Poder Judiciário JUSTIÇA FEDERAL Seção Judiciária do Paraná 2ª TURMA RECURSAL JUÍZO C

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1 JUIZADO ESPECIAL (PROCESSO ELETRÔNICO) Nº /PR RELATORA : Juíza Andréia Castro Dias RECORRENTE : LAURO GOMES GARCIA RECORRIDO : UNIÃO FAZENDA NACIONAL V O T O Dispensado o relatório, nos termos dos artigos 38 e 46, da Lei nº 9.099/95, combinado com o artigo 1º, da Lei nº /2001. Trata-se de recurso da parte autora contra sentença que julgou extinto o processo sem resolução do mérito, por falta de interesse processual, porquanto deveria ter requerido administrativamente a restituição dos valores pagos a título de imposto de renda e calculados sobre o regime de caixa, sobre o total dos valores atrasados recebidos por força de decisão judicial que determinou a concessão do seu benefício de aposentadoria. Argumenta a parte autora, em síntese, que não há necessidade do requerimento administrativo, pois a exação já foi cobrada, o que demonstra o entendimento da Fazenda ao caso. Fundamentação Tem razão a parte autora. Cumpre anotar que no âmbito dos Juizados Especiais Federais, de fato, a jurisprudência consolidou-se no sentido de exigir prévio requerimento administrativo, em que haja indeferimento expresso do pedido ou demora injustificável para sua [DMK /DMK] 1/5

2 apreciação, como forma de comprovar a existência de lide, ou seja, para demonstrar o interesse processual. Entendimento contrário importaria no aumento de demandas desnecessárias no âmbito dos Juizados Especiais Federais, comprometendo a celeridade daqueles processos onde realmente haja lide e necessidade da intervenção do Poder Judiciário. Ocorre que, à parte autora, não restava alternativa à época (declaração de ajuste do exercício de 2010, ano-calendário 2009), pois obrigada a declarar a grande soma acumuladamente recebida por conta da ação judicial. Não havia a possibilidade de indicar o recebimento mês a mês e não ver tributada sua renda ou, mesmo, sofrer a incidência de alíquota menor. Ademais, foi-lhe retido valores com base do regime de caixa, logo evidente o interesse de agir a legitimar o imediato ajuizamento da ação e fazer parar a injusta agressão que alegava estar sofrendo. Não se olvida que há dispositivo autorizador da possibilidade de a Procuradoria da Fazenda Nacional não contestar, recorrer ou desistir do recurso em questões como as tais, mas este expediente está no âmbito processual e a retenção indevida já foi efetuada no âmbito administrativo. Aquele refere-se ao PARECER PGFN/CRJ 287/2009 (DOU de 13/05/2009, Seção I, pág. 9): Ações judiciais que visem obter a declaração de que, no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global [DMK /DMK] 2/5

3 Mais recentemente, agora no âmbito da Receita Federal, foi editada a Instrução Normativa RFB nº 1.127, de 07 de fevereiro de 2011, que dispõe sobre a apuração e tributação de rendimentos recebidos acumuladamente, de que trata o art. 12-A da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de Dita Instrução Normativa RFB nº 1.145, de 5 de abril de 2011, estabelece que os rendimentos recebidos acumuladamente serão tributados em separado e no mês do respectivo recebimento do crédito. Essa norma (art. 8º) transfere ao artigo 27 da Lei /03 a disciplina da retenção do IR quando incidente sobre valores pagos em cumprimento de decisão da Justiça Federal e que diz que: Art. 27. O imposto de renda sobre os rendimentos pagos, em cumprimento de decisão da Justiça Federal, mediante precatório ou requisição de pequeno valor, será retido na fonte pela instituição financeira responsável pelo pagamento e incidirá à alíquota de 3% (três por cento) sobre o montante pago, sem quaisquer deduções, no momento do pagamento ao beneficiário ou seu representante legal. 1o Fica dispensada a retenção do imposto quando o beneficiário declarar à instituição financeira responsável pelo pagamento que os rendimentos recebidos são isentos ou não tributáveis, ou que, em se tratando de pessoa jurídica, esteja inscrita no SIMPLES. 2o O imposto retido na fonte de acordo com o caput será: I - considerado antecipação do imposto apurado na declaração de ajuste anual das pessoas físicas; ou II - deduzido do apurado no encerramento do período de apuração ou na data da extinção, no caso de beneficiário pessoa jurídica. (...) (sem negrito no original) [DMK /DMK] 3/5

4 Dessarte, como na esfera administrativa, a possibilidade de adotar o regime de competência só foi aberta ao contribuinte no ano de 2011, como visto acima, quando da declaração de rendimentos do autor, em 2010, a ele só restava informar o Fisco e pagar o tributo automaticamente calculado, sob pena de restar inadimplente. A situação jurídica, pois, quando do ajuizamento da ação, era a da negativa da Receita Federal ao pleito da parte autora. Portanto, sem demérito dos fundamentos da sentença, a impossibilidade de declaração de rendimentos recebidos acumuladamente pelo regime de competência configura o interesse de agir da parte autora. Assim, desnecessário o prévio requerimento administrativo, quando em sendo matéria apenas de direito, como é o caso, já se sabe de antemão a posição negativa da Administração ao pedido do contribuinte. Diante disso, impõe-se o provimento do recurso, para que o feito seja remetido ao primeiro grau, a fim de que seja processado com citação da União, conclusão da instrução e novo julgamento. Conclusão Em razão do exposto, VOTO por DAR PROVIMENTO AO RECURSO da PARTE AUTORA, para que o feito seja remetido ao primeiro grau, para ser processado com citação da União, conclusão da instrução e novo julgamento [DMK /DMK] 4/5

5 Sem fixação de condenação em honorários advocatícios, porquanto incabíveis na espécie (artigo 55 da Lei 9.099/95). Considero prequestionados especificamente os dispositivos legais e constitucionais invocados na inicial, contestação, razões e contrarrazões de recurso, porquanto a fundamentação ora exarada não viola qualquer dos dispositivos da legislação federal ou a Constituição da República levantados em tais peças processuais. Desde já fica sinalizado que o manejo de embargos para prequestionamento ficarão sujeitos à multa, nos termos da legislação de regência da matéria. Curitiba, 26 de julho de Andréia Castro Dias, Juíza Federal Relatora [DMK /DMK] 5/5

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