CENTRO DE REFERÊNCIA ESPECIALIZADO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL NO MUNÍCIPIO DE PALMEIRA-PR

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1 CENTRO DE REFERÊNCIA ESPECIALIZADO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL NO MUNÍCIPIO DE PALMEIRA-PR RODRIGUES, Tatielle Adams (estagio I); RIFFERT, Gracieli Aparecida (supervisora), OLIVEIRA, Maria Iolanda (orientadora), Palavras-chave: Assistência Social, Direitos violados, Prática Profissional. Resumo: O presente trabalho tem por objetivo expor sobre o Centro de Referência de Assistência Social (CREAS) implantado no município de Palmeira PR, de modo a identificar as disposições legais que o norteiam, bem como as demandas que se põem para o trabalho a ser realizado. Sendo que o CREAS atua junto a indivíduos e famílias que têm seus direitos violados e\ou ameaçados, para os serviços ofertados no mesmo, tem-se como objetivos: fortalecer a função protetiva da família; potencializar subsídios para o enfrentamento da situação vivenciada e reconstrução dos vínculos familiares e comunitários; bem como proteger o indivíduo dos agravamentos e da institucionalização, frente à violência, é de suma importância compreender como se dá esta atuação junto aos usuários como também qual é o papel do assistente social nas ações desenvolvidas como profissional integrante da equipe de referência. Introdução Em 2010, houve a necessidade de um reordenamento da política de assistência social no município de Palmeira - PR, a fim de organizá-la em conformidade com a Política Nacional de Assistência Social PNAS. E a partir da implementação do Sistema Único de Assistência Social SUAS, o qual configura-se como o novo reordenamento da política de assistência social na perspectiva de promover maior efetividade de suas ações, tem-se a partir deste novo desenho da assistência social a flexibilidade para adequações locais. Sendo assim, ocorreu a divisão do Órgão Gestor em departamentos de Proteção Social, sendo eles de Proteção Social Básica (proteção voltada à prevenção de situações de risco pessoal e social, fortalecendo a potencialidade das famílias e indivíduos) e de Proteção Social Especial (proteção voltada à famílias e indivíduos com situação de risco pessoal e social). Neste contexto, segundo o Ministério de Desenvolvimento Social e Combate a fome a proteção social especial tem por finalidade proteger as vitímas de violências, agressões e as pessoas com contingências pessoais e sociais, de modo a que ampliem a sua capacidade para enfrentar com autonomia os revezes da vida pessoal e social; monitorar e reduzir a ocorrência de riscos, seu agravamento ou sua

2 2 reincidência; desenvolver ações para eliminação/redução da infringência aos direitos humanos e sociais. Sendo então que os serviços da proteção especial caracterizam-se por níveis de média e alta complexidade, que devem ser oferecidos de forma continuada a cidadãos e famílias em situação de risco pessoal por ocorrências de negligência, abandono, ameaças, maus tratos, violência físicas e psíquicas, discriminações sociais e infringência aos direitos humanos e sociais. Segundo a Política Nacional de Assistência Social: A realidade brasileira nos mostra que existem famílias com as mais diversas situações socioeconômicas que induzem à violação dos direitos de seus membros, em especial, de suas crianças, adolescentes, jovens, idosos e pessoas com deficiência, além da geração de outros fenômenos como, por exemplo, pessoas em situação de rua, migrantes, idosos abandonados. (PNAS/2004, p. 36) Desta forma o CREAS, como integrante do SUAS, deve se constituir como pólo de referência, coordenador e articulador da proteção especial de média complexidade, sendo responsável pela oferta de orientação e apoio especializado e continuado de assistência social a indivíduos e famílias com seus direitos violados, mas sem rompimento dos vínculos. Nesse sentido o CREAS representa uma estratégia de defesa, uma nova possibilidade de atendimento especializado que visa garantir a proteção e efetivação dos direitos humanos, reduzindo danos à condição e qualidade de vida. Então o CREAS deve articular os serviços de média complexidade e operar a referência e a contra-referência com a rede de serviços socioassistencias da proteção social básica e especial, com as demais políticas públicas e demais instituições que compõe o Sistema de Garantia de Direitos e movimentos sociais. Em conformidade com os dispositivos legais sobre a operacionalização da política e do SUAS, de que o CREAS constitui-se numa unidade pública estatal, de prestação de serviços especializados e continuados a indivíduos e famílias com seus direitos violados, promovendo esforços, recursos e meios para enfrentar a dispersão dos serviços e potencializar a ação para seus usuários, o CREAS do município de Palmeira PR implantado em 2010, está situado à Rua Juvenal Marcondes Zanardine, 112, tem uma equipe composta por duas assistentes sociais, uma psicóloga, uma agente social, uma serviços gerais, um motorista e uma estagiária de serviço social, funciona de segunda a sexta-feira das 13horas às 17horas prestando atendimento a pessoas itinerantes, a mulheres vítimas de

