proporcionou para a empresa maior conhecimento dos indicadores financeiros. Assim sendo, utilizou-se a análise de índices, pois envolve métodos de cálculo e interpretação de índices financeiros visando analisar, comparar e acompanhar o desempenho da empresa durante os períodos analisados, como também melhorar o desempenho dos indicadores futuros. Mediante ao problema proposto neste estudo, percebe-se uma gama de ferramentas de controle que pode ser utilizado para melhorar o desempenho contábil e financeiro e proporcionar a transparência na gestão financeira da empresa em estudo, como a análise dos indicadores financeiros, projeção de fluxo de caixa, formulários de procedimentos, manuais, relatórios, onde foram elaborados, conforme a necessidade da empresa durante o desenvolvimento do projeto, como forma de apresentar um sistema de controles que apresentem condições favoráveis para a empresa, atendendo suas particularidades. Como o aperfeiçoamento contínuo faz parte da organização em análise, o avanço e a busca da evolução devem ser previamente mensurados e planejados de uma maneira coerente, seguindo métodos e técnicas administrativas. Assim, a análise financeira permite avaliar a situação real da empresa em seus aspectos operacionais, econômicos, patrimoniais e financeiros por meio de demonstrações contábeis. Nota-se ainda que a empresa base deste estudo apresenta resultados positivos quanto a sua organização e controle, intensificando o comprometimento dos gestores e colaboradores. Dentro deste mecanismo de controle se detectam possíveis desvios ou irregularidades e que proporcionam automaticamente a regulação necessária para voltar à normalidade; assim, por estas razões, o gerenciamento contábil e a financeiro apresenta-se de suma importância dentro do processo de condução dos negócios, permitindo ao profissional de administração novas demandas de mercado, consequentemente novos horizontes a serem explorados. REFERÊNCIAS ALMEIDA, L. B. et al. Controladoria. In: CATELLI, A. (Coord.). Controladoria: uma abordagem da gestão econômica GECON. São Paulo: Atlas, CARAVANTES, B. C. Negócios e Talentos. Revista do Curso de Administração. Porto Alegre, ano 2003, n.1, p CLEBSCH, Teodoro. Controladoria: Cadernos Unijuí. Ijuí: Ed. Unijuí, COELHO, Claúdio; BOTINI, WAEHNELDT Anna B. de A. Administração Financeira. Rio de Janeiro: Senac, FACHIN, Odílio. Fundamentos de Metodologia. São Paulo: Saraiva GITMAN, Lawrence Jeffrey. Princípios de administração financeira. 10ª edição. São Paulo: Addison Wesley, 2004 LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Técnica de pesquisa. São Paulo: Atlas, NIKBAKHT, Ehsan. Administração financeira. São Paulo: Saraiva, OLIVEIRA, Luís Martins de.; PEREZ JR, José Hernandez.; SILVA, Carlos Alberto dos Santos. Controladoria estratégica. São Paulo: Atlas, PADOVEZE,Controladoria Básica.São Paulo:Pioneira Thomson Learning, RICHARDSON, Roberto Jarry. Pesquisa Social, Métodos e Técnicas. São Paulo: 3 a Edição,

19 EDUCAÇÃO CORRUPÇÃO SOCIAL Vinicius Canaes 1 Emilio Donizete Primolan 2 Instituto Toledo de Ensino 3 RESUMO Em um tempo onde a tolerância com a corrupção é menor e a sociedade cobra ações eficazes para combatê-la, este estudo mostra que o combate em particular e a luta pela construção de uma sociedade justa e ética dependem de uma batalha cultural, ou seja, uma mudança na mentalidade e no caráter da sociedade. Este material exercita a reflexão sobre a ética na sociedade, além de demonstrar a relação de fortes laços de corrupção entre sociedade e seus princípios morais, logo, se existem formas de corrupção, é porque a sociedade de algum modo é corrupta. PALAVRAS CHAVE: Corrupção. Ética. Sociedade. ABSTRACT In a time where tolerance of corruption is lower and the society charges effective action to combat it, this study shows that in particular the fight and struggle to build a just society and ethics depend on a cultural battle, that is, a change in mentality and character of society. This material exercises the reflection on ethics in society, and the relationship of strong ties of corruption between society and its moral principles, so if there are forms of corruption, it is because society is somehow corrupt. KEY WORDS: Corruption. Ethics. Society. CONHECENDO O PROBLEMA Nos últimos tempos, as notícias sobre corrupção têm se espalhado como uma chaga no Brasil, estando presentes no âmago dos grandes fatos da nossa história, portanto não são novidades. A palavra corrupção vem do latim corruptus que significa quebrado em pedaços, apodrecido, pútrido, podre, logo, aquele que a pratica tornase um consumidor fiel de seus adjetivos, ceifando o desenvolvimento e a imagem do país, Enquanto a situação se torna mais miserável e insuportável, na mesma proporção em que se multiplicam as riquezas... (ENGELS, 1847, p.32). A corrupção é mais antiga do se pensa, a Bíblia traz em suas páginas o problema, As suas mãos fazem diligentemente o mal; assim demanda o príncipe, e o juiz julga pela recompensa, e o grande fala da corrupção da sua alma, e assim todos eles tecem o mal. (MIQUÉIAS, 1250 a.c, p.999) O estudo deste problema é fundamental na busca do entendimento dos problemas da sociedade e os danos que o mesmo causa ao país. A sociedade necessita de aprendizado para desenvolver formas peculiares de comportamento a fim de construir um país digno baseado na coesão e nos princípios. Punição à corrupção é pedida a todo instante, a sociedade clama por justiça, questiona a moral dos que a praticam, contudo sua hipocrisia não os deixa ver que também são praticantes assíduos deste mal e a decadência das virtudes humanas tendem a gerar consequências nefastas à sociedade. O FIM DA IMUTABILIDADE A crise social que se apresenta de forma imutável sugere algumas reflexões sobre o problema da ética na esfera social, onde uma de suas causas é a inversão de valores que ocorrem de várias formas. Entre as quais, o jeitinho brasileiro. A corrupção, antes de um problema social, origina-se das falhas de conduta da sociedade, que tende a favorecer os cartéis e os detentores do poder, que podem pagar propina e para defender seus interesses. Percebe-se que a corrupção é um círculo vicioso que 1 Graduado em Administração Geral; 2 Mestre em Educação pela UNESP/Assis, professor e coordenador do Departamento de Ciências Sociais da ITE; 3 Instituto Toledo de Ensino ITE Praça IX de Julho, 1-21, (14) , Bauru - SP 19

20 penaliza o país, ceifando seus indicadores sociais. A educação é vista como fator preponderante na formação intelectual da sociedade; logo, maiores investimentos nesta formação representariam de fato uma premissa significativa no combate à corrupção. No livro A economia política da corrupção no Brasil, o autor cita a relação da corrupção no país. É muito comum associarmos a corrupção, em qualquer país, à existência de desigualdade econômica e política. A corrupção poderia ser até mesmo uma causa da desigualdade; se não a causa, pelo menos um fator do problema. (GONÇALVES, 2001, p. 11). Sociedade e setores inteiros da economia são prejudicados com essa deformidade, o livre arbítrio nem sempre é o caminho certo, se libertarem, isso terá de arrastar consigo revoluções em todos os países, as quais mais cedo ou mais tarde, conduzirão igualmente à corrupção. (ENGELS, 1847, p.12). Neste contexto, aquele que burla o sistema é considerado herói, é o que podemos chamar de corrupção passiva: aquele fura fila para ser atendido mais rápido, finge ser gestante ou apresenta alguma deficiência, sem contar o velho jeitinho de conseguir as coisas por baixo do pano, ou mesmo aquela conversa ao pé do ouvido com o guarda para que ele não aplique uma multa. Se não há ética nas pequenas coisas, o que se espera dos que têm o poder? A corrupção é um circulo vicioso. A aceitação da existência desse mal que prejudica setores vitais da sociedade e impede o desenvolvimento do país antepara o desenvolvimento moral e cultural no país; sendo assim, persiste a dúvida se a corrupção é um problema na formação da conduta ou um mero fato social. METAMORFOSE MORAL Mostrar a sociedade, incubadora natural deste feto, que ela tem papel significativo neste processo. Na esfera política é ela quem se corrompe na escolha dos futuros governantes do país, isso desmoraliza a imagem da sociedade e do país, logo um ser corrompível é considerado um tipo ideal. No entanto, não se deve culpar a sociedade por todas as moléstias que infestam o país e sim mostrar a ela que seu papel e responsabilidade no combate deste problema, ou ainda como isso impacta em seu desenvolvimento, seja ele moral ou social. A essência deste trabalho é colocar o assunto como um problema de ordem social e cultural, valorizar sua importância e os problemas que ela acarreta, mostrando inúmeras formas de combatêla. AMPLITUDE DO PROBLEMA A sociedade deve agir de acordo com a ética e moral. Para muitos, a falta desses adjetivos se tornou sinônimo de corrupção. Mas, então, se todos a detestam, por que ainda praticam? Em casos onde a repercussão dos problemas sociais é maior, as providências apenas são tomadas quando aparecem na mídia; contudo, logo caem no esquecimento, é o caso da corrupção social. No livro Sociologia da corrupção, Rui Barbosa discorre sobre o problema da corrupção no país em De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto. (LEITE, 1987, p.16). De fato ela necessita ser mais bem compreendida para ser enfrentada com mecanismos eficazes de combate. O combate é sistemático e implica na mudança da mentalidade da sociedade. Maiores investimentos na educação e na cultura seriam de fato uma premissa significativa dentro desse processo. Este combate é um instrumento eficaz para fazer o país crescer, conservar a sociedade atual, mas eliminar os males que a ela estão ligados... (ENGELS, 1847, p.33). Nesta esfera um simples presente pode ser um passo para a corrupção, algo tão fútil que com o passar do tempo, pode se tornar se tornar imoral. A fome é limitada em todos os seres humanos pela pequena capacidade de seu estômago, mas o desejo de ornamentos da moradia, do vestuário, da carruagem e do mobiliário parecem não ter nenhum limite ou fronteira delimitada. (SMITH, 1983, p.253). DIALÉTICA SOCIAL A problemática da corrupção social está em discussão há muito tempo e, como todos sabem, a imagem que o brasileiro passa para o mundo é de um povo malandro, que resolve tudo à base da conversa. O exemplo que se tornou um dos paradigmas da nossa sociedade e representou o Brasil na Disney e nos mostrou ao mundo, é o Zé Carioca, um sujeito malandro com suas artimanhas, ou melhor, um sujeito que possui o jeitinho brasileiro, com um repertório erudito de artimanhas e trapaças. 20

21 De certo modo a corrupção social ou o jeitinho são tratados com naturalidade, como revela a pesquisa realizada pela ONG Transparência Capixaba: Dois terços da população já usaram o jeitinho para conseguir ou resolver algo. 97% das pessoas consideram corrupção quando há uma inversão de valores, ou seja, quando o patrimônio público é considerado privado e traz riquezas ilícitas. 57% dos brasileiros acham que é apenas um jeitinho alguém recebe um presentinho por ter facilitado algo ou deixado de fazer. 58% consideram que receber um empréstimo do governo através do nepotismo corporativo é apenas jeitinho. 47% afirmam que é só jeitinho passar uma conversa no guarda para que ele não aplique uma multa A corrupção deteriora a imagem do país e ceifa o desenvolvimento social; logo, a sociedade é quem mais sofre com este processo, sendo considerada corrupta, na medida em que corroboram na participação e aceitação deste mal. O código penal dispõe de brechas que impedem o julgamento de crimes relacionados à corrupção, que, relacionados à falta de ética, impedem o fim deste processo, onde a presença de controles adequados aumentaria a prevenção e, consequentemente, diminuem a necessidade de exercer repressão, investimentos na educação e cultura surgem como importantes instrumentos de controle da corrupção. Combater a corrupção, portanto, pressupõe a combinação de ações ordenadas que abranjam desde reformas sociais e culturais na mentalidade da sociedade, além de maiores investimentos em educação, esta que tem papel na formação moral e intelectual da sociedade. REFERÊNCIAS É comum associar a corrupção ao poder e à elite; entretanto, não existe diferença entre corrupção e jeitinho, desviar um ou um milhão não é se corromper a esmo e sim pela falta de princípios. Investir na moralidade individual e valorizá-la, pois pessoas moralmente corretas não permitirão a consumação do desvio de conduta. De certo modo, podemos comparar a corrupção social com a teoria malthusiana, onde o combate e a transformação social crescem de forma aritmética, enquanto sua propagação cresce de forma geométrica. CONSEQUÊNCIAS Notamos neste estudo que a sociedade é uma incubadora natural da corrupção, o jeitinho brasileiro e suas formas peculiares de levar vantagem acabam por sustentar o vício da corrupção. Observa-se que o problema antes de ser considerado social origina-se por falhas de conduta da sociedade, além de ser um problema que acompanha a evolução do homem. Investimentos em educação e cultura, baseadas em uma transformação moral BARROSO LEITE, Celso. Sociologia da corrupção. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, BATISTA, Antenor. Corrupção-fator de progresso? 2 ed. São Paulo: Simples, BÍBLIA, Salmos. Trad. de: João Ferreira de Almeida. São Paulo: Bíblica, Miquéias 7, ver. 3. COSTA, Cristina. Sociologia, Introdução à ciência da sociedade. 3 ed. São Paulo: Moderna, GONÇALVES, Marcos Fernandes. A economia política da corrupção no Brasil. São Paulo: Senac, MALTHUS, Thomas Robert. Os economistas. São Paulo: Abril Cultural, MARTINS, José Antônio. Corrupção. São Paulo: Globo, NAHAT, Ricardo. Anatomia da corrupção. São Paulo: Câmara Brasileira do Livro, PAULO NETTO, José. Engels Política. São Paulo: Ática, seriam de fato importantes peças neste jogo, mudando assim o perfil social do país e por fim combater de forma assídua este mal. CONCLUSÃO Por se tratar de um vasto problema, a corrupção social foi abordada como um problema complexo, todavia com solução. Independentemente de suas repercussões culturais e morais, ela acontece por desvios de comportamento. 21

22 EDUCAÇÃO EDUCAR, CUIDAR E BRINCAR: MÚLTIPLAS LINGUAGENS Caroline Raquel Lawall 1 Elisabete Andrade 2 Sociedade Educacional Três de Maio 3 RESUMO Este artigo apresenta aspectos relativos à concepção de infância. Ao mesmo tempo, enfatiza a importância de trabalhar as múltiplas linguagens na Educação Infantil, contribuindo para o desenvolvimento integral da criança, considerando o educar, cuidar e brincar como princípios da prática pedagógica desenvolvidas com as crianças que frequentam a Educação Infantil. Aborda aspectos relevantes sobre o jogo simbólico, a contação de histórias e as práticas de letramento desenvolvidas com crianças que frequentam a Educação Infantil de uma escola municipal localizada na cidade de Nova Candelária/RS. Palavras-chave: Infância. Múltiplas Linguagens. Práticas Pedagógicas. ABSTRACT This paper presents the childhood design aspects. At the same time, emphasizes the importance of working with multiple languages in childhood education, contributing for the child development, considering education, taking care and playing as pedagogical principles practice developed with the children who attend Kindergarten. It accosts relevant aspects about the symbolic play and literacy practices developed with children that attend Kindergarten in a municipal school located in Nova Candelária, RS. Key Words: Childhood. Multiple languages. Pedagogical practice INTRODUÇÃO Este texto traz reflexões sobre algumas concepções de infância que permeiam o fazer docente, enfatizando a importância de considerar as múltiplas linguagens quando se fala em infância e Educação Infantil. O que instigou este estudo acerca das múltiplas linguagens foi a realização do Estágio supervisionado I 0 a 3 anos, desenvolvido com uma turma do Maternal - crianças entre três e quatro anos, que foi desenvolvido em uma escola municipal localizada na cidade de Nova Candelária. As múltiplas linguagens presentes nas atividades pedagógicas permitem às crianças compartilhar observações, idéias e planos, revelam pensamentos, sentimentos, emoções e valores. Ao mesmo tempo, traduzem características da linguagem própria da criança como a imaginação, a ludicidade, o simbolismo e a representação. Daí a importância de se trabalhar as múltiplas linguagens na Educação Infantil, pois possibilitam o desenvolvimento integral das crianças de forma significativa, representando uma riqueza de possibilidades. Segundo Junqueira Filho (2005), através dos conteúdos-linguagens o professor tem a possibilidade de saber o que as crianças querem e, a partir daí, saber como organizá-las e orientá-las. UM OLHAR SOBRE A INFÂNCIA 1 Acadêmica do curso de Licenciatura Plena em Pedagogia SETREM, 2 Pedagoga, Mestre em Educação nas Ciências pela UNIJUÍ IJUÍ-RS, professora da Sociedade Educacional Três de Maio- SETREM, e- mail: 3 SETREM, Avenida Santa Rosa, 2405, Três de Maio. 22

23 Como professores (as), é imprescindível compreender um pouco mais sobre a infância: etapa singular na vida do ser humano, única de desenvolvimento, possibilidades, aprendizagens e interações. As crianças, em sua infância, gostam muito de brincar de faz-de-conta. É o jogo simbólico que instiga a imaginação e a criatividade das crianças. Segundo Angotti: Este acesso ao imaginário permite que o jogador seja revestido de poderes que só o jogo lhe permite. Em situação de jogo, um simples artesão pode ocupar posições como rei, ou outra ilustre figura. Ainda nos jogos, e em especial nos jogos simbólicos, a pessoa pode voar, pular, realizar ações que só no imaginário seriam possíveis. (ANGOTTI, 2006, p. 128). As crianças que frequentam a Educação Infantil estão em constante processo de socialização com seus colegas, professores (as) e funcionários da escola. Essa interação constante e diária, as situações de aprendizagens vividas na escola, o conhecimento de mundo e do que nos cerca é fundamental para o desenvolvimento infantil. De acordo Edwards, Gandini e Forman (1999): [...] As crianças possuem um desejo inerente de crescer, de saber e de compreender as coisas à sua volta. (p. 54). É essencial que o professor (a) proporcione situações de aprendizagem lúdicas e variadas. Situações que contemplem a linguagem plástico-visual através da pintura, desenho, recorte, colagem, modelagem e outras que contemplem a linguagem gestual-corporal através de brincadeiras no espaço externo da escola, como brincar na areia, com água e argila, nas quais as crianças estão em pleno desenvolvimento. Ambas as situações de aprendizagem, contribuem no desenvolvimento infantil. Conforme Goldschmied e Jackson (2006), quando a criança usa tintas, faz experiências com as cores, passa o pincel de uma mão a outra, nomeia aquilo que pinta, brincando com areia, água e argila, descobre o comportamento de várias substâncias ao bater nelas, amassá-las, e manipulá-las diretamente com as mãos. Durante essa etapa que é a infância, é fundamental considerar a relação do professor com as crianças. Algumas crianças são mais tranqüilas; outras, mais agitadas, tímidas e meigas. É importante que o professor respeite a individualidade e as diferenças presentes na sala de aula, buscando conhecer as crianças, compreender determinadas atitudes e, acima de tudo, respeitar seu jeito de ser. Hoje, a concepção que se tem sobre infância perpassa o eixo cuidar-brincar-educar, visando o desenvolvimento integral da criança. Esse aspecto leva a indagar: qual a concepção de criança que trazemos conosco? Conforme Angotti: Crianças, seres íntegros em suas manifestações de singularidade, sociabilidade, historicidade e cultura, que, por meio das práticas de educação e cuidado, deverão ter a garantia de seu desenvolvimento pleno pelas vias da integração entre seus aspectos constitutivos, ou seja, o físico, emocional, afetivo, cognitivo/lingüístico e social. (ANGOTTI, 2006, p. 20). Um olhar sobre a infância abrange considerar a importância dessa etapa para o desenvolvimento integral da criança, suas possibilidades, aprendizagens e interações. AS MÚLTIPLAS LINGUAGENS NO DESENVOLVIMENTO INFANTIL As crianças em seu terceiro e quarto ano de vida, gostam muito de brincar de faz-de-conta. É a linguagem do jogo simbólico que aguça sua imaginação, fantasia, vontade de descobrir e compreender o mundo. Segundo Santos: Na brincadeira do faz-de-conta é onde a criança pode aprender muita coisa sobre o comportamento social. É representado o papel de mãe, pai, médico... que ela pode se colocar no lugar de outro, percebendo melhor cada papel que estes representam na sociedade e, assim, compreender seu próprio comportamento. (SANTOS, 1999, p.81-82). Através do jogo simbólico a criança inventa, imagina, representa e se expressa, podendo desempenhar vários papéis. De acordo com Santos: A brincadeira simbólica possibilita à criança ir até a fantasia, viver fantasticamente e voltar à realidade; ir até uma situação vivida pelo outro e voltar a si mesma. [...] (SANTOS, 1999, p. 91). Além disso, Santos (1999) expõe que a criança utiliza o faz-de-conta para resolver situações que no real ela não é capaz, que desse modo, seus medos e inseguranças são recriados ao seu modo. É importante considerar que a literatura infantil exerce um papel fundamental na Educação Infantil, estimulando a linguagem escrita, oral, visual, simbólica(...). Além disso, a leitura de histórias para as crianças instiga a imaginação. A leitura de histórias pode ser uma forma de brincar com palavras e figuras e é uma atividade imediatamente prazerosa para crianças e adultos, além de proporcionar uma rica fonte para a imaginação. (MOYLES, 2002, p.65). No entanto, são essenciais certos cuidados na hora de contar uma história, que histórias vamos escolher e de que maneira vamos contar. Conforme Abramovich (1993) é fundamental ler o livro, bem lido, antes de contar a história 23

24 e sentir o que nos passa a história (emoção, raiva, alegria). Ainda: O narrador tem que transmitir confiança, motivar a atenção e despertar admiração. Tem que conduzir a situação como se fosse um virtuoso que sabe seu texto, que o tem memorizado, que pode permitir-se o luxo de fazer variações sobre o tema. (ELIZAGARAY, apud ABRAMOVICH, 1993, p 20). É fundamental, também, que o professor (a) utilize a linguagem própria do livro para que ele não perca a sua riqueza e as crianças aos poucos adentrem no mundo da linguagem literária. Segundo Amarilha: A linguagem literária organiza os fatos em forma diferente da linguagem oral do cotidiano. Como essa roupagem tem bossa, ritmo, humor, o leitor mirim percebe que está diante de uma maneira diferente de ser da língua. É por essa razão que muitas vezes a criança solicita a repetição de uma mesma história, principalmente crianças pré-escolares. Visto que não dominam ainda os esquemas e convenções da escrita, elas precisam ter um apoio para aprenderem as novidades da linguagem literária [...]. (AMARILHA, 1997, p. 49). Propor situações de aprendizagens através de cantigas, por exemplo, é uma ótima maneira de desenvolver múltiplas linguagens como a linguagem escrita, plásticovisual e sonoro-musical, bem como abrange o processo de letramento. O professor (a) pode selecionar uma cantiga conhecida e significativa para as crianças e confeccionar um painel com a escrita da cantiga. Oportunizar às crianças imagens grandes que representam a cantiga, para que as crianças possam colorir, recortar e colar no painel. Assim, as crianças podem estabelecer a relação entre imagens e escritas. Nesse sentido, Magda Soares destaca sobre o envolvimento das crianças em práticas sócias de leitura e de escrita: [...] A criança que ainda não se alfabetizou, mas já folheia livros, finge lê-los, brinca de escrever, ouve histórias que são lidas, está rodeada de material escrito e percebe seu uso e função, é ainda analfabeta, porque não aprendeu a ler e a escrever, mas já penetrou no mundo do letramento, já é de certa forma, letrada. (SOARES, 2006, p.24). O que é comum às múltiplas linguagens, é que estas sejam contextualizadas e significativas para as crianças, pois é neste contexto que as crianças falam e se comunicam. O que é comum a todo uso da linguagem é que ele é significativo, contextualizado e no sentido social mais amplo; isso é revelado muito claramente para a criança no desenrolar de sua experiência cotidiana. (MOYLES, 2002, p. 51). Também, Edwards, Gandini e Forman apontam sobre a importância das múltiplas linguagens para o desenvolvimento infantil: As crianças pequenas são encorajadas a explorar seu ambiente e a expressar a si mesmas através de todas as suas linguagens naturais ou modos de expressão, incluindo palavras, movimento, desenhos, pinturas, montagens, escultura teatro de sombras, colagens, dramatizações e música. (EDWARDS, GANDINI, FORMAN, 1999, p.21). Dessa forma, as múltiplas linguagens contribuem no desenvolvimento integral da criança, permitindo que a criança expresse a si mesma e explore o ambiente onde está inserida. Foi com esta proposta que o Estágio Supervisionado I 0 a 3 anos foi desenvolvido, buscando considerar a criança sujeito do processo educativo; por isso, as concepções teóricas sobre as múltiplas linguagens perpassaram o planejamento e fundamentaram a prática pedagógica desenvolvida com as crianças. CONSIDERAÇÕES FINAIS Falar em múltiplas linguagens é falar em possibilitar o desenvolvimento integral da criança. Através das múltiplas linguagens, a criança expressa, comunica, organiza, movimenta e imagina. As crianças a todo o momento estão fazendo uso da linguagem, tudo é linguagem. Trabalhar as múltiplas linguagens na Educação Infantil significa contribuir nos aspectos cognitivos, psicomotores, afetivos e sociais. Profere respeito à motricidade infantil, à fala e à oralidade, à representação e à escrita. As situações de aprendizagens propostas na Educação Infantil quando voltadas à consideração das múltiplas linguagens se atêm de forma efetiva das necessidades das crianças, pois elas são a base do desenvolvimento das crianças. Ao mesmo tempo, criam um mundo de encantamento, interações, sentimentos, possibilidades e aprendizagens. Não é a educação que tanto almejamos, é a educação de qualidade que tanto almejamos e que pode estar sendo ofertada às crianças que frequentam as escolas de Educação Infantil-creche e pré-escola. Esta escrita revela um pouco do que foi vivido durante a realização de um Estágio Supervisionado, oportunizado pelo curso de Licenciatura Plena em Pedagogia SETREM. A intenção desta escrita, além de chamar a atenção para as práticas pedagógicas que podem ser desenvolvidas com crianças na faixa etária de 0 a 3 anos, também quer alertar para a importância dos Estágios Supervisionados oferecidos pelos Institutos de Educação Superior IES. Este espaço possibilita a experiência com 24

25 a realidade das escolas, ao mesmo tempo em que faz compreender e relacionar teoria e prática. É um espaço significativo de produção de conhecimentos em sala de aula e também na escola em que os estágios são realizados, pois enquanto acadêmicas, com os planejamentos das aulas, acabamos influenciando novas práticas, vislumbrando novas possibilidades de intervenções pedagógicas e compreensão da infância como uma fase repleta de significados. REFERÊNCIAS ABRAMOVICH, Fani. Literatura Infantil: gostosuras e bobices. 3ª Ed.. Scipione, AMARILHA, Marly. Estão Mortas as Fadas? Literatura Infantil e Prática Pedagógica. Petrópolis. RJ, Vozes, ANGOTTI, Maristela. Educação Infantil: para que, para quem e por quê? Campinas SP. Alínea, EDWARDS, Carolyn. GANDINI, Lella. FORMAN, George. As cem linguagens da criança: a abordagem de Reggio Emilia na educação da 1ª infância. Porto Alegre: Artmed, GOLDSCHMIED, Elinor, JACKSON, Sonia. Educação de 0 a 3 anos: o atendimento em creche. 2ª edição. Porto Alegre: Artmed, JUNQUEIRA, Gabriel de Andrade Filho. Linguagens geradoras: seleção e articulação de conteúdos em Educação Infantil. Porto Alegre: Mediação, MOYLES, Janet R. Só brincar? O papel do brincar na Educação Infantil. Porto Alegre. Artmed, SANTOS, Marli Pires dos. Brinquedo e Infância: um guia para pais e educadores em creche. Petrópolis, RJ: Vozes, SOARES, Magda. Letramento: um tema em três gêneros. Belo Horizonte: Autêntica,

26 ENGENHARIA DE PRODUÇÃO ELABORAÇÃO DE UM BISCOITO RECHEADO DE CAFÉ COM GERGELIM Fernanda Hart Weber 1 Noelle Cristiane Moreira de Melo 2 Sociedade Educacional Três de Maio - SETREM 3 RESUMO Esse trabalho foi desenvolvido durante a Prática de Produção III do curso de Engenharia de Produção e teve como finalidade o desenvolvimento de um biscoito recheado de café com gergelim na proposta de um produto inovador, incorporando aos biscoitos um sabor delicioso de café com as propriedades funcionais do gergelim. Seguiram-se as normas do manual de Metodologia da Pesquisa da Sociedade Educacional Três de Maio - SETREM e a estrutura do Guia PMBOK. Foi utilizada uma linguagem quali-quantitativa e pesquisas bibliográficas em artigos científicos e periódicos. Para a produção do biscoito realizaram-se 04 testes, dos quais resultou a formulação do produto, posteriormente seguidos de testes de análise sensorial, sendo que este demonstrou que o índice de intenção de compra do produto atingiu 99%; portanto, o biscoito recheado de café com gergelim agradou ao público consumidor, que considerou um produto diferenciado com 94,4%. Além disso, amostras do biscoito foram analisadas quanto aos padrões microbiológicos, carboidratos, gorduras totais e umidade de onde foram considerados os resultados como bons e dentro dos padrões legais. Posteriormente, os dados foram analisados e discutidos de forma descritiva, através de fluxograma e gráficos para a melhor compreensão dos mesmos. Portanto, conclui-se que os objetivos da disciplina foram alcançados, pois o produto elaborado foi considerado inovador (diferenciado) pelo público consumidor. Palavras - chaves: Café. Biscoito recheado. Produto diferenciado. ABSTRACT This paper aimed to develop a filled cracker made with coffee with sesame, according to what was defined in the objective of the project, and, which grants the consumer public s expectations. The cracker was developed during the 7 th semester of the course Agroindustrial Production Engineering, in the subject Production Practice III, development of an innovative product. While developing the methodology, the rules from the Manual of Methodology Research, developed by SETREM - Sociedade Educacional Três de Maio were used; the structure of the guide PMBOK. A qualitative and quantitative language was used and also a bibliographical study done used in this study. For the preparing of the cracker four tests were carried out, from all of them it had got the final product. Sensorial analyses tests were carried out, and it showed that the intentions of buying the product reached 99%, so the cracker filled with coffee and sesame pleased the consumer public who considered the product as a differential in a rate of 94,4%. Besides samples of the cracker were analyzed in relation to microbiology patterns, carbohydrates, whole fat and moisture where the results were considered good and according to the patterns. After, the data were analyzed and debated in a descriptive way, through fluxograms and graphs to a better comprehension of them. Therefore, it is possible to conclude that the objectives of the discipline were reached, because the created product was considered innovative (different) by the consumer public. Key words: Coffee. Filled cracker. Different product. 1 Docente do curso de Engenharia de Produção da SETREM, Doutora em Tecnologia de Alimentos. 2 Acadêmica do curso de Engenharia de Produção da SETREM 3 SETREM, Avenida Santa Rosa, 2405 Três de Maio RS; 26

27 1. INTRODUÇÃO As indústrias do setor alimentício ocupam uma posição de destaque nas maiores economias do planeta. No Brasil, esta situação apresenta essa mesma tendência, principalmente com o segmento dos biscoitos que são produzidos durante o ano inteiro e consumidos a qualquer hora e em qualquer refeição. Segundo Rekson (2007), os recentes avanços tecnológicos da indústria, as mudanças de hábitos alimentares da população e as facilidades de acesso a novos produtos, tendências, marcas e tecnologias, trouxeram consigo a demanda ao desenvolvimento de novos alimentos industrializados para atender a diferentes classes sociais e culturais. Partindo disso, a escolha do café se dá porque é uma das bebidas mais populares do mundo, sendo utilizado em praticamente todos os países há muito tempo. Sua grande aceitação se deve, principalmente, ao seu aroma intenso e sabor peculiar. Nesse contexto, o café tem uma grande relevância para a economia mundial e, particularmente, a economia do Brasil, o maior produtor mundial e um dos maiores consumidores. Vale ainda ressaltar que adultos que ingerem café diariamente, em doses moderadas, têm o sistema de vigília do cérebro estimulado, aumentando a capacidade de atenção, entre outros benefícios como também reduzindo a apatia e a fadiga. (RODRIGUES et al. 2007). Para Costa, 2007 o gergelim é uma oleaginosa com comercialização mundial em plena ascensão, devido ao aumento significativo de produtos industrializados com gergelim, favorecendo o seu consumo para diversos fins na indústria alimentícia, principalmente no processamento de doces, biscoitos e nos produtos de panificação, além de seu emprego na culinária caseira. Devido aos inúmeros benefícios do café e do gergelim, os mesmo foram selecionados para ser o recheio do biscoito e, com isso, produziu-se o biscoito recheado de café com gergelim. Os biscoitos recheados de café com gergelim atenderam às expectativas dos consumidores, alcançando mais de 90% a aceitação por parte dos consumidores que o provaram. 2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA O biscoito é um produto composto principalmente por farinha de trigo, gordura e açúcar, com teor de umidade bastante baixo o que lhe proporciona uma longa vida de prateleira, se acondicionado em embalagem com eficiente proteção à entrada de umidade (MONTEIRO, 1996 apud MONTEIRO, MARTIN, 2008). O Brasil é o segundo maior produtor mundial de biscoitos, perdendo somente para os Estados Unidos. Praticamente toda a produção se destina ao consumo interno, tendo em vista que a média da exportação brasileira de biscoitos foi de 2% da produção nos últimos oito anos. Os biscoitos doces recheados são os mais consumidos no Brasil, representando 28,7% do total. Os salgados do tipo cream cracker/ água e sal vêm em segundo lugar, com 22%; ou seja, juntos, estes dois tipos de biscoitos representam a metade do mercado nacional. A seguir estão os biscoitos doces especiais (16,5% de participação de mercado), Maria/ Maisena (11,4%), salgados (8,4%) e wafers (7,6%). (SEBRAE, 2008). Conforme a TACO, 2006 traz demonstrações dos níveis de composição dos biscoitos recheados doces, com recheio de chocolate, morango, entre outros. Nota-se que nos biscoitos recheados de chocolate a composição do colesterol (mg) é menor que os Limites de Quantificação (LQ), sendo para o colesterol de 1,000mg/100g. A tabela 01 mostra um exemplo de biscoito recheado encontrado no mercado, onde é possível visualizar os níveis de carboidratos entre outras substâncias. Tabela 01: Informações Nutricional de uma porção de 3 biscoitos. Carboidratos 19g 6% Proteínas 2,2g 3% Gorduras Totais 6,2g 11% Gorduras Saturadas 2,9g 13% Gorduras Trans Não contém - Fibra Alimentar 1,7g 7% Sódio 89mg 4% Fonte: Biscoito Recheado encontrado no Mercado Segundo a Unidade de Pesquisa do café (INCOR) 2007, pouco se conhece dos possíveis benefícios do consumo diário e moderado de café para a saúde humana, particularmente o sistema cardiovascular. No passado, suspeitava-se que o café consistia apenas de cafeína, prejudicial ao ser humano, sendo contra-indicada a todo paciente com doença cardiovascular. Mas o café, não é só cafeína. Pesquisas epidemiológicas sugerem que consumo regular e moderado de café, na dose de 3 a 4 xícaras diárias, pode exercer um efeito profilático sobre a depressão/suicídio, o consumo de álcool e a incidência de cirrose. E, subprodutos do grão de café, como um produto fitoterápico, talvez possam ser de utilidade para a prevenção e tratamento de recidivas da depressão, alcoolismo, Parkinson dentre outras doenças. (INCOR, 2007). 27

28 Para Costa 2007, nos países orientais a semente de gergelim é considerada uma restauradora da vitalidade, devido a quantidades significativas de vitaminas, principalmente do complexo B, constituintes minerais e oligoelementos diversos, como cálcio, ferro, fósforo, potássio, magnésio, sódio, zinco e selênio, proteínas de alto valor biológico e lipídios constituídos em sua maioria por ácidos graxos insaturados. Os benefícios relacionados com a utilização dos alimentos funcionais estão relacionados à prevenção de determinadas doenças como as cardiovasculares, além da manutenção do equilíbrio do ecossistema intestinal o que poderia prevenir determinados tipos de câncer como o intestinal e as lesões intestinais de outra natureza (DEMONTE, 2000 apud LUPATINI, 2006). 3. CONCLUSÃO Para a elaboração dos biscoitos recheados foram realizados 04 testes de produção junto à Agroindústria SETREM, firmando-se o teste 04 como o teste piloto, onde se encontrou a formulação ótima. O fluxograma de produção do teste piloto está descrito na figura Seleção da Matéria Prima: Seleção dos ingredientes, ou seja, a matéria-prima que será utilizada no processo de fabricação do biscoito recheado. Cabe salientar que nessa fase é de suma importância adquirir ingredientes de extrema qualidade, pois, para que um produto obtenha as características desejadas, é imprescindível qualidade na hora da escolha dos ingredientes. Os ingredientes utilizados para esta formulação da massa foram os seguintes: farinha de trigo, açúcar, fermento químico que contém bicarbonato de sódio, gordura vegetal hidrogenada (neste caso livre de gorduras trans), sal, água, estabilizante, corante e açúcar de baunilha. 2. Pesagem dos ingredientes: Outra etapa que merece atenção, pois caso algum ingrediente ultrapasse, ou seja, insuficiente, a massa terá sabor não característico e poderá ocasionar defeitos na mesma, como por exemplo, ela pode ficar quebradiça, dura. 3. Mistura dos ingredientes: Adotou-se a metodologia exposta por Morreto & Fett, Para Morreto & Fett, 1999 o método de mistura geralmente usado neste tipo de biscoito é o de creme dois estágios. 1º estágio: O creme é feito com gordura, leite em pó, água e estabilizante lecitina de soja. 2 estágio: Adição da farinha, agentes químicos e outros ingredientes. Dessa forma, a gordura vegetal hidrogenada foi pré-aquecida e dissolvida com os ingredientes do 1 estágio. O leite em pó foi dissolvido na água fervida, juntando a gordura, a lecitina, e o açúcar. Esses ingredientes foram pré- aquecidos para homogeneizar. Posteriormente foi adicionada a farinha e o chocolate em pó, a essência de baunilha e os restantes. Nesta etapa é importante que todos os ingredientes sejam homogeneizados; caso contrário, poderá ficar vestígio de gordura, sal ou açúcar no biscoito já pronto. Para Martines 2006, o processo de mistura em biscoito tem as seguintes funções: homogeneizar os ingredientes para formar uma massa uniforme; dispersar sólido no líquido ou líquido no sólido; formar soluções de um sólido num líquido; desenvolver o glúten da farinha e aerar a massa, deixando-a menos densa. 4. Formação do biscoito: Nessa etapa, a massa é esticada com auxílio de rolo. Neste momento que se escolhe como será o formato. O formato do biscoito foi determinado com o auxílio de um molde redondo com diâmetro de 4,5 centímetros, semelhantes aos biscoitos recheados já existentes. Figura 01: Fluxograma de produção do biscoito no teste 01. Fonte: Melo, Weber, As etapas seguidas para a produção dos biscoitos estão descritas abaixo: 5. Cozimento: O mesmo deve ser feito em forno verificando-se o tempo e a temperatura para que as mesmas não fiquem cruas ou assadas demais. Foi utilizado um forno elétrico marca Fischer. A primeira função do cozimento é a remoção da água. A segunda função é dar cor ao produto, graças à caramelização dos açúcares, principalmente da superfície do produto, isto também ajuda a melhorar o sabor. A terceira função é a série de reações químicas e físicas que ocorrem: hidratação e gelatinização 28

