Impactos da difusão das tecnologias da informação e comunicação no emprego e qualificações

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1 Impactos da difusão das tecnologias da informação e comunicação no emprego e qualificações Apresentação Paulo Bastos Tigre 1 Felipe Silveira Marques 2 Este trabalho examina os impactos das mudanças tecnológicas nas Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) sobre emprego e qualificação e composição da força de trabalho. A metodologia utilizada inclui uma resenha da literatura internacional, análise de bases de dados sobre emprego formal no Brasil e estudos de caso sobre os setores de telecomunicações e instituições financeiras. A primeira seção resume trabalhos sobre tecnologia e trabalho que avaliam os impactos das TIC sobre emprego e qualificações. Na segunda seção, são analisadas, com base na Relação Anual de Informações Sociais (Rais) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a evolução e as características do emprego formal no Brasil. A título de exemplo, são examinados na seção três os casos da automação bancária e da digitalização dos serviços de telecomunicações. Por se tratarem de áreas de atividades em que comprovadamente ocorreram grandes transformações, servem de referência para outros setores menos avançados na difusão de TIC, mas que caminham em uma trajetória semelhante. A quarta seção aborda a questão da terceirização dos serviços de TIC, uma prática que leva à criação e à destruição de empregos em diferentes países. O chamado offshore outsourcing vem-se desenvolvendo por meio do fracionamento dos processos de negócios no interior de uma empresa e sua transferência para prestadores de serviços à distância. A quinta seção traz as conclusões. 1. Impacto das TIC sobre o emprego à luz da literatura 3 As preocupações com os impactos da mudança tecnológica sobre o emprego não são novas. A indústria sempre esteve sujeita a transformações dramáticas nos processos de produção ao longo da história e o debate sobre seus impactos sociais já estão presentes nos Princípios de Economia Política (1817), de David Ricardo. Ele segue o postulado de Smith de que o crescimento do capital constitui a principal fonte de crescimento. Entretanto, constata que a introdução de uma nova máquina substitui o trabalho humano provocando o aparecimento do desemprego. Ricardo faz assim a primeira 1 Professor Titular, IE/UFRJ. 2 Doutorando, IE/UFRJ. 3 A literatura do impacto das TIC sobre o emprego é basicamente norte-americana e européia. Nos EUA, muitos autores atribuíram o aumento da desigualdade salarial nos anos 1980 ao efeito da introdução das TIC. Na Europa, as TIC aparecem em muitas análises como um fator que contribui para o crescimento sem empregos (jobless growth). Estas análises, no entanto, contrastam com a experiência americana, em que a difusão das TIC é maior e o nível de emprego tem aumentado. No Brasil, o debate sobre o nível de emprego é muito focado em análises setoriais e na produtividade agregada, havendo poucos estudos específicos sobre a introdução das TIC.

2 2 análise econômica da questão da substituição do trabalho por capital na indústria, abordando a questão da perda de empregos e salários dos trabalhadores que se tornava polêmica em sua época. Segundo Landes (1969), por volta de 1820, um garoto operando dois teares mecânicos era capaz de produzir até 15 vezes mais que o artesão doméstico, resultando na perda de empregos e em drásticas reduções de salários. O antagonismo homem máquina tomou proporções dramáticas com o movimento, liderado pelo mitológico General Martin Ludd, de destruição de máquinas pelos trabalhadores como forma de preservar sua dignidade. O movimento terminou de forma traumática, com enforcamentos em massa em York. As idéias ludistas simbolizam até hoje o eterno conflito entre automação e emprego. As preocupações com os efeitos da mudança tecnológica sobre o emprego sempre ressurgem quando cresce o desemprego. Exemplos destas preocupações são os debates que ocorreram durante a Grande Depressão e a discussão sobre os efeitos da automação industrial nos anos 1950 (Woirol, 1996). Os estudos são predominantemente realizados por sociólogos, que procuram desvendar os impactos sociais das novas tecnologias. No caso das tecnologias da informação, a visão de que as TIC irão modificar a sociedade e o mundo do trabalho vem sendo desenvolvida desde os trabalhos pioneiros de Daniel Bell nos anos 1970 (Bell, 1977). Outros estudos, conduzidos principalmente por agências especializadas em questões trabalhistas, focam os impactos específicos tanto quantitativos quanto qualitativos. A seguir, faremos uma pequena resenha destes estudos. 1.1 Mudanças na demanda de trabalho total Do ponto de vista quantitativo, a maioria das análises, que foca na evidência micro de estudos de caso em determinadas empresas, mostra que a difusão de novas tecnologias resulta na redução do número total de postos de trabalho. Estes estudos, no entanto, dificilmente conseguem captar o impacto da reestruturação produtiva intersetorial e de mudanças organizacionais, como a terceirização, que tendem a aumentar o emprego em outras firmas. As evidências sobre o aumento da produtividade do trabalho deram origem às teorias de crescimento sem emprego. Os cálculos de aumento de produtividade derivados da introdução de novas tecnologias para produzir bens e serviços, no entanto, devem ser vistos com cautela. Existe muita dificuldade metodológica para separar mudanças ocasionadas pelo ciclo econômico, pelas flutuações das importações e por outras mudanças macroeconômicas, daquelas ocasionadas diretamente pela difusão tecnológica. Além disso, a produtividade é uma variável difícil de ser mensurada, pois deveria ser uma grandeza física (produção sobre fator de produção), mas sofre impacto dos preços, quando medida como produtividade do trabalho, ou da estimativa do estoque de capital, quando medida como produtividade total dos fatores.

