A indústria de seguros no Brasil Transformação e crescimento em um país de oportunidades

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1 A indústria de seguros no Brasil Transformação e crescimento em um país de oportunidades

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3 III

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5 A indústria de seguros no Brasil Transformação e crescimento em um país de oportunidades 1

6 Direção geral do projeto Clodomir Félix F. C. Junior Coordenação editorial Renato de Souza Mtb Produção editorial Ester Rossi Mtb /SP Apoio à produção Laura Paoletti Sthefani Tironi Produção gráfica e pesquisa de imagem Elisa Paulillo Otavio Sarsano Complementação de informações econômicas Fernando Ruiz Giovanni Cordeiro Aline Oshiro Revisão Sonia Hagemann Versão em inglês Unitrad Profissionais em tradução Arte Mare Magnum Fotos Walter Craveiro (fotógrafo oficial do projeto) Nelson Toledo (Enrico De Vettori e João Batista Pinto) Gilberto Alves (Jérôme Garnier) Jorge Luiz ANS (Mauricio Ceschin) Nilton Santana (Fabio Luchetti) Gabriel Sales Photocamera (Carlos Augusto Pinto Filho) Gráfica Intergraf Ind. Gráfica Ltda. Tiragem exemplares na versão em português 300 exemplares na versão em inglês Empresas e entidades colaboradoras Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) Aon Risk Solutions Banco do Brasil Bradesco Seguros Caixa Seguros CESCEBRASIL Seguros HDI Seguros IRB-Brasil Re Itaú Auto e Residência S.A. MAPFRE Seguros Marítima Seguros S.A. Marsh Brasil OdontoPrev Porto Seguro SulAmérica Superintendência de Seguros Privados (Susep) As estatísticas mencionadas neste livro refletem a última informação disponível no fechamento da publicação. A divulgação de dados pela imprensa ou por quaisquer outras fontes do mercado que venham a atualizar as estatísticas aqui expostas não invalida, de forma alguma, o propósito informativo desta obra, que é o de articular movimentos e tendências essenciais que se estabelecem e se desenvolvem ao longo de anos, a despeito de mudanças pontuais ou ciclos curtos da economia e dos negócios. O conteúdo dos artigos assinados pelos articulistas colaboradores desta publicação não reflete necessariamente as opiniões da Deloitte. Estão reservados à Deloitte todos os direitos autorais desta obra. A reprodução de páginas deste livro está vetada e a citação de informações nele contidas está sujeita à autorização prévia, da Deloitte e dos articulistas colaboradores, mediante consulta formal e comprometimento de citação de fonte. Filiada à Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje) Contato para leitores desta obra: Sobre a Deloitte A Deloitte oferece serviços nas áreas de Auditoria, Consultoria, Consultoria Tributária, Corporate Finance e Outsourcing para clientes dos mais diversos setores. Com uma rede global de cerca de profissionais atuando a partir de firmas-membro em mais de 150 países, a Deloitte reúne habilidades excepcionais e um profundo conhecimento local para ajudar seus clientes a alcançar o melhor desempenho, qualquer que seja o seu segmento ou região de atuação. No Brasil, onde atua desde 1911, a Deloitte é uma das líderes de mercado e seus cerca de profissionais são reconhecidos pela integridade, competência e habilidade em transformar seus conhecimentos em soluções para seus clientes. Suas operações cobrem todo o território nacional, com escritórios em São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Campinas, Curitiba, Fortaleza, Joinville, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Recife e Salvador. Deloitte refere-se à sociedade limitada estabelecida no Reino Unido Deloitte Touche Tohmatsu Limited e sua rede de firmas-membro, cada qual constituindo uma pessoa jurídica independente. Acesse para uma descrição detalhada da estrutura jurídica da Deloitte Touche Tohmatsu Limited e de suas firmas-membro Deloitte Touche Tohmatsu. Todos os direitos reservados.

