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1 TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO VARA CENTRAL DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA A MULHER SP Projeto: DE MÃOS DADAS COM A REDE Introdução A violência doméstica e familiar contra a mulher é um fenômeno multicausal, cujas conseqüências vão além dos danos físicos e materiais que demandaram, em um primeiro momento, o registro de um boletim de ocorrência. As situações vexatórias, humilhantes e de grande sofrimento a que a mulher, vítima de violência doméstica e familiar, é submetida podem comprometer ou mesmo inviabilizar todo um projeto de vida, além de afetar aqueles identificados como vítimas indiretas desse ato ofensivo: filhos(as), pais, demais familiares, dentre outras pessoas do convívio. Observa-se, ainda, que o sentimento de solidão vivenciado por essas mulheres é muito grande e decorre, na maioria dos casos, da vergonha para compartilhar aquilo que durante muito tempo era considerado normal dentro de um contexto familiar, que colocava a mulher em uma posição de submissão ao homem. No entanto, a máxima em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher foi quebrada com a promulgação da Lei Maria da Penha (Lei , de 07 de agosto de 2006), que tem por objetivos eliminar e prevenir todas as formas de violência doméstica e familiar contra a mulher. O artigo 8º da referida lei, contemplando exatamente a dimensão do sofrimento e dos danos que a violência doméstica e familiar provoca, determina: A política pública que visa coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher far-se-á por meio de um conjunto articulado de ações da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e de ações Não Governamentais, tendo por diretrizes: 1

2 I- A integração operacional do Poder Judiciário, do Ministério Público e da Defensoria Pública, com as áreas de segurança pública, assistência social, saúde, educação, trabalho e habitação; (...) A partir de tais diretrizes a Vara Central da Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher, através deste projeto, lança um olhar diferenciado para as conseqüências sofridas pela mulher que vivencia uma situação de violência, buscando, através dos serviços da rede voltados a essa população, fortalecê-la para um novo projeto de vida e ao exercício mais pleno de sua cidadania. Objetivo Este projeto tem como objetivo principal contribuir para que mulher, vítima de violência doméstica e familiar, obtenha melhores condições para retomar sua vida, muitas vezes estagnada pelo ato ofensivo, com vistas ao enfrentamento das dificuldades vividas e sofridas e, consequentemente, ao rompimento do ciclo de violência na dinâmica familiar. Público-alvo Mulheres vítimas de violência doméstica e familiar cujos processos tramitam na Vara Central da Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher e, conforme o caso, outros envolvidos no ato ofensivo. Procedimentos Para a viabilização de tais metas, serão observadas as seguintes etapas: 1ª Etapa: Aproximação com a rede - mapeamento da rede de serviços públicos, da jurisdição desta Vara, voltados à mulher vítima de violência doméstica e familiar (Anexo I); - contato com a rede de serviços para visitas aos equipamentos; - reuniões com os(as) supervisores(as) dos serviços. 2

3 2ª Etapa: Encaminhamento das mulheres à rede de serviços Esta etapa engloba as seguintes ações: - informações a respeito dos recursos disponíveis na rede pública especializada no atendimento às mulheres vítimas de violência doméstica e familiar; - sensibilização para reconhecimento do seu papel na dinâmica familiar e da importância da adesão aos serviços de atendimentos especializados, o que poderá ajudála olhar para si própria e a refletir sobre os objetivos traçados para sua vida. 3ª Etapa: Acompanhamento De mãos dadas com a rede viabiliza-se nesta etapa, através de troca contínua de informações entre as instituições envolvidas, com solicitação de informes periódicos às entidades quanto à adesão e participação das mulheres nos serviços para os quais foram encaminhadas por esta Vara. 4ª Etapa: Avaliação Quantificação dos dados informados pelas instituições parceiras para análise estatística, cujos resultados poderão nortear futuras ações. Juíza de Direito Elaine Cristina Monteiro Cavalcante Vara Central de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher Ilustração disponível em Acesso em 07/08/