3 3 Autores como Aronowitz e DiFazio (1994) e Rifkin (1995), no entanto, argumentam que a economia do futuro não precisará de trabalhadores, o que levará a um desemprego massivo. Uma versão menos pretensiosa deste argumento é que a tecnologia causará uma diminuição na geração líquida de empregos e uma persistente falta de emprego, o que é suportado pela experiência de alguns países da Europa Ocidental (OCDE, 1996, p. 62). Este processo, conhecido como jobless growth, fará que uma parcela da força de trabalho enfrente desemprego de longo prazo mesmo quando a economia se expanda. Na França e na Alemanha 4, os desempregados representavam, respectivamente, 8,5% e 4,8% da força de trabalho em 1990 e, em 2004, passam a 9,7% e 9,5% (OCDE, 2005, p. 237). O desemprego de longo prazo (acima de 12 meses) atingia, em 1990, 38,1% dos desempregados franceses e 46,8% dos alemães; em 2004, estes percentuais são de 41,6% e 51,8% (ib., p. 258). A experiência americana, no entanto, na qual a difusão das TIC é maior que na Europa, não aponta para aumento do desemprego. A taxa de desemprego tem oscilado sem mostrar tendência ascendente, sendo de 5,6%, em 1990, e de 5,5%, em 2004 (ib., p. 237). A principal objeção à tese de um futuro sem empregos é que o uso da tecnologia aumenta a eficiência e reduz preços, permitindo um aumento do consumo por meio do mecanismo elasticidade-preço da demanda. Assim, aumentos na produtividade levam ao aumento da produção e do emprego. Outro argumento é que a expansão das indústrias ligadas às novas tecnologias (como software e serviços de TIC) irá aumentar o emprego em determinados países e regiões (OCDE, 1996, p. 9; e Cyert e Mowery, 1987, p. 1). Na Índia, por exemplo, espera-se criar 4 milhões de emprego na prestação de serviços terceirizados de TI até 2008 (NASSCOM, 2002). Não há, no entanto, nenhuma garantia de que o número de empregos criados será maior que o que será perdido. Além disso, se consumidores usam o dinheiro economizado a partir da queda de preços em uma indústria para comprar bens ou serviços de uma outra indústria, os empregos criados podem ser muito diferentes dos que foram perdidos e alguns trabalhadores podem acabar enfrentando desemprego estrutural. Se a demanda por trabalho de algum grupo cai, o nível de emprego só pode ser mantido pela diminuição de salários (OCDE, 1996, p. 10). Podemos verificar que os dados agregados disponíveis são bastante inconclusivos sobre os impactos das TIC sobre o emprego, pois, embora tenha ocorrido intensa difusão das TIC a partir da década de 1990, o ritmo de criação de empregos, em países como Brasil e EUA, não mostra uma tendência de queda. No Brasil, como será visto à frente, há uma aceleração na criação de emprego formal a partir de Examinando os dados de sete países membros, a OCDE (1998, p. 50) encontrou uma relação positiva entre o aumento percentual de investimentos em TIC e o crescimento no emprego total e no setor de serviços entre 1985 e O relatório mostra também uma 4 Os dados de 1990 são para Alemanha Ocidental.

4 4 relação negativa entre aumento da produtividade e emprego na manufatura para um conjunto maior de países. Nesse caso, a tecnologia não diminuiria dramaticamente a demanda por trabalho, mas poderia alterar a composição do emprego e o tipo de trabalho demandado, conforme será examinado na próxima seção. 1.2 Mudanças na demanda de qualificações Do ponto de vista qualitativo, por sua vez, diversos estudos Autor, Katz e Krueger (1998); Berman, Bound e Griliches (1994); e Danziger e Gottschalk (1995) mostram, de diferentes formas, que as novas tecnologias são enviesadas para habilidades (skill biased) e não são neutras (skill neutral). A difusão de novas tecnologias é freqüentemente associada a mudanças organizacionais, resultando na demanda por novas qualificações. Os impactos das novas tecnologias no aumento da demanda por qualificações podem ser observados por meio da análise das mudanças na composição ocupacional. Observa-se nas estatísticas de diferentes países uma tendência à redução dos empregos classificados como de baixa qualificação ao passo que ocorre um aumento progressivo nos postos de trabalho de média ou alta qualificação. À medida que as empresas aprofundam o uso de TIC em seus processos, habilidades até pouco tempo inexploradas genericamente como a capacidade de raciocínio abstrato passam a ter seu papel valorizado. Um ambiente de trabalho informatizado gera demanda por pessoas capazes de analisar relatórios e tomar decisões com base na gestão de diferentes fontes de informação. Isso requer pessoal com maior escolaridade, capaz de aprender a lidar com as novas ferramentas que estão sujeitas a mudar continuamente. Este aumento da demanda por qualificações acontece com magnitudes diferentes entre setores econômicos, sendo maior para empresas tecnologicamente intensivas. Em algumas indústrias e profissões, a difusão tecnológica pode levar até mesmo a um processo de redução das qualificações (deskilling). Ao automatizar certas funções, são freqüentemente eliminadas tarefas que requerem habilidades específicas, reduzindo assim o nível de qualificação exigida nesses postos de trabalho. Na indústria têxtil, por exemplo, a introdução de inovações como os filatórios open end e os teares sem lançadeiras automatizaram atividades especializadas realizadas por operadores, reduzindo as habilidades necessárias para operar as máquinas. Por outro lado, os novos equipamentos aumentaram a necessidade de conhecimento técnico dos supervisores e dos trabalhadores de manutenção (Abramo, 1990). Nesse caso, são eliminados postos de trabalho de baixa qualificação e reduzidas as qualificações necessárias aos operadores das máquinas, ao mesmo tempo em que aumentam as necessidades de qualificação dos supervisores e dos trabalhadores de manutenção. A hipótese de que o uso das Tecnologias da Informação e Comunicação exige mais capacidades cognitivas dos trabalhadores está apoiada nas seguintes razões (Handel, 2003, p. 39):

