O TRABALHO COMO PRINCÍPIO EDUCATIVO. Reflexões sobre as dimensões teórico-metodológicas da educação profissional

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1 O TRABALHO COMO PRINCÍPIO EDUCATIVO Reflexões sobre as dimensões teórico-metodológicas da educação profissional

2 O louco No pátio de um manicômio encontrei um jovem com rosto pálido, bonito e transtornado. Sentei-me junto a ele sobre a banqueta e lhe perguntei: - Por que você está aqui? Olhou-me com olhar atônito e me disse: - É uma pergunta pouco oportuna a tua, mas vou respondê-la. Meu pai queria fazer de mim um retrato dele mesmo, e assim também meu tio. Minha mãe via em mim a imagem de seu ilustre genitor. Minha irmã me apontava o marido, marinheiro, como o modelo perfeito para ser seguido. Meu irmão pensava que eu devia ser idêntico a ele: um vitorioso atleta. E mesmo meus mestres, o doutor em filosofia, o maestro de música e o orador, eram bem convictos: cada um queria que eu fosse o reflexo de seu vulto em um espelho. Por isso vim para cá. Acho o ambiente mais sadio. Aqui pelo menos posso ser eu mesmo. (Kahlil Gibran. Para além das palavras)

3 NOVOS DESAFIOS Novo projeto político-pedagógico: Tomar o trabalho como princípio educativo, articulando ciência, tecnologia, trabalho e cultura a partir da realidade do mundo do trabalho: nadar contra a corrente (mudança do eixo do mercado de trabalho para a formação do indivíduo); Integração entre ciência e tecnologia como determinante da integração entre educação básica e profissional: na perspectiva da qualidade Integração entre conhecimento científico e prática social, entre teoria e ação, na perspectiva da práxis.

4 O mundo do trabalho: novas demandas Dinamicidade da produção em Ciência e Tecnologia. Nova base técnica de produção:microeletrônica. Ausência de projeto de futuro Reconhecimento da diversidade e dos direitos Novas demandas para a educação

5 Novas demandas para a Educação: enfrentando as contradições Concepção de competência: Enfrentar situações não previstas Apresentar competência comunicativa, raciocínio lógico-formal, capacidade crítica, uso da ciência para resolver problemas, transferibilidade, trabalho em equipe, relações humanas. Formação de subjetividades flexíveis x valores permanentes: Lidar com a incerteza, com a intensificação, com a precarização, com a volatilidade, com a fragmentação, com o presentismo.

6 O que se defende Formação que tome como: ponto de partida: as demandas de uma sociedade cuja lógica é o desenvolvimento da Ciência, da Tecnologia e da Cultura de forma acelerada para atender às demandas da acumulação flexível. ponto de chegada: as demandas sociais, tendo em vista a emancipação humana: democratização do conhecimento e das oportunidades de trabalho e participação social.

7 O que precisamos Percursos formativos que articulem o conhecimento: dos fundamentos científicos das tecnologias das ciências da comunicação das políticas e das formas de gestão do sistema social e produtivo: dimensões sóciohistóricas da filosofia da ciência, com destaque para a epistemologia: conhecimento, método, relação parte/totalidade, teoria/prática, disciplinaridade/transdisciplinaridade

8 O que, na prática, significa... Substituir o saber fazer pela compreensão dos processos; Substituir a repetição/memorização pela capacidade para usar a ciência de forma criativa para resolver problemas novos; Desenvolver as capacidades comunicativas e cognitivas com ênfase no domínio das linguagens e do raciocínio lógico-formal;

9 Formação Tecnológica Básica como eixo do currículo Ao propor a formação tecnológica básica como eixo do currículo, a LDB assume a concepção que a aponta como a síntese entre o conhecimento geral e o específico, determinando novas formas de selecionar, organizar e tratar metodologicamente os conteúdos.

10 Formação Tecnológica Básica como eixo do currículo Esta concepção toma o conceito de trabalho como práxis humana, ou seja, como o conjunto de ações, materiais e espirituais, que o homem, enquanto indivíduo e humanidade, desenvolve para transformar a natureza, a sociedade, os outros homens e a si próprio com a finalidade de produzir as condições necessárias à sua existência. Deste ponto de vista, toda e qualquer educação sempre será educação para o trabalho.