7 Uma visão sobre o nosso vibrante mercado de seguros Em nosso segundo século no País, queremos continuar participando ativamente do processo de crescimento e transformação desse setor. A excelência da indústria financeira do Brasil é hoje reconhecida em todo o mundo, contribuindo para projetar o País como um mercado de fato atraente para os principais agentes internacionais. Os sólidos fundamentos das organizações desse setor se traduzem em ótimos níveis de rentabilidade, ofertas diversificadas de produtos, penetração crescente em faixas pouco exploradas da população, invejável base tecnológica e destacável estrutura de gestão de riscos. O setor de seguros é, sem dúvida, parte muito importante dessa nossa robusta indústria financeira. Mais do que isso, ele representa hoje um mercado vibrante, em forte expansão e consolidando um nível significativo de maturidade. O atual sucesso do nosso mercado segurador é resultado não apenas de um momento promissor da economia e do ambiente de negócios do País, mas, sobretudo, da capacidade das próprias empresas que o constituem em se reinventar permanentemente. A Deloitte, que já completou 100 anos de atuação no Brasil, se orgulha em ter historicamente apoiado as organizações que compõem toda a nossa cadeia do mercado de seguros e financeiro em geral. Em nosso segundo século no País, queremos continuar participando ativamente do processo de crescimento e transformação desse setor. Esta coletânea de artigos que organizamos, com alguns dos principais executivos desse mercado, nos oferece uma visão panorâmica sobre um dos setores mais promissores da economia nacional. Desejamos a todos uma ótima leitura. Juarez Lopes de Araújo Presidente da Deloitte

8 Articulistas colaboradores Carlos Augusto Pinto Filho Coordenador-geral de Monitoramento de Solvência da Superintendência de Seguros Privados (Susep) Francisco Caiuby Vidigal Presidente da Marítima Seguros S.A. e Marítima Saúde Seguros S.A. Cristiano Furtado CFO da Marsh Brasil Jérôme Garnier Diretor financeiro da Caixa Seguros Duarte Marinho Vieira Superintendente técnico atuarial da MAPFRE Seguros e professor de Ciências Atuariais da Pontifícia Universidade Católica (PUC) Leonardo André Paixão Presidente do IRB-Brasil Re Fabio Luchetti Vice-presidente executivo da Porto Seguro Marcelo Homburger Vice-presidente de Recursos Técnicos da Aon Risk Solutions Deloitte liderança local e global Clodomir Félix Líder da Deloitte no Brasil para a indústria financeira Chris Harvey Líder global da Deloitte para a indústria financeira Joe Guastella Líder global da Deloitte para a indústria de seguros

9 Marco Antonio Rossi Presidente do Grupo Bradesco Seguros Patrick de Larragoiti Lucas Presidente do Conselho de Administração da SulAmérica Seguros e Previdência Mauricio Ceschin Diretor-presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) Paulo Rogério Caffarelli Vice-presidente de Novos Negócios de Varejo do Banco do Brasil Murilo Setti Riedel Vice-presidente da HDI Seguros e responsável pelas áreas técnicas de Seguros, Resseguros e Sinistros Randal Zanetti Presidente da OdontoPrev Ney Ferraz Dias Diretor geral do Itaú Auto e Residência S.A. Valmir Forni Diretor administrativo financeiro da CESCEBRASIL Seguros Deloitte expertise na indústria e na prática de negócios Enrico De Vettori Sócio da área de Consultoria da Deloitte e especialista no setor de saúde João Batista Pinto Diretor da prática de Atuária da Deloitte

