Alternativas para o Brasil. Claudio L. S. Haddad Endeavor - Outubro de 2004

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1 Alternativas para o Brasil Claudio L. S. Haddad Endeavor - Outubro de 2004

2 Tema do Momento: Crescimento Apesar da recente recuperação da economia, crescimento sustentável continua sendo a preocupação central Taxas de crescimento acima de 5% ao ano são necessárias para implantar e viabilizar um modelo no Brasil baseado em uma sociedade aberta, democrática e onde predomina a livre iniciativa, essencial para o empreendedorismo Com crescimento baixo o risco de recaídas populistas com graves retrocessos é significativo Quais os principais obstáculos para o país voltar crescer a taxas altas e sustentáveis?

3 Decomposição do Crescimento Crescimento econômico pode ser decomposto em 3 componentes principais: Número de trabalhadores empregados e seu grau de instrução e capacidade (capital humano) Quantidade de capital físico empregada Produtividade total de fatores, que é o resíduo não explicado pelos dois outros fatores

4 Qual o panorama quanto à educação no Brasil? Progressos significativos têm sido feitos no nível de escolaridade. Apesar disto os indicadores são ainda pobres, pois o resto do mundo também tem melhorado Embora os gastos em educação como proporção do PIB sejam comparáveis aos da OECD, em termos per-capita o Brasil gasta bem menos Os gastos per-capita têm comportamento atípico, sendo muito baixos nos ensinos secundário e médio e muito elevados no ensino superior

5 O que tem acontecido com o retorno à educação para o usuário? Retornos são significativos em todos os níveis, aumentando do fundamental para o médio e deste para o superior Os retornos a níveis fundamental e médio vêm caindo ao longo das três últimas décadas O retorno ao ensino superior vem aumentando no mesmo período Diferenças em educação explicam 40% da concentração de renda do trabalho e 26% da concentração de renda total Principais problemas hoje: qualidade no ensino fundamental e médio e dificuldade de acesso no nível superior

6 Taxa de Investimentos Estável e Baixa Investimento/PIB (%, Preços Correntes, IPEA) % / / /

7 A Preços Constantes o Panorama Piora Investimento sobre PIB (%) (IPEA-Preços de 1980) / / /

8 Como Andam os Investimentos? Taxa de investimento (e poupança) tem se situado em torno de 18 a 19% do PIB a preços correntes. A preços constantes, o investimento total caiu de um pico de 23% do PIB nos anos setenta para em torno de 15% a partir dos anos 90, insuficiente para cobrir a depreciação do estoque de capital físico e provocar forte crescimento Por que a alta taxa dos anos setenta não implicou alto crescimento nos anos oitenta e noventa? Investimento e produtividade estão intimamente relacionados. Não basta só investir. É preciso investir bem.

9 O Brasil não sai bem na foto: Poupança (Média 1995/00) e Dívida Pública (1999) como % do PIB % Poupança Dívida Públi Brasil Chile China Coréia Tailândia Fonte: Banco Mundial, WDI, 2002

10 Como Aumentar Investimentos e Produtividade? Investimento privado é função do retorno x risco esperados e da disponibilidade de financiamento Investimento público depende da receita tributária e dos gastos correntes Os dois aumentam com a redução da dívida pública e dos gastos correntes do governo Para reduzir a dívida pública é fundamental manter a política econômica atual de estabilidade macro com elevados superávits primários, preferivelmente através de cortes de gastos

11 Alta Volatilidade Não Tem Sido Compensada Por Maior Retorno S&P x IBOVESPA (Índice, US$) S&P IBOVESPA I III 1996 I III 1997 I III 1998 I III 1999 I III 2000 I III 2001 I III 2002 I III 2003 I III

12 Por que manter altos superávits primários? Para reduzir a dívida interna e, conseqüentemente: Reduzir vulnerabilidade percebida em função de sua dinâmica Reduzir volatilidade da economia em períodos de crise Reduzir os prêmios de risco e facilitar a rolagem externa Reduzir as taxas de juros relevantes para investimento Abrir caminho para financiamentos ao setor privado, reduzindo o crowding out Permitir o desenvolvimento de mercados financeiros e de capitais efetivos para todos e não somente para os clientes do BNDES (TJLP x SELIC)

13 Dívida e Câmbio Dívida e Câmbio Dívida Líquida/PIB e Câmbio % R$/US$ Dívida Líquida / PIB Taxa de Câmbio

14 Privilégio para Alguns, Mercado para os Demais Privilégio para Alguns, Mercado para os Demais TJLP e SELIC TJLP SELIC 3T2000 4T2000 1T2001 2T2001 3T2001 4T2001 1T2002 2T2002 3T2002 4T2002 1T2003 2T2003 3T2003 4T2003 1T2004 2T2004 3T2004 %

15 Logo, É Fundamental Continuar a Reduzir a Dívida Dívida Pública Líquida Harmonizada* / PIB (%) Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago * Dívida Líquida excluída a Base Monetária

16 Como anda o ambiente de negócios no Brasil? Carga tributária alta e assimétrica Mercados Financeiros e de Capitais incipientes. Financiamento escasso e a custos elevados (altos spreads ) Informalidade junto com leis trabalhistas restritivas Direitos de propriedade e contratuais pouco efetivos Alta burocracia e regulamentação desfavorável Alta volatilidade macro; instabilidade das regras do jogo Infra-estrutura precária; logística cara

17 Conseqüência: Dificuldade de acesso e para o empreendedorismo Tendência à concentração para ganhar escala e poder concorrer com informalidade Restrições ao emprego formal Alto nível de sonegação Ambiente pouco meritocrático Modelo concentrador de renda Investimento tem de oferecer alto retorno para compensar custos e incerteza Reduz acumulação de capital e nível de produtividade na economia

18 Conclusão: Para retomar o crescimento é preciso uma combinação de manutenção da política econômica atual com reformas Política econômica é condição necessária, mas não suficiente para acelerar o crescimento. Sozinha não permitirá taxas acima de 4 a 5% ao ano, com risco de recaídas populistas e experimentos heterodoxos Reformas e agenda micro, embora difíceis e lentas, aumentam a taxa de crescimento e geram ciclo virtuoso, dando mais sustentação à política macro Acordos internacionais tipo ALCA e com a Comunidade Européia, se suficientemente abrangentes podem atuar como âncora, também ajudando a sustentar tanto a política macro quanto as reformas. Não têm tido a prioridade necessária em nossa política externa.

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