5 5 i) Substituem a demanda por habilidades tácitas, físicas e intuição pela demanda por maior capacidade de leitura e habilidades de raciocínio mais abstratas. ii) Substituem postos de trabalho com menor responsabilidade por outros com maior responsabilidade, que requerem entendimento das relações em um sistema de produção integrado, maior capacidade conceitual e cognitiva, flexibilidade intelectual e pensamento sistêmico. iii) Incentivam empregadores a delegar para trabalhadores menos qualificados tarefas convencionais que antes eram realizadas por empregados mais qualificados, como o registro nos livros para secretárias ou a contagem de estoque para operadores de carga. iv) Incentivam práticas de trabalho de alta performance (Hirschhorn, 1984; Zuboff, 1988; Bresnahan, Brynjolfsson e Hitt, 1999 e 2002; Siegel, 1999; Fernandez, 2001), como dar aos empregados da linha de produção treinamento e responsabilidade em tarefas mais amplas e variadas, como controle de qualidade, resolução de problemas e tomada de decisões em novas técnicas participativas de gerência. Zuboff (1988) argumenta que trabalhar em um ambiente informatizado requer um tipo de conhecimento que é explícito, formal, abstrato, conceitual e geralmente aprendido por educação formal, ao contrário das tecnologias précomputação, que envolviam maior learning-by-doing e nas quais o conhecimento era tácito, intuitivo, baseado na experiência e concreto. Para a autora, as TIC envolvem a manipulação de símbolos em vez de objetos físicos, o que requer uma nova maneira de pensar no trabalho. Assim, o trabalho na era da computação envolve maior necessidade de gestão das informações para um amplo conjunto de trabalhadores, o que demanda maior capacidade de memória, atenção, concentração, raciocínio, foresight, conhecimento formal, mapeamento conceitual e entendimento sistêmico dos processos e suas inter-relações (Handel, 2003, p. 41). Em muitas indústrias, a capacidade de resolver problemas aumentou de valor com a difusão das TIC. Em relação às mudanças na distribuição ocupacional promovidas pelas TIC, Handel (2003, p. 40) observa que estão sendo criados mais empregos para trabalhadores com alta e média qualificação, não só técnicos e profissionais de TI para instalar, manter e gerenciar sistemas, mas também profissionais não ligados à TIC que analisam e atuam a partir das informações geradas pelos sistemas (como contadores e gerentes de produção). Reich (1992), ao estudar o futuro do emprego, propõe que o trabalho pode ser dividido em três grupos: i) produtores de rotina; ii) fornecedores de serviços pessoais; e iii) analistas simbólicos. Para o autor, o emprego para produtores de rotina, a exemplo de digitadores e operadores de máquinas, é

6 6 bastante diminuído pela difusão das TIC. Para produtores de serviços pessoais (como garçons e enfermeiros), não é tão ameaçado, embora o salário destes trabalhadores tenda a ser declinante. As melhores oportunidades de emprego serão para analistas simbólicos, que são profissionais altamente qualificados cujo trabalho é identificar e resolver problemas. A análise simbólica consiste em simplificar a realidade, transformando-a em imagem abstrata, que pode ser reordenada, comunicada e transformada de novo em realidade. As ferramentas podem ser algoritmos matemáticos, argumentos legais, expedientes financeiros, princípios científicos, conhecimentos psicológicos sobre como convencer ou entreter, sistemas de indução ou dedução ou qualquer outro conjunto de técnicas. São exemplos de analistas simbólicos: analistas de sistemas, estrategistas de marketing, arquitetos, jornalistas, professores etc. Bridges (1995) alerta para uma mudança na relação de trabalho motivada pela terceirização e pela contratação de consultores e autônomos. O fim do emprego conforme entendido atualmente (expediente de trabalho, aposentadoria etc.), na visão do autor, no entanto, seria simplesmente uma adaptação às forças tecnológicas e econômicas de hoje, não implicando o fim do trabalho. 2. Impacto das TIC sobre o emprego formal no Brasil As evidências para o Brasil não indicam uma queda massiva do emprego formal. Segundo a Relação Anual das Informações Sociais (Rais) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o emprego formal cresceu em quase 5,5 milhões de postos entre 1990 e , o que representou um aumento de cerca de 24%. Neste período, o PIB real teve crescimento de 28%, enquanto a população total do País cresceu 20%. A exceção de 1991 e 1992, o número de trabalhadores formais cresceu a cada ano, tendo apresentado um crescimento mais vigoroso entre 1999 e 2002, quando acumulou alta de quase 15%. Essa elevação do emprego formal neste período reduziu a taxa de desemprego, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), em quase 0,5%, de 9,63% para 9,15%. As oscilações no emprego podem ser associadas a fatores essencialmente macroeconômicos. O período de declínio absoluto observado no gráfico 1 em 1992 é resultado da forte recessão ocorrida no Plano Collor, quando a redução da liquidez dos ativos financeiros provocou acentuada queda do PIB. A inflexão observada a partir do ano 2000, por sua vez, está associada à desvalorização do Real, um fato que beneficiou a produção local e as exportações em detrimento das importações. 5 A análise vai somente até 2002, pois neste ano a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) foi modificada. Como se quer analisar as ocupações beneficiadas e prejudicadas com a introdução das TIC, é importante que a classificação das ocupações se mantenha constante ao longo da análise. Como o período é longo, o crescimento do emprego formal em 2004 e 2005 não altera substantivamente a análise.

7 Gráfico 1: Número de trabalhadores formais (em milhões), Trabalhadores Fonte: elaboração própria a partir de MTE (2006). Segundo Kupfer (2005), o comportamento do emprego a partir dos anos 1990 pode ser explicado por três diferentes regimes competitivos 6 : um regime de abertura comercial que vai do fim dos anos 1980 até 1993, uma ultraabertura que acontece de 1994 a 1998, com valorização do câmbio pós-plano Real, e o regime atual de câmbio flutuante. No período de abertura, o baixo crescimento, a instabilidade causada pela alta inflação e os sucessivos planos econômicos reduziram a taxa de investimento. As empresas adotaram estratégias de enxugamento, principalmente de pessoal, como forma de reduzir custos e obter flexibilidade ante a instabilidade macro e a ameaça da abertura. O emprego formal foi bastante afetado por este quadro, com redução do nível de emprego em 1991 e Só em 1992, perderam-se cerca de 740 mil vagas, sendo quase 400 mil na indústria de transformação. O regime de câmbio valorizado no pós-plano Real é marcado por um grande crescimento das importações e das estratégias empresariais de terceirização e especialização em linhas de produto para responder a esta pressão competitiva. Há uma melhora nos níveis de investimento, Ano 6 Para o autor, um regime competitivo é uma estrutura de incentivos e regulação da concorrência que corresponde no plano micro ao rebatimento de alguns parâmetros macroeconômicos (Kupfer, 2005, p. 241).