10 Introdução Um setor que avança com o novo Brasil Para analisar o universo de transformações pelas quais passa o mercado segurador, nada melhor do que uma coletânea de artigos de executivos e especialistas que conhecem a fundo o setor e trabalham pelo seu desenvolvimento. O mercado de seguros vivencia no Brasil um momento inédito, marcado por acentuados níveis de expansão em praticamente todos os segmentos e tipos de produto e, principalmente, por amplas oportunidades nas mais diversas frentes. Uma série de fatores tem contribuído para que essa indústria avance rapidamente para consolidar conquistas históricas e efetivar seu reconhecido potencial de crescimento em uma das principais economias emergentes do mundo. O primeiro facilitador dos avanços recentes desse setor está ligado à própria estabilidade econômica do País, que passou a proporcionar nas últimas duas décadas uma maior capacidade de planejamento para consumidores e empresas, a fim de aumentar o interesse por produtos de seguro. Outro determinante dessa nova realidade talvez o mais significativo de todos pela sua abrangência tem sido a exuberância do nosso mercado interno, com a elevação do poder de consumo de partes significativas da população. A chamada nova classe média, que já vinha desencadeando mudanças em diversos setores econômicos, busca agora meios para preservar seus bens adquiridos e garantir segurança e um futuro mais estável para sua família. Desse modo, grandes oportunidades continuarão a se abrir para certos segmentos de seguros. O próprio microsseguro, em vias de ser regulamentado no País, projeta-se como alternativa importante nesse contexto. Felizmente, as excelentes perspectivas para o mercado segurador se sustentam não apenas como reflexo de eventos socioeconômicos do passado recente. Muito pelo contrário, há razões para se 6

11 Clodomir Félix Líder da Deloitte no Brasil para a indústria financeira acreditar na manutenção do crescimento em médio e longo prazos, em decorrência de fenômenos econômicos, mercadológicos e até demográficos em curso. A retomada dos investimentos em infraestrutura, por exemplo associados ou não à realização dos megaeventos esportivos de 2014 e 2016, traz sinais promissores para segmentos como o resseguro e o seguro patrimonial. A própria instabilidade vigente em economias maduras deve contribuir, por sua vez, para que o setor de seguros brasileiro permaneça atrativo a investimentos estrangeiros, em particular, diante do movimento de abertura que o mercado local tem vivenciado. E a relevância cada vez maior da População Economicamente Ativa (PEA) na sociedade brasileira tende a concretizar o que se vem chamando de bônus demográfico, com um número maior de pessoas produzindo, consumindo e gerando ainda mais oportunidades para a indústria seguradora. Diante desse cenário sem precedentes, a indústria de seguros no Brasil vem promovendo uma transformação contínua nos mais diversos âmbitos: das estratégias de negócio adotadas à introdução de modelos de operação mais eficientes, de novos mecanismos de crescimento ao uso de canais alternativos de distribuição. É para tratar desse universo de transformações em um ambiente propício ao crescimento que a Deloitte decidiu convidar executivos e especialistas para expor suas visões sobre o desenvolvimento do mercado segurador. Desse modo, A indústria de seguros no Brasil Transformação e crescimento em um país de oportunidades é uma coletânea de artigos que percorre os grandes determinantes das mudanças e da expansão 7