3 3 violência,, crianças e adolescentes, deficientes físicos e idosos, como também atua junto as medidas sócio educativas de Prestação de Serviço Comunitário e Liberdade Assistida a adolescentes que cometeram ato infracional. Relato da Prática Profissional De acordo com a Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais o CREAS deve ofertar atenções na ocorrência de situações de risco pessoal e social por ocorrência de negligência, abandono, ameaças, maus tratos, violência física\psicológica\sexual, discriminações sociais e restrições a plena vida com autonomia e exercícios das capacidades, prestando atendimento prioritário a crianças, adolescentes e suas famílias nas seguintes situações: Crianças e adolescentes vitimas de abuso e exploração sexual: Crianças e adolescentes vitimas de violência doméstica: Crianças e adolescentes que estejam sob medida de proteção ou medida pertinente aos pais e responsáveis : Crianças e Adolescentes em cumprimento da medida de proteção em abrigo ou família acolhedora, e após o cumprimento da medida, quando necessário suporte à reinserção sócio-familiar: Adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa de Liberdade Assistida e Prestação de Serviços à Comunidade: Adolescentes e jovens após o cumprimento de medida socioeducativa de Internação Restrita, quando necessário suporte à reinserção sócio-familiar. Violência contra Idosos, Deficientes Físicos e Mulheres vitímas de violência doméstica Lei Maria da Penha. O CREAS tem como finalidade desenvolver trabalho capacitado para o público alvo referenciado seja esse: crianças e adolescentes que sofreram abuso sexual, exploração sexual, maus tratos, mulheres vítimas de violência doméstica, adolescentes em cumprimento de medidas sócio educativas de Prestação de Serviços a Comunidade e Liberdade Assistida, crianças e adolescentes em medida de proteção em abrigos ou entidades, atendimento especializado a vítimas de violência e suas famílias (idosos, pessoas portadoras de deficiência, entre outros). O CREAS do município de Palmeira atende adolescentes em cumprimento de Medidas Sócio Educativas, Mulheres vitimas de violência doméstica e familiar,

4 4 como violência física, psicológica, sexual e negligência contra idosos, crianças, adolescentes e deficientes físicos. Resultados e Discussão O trabalho dos profissionais de serviço social no CREAS é de grande importância, devido estes profissionais trabalharem com as expressões da questão social que segundo Iamamoto e Carvalho (1983, p. 77) Não é senão as expressões do processo de formação e desenvolvimento da classe operária e de seu ingresso no cenário político da sociedade, exigindo seu reconhecimento como classe por parte do empresariado e do Estado. É a manifestação, no cotidiano da vida social, da contradição entre o proletariado e a burguesia, a qual passa a exigir outros tipos de intervenção mais além da caridade e repressão. A prática do assistente social está pautada no Código de Ética Profissional dos Assistentes Sociais (Res. CEFESS nº 273/93) e na lei que regulamenta a profissão de assistente social (Lei nº /93), a qual no artigo 4ª dispõe como competências do assistente socia I - elaborar, implementar, executar e avaliar políticas sociais junto a órgãos da administração pública, direta ou indireta, empresas, entidades e organizações populares; II - elaborar, coordenar, executar e avaliar planos, programas e projetos que sejam do âmbito de atuação do Serviço Social com participação da sociedade civil; III - encaminhar providências, e prestar orientação social a indivíduos, grupos e à população; V - orientar indivíduos e grupos de diferentes segmentos sociais no sentido de identificar recursos e de fazer uso dos mesmos no atendimento e na defesa de seus direitos; VI - planejar, organizar e administrar benefícios e Serviços Sociais; VII - planejar, executar e avaliar pesquisas que possam contribuir para a análise da realidade social e para subsidiar ações profissionais; VIII - prestar assessoria e consultoria a órgãos da administração pública direta e indireta, empresas privadas e outras entidades, com relação às matérias relacionadas no inciso II deste artigo; IX - prestar assessoria e apoio aos movimentos sociais em matéria relacionada às políticas sociais, no exercício e na defesa dos direitos civis, políticos e sociais da coletividade; X - planejamento, organização e administração de Serviços Sociais e de Unidade de Serviço Social; XI - realizar estudos sócio-econômicos com os usuários para fins de benefícios e serviços sociais junto a órgãos da administração pública direta e indireta, empresas privadas e outras entidades. (Lei nº /93) Sendo assim, o profissional de serviço social deve ter conhecimento de seu campo de atuação, bem como dos usuários e suas demandas que requisitam seu atendimento a fim de alicerçado no marcos legais da política de assistência social e

5 5 da profissão, atuar de assegurar a qualidade das ações de proteção e a efetividade da restauração dos direitos ameaçados e violados. CREAS representa uma estratégia de defesa, uma nova possibilidade de atendimento especializado que visa garantir a proteção e efetivação dos direitos humanos, reduzindo danos à condição e qualidade de vida. Considerações/Notas Conclusivas A partir do aparato legal vigente, verifica-se que o CREAS como modalidade de atendimento assistencial, constitui-se num importante serviço, que se destina ao enfrentamento às situações de violação de direitos e a restituição dos vínculos familiares e comunitários, e para, além disto, tem o papel de coordenar e fortalecer a articulação dos serviços, a rede socioassistencial e as demais políticas públicas do município. Destaca-se, assim a prática do assistente social voltada para assegurar aos usuários o acesso aos serviços de proteção a partir dos conhecimentos teóricos. Ressalta-se também que o estágio curricular nesse campo propicia a interlocução dos conhecimentos adquiridos nas disciplinas com a realidade social mais ampla. Finalizando, evidencia-se que a prática do estagiário junto aos profissionais do CREAS possibilita a compreensão das demandas postas à profissão e aos profissionais, bem como as possibilidades e desafios a serem superados no atendimento aos usuários do CREAS. Referências BRASIL.Código De Ética Do Assistente Social, Resolução CFESS n. 273, BRASIL. Lei nº. 8662, de 7 de junho de Dispõe sobre a profissão de Assistente Social e dá outras providências. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília. BRASIL, Tipificação Nacional dos Serviços Socioassistenciais Resolução nº 109, de 11\11\2009, Conselho Nacional de Assistência Social, BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate á Fome. Política Nacional de Assistência Social. Brasília: IAMAMOTO, Marilda Vilela; CARVALHO, Raul. Relações Sociais e Serviço Social no Brasil: esboço de uma interpretação histórico-metodológica. São Paulo, Cortez, 1983.

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