4 ANEXO I 4

5 Serviços de Atendimento para Mulheres Vítimas de Violência Doméstica da região da Vara Central da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher 1 Serviços pertencentes e/ou vinculados à Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres, Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social da Prefeitura Municipal de São Paulo e Secretaria de Estado da Saúde: A) Centros de Atendimento para Mulheres Vítimas de Violência Os Centros de Atendimento para Mulheres Vítimas de Violência, da Prefeitura Municipal de São Paulo, são unidades voltadas para a mulher em situação de violência doméstica e familiar. O objetivo é oferecer suporte para as mulheres que sofreram agressões, como também disponibilizar orientações jurídicas para futuras ações legais. Atividades desenvolvidas: Orientação por telefone para mulheres que precisem de apoio e agendamento de atendimento; Prestação de serviço-referência para o acompanhamento da questão da violência de gênero e para a realização dos encaminhamentos necessários a cada problema; Orientação, capacitação e formação de grupos de mulheres para o enfrentamento da violência sexual e doméstica; Encaminhamento para hospitais da rede municipal para atendimento de violência sexual e doméstica, inclusive nos casos de necessidade de cirurgia plástica reparadora. Unidades na jurisdição da Vara Central da Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher: 1) Centro de Referência da Mulher Rua 25 de Março, 205 Centro. Fone: (11) ) Centro de Defesa e de Convivência da Mulher Espaço Francisca Franco Rua Conselheiro Ramalho, 93 Liberdade - Tel: (11) B) Saúde: 1) Hospital Pérola Byington Av. Brigadeiro Luís Antonio, 683 Bela Vista tel: (11) C) Casas Abrigo As Casas Abrigo oferecem atendimento temporário para mulheres em risco de morte. Os endereços são sigilosos para garantir a segurança e integridade física da mulher, que permanece no local por no mínimo 3 meses. O objetivo é oferecer subsídios para que a mulher consiga viver de forma autônoma, sem precisar voltar para a antiga residência. O encaminhamento é feito por meio dos Centros de Referência da Mulher e/ou Delegacias de Defesa da Mulher. 1 Serviços disponíveis em: e Acesso em 30/07/

6 OUTROS RECURSOS Prefeitura Municipal de São Paulo Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social I. Centro de Referência de Assistência Social CRAS 2 O Centro de Referência de Assistência Social CRAS é uma unidade pública estatal de base territorial, localizada em áreas de vulnerabilidade social. Executa serviços de proteção social básica, organiza e coordena a rede de serviços socioassistenciais, locais da política de assistência social. Dada a sua capilaridade nos territórios se caracteriza como principal porta de entrada dos usuários à rede de proteção social do Sistema Único de Assistência Social SUAS. Usuários: Indivíduos e famílias em situação de vulnerabilidade e risco pessoal, que habitam o território de abrangência do CRAS. Objetivo Geral: Prevenir a ocorrência de situações de vulnerabilidade e risco social nos territórios, por meio do desenvolvimento de potencialidades e de aquisições, do fortalecimento de vínculos familiares e comunitários e da ampliação do acesso aos direitos de cidadania. Funcionamento: Segunda a sexta-feira das 8h às 18h. Rede CRAS: Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) na jurisdição da Vara Central da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher: CRAS SÉ Avenida Tiradentes, 749 Tel.: (11) CRAS MÓOCA Rua Henrique Sertório, Tatuapé Tel.: (11) CRAS VILA MARIANA Rua Madre Cabrini, 99 Tel.: (11) CRAS PINHEIROS Rua Mourato Coelho, 104/106 Tel.: (11) CRAS LAPA Rua Caio Graco, 421 Tel.: (11) Disponível em 6

7 Prefeitura Municipal de São Paulo Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social II. Centro de Referência Especializado de Assistência Social - CREAS 3 Caracterização do serviço: Unidade pública onde se ofertam serviços especializados e continuados a famílias e indivíduos nas diversas situações de violação de direitos na perspectiva de potencializar e fortalecer sua função protetiva. Como unidade de referência deve promover a integração de esforços, recursos e meios, articular os serviços de média complexidade, operar a referência e a contra-referência com a rede de serviços socioassistenciais da proteção social básica e especial, com as demais políticas públicas setoriais e órgãos do Sistema de Garantia de Direitos e funcionar em estreita articulação com o Poder Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública, Conselhos Tutelares e outras Organizações de Defesa de Direitos, no intuito de estruturar uma rede efetiva de proteção social. O CREAS oferta acompanhamento técnico especializado desenvolvido por equipe multiprofissional de modo a potencializar a capacidade de proteção da família e favorecer a reparação da situação de violência vívida. A equipe técnica, deve ter acesso aos prontuários e relatórios dos casos atendidos, garantindo o comando e gestão estatal. Usuários: Famílias e indivíduos que vivenciam violação de direitos, dentre eles a violência física, psicológica, sexual, situação de rua, cumprimento de medidas socioeducativas em meio aberto, etc. Formas de Acesso ao Serviço: por identificação e encaminhamento do CRAS, dos serviços de proteção e vigilância social; por encaminhamento de outros serviços socioassistenciais, das demais políticas públicas setoriais, dos demais órgãos do Sistema de Garantia de Direitos e demanda espontânea. Funcionamento: De segunda a sexta-feira, das 8 às 18h. Unidade: Imóvel alugado, cedido ou público. Abrangência: Regional ou distrital Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) na área da Vara Central da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher: 1) CREAS MOÓCA (vinculado a SAS Mooca) Rua Síria, 300 Tatuapé - Tel.: (11) ) CREAS VILA MARIANA (vinculado a SAS Vila Mariana) Rua Madre Cabrini, 99 - Tel.: (11) ) CREAS SÉ (vinculado a SAS Sé) Av. Tiradentes, Tel.: (11) ) CREAS POP BELA VISTA (específico para pessoas em situação de rua/vinculado a SAS Sé) R. Santo Antonio,800 - Bela Vista - Tel.: (11) )CREAS POP BARRA FUNDA (específico para pessoas em situação de rua /pertence a SAS Sé) R. Norma Pieruccini Giannotti, 77 - Barra Funda - Tel.: (11) Disponível em 7