12 Uma história de desse setor. O primeiro capítulo do livro ( Além da tempestade ) trata da conjuntura internacional do mercado de seguros, com os líderes globais da Deloitte para as indústrias financeira e de seguros Chris Harvey e Joe Guastella, respectivamente discorrendo a respeito dos novos determinantes da dinâmica do setor. Os cinco artigos do segundo capítulo ( O país do presente se revela ) discorrem sobre como o novo cenário social brasileiro vem trazendo oportunidades inéditas para as seguradoras. O capítulo Horizonte sem fim trata da relação entre o mercado de seguros e os caminhos que o capital vem tomando, no mundo e, em particular, no Brasil. Já o quarto capítulo ( Pela saúde do brasileiro ) inclui artigos sobre os desafios e as perspectivas para os seguros de saúde e odontológico. Os aspectos de gestão, que vão da precificação e rentabilidade aos papéis do corretor e do profissional atuário, estão no quinto capítulo, A gestão moderna. Para finalizar o livro, os três artigos do capítulo 6 ( A nova dinâmica da indústria ) tratam de movimentos próprios de um setor globalizado por definição, que abrangem aderência a regulamentações, gestão de riscos, consolidações e competitividade No ano da abertura dos portos brasileiros, é fundada a primeira organização de seguros do País, a Companhia de Seguros Boa-Fé 1996 O Brasil passa a permitir a entrada de grupos estrangeiros podendo controlar companhias seguradoras locais 1850 Com a promulgação do "Código Comercial Brasileiro", o seguro marítimo é regulado plenamente, atividade fundamental para um país agroexportador 2000 É criada a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para regular o setor de serviços de saúde 1855 Já sob a regência de D. Pedro II, o Brasil Império vivencia a formação da Companhia de Seguros Tranquilidade, a primeira do País dedicada ao ramo vida 2006 São estabelecidas novas regras de solvência para as seguradoras, com a exigência de mais capital, acarretando novas consolidações 1862 Surgem as primeiras sucursais no Brasil de seguradoras sediadas no exterior 2008 O Instituto de Resseguros do Brasil (IRB-Brasil Re) perde o monopólio do resseguro, favorecendo a chegada de competidores estrangeiros Vistos no conjunto, os 20 artigos expostos nas páginas seguintes constituem retratos do presente e do futuro de uma indústria que aprendeu a se transformar permanentemente, adaptando-se sempre aos novos tempos da economia. 8

13 transformação e crescimento 1901 Criação da Superintendência Geral de Seguros, que passou a concentrar as responsabilidades de fiscalização do setor 1929 É fundada a primeira empresa de capitalização do Brasil, a Sul América Capitalização S.A É criado o Instituto de Resseguros do Brasil (IRB-Brasil Re), que monopolizaria o resseguro no País até o início do século São criados o Sistema Nacional de Seguros Privados e a Superintendência de Seguros Privados (Susep) 1985 O mercado brasileiro de seguros passa por uma reestruturação, com a desregulação gradativa do setor 1993 O Plano Real é lançado, sedimentando as bases da posterior estabilização econômica brasileira 2010 O País encerra uma década de forte expansão do crédito e inclusão social, ampliando o mercado interno e abrindo perspectivas a todo o mercado segurador 2011 O Governo Federal lança o PAC 2, que, junto a empreendimentos privados, abre oportunidades a ramos como o resseguro e o seguro patrimonial 2014 O País sediará a Copa do Mundo da FIFA, coroando uma fase de retomada dos investimentos em infraestrutura, que favorece segmentos do mercado segurador 2020 O Brasil deve alcançar o ápice do bônus demográfico, com a sua população economicamente ativa representando a maior parte da sociedade mais oportunidades ao mercado segurador Fontes: Susep, revista Época Negócios e Deloitte (consolidação de dados públicos) 9

14 Sumário Capítulo 1 13 Além da tempestade Um olhar sobre o futuro da indústria no mundo 14 Os vetores da transformação Quatro fatores centrais para explicar as mudanças na indústria financeira Chris Harvey 18 Novas rotas para o crescimento O foco nos mercados emergentes e em canais de distribuição não tradicionais Joe Guastella Capítulo 2 23 O país do presente se revela As facetas do crescente mercado interno 24 Um bônus a conquistar As oportunidades que virão com o aumento da população economicamente ativa Fabio Luchetti 28 O novo objeto de desejo Após a ascensão social, as classes emergentes querem preservar suas conquistas Marco Antonio Rossi 32 As novas necessidades da nova classe média As demandas da classe C, que ajuda a impulsionar o setor de seguros Patrick de Larragoiti Lucas 36 Muito além de um seguro barato O potencial e o público-alvo de produtos promissores, como o microsseguro Paulo Rogério Caffarelli Capítulo 3 45 Horizonte sem fim De portas abertas para o investimento 46 A segurança das seguradoras Grandes perspectivas para o mercado de resseguros no Brasil Leonardo André Paixão 50 O ciclo virtuoso do patrimônio Um ambiente ideal para a expansão do seguro de patrimônio Marcelo Homburger 52 Mais proteção aos exportadores O seguro de crédito à exportação em tempos de globalização intensa do comércio Valmir Forni 40 A próxima etapa evolutiva Chegou a vez dos seguros de vida, previdência e saúde Jérôme Garnier 10