8 8 principalmente pelo fato de o câmbio valorizado facilitar a compra de bens de capital no exterior, mas o emprego cresce pouco no período. O regime de câmbio flutuante é marcado pela melhoria na geração de empregos, com geração de cerca de 4 milhões de emprego até Com as desvalorizações de 1999 e 2002, muitas empresas incorporam a exportação às suas estratégias, o que permitiu o crescimento do emprego, mesmo em anos de crescimento muito fraco do PIB, como 1999 e Nas análises a seguir, comparamos as características do nível de emprego em 1997 e Neste período, foi grande a difusão das TIC no País 7 e os efeitos da abertura comercial e do câmbio valorizado sobre o emprego, conforme discutido, foram menos intensos. A análise vai somente até 2002, em função da mudança da CBO neste ano, fato que dificulta comparações entre ocupações nos anos posteriores. Em todo o período estudado ocorreu um contínuo aumento da qualificação da força de trabalho. Entre 1997 e 2002, só ocorreu aumento de vagas para trabalhadores com no mínimo ensino fundamental completo, sendo que este aumento foi bem maior para aqueles com segundo grau completo ou cursando o ensino superior. Este aumento da escolarização alterou o perfil educacional da mão-deobra formal. Em 1997, o percentual de trabalhadores com ensino fundamental incompleto (até a 8.ª série) era de cerca de 40% e cai para 30% em 2002, enquanto o percentual com segundo grau completo vai de 20% para 28,5% da mão-de-obra formal. Entretanto, isto não significa necessariamente que aumentaram as qualificações necessárias para desenvolver atividades produtivas. A simples oferta de recursos humanos mais qualificados pode ter induzido a mudança. Apesar do aumento no emprego formal e na escolaridade, a criação de vagas entre ocupações variou bastante. Entre 1997 e 2002, foram perdidos, por exemplo, cerca de 4,8 mil empregos no subgrupo ocupacional 70 da Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) 8, que reúne trabalhadores que coordenam a implantação de programas de trabalho, distribuem tarefas individuais ou coletivas, orientam e supervisionam sua execução e controlam os resultados em uma unidade de produção de empresa industrial. O subgrupo agrupa contramestres, supervisores, encarregados, chefes, fiscais, inspetores 7 WITSA (2002, p. 54) aponta para a quase duplicação da relação gasto em TIC sobre PIB de 4,2 para 8,3% do PIB entre 1997 e 2001 e o aumento de mais de 100% no número de PCs instalados em negócios e no governo de 3,5 para 8 milhões. Entre 1998 e 2001, o número de usuários de Internet mais que quadruplica, indo de 2,5 para 10,2 milhões (ib., p. 43). 8 A CBO é o documento que reconhece, nomeia e codifica os títulos e descreve as características das ocupações do mercado de trabalho brasileiro. O subgrupo ocupacional é o nível intermediário de análise da CBO de 1994, ficando entre os grandes grupos ocupacionais e os grupos bases (que representam profissões). Os subgrupos agrupam profissões correlatas. É dividido em 83 epígrafes, enquanto os grandes grupos são 10 e os grupos bases, 353.

9 9 e outras denominações similares. A diminuição nos cargos de supervisão direta é compatível com a delegação aos empregados de tarefas de maior responsabilidade, como controle de qualidade, resolução de problemas e tomada de decisões, que é incentivada pela difusão do uso das TIC e se insere na tendência organizacional pós-fordista de redução dos níveis hierárquicos. Tabela 1: Número de trabalhadores formais por grau de instrução, 1997x2002 Grau de Instrução Var. % Absoluto % Absoluto % Analfabeto , ,7-29,7 4ª série incompleta , ,1-17,5 4ª série completa , ,5-19,2 8ª série incompleta , ,1-3,7 8ª série completa , ,9 17,3 2º grau incompleto , ,0 30,6 2º grau completo , ,0 69,9 Superior incompleto , ,2 45,3 Superior completo , ,3 34,7 Ignorado 0 0, ,2-100,0 Total , ,0 19,0 Fonte: elaboração própria a partir de MTE (2006). Entre os subgrupos de ocupação que geraram mais de 10 mil empregos e mais cresceram percentualmente, destacam-se programadores e analistas de sistemas, operadores de telemarketing e trabalhadores ligados a serviços e ao comércio.

10 10 Tabela 2: Subgrupos de ocupação com maiores ganhos percentuais de emprego entre 1997 e 2002 Subgrupo N. Emprego 2002 Emprego 1997 Var Estatísticos, analistas de sistemas, programadores, etc ,7 Trabalhadores do comércio n/classif s/out epigraf ,0 Telefonistas, telegrafistas e trabalhadores assemelhados ,9 Médicos, cirurgiões, dentistas, veterinários, enfermeiros, etc ,1 Agentes de administração pública ,2 Trabalhadores de profissões científicas n/classif. s/out epigraf ,7 Total subgrupos ,2 Notas: 1. Somente foram incluídos subgrupos que geraram mais de 10 mil empregos. 2. n/classif s/out epigraf = não classificados sobre outras epígrafes. Fonte: elaboração própria a partir de MTE (2006). O subgrupo 8, que reúne estatísticos, matemáticos, atuários, analistas de sistemas e programadores, foi o que apresentou a maior variação percentual no período, crescendo cerca de 70%. Este aumento concentrou-se basicamente nos analistas de sistemas e programadores que foram, respectivamente, de 61 e 28,2 mil em 1997 para 88,4 e 65,5 mil em 2002, gerando conjuntamente mais de 50 mil empregos. Estas são duas das profissões mais incentivadas pela difusão das TIC. O comércio é o segundo grande grupo da CBO com maior crescimento percentual, ficando atrás somente do primeiro grande grupo, em que se encontram técnicos, engenheiros e outras profissões ligadas às TIC. O subgrupo 49 abriga trabalhadores com tarefas relacionadas com compras e vendas, que não figuram em outros subgrupos. O crescimento do subgrupo foi de 60%, criando cerca de 240 mil vagas no período. O subgrupo 38 reúne trabalhadores que manejam equipamentos de telecomunicações situados em terra, mar e a bordo de aviões, englobando telefonistas e operadores de telemarketing. O crescimento de atividades de vendas e contato com o cliente gerou 60 mil vagas neste subgrupo no período. O crescimento do subgrupo 6 reflete o crescimento da participação dos serviços na atividade econômica. Este subgrupo, ligado a serviços médicos, criou mais de 200 mil postos de trabalho entre 1997 e A descentralização na execução dos serviços públicos promoveu um crescimento da administração pública. O aumento no número de agentes e assistentes administrativos é reflexo deste processo e gerou quase 600 mil vagas no período analisado.

