SERVIÇO SOCIAL E TRABALHO INTERDISCIPLINAR

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1 SERVIÇO SOCIAL E TRABALHO INTERDISCIPLINAR Fátima Grave Ortiz é assistente social, mestre e doutora em Serviço Social pela UFRJ. É professora da Escola de Serviço Social da mesma universidade, e compõe o Núcleo de Estudos e Pesquisa sobre os Fundamentos do Serviço Social na Contemporaneidade NPFSSC. Foi conselheira do CRESS/7ª Região nas gestões e

2 SERVIÇO SOCIAL E TRABALHO INTERDISCIPLINAR Mundialmente, o Serviço Social apresenta uma vasta experiência junto a equipes compostas por diversos outros profissionais. A participação nas chamadas equipes multidisciplinares foi inaugurada pela inserção da profissão nas instituições socioassistenciais, transcendendo as protoformas do Serviço Social.

3 SERVIÇO SOCIAL E TRABALHO INTERDISCIPLINAR Esta participação tende a acirrar antigos dilemas e tensões, entre os quais podemos destacar: 1. aparente ausência de especificidade da intervenção do assistente social, quando comparado a outros profissionais, fortalecendo a polivalência como estratégia profissional; e 2. subalternização institucionalmente imposta ao fazer cotidiano do profissional.

4 SERVIÇO SOCIAL E TRABALHO INTERDISCIPLINAR Três processos mais amplos interferem diretamente no trabalho do assistente social nas equipes multidisciplinares: 1. Reconfiguração das políticas sociais, amplamente fragmentadas e cada vez mais privatizadas; 2. Precarização das relações de trabalho; e 3. Relativização do conhecimento e desconsideração da perspectiva da totalidade como a síntese das múltiplas determinações -> expressões ideoculturais fudamentadas na pós-modernidade.

5 CONCEITOS E PERSPECTIVAS Experiências multidisciplinares ou multiprofissionais: práticas ambulatoriais convencionais, onde profissionais de diferentes áreas trabalham isoladamente, em geral sem cooperação e trocas de informações entre si... (VASCONCELOS, apud ORTIZ, 2010) Práticas pluridisciplinares: os casos são discutidos pelos profissionais que o acompanham, ou acontecem reuniões da equipe técnica, para avaliar e planejar as ações.

6 CONCEITOS E PERSPECTIVAS Interdisciplinaridade auxiliar: utilização de contribuições de uma ou mais disciplinas para o domínio de uma disciplina específica já existente, que se posiciona como campo receptor e coordenador das demais (VASCONCELOS, apud ORTIZ, 2010) CLARA RELAÇÃO DE PODER, ATRAVÉS DA HIERARQUIZAÇÃO DOS SABERES E RESTRIÇÃO DO DIÁLOGO ENTRE OS PROFISSIONAIS E SUAS PRÁTICAS.

7 CONCEITOS E PERSPECTIVAS Práticas interdisciplinares: recombinação dos elementos internos de cada profissão, onde existe uma aprendizagem mútua, com relações horizontais entre os campos implicados. Transdisciplinaridade: radicalização do nível anterior, com a criação de um campo teórico, operacional ou disciplinar de tipo novo e mais amplo (VASCONCELOS, apud ORTIZ, 2010), rompendo com a hierarquização dos saberes e práticas e democratizando as relações de poder.

8 CONCEITOS E PERSPECTIVAS Vasconcelos aponta alguns entraves para a realização de práticas interdisciplinares: 1. inserção na divisão social e técnica do trabalho; 2. mandato institucional sobre um saber específico; 3. institucionalização forma das profissões; e a 4. constituição de uma determinada cultura profissional. A identidade profissional gera segurança e status ao profissional, e por isso as categorias tendem a criarem defesas muito fortes às mudanças.

9 CONCEITOS E PERSPECTIVAS No entanto, Ortiz considera polêmica esta afirmação, e elenca as razões pelas quais os assistentes sociais necessitam afirmar seu projeto ético-político: 1. Opção histórica pela direção de contribuir com a superação da ordem vigente. 2. Reconhecer-se como participante da classe trabalhadora exige a integração em sua luta coletiva.

10 CONCEITOS E PERSPECTIVAS 3. Dentro do Serviço Social brasileiro, aderir a eventuais mudanças pode significar um retorno ao histórico conservadorismo, que marcou a profissão por décadas. 4. Flexibilizar as legislações profissionais, no contexto da contemporaneidade, pode significar a desregulamentação da profissão.

11 CONCEITOS E PERSPECTIVAS É, portanto, o objetivo da lei de regulamentação da profissão distinguir o que cabe exclusivamente ao profissional no enfrentamento das demandas daquilo que também ele é competente para partilhar, e o que se faz com outros profissionais. Tal postura não é corporativa, mas defensora dos interesses e necessidades de quem é usuário das políticas onde majoritariamente o profissional atua. (p. 322)

12 SERVIÇO SOCIAL E INTERDISCIPLINARIDADE A ordem burguesa aprofunda e complexifica a divisão social e técnica do trabalho, acentuando a especialização das diversas práticas e campos do saber. Neste contexto, a interdisciplinaridade se revela como um processo difícil de ser implementado no trabalho em equipe. Entretanto, não se deve flexibilizar as fronteiras profissionais para viabilizar a prática interdisciplinar. Tal prática deve se dar a partir da concepção de pluralismo.

13 SERVIÇO SOCIAL E INTERDISCIPLINARIDADE Atitude plural: compreender que a contribuição do outro profissional tende a fortalecer o meu entendimento e posição acerca de uma determinada situação ou processo de pelo menos dois modos: ampliando-os, na medida em que os enriquece com novos aspectos; ou aprimorando política e tecnicamente meus argumentos para defendê-los. (p. 329)

14 SERVIÇO SOCIAL E INTERDISCIPLINARIDADE Para Ortiz, o trabalho interdisciplinar possibilita a interlocução entre os diversos saberes e práticas, considerando as particularidades de cada profissão. E para que isso aconteça é necessário que cada profissional da equipe compreenda com exatidão a intervenção de cada membro da equipe.

15 PARTICULARIDADES DA PROFISSÃO Formação generalista, que permite atuar em diversos campos saúde, assistência, previdência, etc. Entender a realidade com a qual trabalha, na perspectiva da totalidade como uma síntese das múltiplas determinações. Analisar processos estruturais e conjunturais, no sentido de buscar a reação política e a formulação de projetos.

16 PARTICULARIDADES DA PROFISSÃO Reconhecer-se como integrante da classe trabalhadora, e por isso considerar os trabalhadores como aliados possíveis. Conectar a demanda singular, trazida pelo usuário, a uma dinâmica estrutural e sócio-histórica mais ampla. O trabalho interdisciplinar não pode desconsiderar os marcos regulatórios das profissões envolvidas.

17 PARTICULARIDADES DA PROFISSÃO Estes marcos regulatórios, que devem fundamentar e conduzir a intervenção do assistente social em qualquer política ou área de intervenção, formalizam o conjunto de elementos, tratados anteriormente, que dizem respeito às particularidades do trabalho profissional e do perfil de profissional que precisamos consolidar e defender crítico diante da realidade, criativo diante das dificuldades e limites institucionais, competente do ponto de vista teórico e interventivo, comprometido com determinados princípios e valores ético-políticos. (p. 332)

18 REFERÊNCIA ORTIZ, F. G. Serviço Social e Trabalho Interdisciplinar. In: MOTA, A. E. (Org). As ideologias da contrarreforma e o Serviço Social. Recife: Ed. Universitária da UFPE, 2010.

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