15 Capítulo 4 57 Pela saúde do brasileiro Alternativas para a indústria da vida 58 Oportunidades para crescer e incluir Acessibilidade e percepção de valor impulsionam o seguro odontológico no Brasil Randal Zanetti 62 Os desafios da cadeia da saúde A importância de se enfrentar o crescente aumento de custos no setor Enrico De Vettori 66 O plano de saúde do futuro O desafio de responder a consumidores cada vez mais bem informados Mauricio Ceschin Capítulo 5 71 A gestão moderna Operações na busca da eficiência 72 A informação que define o preço As novas possibilidades na construção de modelos de precificação Ney Ferraz Dias 76 Rentabilidade versus custos O complexo e fundamental processo de gestão profissional dos custos Murilo Setti Riedel 80 Profissão corretor A busca de especialização, atualização e soluções customizadas Cristiano Furtado 84 Novos papéis para o atuário Os desafios que a implementação do IFRS trouxe aos atuários de seguros João Batista Pinto Capítulo 6 91 A nova dinâmica da indústria Como avançar em um setor globalizado por excelência 92 Impactos e benefícios da norma Os esforços para ajustar a indústria de seguros aos padrões internacionais Carlos Augusto Pinto Filho 96 Lições aprendidas com a crise Os muitos aprendizados de toda a indústria financeira aplicados às seguradoras Francisco Caiuby Vidigal 100 O risco que vira oportunidade De pessoas a processos, de parcerias a concorrentes: os determinantes da competitividade Duarte Marinho Vieira 11

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17 Capítulo 1 Além da tempestade Um olhar sobre o futuro da indústria no mundo

18 Os vetores da transformação As mudanças mais importantes em curso nas instituições financeiras do mundo ocorrem hoje em torno de quatro fatores centrais: aderência a regulamentações, capital, clientes e concorrência. O peso dessas alterações afeta hoje todas as áreas de negócio das organizações do setor. uatro anos após o início da crise financeira global, grande parte do setor de serviços financeiros das economias maduras continua bastante inquieta. Nos Estados Unidos e nas nações da Europa Ocidental, as incertezas econômica, regulatória e política custaram a confiança do consumidor, o que se reflete na lenta recuperação econômica. Formuladores de políticas das duas regiões continuam a introduzir regulamentações complicadas e potencialmente custosas, que confundem os esforços de planejamento estratégico e podem ter um efeito cascata nas instituições financeiras das economias dos países em desenvolvimento. Muitas das maiores instituições financeiras do mundo estão lutando para encontrar oportunidades de crescimento, ao mesmo tempo em que enfrentam pressões do governo, dos órgãos reguladores e da opinião pública. Vimos reestruturações e alienações entre as maiores organizações do mundo para sobreviverem. Agora estamos vendo as empresas alterarem seu foco comercial, suas estratégias e seus mercados. Enquanto instituições de economias desenvolvidas digladiam-se com condições adversas, organizações de economias emergentes têm encontrado uma rara oportunidade para recuperar o atraso. Grandes empresas globais de serviços financeiros no Brasil e na China estão assumindo seu legítimo lugar no cenário internacional; os dois países têm hoje instituições financeiras classificadas entre as 25 maiores do mundo em termos de força e atratividade para investimentos. 14