29 parcial do amido da farinha, combinação química de certos materiais protéicos e carboidratos, resultando no sabor mais agradável do produto. (MERTINES, 2006). As temperaturas e tempos de cozimento estão descritas na tabela 02. Logo em seguida foi desenvolvido o recheio de café para os biscoitos. O recheio é uma etapa do processo que merece muita atenção, pois é nele que se encontra o diferencial dos biscoitos. As etapas do fluxograma de produção estão descritas na figura 02. Tabela 02: Temperatura das fornadas em função do tempo. FORNADAS TEMPERATURA ( C) TEMPO (min) 1º Fornada º Fornada º Fornada º Fornada Fonte: Melo, Weber, Resfriamento: Nesta fase as bolachas são deixadas em uma fôrma para resfriar para posteriormente ser colocado o recheio entre as mesmas. O resfriamento deve ser efetuado lentamente e em ambiente sem circulação de ar frio. Três pontos devem ser levados em consideração no resfriamento para controlar a quebra do biscoito: formulação bem balanceada, assadura em condições ideais, com o mínimo de variação no conteúdo de umidade das diferentes partes e resfriamento em atmosfera quente e úmida, evitando corrente de ar frio ou soprado diretamente sobre os biscoitos. (MERTINES, 2006). 2. Armazenagem: Posteriormente foram armazenados os biscoitos em bacias para espera do recheio. Tabela 03: Proporções de cada ingrediente da produção dos biscoitos. INGREDIENTE Farinha de trigo Açúcar Sal Açúcar de Baunilha Corante Caramelo QUANTIDADE 500g 150g 5g 20g 25ml Figura 02: Fluxograma de produção do recheio. Fonte: Melo, Weber, Fermento químico Lecitina de soja Água GVH* Chocolate em pó Leite em pó 5g 10g 150g 100g 60g 25g As quantidades de ingredientes que foram utilizadas no recheio dos biscoitos estão descritas na tabela 04. *GVH:Gordura vegetal hidrogenada livre de trans. Fonte: Melo, Weber,

30 Tabela 04: Proporções de cada ingrediente da produção do recheio INGREDIENTES GVH* Café Dissolvido Leite condensado Gergelim QUANTIDADE 20g 10g 365g 20g *GVH:Gordura vegetal hidrogenada livre de trans. Fonte: Melo, Weber, COMPARAÇÕES ENTRE OS TESTES DE PRODUÇÃO Foi verificado que todos os testes foram de suma importância para o desenvolvimento do produto final. Na tabela 05, está expressa a média dos tempos que os biscoitos ficaram expostos no processo de cozimento, bem como a temperatura do forno para os quatro testes. Tabela 05: Média das características do processo de cozimento dos biscoitos Média da Temperatura (ºC) Média do Tempo (min) Teste Teste Teste ,5 Teste ,5 Fonte: Melo, Weber, Conforme o exposto na tabela 05 pode-se notar que a temperatura ideal para o processo de cozimento foi de 210 C, pois, com essa temperatura em função do tempo de 8,5 minutos, os biscoitos apresentaram queimaduras. O tempo ideal de 8,5 minutos foi encontrado no teste 04, esse tempo mostrou que os biscoitos ficaram em ponto ideal não ficando moles e nem duros. Depois de prontos conforme cada procedimento de cada teste os biscoitos apresentaram variação significativa nos aspectos físicos, conforme a tabela 06. Tabela 06: Características físicas dos biscoitos após resfriamento Diâmetro (cm) Espessura (cm) Fator de Expansão (cm) Teste 1 4,0±0,089 1,83±0,148 2,16±0,012 Teste 2 5,2±0,244 2,2±0,188 2,36±0,021 Teste 3 5,0±0,158 1,8±0,117 2,77±0,048 Teste 4 4,81±0,167 1,5±0,254 3,2±0,223 MÉDIA GERAL Fonte: Melo, Weber, ,75±0,526 1,83±0,286 2,62±0,461 Para chegar às medidas de diâmetro foram escolhidas aleatoriamente cinco amostras de cada teste e com auxílio de uma regra foram feitas as medidas. Posteriormente foi feita a média dessas médias juntamente com o desvio padrão e plotados na tabela 20. Já para as medidas de espessura foi utilizado o auxílio de um paquímetro e o fator de expansão (FE) se dá pela razão do diâmetro pela espessura. Para estudos mais aprofundados, esses dados terão que ser corrigidos pela altitude e pressão barométrica ao nível do mar, conforme os procedimentos descritos na American Association of Cereal Chemists (AACC), Approved methods 10-50D conforme Silva, O diâmetro esperado com o auxilio do molde era de 4,5 cm e foi encontrado aproximadamente no teste 04, com 4,81 cm de média e a espessura desejada eram de 1,5 cm de média que foi alcançada no teste 04 e para o fator de expansão o teste 04 teve o mais alto, considerável bom, pois para o diâmetro e espessura desejado terá um fator de expansão maior. Para Silva, 1998, biscoitos com fator de expansão muito alto ou muito baixo causam problemas na indústria, resultando em produtos com tamanho pequeno ou peso muito elevado, sendo ainda o melhor quando o fator de expansão é mais alto. Os testes 02 e 03 ultrapassaram os diâmetros e espessuras desejadas pois apresentaram crescimento elevado após a saída do forno, devido ao fermento químico contendo bicarbonato de sódio que foi diminuído no teste 04. O rendimento dos biscoitos foi padronizado no teste 04, pois, para cada 2,700 kg de massa, rende 40 biscoitos recheados. 3.2 ANÁLISE SENSORIAL Conforme Ormenese (2001), os biscoitos são geralmente consumidos para satisfazer necessidades hedônicas e não nutricionais. Consequentemente, a qualidade sensorial é o principal fator na determinação da 30

31 aceitação e da preferência do consumidor por estes produtos, devendo-se conhecer os parâmetros sensoriais considerados importantes pelo consumidor. Foram selecionados provadores não-treinados para realizar a análise sensorial. Os provadores faziam parte do curso de Engenharia de Produção sendo num total de 72, denominados aqui provadores 01, e 24 provadores foram escolhidos aleatoriamente que não faziam parte do curso, denominados provadores 02 totalizando 96 provadores. Os mesmo foram selecionados em função da disponibilidade e interesse em participar do teste RESULTADOS DA ANÁLISE SENSORIAL Na seleção dos provadores, conforme mencionado anteriormente, a média de mulheres dos provadores 1 e 2 foi de 54,3% e de homens 45,8% conforme a figura 05. Para fins de avaliar a aceitabilidade do produto, a divisão em dois grupos de provadores se explica pelo fato de que os integrantes do curso de Engenharia de Produção Agroindustrial estão treinados a responder as exigências que o formulário traz como também conhecerem os requisitos propostos pela Prática III. Já os provadores escolhidos aleatoriamente são pessoas leigas no assunto e foram selecionadas a fim de verificar a aceitabilidade do produto por parte do grupo dessas pessoas que desconhecem os requisitos propostos pela Prática III. Utilizou-se uma escala hedônica estruturada de 05 pontos, onde os provadores teriam que responder sobre aparência, textura, odor, sabor e crocância das amostras, através de um formulário. Posteriormente à coleta de dados, os mesmos foram tabulados para facilitar a compreensão conforme será exposto abaixo. Dos provadores 01, 62,5% eram homens e 37,5% mulheres, sendo que 03 pessoas eram fumantes, 04 estavam resfriados e tomando medicamento; portanto, esses provadores foram desconsiderados do teste de análise sensorial por estarem fora dos padrões exigidos pela análise. A faixa etária variou conforme a figura 03. Faixa etária 15 a a a a 45 Acima 45 Pessoas 59,7% 22,2% 8,3% 5,5% 4,3% Fonte: Melo, Weber, Figura 03: Faixa etária dos provadores B. Figura 05: Distribuição dos sexos dos provadores 01 e 02. Conforme a figura 21, a média entre homens e mulher se tornou equilibrada com uma variação de 8,5%; logo, os resultados serão bem distribuídos, não partindo apenas de opiniões masculinas ou femininas. Os resultados medidos da aceitação dos provadores nos parâmetros aparência, textura, odor, sabor e crocância são demonstrados pelos itens gostei muito, gostei, tanto faz, não gostei e detestei conforme as figuras a seguir. A aparência da formulação foi avaliada em bacias de fundo branco, bem como em sacos plásticos, iluminados por luz natural do ambiente. Para a aparência, as porcentagens foram 45,8% gostaram muito, 51,4% gostaram, 1,4% tanto faz e 1,4% não gostou para os provadores A, já para os provadores B, 45,8% gostaram muito e 54,2% gostaram conforme a figura 06. Nos provadores 02, 71% eram mulheres e 29% eram homens totalizando 24 pessoas, onde 01 pessoa era fumante e foi desconsiderado. A faixa etária dos provadores B está expressa na figura 04. Faixa etária 15 a a a a 45 Acima 45 Pessoas 79,5% 12,5% 4% 4% - Fonte: Melo, Weber, Figura 04: Faixa etária dos provadores B. Fonte: Melo, Weber, Figura 06: Grau de aceitabilidade da amostra no parâmetro aparência. 31

32 Nota-se que o parâmetro aparência teve um grau de aceitabilidade superior a 95%, por parte dos provadores 02, já para os provadores 02 o grau de aceitabilidade do parâmetro aparência foi de 100%, tendo como média entre provadores A e provadores B um grau de aceitabilidade de 97,5%, mostrando ao grupo que o objetivo de aparência dos biscoitos foi alcançado com sucesso. Para os provadores 01 o odor foi de 51,4% gostaram muito, 44,4% gostaram, 2,8% tanto faz e 1,4% não gostaram, e para os provadores 02 foi de 45,8% gostaram muito, 50% gostaram e 4,2% tanto faz, conforme a figura 08. A textura dos biscoitos é muito importante para aceitabilidade do produto, pois para SILVA (1998) a textura é um elemento importante na qualidade do biscoito, afetando diretamente a aceitação dos consumidores e as vendas. Desta forma, as diferenças com relação à força de quebra encontrada na formulação dos biscoitos desenvolvidos, sugerem produto com diferente nível de crocância e de qualidade. (SILVA, 1998). Para SILVA, 1998 a textura é uma combinação do tamanho e forma da estrutura do miolo, do conteúdo e gradiente de umidade e do stress interno produzido durante o processamento e resfriamento do produto. As diferenças na textura encontradas nas várias formulações foram, possivelmente, influenciadas pela composição das fórmulas, além do teor de umidade. Para provadores A, a textura foi de 36,2% gostaram muito, 54,1% gostaram, 8,3% tanto faz e 1,4% não gostaram, já para provadores B, 37,5% gostaram muito e 62,5% gostaram, conforme a figura 07. Fonte: Melo, Weber, Figura 08: Grau de aceitabilidade da amostra no parâmetro odor. Conforme a figura 08, o grau de aceitabilidade do quesito odor alcançou 95% por parte dos provadores 01 como também para os provadores 02, e a média dos dois grupos de provadores ficou 95%, logo, o grupo concluiu que o odor dos biscoitos estavam agradável conforme o esperado. Num produto, o sabor é um dos principais fatores que levam o consumidor a adquirir, pois os produtos com sabores agradáveis são melhores aceitos, trazem mais vontade de serem consumidos. Para o sabor, as porcentagens dos provadores 01 foram 52,8% gostaram muito, 44,4% gostaram, 2,8% tanto faz e para provadores 02 foi de 66,6% gostaram muito e 33,4 gostaram conforme a figura 09. Fonte: Melo, Weber, Figura 07: Grau de aceitabilidade da amostra no parâmetro textura. A textura teve um grau de aceitabilidade maior que 90% para provadores 01 e 100% de aceitabilidade pelos provadores 02, tendo como média dos provadores 01 e 02 95% isso mostra que o grupo alcançou parte de seus objetivos, pois no parâmetro de textura o produto foi bem aceito. O odor é uma característica muito importante para os consumidores de biscoitos, pois o produto a ser consumido deve estar com um odor agradável, sem odores fortes para não vir a causar certo incômodo para os provadores. Fonte: Melo, Weber, Figura 09: Grau de aceitabilidade da amostra no parâmetro sabor. No sabor, o grau de aceitabilidade foi de 97% para os provadores 01 e 100% para os provadores 02, tendo como média dos grupos de provadores 98,5% mostrando que o produto desenvolvido com seus principais ingredientes que são café e gergelim alcançou as expectativas do grupo. A crocância é um parâmetro muito observado em biscoitos, pois é através dela que se apresenta parte da qualidade do produto. 32

33 Para a crocância, as porcentagens dos provadores 01 foram 25% gostaram muito, 36,2% gostaram, 27,7% tanto faz, 9,7% não gostaram e 1,4% detestaram e para os provadores 02, 41,6% gostaram muito, 54,2% gostaram e 4,2 tanto faz, conforme a figura TESTE DE INTENÇÃO DE COMPRA E PRODUTO DIFERENCIADO Para o teste de intenção de compra do produto, foi considerado com mesmos grupos de provadores sendo, provadores 01 e provadores 02. Os resultados do teste de intenção de compra estão descritos na figura 12. Fonte: Melo, Weber, Figura 10: Grau de aceitabilidade da amostra no parâmetro crocância. Na crocância, para os provadores 01 foi de 62% e para os provadores 02 de 95% tendo uma média de 75% de aceitabilidade, notou-se que os objetivos no parâmetro crocância foram alcançados em partes, pois, ao desenvolver os biscoitos, o grupo era consciente das restrições que alcançaria para muitos parâmetros aqui analisados. Não foram classificados como ruins os resultados do parâmetro, apenas sugere-se que para trabalhos futuros seja retrabalhado esse parâmetro. Fonte: Melo, Weber, Figura 12: Intenção de compra dos provadores 01 e 02. Pode-se observar na figura 28, que a média de intenção de compra para os dois grupos de provadores foi maior que 99%, mostrando para o grupo que os objetivos de venda do produto foram alcançados. Para o teste de produto diferenciado, os resultados estão expressos na figura 13. Dessa forma, foi feita uma média das médias dos grupos de provadores 01 e 02 de todos os parâmetros analisados sendo eles, aparência, textura, odor, sabor e crocância, sob os pontos do formulário gostei muito, gostei, tanto faz, não gostei e detestei. Os resultados estão expressos na figura 11. Fonte: Melo, Weber, Figura 13 : Teste de produto diferenciado dos provadores 01 e 02 Na figura 13, mostra que a média do teste de produto diferenciado por parte dos provadores A e B foi de 94,4% atingindo os objetivos do grupo em relação à Prática III na proposição de um produto inovador e diferenciado. Fonte: Melo, Weber, Figura 11: Média das médias dos 05 parâmetros analisados sob os 05 pontos. Partindo da figura 11, pode ser analisado que sob o ponto de vista das médias apresentadas pelo teste de análise sensorial, o produto como um todo, em seus 5 pontos teve um grau de aceitabilidade com 94%, atingindo o objetivo do grupo, conforme o mencionado nas hipóteses desse trabalho. 3.3 ANÁLISES LABORATORIAIS ANÁLISE MICROBIOLÓGICA As análises microbiológicas são importantes para se verificar quais e quantos microrganismos estão presentes, como também fundamentais para se conhecer as condições de higiene em que o alimento foi preparado, os riscos que o alimento pode oferecer à saúde do 33

34 consumidor e se o alimento terá ou não a vida útil pretendida.( ARAÚJO et al, 2007). Para a execução dos testes de análise microbiológica do produto foram conduzidas com 100 gramas de biscoitos recheados prontos provenientes de uma mesma fornada de fôrma aleatória e enviados para o Pólo de Modernização Tecnológica Fronteira Noroeste Laboratórios de Físico-Químico e Microbiologia Núcleo de Alimentos, sob o registro CRQ 5º Região nº 3912, localizado no município de Santa Rosa - RS e com responsabilidade de Gislaine Hermanns, Química responsável sob registro do Conselho Regional de Química CRQ 05 nº Para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), os testes microbiológicos que devem ser feitos em biscoitos recheados são dos microrganismos Coliformes termotolerantes, salmonellas, staphylococos aureus. Como os biscoitos foram preparados sob os princípios de Boas Práticas de Fabricação (BPFs), foi optado por realizar teste de apenas um microrganismo, sendo ele, Coliformes termotolerantes. A metodologia usada pelo laboratório de análises foi M. A. Instrução Normativa 62 de 26/08/2003. Os resultados estão expressos na tabela 06. Tabela 06: Resultado da análise microbiológica dos biscoitos recheados. Análise Microbiológica Coliformes termotolerantes (fecais) (NMP/g) Resultado Obtido Padrão Microbiológico de Alimentos (ANVISA; RDC nº 12 de 02/01/2001) < 3, Fonte: Laboratórios de Físico-Químico e Microbiologia, 2009 Como interpretação do resultado obtido pela análise microbiológica do microrganismo Coliforme termotolerantes foi observado que se encontra dentro dos padrões segundo a ANVISA; RDC nº 12 de 02/01/2001 que traz como padrão ANÁLISES DE CARBOIDRATOS E GORDURAS TOTAIS O teste de análises de carboidratos se baseia na extração dos carboidratos solúveis e na determinação colométrica, comparando com uma solução-padrão de glicose. (SILVA & QUEIROZ, 2002). Para o teste de gorduras totais, segundo Silva & Queiroz, 2002, gorduras, óleos, pigmentos e outras substâncias gordurosas solúveis contidas em uma amostra seca serão dissolvidos através da extração com éter, o qual é então evaporado desta solução gordurosa. O resíduo resultante é pesado, sendo chamado de extrato etéreo ou gordura bruta. Para a realização das análises de carboidratos e gorduras totais, foram utilizadas as mesmas amostras enviadas para análise microbiológica ao Pólo de Modernização Tecnológica Fronteira Noroeste Laboratórios de Físico-Químico e Microbiologia Núcleo de Alimentos, sob o registro CRQ 5º Região nº 3912, localizado no município de Santa Rosa - RS e com responsabilidade de Gislaine Hermanns, Química responsável sob registro do Conselho Regional de Química CRQ 05 nº O laboratório de Físico-Químico e Microbiologia utilizou a metodologia do Diário Oficial, Seção I de 17/09/ Os resultados obtidos pelo laboratório foram comparados com a Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TACO) estão expressos na tabela 07. Tabela 07: Resultados das análises de carboidratos e gorduras totais dos biscoitos recheados. Análise Físico- Química Resultado Obtido Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TACO) Carboidratos (%) 40,47% 71% Extrato Etéreo 13,10% 14,5% Fonte: Laboratórios de Físico-Químico e Microbiologia, 2009, (Melo, Weber, 2009). A partir do que foi exposto na tabela 07, pode-se notar que a porcentagem de carboidratos existentes no produto está em menor quantidade do que traz a Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TACO), com um percentual de 71%.Isso prova que o produto se encontra em ótimas condições, pois em tempos atuais as pessoas vêm diminuindo o teor de carboidratos das alimentações. Segundo o material informativo do Gatorade Sports Science Institute, de 50 a 60% das calorias de uma dieta equilibrada devem ser provenientes dos carboidratos. Para as pessoas ativas e aquelas que participam de um treinamento com exercícios, cerca de 60% da ingestão calórica diária deveriam ser fornecidos na forma de carboidratos, logo, consumindo 123,5 gramas de biscoitos recheados de café com gergelim diariamente, suprirá as necessidades de carboidratos diários para uma pessoa normal. Quanto às gorduras totais, o percentual ficou em 13,10% com uma diferença de 1,4% da Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TACO), mostrando que estão em condições para o consumo, pois da mesma forma que os carboidratos, as gorduras também vêm sendo diminuída das refeições diárias de muitos consumidores. Segundo o material informativo do Gatorade Sports Science Institute, deve-se consumir as gorduras menos de 7% do valor calórico total diário, ou cerca de 22 gramas, logo, consumindo 53,4 gramas de biscoitos recheados de 34

35 café com gergelim, as necessidades de gordura estarão supridas diariamente ANÁLISE DE UMIDADE A análise de umidade dos biscoitos foi desenvolvida no laboratório de análises da SETREM e é aplicado em produtos ou subprodutos de origem animal, vegetal, rações e concentrados e mineral. Fundamenta-se na perda de umidade e de substâncias voláteis a temperatura de 105ºC. Para a realização da análise foi utilizado balança analítica, estufa de secagem, pesa filtro ou cápsula de alumínio, com tampa e dessecador com cloreto de cálcio ou sílica-gel anidro. Procedimento para a realização do teste: 1. Pesar a cápsula, limpa e previamente secada em estufa a 105º C por uma hora, resfriada em dessecador até temperatura ambiente. 2. Pesar as amostras, ideal de 3 a 5 gramas de amostra. 3. Colocar em estufa pré-aquecida a 105ºC ( -+ 1º C) até peso constante (4 a 6 horas). 4. Retirar da estufa e deixar em dessecador até temperatura ambiente. Para a realização do cálculo, utiliza-se a seguinte formula: Cápsula C = 28, 005 g. Após, as amostras previamente dissolvidas e homogeneizadas foram pesadas, sendo: Amostra A = 3, 462 g. Amostra B = 3, 326 g. Amostra C= 3, 300 g. Posteriormente as cápsulas foram depositadas na estufa a temperatura de 105º C onde permaneceram por dez horas. Após as amostras foram retiradas da estufa e colocadas no dessecador para voltar à temperatura ambiente para que pudesse ser feita novamente a pesagem. Quando as amostras se encontravam em temperatura ambiente foi feita nova pesagem onde os valores encontrados foram os seguintes: Amostra A = 31, 776 g. Amostra B = 31, 573 g. Amostra C= 30, 996 g. Utilizando a fórmula obtém as seguintes porcentagens de umidade: Amostra A = 10,5 %. (1) Umidade %= (A B) / C X 100 Onde: A= peso inicial (cápsula + amostra) B= peso final (cápsula + amostra pós secagem). C= peso da amostra. Resultados obtidos: Amostra B = 9,8 %. Amostra C= 9,4 %. E, finalmente, realizou-se a média entre as amostras chegando à conclusão que a média de umidade nos biscoitos recheados de café com gergelim é em torno de 10 % numa média de três amostras. Para interpretação do resultado obtido a partir da análise de umidade dos biscoitos, fez-se um comparativo com a Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TACO) e os resultados estão expressos na tabela 25. As cápsulas foram identificadas como A, B e C. as mesmas foram pesadas em balança analítica, obteve-se os seguintes valores: Cápsula A = 28, 677 g. Cápsula B = 28, 574 g. 35

36 Tabela 08: Resultado da análise de umidade dos biscoitos recheados. Análise Físico- Química Umidade (%) Fonte: Melo, Weber, Resultado Obtido 10% - Biscoito Recheado de Café com Gergelim Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TACO) 2% - Biscoito Recheado de Chocolate 3% - Biscoito Recheado de Morango Pode-se observar que o produto estava com um alto nível de porcentagem de umidade em relação à Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TACO), porém é possível levar em consideração outros fatores que podem ter intervindo na análise do produto, como por exemplo, logo após o processamento os biscoitos não foram acondicionados em embalagens próprias de biscoitos recheados, logo, retiveram umidade do ar, ficando mais úmidas que o normal, como também o clima estava com alta umidade relativa, contendo precipitações de chuvas contribuindo para a umidade dos biscoitos. Com uma umidade considerada alta, os biscoitos terão menor vida de prateleira, pois estão sujeitos à proliferação de microrganismos que se desenvolvem em alta atividade de água. 3.3 COMPARAÇÕES ENTRE OS TESTES LABORATORIAIS Depois de realizados os testes laboratoriais, foram observados que todos os testes foram de suma importância para o desenvolvimento das características dos biscoitos recheados de café com gergelim. A tabela 09 traz as características dos biscoitos recheados com todos os testes laboratoriais realizados. Tabela 09: Características dos biscoitos recheados de café com gergelim em função dos níveis padrões. Análises Padrão Biscoito Recheado de Café com Gergelim Microbiológico 10 2 <3,0 Carboidratos 71% 40,47% Gorduras Totais 14,5% 13,10% Umidade 3% 10% Fonte: Melo, Weber, Pode-se notar que comprando com os padrões, os biscoitos recheados de café com gergelim, estão com ótimos níveis de componentes nutricionais, bem como em boas condições de sanidade microbiológica, mostrando que a qualidade foi assegurada ao longo do processo. A tabela 10 traz de uma forma geral as características físico-química, microbiológicos e de aceitação dos biscoitos. Tabela 10: Características gerais dos Biscoitos Recheados de Café com Gergelim Biscoito Recheado de Café com Gergelim Diâmetro (cm) 4,75 Espessura (cm) 1,83 Fator de Expansão (cm) 2,62 Microbiológico <3,0 Carboidratos 40,47% Gorduras Totais 13,10% Umidade 10% Intenção de Compra 99% Produto Diferenciado 94,4% Fonte: Melo, Weber, REFERÊNCIAS ARAÚJO, Elba L.B et al. Avaliação Higiênico Sanitária de 10 amostras debiscoitos doce sem recheio fabricados por uma indústria do município de JoãoPessoa, PB. Departamento de Tecnologia de Química e de Alimentos, COSTA, Maria de Lourdes M. et al. Características Físicoquímicas de Sementesde Genótipos de Gergelim. Revista Brasileira de Biociências, Porto Alegre, v. 5,supl. 1, p , jul Gatorade Sports Science Institute. Material informativo. Disponível em:< nutricao_do_atleta.htm>, acesso em 15de junho de Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicinada Universidade de São Paulo (INCOR). Unidade de Pesquisa do café. São Paulo, LOVATO, Adalberto, EVANGELISTA, Mario Luiz Santos, GÜLLICH, Roque Ismael da Costa. Metodologia da Pesquisa: normas para apresentação de trabalho: redação, formatação e editoração. Três de Maio: Editora Setrem, LUPATINI, Eroni Santina. Elaboração de um produto funcional diferenciado, à base de fibras, ervas e sementes oleaginosas. Faculdade Assis Gurgacz. Cascavel PR, MONTEIRO, Antônio R.G. MARTINS, Manoel F. Processo de desenvolvimentode produtos na indústria de biscoitos: Estudos de casos em fabricantes de médioporte. Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) MARTINES, Elizabeth. Equipamentos para processamento 36

37 industrial de biscoitos. Instituto de Tecnologia do Paraná TECPAR MORETTO, Eliane. FETT, Roseane. Processamento e análise de biscoitos. Ed: Verela editora e livraria Ltda, São Paulo, SP ORMENESE, Rita de Cássia S. C. Perfil sensorial e teste de consumidor de biscoito recheado sabor chocolate. Curitiba- PR, REKSON, Aline O. Avaliação da composição em ácidos graxos de margarinas e creme vegetal zero trans comercializados no estado do Rio de Janeiro. Instituto de Tecnologia programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia de Alimentos UFRRJ, RODRIGUÊS, Melissa A. LOPES Giovana S. FRANÇA, Adriana S. et al. Desenvolvimento de formulações de biscoitos tipo cookie contendo café. Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento em Café, Departamento de Engenharia Quimica DEQ SEBRAE. Biscoitos Caseiros. Estudos de Mercados SEBRAE, SILVA, Dirceu Jorge. QUEIROZ, Augusto César. Análise de Alimentos: Métodos Químicos e Biológicos. Viçosa, UFV,

38 SAÚDE A PATERNIDADE PARTICIPATIVA NA RECONSTRUÇÃO DO PAPEL DE PAI E DE MÃE RESUMO Mayara Roberta Pires 1 Beatriz de Carvalho Cavalheiro 2 Sociedade Educacional Três de Maio 3 O envolvimento paternal vem se tornando mais complexo. Os homens precisam ser incluídos no cotidiano da família, uma distribuição mais equitativa de responsabilidades que poderá significar a construção de sujeitos mais autônomos, solidários e críticos, surgindo à possibilidade deste homem, ser caracterizado como um novo pai. Esta é uma pesquisa de abordagem qualitativa do tipo exploratória. Para coleta de dados foi usado questionário de perguntas abertas com homens de situação conjugal estável, com filhos com até cinco anos e que desempenham atividades remuneradas fora da esfera doméstica, até o ponto de saturação. A análise dos dados foi feita através da proposta de Minayo (2007) de análise de conteúdo. Procurou-se respeitar a resolução n 196 do Conselho Nacional de Saúde. Pôde-se observar através das entrevistas que os novos pais estão mais dispostos e participativos, desde os cuidados com a gravidez, com o parto e com tudo que vem após disso, eles vêm buscando colocação efetiva na família. Um novo homem que precisa, necessariamente, surgir de uma nova mulher, que mais posicionada no mundo, possa visualizar com mais clareza seu próprio caminho e lutar de verdade por um igualitário poder e responsabilidade familiar. Palavras-chave: Paternidade. Família. Cultura. ABSTRACT The parental involvement is becoming more complex. The men need to be included in the daily life of the family, a more equitable distribution of responsibilities that could mean the construction of more autonomous subject, supportive and critical, the emerging possibility of this man to be characterized as a new father. This is a research of exploratory qualitative approach. To the data collecting a questionnaire was used with open questions with men of stable conjugal situation, with children up to five years and who have paid activities outside the domestic sphere to the point of saturation. The data analysis was performed using Minayo s proposal (2007) for the analysis of content. The 196 resolution of the National Health was observed. It also can be observed through interviews that the new parents are more willing and participatory, from the care with pregnancy, delivery and with everything that came after that, they have sought effective placement in the family. A new man you need, necessarily, arise from a new woman, that more positioned in the world can see more clearly their own path of truth and fight for an equal power and familiar responsibility. Key words: Fatherhood. Family. Culture. 1. INTRODUÇÃO O mundo passa neste início de século por profundas mudanças sociais, econômicas e culturais e essas transformações causam alterações na estrutura e funcionamento nos núcleos familiares e, consequentemente, no seu significado para cada indivíduo 1 Enfermeira, ex-aluna do Curso de Bacharelado em Enfermagem da Sociedade Educacional Três de Maio SETREM. 2 Enfermeira, Mestre em Enfermagem, Professora do Bacharelado em Enfermagem da SETREM, 3 SETREM, Av. Avaí, Três de Maio - RS, 38

39 que os compõem. Vários tipos de organizações familiares vêm surgindo. Culturalmente a figura do chefe de família que pertencia exclusivamente aos homens, hoje atravessa um processo de mudança. O envolvimento paternal é mais complexo do que parece ser, os padrões de paternidade parecem estar sistematicamente relacionados a padrões de interação marital. Repensar esta situação parece urgente no sentido da construção da equidade de gênero neste campo. A temática sobre paternidade pode ser abordada sobre vários prismas e nos diferentes tipos familiares, mas se faz necessária a busca de novos olhares que possam acolher a complexidade do mundo contemporâneo. Os homens adultos ou adolescentes precisam ser incluídos no cotidiano do casal e da família, uma distribuição mais equitativa de responsabilidades que poderá significar a construção de sujeitos mais autônomos, mais solidários e críticos, surgindo à possibilidade deste homem, ser caracterizado como um novo pai. Uma reconstrução do papel dos homens é necessária para que possam assumir a própria masculinidade exercendo uma paternagem conectada com afetos e prazeres. Esta pesquisa utilizou-se de uma abordagem qualitativa, do tipo exploratório. Para coleta de dados foi usado questionário de perguntas abertas de caráter individual e a análise se deu através da proposta de análise de conteúdo de (MINAYO, 2007). Foram entrevistados 25 homens que vivem em uma situação conjugal estável e que trabalham em atividades que exigem sua ausência domiciliar e que tenham filhos até cinco anos de idade, selecionados através da técnica bola de neve até o ponto de saturação dos dados. Foram respeitados os preceitos éticos da resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde. 2. A FAMÍLIA E O PAPEL PATERNO A definição de família está em constante mutação. Assume diferentes características dependendo do tempo e da evolução da sociedade, épocas e contextos, acarretando mudanças no modo de vida das pessoas e da sociedade (ALTHOFF, 2001). Ter filhos não resulta em apenas do impulso reprodutivo. É também ato de amor que envolve o desejo geralmente consciente do casal. Este desejo se insere em um sistema de parentesco, numa sociedade, em uma rede de pessoas com as quais interage. Na sociedade de tradição romana cristã, ter filhos é decorrência da legitimidade do casamento, ou seja, da constituição de uma nova família (CENTA, ELSEN, 1999). O século XX trouxe inúmeras transformações na estrutura familiar, mas podem-se observar marcas que foram deixadas nas origens como, por exemplo, a autoridade do pai, conferindo ao homem o papel de chefe da família que se originou na Roma antiga, o caráter sacramental do casamento originado na Idade Média e a solidariedade, o sentimento, a ligação afetiva, a abnegação e o desprendimento trazido pela cultura portuguesa (RIGONATTI, 2003). A entrada das mulheres no mercado de trabalho foi fator de expressiva mudança na família tirando a disposição das mulheres terem muitos filhos. O desenvolvimento tecnológico no século XX trouxe a diminuição da convivência entre os membros da família, a saída dos filhos à procura de melhor condição de vida em centros maiores, a divisão das tarefas domésticas e cuidados com os filhos, o aumento da importância dos pais que são vistos também como companheiros e aumento da escolaridade da população. A família nuclear tradicional formada por pai, mãe e filhos, segundo Vaitsman (1994), passa a coexistir com uma rede de interações, passando a apresentar outras formas. Kaloustian (1994) apresenta as famílias brasileiras com cada vez mais nuances sócio-econômicos e étnicoculturais, encontrando-se em plena diversidade, pluralidade, heterogeneidade, flexibilidade, instabilidade e fragmentação. O trabalho ocupa a maior fatia do tempo e da energia dos homens, embora o conceito pai provedor vir sendo desmantelado, subsiste no imaginário social a marca dessa estrutura tradicional. Surge a necessidade de um homem participativo nas tarefas domésticas adotando formas alternativas de convivência familiar, onde a figura do pai é fragilizada. Fiquei tão ausente que nem vi meus filhos crescerem, reflexão triste de muitos homens que mergulhados no trabalho atrofiaram outras possibilidades de crescimento pessoal. A lacuna do pai ausente, mesmo doída, em muitos homens, acaba resultando na repetição da omissão quando eles se tornam pais, passando para geração a seguinte o velho preconceito de que educar filhos é tarefa da mãe (MALDONADO, 2006). Difícil persistir na busca do equilíbrio nas múltiplas funções. As ameaças de desemprego, demissão e corte de pessoal gera um estresse permanente; as pressões e a demanda por maior produtividade acarretam sobrecarga de tarefa, e aumento da carga horária de trabalho; a instabilidade, e incerteza, e a imprevisibilidade, fazem parte do cotidiano e a busca do equilíbrio entre ser homem, pai e profissional é difícil, mas não impossível, principalmente quando homens e mulheres se tornam parceiros nas funções de prover e de cuidar. Segundo Tarnowski; Próspero; Elsen (2005), ser pai até pouco tempo, era algo da ordem do natural, e a ciência, assim como a crença popular, não enfatizava a importância do pai para o desenvolvimento da criança. Em decorrência disto não eram empreendidos estudos mais profundos a respeito da relação pais filhos e os caminhos 39

40 da paternidade. O grande número de separações/divórcios e o afastamento do pai no contexto familiar abrem uma vertente de pesquisas que passou a investigar as consequências da ausência paterna. Mas, foi somente a partir dos estudos a respeito da mulher, alavancados pelo feminismo, que os pesquisadores buscaram compreender melhor a masculinidade e a paternidade, que passaram a ser vistos sob outro prisma, como construções sociais. A questão da paternidade se destaca nas pesquisas devido às demandas atuais de se compreender a importância de uma nova abordagem das funções paterna e materna na sociedade. Nolasco (1993) aponta junto com essa revisão, a deflagração de uma crise na masculinidade. O exercício da paternidade, incluindo os cuidados corporais e as necessidades afetivas dos filhos, pode ser um caminho para a construção de um novo homem, sendo que uma das características do modelo tradicional de masculinidade é a dificuldade que os homens têm de expressar afeto e ternura. A paternidade se destaca como aquela em torno da qual se define a principal direção de mudança (NOLASCO, 1993). Salen (1997) apresenta o casal grávido, onde o homem acompanha ativamente todo o processo de gravidez e parto, incluindo cursos de preparação, com investimento afetivo igual da mulher. O filho é visto como individuo psíquico que precisa deste novo pai, envolvido com a criação e com o cotidiano. Em relação à paternidade, Fein (1978), apresenta três perspectivas diferentes: a tradicional, a moderna e a emergente. Na tradicional, encontra-se o pai como provedor que oferece o suporte emocional à mãe, mas não se envolve diretamente com os filhos (poder e autoridade). Na moderna, o pai tem papel importante no desenvolvimento moral, escolar e emocional. Na emergente, parte-se da idéia de que os homens são psicologicamente capazes de participar ativamente nos cuidados e na criação dos filhos. O autor aponta em pesquisas realizadas que para alguns homens, o divórcio pode ser uma boa oportunidade para aproximá-los de seus filhos. O medo da intimidade, a falta de contato com os próprios sentimentos e a agressividade reprimida ou exaltada são problemas cruciais que se apresentam, pois, se o homem não tem relação com seu pai, não consegue estabelecer sua própria identidade. A criança precisa reconhecer-se nos pais e ser reconhecida por eles, construindo a partir das identificações com eles a sua própria identidade. A paternidade ajuda inserir o homem em seu contexto social, ajudando na construção da identidade masculina. O modelo tradicional de pai distante, provedor e autoritário está abrindo caminho para a chegada de um pai mais participativo e emocionalmente envolvido nas questões de sua prole (CORNEAU,1995). O pai tem três papéis a desempenhar com seus filhos. O primeiro é o de separar a criança de sua mãe e vice-versa. O segundo é o de instruir e ajudar a confirmar a identidade de seu filho ou filha e o terceiro, de transmitir a capacidade de receber e interiorizar as emoções e os afetos, de carregá-los consigo (CORNEAU,1995). Esse contato aproxima pai e filhos e gera cumplicidade, além de uma relação baseada no afeto e nas emoções. O exercício dos três papéis, bem como a s experiências cotidianas de intimidade, ajudam o pai a se vincular ao seu filho. Talvez se esteja caminhando para uma sociedade na qual o homem poderá expor suas incertezas, os seus afetos e angústias. A afetividade não é sinônimo de fragilidade e pode ajudar o homem a não se sentir tão pressionado pelo papel que precisa desempenhar. Para Dorais (1994), o pai hoje enfrenta três grandes desafios. O primeiro desafio se relaciona com a constância da figura parental que, mesmo diante das mudanças familiares e sociais, deverá construir um novo vínculo com seu filho. O segundo diz respeito a uma adaptação às demandas atuais, já que o pai precisa estar mais presente na vida de seu filho, dividindo tarefas e impondo limites, juntamente com a mãe. O terceiro desafio surge a partir das técnicas desenvolvidas de reprodução humana assistida. De acordo com Badinter (1993), existe uma luz no fim do túnel e o patriarcado está com seus dias contados. Esse novo pai deseja romper com o modelo que viveu em sua própria infância, em que a figura masculina era vista como fria e distante. Algo a ser considerado, atualmente, diz respeito à perda do contato, no caso do divórcio, com o genitor que não detém a guarda dos filhos. 3. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS O exercício da paternidade, incluindo os cuidados corporais e as necessidades afetivas dos filhos, pode ser um caminho para a construção de um novo homem, sendo que uma das características do modelo tradicional de masculinidade é a dificuldade que os homens têm de expressar afeto e ternura. A paternidade se destaca como aquela em torno da qual se define a principal direção de mudança (GOLDEMBERG, 2000, p. 15). Para a análise dos resultados, as informações foram sistematicamente agrupadas a fim de confirmar ou não o pressuposto da pesquisa e responder às questões formuladas. Na seqüência do trabalho o leitor conhecerá os resultados alcançados, sendo apresentados em formas de tabela e citações, facilitando, assim, o entendimento. 3.1 PERFIL DOS PARTICIPANTES DA PESQUISA Participaram do estudo vinte pais com idades que variam de 20 a 51 anos, com grau de escolaridade e profissões variadas. A renda mensal de todas as famílias 40