11 11 Estes seis subgrupos em conjunto geraram cerca de 1,2 milhão de ocupações formais entre 1997 e 2002, aumentando seu nível de emprego em 50%. Enquanto alguns setores passam por intensas transformações ligadas às novas tecnologias, outros são menos afetados. Os dados mais agregados não permitem um melhor exame do impacto das TIC sobre emprego e qualificações, pois algumas tendências como a terceirização ficam diluídas. Na próxima seção, examinamos os dados de emprego para os setores de telecomunicações (CNAE ) e instituições financeiras (CNAE 65). Ambos os setores passaram por importantes mudanças relacionadas à difusão das TIC. 3. Impacto das TIC em setores selecionados 3.1 Telecomunicações As telecomunicações sofreram fortes impactos de mudanças relacionadas à difusão das TIC, como a digitalização e a convergência das redes, resultando tanto na perda de postos de trabalho pela automação, como em alterações entre ocupações (between-occupation effect), devido a mudanças organizacionais como a terceirização e o aumento das ocupações relacionadas a vendas e serviços aos clientes. Um exemplo da perda de empregos, segundo Senai (2001, p ), ocorreu com a digitalização das redes de telecomunicações e teve significativo impacto na redução direta de pessoal. Os equipamentos digitais incorporam capacidade de diagnóstico que facilita testes e ajustes remotos. A construção modular das novas centrais permite expansão da capacidade a reconfiguração do software por meio da simples inserção de cartões. As antigas centrais telefônicas eletromecânicas mantinham um quadro fixo de 10 a 12 técnicos de manutenção em cada central de 10 mil linhas. As novas centrais digitais CPA- 2, por sua vez, servem até 700 mil usuários e sua manutenção é feita de forma remota, não exigindo pessoal fixo. Postos de gerência de redes, operados por dois engenheiros, atendem a várias centrais simultaneamente. Uma vez detectado o problema, técnicos são acionados para substituição das placas defeituosas, eliminando a necessidade de pessoal de manutenção exclusivo de uma central. O impacto dessas tecnologias, associadas à terceirização de algumas atividades, envolveu a perda de 16 mil postos de trabalho no setor entre 1997 e Esta perda concentrou-se nos trabalhadores de menor qualificação, com apenas ensino fundamental, cujo estoque de empregos caiu de 30 para 8 mil no período. Apesar da queda no emprego total, o número de empregados com ensino superior (incluindo os que estão cursando) cresceu 39%, indo de 26% para 42% do total do emprego. O número de trabalhadores com ensino médio decresceu 10%, em queda similar ao total de empregos.

12 12 Tabela 3: Número de trabalhadores formais no setor de telecomunicações por grau de instrução, 1997x2002 Grau de Instrução Absoluto % Absoluto % Var.% Até Ensino Fundamental , ,9-74,1 Até Ensino Médio , ,6-10,3 Superior (completo ou incompleto) , ,4 38,8 Total , ,0-13,2 1 Em 1997 total não é a soma das três categorias, pois existem trabalhadores com grau de instrução ignorado Fonte: elaboração própria a partir de MTE (2006). Em relação às ocupações, a intensa mudança do setor fez que poucos subgrupos mantivessem seu nível de emprego estável. A maior parte das categorias teve variações percentuais acima de 10%. Se somarmos os subgrupos com perda absoluta superior a 500 postos de trabalho, temos uma queda total de 34 mil postos, mais que o dobro da perda observada para o setor como um todo. O mesmo fato ocorre para as categorias que geraram mais de 300 empregos, que somadas chegam a um aumento total de 23 mil postos de trabalho. Os subgrupos que mais perderam estão encabeçados por desenhistas técnicos, uma atividade provavelmente afetada pela difusão de software com tecnologias de CAD (Computer Aid Design) em projetos de instalações telefônicas. Há também redução de funções técnicas de manutenção, que foram suprimidas pela digitalização, e administrativas passíveis de terceirização, como trabalhadores de serviços administrativos, telefonistas operadores de telemarketing, agentes de vendas e administrativos, economistas e técnicos de administração. Alguns destes empregos não necessariamente desapareceram visto que podem ter sido transferidos para empresas de comércio e serviços subcontratadas, que estariam classificadas em outro grupo CNAE.

13 Tabela 4: Perda de emprego em telecomunicações por subgrupo de ocupação, 1997 e Subgrupo de Ocupação Emprego Variação Absoluta % Técnicos desenhistas ,9 Eletricistas e eletrônicos ,7 Trabalhadores de serviços administrativos ,0 Telefonistas e telegrafistas ,1 Agentes técnicos de vendas e representantes comerciais ,6 Operadores de máquinas contábeis, de ,9 calcular e processamento automático de dados Agentes e assistentes administrativos ,4 Economistas e técnicos de administração ,2 Engenheiros, arquitetos ,1 Operadores de estações de rádio e TV, sonorização e projeções cinematográficas ,8 Trabalhadores braçais ,5 Nota: somente foram incluídos subgrupos que perderam mais de 500 empregos. Fonte: elaboração própria a partir de MTE (2006). Em termos de ganhos de ocupação, ocorreu um forte aumento nos quadros técnicos de venda e atendimento ao cliente, até mesmo em cargos de chefia, como atendentes em lojas, analistas de mercado, publicitários e vendedores. Na carreira de analista de sistema, o crescimento não foi tão grande quanto o observado para o emprego formal como um todo possivelmente devido à terceirização e à descentralização dos Centros de Processamento de Dados (CPDs). A terceirização pode ter afetado também os analistas de mercado, publicitários e vendedores, que teriam crescido mais do que os dados do setor registram. Tabela 5: Ganho de emprego em telecomunicações por subgrupo de ocupação, 1997 e 2002 Subgrupo de Ocupação Emprego Variação Absoluta % Trabalhadores de serviço de contabilidade e caixas ,8 Gerentes de empresas ,1 Analista de mercado, comercialização e ocupações ,8 Publicitários, relações públicas, agentes de comunicação ,6 Vendedores e empregados de comércio ,7 Supervisores de compras e de vendas e compradores ,8 Chefes, intermediários administrativos, de contabilidade e finanças ,1 Supervisores diretos, fiscais, inspetores ,7 Estatísticos, matemáticos e analistas de sistemas ,4