19 Por Chris Harvey Líder global da Deloitte para a indústria financeira Enfrentando a perspectiva de crescimento estagnado internamente, instituições norte-americanas e europeias estão sendo atraídas para esses mercados emergentes. Elas estão buscando crescimento em economias menos voláteis e levando com elas não apenas ofertas bancárias padrão, mas produtos de seguro mais sofisticados, como, por exemplo, contra recessão para residentes não segurados ou subsegurados no exterior. Vários países estão mudando suas estruturas regulatória e tributária à medida que se tornam mais confiantes a respeito da força de seus setores financeiros e, assim, estão se tornando mais atraentes para essas instituições globais e estrangeiras, em particular, no Brasil. Para lidar com novos regulamentos e ampliar sua presença em novos mercados, organizações financeiras em todo o mundo estão evoluindo com o mercado global pós-recessão. Grande parte da transformação nas instituições financeiras está ocorrendo em torno de quatro elementos centrais: aderência a regulamentações, capital, clientes e concorrência. Essas mudanças estão afetando as decisões em todas as áreas de negócio: modelos operacionais, gestão de riscos, governança, combinações estratégicas, desenvolvimento de produtos, talentos e objetivos estratégicos. Aderência a regulamentações Os governos e as instituições financeiras globais são vistos com desconfiança devido à crise e às ajudas emergenciais. O diálogo político em andamento, as ameaças de penalidades regulatórias e as táticas agressivas de lobby por parte de líderes do setor resultaram na mudança da supervisão da alta cúpula das instituições financeiras nas nações desenvolvidas. No entanto, essa 15

20 atividade em andamento deixou muitos detalhes operacionais vagos e aumentou o número de órgãos reguladores aos quais as instituições financeiras devem se reportar. Embora tenhamos visto um acordo geral entre os países do G-20 sobre exigências de estabilidade financeira e regulamentação, ainda há graus conflitantes de normas entre os países. Isso requer que esforços de adequação às regulamentações sejam empreendidos para adaptar as exigências a cada jurisdição. A não conformidade poderia levar a penalidades significativas e representa um risco relevante à reputação quando as atenções se voltarem para áreas sensíveis, como a remuneração de executivos. Vários ajustes importantes estão posicionando as empresas para reagirem à mudança regulatória, à medida que ela se desenrola. As instituições financeiras estão caminhando em direção a um programa de conformidade ágil e dimensionável, apoiado por soluções tecnológicas e uma força de trabalho altamente qualificada. Os líderes das instituições financeiras também estão tratando do processo Os setores financeiros estão se moldando em um número menor de grandes instituições líderes e em um número maior de empresas menores e especializadas. de adequação às regulamentações de maneira proativa, prevendo penalidades, quantificando vantagens competitivas e analisando cenários que desencadeariam eventualmente mudanças na atuação geográfica, saídas de produtos ou um plano alternativo de remuneração. Capital O capital não é mais uma mercadoria que possa ser adquirida facilmente. Somente o mercado de títulos negociáveis encolheu mais de 50% de 2007 a A introdução de novos padrões de capital por meio do Basileia III para os bancos e do Solvência II para as seguradoras aumentou ainda mais o custo do capital. Como resultado, a concorrência por fontes mais baratas e estáveis de capital, como depósitos bancários segurados, é intensa. Exigências de capital de prazo mais longo, no entanto, estão forçando as instituições financeiras a focar medidas de retorno de capital para identificar o melhor uso do investimento e os produtos mais eficientes. O resultado desse movimento provavelmente será pressionar as instituições financeiras a fim de diversificar em áreas varejistas do setor, que têm potencial para aumentar a liquidez, inclusive para produtos de seguro que gerem fluxos de caixa positivos no curto prazo. Clientes Os clientes saíram arranhados da instabilidade econômica dos últimos quatro anos, o que 16