41 é complementada com a renda da companheira, prefigurando um grupo de privilegiados quando se analisa a economia atual. São oriundos das classes médias ou altas que se beneficiam de uma formação e uma renda mais elevada que a média e têm uma profissão liberal que lhe permitem dispor livremente de seu tempo. Rejeitando a cultura masculina e tradicional, almejam reparar sua própria infância (BADINTER, 1993). 3.2 PARTICIPAÇÕES NOS CUIDADOS DA GESTAÇÃO, PARTO E PÓS-PARTO Em todos os depoimentos, pôde-se perceber o envolvimento dos pais. Constatou-se uma participação ativa, mesmo com algumas ressalvas e medos, têm a presença da figura paterna. Em um passado recente, as mulheres precisavam se redobrar para dar conta dos filhos e da casa e os homens ficavam de fora dessas obrigações ; hoje, o panorama é outro. Segundo Raphael-Leff (1997, p. 56), [...] os pais estão tendo que se comprometer em atividades maternais para ganhar a posição paternal, anteriormente garantida a eles pelo nome. As sociedades pré-históricas eram de descendência materna, pois os pais eram apenas presumidos. O capitalismo trouxe a necessidade da garantia da linhagem paterna no sentido de preservar os bens materiais, acabando com a liberdade feminina (ENGELS, 2000). [...] dificuldade de não saber trocar fraldas, medo de não saber acalmar o filho se a mãe não está por perto, medo de machucar pois é tão pequenino[...] (P11, 2007). [...] participei intensivamente durante a gestação, sempre acompanhei ao hospital durante as consultas, fazia massagem na barriga, conversava muito com ela para não ter medo, que tudo ia dar certo [...] (P9, 2007). [...] estive presente no hospital até a alta, em casa nós, eu e a XX, tínhamos um combinado, enquanto trabalhava ela cuidava, e à noite eu me encarregava de cuidar o nenê [...] (P13, 2007). Os pais poderiam ser preparados para acompanhar o processo do parto desde o início da gestação, garantindo uma participação ativa, pois a sua presença seria facilitadora. Alguns profissionais que lidam com os pré-natais e educação para o parto já vêm trabalhando muito neste sentido, mas isso não é a realidade de todos os serviços, muitos ainda não levam em conta estes aspectos. Ter filhos não resulta apenas do impulso reprodutivo, é também ato de amor que envolve o desejo, geralmente consciente, do casal. Este desejo se insere em um sistema de parentesco, numa sociedade, em uma rede de pessoas com as quais interage (CENTA, ELSEN, 1999). Salen (1997) apresenta o casal grávido, onde o homem acompanha ativamente todo o processo de gravidez e parto, incluindo cursos de preparação, com investimento afetivo igual da mulher. O filho é visto como individuo psíquico que precisa deste novo pai, envolvido com a criação e o cotidiano. [...] não estive na sala de parto, mas participei desde a consulta até a entrada na sala, e fiquei aguardando ansiosamente por minha filha [...] (P13, 2007). [...] sempre incentivei minha esposa a amamentar ao máximo de tempo possível, ajudando ativamente, alcançando os filhos à noite para amamentar [...] (P8, 2007). [...] tive muito cuidado com a minha esposa, sempre procurava fazer de tudo por ela, ter sempre leite para amamentar o meu filho [...] (P15, 2007). [...] ajudei muito desde a troca de fralda até o banho, mas para o homem é difícil, a gente não tem agilidade para lidar com um bebê [...] (P16, 2007). A quantidade de tempo dedicado aos filhos nem sempre sugere uma relação de melhor qualidade entre pais e filhos. Ao elevar, porém, a quantidade de tempo destinado às atividades cotidianas dos filhos, os pais aumentam sua autoconfiança e sua capacidade de dar suporte emocional às crianças. O êxito do aleitamento materno é altamente provável quando o pai é favorável. Sua participação positiva é mais eficaz quanto mais ele souber sobre as vantagens e o manejo da amamentação. Sua participação aumenta os índices de amamentação pelo fato de dar mais segurança e tranquilidade à mãe, no momento em que ela está fragilizada fisicamente pelas agressões do parto (LANA, 2001). O exercício da paternidade, incluindo os cuidados corporais e as necessidades afetivas dos filhos, pode ser um caminho para a construção de um novo homem, sendo que uma das características do modelo tradicional de masculinidade é a dificuldade que os homens têm de expressar afeto e ternura. A paternidade se destaca como 41

42 aquela em torno da qual se define a principal direção de mudança (NOLASCO, 1993). A qualidade da interação entre pais e filhos é um componente vital da paternidade que, por sua vez, promove o desenvolvimento saudável dos filhos. As crianças que recebem cuidados, carinho e suporte emocional dos pais, geralmente possuem uma boa autoestima e são estáveis emocionalmente. Todas as modificações em relação à paternidade vêm sofrendo um lento processo de mudança e criam uma expectativa de um futuro com envolvimento mais saudável e partilha de sentimentos e responsabilidades familiares 3.3 TORNAR-SE PAI O futuro pai não sente a presença física do feto crescendo dentro de si e isto pode estimulá-lo a buscar alternativas de produtividade e criatividade, isto é, através de uma atenção aumentada ao trabalho. O conflito, para o homem que se tornará pai, durante o período pré-natal, é permanecer emocionalmente disponível à sua esposa, ao mesmo tempo em que procura satisfazer suas próprias necessidades de se sentir responsável e produtivo. [...] difícil definir, é uma emoção, misturando amor, responsabilidade, carinho, mas é um grande sentimento de alegria, partilhar uma vida [...] (P13, 2007). [...] quando enxerguei o rosto daquele anjo ainda mais sendo parecida comigo senti o meu coração pulsar cada vez mais forte, uma alegria me contagiou me mostrando que mesmo sendo tão jovem o quanto era importante ter um filho [...] (P16, 2007). [...] o único sentimento e o mais valioso é o do amor, um filho traz muita alegria é só tendo um para explicar [...] (P17, 2007). A paternidade, assim como a maternidade, é essencial para o desenvolvimento da criança. Um vínculo deve ser formado a partir do nascimento para que com o tempo de solidifique e estimule a prestação de cuidados e a responsabilidade pelo todo que cerca a criança, não só o lado econômico, como era definido antes, mas todo o cognitivo. São mudanças de ordem cultural que estão sendo visualizadas e vivenciadas por muitos. Planejado ou não, a concretização do ato de ser pai, mexe com a maioria dos homens. Principalmente, a experiência do primeiro filho desperta intensas emoções, muitas se misturando com a figura de seu próprio pai e trazendo lembranças boas ou ruins. Também uma [...] reavaliação de relacionamentos interiores, resultando em recombinações no sentido da própria personalidade (RAPHAEL-LEFF, 1997, p. 58). [...] de minha opinião, inexplicável. Porque só depois que você tem um filho ou filha e vê quanta alegria essa criança lhe proporciona que se entende o sentimento de ser pai, mesmo que você passe algumas noites de sono, algumas preocupações com a saúde da criança, tudo isso vale a pena diante da alegria e da gratidão de um filho [...] (P7, 2007). [...] eu defino como o momento mais importante na vida de um homem, os filhos são um presente de Deus, os filhos são a demonstração do verdadeiro amor [...] (P8, 2007). 3.4 PATERNIDADE NA ATUALIDADE O exercício de ser pai leva aos questionamentos, às doações, às renúncias até então não imaginadas. Deixase de pensar no eu, para pensar nele e em nós. A necessidade de deixar o papel de ser filho para a responsabilidade que chama o ser pai, inevitavelmente muda o pensar e agir de qualquer homem levando-os a questionamentos e reflexões profundas. [...] o desafio de educar uma criança não é uma tarefa fácil, principalmente numa sociedade capitalista. Tive que me adaptar a alguns horários, me privar de certos privilégios e me adequar financeiramente para garantir um futuro para a minha filha [...] (P7, 2007). Ser pai é um grande desafio em qualquer tempo, mas hoje acredito que seja mais difícil porque tudo está ao alcance deles e tenho que ser muito enérgico desde muito cedo para não perder o controle da situação [...] (P9, 2007). Com o nascimento do bebê, muitos homens costumam se sentir excluídos e enciumados. Alguns se ressentem de deixar de ser o centro das atenções femininas e ter que partilhar a mulher com mais alguém. Muitas vezes nem o próprio homem entende ou consegue controlar o que está sentindo (LANA, 2001). Apesar do exposto, os entrevistados não revelaram sentimentos desta ordem, mas sim sentimentos de satisfação e felicidade. Em relação à paternidade, Fein (1978), apresenta três perspectivas diferentes: a tradicional, a moderna e a emergente. Na tradicional, encontra-se o pai como provedor que oferece o suporte emocional à mãe, mas não se envolve diretamente com os filhos (poder e autoridade). Na moderna, o pai tem papel importante no desenvolvimento moral, escolar e emocional. Na emergente, parte-se da ideia de que os homens são psicologicamente capazes de participar ativamente nos cuidados e na criação dos filhos. O autor aponta, em pesquisas realizadas que para 42

43 alguns homens, o divórcio pode ser uma boa oportunidade para aproximá-los de seus filhos. [...] passei a ter muito mais responsabilidade no trabalho porque passei a pensar mais nele, na minha vida. Mudou tudo, meus amigos dizem que eu sou outra pessoa [...] (P9, 2007). [...] A responsabilidade triplicou, tenho muita vontade de voltar para casa pegar o meu filho. Trabalhar para garantir um bom futuro [...] (P17, 2007). dos filhos. Essa é a construção da nova identidade masculina, remexendo sentimentos e relacionamentos (DANTAS, 2003). Os homens de hoje não precisam mais se sentir pressionados e desconfortáveis pelas pressões sociais. Está surgindo o novo pai, rompendo com o modelo imposto na sua infância, muitos, inclusive, vêm brigando com suas ex-parceiras pela guarda dos filhos, um resgate na qualidade e vivência nos envolvimentos, tudo baseado na cumplicidade que, consequentemente, traz segurança no relacionamento entre pais e filhos (DANTAS, 2003). O trabalho ocupa a maior fatia do tempo e da energia da maioria dos homens, embora o conceito de pai provedor vir sendo substituído no imaginário social ainda existe a marca dessa estrutura tradicional, surge a necessidade de um homem participativo nas tarefas domésticas adotando formas alternativas de convivência familiar, onde a figura do pai pode ser fragilizada, ou melhor dizendo, humanizada. Mudou muito, a mulher já não sente mais tanto interesse pelo marido, dá mais atenção ao filho [...] (P11, 2007). Mudar muda, pois éramos só os dois, o casal, mas na chegada dos filhos, temos que dividir nossos pensamentos colocando eles junto nas nossas opiniões e decisões[...] (P13, 2007). O homem se encontra fragilizado devido à entrada em universo totalmente desconhecido até então, onde ele expressa sentimentos, vive as emoções. Ele está assustado. A maioria dos estudos vem sempre focalizando a mulher durante a sua fase reprodutiva, esquecendo-se dos homens. Somente nos últimos anos os pais começaram a aparecer em algumas pesquisas, mas tudo é muito incipiente assim, como é incipiente sua participação no mundo dos cuidados com as crianças. 3.5 SER PAI A pergunta se descreva enquanto pai tinha como objetivo verificar a compreensão masculina acerca do papel paterno em nossa sociedade. Os relatos dos pais abarcaram questões referentes à participação efetiva na vida dos filhos. Ação que dificilmente se consegue descrever com palavras se mexem com a emoção, e a necessidade de experimentar na própria carne, todos os envolvimentos e sentimentos inerentes ao ser pai. [...] sou muito feliz quando estou em casa, fico o tempo todo com o meu filho, brincamos, saímos passear, converso muito com ele e sempre falo que o amo [...] (P9, 2007). No que tange à figura do pai, parece que não podemos mais falar em um modelo hegemônico calcado no autoritarismo. Ele está em busca e em permanentes transformações, criando novos paradigmas e maneiras de se relacionar com seus filhos. A capacidade de amar e de entrar em contato com os sentimentos também aparece no discurso do pai. [...] babão, porém ríspido e conservador na imposição de limites, sem perder a ternura jamais [...] (P14, 2007). [...] sempre existe... como a natureza humana beira a imperfeição, sempre podemos ser melhores, é só despir-se de uma série de vícios que carregamos vida a fora [...] (P14, 2007). A melhor maneira é ser amigo dos filhos, ter uma relação aberta, ser compreensivo e ajudálos nas horas mais difíceis (P17, 2007). As crianças de hoje precisam de carinho e compreensão além de um pai que lhe sirva de referência, alguém capaz de dar ressonância às questões emocionais, sociais, afetivas e cognitivas. Mais do que isso, hoje se tem a clareza de que as crianças precisam deste pai presente e participativo, que se preocupa com o dia-a-dia [...] ser pai é difícil nos dias de hoje, pois no mundo em que vivemos as tentações são muitas para nossas crianças do mundo inteiro, porque os meios de comunicações trazem muitas ilusões para as crianças [...] (P18,2007). [...] a pessoa se torna mais responsável, consciente dos atos que vai fazer e também, mais emotiva. Antes, você escutava alguma notícia envolvendo criança e não prestava muita atenção e depois de ser pai, você se coloca no outro lado, pensa que aquela criança da notícia ou do acidente poderia ser o seu filho. E também tem a emoção alegre, quando vê seu filho conquistando as fases do crescimento (caminhar, falar) e das peripécias que aprontam [...] (P19, 2007). 43

44 Nos dias de hoje, em que os pais estão ansiosos para desempenhar um papel mais ativo junto a suas esposas e seus bebês, é necessário que se pense nos escassos recursos de que eles dispõem para ajudá-los a fazer um ajustamento. Os homens não são ensinados a demonstrarem seus sentimentos e seus problemas. A cultura latina exige homens fortes, só os fracos são capazes de demonstrações de sentimentalismos, importante lembrar de que os homens são educados, em sua maioria, por mulheres e é delas que herdam todas essas convenções. Portanto, para mudar o mundo masculino é preciso, primeiro, mudar o feminino. A mudança na identidade masculina é lenta e gradual, esse é um primeiro passo para uma paternidade efetivamente responsável. Hoje, talvez, os pais não sejam vistos, simplesmente, como a autoridade indispensável à vida dos filhos, mas como parceiros de jornada. REFLEXÕES CONCLUSIVAS Ao longo do trabalho foi possível visualizar as profundas modificações que vem sofrendo os papéis sociais dentro do grupo familiar. Os pais deixam de ser somente o provedor, figura ilustrativa, responsável pelo sustento e autoridade, para se tornarem criaturas humanizadas, que buscam a participação e o entrosamento com suas companheiras no sentido de construírem uma nova realidade, uma família mais companheira e participativa. As entrevistas revelam este novo pai, que não teme se mostrar e sentir, que vem disposto desde a gravidez a participar do mundo íntimo da mulher e da criança que está sendo gerada, mesmo que ainda não a sinta fisicamente, pois este sentimento só irá tomar corpo após o nascimento, uma realidade palpável e definitiva que chega com uma força capaz de modificar seu mundo. Os pais de hoje desejam participar de tudo, gravidez, parto, banho do bebê, troca de fraldas, levar e buscar na escola, ajudar nas tarefas, um mundo de novidades possíveis, em lugar de uma postura ultrapassada e carregada de medos infundados. Esses pais desejam ser realmente pais, têm uma oportunidade de expressar sentimentos, participando efetivamente do cuidado e educação dos filhos e tendo uma responsabilidade partilhada sem medo com suas companheiras. Em um mundo, antes tão feminino, chega o homem, construindo uma nova experiência, cheio de expectativas e desejos, de uma forma singular de enxergar e viver uma nova realidade, construindo um novo e promissor futuro. Um novo homem que precisa, necessariamente, surgir de uma nova mulher, que mais posicionada no mundo possa visualizar com mais clareza seu próprio caminho e lutar de verdade por um igualitário poder e responsabilidade familiar. REFERENCIAS ALTHOFF, C. R. Convivendo em família: contribuição para a construção de uma teoria substantiva sobre o ambiente familiar f. Tese (doutorado em Filosofia de Enfermagem) Programa de Pós-Graduação em Enfermagem, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, BADINTER, E. XY: sobre a identidade masculina. Rio de Janeiro, Nova fronteira, CENTA M.; ELSEN, I. Reflexões sobre a evolução histórica da família. Família, saúde e desenvolvimento. v 1. Curitiba: CORNEAU, G. Paternidade e masculinidade. In: Nolasco, S. (org). A desconstrução do masculino. Rio de Janeiro: Rocco, DANTAS, Cristina, T. O exercício da paternidade após a separação: um estudo sobre a construção e a manutenção do vínculo afetivo entre pais e filhos na família contemporânea. Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Psicologia da PUC-RIO. Rio de Janeiro, DORAIS, M. O homem desamparado. São Paulo: Loyola, ENGELS, F. A origem da família, da propriedade privada e do Estado. 15. ed. Rio de janeiro: Bertrand Brasil, FEIN, R. research on fathering: social policy and emergent perspective. Journal of social issues, vol. 34, n. 1, p , GOLDENBERG, M. O macho em crise: um tema em debate dentro e fora da academia. In: GOLDENBERG, M. (org.). Os novos desejos. Rio de Janeiro: Record, p , KALOUSTIAN, S. M. (organizador). Família brasileira, a base de tudo. São Paulo: Cortez; Brasília, DF: UNICEF, LANA, A. P. B. O livro de estímulo à amamentação: uma visão biológica, fisiológica e psicológica comportamental da amamentação. São Paulo: Atheneu, MALDONADO, Maria Tereza. Cá entre nós: na intimidade das famílias. São Paulo: Integrare, MINAYO, Maria C. de S. Pesquisa social: teoria, métodos e criatividade. 25ª ed. Petrópolis: Vozes, NOLASCO, S. O mito da masculinidade. Rio de Janeiro: Rocco, RAPHAEL-LEFF, J. Gravidez: a história interior. Porto Alegre: Artes Médicas, RIGONATTI, S. P. et al. Temas em psiquiatria forense e psicologia jurídica. São Paulo: Vetor Editora Psico- Pedagógica,

45 SALEM, T. Sobre o casal grávido. Incursão em um universo ético. Tese de doutorado. Rio de janeiro: PPGAS/UFRJ, TARNOWSKI, Karina da S. PROSPERO, Elisete N. S. ELSEN, Ingrid. A participação paterna no processo de humanização do nascimento: uma questão a ser repensada. Texto e contexto Enfermagem, v. 14. Florianópolis: UFSE, PEN, VAITSMAN, J. Flexível e plurais: identidade, casamento e família em circunstâncias pós-modernas. Rio de Janeiro: Rocco,

46 SAÚDE EDUCAÇÃO EM SAÚDE NA REDE DE ATENÇÃO BÁSICA Laura Heinsch Dalla Favera 1 Gilberto Souto Caramão 2 Jane Lilian Ribeiro Brum 3 Roque Ismael da Costa Güllich 4 Sociedade Educacional Três de Maio 5 RESUMO Esta pesquisa teve como principal objetivo conhecer as concepções de Educação em Saúde a partir do pensamento de Enfermeiros de uma rede de atenção básica. O estudo foi realizado em um município da Região Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul, com todos os enfermeiros que atuam na Estratégia de Saúde da Família (ESF). Trata-se de uma pesquisa do tipo exploratóriodescritiva, de natureza qualitativa. Para realizar a coleta de informações, foi utilizado um questionário semi-estruturado. A análise dos resultados se deu através da técnica de análise de conteúdo, da qual resultaram três categorias, são elas: Educação em Saúde, Saúde e Educação; Educação em Saúde na graduação de Enfermagem e Educação em Saúde no dia-a-dia da ESF. Conclui-se que alguns enfermeiros ainda têm uma visão e concepção muito restrita de saúde e Educação em Saúde. Muitos conceitos não evoluíram com o decorrer do tempo. Poucos enfermeiros tiveram componentes curriculares específicos sobre Educação em Saúde na graduação de Enfermagem, pois muitas disciplinas envolviam este tema, o que não significa que a Educação em Saúde não é valorizada na Enfermagem. Muitos enfermeiros consideram a Educação em Saúde importante no tratamento dos usuários e para a melhora da qualidade de vida. A Educação em Saúde faz parte do cotidiano do enfermeiro que é um grande educador independente do local de atuação. Palavras-chave: Educação em Saúde. Papel do profissional de Enfermagem. Atenção Básica à Saúde. ABSTRACT This study had as its main purpose to know the conceptions of Education in Health from the thinking of nurses of a basic care net. The study was made in a city of the Northwest region of Rio Grande do Sul, with all the nurses working at Estratégia de Saúde da Família (ESF). This is a descriptive-exploratory type of study, of qualitative approach. To make the data collection a semi-structured questionnaire was used. The data analysis was made by the content analysis technique, from which resulted in three categories, they are: Education in health; health and education; education in health in nursery graduation and in ESF every day. Doing this study it was observed that some nurses still have a restrict vision of health and Education in Health; several concepts haven t evolved with the unfolding of time. Few nurses had specific curriculum components about Education in Health in Nursery graduation, because many subjects involved this theme, this doesn t mean that Education in Health doesn t receive proper value in Nursery. Many nurses consider Education in Health important to the treatment of patients and for live quality improvement. The Education in Health is part of the nurse s every day, being a great educator in the most varied acting places on the Nursery area. Key words: Education in Health. Nursery professional s role; Basic attention to health. 1 Enfermeira, ex-aluna do Curso de Bacharelado em Enfermagem da Sociedade Educacional Três de Maio - SETREM 2 Enfermeiro, Mestre em Educação, Professor do Bacharelado em Enfermagem da SETREM, 3 Enfermeira, Mestre em Enfermagem, Professora do Bacharelado em Enfermagem da SETREM. 4 Docente da Universidade Federal de Dourados, Mato Grosso do Sul. 5 SETREM, Av. Avaí, Três de Maio - RS, 46

47 1 INTRODUÇÃO A formação de um sistema de saúde democrático, público, social e que ofereça uma assistência integral para a população é um processo que se realiza através da formulação de políticas públicas voltadas para a saúde, mas depende também dos profissionais e de suas ações cotidianas nos serviços de saúde. Para Levy et al. (2008), a Educação em Saúde está voltada para a população e para a ação, tendo como principais objetivos encorajar as pessoas a adotar e manter uma vida saudável, usar os serviços de saúde disponíveis de forma cuidadosa e judiciosa e tomar suas próprias decisões, visando melhorar sua qualidade de vida e a do meio ambiente. A Educação em Saúde tem como objetivo desenvolver nas pessoas e nas comunidades o senso de responsabilidade para com a saúde. No entanto, pode-se dizer que a Educação em Saúde deve promover, por um lado, o senso de identidade individual, a dignidade, a responsabilidade comunitária e a solidariedade (LEVY et al., 2008). O estudo teve como objetivo conhecer as concepções de Educação em Saúde a partir do pensamento de enfermeiros de uma rede de atenção básica, para que se possa compreender de que forma os enfermeiros praticam as ações de Educação em Saúde com seus usuários e equipe de profissionais. Pretendeu-se conhecer também quais aspectos de Educação em Saúde foram abordados durante a graduação destes enfermeiros, de que forma isto aconteceu e se eles foram levados a discutir sobre esta temática e se pensam que é importante estudar Educação em Saúde. Sendo assim, acredita-se que este trabalho é de grande relevância para os enfermeiros e estudantes de enfermagem, pois ele contribui para a disseminação do conhecimento sobre o tema Educação em Saúde, levando os profissionais e estudantes a refletir sobre a importância da Educação em Saúde, melhorando suas práticas acadêmicas e profissionais. 2 METODOLOGIA Estudar a Educação em Saúde na área de Enfermagem traz muitos benefícios aos enfermeiros e usuários, pois com o desenvolvimento de pesquisas nesta área, os profissionais ficam atualizados e expandem seus conhecimentos, transmitindo-os para os usuários e comunidade. De acordo com Polit; Beck; Hungler (2004), a pesquisa na área de Enfermagem é caracterizada como uma investigação sistemática, que tem como objetivo desenvolver conhecimentos sobre temas relevantes para a prática, administração e ensino de enfermagem. A pesquisa permite que as enfermeiras descrevam as características de uma situação particular de enfermagem sobre a qual pouco é sabido, expliquem fenômenos que devem ser considerados no planejamento do atendimento de enfermagem, prevejam os prováveis resultados de determinadas decisões, controlem a ocorrência de resultados indesejáveis e iniciem atividades que promovam o comportamento desejado do cliente ( POLIT; BECK; HUNGLER; 2004, p. 21). Esta pesquisa é do tipo exploratório descritiva, de natureza qualitativa e foi realizada com enfermeiros de uma rede de atenção básica de um município da Região Noroeste do RS, e teve como objetivo conhecer as concepções de Educação em Saúde entre Enfermeiros de uma rede de atenção básica. Para Gil (2002) as pesquisas descritivas têm como principal objetivo a descrição das características de determinada população ou fenômeno ou, então, o estabelecimento de relações entre variáveis. As pesquisas descritivas são juntamente com as exploratórias, as que habitualmente realizam os pesquisadores sociais preocupados com a atuação prática, pois exploram os fatos e os descrevem qualitativamente a partir dos referenciais assumidos. De acordo com Minayo et al. (2004) a pesquisa de natureza qualitativa se aprofunda no mundo dos significados das ações e das relações humanas e sociais, um lado não perceptível e não captável em equações, médias e estatísticas. Portanto, a análise qualitativa permite que o pesquisador desvele e compreenda novas concepções sobre o problema que está sendo investigado. A pesquisa qualitativa responde a questões muito particulares. Ela se preocupa, nas ciências sociais, com um nível de realidade que não pode ser quantificado. Ou seja, ela trabalha com o universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis (MINAYO et al., 2004, p. 21). Para realizar a coleta de informações desta pesquisa, foi utilizado um questionário semi-estruturado. Após a elaboração do questionário foi realizado um préteste para que fosse possível revisar e direcionar os aspectos da investigação. Para Gil (2002) os estudos de campo exigem a utilização de variados instrumentos de pesquisa, tais como questionários e entrevistas. Portanto, torna-se necessário pré-testar cada instrumento antes de utilizá-lo, com o objetivo de ter certeza de que as questões a serem feitas permitam medir as variáveis que se pretende. É necessário que o pré-teste seja realizado com uma 47

48 população tão semelhante quanto possível à que será pesquisada. A análise dos resultados desta pesquisa foi realizada através da técnica de análise de conteúdo. Segundo Gomes (2004), através da análise de conteúdo, pode-se encontrar respostas para as questões formuladas e também pode se confirmar ou não as afirmações estabelecidas antes do trabalho de investigação (hipóteses). O outro objetivo desta técnica de análise se refere à descoberta do que está por trás dos conteúdos aparentes, indo além das aparências do que está sendo comunicado. Na primeira fase da análise temática de conteúdo, organiza-se o material que será analisado de acordo com os objetivos da pesquisa. A segunda fase é o momento de aplicar o que foi definido na fase anterior; em seguida, na terceira fase, deve-se tentar desvendar o conteúdo subjacente ao que está sendo manifesto (GOMES, 2004). Os sujeitos pesquisados foram designados de acordo com o número do seu questionário e a letra E (Enfermeiro), com o objetivo de manter a privacidade dos mesmos. Os preceitos éticos contidos na Resolução 196/ 1996 do Conselho Nacional de Saúde, sobre as diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisas que envolvem seres humanos, foram cumpridos nesta pesquisa. Foi elaborado um termo de consentimento livre e esclarecido, em que uma cópia foi destinada para a autora e outra para o entrevistado, preservando o seu anonimato e respeitando a liberdade do sujeito em não participar da pesquisa. Também foi encaminhado à secretaria municipal de saúde do respectivo município um pedido formal, solicitando autorização para aplicar o questionário aos enfermeiros que participaram do estudo. POPULAÇÃO E AMOSTRA Foram pesquisados todos os enfermeiros de uma rede de atenção básica de um município da Região Noroeste do RS, sobre suas concepções de Educação em Saúde. De acordo com Polit; Beck; Hungler (2004), uma amostra apropriada é aquela que resulta da identificação e do uso de participantes do estudo que melhor possam suprir informações, de acordo com as exigências contextuais deste estudo. O pesquisador deve usar uma estratégia que possibilite um melhor entendimento do fenômeno de interesse. Assim, optou-se por todos, totalizando sete enfermeiros, por se tratarem de apenas enfermeiros que atuam na Estratégia de Saúde da Família. No Quadro a seguir, encontra-se o perfil dos enfermeiros participantes do estudo. Enfermeiro Idade Sexo Formação acadêmica IES E1 34 Feminino Enfermagem UFPEL- Pelotas E2 27 Masculino Enfermagem UFPEL- Pelotas E3 46 Feminino Enfermagem URI- Santo Ângelo E4 55 Feminino Enfermagem UFRGS- Porto Alegre E5 29 Feminino Enfermagem UNICRUZ- Cruz Alta E6 34 Feminino Enfermagem UNISINOS- São Leopo ldo E7 50 Feminino Enfermeira e Professora UPF - Passo Fundo Fonte: Dalla Favera; Brum; Caramão; Güllich, Quadro 1: Perfil dos entrevistados. Em relação à idade, sexo, formação acadêmica e IES. O perfil dos enfermeiros mostra que apenas um é do sexo masculino, isso pode ser explicado pela própria história da Enfermagem, em que ela é uma profissão formada essencialmente por mulheres, pois as atividades de cuidar dos doentes sempre estiveram delegadas às mulheres. Para Machado (2002), o profissional enfermeiro traz uma visão diferente sobre os fatos ocorridos no trabalho, que muitas vezes passam despercebidos pelas mulheres, que atualmente ainda predominam na Enfermagem. Enfermeiro Curso de Especialização 48 Tempo de Formação Há quanto tempo trabalha nesta ESF E1 Gerenciamento dos serviços de Enfermagem e Saúde Coletiva 9 anos 1 ano e seis meses E2 Saúde Pública 4 anos e 6 seis meses 11 meses E3 Administração em Saúde Pública com ênfase em Gestão Pública 4 anos 4 anos E4 Não possui curso de especialização 17 anos 2 anos E5 Não possui curso de especialização 6 anos 1 ano E6 Saúde Coletiva 5 anos 1 ano E7 Administração hospitalar, Saúde da família, mestranda em docência universitária 26 anos 10 anos Fonte: Dalla Favera; Brum; Caramão; Güllich, Quadro 2: Perfil dos entrevistados. 4- Curso de especialização; 5- Há quanto tempo terminou a graduação em Enfermagem; 6- Há quanto tempo trabalha nesta Unidade de Saúde ESF.

49 Observa-se que muitos enfermeiros trabalham a mais tempo na ESF, pois no quadro 3, está descrito apenas o tempo em que eles trabalham na Unidade de Saúde que estão atualmente. O tempo de formação dos enfermeiros é bastante variado, no entanto, apenas dois enfermeiros não possuem curso de especialização. Ressalta-se a importância dos enfermeiros atualizarem seus conhecimentos, pois a ciência e tecnologia estão em constantes modificações e, além disso, a Enfermagem é uma profissão muito dinâmica; portanto, é muito importante a atualização dos conhecimentos dos profissionais para melhorarem as suas práticas. 3 CONCEPÇÕES DE EDUCAÇÃO EM SAÚDE PARA ENFERMEIROS DA REDE DE ATENÇÃO BÁSICA. Para analisar os resultados, este estudo foi categorizado em três temáticas, a primeira delas traz a concepção de Educação em Saúde, Saúde e Educação, a segunda categoria engloba a Educação em Saúde na graduação de Enfermagem e a terceira fala sobre a Educação em Saúde do dia-a-dia da ESF. 3.1 EDUCAÇÃO EM SAÚDE, SAÚDE E EDUCAÇÃO Conceito de Saúde Equilíbrio de todas as condições físicas, mentais, espirituais e sociais do indivíduo para estar em constante equilíbrio Bem estar físico, emocional e social, emprego satisfatório, família sólida, relações estáveis, ser ambientalmente correto. È o completo bem estar que envolve o psicossocial, ambiental, mental. Capacidade do ser humano interagir e reagir com seu meio, com as adversidades biológicas, sociais e psíquicas É estar bem, ter trabalho, estar feliz consigo mesmo e com os outros. Envolvem fatores de higiene, sociedade, família, alimentação, educação, cultura, meio ambiente. Saúde é como cada indivíduo consegue ou tem a capacidade de enfrentar situações novas, como ele consegue superar as adversidades do seu meio. Vivemos com saúde convivendo e equilibrando nosso organismo, mesmo com as anomalias, as tensões, os desconfortos. Saúde exprime os poderes que o indivíduo consegue dar resposta às agressões a que está exposto. Fonte: Dalla Favera; Brum; Caramão; Güllich, Quadro 4: Conceito de Saúde. De acordo com Pereira (2003), a definição clássica de saúde da OMS adotada em sua Constituição de 1948 é que saúde é o completo bem-estar físico, mental e social e não meramente ausência de doença, corroborando com os conceitos do E1, E2 e E3 (2008). O mesmo autor define saúde como o resultado do equilíbrio dinâmico entre o indivíduo e o seu meio ambiente. Contribuindo com o conceito de saúde do E1 (2008), que fala sobre o equilíbrio das condições físicas, mentais, espirituais e sociais, a autora Talento (1993) aborda a teoria de Jean Watson, afirmando que a fé e a esperança são muito importantes nos processos de cuidado. A fé e a esperança oferecem ao indivíduo uma sensação de bemestar, através das crenças que cada um possui. Uma premissa básica de Watson é de que: A mente e as emoções de uma pessoa são janelas para a alma. O cuidado de Enfermagem pode ser, e é, físico, processual, objetivo e real, mas, no mais alto nível da enfermagem, as respostas de cuidado humano das enfermeiras, as transações de cuidado humano e a esperança das enfermeiras na relação transcendem o mundo físico e material, 49 Enfermeiro E1 E2 E3 E4 E5 E6 E7 presas no tempo e no espaço, e fazem contato com o mundo emocional e subjetivo da pessoa, como um caminho para o self interior e para uma sensação mais elevada do self (TALENTO, 1993, p. 256). Para ter saúde e a sensação de bem-estar, é importante ter fé, esperança e crenças significativas, pois assim vai haver equilíbrio mental, físico e espiritual. Corroborando com o conceito de Saúde do E2, E5 e E6 (2008), Kawamoto (1995) afirma que saúde é o resultado da influência dos fatores sócio-econômicoculturais, ou seja, alimentação, educação, habitação, meio ambiente, renda, transporte, emprego, trabalho, lazer, liberdade e acesso a serviços de saúde. Estes fatores podem interferir na saúde individual e coletiva, quando geram desigualdades. A teorista de Enfermagem Madeleine Leininger traz como conceito de saúde o estado de bem-estar que é culturalmente definido, valorizado e praticado, que reflete a habilidade dos indivíduos ou grupos em realizar suas atividades diárias de forma culturalmente satisfatória. Para Leininger o estado de bem-estar tem influência da visão de mundo de cada indivíduo ou grupo(monticelli; ALONSO; LEOPARDI, 1999).