11 Formar o cidadão/trabalhador de novo tipo? O intelectual trabalhador, ou, no dizer de Gramsci, o verdadeiro dirigente, nem só especialista e nem só político; Expressão de um novo equilíbrio entre o desenvolvimento das capacidades de atuar praticamente e de trabalhar intelectualmente.

12 Como promover nova relação com o conhecimento sistematizado? Relacionando teoria e prática; Enfrentando critica e criativamente, com base no conhecimento e na cultura, os problemas sociais; Desenvolvendo competências cognitivas complexas: comunicativas e domínio da lógica formal; Lidando com a incerteza; Adaptando-se a novas situações; Resistindo ao stress; Estudando continuamente

13 Ensino Unitário? A unitariedade será assegurada pela sua finalidade, que expressa o compromisso com a igualdade de direitos, não como um atributo formal, assegurado pela legislação, mas como uma conquista real, processo histórico de destruição das desigualdades, que se dá através da atividade real dos homens, da qual a escola participa.

14 PEDAGOGIA DO TRABALHO: PRINCÍPIOS A dinamicidade da produção científico tecnológica privilegia a relação entre o que precisa ser conhecido e o caminho a ser trilhado para conhecer: entre conteúdo e método na perspectiva da construção da autonomia intelectual e ética.

15 PEDAGOGIA DO TRABALHO: PRINCÍPIOS O homem só conhece aquilo que é objeto de sua atividade e porque atua praticamente: conhecer não é confrontar pensamentos. A realidade, os processos, só são conhecidos quando criados, reproduzidos no pensamento, adquirindo significado através da relação sujeito/objeto. O aluno é o protagonista do seu próprio conhecimento: organizar múltiplas atividades.

16 PEDAGOGIA DO TRABALHO: PRINCÍPIOS A prática não fala por si mesma: os fatos ou fenômenos, para serem compreendidos, precisam do trabalho intelectual. Este processo não é apenas racional; intervém afetos, sentimentos, valores, emoções. Se bem conduzido, pode ser prazeroso.

17 PEDAGOGIA DO TRABALHO: PRINCÍPIOS PONTO DE PARTIDA: prática social enquanto totalidade de relações sociais e produtivas; o processo de trabalho como objeto do curso; práxis: enfrentar situações novas, usando o conhecimento.

18 PEDAGOGIA DO TRABALHO: PRINCÍPIOS INTEGRAR CONHECIMENTOS: científicos tecnológicos sócio-históricos das linguagens de gestão CAPACIDADES: trabalho intelectual atividade prática comunicação ética

19 PEDAGOGIA DO TRABALHO: PRINCÍPIOS RELACIONAR PARTE E TOTALIDADE Para conhecer é preciso operar uma cisão no todo, isolando temporariamente os fatos para conhecê-los em sua especificidade. Estes fatos, ao ser conhecidos, serão reunificados, levando a uma compreensão ampliada do todo, que ao mesmo tempo determina e é determinado pela relação dinâmica entre as partes; A totalidade é movimento; conhecer os fluxos; superar a linearidade; desenvolver as capacidades de análise e síntese.

20 PEDAGOGIA DO TRABALHO: PRINCÍPIOS RELACIONAR TEORIA E PRÁTICA: ao conhecer, o pensamento transita continuamente entre o abstrato e o concreto na prática;o conhecimento é fruto da atividade humana: organizar múltiplas atividades; partir do conhecido, do simples; desenvolver a capacidade de construir o caminho;

21 PEDAGOGIA DO TRABALHO: PRINCÍPIOS Relacionar disciplinaridade e inter ou transdisciplinaridade: Disciplina: área do conhecimento que apresenta generalização simbólica,uma metodologia e objetos que estuda; autonomia; rigidez. Muldisciplinaridade:trata os objetos a partir de múltiplos pontos de vista que não perdem sua identidade disciplinar. Interdisciplinaridade:combinação de conhecimentos de várias áreas que dá origem a novos enfoques. Transdisciplinaridade: unificação do conhecimento, a partir de um problema da prática social.

22 PEDAGOGIA DO TRABALHO: PRINCÍPIOS DISCIPLINARIDADE: ponto de partida: conhecimento formalizado lógica formal TRANSDISCIPLINARIDADE: ponto de partida: realidade lógica dialética resulta do trabalho coletivo supõe conhecimento disciplinar

23 Para pensar sobre o trabalho docente... O mestre aponta o caminho e os medíocres olham para o seu dedo. (Antônio GRAMSCI)

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