14 14 Diretores de empresas ,6 Chefes de serviços de transportes e comunicações ,3 Nota: somente foram incluídos subgrupos que ganharam mais de 300 empregos. Fonte: elaboração própria a partir de MTE (2006). O caso dos serviços de telecomunicações revela algumas dimensões críticas da questão dos impactos das TIC sobre o emprego. Por um lado, as novas tecnologias reduzem drasticamente a necessidade de trabalhos operacionais de manutenção e operação, por meio da introdução de equipamentos e sistemas de maior capacidade e mais automatizados. Por outro lado, a introdução das TIC permite ampliação e diversificação dos serviços, exigindo novos profissionais qualificados. O chamado POT (plain old telephone) que transmitia apenas voz é substituído por sistemas integrados de comunicação que suportam simultaneamente voz, dados, vídeo e imagens transmitidas em banda larga e alta velocidade. Uma ampla gama de profissionais foi criada para formatar, vender e monitorar novos serviços de crescente complexidade. O gerenciamento da nova infra-estrutura, o desenvolvimento de software aplicativo e a comunicação com os clientes são exemplos de novos postos de trabalho criados pela tecnologia digital. 3.2 Instituições financeiras As instituições financeiras (CNAE 65) 9 passaram por intensas mudanças relacionadas às TIC nos últimos anos. Entre 2000 e 2002, o número de clientes com acesso ao Internet Banking aumentou de 8,3 para 9,2 milhões, e o de transações realizadas pela Internet quase triplicou, indo de 729 milhões para 2,1 bilhões, saltando de 3,7% do total de transações realizadas pelo setor bancário em 2000 para 9,8% em 2002 (FEBRABAN, 2006). O número de caixas eletrônicos também cresceu, passando de 14,5 para 22,4 mil, assim como o número de transações automáticas e o de realizadas em terminais de auto-atendimento. Em relação ao emprego, essas mudanças refletiram-se em um intenso processo de upskilling da mão-de-obra, com perda de postos de trabalhos menos qualificados para automação e criação de vagas para trabalhadores especializados com nível superior. Essa melhora no perfil educacional da mãode-obra, no entanto, não é motivada apenas pelo uso das novas tecnologias, mas é relacionada também ao crescimento da oferta de trabalhadores com ensino superior. De acordo com a tabela 6, o emprego formal no setor diminuiu em cerca de 30 mil postos entre 1997 e 2002, uma queda de 6,3%. No que diz respeito aos trabalhadores com nível superior, no entanto, foram criadas cerca de 80 mil vagas, um aumento de quase 60%. Em 2002, os profissionais com nível superior chegaram a quase 50% da mão-de-obra do setor, contra 29% em Se incluir aqueles que estão cursando faculdade, a parcela supera os 66% ou dois terços da mão-de-obra do setor. 9 O grupo CNAE 65 é formado pelas instituições financeiras, como bancos, cooperativas de crédito, financeiras, fundos mútuos de investimento e sociedades de capitalização.

15 15 Tabela 6: Número de trabalhadores formais nas instituições financeiras por grau de instrução, 1997x2002 Grau de Instrução Absoluto % Absoluto % Var.% Até Ensino Fundamental , ,1-53,6 2.º grau incompleto , ,4-62,0 2.º grau completo , ,1-30,7 Superior incompleto , ,3-13,2 Superior completo , ,0 57,2 Total , ,0-6,3 Fonte: elaboração própria a partir de MTE (2006). Entre as ocupações que geraram mais de 300 empregos no período, destaca-se o subgrupo de economistas, administradores e contadores, que abriu mais de 2,5 mil vagas. Houve grande crescimento também de outros subgrupos de trabalhadores de nível superior como estatísticos, analistas de sistemas, programadores, assim como publicitários e analistas de recursos humanos, além de cargos genéricos, como agentes administrativos. Os cargos de gerência e direção também apresentaram crescimento no período. Entre as ocupações não-especializadas, cresceu de forma significativa o número de vendedores, associados principalmente ao crédito direto ao consumidor pelas financeiras. Houve também algum crescimento dos operadores de telemarketing relacionado ao esforço de venda de novos produtos bancários e de crédito, embora uma parte desses serviços seja terceirizada. Tabela 7: Ganho de emprego nas instituições financeira por subgrupo de ocupação, 1997 e 2002 Subgrupo de Ocupação Emprego Variação Absoluta % Economistas, administradores e contadores ,2 Gerentes de empresas ,7 Agentes administrativos de nível superior ,4 Estatísticos, analistas de sistemas e programadores ,3 Vendedores e empregados de comércio ,6 Publicitários e analistas de RH ,4 Diretores de empresas ,2 Telefonistas e operadores de telemarketing ,3 Nota: Somente foram incluídos subgrupos que ganharam mais de 300 empregos e que envolviam mais de 200 pessoas em Fonte: elaboração própria a partir de MTE (2006).