50 O E4 (2008) conceitua Saúde como a capacidade do ser humano interagir e reagir com seu meio, com as adversidades biológicas, sociais e psíquicas. A teorista Imogene King apresentou em sua teoria uma estrutura conceitual, afirmando que o foco da enfermagem é o cuidado dos seres humanos e a meta da enfermagem é a saúde dos indivíduos e o atendimento à saúde dos grupos e que os seres humanos constituem sistemas abertos, em constante interação com seu meio ambiente. O E6 (2008) considera a higiene como parte do conceito de saúde. Florence Nightingale assegurava que as condições do ambiente em que se vive influenciam na vida e no desenvolvimento de um organismo, sendo capaz de prevenir, extinguir ou contribuir para a doença ou a morte. Os trabalhos escritos de Florence falam sobre ventilação, água e ar limpos, limpeza e calor. Para Florence os elementos ambientais, tais como sujeira, umidade, escuridão e mau-cheiro, perturbam a saúde (TORRES, 1993). Corroborando com o conceito de saúde do E7, para enfrentar seus problemas do dia-a-dia, é muito importante que o ser humano tenha equilíbrio, pois sempre existem dificuldades e é preciso enfrentar novas situações a todo o momento. De acordo com Horta (1979), não existe uma satisfação ou equilíbrio completo das necessidades básicas do ser humano, pois se houvesse não haveria mais motivação individual. Conceito de Educação Ultrapassar as barreiras culturais de uma comunidade, utilizando linguagem de fácil compreensão, direcionando para a realidade local. È a forma como as informações importantes são transmitidas. Educar é saber passar estas informações. Tudo o que nos norteia de forma gradual e constante para termos uma vida mais saudável. È tudo o que se aprende de maneira correta, que está de acordo com as leis da natureza humana, científica. È tudo o que é criado para ajudar de alguma forma o ser humano e o ambiente. Educar é ensinar, aprender, é mostrar o que é certo e o que é errado para quem precisa saber. Envolve múltiplos fatores, cada indivíduo já recebeu educação da sociedade, da família, da sua cultura e desta forma tem um determinado jeito de agir. Educação engloba ensinar a aprender. A escola se mantém como instituição de educação de forma intencional e com objetivos determinados, logo, não se pode pensar que é na escola que se ocupa este espaço, de aprender e ensinar. Educação é mais abrangente. Educação deve ser um espaço que se suscita debates, inquietações, mobilização de afetos e desconfortos. Os desconfortos servem para enfrentar o desafio de produzir transformações. Logo, lembro que Liliana falava o aluno aprende o que lhe faz falta. Enfermeiro E1 E2 E3 E4 E4 E5 E6 E7 Fonte: Dalla Favera; Brum; Caramão; Güllich, Quadro 5: Conceito de Educação. De acordo com Figueiredo (2003), existem algumas barreiras que impedem uma boa ação educativa, uma delas é a visão equivocada dos profissionais de saúde que se veem como os donos do saber, que transmitem seus conhecimentos a pessoas leigas e ignorantes. Pensa-se muitas vezes que a população não tem condições para tomar decisões, daí os profissionais da saúde oferecem os seus saberes porque pensam que o saber dos usuários é insuficiente e, por isso, inferior, quando na verdade é apenas diferente. O E5 (2008) afirma que Educação é ensinar, aprender, é mostrar o que é certo e o que é errado para quem precisa saber. No entanto, é importante ressaltar que os usuários e os profissionais possuem culturas diferentes, o que não significa que uma cultura seja superior a outra. Todas as pessoas têm algo a contribuir com as outras. Já o E1 (2008) afirma que educar é ultrapassar as barreiras culturais de uma comunidade, utilizando linguagem de fácil compreensão, direcionando para a realidade local, corroborando com este conceito, Leopardi; Capella (1999) asseguram que a cultura são as influências que o indivíduo sofre no seu percurso de vida. Pode-se dizer que a cultura e as crenças de cada indivíduo e comunidade devem ser vistas sempre sob um contexto particular. O trabalho de Educação em Saúde na ESF deve ser voltado sempre para as questões e problemas particulares de cada comunidade, sendo um trabalho que articula as dimensões subjetivas dos sujeitos envolvidos nesta comunidade. Antes de praticar alguma ação com os usuários, é importante que o enfermeiro apresente suas propostas de ações educativas em saúde à sua equipe de trabalho e, em seguida, devem apresentar as propostas aos usuários da ESF. Estas propostas devem ser planejadas e executadas de acordo com as necessidades da comunidade em foco. 50

51 Para Freire (1996 apud SANTOS; OLIVEIRA, 2004), não há ninguém que não consiga passar algo de novo a alguém, ou seja, não há ninguém desprovido da capacidade de ensinar, pois à medida que se vive, conceitos são formulados, opiniões são adquiridas, preferências criadas, experiências compartilhadas, do mesmo modo que não há quem não tenha algo a aprender. O profissional que trabalha com Educação ou Educação em Saúde atua como um mediador da produção do conhecimento ampliando a visão de seus usuários, através de informações que são passadas a eles. O E2 (2008) considera Educação a forma como informações importantes são transmitidas. Para este sujeito educar é saber passar as informações. Paulo Freire (1996) explica perfeitamente essa tarefa de mediador do educador quando diz que não existe docência sem discência, as duas se explicam e seus sujeitos, embora as diferenças que os conotam, não se restringem à condição de objeto, um do outro. Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender. Complementando a fala do E7, o autor Brandão (2002), afirma que a escola não é o único lugar onde se educa, ela é apenas um dos cenários de realização da vida como conhecimento; porém, a pedagogia escolar não deve abrir mão do crescente valor central de seu lugar em uma humanidade para a qual o saber e aprender tendem a ocupar uma posição cada vez mais essencial. Para o mesmo autor, nem hoje, nem futuramente aparecerão substitutos para a educação e para a escola; por isso, pode-se pensar que a cada dia mais a educação deverá ascender a uma posição indispensável e insubstituível em uma boa parte do trabalho cultural de criar sensibilidades e significados à reorientação de pessoas e de grupos humanos. Para o E6 (2008), Educação envolve múltiplos fatores, cada indivíduo já recebeu educação da sociedade, da família, da sua cultura e desta forma tem um determinado jeito de agir. Existem vários fatores que influenciam nas práticas do cuidado cultural de cada indivíduo, são eles: as crenças, educação, linguagem, religião, contexto social, político, tecnológico, etno-histórico e ambiental. A teorista de Enfermagem Madeleine Leininger afirma o seguinte: As similaridades e diferenças do cuidado cultural entre profissionais da saúde e usuários existem em qualquer lugar do mundo. Os cuidados de Enfermagem serão culturalmente congruentes quando os valores, expressões ou padrões dos indivíduos, grupos, famílias, comunidades ou cuidados culturais forem conhecidos e utilizados adequadamente e de maneira significativa pelos enfermeiros na sua prática profissional (MONTICELLI; ALONSO; LEOPARDI, 1999). Desta forma, os cuidados de Enfermagem culturalmente satisfatórios podem contribuir para o bemestar dos indivíduos, famílias, grupos e comunidades, dentro de cada contexto ambiental. Por outro lado, usuários que experienciam cuidados incongruentes com seus valores e crenças, podem apresentam conflitos, estresses e preocupações éticas e morais (MONTICELLI; ALONSO; LEOPARDI, 1999). Concepção sobre Educação em Saúde É ultrapassar as barreiras culturais da comunidade usando uma linguagem de fácil compreensão direcionando para a realidade local. São informações imprescindíveis que a população precisa saber para ter saúde de qualidade e também a forma como estas informações são passadas. Práticas que orientam sobre todos os cuidados necessários para vivermos bem. Em primeiro lugar valorizar a vida em todos os seus aspectos, depois respeitar e valorizar a vida do seu semelhante. Com isso, acho que trabalharemos sempre em favor à saúde. É aprender, ensinar o que é certo, o que é errado sobre saúde. Educação em saúde se faz a todo o momento, sempre respeitando a individualidade, a realidade de cada um, as experiências de vida, os saberes já adquiridos. São dois substantivos com histórias bem semelhantes e se equivalem nas complexidades. Estão intrinsecamente comprometidos para o progresso moral de uma nação. Enfermeiro E1 E2 E3 E4 E5 E6 E7 Fonte: Dalla Favera; Brum; Caramão; Güllich, Quadro 6: Concepção sobre Educação em Saúde. Educação em Saúde para o E2 (2008) são informações imprescindíveis que a população precisa saber para ter saúde de qualidade, enquanto que o conceito de Educação em Saúde do E3 (2008) são práticas que orientam sobre todos os cuidados necessários para se viver bem. 51

52 Para Santos; Oliveira (2004), a Educação em Saúde objetiva a melhoria da qualidade de vida das pessoas sendo necessário para isso ter acesso à informação. Tendo em vista que Educação em Saúde é uma ferramenta que pode ajudar a transformar a consciência de uma comunidade, para utilizá-la adequadamente e fazer com que gere os seus melhores resultados, é preciso avaliar a forma como os profissionais estão realizando as ações de Educação em Saúde. Já o E5 (2008) afirma que Educação em Saúde é aprender, ensinar o que é certo, o que é errado sobre saúde. O autor Vasconcelos (1997) assegura que a Educação em Saúde é entendida por muitos profissionais como uma maneira de fazer um determinado grupo mudar alguns comportamentos que seriam prejudiciais à saúde. Vasconcelos (1997) faz a seguinte colocação: Seria, por exemplo, ensinar a lavar as mãos antes das refeições, a usar a privada para defecar, etc. Não é a Educação em Saúde que me refiro. A falta de higiene e o não seguimento de muitas recomendações médicas por parte da população têm causas muito mais profundas do que apenas a falta de conhecimento e a falta de motivação pessoal. Elas se explicam muito mais pela intensa carência de recursos e o sufoco de vida em que estão submetidos (VASCONCELOS, 1997, p. 20). Portanto, educar para a saúde vai muito além de ensinar o autocuidado, falar sobre motivação, etc. A Educação em Saúde tem como meta, além de tudo isso, ajudar a buscar a compreensão das raízes dos problemas do usuário, ou de um grupo e de suas soluções. O E6 (2008) afirma que Educação em Saúde se faz a todo o momento, sempre respeitando a individualidade, a realidade de cada pessoa, experiências e os saberes já adquiridos. Para Egry (1996) a produção do conhecimento é entendida como compartilha de experiências entre o enfermeiro (educador) e o educando (usuários), vivenciando, na prática, a busca conjunta de soluções para as questões a serem enfrentadas. É necessário levar em conta as experiências anteriores que cada usuário possui. Na Enfermagem, enquanto um instrumento de trabalho (assistir em Enfermagem, Educação para a Saúde), a produção do conhecimento tem como ponto de partida a relação concreta com a prática e, numa relação dialética entre a teoria e a prática, tenta estabelecer devida relação entre o existente e o possível, entre o conhecimento produzido e aquele a ser produzido (EGRY, 1996). Educar para a Saúde é um processo dinâmico em que há uma relação de compromisso e troca de conhecimentos e experiências para o crescimento do educador e do usuário. É muito importante que haja disponibilidade de ambos para troca e reflexão e deve haver sempre respeito e valorização entre o profissional e o usuário, pois, como afirma o E4 (2008), deve-se valorizar a vida em todos os seus aspectos, depois valorizar a vida do seu semelhante, dessa forma se trabalha a favor da Saúde. O E1 (2008) considera Educação em Saúde como ultrapassar as barreiras culturais de uma comunidade usando uma linguagem de fácil compreensão direcionando para a realidade daquele local. Pode-se perceber que na expressão ultrapassar as barreiras culturais talvez possa estar imbricado uma postura de não respeitar a cultura da comunidade, podendo caracterizar certo preconceito, o que para uma relação pode ser um dificultador. Vasconcelos (2001), afirma que atualmente as práticas da Educação em Saúde estão voltadas para a superação do fosso cultural existente entre a população e a Instituição de Saúde, pois um lado não entende a lógica e as atitudes do outro. Nessas experiências, isso é feito com base em uma perspectiva de compromisso com os interesses políticos das classes populares, mas reconhecendo-lhe, cada vez mais a diversidade e a heterogeneidade. Assim priorizam a relação com os movimentos sociais locais por serem expressões mais elaboradas desses interesses (VASCONCELOS, 2001, p. 29). A partir do momento em que os profissionais conhecem as necessidades de uma comunidade, passam a atuar sempre voltados para a realidade local, tentando entender, sistematizar e difundir as lógicas, os conhecimentos e os princípios que regem a subjetividade dos usuários envolvidos. Nessas iniciativas de Educação Popular em Saúde, dá-se grande ênfase à estruturação de instrumentos de ampliação dos canais de interação cultural e de negociação (cartilhas, jornais, reuniões, cursos, visitas, etc.) entre os diversos grupos populares e os diversos tipos de profissionais. Educação em Saúde para o E7 (2008) são dois substantivos com histórias bem semelhantes e se equivalem nas complexidades. Estão intrinsecamente comprometidos para o progresso moral de uma nação. De acordo com o E7 (2008), a Educação e a Saúde estão comprometidas uma com a outra. Os profissionais da saúde, em especial os que atuam na ESF, são educadores. Em seu cotidiano realizam ações educativas em saúde e, às vezes, nem mesmo percebem que são grandes educadores. 3.2 EDUCAÇÃO EM SAÚDE NA GRADUAÇÃO DE ENFERMAGEM 52

53 Abordagem sobre Educação em Saúde na graduação de Enfermagem Na disciplina de didática geral da licenciatura. Através de trabalhos, pesquisas, aulas. Discutindo com os mais diversos setores: assistência, educação, agricultura. Que o enfermeiro deve ser sempre um educador para a saúde, em todos os momentos de sua atuação. Sim. Falando sobre prevenção de uso de drogas, álcool, fumo. Discutindo sobre sexualidade, anticoncepção, tudo relacionado à educação em saúde. Sim, mas de forma limitada. As orientações eram de forma individualizada, ocupávamos só as escolas para fazer educação em saúde de forma coletiva. Enfermeiro E1 E2 E3 E4 E5 E6 E7 Fonte: Dalla Favera; Brum; Caramão; Güllich, Quadro 7: Abordagem sobre Educação em Saúde na graduação de Enfermagem. De acordo com Brasil (2001), no currículo de graduação do curso de Enfermagem, deve constar nos conteúdos curriculares o Ensino de Enfermagem que se trata de conteúdos pertinentes à capacitação pedagógica do enfermeiro, independente da Licenciatura em Enfermagem. Os conteúdos curriculares, as competências e as habilidades a serem assimilados e adquiridos no nível de graduação do enfermeiro devem conferir-lhe terminalidade e capacidade acadêmica e/ou profissional, considerando as demandas e necessidades prevalentes e prioritárias da população conforme o quadro epidemiológico do país/região. Este conjunto de competências deve promover no aluno e no enfermeiro a capacidade de desenvolvimento intelectual e profissional autônomo e permanente (BRASIL, 2001, p. 4). Nota-se que todos os enfermeiros responderam que foram levados a discutir sobre Educação em Saúde na graduação de enfermagem principalmente através de trabalhos e pesquisas e indiretamente ao elaborar o processo de enfermagem. O E4 (2008) ressaltou que a Educação em Saúde foi trabalhada na graduação na forma de discussão sobre prevenção de uso de drogas, álcool, fumo, falando também sobre sexualidade e anticoncepção. O E7 (2008) assegurou que a Educação em Saúde na sua graduação foi trabalhada de forma muito limitada, era trabalhada de forma individualizada e apenas nas escolas era trabalhada de forma coletiva. Vale lembrar que este mesmo enfermeiro possui tempo de formação de 26 anos; portanto, a Educação em Saúde não era muito enfatizada na Enfermagem e atualmente ela está sendo muito mais valorizada na atuação do enfermeiro. Existência de componente específico no currículo de graduação sobre Educação em Saúde Didática, metodologia e dinâmicas de grupo. Educação em Saúde. Não, todas as disciplinas envolviam educação em saúde. Não respondeu. Junto com a disciplina de saúde pública. Enfermeiro E1 E2 E3, E4, E6 E5 E7 Fonte: Dalla Favera; Brum; Caramão; Güllich, Quadro 8: Existência de componente específico no currículo de graduação sobre Educação em Saúde. Apenas o E2 (2008) respondeu que teve um componente curricular específico na graduação de Enfermagem sobre Educação em Saúde, enquanto o E3, E4 e E6 (2008) afirmaram que todas as disciplinas envolviam Educação em Saúde. Pode-se concluir, com isso, que a Educação em Saúde ainda é trabalhada de forma subliminar, não explícita na Enfermagem, o que dá a entender que o componente curricular de Educação em Saúde ainda não é algo valorizado na graduação de Enfermagem. 53

54 3.3 EDUCAÇÃO EM SAÚDE NO DIA-A-DIA DA ESF Formas de Educação em Saúde realizadas pela equipe de saúde São feitos encontros semanais com diversas comunidades, tornando-se um encontro mensal. Usamos a metodologia de abrangência por interesse não fornecemos remédios ou algo similar, nos grupos de educação em saúde focamos no assunto levantado pela comunidade e a participação tem sido excelente. A educação em saúde acontece no dia-a-dia, nos procedimentos, nas conversas, nas consultas e nos grupos de saúde. No primeiro momento escolhe-se um tema relevante que esteja relacionado diretamente com o trabalho. A cada quinze dias, baseado preferencialmente em evidências científicas, forma participativa de toda equipe. Acolhimento do usuário, ouvimos suas queixas (necessidades). Após é conduzido para o atendimento adequado (Enfermeira, médico, odontólogo, nutricionista, etc). Educação continuada nas reuniões de equipe uma vez ao mês. É feita a todo o momento, nas consultas (m édico, enfermeira, dentista), nos grupos de saúde em forma de palestras, discussões, na sala de espera, visita domiciliar, passeios com os grupos, reuniões nas comunidades, etc. Procura-se fazer com os profissionais que se dispõem: nutricionista, enfermeira, médicos, psicólogo, odontólogo, farmacêutica e o pessoal de nível médio. Às vezes fazem de forma individual, e quando possível mais profissionais o fazem. Fonte: Dalla Favera; Brum; Caramão; Güllich, Quadro 9: Formas de Educação em Saúde realizadas pela equipe de saúde. O E1 (2008) afirmou que a Educação em Saúde é realizada na forma de encontros, em que a comunidade escolhe os temas que serão abordados. É muito importante que a equipe de saúde faça com que os usuários participem ativamente das atividades que são proporcionadas nos encontros realizados nas comunidades e nos grupos. Para Vasconcelos (1997), o valor educativo do atendimento individual é muito importante, porém este atendimento tem suas limitações, pois quando o atendimento é realizado coletivamente, um usuário apoia o outro e cada um deles percebe que muitas pessoas passam pelas mesmas dificuldades e, assim, um ajuda o outro a iniciar a busca da solução dos problemas. Para o E2; E6 (2008) a Educação em Saúde acontece no dia-a-dia, nos procedimentos, consultas médicas e de enfermagem, conversas, grupos de saúde, sala de espera e visitas domiciliares; enquanto o E2 (2008) fala que a Educação em Saúde é realizada através do acolhimento ao usuário, os profissionais ouvem suas A Educação em Saúde co mo in strumento da melho ra da qu alidade de vida Sim, temo s essa respo sta pelo bom trabalho realizad o. Sim, todo usu ário bem orientado, se seguir as orientações vai ter qualidad e de vida b em melhor. Saberá alimentação adequad a, cuidados, etc. Acredito q ue sim, em tod os os asp ectos. Sim, só d á certo quando é co ntínua, a forma mais simples que ab ran ge maior nú mero de pessoas ainda são os grupos, mas alguns necessitam de reforço in dividual. Os g rupos são uma forma d e ed ucação em saúde e funcion am muito bem. Sim, das mais variadas formas, tan to informan do o p rofissional, co mo o usuário. Acompanhamen tos, víncu lo s, visitas domiciliares, gru pos, estudos, profissionais d iferenciados, etc. Sim, é uma relação de causa e efeito. As org anizações devem ter um mo mento de fala, de rever sua prática e reorganização do trab alho. As reun iões men sais em qu e se abordam termos científicos e se d iscu te o trabalho, reverte nu m atendimento mais humano. Fonte: Dalla Favera; Brum; Caramão; Güllich, Quadro 14: A Educação em Saúde como instrumento da melhora da qualidade de vida. 54 Enfermeiro queixas e, em seguida, o usuário é encaminhado ao atendimento adequado. Talvez, este enfermeiro possa estar fazendo certa confusão com o conceito de Educação em Saúde e humanização. O E3 (2008) fala sobre a Educação em Saúde entre a equipe de profissionais da ESF, afirmando que eles escolhem um tema relevante que esteja relacionado diretamente com o trabalho e, a cada quinze dias, eles fazem encontros em que toda a equipe participa. Os encontros entre os profissionais da ESF oportunizam discussões sobre a atuação da equipe multiprofissional. Cada componente da equipe deve expor curiosidades sobre sua prática diária, trazendo os mais diversos problemas, seja de conhecimento científico, seja de relacionamento com a população e a equipe de sua unidade básica de saúde, seja de sentimentos ou de angústias pessoais. Através dos encontros periódicos da equipe de saúde cada profissional pode refletir sobre suas ações (VASCONCELOS, 1997). E2 E3 E4 E5 E6 E7 E1 Enfermeiro E1 E2 E3 E4 E5 E6 E7

55 A Educação em Saúde de forma continuada pode melhorar a qualidade de vida dos usuários da ESF, como afirma o E4 (2008) só dá certo quando é contínua, a forma mais simples que abrange maior número de pessoas ainda são os grupos, mas alguns necessitam de reforço individual e ainda o E5 (2008) complementa: Os grupos são uma forma de educação em saúde e funcionam muito bem. Atualmente os grupos de saúde são uma forma de ajuda mútua entre os usuários, nos encontros dos grupos os profissionais conversam, orientam os usuários sobre vários aspectos da saúde, realizam dinâmicas de grupo, para integração e dinâmicas específicas sobre os temas em que são discutidos nos encontros. O E2 (2008) afirma que todo usuário bem orientado, se seguir as orientações vai ter qualidade de vida bem melhor. Saberá alimentação adequada, cuidados, etc.. É indispensável ressaltar que alguns enfermeiros são muito prescritivos quando dizem se o usuário seguir as orientações. De acordo com o E7 (2008) a Educação em Saúde de forma continuada ajuda na melhora da qualidade de vida dos usuários. O E7 (2008) afirma que: As organizações devem ter um momento de fala, de rever sua prática e reorganização do trabalho. As reuniões mensais em que se abordam termos científicos e se discute o trabalho, reverte num atendimento mais humano. É importante que os profissionais da ESF realizem encontros para discutir suas práticas; isso faz com que cada profissional reflita sobre o que precisa ser melhorado na sua UBS, além disso, eles podem trocar idéias, colaborando com os demais profissionais. Todas estas ações trazem benefícios aos usuários, pois melhora o atendimento por parte dos profissionais da ESF. Efeitos da Educação em Saúde de forma permanente nos membros da equipe da ESF Diminuiu as filas para atendimento, aumentou a qualidade de vida da população que se autocuida através das orientações que são passadas pelos profissionais. Com certeza só traz coisas boas. Através do conhecimento, da segurança em abordar os assuntos relacionados à saúde. Muito, pois é neste momento que há a troca, o questionamento, é avaliado o que está dando certo e o que precisa ser mudado. Trabalhando nos temas de educação continuada a autoestima, o cuidado consigo mesmo, patologias, estresse, etc. O saber não ocupa espaço e nem se esgota, a reavaliação dos conteúdos, novos aprendizados devem ser proporcionados, os tempos estão difíceis. Novas portas devem ser abertas, alternativas criadas. A educação contínua informa, esclarece, revisa, abre alternativas, resolve problemas, indica soluções. Percebo que avançamos quando falamos da subjetividade do sujeito, hoje isto é entendido na nossa fala. A educação contínua ainda se volta para a questão de relacionamento e de posicionamento, principalmente das questões relacionais que implica nosso dia-a-dia. Fonte: Dalla Favera; Brum; Caramão; Güllich, Quadro 15: Efeitos da Educação em Saúde de forma permanente nos membros da equipe de ESF. Enfermeiro E1 E2 E3 E4 E5 E6 E7 De acordo com o E7 (2008), A educação contínua ainda se volta para a questão de relacionamento e de posicionamento, principalmente das questões relacionais que implicam no dia-a-dia do trabalho do enfermeiro e demais profissionais da ESF. Já o E4 (2008), afirma que no momento da educação continuada acontece o questionamento e é avaliado o que está dando certo e o que precisa ser mudado. Para Leopardi (1999) na saúde coletiva o processo de trabalho, as ações são executadas por diversos profissionais. Para realizar o trabalho na ESF é necessária a reconstrução de ações integradas, numa perspectiva interdisciplinar para a democratização do pensar e do fazer, em que o planejamento e a execução sejam coletivos, tanto com os usuários, como com toda equipe de Enfermagem e equipe de saúde. O E3 (2008) afirma que através da Educação em Saúde de forma permanente, os profissionais passam a ter mais segurança ao abordar assuntos relacionados à saúde. As relações de trabalho são estabelecidas a partir de condições humanas e materiais e também das delimitações próprias de cada profissão, de modo que cada uma tenta estabelecer um campo específico de ações. O 55

56 processo de trabalho na área da saúde possui limites, que são de certa forma, imprecisos e, muitas vezes acontece o conflito, que se torna importante para que aconteça um processo de reflexão conjunta. Um processo de formação continuada, através de reflexão coletiva, procurando vislumbrar a construção de outras possibilidades para o trabalho da Enfermagem, pela unificação teoria/prática, leva a uma reorientação de valores, formação de consciências e mudanças de atitudes (LEOPARDI, 1999). Para o E1 (2008), a Educação em Saúde de forma permanente tem contribuído com a equipe de profissionais, pois, diminuíram as filas para atendimento, aumentou a qualidade de vida da população que se autocuida através das orientações que são passadas pelos profissionais. De acordo com o E6 (2008), o saber não ocupa espaço e nem se esgota, a reavaliação dos conteúdos, novos aprendizados devem ser proporcionados. A educação contínua informa, esclarece, revisa, abre alternativas, resolve problemas, indica soluções. Neste sentido, Leopardi; Capella, 2005, afirmam o seguinte: A busca do conhecimento leva a um processo de desalienação. O profissional que não questiona o próprio saber está eticamente equivocado, pois o saber leva a argumentação segura e possibilita o desenvolvimento de nova mentalidade. O ato de pesquisar, bem como a utilização de novos conhecimentos, permite o desenvolvimento de uma profissão e o desenvolvimento do mecanismo de açãoreflexão-ação (LEOPARDI; CAPELLA, 1999, p.141). A educação contínua é muito importante para que os profissionais da ESF revisem seus conceitos, pesquisem sobre as questões mais abordadas com seus usuários e reflitam sobre sua atuação. Com a educação continuada é possível melhorar a prática diária da equipe de saúde da ESF e também a convivência entre os profissionais. 4 CONCLUSÃO A Educação em Saúde é uma ação que transforma as práticas do enfermeiro, este tema merece uma reflexão, pois atualmente as práticas educativas não devem ser mais hierarquizadas, mas sim, participativas por parte dos profissionais da saúde e usuários da ESF, individual ou coletivamente, na qual haja troca de informações e saberes. A prática da Educação em Saúde oportuniza que as pessoas melhorem suas relações interpessoais, pois não existe alguém que não tenha algo a aprender e a ensinar, portanto, a Educação em Saúde está sempre se reproduzindo, transformando-se. Na ESF é muito importante que o usuário participe das ações de Educação em Saúde, pois desta forma ele pode refletir sobre as orientações passadas pelo profissional (enfermeiro), pode criticar, questionar e complementar as informações. Sendo assim, o processo de educar para a saúde envolve os conhecimentos populares e científicos, tornando uma ação coletiva, participativa e aumenta o vínculo e a confiança do usuário em relação aos profissionais da ESF. A partir da realização desta pesquisa, pode-se dizer que alguns enfermeiros têm um conceito muito restrito sobre Saúde e Educação em Saúde. Para alguns profissionais o conceito de saúde continua sendo o antigo conceito da OMS adotada em sua constituição de 1948, que fala sobre o completo bem-estar físico, mental e social e não meramente ausência de doenças., atualmente ter saúde é, além de tudo, ter uma boa qualidade de vida, apesar de ter alguma doença, é saber conviver com as adversidades. O conceito de Educação em Saúde não é muito claro, inclusive é um pouco confuso este conceito para alguns enfermeiros. Na graduação de Enfermagem, o tema Educação em Saúde é muito abordado, apesar de que algumas universidades não possuem um componente curricular específico sobre Educação em Saúde, pois na maioria das Instituições de Ensino Superior todos os componentes curriculares envolvem esta temática. Pode-se concluir com isso que a Educação em Saúde é trabalhada de forma subliminar, muitas vezes não explícita na graduação de Enfermagem, o que não significa que a Educação em Saúde não é valorizada. Na Enfermagem da SETREM existem alguns Componentes Curriculares que dão base à Educação em Saúde. O enfermeiro realiza ações de Educação em Saúde nas comunidades, na forma de encontros com os grupos de saúde e quando necessário fazem atendimento individualizado com os usuários da estratégia de Saúde da Família. Nos encontros realizados com os grupos, os usuários, juntamente com os profissionais da equipe de saúde, escolhem o tema a ser trabalhado em cada encontro e, partir do tema mais solicitado, são planejadas as atividades e dinâmicas de grupo a serem realizadas. A Educação em Saúde compete a todo profissional da saúde, cada um atuando em sua área, de forma e desenvolver a interdisciplinaridade. Ressalta-se que as ações educativas em saúde nas USF pesquisadas, são realizadas por todos os profissionais que se disponibilizam, mas o profissional que mais participa destas ações de Educação em Saúde é o enfermeiro. As ações de Educação em Saúde são realizadas no cotidiano de cada profissional, nos procedimentos, nas consultas de Enfermagem, conversas com os grupos e nas visitas domiciliares. Alguns enfermeiros afirmaram que o investimento da Instituição empregadora em seus profissionais ainda é pouco, porém, pondera-se que deve haver também interesse 56

57 dos profissionais em irem em busca de cursos de atualização e expor à Instituição o interesse dele em participar de capacitações ou outros cursos, talvez assim houvesse um maior investimento por parte da Instituição. relevância social, pois o enfermeiro é um educador para a saúde, no seu dia-a-dia na ESF e em todos os locais de atuação na área da Enfermagem. Para realizar as ações de Educação em Saúde é necessário que as USF disponibilizem materiais e local adequado para que os profissionais da saúde desenvolvam as atividades planejadas. Muitas vezes as USF não dispõem de sala de reuniões para a equipe de profissionais e para outras atividades internas e isso se torna um dificultador para que a equipe desenvolva um bom trabalho com os grupos de saúde. Um ponto importante a ser lembrado é que em algumas USF existe um formulário para fazer pedido de material. Os pedidos são feitos geralmente uma vez ao mês. Para que isso facilite o trabalho da equipe de saúde é preciso que haja planejamento das ações que pretendem realizar com os usuários, individual ou coletivamente. A maioria dos enfermeiros considera a Educação em Saúde uma ferramenta fundamental para o tratamento do usuário em algumas situações, principalmente quando são enfocados os grupos de saúde, pois são nos encontros dos grupos que acontecem diversas atividades, tais como conversas informais, orientações, passeios, comemorações. Desta forma, os usuários criam vínculos e isso faz com que melhore a autoestima e, também, a adesão ao tratamento. Porém, alguns enfermeiros afirmam que é preciso ultrapassar as barreiras culturais da população para conseguir fazer com que a Educação em Saúde seja uma ferramenta para o tratamento dos usuários, portanto é importante ressaltar que não existe uma cultura errada ou superior. Os enfermeiros ressaltaram que a educação continuada também ajuda a melhorar a qualidade de vida dos usuários da ESF, principalmente porque os profissionais têm momentos de fala nas reuniões de equipe e isso serve para que todos possam rever suas práticas e reorganizarem seu trabalho. Tudo isso reflete no trabalho dos profissionais, trazendo benefícios aos usuários, pois o atendimento se torna mais humanizado. Portanto, a educação continuada se torna muito importante para que o enfermeiro e demais profissionais da ESF reflitam sobre sua atuação, revisem seus conceitos e pesquisem sobre as questões mais exigidas pelos usuários. A educação continuada ajuda a melhorar a prática dos profissionais e a convivência entre a equipe. Através desta pesquisa sobre concepções de Educação em Saúde na rede de atenção básica, foi possível perceber que o enfermeiro, indiferente de seu local de trabalho, deve manter-se em constante atualização, em busca de novos conhecimentos, novas práticas, tecnologias e saberes. A Enfermagem é uma profissão muito dinâmica e social, ela exige que os enfermeiros tenham um vasto conhecimento, pesquisem muito sobre os mais diversos temas relacionados à saúde, educação e demais setores. Portanto, pesquisar sobre Educação em Saúde na Enfermagem é imprescindível e tem grande 5 REFERÊNCIAS BRANDÃO, C. R. A educação popular na escola cidadã. Petrópolis, RJ: Vozes, BRASIL. M. S.. Conselho Nacional de Saúde. Resolução 196/ 96 sobre pesquisas envolvendo seres humanos. Brasília: Ministério da Saúde, Disponível em: <http:// resolucao.html>. Acesso em: 12 mai BRASIL. M. S. Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Enfermagem. Brasília: Ministério da Saúde, Disponível em: arquivos/pdf/enf.pdf. Acesso em 24 out de CAPELLA, B. B.; LEOPARDI, M. T.. In: LEOPARDI, Maria Tereza. Teorias em Enfermagem: instrumentos para a prática. Florianópolis: NFR/ UFSC; Florianópolis: Ed. Papa-livros, EGRY, E. Y. Saúde Coletiva: construindo um novo método em Enfermagem. São Paulo: Ícone, FIGUEIREDO, N. M. de. Ensinando a cuidar em saúde pública. São Caetano do Sul, São Paulo: Difusão Enfermagem, FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, FREIRE, P. In SANTOS, I. S. dos; OLIVEIRA, V. C. de. Promoção de Saúde na Educação, como essa proposta está sendo trabalhada por professores, pais e responsáveis nas escolas de 1 e 2 ciclos de Ensino Fundamental Disponível em: <http://www.unb.br/fs/sbc/htms/mon1/ ivovera.pdf>. Acesso em: 02 out. de GEORGE, J. B. Teorias de Enfermagem: os fundamentos para a prática profissional. Porto Alegre: Artes Médicas, GIL, A. C. 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58 LEOPARDI, Maria Tereza. Teorias em Enfermagem: instrumentos para a prática. Florianópolis: NFR/ UFSC; Florianópolis: Ed. Papa-livros, PEREIRA, M. G.. Epidemiologia teoria e prática. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, POLIT, D. F.; BECK, C. T.; HUNGLER, B. P. Fundamentos de pesquisa em enfermagem: métodos, avaliação e utilização. Porto Alegre: Artmed, TALENTO, B. Jean Watson. In: GEORGE, Julia B. Teorias de Enfermagem: os fundamentos para a prática profissional. Porto Alegre: Artes Médicas, TORRES, G. Florence Nightingale. In: GEORGE, Julia B. Teorias de Enfermagem: os fundamentos para a prática profissional. Porto Alegre: Artes Médicas, VASCONCELOS, E. M. Educação popular e a atenção à saúde da família. São Paulo: Hucitec, Sobral: Uva, VASCONCELOS, E. M. Educação popular nos Serviços de Saúde. São Paulo: Hucitec,

59 SAÚDE ENSINO SUPERIOR DE ENFERMAGEM NA PERSPECTIVA DOS PROFESSORES: CONCEPÇÕES, TEORIAS E DOCÊNCIA RESUMO Graciele Rejane Ledur 1 Roque Ismael da Costa Güllich 2 Gilberto Souto Caramão 3 Paulo Fábio Pereira 4 Sociedade Educacional Três de Maio 55 Atualmente há enfermeiros em diversas áreas de atuação, aumentando a preocupação com os sujeitos responsáveis pela formação desses profissionais. Com isso, a formação dos docentes de Enfermagem exige um enfoque cada vez mais pedagógico na sua prática educativa, facilitando a interação entre as diversas áreas do saber e os sujeitos envolvidos no ensino. Buscando analisar o Ensino Superior de Enfermagem na perspectiva dos professores: concepções, teorias e docência, com enfoque especial à importância da formação pedagógica, utilizou-se a pesquisa qualitativa como método de investigação, pelo qual se procurou traduzir dados obtidos através de coletas do campo em análise. Os instrumentos usados foram do tipo questionários abertos individuais, aplicados aos docentes do Curso de Bacharelado em Enfermagem em uma Instituição de Ensino Superior (IES) de um município da região noroeste do estado do Rio Grande do Sul. A partir dos relatos apresentados pelos sujeitos da pesquisa, percebeu-se que a formação pedagógica no ensino de Enfermagem é vista como importante na prática da docência e que há uma preocupação na elaboração e diversificação das metodologias de ensino no exercício docente. Os dados permitem ainda relatar a diversidade de saberes docentes considerados necessários na Enfermagem, os pensamentos acerca de educação, de Enfermagem enquanto carreira e opiniões em torno da predominância feminina da profissão. Pode-se afirmar que a perspectiva dos professores analisados se detém na construção de uma prática docente baseada em projetos pedagógicos e interagindo com os sujeitos da aprendizagem, os alunos, superando um enfoque meramente tecnicista. Palavras-chave: Enfermagem. Ensino. Docência. ABSTRACT At present there are nurses in several areas of performance, increasing the concern whit the professors of the formation of these professionals. With this, the formation of the professors of Nursing demands more and more pedagogical approach time in educative practical, facilitating interaction among the diverse areas of knowledge and the involved citizens in education. Searching to analyze Superior Education of Nursing in the perspective of professors: conceptions, theories and teaching, with special approach to the importance of the pedagogical formation, it was used qualitative research as method of inquiry, for which looked for to translate given gotten through collections of the field in analysis. The used instruments had been of the type open questionnaires individual, and they had been applied the professors of Course of Bachelor in Nursing in an Institution of Superior Education (IES) of a city of the region the northwest of Rio Grande do Sul. From the teaching and that it has a concern in elaboration 1 Enfermeira Egressa da Faculdade Três de Maio - SETREM. E- mail: 2 Docente da Universidade Federal de Dourados, Mato Grosso do Sul 3 Enfermeiro, Mestre em Educação, Coordenador do Bacharelado em Enfermagem da Faculdade Três de Maio; 4 Enfermeiro, Mestre em Enfermagem, Professor Titular da Faculdade Três de Maio SETREM; Pesquisador do EducaSaúde - UFRGS. 5 Sociedade Educacional Três de Maio. Avenida Santa Rosa, Três de Maio, RS. 59