21 os forçou a se inteirarem mais sobre os riscos e a escrutinar a natureza dos produtos financeiros mais de perto. A instabilidade econômica também aumentou a sensibilidade do cliente em relação aos preços, forçando as instituições financeiras a reduzir taxas ou a diminuir as expectativas de venda. Na luta pela participação de mercado, as instituições financeiras estão preservando margens por meio de mais eficiência, concentrando-se em produtos de serviço intensivo para segmentos menos sensíveis aos preços e abrindo mão de relações com clientes de alto risco. A eliminação de produtos de qualidade mais baixa e o impulso a marcas viáveis mantêm a gama de produtos e serviços oferecidos de forma compatível com a qualidade do cliente e os padrões de preços. Concorrência O cenário concorrencial está repleto de novos participantes, consolidações e competidores dos mercados emergentes. Os novos participantes estão capitalizando seus serviços especializados para atrair clientes do setor financeiro, insatisfeitos e desconfiados dos atuais fornecedores. A consolidação continua a ser um caminho em direção ao crescimento nas economias anêmicas de hoje; a caça às pechinchas é o esporte financeiro do momento. Nos mercados emergentes, os competidores estão agindo com rapidez e agilidade para desenvolver uma presença regional, forçando os fornecedores internacionais a observar seus planos ambiciosos a fim de aumentar o reconhecimento de marca. Novos competidores, mais rápidos e criativos e com altos padrões de serviço ao cliente, estão motivando fornecedores tradicionais a melhorar a experiência do cliente e a resposta aos serviços para não perder terreno. Os setores financeiros estão se moldando em um número menor de grandes instituições líderes e em um número maior de empresas menores e especializadas. Para enfrentar esses desafios, as instituições financeiras estão se voltando para a inovação de serviços, na qual o uso aperfeiçoado da tecnologia pode levar a uma melhor experiência do cliente. Além disso, a capacitação em serviço para o pessoal da linha de frente tornouse uma grande prioridade para fornecer uma experiência competitiva ao cliente. Aquisições e alienações estratégicas estão mantendo a penetração de mercado alinhada com os objetivos da organização, incluindo investimentos em países emergentes, como o Brasil. Apesar da intensificação das incertezas em torno de aderência a regulamentações, capital, clientes e concorrência, há um grau de estabilidade retornando aos sistemas financeiros mundiais. As instituições que se mantêm concentradas em aproveitar oportunidades nessas quatro áreas centrais estão fortalecendo sua posição para alcançarem êxito no novo cenário global. 17

22 Novas rotas para o crescimento Com perspectivas reduzidas de expansão nas economias mais maduras, as seguradoras globais estão direcionando seu foco de atuação e capital aos mercados emergentes e para o uso de canais de distribuição não tradicionais. Assim, buscam transitar com mais eficácia nas novas condições do mercado global. A crise financeira que teve início em 2008 acelerou o ritmo das mudanças no mercado de seguros, à medida que os fornecedores intensificaram seus esforços para escorar os fluxos das receitas em queda. Embora a causa-raiz do colapso possa remontar a bancos e empresas de valores mobiliários, o receio de contágio de novos reveses disseminou-se entre todas as instituições de serviços financeiros. As seguradoras estão se saindo melhor do que a maioria, no entanto, devido a medidas eficazes de gestão de riscos e reservas de capital suficientes durante o auge da crise. Apesar de problemas generalizados entre bancos e organizações de valores mobiliários, somente algumas poucas instituições de seguro a maioria com sede nos Estados Unidos foram prejudicadas pela crise do sistema financeiro. As seguradoras também continuam a ter uma classificação melhor do que outras instituições de serviços financeiros em pesquisas de avaliação de marca feitas com consumidores. Embora as seguradoras tenham resistido bem durante a crise, a retração econômica ressalta alguns problemas subjacentes com os fluxos tradicionais de receitas das seguradoras, que têm encolhido nos últimos anos. A capacidade das seguradoras de gerar receita a partir de subscrições tradicionais em economias desenvolvidas foi afetada de modo adverso com a alta saturação do mercado e com prejuízos de bilhões de dólares em riscos seguráveis durante a retração econômica. Fluxos de ganhos de investimento, que constituem uma das principais fontes das 18