16 16 Entre os subgrupos que perderam mais de 300 empregos, aparece fortemente o efeito da automação, com a queda de mais de 10 mil postos de trabalhos entre intermediários administrativos e em caixas e trabalhadores de contabilidade. Perderam-se também 7,5 mil vagas de operadores de máquinas contábeis, 5,5 mil de auxiliares de escritório e 1,5 mil de secretários e datilógrafos. O processo de upskilling aparece também na substituição de técnicos de economia e contabilidade por profissionais com nível superior. Entre os técnicos, perderam-se 1,6 mil vagas, enquanto entre os profissionais formados as vagas aumentaram em 2,6 mil. Tabela 8: Perda de emprego nas instituições financeira por subgrupo de ocupação, 1997 e 2002 Subgrupo de Ocupação Emprego Variação Absoluta % Chefes intermediários administrativos, de contabilidade e ou finanças ,8 Trabalhadores de serviço de contabilidade e caixas ,1 Operadores de máquinas contábeis e de processamento automático de dados ,3 Auxiliares de Escritório, Contínuos etc ,7 Técnicos de economia, contabilidade etc ,7 Secretários, datilógrafos etc ,7 Corretores e agentes de venda ,1 Condutores de veículos de transportes ,3 Nota: somente foram incluídos subgrupos que perderam mais de 300 empregos. Fonte: elaboração própria a partir de MTE (2006). 4. Impacto das TIC no setor de serviços: o outsourcing O desenvolvimento de novas formas rápidas e baratas de comunicação internacional, a exemplo da Internet, vem abrindo uma nova dimensão ao processo de geração e destruição de empregos. A possibilidade de fracionar e realocar processos de negócios em diferentes partes do mundo impõe um novo desafio para o estudo da relação entre automação e emprego. A terceirização internacional de serviços, conhecida como offshore outsourcing, constitui uma nova e forte tendência mundial que está dissociando o emprego do desempenho econômico local e dos investimentos em tecnologia. A facilidade de coletar e transmitir informações pela Internet está globalizando o mercado de trabalho, uma vez que não há necessidade de deslocamento de trabalhadores para prestar serviços. Desde 1995, quando o uso comercial da Internet foi autorizado, a comercialização de serviços relacionados às TIC vem ganhando crescente importância no comércio internacional. Pressões competitivas têm levado empresas multinacionais a buscarem novas localizações para seus centros de

17 17 software e serviços tendo em vista reduzir custos e ter acesso a novas tecnologias e recursos humanos qualificados. O setor serviços da economia brasileira vem crescendo em ritmo maior que a indústria e a agricultura. Segundo Kon (2004, p. 101), em 1980, as atividades terciárias respondiam por 53% do PIB brasileiro, em 1990, este percentual eleva-se para 56,6% e, em 2002, atinge 59,2%. Esta tendência reproduz-se nos países de renda baixa e média. Nos países de renda média alta, como o Brasil, por exemplo, o setor de serviços foi de 53% para 61% entre 1990 e 1999 (ib., p. 75). No grupo dos países de renda alta, a participação dos serviços no PIB tem-se mantido constante, em torno de 65%. As funções de serviços são por essência complementares a outros produtos, pois a utilidade que transferem a esses produtos não poderia existir sem tais serviços (Kon, 2004). Um indicador do processo de substituição de produtos por serviços é o fato de a parcela do trabalho identificado como serviço na atividade produtiva estar crescendo mais rapidamente que o emprego na produção, em conseqüência dos processos de automação e informatização. Os serviços são muito heterogêneos, reunindo desde atividades comerciais de baixo valor agregado até serviços avançados intensivos em informação. Os segmentos identificados como intensivos em processamento e distribuição de informações são particularmente inovadores pela possibilidade de aplicação de TIC. Isso inclui, por exemplo, serviços bancários, de comunicações, software, comércio eletrônico e serviços de consultoria. A característica fundamental destes serviços é ser puramente informacional, podendo ser prestados a distância sem envolver movimentos de materiais. Por envolver muitas transações que podem ser transformadas em bytes, este grupo do setor de serviços apresenta um grande potencial para o aumento da produtividade. Nos serviços tradicionais, por sua vez, como restaurantes, transportes, comércio varejista e serviços pessoais, a produção é concomitante ao consumo, exigindo presença física e diminuindo o potencial de inovações, embora também possa haver algum tipo de automação nestes serviços. Uma importante tendência derivada da difusão das TIC é o aprofundamento do trabalho em rede e a possibilidade de fracionar processos, realizando-os em locais com menor custo ou maior expertise. As TIC abrem a possibilidade de um modelo de entrega global de serviços (global sourcing), beneficiando países com baixo custo, infra-estrutura e capacitações para prestá-los. Esta demanda por postos de trabalho é especialmente importante, pois não depende da expansão da renda local, nem do mercado doméstico, podendo crescer mesmo em fases de declínio no ciclo econômico. Os serviços de software tradicionalmente prestados à distância envolvem a terceirização de uma atividade específica da área de TI, seja ela na camada de infra-estrutura ou relacionada à gestão e à manutenção de

18 18 aplicativos 10. Novas tecnologias e tendências organizacionais, entretanto, vêm permitindo a viabilização da comercialização de serviços, que, embora não sejam propriamente de TIC, utilizam as tecnologias da informação como habilitadora de sua execução. Tais serviços de gestão de rotinas administrativas e processos de negócios são conhecidos como ITES (Information Technologies Enabled Services). Nesse campo, destaca-se pelo seu alto valor agregado o Business Process Outsourcing (BPO), no qual uma organização externa assume a responsabilidade de executar todo um processo administrativo, como, por exemplo, a gestão de vendas e a administração financeira. Isso requer uma relação colaborativa e flexível entre o contratante e o provedor de serviço. Por exemplo, ao transferir a gestão da folha de pagamentos para um provedor externo à empresa, a relação entre as empresas deve ser flexível para acomodar mudanças na rotina que proporcionem ganhos de produtividade preservando ao mesmo tempo as interfaces e as práticas consideradas essenciais pelo cliente. A relação precisa ser colaborativa e confiável, uma vez que envolve informações confidenciais. Por essa razão, empresas fornecedoras com boa reputação internacional são preferidas em detrimento de empresas menores de âmbito nacional. As transações internacionais de serviços prestados à distância são classificadas no Modo I da OMC Comércio Transfronteiras. Os dados oficiais nem sempre refletem o mercado, uma vez que a rápida evolução e a transformação dos serviços dificultam sua correspondência com as classificações estatísticas hoje existentes no comércio internacional. Outro aspecto que encobre a verdadeira dimensão das atividades de outsourcing é o fato de grande parte das transações serem feitas dentro de diferentes subsidiárias de uma mesma empresa global. A especialização geográfica permite que os serviços sejam distribuídos segundo o custo dos fatores e a capacitação tecnológica local. Tais transações não aparecem nas estatísticas de comércio exterior, embora contribuam para o balanço de pagamentos do país, por meio do pagamento de fatores de produção locais. Os modelos de gestão pós-fordistas enfatizam a especialização das empresas em sua competência central. A subcontratação de serviços é a razão da necessidade de os agentes focarem seus esforços em atividades nas quais o valor agregado supera os custos internos de prestação, repassando a responsabilidade e a gestão das demais atividades para terceiros. O acirramento da concorrência, forçando a busca por menores custos, maior produtividade e competitividade, é o principal motor do crescimento dos contratos de terceirização dos serviços de software e processos de negócios. 10 Segundo TPI (2005, p. 6), em um survey com 212 empresas, os serviços mais terceirizados foram: desenvolvimento de aplicativos de rede (75%), codificação (66%), teste (60%), infraestrutura de rede (55%), manutenção de aplicativos (48%), help-desk (46%) e design (44%). Os outros serviços, como monitoramento remoto e desenvolvimento, tiveram percentuais abaixo de 40%.