60 e diversification of the methodologies of education in the teaching exercise. The results they still allow to tell diversity to know professors considered necessary in the Nursing, thoughts concerning education, of Nursing while career and opinions in lathe of feminine predominance of the profession. However, it can be affirmed that perspective of the analyzed professors if withholds in the construction of one practical professor based on pedagogical projects and interacted with the citizens of learning, the pupils, surpassing a technique approach mere. Key words: Nursing. Education. Teaching. 1 INTRODUÇÃO A história revela que a Enfermagem viveu diferentes momentos ao longo do tempo fazendo com que surgissem diversas concepções e teorias acerca das formas de pensar e agir na profissão. Toda essa heterogeneidade originou campos de atuação bastante diversificados; entre eles, o ensino de enfermagem. O ensino de Enfermagem no Brasil teve origem no início do séc. XX (GEOVANINI et al., 2002) e, desse período até os dias de hoje, passou por diversas transformações, recebendo cada vez mais relevância e se firmando como uma importante área de atuação na Enfermagem. Considerando este eixo temático e os processos passados como alunos do Curso de Bacharelado em Enfermagem, enquanto ensino-aprendizagem, questionouse a docência em Enfermagem e a formação dos docentes que nesta atuam, os processos decorrentes disso e suas concepções. No entanto, construiu-se este estudo com a finalidade fundamental de analisar o Ensino superior de Enfermagem na perspectiva dos professores: concepções, teorias e docência, buscando melhor conhecer o perfil dos docentes de uma Instituição de Ensino Superior (IES) de um município da região noroeste do Rio Grande do Sul. A pesquisa também permitiu estreitar discussões acerca da Enfermagem profissão e o seu fazer educacional e pedagógico. Uma das questões que norteou as reflexões é o quanto se está próximo ou afastado das concepções de Enfermagem, o processo aprendizagem e dos saberes pedagógicos e específicos que se deseja, cabendo ressaltar que os docentes que no momento compõem a graduação, devem empreender esforços na busca de viabilizar essas reflexões, envolvendo a comunidade escolar. De tal modo, a pesquisa fez-se necessária para contribuir na fundamentação desses preceitos e discussões, tornado possível o avanço no processo educativo de Enfermagem. Num primeiro momento, fez-se uma descrição acerca dos aspectos metodológicos utilizados na elaboração da pesquisa sobre a docência em Enfermagem. Mostram-se as etapas estruturais da investigação, que empregou uma abordagem qualitativa (MINAYO, 2001), de caráter exploratório. Como instrumento de coleta de dados foram adotados questionários abertos, descritos por André; Lüdke (2001), os quais permitiram o atendimento essencial para uma pesquisa em educação e Enfermagem envolvendo o ensinar e o aprender, uma análise temática de conteúdo escrito, considerando a linguagem. Finalizando o estudo, apresentam-se a análise e a discussão dos dados coletados com o eixo docente do Ensino Superior de Enfermagem destacando aspectos formativos dos docentes, em nível de graduação, especialização, mestrado e doutorado, bem como demais aspectos de sua identidade profissional, considerando os cursos complementares realizados, área de conhecimento que atua na docência de Enfermagem, atividade de trabalho geral e a produção técnico-científica individual. O item também traz a análise e a categorização das concepções vigentes no discurso dos entrevistados, enfatizando dois eixos basilares: o Ensino, no que tange ao processo de ensino-aprendizagem, a educação, a formação pedagógica e práticas de ensino vigentes e a Enfermagem, quanto seus saberes docentes, sua definição, suas teorias utilizadas na prática profissional e sua predominância feminina ao longo da história. Buscou-se construir este trabalho com ajuda do saber pedagógico para o ensino crítico e construtivo do saber de Enfermagem, acreditando que esse é de grande contribuição para o crescimento da construção do Ensino de Enfermagem. 2. TRAJETO METODOLÓGICO Partindo da questão que o Ensino da Enfermagem reflete em sua história a constituição da Enfermagem enquanto carreira, investigou-se a pergunta inicial na perspectiva da informação e docência em Enfermagem. O estudo foi realizado em uma Instituição de Ensino Superior de um município da região noroeste do Rio Grande do Sul e foi desenvolvido no período de março de 2005 até junho de O estudo teve como cenário uma Instituição de Ensino Superior de um município da região noroeste do Rio Grande do Sul. A população foi constituída pelo corpo docente do Curso de Bacharelado em Enfermagem da Instituição. A amostra foi composta por 14 docentes que responderam a um questionário e aceitaram fazer parte da pesquisa através de um termo de consentimento. A pesquisa empregou uma abordagem qualitativa, de caráter exploratório. Pode-se dizer que, segundo MINAYO (2001), a pesquisa qualitativa se ocupou com a qualidade e fidedignidade das informações coletadas, bem como o valor e a contribuição que estes dados ofereceram para o enriquecimento e qualificação do tema pesquisado, não se preocupando com a quantidade de dados. 60

61 Como instrumento de coleta de dados foi adotado um questionário aberto, usado para avaliar o aspecto de formação e docência dos profissionais docentes na graduação de Enfermagem. Esta técnica permite um atendimento essencial para uma pesquisa em educação em Enfermagem envolvendo o ensinar e o aprender, uma análise de conteúdo escrito, considerando a linguagem. Quando o interesse do pesquisador é estudar a partir da própria expressão dos indivíduos, ou seja, quando a linguagem dos sujeitos é crucial para investigação (ANDRÉ; LÜDKE, 2001, p. 40). Utilizou-se o questionário aberto porque facilita a obtenção de dados garantindo, ainda, transparência e veracidade para análise. Foram analisados ainda Curriculum Vitae para atendimentos sobre aspectos formativos que constituem o ensino de Enfermagem e os saberes pedagógicos e específicos dos docentes. Também foram categorizadas concepções de vigentes nos discursos dos professores. O processo de categorização se deu através de análise temática de conteúdo (LAKATOS; MARCONI, 2001), considerando a diversidade de pontos de vista e de enfoques. O presente estudo garantiu sigilo e anonimato aos dados coletados durante todas as fases da pesquisa, dando direito aos participantes de retirarem os dados fornecidos a qualquer tempo e fase da pesquisa, em acordo com a Resolução nº 196/96 do Conselho Nacional de Saúde, de 10 de Outubro de 1996, através da manutenção do consentimento livre e esclarecido, que garante a anuência do sujeito da pesquisa e/ou de seu representante legal, livre de vícios (simulação, fraude ou erro), dependência, subordinação ou intimidação, após explicação completa e pormenorizada sobre a natureza da pesquisa, seus objetivos, métodos, benefícios previstos, potenciais riscos e o incômodo que esta possa acarretar. 3 APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS DA PESQUISA Observou-se através dos dados coletados, uma grande diversidade na formação dos docentes de Enfermagem da IES analisada. A maior parte dos docentes possui formação acadêmica específica na área de Enfermagem; neste aspecto, observa-se que a maior formação se dá na área de Enfermagem e Obstetrícia. Demonstrou-se também de maneira clara, que mesmo atuando na docência de um curso na área da saúde, muitos professores apresentam formação em áreas diferenciadas de licenciatura como: Matemática, Física, Biologia, Ciência e História. Já entre os docentes enfermeiros, nota-se que poucos apresentam a formação na área de licenciatura, prevalecendo as graduações de bacharelado. Também há docentes formados nas demais áreas da saúde, como: Psicologia, Nutrição, Farmácia e Fisioterapia, em áreas distintas como: Informática e Administração. Percebeu-se que a grande maioria dos pesquisados possuem um ou mais cursos de especialização e que muitos apresentam mestrado. Não há docentes em Enfermagem com doutorado na IES pesquisada. Considerando a ampla heterogeneidade na formação dos docentes, pode-se referir que há interação entre diversos saberes constitutivos na área de atuação do Ensino Superior de Enfermagem. Quanto à questão de gênero, masculina e feminina, pode-se perceber que há uma predominância feminina significativa entre os docente e, em especial, entre a classe graduada em Enfermagem. De acordo com os dados, apenas um terço dos docentes de Enfermagem nesta IES são do sexo masculino, formando um maior contingente de docentes mulheres. Dados semelhantes revelam esta tendência entre os docentes graduados em Enfermagem, sendo que somente um quarto são do sexo masculino; portanto, enfermeiros. Tais apontamentos confirmam a tendência histórica de enfermagem como uma profissão formada em sua maioria por mulheres. Este contexto será novamente abordado neste capítulo. As respostas apontaram que todos os professores entrevistados desenvolvem atividades docentes na Enfermagem há pelo menos um ano, sendo que há docentes que executam esta atividade há mais de uma ou duas décadas, surgindo entre estes, uma grande experiência docente na área. No entanto, a análise das questões revelou que o tempo de docência é pequeno para a maioria dos professores entrevistados, o que prova que a experiência não é fator primordial para a docência neste grupo. Considerando o ato de ensinar e aprender, questionou-se como esse processo de aprendizagem vem sendo percebido no ensino institucionalizado de Enfermagem. Daí a importância de levar o docente universitário de Enfermagem, objetivo central deste estudo, a refletir sobre sua prática profissional como professor. Pôde-se observar que os conceitos sobre o processo ensino-aprendizagem perpassaram de maneira diversificada no discurso dos docentes. Particularmente, cada docente expôs sua forma de pensar enquanto sujeito envolvido neste processo. No entanto, apesar da variação de ideias, os elementos mais apontados se referem à interação de conhecimentos/saberes, principalmente entre professores e alunos, e a mediação dos mesmos pela linguagem. Até aqui, chegou-se à percepção que, segundo os docentes pesquisados, o processo de ensinoaprendizagem não é entendido somente a partir de quem aprende ou de quem ensina, mas sim da interação ou da mediação entre esses sujeitos e suas individualidades, tendo em vista que ambos são presentes e atuantes no âmbito educacional e social interlocução entre saberes (MARQUES, 2000). 61

62 Nesse sentido, Macetto (1999), descreve que o processo ensino aprendizagem deve superar o mero aprendizado de conhecimento e informações por parte dos sujeitos do processo, mas evidenciar o desenvolvimento das habilidades humanas e profissionais e dos valores como profissionais comprometidos com os problemas e a evolução da sociedade. Para Marques (2000), as aprendizagens são reconstruções dos saberes prévios entre professores e alunos, efetivando-se na sistematização dos conceitos trabalhados e, assim, validando-se socialmente. O autor afirma, ainda, que o ensino-aprendizagem se dá pelo desenvolvimento das complexidades das informações, que se aprende a cada momento que se constrói a cada instante. O ensino não é repetitivo como mera transmissão de conhecimento, mas sim uma reconstrução com as aprendizagens. Adiante, surgem os conceitos de educação dos professores entrevistados, buscando mais uma vez conduzir a prática de reflexão pedagógica entre os educadores. Considera-se esta discussão sumariamente importante entre os docentes atuantes, pois retrata as bases teóricas do seu tipo de ensino. Neste aspecto, pôdese perceber que há uma multiciplicidade de reflexões acerca do significado da expressão educação. Ainda assim, a maior parte dos docentes de enfermagem entrevistados acredita que a educação expressa um processo progressivo de desenvolvimento psicofísico, moral, intelectual do indivíduo. Em especial, podendo-se destacar as reflexões referentes aos processos sociais, trazendo a educação como processo de educação dos sujeitos na sociedade do ser humano com o mundo, com a família, com a escola, com os grupos e com outros caminhos da vida, revelando idéias já citadas por Marques (2000), onde a interação entre sujeitos faz a interlocução de saberes. Expressões de destaque também se referem à relação da educação com processos de valorização de ensinamentos e experiências ocorridas ao longo da vida e aprendizagem ativo-coletiva que potencializa o desenvolvimento cognitivo, prática-moral e expressivoestético. Contudo, através destes marcos conceituais delineados, ficou evidenciado que cada sujeito tem seu modo de pensar acerca da educação e seu significado, porém, para a maioria se torna inviável pensá-la independente das questões de interação social. Seguindo a linha de análise sobre a docência, investigou-se qual a função da formação pedagógica entre os sujeitos de ensino de Enfermagem, objetivando conhecer a importância que os docentes pesquisados a atribuem. Neste aspecto, os docentes de Enfermagem conferiram à formação pedagógica, um papel significante frente às práticas educativas. Foram em sua maioria genéricos em mencionar a importância do processo formativo pedagógico na identidade do educador, especialmente pelos conhecimentos pedagógicos estreitarem relações na mediação do processo ensinaraprender e por facilitarem a compreensão e a utilização das metodologias e práticas de sala de aula. Contudo, houve apontamentos indicando a formação pedagógica como não essencial, indicando o potencial individual e a busca de conhecimento mais importante do que o preparo pedagógico. Essas considerações permitiram compreender que, para a maior parte dos sujeitos em estudo, a formação pedagógica deve estar vinculada à docência de Enfermagem, sendo considerada necessária e/ou básica, ou até mesmo indispensável no processo educativo e na atualização dos professores. Considerando a importância que os docentes entrevistados atribuem à formação pedagógica, buscouse verificar como eles fundamentam as suas práticas educacionais. Neste sentido, destaca-se que muitos docentes de Enfermagem, mesmo tendo considerado anteriormente a formação pedagógica importante, disseram não fundamentar sua prática de ensino em concepções ou tendências teórico/pedagógicas. Contudo, surgiram nos discursos dos docentes, pressupostos de aprendizagem que, explícita ou implicitamente, estão inseridos nas diferentes tendências pedagógicas existentes. Isto reflete que o modo como os professores organizam e conduzem suas práticas de ensino se relaciona com pressupostos teórico-metodológicos e dinâmicos de ensino. As linhas pedagógicas apontadas nesta questão refletiram uma preocupação dos docentes pela busca da reflexão crítica, da articulação entre teoria e prática, do conhecimento e da articulação entre teoria e prática, do conhecimento e da sistematização dos conteúdos e das individualidades de cada grupo de ensino. Entre as teorias citadas pelos professores que se utilizam de fundamentação pedagógica para o ensino, destacam-se a tendência histórico-cultural de Vigotski. De acordo com os entrevistados, esta tendência aponta para a interação entre sujeito (objeto de conhecimento) e meio, mediada pela linguagem, e o aluno como conhecedor de sua própria história. Isto leva a crer que a interação/mediação tem sido discutida na formação específica ou continuada destes professores. Surgiram ainda no conteúdo das respostas as tendências de construtivismo, pesquisa-ação e tecnicismo. Essa última, se enquadra na tendência liberal tecnicista citada por Libâneo (1994), em que a atuação é baseada nas atividades de cunho instrumental. Está interessada na racionalização do ensino, no uso de técnicas mais eficazes (LIBÂNEO, 1994, p. 68). Já a pesquisa-ação e o construtivismo, segundo citações de um entrevistado, são baseados, respectivamente, na concepção do desenvolvimento de conhecimento através de pesquisas e na visão de que o estudante e o professor desenvolvem a construção do conhecimento. Outro modelo apontado entre os docentes é a tendência progressista libertadora, citada anteriormente, de acordo com Libâneo (1994), onde o autor relata que esta corrente de ensino é centrada na discussão de temas 62

63 sociais e políticos, na realidade social, nos problemas do meio sócio-econômico e cultural, da comunidade local, considerando as necessidades e o trabalho coletivo frente aos problemas e realidades. Estando as metodologias de ensino associadas às práticas pedagógicas ou à maneira funcional pelos quais os conteúdos e/ou saberes são transmitidos aos alunos, tornou-se conivente discutir quais as metodologias utilizadas na prática docente em Enfermagem, buscando identificar as principais linhas ou tendências de ensino vigentes. Constatou-se, na análise doas metodologias de ensino utilizadas na prática docente, uma multiplicidade de métodos educativos. Com isso, permitiu-se pensar que são buscadas aulas diferenciadas, atrativas e que facilitem o processo de aprendizagem. Refletiu-se que a didática e as metodologias específicas de ensino utilizadas pelos docentes pesquisados superam a mera transmissão de informação sobre conteúdos-objetos das disciplinas. A utilização variada das práticas de trabalhos grupais e dos debates socializadores sugeriram a busca da comunicação educativa, da interação e construção de saberes coletivos. Apontaram, também, a prática de atividades extraclasse, que denotam uma tendência que busca interação educativa com o mundo exterior à sala de aula e um elo entre os conteúdos conceituais básicos e as práticas sociais (MARQUES, 2000). Surgiram, ainda, apontamentos que denotam uma tendência tradicional de ensino, citadas por Libâneo (1994), baseado nas aulas expositivas, onde o meio principal é a exposição oral, as quais se enquadram ao método de transmissão estratégica de conteúdos. Por outro lado, a maioria das metodologias citadas enquadra-se nas atividades em grupo, cooperativas, estudos individuais, pesquisas, projetos, etc. Investigaram-se, também, os inúmeros saberes que, na perspectiva dos professores, são necessários para a docência em Enfermagem. Entre eles, despontaram com maior relevância: o conhecimento específico do conteúdo de trabalho. Da mesma forma, apareceram com destaque considerações acerca da experiência profissional e dos pressupostos didático-pedagógicos, interação com novas tecnologias e pesquisas e conhecimentos do perfil do egresso. Seguindo essa linha de pensamento, Masetto (1998) descreve o que considera competências específicas para uma docência em nível superior independente da área de atuação. Primeiramente, aponta que o ensino superior exige que o docente seja competente em uma determinada área de conhecimento, ou seja, possua domínio de conhecimentos básicos em certa disciplina, bem como experiência profissional de campo. No que tange ao campo de formação pedagógica, o mesmo autor diz que a docência em nível superior exige do professor domínio na área pedagógica (p. 20) e que o conhecimento pedagógico é necessário para que se possa de fato chamar os docentes de profissionais do processo ensino-aprendizagem. Acredita que a pedagogia ajuda o docente a compreender esse processo ensinar-aprender, dominar a concepção do currículo, compreender a relação professor-aluno e dominar a prática e a teoria básica da tecnologia educacional. De modo geral, pôde-se pensar que, se por um lado os docentes acreditam na teorização e conhecimento do conteúdo como linha primordial no ensino de Enfermagem, por outro, não desconsideram a perspectiva pedagógica e as dinâmicas curriculares na prática de ensino, permitindo que novamente se estreitem discussões entre pedagogia e Enfermagem. Num campo mais específico da Enfermagem, analisou-se o que significa de fato a Enfermagem enquanto profissão para os docentes que constituem o estudo. O objetivo deste tópico foi trazer a discussão e os entendimentos teóricos que estes docentes em Enfermagem possuem acerca da profissão. Os conceitos elaborados foram bastante singulares, prevalecendo uma tendência relacionada à Enfermagem como uma ciência baseada, principalmente, no cuidado integral do ser humano e na relação da profissão com promoção, prevenção e recuperação da saúde. Outras formas de entendimento da Enfermagem revelaram que a profissão é vista como uma ciência moldada por diferentes princípios, entre eles: culturas regionais, fatores internos e externos dos indivíduos, necessidades individuais em desequilíbrio, auto cuidado e ajuda. Seguindo este eixo temático, buscou-se identificar as correntes teóricas específicas em Enfermagem seguidas por alguns docentes entrevistados. Buscou-se esta investigação acreditando ser importante refletir sobre a história e a formação do pensamento científico da Enfermagem e analisando qual sua aplicabilidade nos dias de hoje. A partir dos dados da pesquisa, discutiu-se até que ponto as teorias de Enfermagem viabilizam e orientam a prática de Enfermagem. Esta questão foi analisada buscando, entre os enfermeiros docentes, ampliar espaços para o reconhecimento da natureza do trabalho dos profissionais e sua delimitação como campo específico do saber humano. Leopardi (1999) aponta que há razões para se utilizar teorias na Enfermagem, sendo que elas trazem uma perspectiva mais geral na filosofia da ciência e apresentam sua particularização para refletir sobre seu desenvolvimento e para indicar sua potencialidade para introduzir novas maneiras de realização das práticas profissionais. Mesmo com a diversidade de teorias existentes na área e na importância de sua utilização, poucas teorias foram apontadas entre os entrevistados. Entretanto, a teoria mais referida, foi a teoria das necessidades humanas básicas, da brasileira Wanda Horta, elaborada em 1979 (ALMEIDA; ROCHA, 1989). Esta, preconiza que o ser humano tem necessidades básicas que precisam ser atendidas para seu completo bem-estar e que a Enfermagem deve assistir ao ser humano no atendimento dessas necessidades, deve torná-lo independente desta 63

64 assistência pelo ensino do auto cuidado, de recuperar, manter e promover a saúde em colaboração com outros profissionais (HORTA, 1979 apud ALMEIDA; ROCHA, 1989). Outra teoria apontada foi a da norte-americana Lídia Hall, elaborada em 1966 (ALMEIDA; ROCHA, 1989). Um dos entrevistados relata que a teoria de Hall prioriza a totalidade do paciente e a relação: pessoa-essência, corpocuidado e doença-cura. Almeida; Rocha (1989) descrevem que a teoria de Hall define a Enfermagem como controladora e/ou especialista da área do corpo e que o paciente tem 3 aspectos de ser: o corpo, a patologia e tratamento e a pessoa. Surgem ainda entre os discursos, as teorias de Doroty Johnson, de Florence Nightingale e de Watson e Leininger. De maneira geral, percebeu-se que entre os docentes de Enfermagem entrevistados, as teorias de Enfermagem alcançam pouca notoriedade, em vista da importância real que representa. Para Leopardi (1999) as teorias de Enfermagem, sejam elas americanas, brasileiras, canadenses ou coreanas, são ferramentas indispensáveis para construção de uma profissão que proporcione maior visibilidade e diferenciação, tanto no setor de saúde como na sociedade me geral. A mesma autora firma a importância das teorias em enfermagem dizendo que uma profissão que não conhece suas próprias correntes de pensamento empobrece e dá a impressão que somente fazer seu trabalho pelo treinamento de fórmulas, rotinas e procedimentos padronizados, de acordo com o campo em que atuam (p. 65). Cabe ainda destacar que as teorias em Enfermagem citadas, bem como as teorias em Enfermagem vigentes na literatura, foram elaboradas ao longo da história exclusivamente por mulheres, apontando uma tendência predominantemente feminina na profissão. Em vista desta diversidade de marcos teóricos elaborados por mulheres e da grande predominância da categoria na Enfermagem em geral, buscou-se identificar a que fatores os docentes entrevistados atribuem esta característica. O estudo refletiu que os docentes de Enfermagem associam a predominância de mulheres à origem histórica da profissão e a cultura vincula à Enfermagem ao cuidado, ao afeto, à sensibilidade e ao sentimento. Também relacionam ao contexto, à habilidade materna apresentada pelas mulheres, como fator que tenha contribuído nesta tendência feminina da profissão. Por fim, surgem fatores como: vocação, presença de perfil mais adequado, maior predisposição para a profissão e um olhar sobre o cuidar como atividade natural das mulheres. Considerando aspectos históricos da Enfermagem, Geovanini et al. (2002, p. 7) cita que, partindo das duas teorias do surgimento do homem no planeta, a mulher é grande precursora do atendimento às necessidade de saúde da raça humana. Ainda referente a questões históricas, a Enfermagem também se relacionou com a prática domiciliar de partos, séc. V A.C. e até mesmo com o serviço doméstico no final do séc. XIII ao início do séc. XV, sendo estas tarefas desempenhadas por mulheres. Já na Enfermagem moderna, séc. XVIII e séc. XIX, há relatos de que a Enfermagem era formada quase exclusivamente por mulheres, sendo estas subordinadas da classe médica (GIOVANINI et al., 2002). Mais especificamente, ao se analisar a gênese na palavra enfermeiro, nota-se que ela é utilizada como substantivo e derivada do latim nutriz que significa a mãe enfermeira. Outro sentido antigo da palavra enfermeiro estava associado à imagem da mulher que acompanhava uma criança que em geral não era a sua mãe a enfermeira babá. A palavra também já foi atribuída à ama ou nutriz, derivada neste sentido do latim nutrire que significa criar, nutrir (ELLIS; ARTLEY, 1998). Ao longo dos séculos, a palavra enfermeiro evolui desde a enfermeira como mãe, nutriz e educadora de crianças, para um conceito sem referência específica ligada ao sexo e com suas responsabilidades acompanhando serviços desafiadores, em permanente expansão, a fim de atender às pessoas que necessitam de cuidados à saúde (ELLIS; ARTLEY, 1998, p. 15 e 16). Esses dados históricos refletem que o desenvolvimento da Enfermagem tenha sido intrinsicamente vinculado ao papel da mulher, refletindo esta característica até os dias de hoje. A partir do que foi exposto ao longo do estudo, observou-se que ocorreu uma grande diversidade na formação dos docentes, articulando ao mesmo tempo, saberes convenientes de diferentes campos de conhecimento e de experiências bastante diversificadas. Assim, pode-se pensar que cada sujeito deste estudo seja único em sua forma de pensar e de agir na docência em enfermagem, tendo suas próprias concepções sobre os métodos e as correntes do processo educacional, sobre a Enfermagem enquanto profissão, seus marcos teóricos e suas características históricas. Até aqui se conduziu o propósito de analisar o ensino superior de Enfermagem na perspectiva dos professores: concepções, teorias e docência, buscando melhor conhecer o perfil dos docentes que compõem a IES pesquisada, estreitar discussões acerca da Enfermagem profissão e seu fazer educacional pedagógico. Após a avaliação dos resultados revelados neste trabalho, pode-se dizer que o ensino superior de Enfermagem é comprometido com o exercício da prática pedagógica e que, de maneira geral, os professores buscam ser flexivos e inovadores em sua prática, articuladores dos processos de ensino-aprendizagem e conhecedores da Enfermagem profissão. 64

65 4 CONCLUSÃO A pesquisa sobre ensino superior de Enfermagem na perspectiva dos professores, concepções, teorias e docência, se constitui num tema desafiador à realização do presente estudo, principalmente por se tratar de um universo relativamente pouco explorado, formado por sujeitos provenientes de diferentes áreas de atuação e de conhecimento e com formações específicas variadas. Além disso, construir a ligação entre a área de Enfermagem e do ensino/educação, mais especificamente os aspectos referentes à docência e à formação pedagógica dos educadores foi, inicialmente, um grande desafio. A partir do que foi exposto ao longo do trabalho, observou-se que ocorreu uma grande diversidade na formação dos docentes, articulando, ao mesmo tempo, saberes provenientes de diferentes campos de conhecimento e de experiências bastante diversificadas. Essa heterogeneidade da docência em Enfermagem aponta que cada sujeito deste estudo é único em sua forma de pensar e agir, tendo suas próprias concepções sobre os métodos e as correntes do processo educacional sobre a Enfermagem enquanto profissão, seus marcos teóricos e suas características históricas. No entanto, mesmo reconhecendo o caráter individual que cada professor imprime em suas práxis (MARQUES, 2000), surgiram neste estudo apontamentos comuns que serve para caracterizar de maneira geral o ensino superior de Enfermagem, em especial na IES pesquisada. No que tange aos saberes docentes considerados necessários ao ensino superior de Enfermagem, surgiram na perspectiva dos professores pesquisados os saberes específicos disciplinares (no sentido de domínio do conteúdo a ser ministrado), os saberes pedagógicos (voltados e construídos através da interação com os sujeitos de aprendizagem na formação pedagógica adequada, das experiências docentes e da diversidade das metodologias utilizadas), os saberes políticos (interação com a sociedade e os sujeitos, visão de mundo) e outros saberes (conhecimento da Enfermagem enquanto profissão, comunicação, conhecimento do perfil do egresso, uso de tecnologias e inovações, etc.), validando as hipóteses iniciais desta investigação. Constatou-se que a grande maioria dos docentes em Enfermagem considera a formação pedagógica importante frente às práticas educativas, especialmente pelos conhecimentos pedagógicos estreitarem relações na mediação do processo ensinar aprender e por facilitarem a compreensão e a utilização de diferentes metodologias na sala de aula. Nesse sentido, percebeuse que parte dos profissionais analisados possui algum tipo de formação pedagógica, principalmente em cursos de licenciatura. Por outro lado, os dados revelam que muitos docentes não fundamentam sua prática em tendências pedagógicas. Na análise das metodologias de ensino utilizadas na prática docente, notou-se uma multiplicidade de métodos educativos, apontando a busca de aulas diferenciadas, atrativas, que facilitam a mediação entre ensino e aprendizagem, superando a mera transmissão de informações sobre conteúdos/objetos das disciplinas, preconizando, assim, a interação entre os sujeitos da aprendizagem, conforme a firma Vigotski (2000). Quanto às concepções formuladas, percebeu-se novamente uma diversidade de enfoques. A educação foi vista de maneira avaliada, sobretudo como um processo progressivo de desenvolvimento psicofísico, moral, intelectual do indivíduo e mediado por relações sociais. Quanto ao processo ensinar-aprender, os elementos mais apontados se referem à interação de conhecimentos/ saberes (cfe. MARQUES, 2001), principalmente entre professores e alunos, e a mediação dos mesmos pela linguagem. É também importante destacar que a Enfermagem foi definida com formas particulares/individuais, prevalecendo a tendência que relaciona a Enfermagem como forma de ciência, baseada principalmente, no cuidado integral do ser humano e na relação da profissão com o preventivo, curativo e educativo. Notou-se que poucos docentes de Enfermagem relacionam suas práticas às teorias específicas de Enfermagem existentes na história. Outro aspecto importante é que apenas uma minoria dos docentes pesquisados conferiu em suas definições relações entre Enfermagem e o campo de ensino/ educação. A predominância feminina na Enfermagem foi relacionada pelos docentes pesquisados a característica histórica da profissão, a sua relação com o cuidado, afeto, sensibilidade, sentimento, habilidade materna, vocação e a predisposição feminina a esta ação. De acordo com o que foi apresentado ao longo do trabalho, chegou-se a algumas considerações sobre o ensino superior de Enfermagem. A partir do discurso dos docentes pesquisados em uma IES da região noroeste do Rio Grande do Sul, revelou-se que: - são necessários saberes à docência em Enfermagem: científico-disciplinares, conceituais, pedagógicos, políticos e sociais; - a formação pedagógica é considerada importante na prática docente em Enfermagem, embora poucos docentes fundamentem suas práticas em tendências pedagógicas; - a educação e o processo ensinar-aprender são vistos de formas variadas e ultrapassam a mera transmissão de conteúdos; 65

66 - há várias e diferentes metodologias de ensino sendo implantadas na prática docente em Enfermagem, buscando tornar o ensino efetivo e de qualidade; - existem poucas teorias de Enfermagem fundamentando a prática entre os enfermeiros docentes; - a Enfermagem é definida pela maioria dos docentes pesquisados como uma ciência do cuidado aos indivíduos, sendo pouco relacionada à esfera de ensino; - a maioria dos docentes que compõe a graduação em Enfermagem são mulheres, assim como a maioria dos enfermeiros docentes deste estudo são mulheres, confirmando a tendência histórica da Enfermagem como profissão predominantemente feminina. Característica esta, atribuída à historicidade da profissão, feminina por vários séculos, refletindo até os dias de hoje. No entanto, mesmo com a disparidade de conceituações evidenciadas ao longo do trabalho, podese concluir que o ensino superior de Enfermagem na perspectiva dos professores pesquisados é comprometido com o exercício da prática pedagógica e que, de maneira geral, os professores procuram ser flexíveis e inovadores em sua prática, articuladores dos processos de aprendizagem e conhecedores da Enfermagem profissão. 5 REFERÊNCIAS ALMEIDA, M. C. P.; ROCHA, J. S. Y. O saber da Enfermagem e sua dimensão prática. São Paulo: Cortez, BRASIL. Ministério da Saúde. Conselho Nacional da Saúde. Comissão nacional de ética em pesquisa. Portaria 196 que regulamenta as pesquisas envolvendo seres humanos. Brasília: GIOVANINI, T. et al. História da enfermagem: versões e interpretações. 2. ed. Rio de Janeiro: Revinter, LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. A. Metodologia do trabalho científico. 6. ed. São Paulo: Atlas, LEOPARDI, M. T. Teorias em enfermagem: instrumentos para a prática. Florianópolis: Papa Livros, LIBÂNEO, J. C. Didática. São Paulo: Cortez, LÜDKE, M.; ANDRÉ, M. E. D. A. Pesquisa em educação: Abordagens qualitativas. São Paulo: EPU, MARQUES, M. O. A aprendizagem na mediação social do aprendido e da docência. 2 ed. Ijuí: Editora Unijuí, MACETTO, M. T. (org). Docência na universidade. Campinas: Papirus, MINAYO, M. C. S. O desafio no conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 13. ed. São Paulo: Hucitec Abrasco, VIGOTSKI, L. S. A construção do pensamento e da linguagem. São Paulo: Martins Fontes,

67 SAÚDE INÍCIO DA TERAPIA RENAL SUBSTITUTIVA SOB O OLHAR DE PACIENTES COM DOENÇA RENAL CRÔNICA Gustavo Cerutti 1 Vera Lúcia Fortunato Fortes 2 RESUMO Estudo exploratório-descritivo de caráter qualitativo com o objetivo diagnosticar junto a pacientes em diálise suas percepções no primeiro ano de terapia renal substitutiva num serviço de hemodiálise e diálise peritoneal do interior do Rio Grande do Sul. Coletaram-se os dados com entrevistas individuais semiestruturadas. Os resultados apresentam três categorias: o impacto da doença renal e o início da terapia renal substitutiva ; o cuidado de enfermagem no início de terapia renal substitutiva e as repercussões familiares, profissionais e sociais impostas pela terapia renal substitutiva. Dar início à diálise mostra-se como um evento dramático na vida, do qual sobrevêm limitações e adaptações. A enfermagem detém ampla possibilidade de cuidado ao paciente renal crônico e mostra-se acolhedora, porém faltam abordagens específicas na vigência de um diagnóstico crônico e início de um tratamento continuado. Unitermos: Insuficiência renal crônica, diálise, relação enfermeiro-paciente. ABSTRACT Exploratory-descriptive study of qualitative nature aiming to diagnose on dialysis patients their perceptions within the first year of substitutive renal therapy in a peritoneal hemodialysis and dialysis service in the interior of Rio Grande do Sul. The data were collected by the means of semi-structured individual interviews. The outcomes present three categories: the impact of the renal disease and the beginning of the substitutive renal therapy ; the nursing care in the beginning of the substitutive renal therapy and the family, professional and social repercussions imposed by the substitutive renal therapy. Starting dialysis is seen as a dramatic event in life, of which limitations and adaptations stem from. Nursing has wide care possibility for the chronic renal patient and seems welcoming, however, there is a lack of specific approaches in light of a chronic diagnosis and beginning of an ongoing treatment. Key words: Chronic Renal Insufficiency, dialysis, nurse-patient relationship. INTRODUÇÃO Nos últimos anos as doenças crônicas não transmissíveis tiveram um aumento considerável na sua incidência, dentre as quais a doença renal crônica (DRC), com a subsequente necessidade da terapia renal substitutiva (TRS), moléstia decorrente de comorbidades também incidentes na atualidade, como a hipertensão e o diabetes. 1 Enfermeiro da Unidade de Hemodiálise Hospital São Vicente de Paulo de Passo Fundo- RS. Especialista em Assistência de Enfermagem em Nefrologia- UFRGS. 2 Professora adjunta II do curso de Enfermagem da Universidade de Passo Fundo UPF nas disciplinas: Saúde do Adulto I e II. Mestre em Assistência de Enfermagem UFSC. 67

68 A DRC tem caráter progressivo e silencioso e assume proporções epidêmicas no Brasil e no mundo. Como sua descoberta geralmente é tardia, repentinamente as pessoas se veem diante de um diagnóstico irreversível, podendo se sentir despreparadas para enfrentar um itinerário longo de tratamento. Por isso, necessitam apoio da equipe desde o início. Como a DRC é de longo percurso e praticamente assintomática até as fases adiantadas, geralmente o diagnóstico é tardio, ou acontece ocasionalmente quando da coleta de algum exame laboratorial, pré-operatório ou em check ups de rotina, encaminhando o paciente ao tratamento conservador. Assim, tornam-se necessários um maior controle da função renal e o desenvolvimento de ações preventivas junto à população em geral e, especificamente, aos pacientes vulneráveis, no intuito de retardar danos e adiar a entrada em diálise. A DRC possui cinco estágios de evolução, que podem durar anos ou décadas e culminam na insuficiência renal crônica (IRC) terminal, na qual os rins perderam o controle do meio interno e o paciente encontra-se intensamente sintomático, tendo de se submeter à TRS. A permanência longínqua em tratamento dialítico é uma ocorrência comum na atualidade, cujo início guarda especificidades que marcam uma trajetória que se estenderá por anos, frequentemente rememorado pelos pacientes. A obrigatoriedade de um tratamento dialítico acarreta mudanças na vida pessoal e social do paciente, o qual vivencia uma nova realidade, representada pela dependência de uma equipe especializada e de um aparato tecnológico. A relação estabelecida entre enfermeiro e paciente renal crônico ao longo do tempo inicia-se desde a primeira sessão de diálise, quando da descoberta da condição crônica e da dependência de um tratamento contínuo. Nesse momento, portanto, o acolhimento e cuidado demonstrados influenciarão na compreensão pelo paciente do seu processo de adoecimento. Alguns, ao iniciar a diálise, não compreendem a sua condição de paciente crônico, percebendo a TRS como transitória. Por isso, a prestação da assistência de enfermagem ao doente renal crônico exige abordagens de acolhimento em face da descoberta da doença. O enfermeiro precisa prestar mais atenção aos momentos iniciais da terapia, pois o paciente vivencia eventos entrecruzados, como o diagnóstico, a cronicidade e a dependência. Pelo que se observa, a equipe de enfermagem concentra-se sobremaneira nos aspectos técnicos, preocupando-se com a exatidão na habilidade e domínio dos equipamentos da diálise. Desse modo, a tecnologia muitas vezes passa a ter supremacia na escala das atenções, levando o enfermeiro a ocupar-se de seu manejo e, por vezes, a esquecer-se do ser humano vinculado a esta, sendo insensível ao momento ímpar do cotidiano de uma pessoa ao ingressar na diálise. Apoiado nesses pressupostos, este estudo teve como objetivo diagnosticar no início do tratamento da TRS quais são as percepções dos pacientes em relação ao tratamento, subsidiando os profissionais da nefrologia para um melhor preparo dos pacientes renais crônicos ao ingressarem na diálise. REVISÃO DE LITERATURA A DRC é caracterizada por uma deterioração progressiva e irreversível da função renal, ocasionando uma incapacidade dos rins de manter o equilíbrio metabólico e hidroeletrolítico. É processo insidioso que evolui sem grandes sintomas durante muitos anos até que atinja sua fase final, na qual o paciente deverá se submeter à diálise, quando a função renal estiver abaixo de 10% (FERMI, 2003; SMELTZER; BARE, 2002; ZATZ, 2003). As causas que levam à perda da função renal incluem a doença renal policística de origem hereditária, ou pode ser proveniente de doenças sistêmicas, como o diabetes ou hipertensão; também pode se dever à glomerulonefrite crônica, pielonefrite e nefrolitíase (FERMI, 2003; SMELTZER; BARE, 2002). A DRC tem se tornado um problema de saúde pública mundial, já que o aumento de sua incidência e prevalência é detectado tanto na fase pré-dialítica quanto na dialítica. No Brasil não existem estudos das taxas da doença que antecedem a diálise, mas dados estatísticos sobre diabete e hipertensão sinalizam para a possibilidade de essa prevalência ser alta em nosso país (MARIANI, FORTES, 2004). A uremia caracteriza a DRC terminal e consiste na retenção de ureia e outros produtos de degradação nitrogenados no sangue, levando a um conjunto de sinais e sintomas que atingem todos os sistemas corpóreos (SMELTZER; BARE, 2005; FERMI, 2003). Se for detectada nas fases iniciais, institui-se o tratamento conservador para a DRC, o qual consiste em retardar o início da terapia dialítica por meio do atendimento da equipe de saúde, suporte nutricional e medicamentoso, com rigoroso controle da tensão arterial e da glicemia (SMELTZER; BARE, 2005). Quando a DRC se encontra no último estágio de evolução, institui-se a TRS. Se a opção for pela diálise peritoneal, a retirada do excesso de água e de substâncias tóxicas se dá por meio do peritônio, uma membrana ricamente vascularizada que recobre a parede abdominal e órgãos internos. O procedimento consiste na introdução de uma solução salina acrescida de dextrose na cavidade por meio de um cateter, com tempo de permanência variável. (FERMI, 2003; SMELTZER; BARE, 2002; PECOITS-FILHO, 2003). Como é um método considerado invasivo, o manejo de infusão, drenagem e manipulação do cateter deve ser realizado de forma asséptica, sendo necessário processo educativo do enfermeiro da diálise com paciente ou familiar (FERMI, 2003). 68