8 Elaine Cristina Monteiro Cavalcante Juíza de Direito da Vara Central da Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher de São Paulo

9 A violência doméstica e familiar contra a mulher é um fenômeno multicausal, cujas consequências vão além dos danos físicos e materiais que demandaram, em um primeiro momento, o registro de um boletim de ocorrência. As situações vexatórias, humilhantes e de grande sofrimento a que a mulher, vítima de violência doméstica e familiar, é submetida podem comprometer ou mesmo inviabilizar todo um projeto de vida, além de afetar aqueles identificados como vítimas indiretas desse ato ofensivo: filhos(as), pais, demais familiares, dentre outras pessoas do convívio.

10 Observa-se, ainda, que o sentimento de solidão vivenciado por essas mulheres é muito grande e decorre, na maioria dos casos, da vergonha para compartilhar aquilo que durante muito tempo era considerado normal dentro de um contexto familiar, que colocava a mulher em uma posição de submissão ao homem. No entanto, a máxima em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher foi quebrada com a promulgação da Lei Maria da Penha (Lei , de 07 de agosto de 2006), que tem por objetivos eliminar e prevenir todas as formas de violência doméstica e familiar contra a mulher.

11 O artigo 8º da referida lei, contemplando exatamente a dimensão do sofrimento e dos danos que a violência doméstica e familiar provoca, determina: A política pública que visa coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher far-se-á por meio de um conjunto articulado de ações da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e de ações Não Governamentais, tendo por diretrizes: I- A integração operacional do Poder Judiciário, do Ministério Público e da Defensoria Pública, com as áreas de segurança pública, assistência social, saúde, educação, trabalho e habitação; (...)

12 A partir de tais diretrizes a Vara Central da Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher, através deste projeto, lança um olhar diferenciado para as consequências sofridas pela mulher que vivencia uma situação de violência, buscando, através dos serviços da rede voltados a essa população, fortalecê-la para um novo projeto de vida e ao exercício mais pleno de sua cidadania.

13 Este projeto tem como objetivo principal contribuir para que a mulher, vítima de violência doméstica e familiar, obtenha melhores condições para retomar sua vida, muitas vezes estagnada pelo ato ofensivo, com vistas ao enfrentamento das dificuldades vividas e sofridas e, consequentemente, ao rompimento do ciclo de violência na dinâmica familiar.

14 Mulheres vítimas de violência doméstica e familiar cujos processos tramitam na Vara Central da Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher e, conforme o caso, outros envolvidos no ato ofensivo.

15 1ª Etapa: Aproximação com a rede Mapeamento da rede de serviços públicos, da jurisdição desta Vara, voltados à mulher vítima de violência doméstica e familiar; Contato com a rede de serviços para visitas aos equipamentos; Visitas já realizadas Reuniões com os(as) supervisores(as) dos serviços.

16 1ª Etapa: Aproximação com a rede A) Centros de Atendimento para Mulheres Vítimas de Violência 1) Centro de Referência da Mulher Rua 25 de março, 205 Centro fone: (11)

17 1ª Etapa: Aproximação com a rede A) Centros de Atendimento para Mulheres Vítimas de Violência 2) Centro de Defesa e de Convivência da Mulher Espaço Francisca Franco Rua Conselheiro Ramalho, 93- Liberdade fone: (11)

18 1ª Etapa: Aproximação com a rede B) Saúde: Hospital Peróla Byington Av. Brigadeiro Luís Antonio, 683 Bela Vista - fone: (11)

19 2ª Etapa: Encaminhamento das mulheres à rede de serviços Esta etapa engloba as seguintes ações: Informações a respeito dos recursos disponíveis na rede pública especializada no atendimento às mulheres vítimas de violência doméstica e familiar; Sensibilização para reconhecimento do seu papel na dinâmica familiar e da importância da adesão aos serviços de atendimentos especializados, o que poderá ajudá-la olhar para si própria e a refletir sobre os objetivos traçados para sua vida.

20 3ª Etapa: Acompanhamento De mãos dadas com a rede viabiliza-se nesta etapa, através de troca contínua de informações entre as instituições envolvidas, com solicitação de informes periódicos às entidades quanto à adesão e participação das mulheres nos serviços para os quais foram encaminhadas por esta Vara.

21 4ª Etapa: Avaliação Quantificação dos dados informados pelas instituições parceiras para análise estatística, cujos resultados poderão nortear futuras ações.

22 Elaine Cristina Monteiro Cavalcante JUÍZA DE DIREITO DA VARA CENTRAL DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA A MULHER SP

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