19 19 Segundo Brasscom (2005, p. 6), a terceirização global de serviços de TI e processos de negócios atingiu US$ 607,8 bilhões em 2004, apresentando um crescimento de 6,7% em relação a Este gasto é feito majoritariamente nos próprios países demandantes; no entanto, a parcela que mais cresce é a da terceirização para outros países (o offshore outsourcing ), que, em 2004, atingiu US$ 18 bilhões e tem previsão de crescer 40% ao ano até O país que mais se beneficia do crescimento da terceirização de serviços digitais é a Índia, que espera criar 4 milhões de empregos no setor até 2008 (NASSCOM, 2002). O aumento da prestação de serviços para destinos offshore é uma possibilidade que as TIC oferecem de aumentar os postos de trabalhos formais, aproveitando-se de uma nova janela de oportunidade aberta pela economia do conhecimento. O Brasil encontra-se em posição favorável para explorar tal potencial, graças aos investimentos públicos e privados realizados em educação superior e em infra-estrutura de telecomunicações. O país possui fuso horário semelhante aos EUA e cultura flexível que permite assimilar a européia e a americana, o que facilita a prestação de serviços. O desenvolvimento da indústria brasileira, no entanto, requer um processo gradual de conquista de clientes por meio da especialização em nichos de competitividade revelada, do aumento da qualidade, da internacionalização das operações e da promoção do país junto aos principais mercados. As empresas multinacionais instaladas no Brasil estão em excelente posição para prestar serviços. Por outro lado, os altos custos de transação relativos à terceirização de processos é um fator que afeta negativamente as empresas nacionais que são tradicionalmente voltadas ao mercado local. O investimento em bases de prestação de serviços junto aos clientes, visando conhecer suas necessidades, melhorar a assistência técnica e tornar mais consistente o acesso aos serviços pelos clientes, constitui uma prioridade para as empresas nacionais, seja individualmente ou por meio de associações. Há também necessidade de ações públicas e privadas no sentido de melhorar a qualificação dos recursos humanos e adaptar o ambiente de negócios às necessidades da demanda. Em relação aos custos, a recente sobrevalorização do real ante o dólar tem prejudicado a competitividade brasileira e o setor precisa buscar compensações. Isso inclui a busca de incentivos junto ao governo federal e estadual para reduzir a carga tributária, a procura por inserção em etapas da cadeia com maior valor agregado e busca de localizações de menores custos gerais dentro do país. 5. Conclusões A experiência histórica mostra que as grandes mudanças tecnológicas são irreversíveis e que medidas para conter o ritmo de difusão acabam tendo um efeito negativo sobre o emprego em longo prazo. As TIC destroem e criam empregos e as políticas públicas devem-se preocupar com as condições

20 20 necessárias para criá-los, uma vez que são pouco eficientes na tarefa de preservar empregos tornados obsoletos pelas novas tecnologias. Os dados apresentados sobre o Brasil mostram que a geração de empregos está associada à demanda por novas qualificações em empresas inovadoras. O processo de automação reduz a necessidade de atividades rotineiras e repetitivas enquanto cria funções mais qualificadas e flexíveis, principalmente o que Reich chama de analista simbólico cujo trabalho é identificar e resolver problemas idiossincráticos. Cada vez mais é exigida dos trabalhadores maior escolaridade a fim de capacitá-los a incorporar novas técnicas e habilidades em um contexto de crescente mudança tecnológica. Ser capaz de aprender tornou-se uma habilidade mais crítica do que simplesmente adquirir capacitação em técnicas específicas que poderão tornarse obsoletas. Isso indica a necessidade de melhorar quantitativamente e qualitativamente o sistema educacional, para aumentar a empregabilidade da população. Cabe lembrar, entretanto, que tal processo não é extensivo a toda economia e sempre haverá setores pouco afetados pela automação. Muitos serviços pessoais continuam sendo prestados de forma tradicional, assim como atividades produtivas que não envolvem repetição. Os setores mais afetados são aqueles mais dinâmicos, tanto nas áreas de manufatura como em serviços. Diante da globalização da economia mundial e do crescimento do trabalho a distância, a capacitação dos recursos humanos tornou-se uma importante ferramenta competitiva. As oportunidades de outsourcing, por exemplo, são aproveitadas hoje principalmente pela Índia que conta com uma massa crítica de recursos humanos altamente qualificados, com domínio da língua inglesa e salários competitivos. O capital humano representa hoje o principal ativo para o desenvolvimento, em uma economia baseada crescentemente na informação e no conhecimento. A criação de empregos em setores avançados depende também de boa infra-estrutura física e social, instituições de apoio e criação de um ambiente favorável aos investimentos. 6. Bibliografia Abramo, L. (1990), Nuevas Tecnologias, difusión sectorial, empleo y trabajo en Brasil: Un Balance. Documentos de Trabajo n Santiago, PREALC/OIT. Aronowitz, S. e DiFazio, W. (1994), The Jobless Future. Minneapolis, University of Minnesota Press. Autor, D.H.; Katz, L.F. e Krueger, A.B. (1998), Computing Inequality: Have Computers Changed the Labor Market? Quarterly Journal of Economics, 113: Bell, D. (1977), O advento da sociedade pós-industrial. São Paulo, Cultrix.

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