69 Por sua vez, os processos físico-químicos da hemodiálise são semelhantes aos da diálise peritoneal. A perda de água se dá por ultrafiltração por meio de uma membrana sintética semipermeável determinada por um gradiente pressórico e os solutos migram por difusão (COSTA; CUVELLO NETO; YU, 2003; LUGON; MATOS; WARRAK, 2003). Consiste em puncionar a fístula arteriovenosa (FAV) com um scalp calibroso anexado a uma linha chamada arterial, que leva o sangue até o dialisador, o qual passa por dentro das fibras porosas e retorna para o corpo através de uma linha, chamada venosa, que está conectada a outro scalp puncionado na mesma veia da FAV (SMELTZER; BARE, 2002). O paciente, vendo-se imerso no universo da TRS que optou ou lhe foi indicada, às vezes mostra-se resignado, mas desconhece particularidades de sua doença e tratamento. Ele pode se mostrar copartícipe de sua terapia, pois a longa temporada que passa na diálise lhe possibilita ter voz ativa, mesmo com as inconstâncias clínicas ou a fragilidade da uremia. Infelizmente, há situações nas quais ele não se dá conta da importância de suas objetivações e acaba se retraindo perante os seus cuidadores, não verbalizando o que sente; outras vezes, quando fala, não é escutado pela equipe de saúde (CAMPOS, TURATO 2003). Potter e Perry (1999), ao abordarem sobre relações de ajuda, afirmam que o relacionamento enfermeiropaciente é um processo no qual o cuidador é convidado a intervir na vida do cliente e a auxiliá-lo a engajar-se numa postura mais eficiente; trata-se de um processo dinâmico, que exige esforço participativo do enfermeiro e do paciente para resolver um agravo, a fim de promover a saúde e as habilidades de adaptação do cliente em situações crônicas. A relação enfermeiro-paciente no primeiro contato é muito significativa, pois ambos cuidadosamente observam um ao outro. O enfermeiro e o cliente fazem inferências e formam julgamentos sobre o comportamento de cada um. Por isso, a comunicação terapêutica será mais eficiente se o enfermeiro for genuíno, empático e atencioso (POTER, PERRY, 1999). A comunicação está intimamente relacionada com a interação inicial enfermeiro-paciente, facilitando ou dificultando o estabelecimento de um meio ambiente terapêutico; é um coadjuvante do conjunto de ações necessárias à implementação e aplicação do processo de enfermagem, o qual se constitui numa ferramenta fundamental no cuidado individualizado com vistas a promover e/ou recuperar a saúde e minimizar os agravos (MORETTO et al., 2006). Para que a relação enfermeiro-paciente se torne efetiva, o profissional precisa se dar conta das experiências do paciente e do modo como ele as vivencia nos momentos difíceis dessa trajetória. O importante não é ter todas as respostas ou saber o melhor procedimento, mas ouvi-lo, o que pode ser de grande valor para suprimir angústias. O enfermeiro necessita mostrar disposição, ser alguém a quem o doente pode recorrer sempre que precisar, evitando o desatendimento ou o atendimento com pressa e inquietude, atitudes que podem comprometer o futuro do relacionamento enfermeiro-paciente e influenciar na relação de confiança (GULLO; LIMA; SILVA, 2000). No setor de diálise, por ser muito específico, há pouca rotatividade de enfermeiro, como acontece em unidades de internação, onde os cuidados ao paciente são multiespecializados. Assim, o enfermeiro da unidade dialitica acaba permanecendo por um longo período no setor de diálise, o que favorece uma relação duradoura enfermeiro-paciente. Timby (2001) referencia que dispensar atenção àquilo que os pacientes dizem oferece um estímulo para interações significativas, sendo indispensável que o enfermeiro tenha paciência, evite o falso ouvir, aproximese da pessoa, faça contato olho no olho e sinalize com expressões não verbais que está valorizando sua fala. 2 METODOLOGIA Esta pesquisa exploratório-descritiva de caráter qualitativo foi realizada em uma unidade renal de um município no norte do Rio Grande do Sul, situada num hospital geral de médio porte, que tem em seu programa aproximadamente oitenta pacientes em hemodiálise e diálise peritoneal. A população de estudo compreendeu todos os pacientes que se encontravam, no mínimo, há trinta dias e, no máximo, há um ano em TRS. Os participantes foram escolhidos por sorteio, compreendendo um total de seis pacientes em terapia, de ambos os sexos, adultos e residentes ou não no município, os quais tinham ciência da sua condição crônica dependente da diálise. Foram excluídos os pacientes com insuficiência renal aguda, com diagnóstico paralelo de algum tipo de sofrimento psíquico, portadores de necessidades especiais, como o déficit cognitivo e perda significativa da acuidade auditiva. Os dados foram coletados por meio de entrevistas individuais semi-estruturadas realizadas pelo entrevistador, contendo questões fechadas e perguntas abertas. Essas foram realizadas com os pacientes durante as sessões de hemodiálise ou por ocasião da visita mensal à unidade quando o paciente estava em diálise peritoneal, em local sugerido pela enfermeira responsável da unidade. As falas eram transcritas enquanto o paciente ia respondendo às perguntas, procedimento previamente combinado com os participantes. A validação das respostas ocorreu ao término de cada entrevista, sendo o seu conteúdo submetido à análise conforme Gomes (2002). Este estudo observou as diretrizes da Resolução 196/96 do Conselho Nacional da Saúde do Ministério da Saúde e foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade de Passo Fundo (registro n. 271/2006 e 69

70 pela Comissão de Pesquisa e Pós-Graduação do Hospital da Cidade. Todos os participantes assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido. 3 ANÁLISE DOS RESULTADOS Foram entrevistados seis pacientes durante o tratamento regular ou na visita mensal à unidade de diálise, três inseridos em hemodiálise e três em diálise peritoneal automatizada, em tratamento por um tempo que variou de trinta dias a oito meses. A idade mínima foi de 33 anos e a máxima, de 65. Metade dos entrevistados era do sexo masculino e a outra metade, do feminina. A escolaridade variou de ensino fundamental incompleto ao superior incompleto. Com relação à procedência dos pacientes, dois provêm da mesma cidade onde realizam o tratamento e os demais, de outros municípios da região. Após a leitura das falas dos pacientes iniciantes na TRS, os resultados apresentaram três categorias, construídas por meio da análise de conteúdo. 3.1 O IMPACTO DA DOENÇA RENAL E O INÍCIO DA TERAPIA RENAL SUBSTITUTIVA A descoberta da condição de doente crônico, por si só, é impactante e se potencializa diante de necessidade de uma máquina para viver talvez durante o resto da vida. Observa-se pelas falas o grande choque vivido com a descoberta repentina de uma doença, a qual acarretou uma mudança abrupta no rumo de suas vidas. Mesmo para o paciente já soubesse que tinha um déficit de função renal, estando em tratamento conservador e tendo consciência de que necessitaria de diálise no futuro, a reação parece ser semelhante, havendo, inclusive, a omissão de sintomas na tentativa de postergar o início da TRS. Caiu o mundo...tudo é novo...depressão. (E1) Complicado, quando descobri entrei em pânico, as pessoas colocam medo, vivia apavorada...escondia as coisas da médica com medo de iniciar o tratamento... (E2) Terrível, não queria aceitar, não admitia...fiquei triste com a notícia...meu marido ficou apavorado...escondi dos filhos que não estava bem. (E3) Receio, medo...as pessoas apavoram...vivia tensa na hemodiálise (E4) Pessoas falavam que a hemodiálise era perigosa...surpresa grande. (E5) Quando a detecção da DRC é precoce, institui-se o tratamento conservador, que consiste em estabelecer medidas medicamentosas e nutricionais para diminuir os sintomas e retardar o início da diálise (MORSCH, 2000). O paciente que apresenta perda da função renal necessita ser orientado quanto à importância de relatar sinais e sintomas da uremia ou piora do quadro, para sejam tomadas as medidas cabíveis, controlando as complicações da DRC. O fato de precisar fazer hemodiálise apresenta-se como um evento inesperado e coloca o indivíduo diante de uma nova fase de sua vida, remetendo-o a uma relação de dependência de uma equipe especializada, de um esquema terapêutico rigoroso e de um rim artificial (LIMA; GUALDA, 2001). A vida, subitamente, altera seu curso e uma nova cortina se abre na vida da pessoa crônica, com novos contatos que se iniciam e perduram com profissionais da saúde e outros que compartilham da mesma situação. As atividades rotineiras necessitam ser interrompidas. Um novo cenário instala-se, com alterações nos papéis do lar, perda do emprego, dependência da previdência social, rigidez de horários, restrições na dieta e dependência do serviço de saúde. (FORTES, 2005). Os pacientes que dependem de uma máquina três vezes por semana ou do procedimento de diálise peritoneal para sobreviver apresentam limitações no seu dia-a-dia e vivenciam inúmeras perdas e mudanças biopsicossociais que interferem na sua qualidade de vida, incluindo o abandono involuntário do emprego, alterações na imagem corporal, restrições hídricas e dietéticas, privação de vida social, déficit de lazer, entre outras (MARTINS; CESARINO, 2005). Genericamente, a condição psicológica pré-morbida do paciente define sua posterior resposta à doença e tratamento. Essa atitude também dependerá do apoio de seus familiares e amigos e do curso evolutivo da doença de base (LEVY, 1996). 3.2 O CUIDADO DE ENFERMAGEM NO INÍCIO DE TERAPIA RENAL SUBSTITUTIVA A presença da equipe de enfermagem para aqueles pacientes de hemodiálise e do enfermeiro, especificamente para os de diálise peritoneal, mostrou-se relevante em início do tratamento. Todos os entrevistados foram enfáticos em elogiar esses profissionais, não apenas tecnicamente, mas, sobretudo, no aspecto humanizado do cuidado. Entende o paciente...explicou como era o tratamento, é atenciosa e calma (E2) Atenção, empenho e dedicação (E1) São bons, tem atenção, mostrou os tipos de tratamento, comovem-se... (E5) Boa impressão, tratam a gente como gente, esclarecem as dúvidas desde o início (E3) 70

71 Carinhosa, atenciosa. Faz a gente não ter medo, passa segurança, é prestativa, tinha prontidão, é um anjo. (E4) O enfermeiro, por estar presente o maior tempo, vêse constantemente interagindo com as pessoas, envolvese com situações conflitantes e desgastantes que lhe exigem esforço e dedicação no sentindo de conscientizarse quanto a melhorias na sua forma de comunicar-se; necessita prestar atenção, refletir junto ao cliente sobre seus comportamentos, estimulando-o a usufruir de uma melhor qualidade de vida possível dentro da sua condição (GULLO; LIMA; SILVA, 2000; LIMA, 2001). Todos os momentos devem ser aproveitados para se explorar as possibilidades de escolha e criar condições de mudanças, quando necessárias, em busca de uma vida melhor, apesar da doença (GUALDA, 1998). O paciente renal crônico não está apenas com o rim doente ; passa a adoecer sua história de vida e correlaciona o evento da IRC com outro acontecimento significativo, como saída do emprego, alterações na rotina, possibilidade de morte. A enfermagem nefrológica, envolvida com a tecnologia, necessita se ater aos sinais do doente, exercitar a tarefa de cuidar, aproveitando o tempo do procedimento para o verdadeiro escutar o doente (IBRAHIM, 2004). A enfermagem representa uma fonte de apoio ao doente renal crônico, pois permanece, no mínimo, 12h semanais com ele. Técnicos e enfermeiros estão continuamente próximos, conectam e desconectam os pacientes e, o que é mais importante, executam o cuidado no transdiálise, tornando-se o primeiro recurso do doente enquanto ligado à máquina; além disso, tornam-se referência para muitos (KUNH; FORTES; PORTELLA, 2008). A sistematização da assistência de enfermagem, além de responder aos objetivos assistenciais propostos, possibilita um atendimento personalizado, humanizado, e contínuo e, perante a cronicidade da doença, promove a interação entre paciente e família; possibilita ao enfermeiro a visualização dos resultados de suas ações, instigandoos na busca constante do desenvolvimento e crescimento profissional, visando atender cada vez melhor sua clientela (FUGULIN et al., 1998). 3.3 AS REPERCUSSÕES FAMILIARES, PROFISSIONAIS E SOCIAIS IMPOSTAS PELA TERAPIA RENAL SUBSTITUTIVA Estando doente, torna-se imprescindível a presença das pessoas próximas como forma de importante apoio, pois a IRC é, invariavelmente, uma doença da família, que atinge direta ou indiretamente a todos que rodeiam o paciente. Quando da entrada em diálise, percebe-se na prática que, inicialmente, há uma mobilização dos familiares, todos solidários à situação. Contudo, com o passar do tempo, o fato de depender da hemodiálise tornase uma rotina e os parentes e amigos se afastam, permanecendo apenas os mais próximos. Questionados sobre as mudanças familiares ao se descobrirem com a doença crônica, os pacientes referem: Me apoiam, não mudaram, aumentou o cuidado comigo. (E6) Aumentou o cuidado e atenção. (E5) Filhos ajudam a cuidar, o marido ficou apavorado mas depois aceitou. Não posso ter queixa do marido, acompanha o tratamento, entrou junto na dieta. (E3) A esposa foi companheira, aceitou a condição, aprendeu junto todo o procedimento de instalar-se na máquina. Os parentes ajudaram no processo de aceitação. (E1) Uniu mais a família, me cuidam mais, a filha que mora junto virou minha mãe. (E4) O apoio dos familiares é elemento primordial para que ocorra a adesão ao tratamento; o fazer-se presente, o compartilhar do sofrimento, pode ser comparado a uma injeção de ânimo diante do processo incurável. Em algumas famílias ocorre uma sobredosagem de proteção, levando a que o doente exerça um poder egocêntrico sobre os demais, podendo comprometer o seu autocuidado (KUNH; FORTES, PORTELLA, 2008). Se bem dosado, o cuidado dos familiares ao seu doente é alentador e dilui o peso da cronicidade. O enfermeiro deve evitar rotular o paciente ou seus familiares como não complacentes e considerar o impacto da IRC e seu tratamento na esfera familiar (SMELTZER; BARE, 2005). Principalmente no início do tratamento e durante o seu seguimento, o enfermeiro pode ser um mediador entre pacientes e familiares, como forma de buscar parceria de cuidados com as adversidades do processo crônico. O surgimento de uma doença crônica e sua terapêutica traz ao paciente muitas incertezas, gera desordens na identidade, quebra a linha de continuidade da vida, das funções desempenhadas e de certas previsibilidades que guardam para o dia de amanhã. Tornase imprescindível o envolvimento dos familiares mais próximos como o meio de encontrar formas de lidar melhor com a condição (RODEGHERI; PETUCO, 2009). As falas apontam que a maioria dos pacientes obriga-se a largar do seu emprego. A fadiga pela uremia e as sessões rotineiras da diálise são limitações para o trabalho. Alguns, menos resistentes às tarefas laborais, fazem adaptações na sua rotina. Poucos pacientes mantêm-se com vínculo empregatício, por iniciativa própria 71

72 e/ou concessões do empregador. Ao perguntar o que mudou no trabalho ou vida profissional após a doença, eles relataram: Falei para o chefe, continuo trabalhando, acho que não tem a necessidade de me encostar. A empresa dá todo apoio que eu necessito, como, por exemplo, flexibilidade nos horários... Não me vejo aposentado (E1) Mudou muita coisa, não trabalho mais fora...só faço o serviço doméstico. (E2) Diminuiu a visão, só faço poucos serviços domésticos. (E4) Não trabalho mais, não tenho força para nada, fraco das pernas, fraco dos braços, sempre tonto. (E5) Não trabalho mais, estou parado no momento. Tenho esperança de melhorar para poder voltar a trabalhar. (E6) Os portadores de DRC, ao dependerem de uma máquina dialisadora três vezes por semana ou da obrigação de seguir os horários das trocas de bolsas de diálise peritoneal, comprometem seu o dia-a-dia, o que lhes traz prejuízos pessoais, financeiros e sociais: restrições físicas, abandono do emprego, modificações nos hábitos alimentares, modificação na sua autoimagem e alteração psicossocial, gerando decepção, tristeza, raiva; por conseqüência, a pessoa pode sentir-se sozinha, deprimida e com medo de não sobreviver à doença incurável e ao tratamento (SILVA et al., 2002). Por outro lado estudos mostram que é possível ter qualidade de vida mesmo sendo portador de uma doença crônica. Essa busca se origina da constatação de que é viável alcançar um estado de bem-estar físico e mental, o que resulta na recuperação da autonomia, no trabalho ou nas atividades alternativas e de lazer, da preservação da esperança e do senso de utilidade desse indivíduo (MARTINS, CESARINO, 2005). Nesse sentido as falas a seguir refletem como os doentes renais crônicos se adaptam às restrições ditadas pelo processo duradouro e lançam mão de formas de superação de sua condição de vida. Assim, indagados quanto às repercussões sentidas no memomento da entrevista, após passados alguns meses de tratamento, eles disseram: Esperança de melhorar, de sair, se divertir. (E6) Aceitei o diagnostico e o tratamento, porque se não parte... (E2) Uniu a família, fiquei mais disposta, aprendi a gostar da vida, tenho sonhos, todas as atividades faço com gosto. (E4) Lima e Gualda (2001), ao abordarem o significado da hemodiálise para o paciente renal crônico, dividem-no em etapas: ruptura biográfica, impacto na vida e cuidado à saúde e adaptação e manejo da doença. Neste último dão ênfase à importância de a equipe de saúde valorizar os seus sentimentos e suas ações como meio de promover a adaptação desses pacientes à situação, da qual eles não podem fugir. O paciente renal carrega um estigma em seu meio familiar e social como sempre doente ; por isso, reduz seus contatos sociais e as visitas recebidas tem o caráter de solidariedade à doença ou curiosidade em relação ao tratamento e suas particularidades. Terminou, ninguém de fora mais me visita (E5) Curiosos vêm na minha casa para conhecer o tratamento e a máquina. (E1)... as pessoas têm medo de ir na minha casa tomar chimarrão, afastaram-se depois do início da doença. (E2) Recebo mais visitas, não vou mais no grupo de terceira idade porque é longe demais e vou menos às missas. (E3) Amigos estão sempre em volta, tanto em casa quanto fora, não dá para se queixar. (E6) Fico mais em casa do que saio. Tem que se cuidar com a comida, pois piora a diabete... Matou a vida sexual, por isso fico nervoso (E6) tomava um traguinho...agora... (E5) Os vizinhos se admiram, têm pena. (E3) Para uma pessoa com IRC sobra pouca opção de lazer, pois está atrelado ao tratamento no hospital ou em casa e há diminuição da disposição física. Estudo recente mostrando a caracterização sociodemográfica e do suporte social de pacientes renais crônicos em lista de espera para transplante evidencia que a maioria vive com esposo(a) e filhos e recebe visitas frequentemente de parentes e amigos. Poucos participam de grupos de convivência na comunidade e a totalidade desconhece a existência de algum grupo de doentes renais. Quanto às atividades de lazer, predominam assistir à televisão, realizar passeios, jogar cartas, ir à missa ou a culto (TRAMONTINA; FORTES; DORING, 2006). (E3) Sei que é bom para me manter vivo, eu me ajudo. A vida social da pessoa em dialise é restrita, pois a fadiga e os horários do tratamento limitam as atividades 72

73 de lazer; os pacientes dormem cedo e poucos saem à noite; preferem passeios durante o dia e o entretenimento se resume a visitas a parentes e amigos. Viagens são praticamente impossíveis, o que os obriga a permanecer muito em casa, tendo suaas saídas mais direcionadas ao hospital. (FORTES, 2000). 4 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES Por meio do estudo foi possível elucidar como se vivencia o início da TRS sob o olhar de seis pacientes com menos de oito meses de confirmação sobre a necessidade de hemodiálise ou da diálise peritoneal. Para todos os entrevistados, essa constatação repercutiu como um abismo em suas vidas, no qual acordaram diante de uma nova realidade caracterizada por tarefas e obrigações, forçando-os a se absterem de algumas rotinas e prazeres da vida. Nesse intercurso, o apoio da família e da equipe de saúde pode atenuar o sofrimento do início desse processo. Todos os pacientes salientaram que se sentiram apoiados pela equipe de enfermagem quando ingressaram na diálise, denotando que acontece alguma forma de acolhimento percebida pelo doente fragilizado. Porém, constatou-se que inexiste alguma forma de abordagem específica ao paciente iniciante na TRS, confirmando apenas um dos pressupostos. Cabe ao enfermeiro adequar na sistematização da assistência algumas particularidades que visualizem as possibilidades inerentes ao começo de um tratamento. A família, conjuntamente com o paciente, vivencia o impacto do diagnóstico, tendo, às vezes, dificuldade de aceitar e/ou entender o tratamento. Necessita envolver-se numa menor ou maior intensidade com a doença crônica de seu familiar, podendo, cedo ou tarde, ser solicitada. Além das perdas pessoais, o paciente renal crônico sofre perdas econômicas e sociais, pois pode perder o emprego ou entrar em benefício previdenciário, além de ter restringidas as atividades de lazer e as viagens. Assim, vê-se isolado socialmente pelo estigma da doença. Por ser um processo irreversível e marcado por uma sucessão de perdas, o paciente necessita contar com o apoio de sua família, manter-se inserido em seu meio e receber um cuidado de enfermagem que atenda às necessidades individuais. 5 REFERÊNCIAS CAMPOS, Claudinei J. G.; TURATO, Egberto R. A equipe de saúde, a pessoa com doença renal em hemodiálise e suas relações interpessoais. Rev Bras Enferm, Brasília v.56, n.5, p , set./ out COSTA, Maristela C.; CUVELLO NETO, Américo L.; YU, Luis. Métodos hemodialíticos contínuos para o tratamento da insuficiência renal aguda. In: RIELLA, Miguel C. Princípios de nefrologia e distúrbios hidroeletrolíticos. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2003, p FERMI, Márcia R.V. Manual de diálise para enfermagem. Rio de Janeiro: Medsi, 2003, pág e FORTES, Vera L. F. Cotidiano da pessoa em tratamento dialítico domiciliar: modos criativos de cuidar-se Dissertação (Mestrado em Assistência de Enfermagem). Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, A enfermagem como articuladora das redes sociais: a revitalização de um grupo de renais crônicos. Trabalho apresentado para a Seleção Doutorado: UFSC, Florianópolis, p. FUGULIN, Fernanda M. T. et al. O processo de cuidar. In: CIANCIARULLO, TAMARA I.; FUGULIN, Fernanda M. T.; ANDREONI, Sandra. A hemodiálise em questão: opção pela qualidade assistencial. São Paulo: Ícone, GOMES, Romeu. Análise de dados em pesquisa qualitativa. In: MINAYO, Maria C. S. (Org.). Pesquisa Social: teoria, método e criatividade. 20. ed. Rio de Janeiro: Vozes, p GUALDA, Dulce M. P. R. Humanização do processo de cuidar. CIANCIARULLO, Tamara; FUGULIN, Fernanda M. T.; ANDREONI, Sandra. A hemodiálise em questão: opção pela qualidade assistencial. São Paulo: Ícone, GULLO, Aline B. M.; LIMA, Antonio F. C.; SILVA, Maria J. 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74 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2003, p POTTER, Patrícia A.; PERRY, Anne G. Fundamentos de enfermegem: conceitos, processo e pratica. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, RODEGHERI, Gladis S. M.; PETUCO, Vilma M. Pessoa com hepatite C: o desafio de enfrentar o tratamento Monografia (Especialização em Saúde Coletiva) - Instituto de Ciências Biológicas, Universidade de Passo Fundo, Passo Fundo, RIELLA, Miguel C.; PECOITS-FILHO, Roberto. Insuficiência renal crônica. Fisiopatologia da uremia. In:. Princípios de nefrologia e distúrbios hidroeletrolíticos. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2003, p SILVA, Denise M. G. V., et al. Qualidade de vida de pessoas com insuficiência renal crônica em tratamento hemodialítico. Rev. Bras. Enferm. Brasília. v. 55, n. 5, p , set./out SMELTZER, Suzanne C; BARE, Brenda G. Brunner e Suddarth: Tratado de enfermagem médico-cirúrgico. 10. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, SMELTZER, Suzanne C; BARE, Brenda G. Brunner e Suddarth: Tratado de enfermagem médico-cirúrgico. 11. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, TIMBY, Barbara K. Conceitos e habilidades fundamentais no atendimento de enfermagem. 6.ed. Porto Alegre: Artmed Editora, TRAMONTINA, Márcio; FORTES, Vera L. F.; DORING, Marlene. Caracterização sócio-demográfica e suporte social de pacientes em espera do transplante renal Monografia (Graduação em Enfermagem) - Instituto de Ciências Biológicas, Universidade de Passo Fundo, Passo Fundo, ZATZ, Roberto. Insuficiência renal crônica. In:. Princípios de nefrologia e distúrbios hidroeletrolíticos. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2003, p

75 SAÚDE LUTO MATERNO: VIVENCIANDO A DOR DA PERDA Carla Célia Balke 1 Beatriz de Carvalho Cavalheiro 2 Sociedade Educacional Três de Maio - SETREM 3 RESUMO Na vida existem fases de ganhos e perdas. Os humanos não estão preparados para enfrentarem a perda de um ente tão querido quanto um filho, imagina-se que nada neste mundo possa doer tanto. Esta é uma pesquisa de abordagem qualitativa do tipo exploratória que objetivou identificar o modo pelo qual as mães vivenciaram o processo de luto pela perda de um filho. Foi realizada uma entrevista semi-estruturada, até o ponto de saturação, com mulheres que haviam sofrido a perda de um filho nos últimos cinco anos, por causas naturais ou não, em um município da região noroeste do Rio Grande do Sul e os dados analisados conforme análise de conteúdo proposta por Minayo (2007). Por meio desta pesquisa pôde-se evidenciar a dor impossível de ser superada, mas passível de ser facilitada ao ser compartilhada. Como forma de superação, também se percebeu a busca em preencher o espaço que ficou vazio com outra criança e o valor de uma profissão. Pôde-se, ainda, observar a falta de informações das mães em relação ao óbito e à necessidade de a família estar informada. Também se pôde perceber o quanto a enfermagem tem se colocado à parte neste assunto, o que leva à sugestão de maior leitura e envolvimento com o processo inicial do luto e uma maneira efetiva de apoiar a família enlutada, pois este é um tema relevante que precisa ser explorado. Palavras-chave: Morte. Enfermagem. Mães. ABSTRACT In life there are phases of profits exist and losses. The human beings are not prepared to face to the loss of a so dear human being as a son, imagine that nothing, in this world, can ache in such a way. This is a research of qualitative approach of exploratory type that had as its main purpose to identify the way in which the mothers had lived deeply the process of fights for the loss of a son. A half-structuralized interview was carried through, until the analyzed point of saturation, with women who had suffered to the loss of a son for the last five years, for natural causes or not, in a city of the northwest region of Rio Grande do Sul and the data of the contents were analyzed as the proposal of Minayo (2007). Through this research it could be evident that it is impossible to overcome pain, but likely to be facilitated when shared with others. As an overcoming form, it was also noticed that the empty space can be filled with another child and the value of a profession. It could also be observed the lack of information of the mothers in relation to the death and the necessity of the family in being informed. Also it could be noticed how much nursing has placed the part in this subject that takes the suggestion of bigger reading and involvement with the initial process of fight and a way accomplishes to support the mourning family without fear or regret, therefore this is an excellent subject that it needs to be explored. Key Words: Death.Nursing. Mothers. 1 Enfermeira, funcionária da Secretaria Municipal de Saúde do município de Três de Maio, ex-aluna do Bacharelado em Enfermagem da Sociedade Educacional Três de Maio - SETREM 2 Professora do curso de Bacharelado em Enfermagem da SETREM, Mestre em Enfermagem da Fundação Universidade Federal do Rio Grande - FURG 3 SETREM, Avenida Avaí, 370, 75

76 1. INTRODUÇÃO O ciclo vital humano pode ser reduzido a cinco fases: nascimento, crescimento, desenvolvimento, reprodução e morte e espera-se que estas aconteçam nesta ordem. Qualquer alteração soa como anormalidade. As pessoas não estão preparadas para vivenciar situações de crise e uma dessas situações é a morte, principalmente a morte de alguém jovem e amado, que nesse caso rompe com uma ordem naturalizada pela cultura. Como uma mãe que desejou, sonhou, esperou, vivenciou e acompanhou o crescimento de um filho consegue força suficiente para enfrentar e sobreviver a sua perda? Aprende-se com certa naturalidade a arte de cuidar. Desde criança as mulheres brincam de serem mães e a sociedade espera delas este comportamento, mas as crianças são ensinadas a serem mães e não a enterrarem seus filhos. As pessoas têm dificuldades na aceitação da morte. Devido a isso, o processo de luto acaba sendo transformado em um ritual de sofrimento solitário, pois suas manifestações se tornam cada vez mais estranhas à sociedade. A morte acaba tendo efeitos sobre a saúde mental e física dos que ficam: uns morrem, outros se matam, adoecem, se deprimem, ou seja, o sofrimento existe, mesmo que não possa ser percebido por alguns, pois a sua demonstração não é tão clara. Este trabalho objetivou identificar o modo pelo qual as mães vivenciaram o processo de luto pela perda de um filho, ainda criança, de causas naturais ou externas, ocorridas nos últimos cinco anos em uma cidade da região noroeste do Estado Rio Grande do Sul. Para tanto, foi utilizada uma abordagem qualitativa do tipo exploratória. A coleta de dados se deu através de uma entrevista semiestruturada e a amostra através do princípio de saturação. Os dados foram analisados pelo seu conteúdo, criandose categorias por unidades temáticas de registro, respeitando-se a resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde. 2. OS CAMINHOS DA MATERNIDADE E A PERDA São muitos os caminhos e muitos os caminhantes. Para alguns, o fardo a carregar é leve; para outros, nem tanto. Durante a caminhada muitos relacionamentos são firmados e muita experiência é acumulada. Poder-se-ia dizer que a maternidade é um desses muitos caminhos, uma opção ou decisão carregada de apreensão, algumas vezes traz alegrias outras vezes não. Klaus e Kennell (1992) referem que na vida de cada pessoa, grande parte da alegria e da tristeza gira em torno de ligações ou relacionamentos afetivos, estabelecendo-os, rompendo-os, preparando-se para eles e ajustando-se à sua perda pela morte (KLAUS; KENNELL, 1992, p. 21). A cultura é um conjunto de princípios, explícitos e implícitos, herdados pelos indivíduos em um contexto social, princípios esses que permeiam a maneira de vislumbrar o mundo e que são transmitidos a cada geração através de símbolos. Portanto, cultura está sujeita a mudanças e é dependente do contexto (HELMAN, 2003). Em algumas sociedades, a mulher é percebida como frágil, com funções ligadas ao ato de procriar e cuidar. Devido a esse conceito, ela é socializada por um processo de imitação de um modelo, partindo do pressuposto em que a aprendizagem ocorre através da observação do comportamento materno, ou seja, a mulher desde a mais tenra idade é preparada através de brincadeiras infantis para assumir quando adulta a maternidade (KOURY, 2003) Muitos são os motivos que levam uma mulher a engravidar. Lana (2001) se refere a alguns, como, por exemplo, pressão social, tentativa de segurar o companheiro, falha de métodos contraceptivos, mas quase todas acreditam ser o amor a principal razão. A percepção de maternidade tem variado muito conforme o tempo e o local, devido ao condicionamento social, da total indiferença e da falta de cuidados aos quais as crianças eram submetidas por amas no século XVIII aos dias de hoje, quando a maioria das mães atribui valor e sentimento à maternidade. Muito transcorreu, mas o chamado instinto materno é, na visão de Lana, [...] um sentimento sujeito a determinantes sociais, psicológicos e culturais, sócio-psico-culturais e não a um determinante biológico (LANA, 2001, p. 5). A gravidez é um período de fortes emoções ambivalentes e a história interior de cada mãe é singular, pois dentro dela cabem todos os seus medos, expectativas, sentimentos e recordações. A idealização de um filho começa antes da concepção propriamente dita, ou seja, as fantasias que fornecem a base do amor, após o parto deverão proporcionar a transformação do bebê imaginário para o bebê real (PINTO; VEIGA, 2005). O parto é um momento único na vida de uma mulher, dependente de crenças e práticas culturais. Referindo-se à sociedade ocidental, é necessário citar que este é um evento medicalizado, onde a mulher deverá ter uma postura passiva e dependente e parir em um ambiente adverso a qualquer tipo de intimidade (BRUM; CAVALHEIRO, 2006). A forma como o nascimento é conduzido está relacionada com a formação de apego/vínculo, pois se trata da primeira separação efetiva entre a mulher e seu filho. Se esta separação se der de uma forma humanizada e em um momento de intimidade, com apoio e orientações constantes, da maneira mais natural possível, ela será menos traumática (KLAUS; KENNEL, 1992). Também a interação mãe-bebê que se inicia no momento do nascimento deverá ser a mais íntima e menos traumática possível. Se a mulher consegue acompanhar de maneira lúcida e participativa poderá realmente sentir seu filho 76

77 nascendo (MAZET; STOLERU, 1990), tudo isso levando a um momento mágico, fará da formação de vínculo uma etapa natural e sem conturbações. O apego é um relacionamento singular entre duas pessoas, de longa duração e que costuma manter-se através do tempo e das atribulações diárias dos indivíduos. Muitos o tratam como um fluxo de único sentido. No caso de recém-nascidos, o fluxo que vai dos pais para os filhos e que se percebe através dos gestos e olhares carinhosos e preocupados e o sentido contrário, ou seja, o dos filhos para os pais poderia ser chamado de vínculo. O apego formado pelos pais com seu filho é fundamental para a sobrevivência do último, visto os bebês humanos serem completamente dependentes de cuidados (KLAUS; KENNELL, 1992). A sociedade vê a mãe como uma espécie de criatura perfeita, capaz de qualquer sacrifício pelos seus. Aquela que se entrega sem reservas e só possui sentimentos positivos em relação ao seu filho, mas é importante perceber que por trás desta mãe ideária existe uma mulher normal, com afeto modulado por inúmeras experiências. Badinter (1985) referiu-se ao mito do amor materno, reportando a necessidade de que este seja conquistado, pois, diferentemente do que é imaginado, o amor não é um sentimento inato dos seres humanos. Os estudos de Klaus; Kennell (1992) revelam que o apego materno pode progredir rapidamente durante o período pós-parto, mas que este pode estar condicionado à existência de alguns fatores como o toque, contato olhoa-olho, a preferência e o reconhecimento da voz materna, tanto que em condições que exigem a separação mãe e filho a criação do apego pode ficar abalada. A morte, uma etapa no processo de desenvolvimento humano, e o consequente luto são comuns a todas as culturas, variando apenas na forma como são demonstrados. Processos de luto são iniciados como forma de elaboração a partir da perda de pessoas significativas. Todos os seres vivos morrem, mas apenas a espécie humana tem real consciência de sua finitude e esta compreensão também irá variar de acordo com a etapa do ciclo vital em que cada um se encontra. têm se tornado estranho ao meio, o que antes era considerado normalidade como demonstrações públicas de sofrimento e reuniões de família onde se buscava reverenciar o morto através de recordações, hoje já não é mais esperado e abre-se espaço para o sofrimento solitário e também respeitoso, individual. No mundo ocidental, assim como o nascimento, a morte tem sido cada vez mais medicalizada, transformada em um fracasso pessoal / técnico dos profissionais ligados à medicina. O luto e a morte se tornaram uma patologia dentre tantas outras (KOURY, 2003). Os pais contemporâneos esperam que seus filhos sobrevivam a eles, então, enterrar um filho altera a ordem natural das coisas (VIORST, 2005, p. 261). Talvez a dor da perda de um filho já crescido seja a mais profunda de todas as dores, mas o que dizer das mães que idealizaram um filho que não chegou a nascer com vida ou que morreu logo em seguida? Muito provavelmente a maioria dessas mães consiga sobreviver à perda, mas talvez jamais venham a assimilá-la completamente (VIORST, 2005). Alguns casamentos não resistem à perda de um filho; outros podem ser fortificados pela dor e ajuda mútua, mas casal ou não cada um vai enfrentar a sua dor de uma maneira, sem parâmetros para comparações (PAPALIA; OLDS; FELDMAN, 2006). 3. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS As mães foram entrevistadas através de visitas domiciliares proporcionando, assim, um ambiente mais calmo onde fosse possível uma maior aproximação e intimidade. Foram dez mulheres que haviam sofrido a perda de um filho, de causas naturais ou não, nos últimos cinco anos. 3.1 TRAÇANDO UM PERFIL DAS ENTREVISTADAS Assim como a vida e a morte, o luto também é uma experiência bastante individual, o pesar tem muitas formas e as pessoas costumam reagir diferentemente às perdas. Neste momento, o mais importante talvez seja o respeito pela maneira de sofrer e a demonstração disso de cada um. Não existe um padrão de normalidade (PAPALIA; OLDS; FELDMAN, 2006). Na atualidade existe um consenso de que o luto, para ser bem resolvido, precisa que a pessoa que o sofreu demonstre seus sentimentos e isso não significa que eles precisam ser instantâneos à perda propriamente dita. Evitar o luto seria uma forma de fuga. Socialmente também se pode perceber que as manifestações públicas do sofrimento 77

78 IDADE E. CIVIL ESCOLARIDADE PROFISSÃO FILHOS P1 34 União estável Superior incompleto Técnica de 2 enfermagem. P2 33 União estável Médio completo Do lar 3 P3 24 União estável Superior completo Psicóloga 1 P4 29 União estável Superior incompleto Secretária 1 P5 42 União estável Superior completo Empresária 3 P6 36 União estável Médio incompleto Doméstica 2 P7 32 União estável Fundamental Do lar 3 incompleto P8 19 União estável Fundamental Do lar 1 completo P9 33 União estável Médio Completo Do lar 2 P10 31 União estável Superior completo Auxiliar administrativa 1 Fonte: Balke; Cavalheiro, Figura 1: Perfil das entrevistadas Em relação ao perfil, a idade das entrevistadas variou entre 19 e 42 anos e todas mantinham um relacionamento estável e este é um fator de especial significado quando se pensa em dividir a dor para poder sobreviver. Pode-se verificar a importância do apoio ou a dor que a falta deste pode causar através dos relatos: [...] aí eu tava sozinha [...] meu marido não me apoiou, não ficou ao meu lado, não me entendia [...] até o final ele não acompanhou e foi difícil, a fase mais difícil é quando você ta sozinha, era só eu, né (P8, 2007). [...] nós conversamos muito, tudo o que nós tínhamos para conversar, nós conversávamos, qualquer sentimento, de culpa, de perda, de tudo, nós conversávamos, nós procuramos até orientação com psicóloga, mas não ajudou em nada [...] o que ajudou mesmo foi a nossa união e claro, os amigos né, todo mundo que ajudava, o pessoal lá do colégio também né, de entender, quantas vezes eu chorei, sempre me apoiavam [...] (P10, 2007). O respeito pelas diversas formas de demonstrar o pesar, bem como a ajuda e o apoio da família e dos amigos são fatores positivos para que o enlutado possa se conciliar com a sua perda e tentar retornar a sua rotina diária. Existe outro grupo de pessoas que talvez necessitem de apoio especializado na tentativa de superar sua dor e conseguir expressar sentimentos e, com isso, adequar-se à realidade (PAPALIA; OLDS; FELDMAN, 2006). A desorganização emocional é uma consequência normal à perda de um ente querido e ela poderá se manifestar de diversas formas que podem variar da agressividade ao isolamento. Muitas vezes essa desorganização pode ocasionar uma desestrutura pessoal e familiar com o consequente afastamento dos pares. Algumas relações correm o risco de não se refazerem devido a processos de culpabilidade sem perdão (REBELO, 2005). 3.2 IDADE DAS CRIANÇAS E CAUSAS DO ÓBITO IDADE CAUSA P1 5 anos / 14 meses 1 Síndrome de Werdnig Hoffman P2 2 anos Acidente doméstico P3 28 semanas Indefinido P4 38 semanas 2 Indefinido P5 3 dias Malformação congênita P6 15 meses Indefinido P7 38 semanas Indefinida P8 24 semanas Prematuridade extrema P9 5 dias Indefinido P10 40 semanas Hemorragia intra-uterina Fonte: Balke; Cavalheiro, Figura 2: Idade das crianças e causa dos óbitos. 1 Trata-se de duas crianças diferentes. 2 Óbito fetal 78