23 Por Joe Guastella Líder global da Deloitte para a indústria de seguros receitas dos seguros, também estiveram sob pressão devido à constante volatilidade do mercado. A ameaça de recessão global pressionou as taxas de juros para baixo. A continuidade de taxas de juros mais baixas reduz a capacidade das seguradoras de gerar receita suficiente para cobrir custos fixos de produtos de investimento e limita o retorno que podem oferecer aos consumidores em seguros de vida e produtos de anuidade. O ambiente saturado de regulamentações complica os esforços das seguradoras de agir estrategicamente e caminhar em novas direções. Tanto os países individualmente quanto as organizações normatizadoras continuam a introduzir medidas regulatórias em resposta à crise financeira. No âmbito internacional, medidas destinadas à estabilidade do setor, como o Solvência II, já estavam sendo adotadas antes da crise. A ênfase no foco da reforma regulatória na União Europeia e nos Estados Unidos impõe muitos desafios, entre os quais, nas áreas de estrutura operacional, planejamento fiscal e aderência a regulamentações. O ajuste fino das Normas Internacionais de Relatórios Financeiros (o IFRS, de International Financial Reporting Standards ), do International Accounting Standards Board (IASB), provavelmente terá impacto na elaboração dos relatórios das seguradoras, além de ônus fiscal. As seguradoras estão enfrentando um período prolongado no qual ficarão sem saber o que será esperado delas, que demandas e custos de conformidade enfrentarão ou mesmo se continuarão viáveis em determinados mercados. As seguradoras estão agindo para aproveitar o potencial de novas 19

24 possibilidades de geração de lucros, apesar da incerteza regulatória. Com o crescimento estagnado nas economias avançadas, os líderes do setor de seguros estão mudando seu foco e capital financeiro, tecnológico e intelectual para mercados emergentes e canais de distribuição não tradicionais, onde podem ter maiores oportunidades para direcionar o crescimento. As seguradoras estão estudando a possibilidade de ampliar sua presença em economias em desenvolvimento, nas quais a penetração do setor de seguros é baixa. O grande número de pessoas não seguradas ou subseguradas no Brasil, junto com uma economia resiliente e uma classe média em crescimento, apresenta uma nova frente atrativa para melhores retornos. Além de ter a quinta maior população do mundo, o Brasil tem várias qualidades que tornam as perspectivas de venda Nos mercados emergentes, a economia pode ser diferente, mas as demandas do consumidor são surpreendentemente similares. Empresas e consumidores têm mais ativos para proteger e renda disponível para comprar produtos de seguro em função de suas economias em expansão. animadoras para as seguradoras. Entre essas qualidades, estão mercados comerciais internacionais abertos, um crescimento projetado consistente e taxas estáveis de inflação, consumo, impostos e dívida pública. O Brasil é um dos vários países que estão agindo para mudar estruturas fiscais e regulatórias a fim de atrair empresas estrangeiras de serviços financeiros. O setor interno de seguros foi liberalizado para permitir investimentos e participação de empresas estrangeiras no crescimento emergente do setor no País. Como resultado, a previsão é de que o mercado brasileiro de seguros cresça a uma taxa média de quase 10% até 2013, ultrapassando em muito a média projetada do mercado global de cerca de 3%. À parte a nova penetração de mercado, as seguradoras estão ajustando seu conjunto de produtos e serviços para atender aos tipos de produtos de seguro que os consumidores querem nas economias pós-recessão. Com pouco dinheiro e desconfortáveis com produtos que não entendem, os consumidores das economias avançadas em geral estão passando de produtos complexos ou híbridos para produtos simples e fáceis de entender, com cobertura em áreas que os compradores acreditam não poder bancar por não ter proteção, como contratos de anuidade à prova de inflação e seguros de vida e saúde. Isso está limitando as oportunidades do setor para avançar com produtos e serviços inovadores de margem mais alta. 20

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