O SERVIÇO SOCIAL E A PRÁTICA PROFISSIONAL NA CASA DA ACOLHIDA

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1 O SERVIÇO SOCIAL E A PRÁTICA PROFISSIONAL NA CASA DA ACOLHIDA LEMOS, Josiane (estágio I), SANTOS, Lourdes de Fátima dos (estágio I). SCHEMIGUEL, Erika (supervisora), OLIVEIRA, Maria Iolanda de, (orientadora), Palavras-chave: Risco pessoal e social, Proteção Social, Acolhimento. Resumo: O Serviço Social na Casa da Acolhida trabalha com acolhimento temporário de pessoas em situação de rua e/ou moradores de rua, migrantes e itinerantes, em situação de risco pessoal e/ou social, visando a promoção pessoal e social dos indivíduos, bem como sua autonomia através da elevação da auto-estima e resgate de seus valores. Tem-se como objetivo possibilitar a informação e o acesso dos usuários a bens e serviços disponíveis no município pelas demais políticas públicas; contribuir para o processo de reinserção social e comunitária e a reconstrução dos vínculos familiares. O presente trabalho tem por objetivo apresentar quem são os usuários que passam pela instituição, as atividades desenvolvidas no referido campo e como o Serviço Social atua nesse campo de estágio. Introdução A casa da Acolhida é uma entidade filantrópica, com o objetivo de acolhimento temporário para pessoas em situação de rua, de ambos os sexos, na faixa etária entre 18 a 60 anos, desabrigados por abandono, migração, violência, ausência de residência ou pessoas em trânsito e sem condições de autosustento, todos em geral apresentando um longo e triste histórico de vida. As pessoas que utilizam as ruas como espaço de moradia e/ou sobrevivência e apresentam essas situações por problemas familiares, preconceito, falta de acesso à condições mínimas necessárias para sobreviver são encaminhadas principalmente pelo Centro de Referência Especializado da Assistência Social para População em situação de Rua CREAS - POP, pela Guarda Municipal e outros órgãos públicos. Oferecendo pernoite por no máximo três dias, a instituição Casa da Acolhida localiza-se na rua Doralício Corrêa, nº 316 no bairro de Uvaranas e funciona em período integral, inclusive sábados, domingos e feriados. De acordo com a Norma Operacional Básica de Recursos Humanos do SUAS - NOB/RH (2006), a equipe de referência da instituição é composta por 01 (um) Assistente Social para o atendimento de no máximo 20 usuários acolhidos.

2 2 A Assistência Social é reconhecida como política pública e faz parte da Seguridade Social e configura-se como política de Proteção Social. Proteção Social é um conjunto de ações que visa o acesso a serviços e benefícios sociais ofertados pelo Sistema Único de Assistência Social com intuito de enfrentar situações de risco pessoal e social, está divida em proteção básica e proteção especial de Média e Alta Complexidade. A Proteção Social Especial de Alta Complexidade tem como objetivo a oferta de serviços que garantam a segurança de acolhida a indivíduos e/ou famílias em situação de abandono e/ou com vínculos familiares e comunitários rompidos. A Casa da Acolhida insere-se então na modalidade da Proteção Social Especial de Alta Complexidade, têm caráter de abrigo temporário com o objetivo de acolher as pessoas em situação de rua, proporcionando condições para promoção pessoal e social dos indivíduos. Relato da Prática Profissional O Serviço Social inicia na instituição apenas em 2009, em cumprimento à determinação da Secretaria Municipal da Assistência Social para que as ações estivessem a partir deste momento em conformidade com a Política Nacional da Assistência Social PNAS/2004. Desde então o abrigado é tratado como cidadão de direito e os serviços prestados não partem mais da ótica assistencialista. A população atendida pelo Serviço Social é a mesma atendida pela instituição, a qual através da assistente social é acolhida na instituição. O profissional de Serviço Social desempenha sua função baseando-se em conhecimentos específicos adquiridos na vida acadêmica e profissional. Faz uso de instrumentais como: entrevistas, encaminhamentos, reuniões, atividades em grupos. A escuta e a entrevista social que são realizadas com todos que ingressam na instituição para abrigamento proporcionam a aproximação e o estabelecimento de vínculo de confiança do profissional com este indivíduo, na medida em que o assistente social o compreende como sujeito de direitos, levando-o a refletir sobre seu projeto de vida. Observa-se durante o atendimento, que o usuário sente necessidade de falar, o que muitas vezes está associado ao sentimento de baixa autoestima. Quanto aos encaminhamentos estes são realizados à Companhia Municipal de Habitação PROLAR para cadastro de aquisição de moradia, ao Centro de