79 A idade das crianças variou de 24 semanas gestacionais a cinco anos e quanto à causa dos óbitos, o mais surpreendente é que cinco entrevistadas não sabiam com exatidão a causa que levou seus filhos a falecerem. Quanto a este fato Jácomo et al (1998), referem a frequência elevada em que ocorrem Declarações de Óbito (DO) sem referência da causa básica do mesmo e mesmo que esta nem sempre seja fácil de identificar, os fatores maternos relacionados devem ser referidos. Pode-se observar na Figura 2 que a causa de alguns óbitos leva a pensar em um luto antecipado, pois se tratavam de condições degenerativas ou incompatíveis com a vida, como no caso da Síndrome de Werdnig Hoffman e da malformação congênita. Foi muito difícil, doloroso. Acredito ser pelo fato de se saber a evolução da doença, de não ter nada para se fazer. Hoje eu não saberia dizer se o mais difícil é conviver com a espera do fim ou se é o momento após a perda [...] (P1, 2007). Os óbitos previsíveis oferecem a oportunidade de a família se preparar e fazer planos para enfrentar os últimos momentos da criança, inclusive tomar decisões quanto à continuidade ou não do tratamento ou a manutenção artificial da vida, questões éticas muito discutidas na atualidade. Nestes casos é de suma importância que a família esteja corretamente informada sobre todas as possibilidades e possa discutir o seu ponto de vista (WHALEY; WONG, 1999). Um dos óbitos, de causa conhecida, se deu por prematuridade que é o nascimento que ocorre até 36 semanas e seis dias de gestação. Neste caso descrito, considera-se prematuridade extrema. Os bebês prematuros necessitam de cuidados especiais e a taxa de morbimortalidade associada a estes casos ainda é alta, mesmo com as atuais condições que podem ser encontradas em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) neonatais. Esta condição continua sendo uma das complicações mais comuns durante a gestação (BRUM; CAVALHEIRO, 2006). Devido a tantas causas indefinidas, principalmente no que se refere à prematuridade resolveu-se, então, procurar as DO s dos óbitos ocorridos no município e constatou-se que nos dois recém-nascidos prematuros ao extremo, a causa básica da morte foi insuficiência respiratória e síndrome da membrana hialina. O óbito definido pela mãe como acidente doméstico, no atestado de óbito consta como esmagamento do crânio. Os óbitos considerados a termo de causa indefinida foram declarados como anóxia intra-uterina. Whaley e Wong (1999) referem que na morte inesperada, a família não tem oportunidade de se preparar e, portanto, a negação inicial pode ser muito forte. Nestes casos costumam misturarem-se sentimentos de culpa ou remorso por não terem sido melhores pais ou por não terem feito tudo o que podiam. O choque causado pela fatalidade pode paralisar os que estão ao redor. [...] é muito difícil porque é uma dor que a gente não consegue explicar (suspiro) [...] tu acha que o mundo terminou, não tem mais motivo para a gente viver, uma sensação de impossibilidade [...] a minha vontade de nem viver mais (P2, 2007). Uma das entrevistadas relatou sua vivência do momento da perda, salientando o quanto é importante passar pelo período do luto, pois algumas pessoas tendem, em um primeiro momento, substituir a criança que se foi, ou seja, o vazio que fica, por alguma outra, de forma imediata: [...] mas no primeiro momento a gente não viveu o luto, hoje com mais tempo passado dá para saber isso. Que no primeiro momento não foi vivido, nós saímos atrás de criança, não que quisesse substituir [...] mas nós queríamos alguma criança para ocupar aquele lugar que tava vazio, preencher aquele espaço [...] tentamos adotar e não deu certo e depois a gente entendeu que tinha que dar um tempo e que tinha que viver esse luto [...] (P10, 2007). O parto de um natimorto, muitas vezes, é visto com olhos incrédulos, deixando os pais sem referências temporais, sendo tomados de um desespero momentâneo em preencher o espaço vazio, negando a especificidade do objeto. Os pais buscam colocar outro bebê no lugar do que se foi (IACONELLI, 2006). 3.3 VIVÊNCIAS DO PROCESSO DE PERDA Imagina-se uma ampla gama de comportamentos, demonstrações claras de luto como roupas ou tarjas pretas, resguardo ou abstinência de uma vida social, mas o luto, apesar de ser uma experiência intensa, é singular. Algumas pessoas iniciam o luto no momento em que se dá a perda; outras, muito tempo depois. Para alguns, pode durar um breve espaço de tempo e para outros ser eterno (WORDEN, 1998; KOURY, 2003). A tentativa de ter outro filho, de preencher o vazio que fica com outra criança pode resultar no fracasso resolutivo do luto. Bromberg et al (1996) referem que o filho substituto poderá ter seu desenvolvimento bastante afetado devido às expectativas geradas pelo luto não resolvido (PERIN; HILDEBRANDT, 2002). Sentimentos como dor, vazio, cansaço, solidão, desesperança e impotência foram relatadas por algumas mães durante a entrevista, o que pode demonstrar o quão variado são os sentimentos vivenciados no momento em que se dá a perda e o quão difícil é a superação desses. Foi muito difícil, doloroso [...] a dor é tão grande que (choro) se tem a sensação de uma dor física, um vazio permanente [...] (P1, 2007). 79

80 [...] eu perdi meu chão, não tinha chão, não tinha forças para mim enfrentar a vida [...] (P9, 2007). esperança, a tristeza constante. Toda uma reorganização precisa ser elaborada e posta em prática, como se uma nova vida, triste e incompleta, começasse neste momento de dor eterno. [..] foi a coisa mais difícil que eu já vivi na minha vida assim não existe, eu acho que só quem vive isso pra saber, sentir, não tem como te explicar exatamente como é uma dor, tu se sente impotente, tu não consegue fazer nada [...] (P4, 2007). Trata-se de um processo de dor constante e inesperado, nunca se pode imaginar a reação de uma pessoa frente a uma perda. Todos os mecanismos sociais e clínicos disponíveis para um atendimento de apoio a uma mãe enlutada podem ser inexpressivos nesta hora ou nas que se seguem. A morte pode ser vista como a perda de um vínculo, um laço que se rompe irreversivelmente, existindo a partir deste fato duas pessoas: uma que é perdida e a outra que lamenta o pedaço de si que se foi e que pode ficar internalizado nas lembranças quando o luto consegue ser elaborado (KOVÁCS, 1992). Bowlby (2006) refere que são poucos os golpes que podem afetar tão profundamente o espírito humano quanto à perda de um ente querido: [...] o senso comum tradicional sabe que podemos ser esmagados pelo pesar e morrer por causa de um grande sofrimento [...]. Sabe ainda que não sentimos amor e nem pesar por um ser humano qualquer, mas apenas por um ou alguns seres humanos em particular (p ). O processo de luto, segundo Koury (2003), possui um lado integrativo, pois está ligado à tentativa de superação interior dos indivíduos, diferentemente da perda, que é um sentimento imediato, provocado pela recusa de aceitação da realidade. Ele ainda coloca que as atitudes assumidas no momento de dor extrema criam os chamados dramas sociais. O importante é que o luto precisa ser vivido, pois esse é um processo de adaptação normal à perda. Worden (1998) refere que a experiência do luto está relacionada com os assuntos conflitantes do indivíduo envolvido, mas os determinantes podem estar dispostos da seguinte forma: quem era a pessoa que se foi; qual a natureza da relação existente com quem fica; forma da morte; antecedentes históricos; variáveis de personalidade; variáveis sociais e estresses concorrentes. Muitos passam silenciosamente por suas perdas, por repressão imposta socialmente ou por supervalorização de sua intimidade. Outros podem entender a perda como uma ofensa pessoal ou moral, sentirem-se inúteis, inseguros, temerosos, logrados, sem terem idéia de como devem se comportar e estes sentimentos introjetados em uma máscara de proteção. A relação entre perda e sofrimento é real e estas palavras podem ser vistas por muitos, inclusive, como sinônimos e é o sofrimento que transpassa a vida, independente de tempo ou espaço (KOURY, 2003). [...] admitir e aceitar a existência de uma doença incurável e progressiva de evolução rápida, a convivência com hospitalização, com procedimentos dolorosos e invasivos, cansaço físico, desestrutura na vida conjugal e familiar, a espera de um momento que você não sabe quando será [...] muitas vezes a não compreensão das pessoas [...] (P1, 2007). Pode-se observar a desestrutura que uma perda pode causar, mesmo que ela seja esperada, isso não diminui o sentimento de dor e abandono ou, como refere a P1 (2007): [...] a falta de objetivo na vida, a falta de 3.4 ESTRATÉGIAS USADAS PARA SUPERAÇÃO DA PERDA Um enlutado, segundo Worden (1998), nunca esquece a pessoa de tanto valor que se foi, mas que esse luto pode terminar quando quem fica não tem mais tanta necessidade de reavivar a representação de quem faleceu, colocando em suas emoções e memórias um local especial para ele, mas permitindo e abrindo espaço para outros. As estratégias de superação podem ser muitas, algumas buscam conforto no crescimento profissional, outras em remédios e terapias e ainda existem as que procuram a espiritualidade. Eu busquei superar as perdas através do estudo, de uma profissão que me mantém ocupada e ao mesmo tempo me realiza (P1, 2007). A dor não passa, segundo as entrevistadas, mas podem ser criadas estratégias de superação, como refere a Participante 1, que encontrou em seus estudos e na sua profissão uma forma de superação, através da ocupação e da realização de um projeto profissional talvez adormecido. [...] eu tomava medicamento, mas me envolvi com pintura, em várias coisas assim, 80

81 cursinhos, essas coisas eu fiz, vários cursinhos de gesso [...] (P2, 2007). e fazer encaminhamentos para grupos de apoio ou profissionais especializados. A depressão precisa ser trabalhada com apoio, terapia e, muitas vezes, medicação, buscar ajuda profissional em alguns casos pode ser fundamental. Também ocupar o tempo de forma a preencher o vazio causado pela perda. [...] eu rezei muito sabe, eu rezei muito e pedi pra que ela ficasse bem assim, porque eu sou católica, mas eu sempre li um pouco de tudo [...] se minha filha me vir sofrendo ela vai ficar triste então vou tentar ficar bem para não fazer ela sofrer, porque eu não quero que a minha filhinha sofra [...] se é uma missão que a gente tem que cumprir, se era o momento dela [...] (P4, 2007). A espiritualidade pode se revelar um recurso importante no processo adaptativo causado pelo luto. Não só uma forma de sustentação, mas uma forma de referência para diminuir a sensação de abandono. Um meio de resgatar a confiança e fé muitas vezes perdida ou questionada, mas é importante salientar que esta espiritualidade precisa ser sadia, usada com discernimento (COSTA, 2007). Worden (1998) refere quatro tarefas do processo de luto: aceitar a realidade da perda; elaborar a dor da perda; ajustar-se a um ambiente onde está faltando a pessoa que faleceu e se reposicionar em termos emocionais à pessoa que faleceu e continuar a vida. Os pais enlutados continuam suas vidas mantendo contato com lembranças associadas ao filho. Para Bowbly (2006) alguns podem nunca chegar ao fim de um luto, por isso é bastante importante o aconselhamento a respeito, pois este é, como já foi dito, um longo processo e o estado anterior não retornará, dias ruins poderão acontecer. Kovács (1992) refere que o final do processo de luto é a possibilidade real de paz e a iniciativa de novos investimentos. Qualquer que seja a causa do óbito existem algumas estratégias que podem ser utilizadas pela enfermagem em relação à família enlutada, segundo Whaley e Wong (1999): atender a família individualmente, cuidando para não expô-la desnecessariamente, fornecer informações claras e pertinentes com calma e tranquilidade, da maneira mais honesta e isenta de julgamentos. Nesta hora a comunicação não verbal, como por exemplo, um abraço, pode ser bem-vinda, oferecer aos pais a possibilidade de ver o corpo do filho, mas antes, avisálos das condições nas quais eles o encontrarão, discutir e responder claramente todas as perguntas Para Tamez e Silva (2002) existem algumas intervenções bastante úteis: mostrar preocupação e oferecer apoio; providenciar a presença de um apoio espiritual se a família desejar; não permitir que crenças pessoais interfiram no luto da família; oferecer aos pais a possibilidade de ver e tocar o filho morto; preparar o corpo antes da chegada dos pais; providenciar lembranças para os pais manterem como recordação; garantir a privacidade dos pais no momento em que estiverem em contato com seu filho e fornecer informações sobre grupos de apoio comunitários e profissionais especializados. 3.5 SENTIMENTOS ATUAIS EM RELAÇÃO À PERDA O processo de luto poderá tomar diferentes posições, respeitando todas as singularidades envolvidas, e direcionar-se em um sentido considerado normal ou em um complicado, onde fases não são vivenciadas, levando a consequências limitantes e duradouras para a vida do enlutado (COSTA, 2007). Uma experiência de vida que me fez mudar, crescer. Tem momentos em que tudo parece ter sido um sonho. Existem momentos em que tudo parece que foi superado, mas de repente a tristeza, a saudade fica muito presente trazendo a realidade do passado muito intensamente. Eu penso que quando se perde um filho se aprende a aceitar a situação, mas a saudade, a dor sempre vão nos acompanhar (choro). Nesse tempo de perda não teve um dia em que deixei de lembrar delas, às vezes com lembranças boas como também as tristes e difíceis de conviver (P1, 2007). Uma forma de perceber o final do processo de luto é quando a pessoa se torna capaz de pensar na que morreu sem dor. Existe a tristeza, mas não a dor e a opressão no peito. Outra maneira é perceber um reinvestimento em novas emoções e sentimentos proporcionadas pela vida (WORDEN, 1998). Bowlby (2006) define o luto saudável pela aceitação das modificações no mundo externo causadas pela perda definitiva do outro e a consequente reorganização de vínculos remanescentes. Nesse momento posso te dizer que nós melhoramos muito como pessoas e que a dor que a gente teve, que essa perda assim nos ajudou a melhorar como pessoa, hoje o momento é de tranquilidade [...] (P5, 2007). 81

82 Também a espiritualidade está presente em relação aos sentimentos atuais, P10 (2007) relata que: [...] ela tinha uma missão [...] de abrir outras portas, outras possibilidades, prá gente entender outras coisas na vida né. A gente entende assim. Eu tento não lembrá (choro), porque é difícil (choro), ele era muito especial, ele era diferente de todos [...] ele parecia que me entendia tudo que a gente, quando eu tava triste, ele dizia pra mim, mãe eu não quero te ver triste (choro), é difícil, as vezes eu tento pensar né, o tempo que faz que a gente perdeu ele, mas não...não é fácil. Eu...eu entendo quem perde um filho [...] (P2, 2007). Costa (2007) refere alguns fatores de risco para um luto complicado. Entre eles, podem ser citados a perda repentina e inesperada, a morte violenta de algum filho e a crença de culpa quanto à morte. Este luto complicado só poderá ser diagnosticado dois anos após a perda, levandose em conta a intensidade dos sintomas e a duração das limitações na vida do enlutado. O enlutado parece lutar contra o destino na tentativa de reverter o acontecido. Evitar o luto acaba sendo uma variante patológica, a pessoa precisa expressar mais cedo ou mais tarde suas emoções, medo, saudade e raiva (BOWLBY, 2006). REFLEXÕES NADA CONCLUSIVAS O início e o fim da vida continuam envoltos em mistérios e perdas e todo este mistério acaba gerando medo e, quando se pensa em morte, adiciona-se o fator saudade para quem fica e imaginam-se alternativas de sobrevivência. A vida humana é repleta de ganhos e perdas em todas as fases existentes no ciclo vital, são as chamadas perdas necessárias, ou seja, todas aquelas que podem ocorrer, consciente ou inconscientemente, no transcurso de uma vida como, por exemplo, os sonhos e as expectativas que ficam para trás junto com a juventude e que muitas vezes causam dor. Os humanos têm uma existência curta e frágil, são incapazes de promover proteção aos que amam quanto a estas perdas necessárias. Passa-se pelas fases normais do ciclo vital sem grandes feridas, mas não sem dor e, com o tempo, esta dor vira lembrança e história para contar. Alguns se perdem no caminho ou pulam etapas. Assim se percebe o processo de luto vivenciado através da perda de um filho, como no relato de algumas mães nesta pesquisa, uma situação estressora e revoltante, que algumas não conseguem superar. Algumas famílias encontram a negação e também o conforto na espiritualidade, como no dito popular só se recebe a cruz que se pode carregar, outros acreditam que a vida tem um objetivo divino, uma espécie de missão e que, portanto, pode acabar quando alcançada a sua meta, seriam assim os anjos. Muitos questionamentos e negações espirituais poderão ocorrer na fase do luto, o importante é que as pessoas que rodeiam o enlutado possam escutar e respeitar seus anseios. Dentre tantos mitos que cercam o amor materno, um poderia ser considerado verdade, o medo da perda inicia junto com a formação do apego. As entrevistadas relataram uma diversidade de sentimentos e uma dor constante, impossível de ser superada, mas passível de ser facilitada ao ser compartilhada com os companheiros, com a família e com os amigos. Como forma de superação, também se percebeu a busca em preencher o espaço que ficou vazio com outra criança e também o valor de uma profissão. Também existem os profissionais e os grupos de apoio, pois partilhar sentimentos é uma saída para superar a desorganização característica do período de luto. Pôde-se observar a falta de informações das mães em relação ao óbito de seus filhos. Seria um medo coletivo profissional de tocar no assunto? Uma forma de não afundar o dedo na ferida? A família necessita estar informada, pois o contrário pode confundir e dificultar ainda mais o início do processo de luto. Procura-se evitar falar em morte, como se essa fosse uma maneira de impedir um acontecimento trágico que, apesar de triste, é necessário discutir esta temática. Observa-se o quão pouco este assunto é tocado nas academias e o quanto os profissionais estão despreparados para vivenciarem uma situação tão estressante. Vivenciar ou comunicar um óbito infantil a uma família passa a ser uma situação limite e, nesta hora, a técnica não é suficiente. É preciso muito mais, é preciso humanidade e capacidade de escuta, algo muito além do científico. Pôde-se perceber, também, o quanto a enfermagem tem se colocado a parte neste assunto e lastimar este fato, pois é a categoria profissional que se encontra mais próxima à família no momento do óbito, quando este se dá no âmbito hospitalar. Sugere-se uma maior leitura e envolvimento com o processo inicial do luto e uma maneira efetiva de apoiar a família enlutada, sem medo ou constrangimento, pois este é um tema que precisa ser trabalhado pela enfermagem. REFERÊNCIAS BADINTER, E. Um amor conquistado: o mito do amor materno. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, BOWLBY, J. Formação e rompimento dos laços afetivos. São Paulo: Martins Fontes,

83 BROMBERG, M. H. et al. Vida e morte: laços de existência. São Paulo: Casa do Psicólogo, BRUM, J.; CAVALHEIRO, B. Humanização da assistência obstétrica: manual de enfermagem em saúde da mulher e do neonato. Três de Maio: SETREM, COSTA, A. P. Educação para a morte: a psicologia em situações de luto e perdas. In.: BRUSTOLIN, L. A. (Organizador). Morte: uma abordagem para a vida. Porto Alegre: EST edições, HELMAN, C. Cultura, saúde e doença. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, JÁCOMO, A. J. et al. Assistência ao recém-nascido: normas e rotinas. São Paulo: Atheneu, KLAUS, M.; KENNELL, J. PAIS/BEBÊ: a formação do apego. Porto Alegre: Artes Médicas, KOURY, M. G. P. Sociologia da emoção: o Brasil urbano sob a ótica do luto. Petrópolis: Vozes, KOVÁCS, M. J. Morte e desenvolvimento humano. São Paulo: Casa do Psicólogo, LANA, A. P. O livro de estímulo à amamentação: uma visão biológica, fisiológica e psicológica comportamental da amamentação. São Paulo: Atheneu, MAZET, P.; STOLERU, S. Manual de psicopatologia do recémnascido. Porto Alegre: Artes Médicas, MINAYO, M. C. et al. Pesquisa Social: teoria,método e criatividade. 25. ed. Petrópolis: vozes, PAPALIA, D.; OLDS, S.; FELDMAN, R. Desenvolvimento humano. 8. ed. Porto Alegre: Artmed, PERIN, J.; HILDEBRANDT, L. M. Um sonho quase concretizado...uma perda: considerações de mulheres que deram à luz a um natimorto. Trabalho de Conclusão de Curso. Bacharelado em Enfermagem. UNIJUÍ, REBELO, J. E. Importância da entreajuda no apoio a pais em luto. Análise Psicológica, 4 (XXIII): , TAMEZ, R. N.; SILVA, M. J. Enfermagem na UTI neonatal. Rio de Janeiro: Guanabara-Koogan, VIORST, J. Perdas necessárias. São Paulo: Melhoramentos, WONG, D. WHALEY & WONG. Enfermagem pediátrica: elementos essenciais à intervenção efetiva. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, WORDEN, J. W. Terapia do luto: Um manual para o profissional de saúde mental. 2ª edição. Porto Alegre: Artes Médicas,

84 SAÚDE O CUIDADO CENTRADO NA FAMÍLIA: UMA PERSPECTIVA NA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM PEDIÁTRICA Ana Amália Strohschön 1 Ruth Gabatz 2 Rafael Marcelo Soder 3 Sociedade Educacional Três de Maio SETREM 4 RESUMO A hospitalização de um filho representa uma experiência desgastante para ele e sua família. Dessa forma, conhecer a interpretação da família em relação a sua inserção no cuidado oferecido à criança e a ela mesma, bem como sua vivência de cuidado constituem os objetivos deste estudo. Para isso, utilizou-se uma abordagem qualitativa exploratória com preocupação ética baseada na resolução 196/96 do CNS. A população do estudo constituiu-se de nove pais e cuidadores de crianças hospitalizadas em uma instituição hospitalar de médio porte localizada em um município da região noroeste do Estado do Rio Grande do Sul, escolhidos aleatoriamente. A coleta de dados ocorreu por meio de entrevistas semi-estruturadas, gravadas na íntegra e transcritas posteriormente. Para a análise dos dados, utilizou-se análise de conteúdo proposta por Gomes (2007) criando-se quatro categorias temáticas: hospitalização; restrições; dificuldades com a doença, com a família e com a equipe de enfermagem e assistência e cuidado de enfermagem prestado. Foi constatado que a maioria dos pais percebe a assistência de enfermagem oferecida focada no cuidado humano, com atitudes empáticas, afetivas, promotoras de confiança e segurança, no entanto, prestadas por alguns profissionais da equipe, não havendo homogeneização na comunicação e atendimento. Percebese a assistência de enfermagem à família deficitária, necessitando de medidas de educação em saúde que contemplem a equipe profissional e promovam a capacitação da família para seu autocuidado e cuidado da criança. Palavras-Chave: Criança hospitalizada. Cuidado. Família. Enfermagem pediátrica. ABSTRACT The hospitalization of a child represents a wearing away experience for him and his family. Thus, to know the interpretation of the family in relation to their insertion in the care that is offered to the child and to the family as well as the care existence represents the purposes of this study. For this, a qualitative and exploratory approach with based ethical concern in the 196/96 of CNS resolution was used. The population of the study was constituted of nine parents and people who take care of the children who are in the hospital and were chosen at random in an average hospital institution located in a city in the Northwest Region of the State of Rio Grande do Sul. The data collection happened through semi-structuralized interviews recorded in full and transcribed later. For the data analysis a content analysis proposed by Gomes (2007) was used, creating four thematic categories: hospitalization; restrictions; difficulties with the illness, with the family and with the staff of nursing and assistance and nursing care given. It was verified that most of the parents notice the nursing 1 Enfermeira graduada do Curso Bacharelado em Enfermagem da Sociedade Educacional Três de Maio SETREM. 2 Enfermeira; mestranda em Enfermagem na Universidade Federal de Santa Maria; docente do Curso Bacharelado em Enfermagem da Sociedade Educacional Três de Maio SETREM. 3 Enfermeiro; mestre em Enfermagem na Universidade Federal do Rio Grande do Sul; docente do Curso Bacharelado em Enfermagem da Sociedade Educacional Três de Maio SETREM. 4 Sociedade Educacional Três de Maio SETREM, Av. Santa Rosa, 2504, Três de Maio RS, 84

85 assistance that is offered focused in the human care, with empathy, affective, tender attitudes, promoting reliable and safety; however, given for some professionals of the staff, not having homogenization in the communication and attendance. The nursing assistance to the deficit family was noticed, demanding health education dimensions that contemplate the professional staff and promote the qualification of the family for their self care of the child. Key words: Hospitalized Child. Care. Family. Pediatrics Nursing. 1 INTRODUÇÃO A percepção da importância de um cuidado específico à criança começou a se estabelecer, segundo Whaley; Wong (1999), na metade dos anos de Entretanto, tratamento clínico e científico era conferido a seu corpo e a sua doença. Com a aquisição de novos conhecimentos e inúmeras investigações sobre o fenômeno, surge a humanização da assistência. A partir de então, as relações afetivas, emocionais e psicológicas da criança passam a fazer parte do significado da manutenção de saúde desse ser. Nesta linha evolutiva do cuidado, à família é concedida a permanência com a criança durante sua hospitalização para assisti-la e fornecer apoio afetivo. Percebeu-se, contudo, que os fatores anteriormente relacionados por si só não bastavam para garantir uma hospitalização eficiente e saudável a todos os envolvidos no processo. A realidade percebida revelou a necessidade de inserir a família da criança na assistência e no cuidado de enfermagem prestado. O desenvolvimento dessa concepção capacita melhor a enfermagem a entender o indivíduo e a prestar a assistência (COLLET; ROCHA, 2004, p. 193). Existe uma distância a ser percorrida entre o conhecimento teórico estudado sobre a família, contemporaneamente, e a execução da prática assistencial focada para ela. A realidade de muitas instituições de saúde está representada pela deficiência na assistência humanizadora. Procedimentos mecânicos desprovidos de afetividade, precárias condições físicas e de trabalho e a desatualização profissional, representam alguns exemplos desse descuido. As pesquisas e estudos sobre humanização da assistência crescem continuamente, sendo divulgadas por inúmeros meios de comunicação. Afirmar, portanto, desconhecimento da importância desta para o paciente e para a enfermagem não justifica a atitude embasada na técnica. Entender a criança como um sujeito dependente de uma unidade familiar, ser em constante desenvolvimento que necessita de amor e de cuidado representa o primeiro passo para a assistência integral. O amor de pais e/ou familiares oferece a essa criança condições para desenvolver seu potencial como indivíduo e manifestar seu próprio modo de ser. Os pais, através da comunicação, afeto, cuidado, segurança e confiança, são os arquitetos emocionais de seus filhos (MOTTA, 2004). Conforme a autora supracitada, a doença da criança representa um fator desorganizador do seu processo evolutivo. A hospitalização se somatiza a esta, contribuindo para a ansiedade e dificuldade na percepção, compreensão e emoção da criança, a qual ingressa em um ambiente novo, com organização e dinâmica diferentes do seu cotidiano habitual. Neste mundo novo, ingressa também sua família. Milanesi et al (2006) referem que, em detrimento das várias relações existentes em um ambiente hospitalar, o modo como cada indivíduo enfrenta a situação resulta em sentimentos, atitudes e comportamentos. Afirmam que as normas institucionais que determinam as rotinas e ações da equipe de enfermagem podem desencadear sofrimento psíquico nos familiares de crianças hospitalizadas, desenvolvendo estes, por sua vez, mecanismos de defesa para diminuir o sofrimento. Conhecer a(s) percepção(ões) da família em relação à assistência e ao cuidado de enfermagem contemporâneo realizado durante a hospitalização de uma criança constitui um elemento intrínseco à prática profissional. Tendo como base esta preocupação, o estudo se dirigiu à observação e à investigação da dinâmica familiar em uma unidade de internação hospitalar, apontando para vários fatores (des) estruturais neste processo, sendo este vivenciado distintamente por cada família, porém com finalidade de reequilíbrio relacional intrafamiliar e entre a equipe de enfermagem. 2 METODOLOGIA O estudo foi realizado em um hospital de médio porte de um município da região Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul. Nesta instituição não há uma unidade pediátrica, sendo as crianças encaminhadas para unidades de internações adultas diferenciadas por convênios. Para o alcance dos objetivos propostos desenvolveuse uma pesquisa exploratória com abordagem qualitativa. Este método de abordagem se baseia na investigação de aspectos imensuráveis numericamente, desejo de interpretação e análise de dados subjetivos a partir de experiências do cotidiano social humano, preocupação ético-moral com a assistência integral em enfermagem, como também, adquirir entendimento holístico do fenômeno de interesse. A população do estudo se constituiu de pais e familiares com crianças hospitalizadas. Foram utilizadas as definições do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para determinar a idade das crianças cujos pais foram entrevistados. Estas, segundo o artigo 2º das disposições preliminares do ECA, representam indivíduos entre a faixa etária de zero a doze anos de idade 85

86 incompletos. Foi estabelecido um tempo mínimo de internação hospitalar da criança que obedeceu a um critério de 24 (vinte e quatro) horas e permanência dos pais, familiares e/ou cuidadores na instituição hospitalar. Os pais e cuidadores estudados foram entrevistados aleatoriamente segundo alguns critérios pré-determinados. A opção representou pelo cuidador significativo da criança, seguido da figura que mais tempo se dedicou aos cuidados hospitalares, ao indivíduo responsável pelos cuidados domiciliares e por fim as pessoas que cuidando da criança no hospital, dispuseram-se a participar do trabalho. O critério de escolha para delimitar o número de entrevistados seguiu o princípio de saturação de dados descrito por Polit, Beck e Hungler (2004). A produção dos dados se realizou através de uma entrevista semiestruturada, sendo gravadas, transcritas na íntegra e organizadas para análise dos resultados. Os erros gramaticais da língua portuguesa encontrados nas falas foram corrigidos, preservando o sentido das mesmas sem descaracterizar o conteúdo. Para a análise dos resultados foi utilizada a técnica descrita por Gomes (2007) de análise de conteúdo temática. A partir da organização dos dados empíricos, realizaramse leituras repetidas dos textos, classificação e reagrupamento dos temas de maior relevância, sendo criadas quatro categorias temáticas: hospitalização, restrições, dificuldades com a doença, família e equipe de enfermagem e assistência e o cuidado prestado. A privacidade e o sigilo dos participantes foram mantidos segundo a resolução número 196 de 10 de outubro de 1996 da CNS, sendo os sujeitos da pesquisa identificadas em ordem numérica e por codificação. 3 RESULTADOS: A HOSPITALIZAÇÃO DA CRIANÇA E SUA REPRESENTAÇÃO PARA A FAMÍLIA Identificaram-se algumas características referentes ao perfil dos entrevistados a fim de conhecê-los e confrontar possíveis variáveis do estudo. Estas características estão dispostas no quadro a seguir. Idade Dos Estado Civil Número De Número de Idade SUJEITOS Sujeitos Dos Sujeitos Filhos Dos Internações Criança Sujeitos Prévias da Criança S anos Casado dias S anos Casado anos; 1 mês S anos Casado ano;11 meses S anos Casado 03 Desconhece 11 anos S anos União Estável dias S anos União Estável meses S anos União Estável anos; 6 meses S anos Casado anos S anos Casado 01 Muitas 11 anos; 11 Fonte: Strohschön; Gabatz; Soder, Figura 1: Quadro Representativo do Perfil dos Sujeitos do Estudo meses da A faixa etária dos pais e cuidadores variou de 21 a 51 anos, possuindo todos um parceiro conjugal por meio do casamento ou de união estável. O número de filhos dos sujeitos não ultrapassou a três, que possuíam, na maioria, duas ou mais internações hospitalares prévias. A idade das crianças compreendeu de 02 dias a 11 anos e 11 meses abrangendo uma grande parcela destes idade inferior à 4 anos o que determina maior dependência nos cuidados familiares. (2001); Lima; Rocha; Scochi (1999); Fraquilino; Collet (2003); Gomes (2007) e outros, a mãe é encontrada como o acompanhante da criança durante a hospitalização. Gaíva; Scochi (2005) acreditam que o fato do cuidado do filho estar associado à figura feminina, sendo a mãe o membro mais importante da família que mais se faz presente na unidade, está relacionado à questão cultural da nossa sociedade. Das nove famílias estudadas, oito eram mães das crianças hospitalizadas e representavam as cuidadoras efetivas. Em vários estudos, como Milanesi et al (2006); Andrade; Almeida (2003); Franco; Aguillar (2007); Ribeiro 86

87 3.1 HOSPITALIZAÇÃO A hospitalização de uma criança, em decorrência da doença e de aspectos que abrangem todo um contexto familiar, gera nos pais inúmeros sentimentos e significados. É sempre um transtorno. Porque tu tens que sair da tua casa, tens que tirá-los do ambiente deles também. Só que tu sabes que é necessário, porque se tu não conseguiste em casa, precisas de alguma coisa, de uma medicação na veia, de alguma coisa assim. Então é um transtorno, mas ao mesmo tempo é necessário (S. 7, 2007). [...] e também representa, eu acho assim, além de tu teres uma segurança, também a gente se sente um pouco inseguro porque, questão assim, conforme a criança chega, à situação que a criança está, qual o problema até o médico constatar [...] um pouco ela representa uma segurança, mas também uma insegurança ao mesmo tempo (S. 9, 2007). Conforme o observado durante as entrevistas, a necessidade de internação hospitalar da criança é assimilada pelos pais como uma impotência de cuidados domiciliares acrescida da necessidade de procedimentos profissionais biomédicos e técnicos, esses na maioria invasivos. Representa uma desestruturação na rotina familiar, gerando sentimentos ambíguos quanto ao diagnóstico e prognóstico da criança, contudo positivos como fonte de confiança na recuperação e manutenção da saúde do filho. 3.2 RESTRIÇÕES A imposição de horários fixos aos visitantes representa um fator determinante na convivência da criança no hospital. De acordo com familiares, ela expressa sentimentos afetivos de saudade e apego de seus familiares. Este fato influencia na recuperação da criança e na atitude do seu cuidador, que se comove ao ver o sofrimento dessa e sente-se incapaz de mudar a situação. O sujeito 3 do estudo afirmava residir no interior do município tendo difícil acesso ao hospital. Com olhar transparecendo tristeza, referiu: para a criança é permitido, tendo pai e mãe que se revezar no cuidado. Ribeiro (2004) observa que o apoio oferecido aos pais através dos familiares ameniza o sofrimento destes. Entende que pai e mãe assumem o cuidado do filho hospitalizado a fim de compartilhar suas necessidades, evitar a sobrecarga e terem um apoio recíproco. Nos momentos de maior dificuldade, a presença de alguém significa ter com quem dividir o sofrimento ou poupar esse alguém do sofrimento (p. 191). Pais e familiares que possuem planos de saúde particulares não referiam nenhum inconveniente quanto aos horários de visita. Observou-se que, em função de existir apenas um horário por dia destinado aos visitantes no SUS, esses vêm em grande número, dificultando, em algumas ocasiões, a assistência da enfermagem. Um replanejamento nesta conduta se entende ser primordial, adicionado a orientações aos familiares acerca da importância de sua presença como fator potencializador aos pais e à criança. No entanto, alguns cuidados referentes à privacidade e ao conforto das demais famílias devem ser enfatizados, uma vez que na unidade de internação SUS os quartos dispõem de dois ou três leitos e, portanto, duas ou três famílias dividindo o mesmo ambiente estrutural. 3.3 DIFICULDADES O comportamento da criança no hospital, sua reação aos procedimentos clínicos realizados especialmente os invasivos e dolorosos, frustram os pais e cuidadores representando, para a maioria, grandes dificuldades impostas pela hospitalização, uma vez que exigem dos mesmos força, coragem e paciência para auxiliar o filho e confiança na equipe. Para colocar o soro. Quando procuram a veia, daí é complicado, nem sempre acham primeiro. Aí picam bastante [...] elas são profissionais e a criança não colabora, veia dilata. Então é uma dificuldade para mim mãe que está presente sempre. Acredito que para elas também, ninguém faz por mal (S. 2, 2007). Ela volta e meia chama o pai e o mano para falar, quer ir para casa, mas não tem como ir para casa, tem que ficar mais uns dias (2007). A maioria das crianças deste estudo não apresentava um quadro clínico de gravidade que determinasse restrições de visitas; no entanto, rotinas institucionais destinadas ao setor de internação SUS prédeterminam um horário específico e fixo às visitas nas 24 horas do dia. A presença de apenas um acompanhante A não alimentação da criança durante a hospitalização representou uma dificuldade para a cuidadora. [...] única coisa que eu acho difícil, ela não se alimentar, daí parece que a gente quer que ela coma, mas ela não come, ela não se alimenta quase nada [...] (S. 4, 2007). Respeitar os limites da criança, principalmente os referentes às necessidades fisiológicas é imprescindível. Forçá-la a realizar ou ingerir algo contra a sua vontade pode piorar a situação e gerar conflito. Entretanto, sabe- 87

88 se que a dieta representa uma das principais preocupações dos pais em relação à criança, os quais estão sempre instigando as crianças a se alimentarem. Em relação à família, as dificuldades encontradas representam a distância desta dos outros filhos, a angústia de ver o filho hospitalizado sentindo falta dos irmãos e a necessidade de apoio familiar. Instalações e acomodações na área física e a divisão de um quarto com outras famílias sem afinidades também é referido: Com a família tu deixas tudo. Ficam os outros filhos em casa, fica a casa, fica até a gente, fica um pouco estressado de estar ali em um lugar diferente e principalmente que nem no SUS, que tu tem que ficar em um quarto pequeno, com mais crianças. Às vezes são 6 pessoas que não têm afinidade nenhuma, que nem se conhecem e ficam em um mesmo local. Isso eu acho que é uma dificuldade que a gente tem (S. 7, 2007). A preocupação com os outros filhos que ficaram em casa também é referida pelas mães nos estudos de Gomes (2007) e Milaneli et al (2006). Neste último, as autoras abordam que a mãe está consciente da hospitalização de um filho, porém angustia-se, desesperase por não saber como proceder com os outros que ficam em casa. Ela se sente desamparada em detrimento de nem sempre contar com o auxílio e apoio da família. 3.4 ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM E O CUIDADO PRESTADO Assistência de enfermagem e o cuidado prestado foram agrupados nesta categoria pelo fato de seus conceitos se permearem no decorrer das falas dos pais entrevistados. A maioria dos sujeitos desconhece a diferença entre esses conceitos, generalizando-os no atendimento recebido. As orientações e informações oferecidas pela equipe de enfermagem aos pais constituem uma forma de vínculo entre equipe e familiares, constituindo uma forma de tranquilizar e colocar ambos em sintonia. Por conseguinte, a maioria dos pais entrevistados afirmava receber explicações sobre a hospitalização, os procedimentos realizados e as medidas de educação para a família colaborar no cuidado à criança, sentindo-se útil e potencializada: Sim, como antes, a Irmã veio, me explicou que iriam colocar sangue, instalar sangue [...] para mim ficar cuidando, até ela disse que iria oito gotinhas por minuto, para eu cuidar. Ficar mais lento para eu chamar eles. Eles me inserem no cuidado também, a nebulização também, elas me explicam onde ligar lá, porque às vezes se está no final não precisa chamar, a gente desliga ali. Sempre eles instruem a gente sim (S. 4, 2007). A explicação dos procedimentos a serem realizados para a criança hospitalizada é referida por Gabatz (2001), em que algumas crianças associavam a internação hospitalar aos procedimentos realizados, pelo fato de causar dor, gerando ansiedade. Conforme Sabat és; Borba (2005) fornecer orientações aos pais deve ser uma prática do cotidiano da enfermagem como um determinante na diminuição da ansiedade frente à hospitalização de seu filho. As informações e orientações oferecidas aos pais se enquadram também nas ações de educação em saúde. No estudo de Vernier (2002) a preocupação da enfermagem em orientar as mães acerca dos cuidados hospitalares inclui medidas de acordo com as necessidades e dificuldades apresentadas pelas famílias como forma de capacitá-las para o convívio domiciliar após a alta. A necessidade em saber o que está sendo realizado pela equipe de enfermagem na terapêutica da criança se expressa na angústia do familiar quanto à eficácia da execução técnica do profissional e na falta de explicações sobre os procedimentos. Não, nem todas, algumas ou outras, quando trazem remedinho dizem, tal remédio, a gente está aplicando nela. Não são todas que dizem [...] então no fazer a nebulização, tal remédio tem dentro. Uma ou outra diz. Nem sempre, nem todas dizem (S. 2, 2007). A sobrecarga de trabalho é percebida pelos pais, perpassando seus relatos: [...] eu acho pouco enfermeiro pela quantidade de pessoas internadas. Eu acho elas bastante ocupadas. Elas têm parto para fazer, elas têm as crianças internadas para atender. Deveria ter mais número de funcionários (S. 2, 2007). Se elas conseguirem ter mais pessoas atendendo, elas poderiam até fazer isso melhor. Que digamos assim ela vem atender aqui, ela não pode conversar comigo, de repente conversar com o paciente, porque é tudo assim, que elas têm de que correr atender, a correria, que faz com que elas nem parem. Apesar de que elas conversam tudo, mas é entra e sai [...] a gente sempre espera que dêem um bom atendimento, converse com o paciente, não só que chegue ali, que explique para a gente: - estou fazendo assim. Não sei se cabe a elas isso. Acho que seria nesse sentido. Que chegue, que fale, que no momento que a gente chame, que sejamos atendidos. Claro que a 88

89 gente sabe que tem essas inconveniências, que de repente é pouco pessoal, então ela não pode se dividir em dez, também tem isso que a gente tem que observar (S. 9, 2007). O número reduzido de funcionários dificulta a realização de uma assistência qualificada, determinando, algumas vezes, precariedade de informações aos pacientes e seus familiares. De acordo com Franco; Aguillar (2007), o sistema de saúde deve oferecer condições básicas para a atuação profissional seja na infra-estrutura física ou de recursos humanos. E com a enfermagem assim, uma coisa que eu acho, como à noite, às vezes a criança está dormindo. Entra daí, claro que tem que se fazer a medicação, mas aí ligar a luz, assim, a criança acorda, chora, essas coisas assim eu acho às vezes, mas é necessário claro, é preciso [...] eu acho mais técnica, depende a pessoa também, não são todos iguais, tem alguns que têm vínculo, outros não. Tu não podes generalizar, isso tudo depende da pessoa (2007). Não obstante, o serviço médico é referenciado por alguns pais como sendo a única fonte de informações prévias a respeito da hospitalização e patologia da criança, destinando-se a equipe de enfermagem à função de explicar os procedimentos técnicos oferecidos a esta e, ainda assim, deixa a desejar. Meu costume é assim: quando no hospital, acho que todas as pessoas de repente deveriam perguntar para o médico, sem precisar o médico dizer, apesar que isso é, acho que, obrigação do médico falar: -vou fazer isso e isso para o teu filho. Enfermeira também: - olha vai ser medicado, tudo. Eu tenho por costume, hábito de quando o médico: -o quê que o senhor está medicando? O quê que o senhor vai dar? Que horas que eles estão dando? Eu já sempre peço antes, não sei se faço errado ou certo. Mas como agora, o caso dele ali assim, fui lá, eles vieram ver os batimentos, eram 114. Daí eu disse: -antes de medicar o menino eu quero falar com o médico. Eu como mãe não vou permitir que continuem usando esta medicação, acho que é um direito que eu tenho [...] (S. 9, 2007). Esse discurso enfoca os direitos dos pacientes e seus familiares, não somente em caráter informativo ou assistencial, mas no âmbito da tomada de decisão por parte do paciente ou quando este está impossibilitado em suas condições de saúde, de seu responsável no cuidado, cabendo à enfermagem respeitar as decisões estabelecidas. Whaley; Wong (1999) afirmam que os pais têm o direito de decidir o que é importante para eles mesmos e suas famílias (p. 09) e que a enfermagem deve potencializar a capacidade da família em promover o desenvolvimento dos seus membros de forma que juntos se fortaleçam e cresçam. O sujeito 7 percebe nos procedimentos noturnos de enfermagem uma necessidade de replanejamento como forma de não acordar a criança e perturbá-la. Afirma tecnicismo de alguns profissionais, quando questionado sobre a existência de vínculo entre a enfermagem e a criança. A necessidade de uma adequação terapêutica às necessidades da criança faz-se imprescindível. A submissão da enfermagem à medicina se apresenta, neste caso, pelo fato da enfermagem ter de seguir uma prescrição médica que não corresponde às necessidades de conforto da criança e de seu cuidador. Dessa forma, ambos precisam se adequar a uma rotina imposta, talvez desnecessária. O atendimento prestado pela equipe de enfermagem na assistência à criança hospitalizada e à sua família foi enfatizado como sendo bom pela maioria da população estudada. Surgiram aspectos relacionados aos procedimentos técnicos e pronto atendimento, contudo alguns relatos se referem quase que unanimemente a conceitos de cuidado humano. Cuidado significa o bem-estar, paciente fazer tudo que estiver no teu alcance para o bem estar da criança. Cuidado significa dar alimentação, fazer a higiene, conversar, brincar, dizer sim quando é a hora certa, dizer não quando precisa. Não dá também para fazer todas as vontades, depende. Tudo dentro do padrão. Como ela está internada, tem coisas que ela não pode fazer com soro. Tentar um jeitinho para ela não ficar nervosa, para... tem coisas para tu poder dizer não também. Mas sempre no sentido pra não aborrecer a criança [...] (S. 4, 2007). A assistência e o cuidado de enfermagem, para alguns pais entrevistados, também estão relacionados à comunicação. Estes expressam a necessidade de serem ouvidos, podendo se comunicar com a equipe e tendo suas dúvidas esclarecidas. Ter paciência, conversar com a criança, deixar ela calma. Sei lá, explicar para a criança o que vai acontecer. Dar informação para ela. Claro no momento desde que ela entende! Que nem ela que é crescidinha, então quando a enfermeira chega e diz: -olha nós vamos fazer assim, assim, assim. Vamos tomar o remedinho, não é tão gostoso, mas temos que tomar (S. 2, 2007). 89

90 Bom...tem várias maneiras de ver o cuidado. O cuidado principalmente quando as enfermeiras chegam, além delas... tem umas que ouvem, tu falar. Tu já vem sobrecarregado! Então explicar teus problemas, que têm algumas até que conseguem te ouvir [...] (S. 9, 2007). Coa e Pettengill (2006) acreditam que a criança deve ser ouvida em relação às suas dúvidas e necessidades tendo o direito de demonstrar suas emoções. Waldow (2004, p. 165) observa que é importante dar voz aos pacientes e saber como é sua experiência. Celich e Crossetti (2004) entendem o ouvir como um compartilhamento na tomada de decisões, um elemento inerente às dimensões do cuidar, que promove relações colaborativas e de crescimento. Vernier (2002) apresenta que a escuta deve ser uma prática habitual na equipe de saúde, fortalecendo a comunicação entre os envolvidos na hospitalização. Eles me passam confiança, eles estão lá, cuidando, dando atenção, carinho e coisa. Eles me passam bastante confiança daí que eu posso confiar neles também [...] é atenção, atenção que precisa! Estão ali cuidando bem dele, passar confiança para nós e coisa. Seria isso (S. 5, 2007). Para Boff (2004) o cuidado vai além de uma ação ou ato, representando uma atitude que perpassa a atenção e zelo. Envolve ocupação, preocupação, responsabilidade e afetividade com o outro. A atitude é uma fonte geradora de muitos outros atos vinculados cujo objetivo é o cuidado holístico em todas as suas dimensões. Conversar com a criança, brincar e olhar para ela além de sua doença, foi relatado por dois sujeitos, percebendo-se a importância de uma assistência holística e humanizada. O sujeito 8 refere o cuidado além da comunicação e escuta, como acompanhar: Cuidado para mim significa muito, porque, conversar, estar ao lado, sei lá, pegar na mão, um monte de coisa assim. Estar sempre ao lado dele, dando força. Na hora ali do pique. Junto ali: -te acalma que vai dar tudo certo! (S. 8, 2007). Eu acho que eles atendem muito bem, porque eles tratam a criança assim no caso, com bastante atenção e fazem brincadeirinhas, tudo (S. 8, 2007). Algumas a gente percebe que tem aquele carinho, que estão fazendo aquilo com atenção. Vê a criança, não olha só o lado que está com problema, mas olha o todo, são carinhosas, dão atenção, conversam, brincam [...] (S. 9, 2007). Para Roselló (2005) cuidar é acompanhar, que significa para ela caminhar ao lado respeitando a liberdade do outro para decidir seu caminho e o ritmo de seu próprio passo. Acompanhar é muito mais do que estar com alguém. É ser com alguém, ajudá-lo, como também acompanhar seus familiares. O significado atribuído ao cuidado de enfermagem pela maioria dos pais englobou sinônimos de bom humor, carinho, amor, atenção, proteção, paciência e confiança: [...] até neste momento assim fui atendida bem, elas são muito carinhosas, sempre bem alegres, tentam colocar a gente para cima, conversam com a criança (S. 2, 2007). Carinho, amor, proteção. Bem-estar da internação da criança. Não que ela veja a enfermeira e já vai chorando e apavorada, amedrontada (S. 6, 2007). Cuidado significa amor, atenção, tu perceber, assim, além de tu só vir ali fazer uma medicação, ter uma paciência às vezes que a criança não está bem. E se ela está brava tu ter uma paciência de esperar ou tentar fazer diferente (S. 7, 2007). O bom humor da enfermagem e as brincadeiras realizadas com as crianças são apontados no estudo de Andrade e Almeida (2003), como uma forma de conquistar a confiança da criança, fazendo com que essa se sinta segura e os efeitos negativos da hospitalização amenizados. Lima; Rocha; Scochi (1999) relatam que a terapêutica, muitas vezes, corresponde às necessidades biológicas da criança, pouco valorizando as necessidades de um ser em desenvolvimento e crescimento que deseja brincar, criar vínculos, ter autonomia e respeito. Afirmam que a atividade recreativa é parte importante na terapêutica da criança e essencial na (re)construção de sua identidade. A percepção do atendimento integral também pode ser observada em alguns relatos com duas visões distintas: atendimento integral ao paciente e o atendimento integrativo, o qual assiste também a família, incluindo-a no cuidado: Olha, eu acho que eles estão vendo ela como um todo. Em relação à família, eles conversam comigo, com nós que estamos cuidando, as cuidadoras (S. 4, 2007). 90

91 Acho que cuidam os dois! Porque quando a gente pede alguma coisa, ou fala a preocupação que eu tenho. Pelo menos ali para mim, com quem eu pedi, eu fui atendida: - olha estou preocupada por causa disso. E também minha preocupação, minha ansiedade [...] (S. 9, 2007). A família é uma variável importante no cuidado. Waldow (2001) afirma que a sua presença e o seu carinho são fundamentais para o crescimento do ser cuidado, cabendo à equipe esclarecer suas dúvidas e apoiá-la. A indiferença da equipe com os sentimentos e necessidades familiares pode fazer com que eles dificultem o processo de cuidar. Reconhecer a família como ponto de partida no contexto da saúde atual, entendem Weirich; Tavares; Silva (2004), permite oferecer a ela melhoria nas condições a que está submetida, promovendo bem-estar. Conforme os autores, a família possui capacidade para enfrentar as dificuldades, desenvolvendo um ambiente melhor possível para cada um de seus membros, reduzindo os impactos vivenciais impostos a eles. Uma necessidade expressa pelo sujeito 9 representa um momento de compartilhamento de experiências entre as famílias, bem como a necessidade de fala e de escuta, de auxílio mútuo, de segurança, de coragem e de força para prosseguir na jornada da internação: [...] até a enfermeira padrão fazer, assim uma conversa com os familiares, seria bom isso. Olha, até uma mesa redonda. Ter uma salinha que os pacientes que têm criança internada, ou adulto, chegar e cada um expor assim: - olha, estou com problemas aqui internada [...] acho que seria um grande avanço! Porque no momento em que tu consegues desabafar e alguém te ouvir ou te orientar, o paciente fica melhor porque tu vai transmitir segurança e tranquilidade (2007). Planejar um espaço físico para orientar e conversar com as famílias constitui-se em uma ação de auxílio no atendimento delas, garantindo interações relacionais positivas e saúde. Este espaço possibilita privacidade, compartilhamento de necessidades, apoio de outras famílias, da equipe e de compreensão do significado de hospitalização. Estes aspectos são mencionados por Ribeiro (2004). Chamou a atenção a atitude de abdicação de uma mãe em relação ao cuidado da filha. Para a mãe, a prioridade no cuidado é a criança, estando suas necessidades em segundo plano. tenho necessidade. O que vale para mim neste momento é a atenção para ela, não a mim. Toda a mãe vai falar a mesma coisa (S. 6, 2007). O discurso acima se contrapõe aos estudos propostos para a humanização na assistência de enfermagem atualmente. É imprescindível cuidar da criança hospitalizada tanto quanto inserir sua mãe no plano assistencial para que as possíveis experiências negativas geradas com a criança hospitalizada possam ser minimizadas. O atendimento integral deve ir de encontro à totalidade da criança e de sua família, suprindo as necessidades físicas, psíquicas e sociais dessas. Constatou-se que a equipe de enfermagem se preocupa em oferecer uma assistência integral e que algumas famílias se percebem inseridas no atendimento de enfermagem, porém desconhecem o conceito de integralidade, manifestando desejos de afetividade como forma de diminuir o estresse e a angústia da hospitalização. 4 REFLEXÕES CONCLUSIVAS O cuidado sempre esteve ligado ao homem como elemento essencial à sua sobrevivência. As práticas de saúde foram sendo aperfeiçoadas pela sociedade com o intuito de garantir e aumentar a expectativa de vida. O resgate desta história ocorreu para que houvesse um entendimento reflexivo sobre a evolução das práticas da enfermagem que se desenvolveram lentamente mediante investigações e pesquisas, encontrando, em alguns momentos, resistência dentro da própria classe trabalhista. A ênfase contemporânea representa o cuidado humano. Nessa visão assistencial, enfatiza-se a criança hospitalizada e, por seguinte, sua família. No entanto, as dificuldades em sua realização são inúmeras. Cada indivíduo é constituído por uma subjetividade, tem uma identidade própria e participa de uma unidade familiar. Esta unidade se constitui de modo singular. Cada família possui suas crenças, valores e aspectos culturais característicos, consequentemente, cada indivíduo irá se relacionar distintamente dos outros, do mesmo modo que as famílias, umas da outras. Por isso, torna-se pertinente seu estudo, seu conhecimento, para incluí-las na assistência, tendo em vista seu caráter de formadora de cidadãos a apoiadora afetiva destes. A enfermagem se sente desafiada a trabalhar com a família no ambiente hospitalar interagindo no cuidado à criança. Tem a missão de assistir a criança em sua integralidade e educar a família desse ser para a independência nos seus cuidados. Eu acho assim, se a minha filha está sendo bem cuidada, está sendo bem atendida, eu não A hospitalização representa um processo complexo à criança e a sua família, particularmente quando ambas recebem pouco ou nenhum cuidado de enfermagem. O 91

92 novo ambiente, hábitos e costumes à nova rotina são algumas das mudanças físico-sociais que ocorrem. Entretanto, alterações psico-emocionais também se apresentam nessa dinâmica. É essencial que a enfermagem entenda essa experiência que pode resultar em danos na autonomia, integridade, auto-imagem adquirindo intensidade similar ou maior do que a doença em si. A necessidade de internação hospitalar de uma criança é assimilada pelos pais como uma impossibilidade de cuidados domiciliares, implica em mudanças na rotina e hábito familiar, gera em seus cuidadores e familiares, sentimentos ambíguos de (in)segurança, dúvidas, preocupação, frustração; porém, representa uma possibilidade de recuperação e/ou manutenção da saúde da criança com maior eficácia. O sofrimento da criança durante a hospitalização consiste em uma dificuldade para os pais. A dor que ela enfrenta,, a realização de procedimentos terapêuticos invasivos, a recusa alimentar, são algumas das angústias afirmadas pelos pais, nas quais a enfermagem poderia interferir utilizando sua sensibilidade assistencial para promover conforto e segurança à família. Os sujeitos do estudo referiam assistência de enfermagem, na maioria das vezes, como técnica, procedimentos e tarefas que eram executados e percebidos como mecânicos, sem existir comunicação, trocas recíprocas e contato com a criança. Quando o oposto acontecia, ou seja, atenção da equipe de enfermagem voltada para a criança e família por meio de brincadeiras, diálogo, carinho, amor, afeto, confiança e segurança, o cuidado era referido pelos pais. elemento de dificuldade para a enfermagem em inserir a família na assistência apenas em um momento do dia. Considerando os objetivos delineados para este estudo, observou-se a importância da inclusão da família no cuidado de enfermagem. As famílias sentem a necessidade de serem inseridas na assistência com cuidados que enfatizam comunicação e afetividade. Assim, a família se sente segura quanto ao estado de saúde da criança, potencializada para o cuidado desta e amparada psicologicamente. Os pais, em tempos modernos, possuem maior esclarecimento acerca de direitos assistencias em saúde exigindo, com isso, atendimento de qualidade, dotado de competência técnica, agilidade, prontidão, eficácia e, sobretudo, conteúdo humano. Para tanto, é fundamental que a enfermagem organize sua assistência no âmbito de atender e satisfazer as reais necessidades das famílias, permitindo autodependência familiar para o cuidado, baseado nas possibilidades e limites próprios dessas. O objetivo deve visar que a experiência da hospitalização seja a mais positiva possível, minimizando suas consequências. A formação dos profissionais da enfermagem ainda necessita de investimentos visando à humanização e integralização da assistência oferecida. Todas as categorias devem ser instigadas para atingir esta meta, especialmente aquelas relacionadas a atividades de liderança e gerenciamento, para estimular recursos humanos e institucionais respectivamente. As informações e orientações constituem ferramentas imprescindíveis à enfermagem e elementos intrínsecos à sua prática. Primeiro, porque promovem a confiança entre equipe e a família através da comunicação constante e transmissão de segurança. E segundo, porque garantem à classe profissional qualidade no atendimento prestado permitindo linguagem universal entre seus integrantes e usuários. A maioria dos sujeitos afirmou receber informações prévias acerca da hospitalização da criança e dos procedimentos a serem realizados com ela. Percebeu-se que o ato de orientar proporciona segurança aos pais e familiares, estimula o vínculo entre criança-famíliaprofissional e credibilita a enfermagem a executar a assistência humanizada como práxis. Constatou-se a exclusão da família no cuidado de enfermagem no setor de internação destinado ao SUS, a qual possuía horário fixo pré-estipulado para visitas. Este fator foi percebido como desgastante e gerador de sobrecarga para o acompanhante da criança que não dispõe de apoio familiar no cuidado, bem como um 5 REFERÊNCIAS ANDRADE, V. M. M. de; ALMEIDA, M, F, P, V, A adaptação da criança à hospitalização - um desafio para a enfermagem. Enfermagem Brasil: Revista científica dos profissionais de enfermagem: Atlântica editora, v. 03, n. 05, p , set/ out, BRASIL, Ministério da Saúde. Resolução do Conselho Nacional da Saúde n 196. Brasília: MS, 1986., Lei nº , de 13 de julho de Estatuto da Criança e do Adolescente. In: COSTA, Elisa Maria Amorim; CARBANE, M. H. Saúde da Família: uma abordagem interdisciplinar. Rio de Janeiro: Rubio, BOFF, L. Saber cuidar: Ética do humano compaixão pela terra. 11 ed. Petrópolis: Rio de Janeiro: Vozes, CELICH, K. L. S; CROSSETTI, M. da G. O. Estar com o cuidador: dimensões do processo de cuidar. Revista Gaúcha de Enfermagem: Porto Alegre: UFRGS, v. 25, n. 3, p dez

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94 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO DESENVOLVIMENTO DE UMA APLICAÇÃO CLIENTE-SERVIDOR PARA CONFIGURAÇÃO DE UM SISTEMA EMBARCADO DE REDES WIRELESS RESUMO Dalvan Jair Griebler 1 Denis Valdir Benatti 2 Claudio Schepke 3 Sociedade Educacional Três de Maio 4 Este artigo tem por objetivo apresentar a criação de um protocolo de aplicação para configuração do sistema embarcado de redes wireless InetD-Mesh. O protocolo consiste em um serviço cliente desenvolvido em linguagem JAVA e um serviço servidor desenvolvido em linguagem C. Ambos trocam informações que são determinados pelo protocolo de aplicação criado, usando sockets como meio de comunicação. Com isso é possível fazer a configuração do sistema embarcado através de uma interface gráfica evitando erros de configuração. Palavras-chaves: InetD-Mesh,Socket. Sistema Embarcado. Protocolo de Aplicação, Cliente-Servidor. ABSTRACT This article aims to present the creation of an application protocol for configuration of embedded system of wireless network InetD-Mesh. The protocol consists of a client service developed using Java and a server service developed in C language. Both exchange information that is determined by the application protocol created using sockets as a mean of communication. With that is possible to make the embedded system configuration through a graphical interface to avoid configuration errors. Keywords: InetD-Mesh. Socket, Embedded Systems. Application Protocol, Client-Server. INTRODUÇÃO Sistemas embarcados de redes wireless têm sido muito importantes na proliferação da Internet. No entanto, a configuração de muitos deles ainda é feita manualmente através de linhas de comando. Este é o caso de InetD- Mesh, um sistema operacional de código aberto baseado no Kernel Linux conhecido como Wive-ng. A este sistema foi adicionado a tecnologia Mesh, própria para plataformas de hardware RTL8186 de sistemas embarcados. A manutenção desses sistemas por linha de comando exige do usuário conhecimentos específicos. Além disso, muitos erros de configuração podem ocorrer. Como por exemplo, colocação de configurações impróprias não suportadas pelo sistema, edição de arquivos, execução de comandos, nomes e números inválidos. Em vista disso, este trabalho propõe a implementação de um mecanismo de configuração do sistema embarcado InetD-Mesh através de uma interface gráfica. Tratando-se de sistemas embarcados, sabe-se que os mesmos são limitados pela plataforma no qual trabalham. Considerando este fato, uma forma de tornar a configuração do sistema embarcado mais fácil e menos suscetível a falhas é a criação de um protocolo de aplicação. 1 Acadêmico 4º Semestre do Curso Superior de Tecnologia em Redes de Computadores; 2 Professor Orientador do Curso Superior Tecnologia em Redes de Computadores da SETREM e Especialista em Tecnologia; : 3 Professor Orientador do Curso Superior Tecnologia em Redes de Computadores da SETREM e Mestre em Ciências da Computação UFRGS, 4 Sociedade Educacional Três de Maio. Avenida Santa Rosa, Três de Maio, RS. 94

95 Neste contexto, foram desenvolvidos dois serviços baseados no modelo cliente-servidor, onde o servidor é um programa responsável por servir as requisições feitas pelo cliente. O cliente oferece uma interface gráfica interativa para configurar o sistema embarcado. Os dois serviços trocam informações, que são determinados pelo protocolo de aplicação criado. 1. ARQUITETURA DO SISTEMA EMBARCADO RTL 8186 é o hardware do sistema embarcado wireless InetD-Mesh, produzido pela empresa Realtek, conhecido como Integrated System-On-Chip (SOC). SOC é um sistema em uma única pastilha, contendo processador, memória, interface para periféricos e blocos dedicados. Portanto SOC nada mais é do que um chip que possui interligado diversos periféricos, sendo o barramento interno o seu meio de comunicação (SILVA, 2006). O hardware de RTL 8186 possui arquitetura de 32 bits, com controlador RISC, podendo processar até 180 Mhz, além de ter 8k de memória cache (REALTEK, 2009). Este hardware possui um conjunto de instruções semelhantes à arquitetura MIPS. Assim, toda e qualquer aplicação precisa estar compilada para a arquitetura MIP; somente desta forma, a mesma funciona no sistema embarcado InetD-Mesh. 2. PROGRAMAÇÃO CLIENTE- SERVIDOR Para o desenvolvimento do trabalho foi utilizada a abordagem Cliente-Servidor. Este é um modelo de programação para sistemas distribuídos em rede, sendo que tanto cliente como servidor são programas distintos neste modelo. O servidor é responsável por receber solicitações dos clientes; já o cliente depende do servidor para poder usar os recursos. Quando são escritos programas que se comunicam por uma rede de computadores, deve-se primeiramente criar um protocolo, um acordo sobre como os programas vão fazer a comunicação. Este é conhecido como protocolo de aplicação, onde ambas as aplicações interagem entre si trocando informações (ESTEVES, FENNER e RUDOFF, 2005). O Protocolo de aplicação desenvolvido está descrito nas próximas subseções. 3.1 MODELO DE COMUNICAÇÃO O protocolo de aplicação criado consiste no modelo de comunicação cliente-servidor, usando como canal de comunicação o Socket. O serviço servidor se encontra no sistema embarcado e o serviço cliente está em um computador conectado através da rede. Este acessa o servidor para configurar o sistema embarcado. A representação do modelo está descrita na Figura 1. Fonte: (Griebler, SCHEPKE, Benatti, 2009). Figura 1: Modelo de Comunicação. A grande maioria dos serviços de rede é programada para aceitar várias conexões. Porém, o serviço de rede criado aceita somente uma conexão ao servidor. Com a restrição das conexões, a configuração do sistema embarcado é menos suscetível a falhas, visto que somente uma única configuração do sistema poderá ser feita por vez. Quando existe a possibilidade de mais de uma conexão, dois usuários poderiam estar configurando casualmente o sistema embarcado ao mesmo tempo, ocorrendo inconsistências durante este processo (GRIEBLER, 2009). 3.2 MODELO DE AUTENTICAÇÃO O modelo de autenticação está representado em camadas, conforme a Figura 2. No serviço servidor na camada de hardware é o sistema embarcado. Na camada de sistema operacional está o InetD-Mesh e na camada de serviços está a aplicação servidor desenvolvida. Na camada de hardware do lado cliente, concentrase um computador desktop ou outro tipo de Personal Computer. A camada do Sistema Operacional não depende de um sistema específico, pois na camada superior é executado uma Máquina Virtual Java (JVM), que opera a aplicação cliente desenvolvida em Java (DEITEL, 2001). Formalmente, neste trabalho os programas são chamados de serviços de rede. Estes se comunicam por um canal de comunicação, criado através da combinação de IP mais a porta do Cliente e IP mais a porta do Servidor, criando um túnel ou canal, denominado de Socket (TORRES, 2001). 3. PROTOCOLO DE APLICAÇÃO DO SISTEMA EMBARCADO INETD-MESH 95

96 Fonte: (Griebler, SCHEPKE, Benatti, 2009). Figura 2: Modelo de Autenticação. O processo de autenticação e comunicação se encontra na camada dos Serviços. No processo de autenticação, primeiramente o usuário se conecta ao servidor, quando conectado é solicitada a autenticação do cliente. Para tanto, o cliente manda o usuário e a senha em Clear Text para o servidor. O servidor fará a comparação do usuário e da senha. Depois da comparação, será enviada a confirmação para identificar se o processo foi executado com sucesso ou não. Se o usuário e senha forem válidos, começa o processo de configuração do sistema embarcado. Os comandos ou requisições feitas ao servidor são respondidos, devolvendo ao cliente o que foi requisitado. A configuração do sistema embarcado só será possível quando o processo de autenticação for válido. No modelo desenvolvido, após o processo de autenticação, o servidor é responsável por: - Ler o conteúdo dos arquivos do sistema embarcado. - Enviar o conteúdo dos arquivos via socket. - Receber o conteúdo dos arquivos gravados via socket. - Gravar o conteúdo dos arquivos lidos do socket no sistema local. - Executar alguns comandos do sistema operacional embarcado. O Cliente, depois do processo de autenticação, tem a responsabilidade de: - Enviar comandos para o servidor. - Fornecer uma interface gráfica para conexão. - Fornecer uma interface gráfica para a configuração do sistema embarcado. Além destes atributos, o sistema cliente é capaz de manipular os dados enviados pelo servidor, caracterizados como uma grande string de caracteres, pois todo o conteúdo do arquivo é enviado via socket e não apenas parte dele (GRIEBLER, 2009). O fim de cada arquivo é determinado pela string #fim, sendo esta interpretada por ambos os serviços. 3.3 DESCRIÇÃO DO PROTOCOLO Para que cliente e servidor possam se comunicar é necessário que os mesmos estejam programados para interpretar um padrão de comandos ou mensagens que determinam a ação, que um ou outro devem realizar ao receber determinada mensagem. Para isso, é estabelecido um padrão de comunicação entre os dois serviços, sendo este determinado por mensagens do tipo strings, onde cada uma das mensagens utilizadas são descritas pelo protocolo de aplicação. A Tabela 1 possui na sua primeira coluna o comando e ao lado a respectiva descrição do que se trata o mesmo. Estes comandos são trocados durante o processo de autenticação. Os dois primeiros comandos são enviados do servidor para o cliente, confirmando o estado do processo de autenticação. O último é enviado ao servidor, quando o usuário desistir de logar ao fechar a janela de login. - Ler o conteúdo do socket. 96

97 Sistema de Autenticação Comando Descrição do Comando n Falha na Autenticação y Sucesso na Autenticação $c$a$i$f$o$r$a$ Cai Fora do Socket Quando Fechar Janela de Login Fonte: (Griebler, SCHEPKE, Benatti, 2009). Tabela 1: Processo de Autenticação. Após o processo de autenticação, são trocados outros comandos, onde somente o cliente envia os mesmos, correspondente com a ação efetuada pelo usuário na aplicação gráfica do cliente. O servidor apenas responde as solicitações do cliente. Este protocolo funciona com a combinação de ação e o tipo de ação, onde a ação é o que o usuário quer fazer e o tipo de ação é uma espécie de especificação do que se quer realizar. A ação e o tipo de ação são separados por um ponto. A Tabela 2 demonstra o formato do comando ou mensagem enviada pelo cliente ao servidor. <Ação>.<Tipo de Ação> Funcionamento do Protocolo Fonte: (Griebler, SCHEPKE, Benatti, 2009). Tabela 2: Funcionamento do Protocolo. EX: g.g (busca arquivo General). O serviço servidor interpreta 4 ações, sendo estas representadas na primeira coluna da Tabela 3. A segunda coluna desta tabela demonstra respectivamente a descrição. As ações podem ser de busca do conteúdo do arquivo, gravação do conteúdo do arquivo, execução de um comando e o término da conexão, onde os mesmos estão diretamente ligados ao servidor e executados sobre o sistema operacional embarcado. Ação g s c t Primeira Ação Descrição da Ação Busca do Conteúdo do Arquivo Gravação do Conteúdo do Arquivo Execução de Comando no Sistema Terminar Conexão Fonte: (Griebler, SCHEPKE, Benatti, 2009). Tabela 3: Primeira Ação. Para completar um comando existe o segundo parâmetro, logo após o ponto. O mesmo consiste no tipo de ação, sendo esta a concordância com o primeiro parâmetro. Desta forma, a Tabela 4 demonstra a concordância das ações g e s. Na primeira coluna estão os tipos de ação; na segunda coluna está a descrição e na terceira coluna está o caminho, demonstrando os arquivos de configuração do sistema embarcado. Concordância com Ação g e s Tipo de Ação Descrição do Tipo de Ação Local g Arquivo General /etc/network/wifi/general I Arquivo Interfaces /etc/network/interfaces b Arquivo Boot /etc/boot w Arquivo Wpa /etc/wpa.conf m Arquivo Olsrd /etc/olsrd.conf d Arquivo Dnsmasq /etc/dnsmasq.conf r Arquivo Group /etc/group h Arquivo Hostname /etc/hostname o Arquivo Hosts /etc/hosts p Arquivo DnsCli /etc/resolv.conf s Arquivo Service /etc/services u Arquivo Udhcpd /etc/udhcpd.conf f Arquivo Iptables /etc/network/iptables c Arquivo Routes /etc/network/routes t Arquivo TcStart /etc/network/tc.start v Arquivo Vlan /etc/network/vlan n Arquivo Unchecked /etc/network/wifi/unchecked a Arquivo Root /etc/crontabs/root Fonte: (Griebler, SCHEPKE, Benatti, 2009). Tabela 4: Concordância com Ação g e s. 97

98 A Concordância com a ação c possui sua representação na Tabela 5. Na primeira coluna está descrito o tipo de ação. Na coluna ao lado está a sua respectiva descrição e na última coluna estão os locais onde são executados os comandos do sistema operacional embarcado. em um arquivo, sendo que os mesmos serão listados no campo roteador. Para a conexão com um sistema embarcado, primeiramente é necessário cadastrá-lo no serviço cliente. Concordância com Ação c Tipo de Ação Descrição do Tipo de Ação Local s Comando Salvar no Disco fs save r Comando Reiniciar Router reboot Fonte: (Griebler, SCHEPKE, Benatti, 2009). Tabela 5: Concordância com a Ação c. Através do conjunto de comandos é especificado o protocolo de aplicação. Meio pelo qual os serviços de rede se comunicam, possibilitando a interação com o sistema embarcado. Estas mensagens são enviadas sem que o usuário perceba, pois os mesmos são enviados quando o usuário interage com a interface gráfica do cliente. Toda a inteligência em manipular o sistema embarcado se encontra no servidor. Ao interpretar as mensagens enviadas pelo cliente, o mesmo pratica uma ação respondendo ao cliente o que lhe foi requisitado. Geralmente são processos de leitura e gravação em arquivos, contidos no sistema embarcado e executados os principais comandos do mesmo. Fonte: (Griebler, SCHEPKE, Benatti, 2009). Figura 3: Tela de Acesso. A tela principal de configuração do sistema embarcado está representada na Figura 4. Ela somente ficará disponível quando o usuário e a senha foram validados. Após isso, começará o processo de configuração do sistema embarcado. A interface cliente fornece um menu de opções de configuração e botões de comandos que são executados no sistema embarcado. A parte de configuração e alteração dos arquivos de configuração é realizada no cliente. O conteúdo do arquivo é enviado por inteiro e tratado na memória do cliente, que por sua vez prepara o conteúdo na interface gráfica. Quando o usuário terminar a configuração, as mesmas são alteradas na memória; sendo assim, todo o conteúdo do arquivo é enviado ao servidor para ser gravado no sistema embarcado. Embora pareça simples, o cliente trabalha com instruções mais complexas, concentradas na parte de manipulação do conteúdo dos arquivos (GRIEBLER, 2009). O conteúdo dos arquivos é enviado conforme a mensagem é enviada ou requisitada. A interface gráfica abstrai a camada do protocolo de aplicação, onde existe a troca de mensagens. Toda ação praticada na interface gráfica gera o envio de uma mensagem ao servidor, automaticamente enviando uma requisição, onde a mesma é interpretada pelo servidor e retornada para o cliente. 3.4 INTERFACE GRÁFICA CLIENTE O serviço cliente tem por objetivo fornecer uma interface gráfica para se conectar ao servidor e também efetuar as configurações do sistema embarcado (GRIEBLER, 2009). A Figura 3 demonstra a tela de conexão com o sistema embarcado. Por padrão os dois serviços operam na mesma porta, sendo que, para conectar-se ao servidor, é necessário especificar qual é o endereço de IP do servidor, usuário e a senha. Nesta tela também são fornecidas as opções de adicionar e editar roteadores, os quais ficarão armazenados Fonte: (Griebler, SCHEPKE, Benatti, 2009). Figura 4: Tela de Configuração Principal. Através da tela principal de configuração são chamadas as telas de configuração do sistema embarcado, carregadas pelo menu de opções, tornando o processo de configuração mais amigável e menos suscetível a falhas. A aplicação cliente tem por finalidade fornecer uma interface gráfica para configurar todos os sistemas embarcados InetD-Mesh de uma rede, desde que os mesmos possuam o serviço servidor operando com o sistema InetD-Mesh, para o qual foi desenvolvido esta aplicação (GRIEBLER, 2009). 4. RESULTADOS DO TESTE DO PROTOCOLO DE APLICAÇÃO CRIADO Para provar a eficiência do protocolo de aplicação criado, utilizou-se 15 pessoas, sendo todos acadêmicos da área de informática, para testar os serviços de rede desenvolvidos, comparando com o serviço utilizado anteriormente. Neste teste foram estudas alternativas de como deve ser efetuado o processo de análise dos testes de configuração do SO embarcado. A partir desta análise, definiu-se que cada pessoa deverá configurar o nome do sistema embarcado utilizando o serviço criado e o serviço SSH. 98

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