3 3 Atenção Psicossocial Álcool e Drogas CAPS AD, ao INSS para concessão de benefícios e aposentadorias, aos hospitais e postos de saúde para tratamento médico e/ou odontológico, às comunidades terapêuticas da região de Ponta Grossa para o tratamento de usuários drogadidos e às Instituições de Longa Permanência ILPI para usuários idosos. Também aos postos de identificação da Polícia Civil, Fórum Eleitoral, para a realização de documentos, ressaltando que os pedidos de segunda via da certidão de nascimento são viabilizados pelo Centro de Referência Especializado da Assistência Social para População em situação de Rua CREAS POP. E ainda para aquisição de passagens para usuários que buscam o retorno à cidade de origem. O Serviço Social desenvolve ações com o objetivo de reinserir esse indivíduo novamente na família e comunidade, proporcionando a construção de projetos de vida respeitando as escolhas individuais de cada um. Para que se possa entender a causa de determinadas problemáticas, onde no caso da pessoa em situação de rua aparece vinculada a fatores econômicos e sociais, o assistente social tem sua prática fundamentada teoricamente pelos conhecimentos adquiridos ao longo da formação acadêmica, sendo que neste espaço ocupacional, o materialismo histórico dialético é a teoria que lhe permite ter uma visão histórica sobre a condição dos sujeitos, compreendendo-a como uma realidade complexa e determinada por múltiplos fatores. Para além do respaldo teórico, há que se conhecer e pautar as ações na legislação vigente da Política de Assistência Social (LOAS, PNAS, NOB/SUAS, Tipificação Nacional dos Serviços Sócioassistenciais, Decretos, Resoluções, Normas Ténicas e outras), na Política Nacional para Inclusão Social da População em Situação de Rua, na Lei 8.662/93 que regulamenta a Profissão do assistente social e no Código de Ética Profissional. Desta forma, o profissional pode garantir ao usuário informações e orientações corretas assegurando ao usuário acesso aos direitos garantidos por lei, respeitando suas decisões mesmo que estas sejam diferentes e contrárias aos valores individuais do profissional. Resultados e Discussão Conhecer a realidade da população com a qual se trabalha é fundamental para que os objetivos sejam alcançados e os resultados efetivos. No entanto, o

4 4 trabalho com a população em situação de rua é complexo e difícil. Frente à problemática das drogas presente na vida de alguns sujeitos, o assistente social na realidade do município, fica impossibilitado de atingir por completo as mudanças na vida desse usuário, por falta de aparato público no que diz respeito a serviços e programas de tratamento da dependência química. Algumas ações têm alcançado êxito frente a essa população vitimizada de tantas maneiras, sendo que em alguns casos há retomada da atividade produtiva com geração de renda que garante o autosustento. No atendimento imediato a instituição oferta condições de higiene, vestuário, abrigo, alimentação, porém para além da atenção às necessidades imediatas intervém promovendo condições mais diretas na qualidade de vida dos usuários, permitindo aos mesmos criarem perspectivas de futuro e projetos de vida. A ação profissional se dá de forma articulada à rede de serviços socioassistenciais, conseguindo desta forma, em alguns casos, o resgate de vínculos familiares e comunitários e a autonomia para a vida independente. Na busca do alcance dos objetivos do Serviço Social na instituição, também é desenvolvido projetos de capacitação para os funcionários e trabalho com grupos com os usuários através dos projetos de intervenção executados pelas acadêmicas de Serviço Social sob a orientação e acompanhamento da assistente social. Considerações Finais Pela observação no estágio realizado na instituição, evidencia-se que o Serviço Social na Casa da Acolhida ainda não consegue atingir toda a população que se encontra em situação de rua, apesar dos esforços em promover esses sujeitos. O Serviço Social se apresenta de maneira positiva na vida da população usuária, e o assistente social ao prestar informação, orientação e assegurar o acesso dos usuários a bens e serviços disponíveis no município pelas demais Políticas Públicas, proporciona condições para a promoção pessoal e social dos indivíduos, a autonomia, a elevação da autoestima e do resgate de seus valores, como também possibilita a reconstrução dos vínculos familiares e comunitários contribuindo para o processo de reinserção social. Tem-se como desafios superar o viés do assistencialismo, sendo a instituição desde a sua origem marcada pelos princípios da ajuda, caridade e

5 5 filantropia; desmistificar a idéia que a sociedade têm da população de rua, como mendigos, desocupados, preguiçosos e aproveitadores, bem como o reduzido número de equipamentos sociais existentes no município voltados para o atendimento específico a essa população. Referências BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Conselho Nacional de Assistência Social. Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais. Brasília BRASIL. Política Nacional para Inclusão da População em Situação de Rua. Brasília, LEMOS, Josiane; SANTOS, Lourdes de Fátima dos. Caracterização Casa da Acolhida, Ponta Grossa, BRASIL. Norma Operacional Básica NOB/RH. Brasília, Disponível em: < acesso em: Outubro de 2013>. BRASIL. Política Nacional da Assistência Social. Brasília, 2004.

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